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O País – A verdade como notícia

O Delegado político da Renamo na cidade de Maputo, Domingos Gundana, diz que o país está longe de vencer eleições por vias democráticas, devido ao elevado índice de ilícitos eleitorais. Gudana, serviu-se dos resultados das eleições autárquicas de 11 ou de outubro, para  que houvesse um grupo que tudo faz para perpetuar-se no poder.  

“ Saudamos aos munícipes de Alto Molócuè, uma das autarquias sobrantes daquilo que foi o apetite do sistema comunista, em arrancar todas aquelas que nós ganhamos. Sobraram esta autarquia para tentar consolar, para tentar dizer que aceitam a derrota. ” disse Domingos Gundana

Gundana defende ainda a criação de instituições credíveis para legitimar a escolha do povo nas urnas. 

“Isto é apenas um sinal de que o nosso país está longe de vencer eleições por vias democráticas, e pelo voto na na urna. É preciso encontramos um outro fórum para que haja credibilidade.” afirmou.

O presidente da Liga da Juventude do partido Renamo, Ivan Mazanga, apelou para que os congressistas agissem com maturidade durante o congresso. O jovem explicou que é “difícil realizar congressos em ano eleitoral”, por diferentes razões, mas é necessário que o processo seja conduzido da melhor forma.

Mazanga olhou para o partido como um todo, mas também destacou os os avanços feitos em relação a participação dos jovens dentro da Renamo. Ivan explicou que os jovens serão as testemunhas do trabalho do partido, por isso, Ivan Mazanga acredita ser importante que se abra espaço para que os jovens participem de forma mais efectiva, pois “o sistema sugou todas as forças e sonhos da juventude”.

O presidente do Município de Alto Molócuè, Otílio Eduardo, disse, em viva voz, que todos zambezianos apoiam incondicionalmente a recondução de Ossufo Momade à  presidência do partido,  assim como a sua candidatura à presidência da República, nas eleições gerais do próximo 9 de Outubro.  

“Reconhecemos a sua seriedade e capacidade aglutinadora, ao longo do seu mandato.  Apesar das adversidades e tentativas de desestabilizar a Renamo e violentar o seu caráter e personalidade , ele conseguiu controlar até aqui.” disse Otilio. 

Otílio não poupou nos elogios e foi mais além, personificando Ossufo Momade com o Moisés, da bíblia sagrada, tido como o mais paciente do mundo.   

“Foi um homem muito diferente dos outros homens. Deus lhe deu um estômago para engolir todos sapos e até manter-se calado.” Concluiu o Edil.

O porta-voz da Renamo, José Manteigas, diz não ter conhecimento sobre a medida cautelar que possibilita a participação de Venâncio Mondlane no Congresso da Renamo.
“Não sei, o que eu sei é que o tribunal de Maputo já decretou improcedente algumas petições dele, o Conselho Constitucional também chumbou a petição dele. Então, não sei o que está a acontecer lá fora”.

Manteigas terminou dizendo que seu único foco no momento é a realização do congresso. “Estou focado no evento, o congresso, e não estou atento, nem quero estar atento ao que está a acontecer lá fora”.

Há poucos minutos do Congresso que vai decidir quem será o futuro presidente do partido Renamo, Mohamed Yassin, deputado da Assembleia da República e membro da Renamo, avançou que nada impede que Venâncio Mondlane seja convidado a assistir o evento, mas sem direito a voto.

Segundo explicou Yassin, a eleição para congressista tem alguns preceitos e caso um deles falhe não tem como ser congressista, mas não há um impecilio para que o colega que levou a Renamo a barra dos tribunais faça parte do congresso como convidado.

Yassin acrescentou que seria de “bom tom” que Venâncio Mondlane fosse convidado para o congresso, no entanto, não se sabe se ele aceitaria participar em tais condições. “Este é um evento que deveria dar alegria a todos membros da Renamo, por isso, qualquer falha que possa ser cometida deve ser perdoada”.

Depois dos ataques protagonizados, na passada sexta-feira, por terroristas à sede distrital de Macomia, confirmados pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, situação que viria a ser, depois, dada como controlada, o Governo moçambicano reuniu-se, esta terça-feira, 14 de Maio, em sessão do Conselho de Ministros.

No entanto, o Governo não abordou este nem outros ataques que têm sido levados a cabo, nos últimos dias, pelos insurgentes que protagonizaram saques e levaram várias viaturas, incluindo da organização não governamental Médicos sem Fronteiras.

A nota enviada à redacção do “O País” refere que o Executivo aprovou o decreto que aprova o regulamento para exercício da actividade de agenciamento de navios, mercadorias e serviços complementares e revoga o decreto n˚53/2006, de 26 de Dezembro; a resolução que ratifica o acordo sobre supressão de vistos em passaportes diplomáticos e de serviço entre o Governo da República de Moçambique e o Governo da República Bolivariana da Venezuela, assinado a 4 de Julho de 2018, em Maputo.

A sessão aprovou, também, a resolução que ratifica o acordo entre o Governo da República de Moçambique e o Governo da República Francesa sobre Isenção Recíproca de Vistos de Curta Duração para os Titulares de Passaportes Diplomáticos, assinado a 13 de Dezembro de 2023, em Maputo.

Na sessão de ontem, o Governo apreciou e aprovou o relatório de participação do primeiro-ministro, Adriano Maleiane, no 60.º aniversário da unificação de Tanganyka e Zanzibar, a 26 de Abril de 2024, em Dar es Salaam, Tanzânia; e o relatório da sua participação na Cimeira da Associação Internacional para o Desenvolvimento de África (IDA) 2021 – Nairobi, Quénia, no dia 29 de Abril de 2024.

Outras informações apreciadas pelo Conselho de Ministros estão relacionadas com o recenseamento eleitoral no distrito de Quissanga; as acções de seguimento de apoio ao posto administrativo de Lunga, na província de Nampula, e a situação da época chuvosa e ciclónica 2023/2024, com enfoque para os impactos registados em resultado dos fenómenos naturais e antropogénicos ocorridos.

A poucas horas do Congresso Nacional da Renamo, que vai decidir quem será o candidato presidencial para as eleições de 9 de Outubro próximo, analistas acreditam que tudo pode acontecer. Com praticamente todos os candidatos à presidência do partido no local, “não é possível saber se a Renamo vai sair mais unida, mas o facto é que um candidato deverá ser conhecido e deve estar à altura de Daniel Chapo”.

É opinião de Borges Nhamire que Ossufo Momade não é tão carismático quanto foi Afonso Dhlakama, a quem substituiu após a morte em 2018. Embora a candidatura de Momade à reeleição para a liderança do partido seja pública, o analista acredita que o actual presidente do partido está muito aquém de competir contra o candidato presidencial da Frelimo, Daniel Chapo.

“A Renamo tinha tudo organizado para legitimar Ossufo Momade, não por ter substituído Afonso Dhlakama, que é uma tarefa difícil, mas Momade é um pouco atrapalhado. A Frelimo complicou a vida da Renamo, porque a escolha da Frelimo foi uma novidade, na medida em que Chapo nasceu um pouco depois da independência”, disse.

Ainda em seu raciocínio, excluindo a possibilidade de reeleição de Ossufo Momade, Borges Nhamire acrescentou que encontrar um candidato adequado não será fácil para a “perdiz”.

“A Renamo deve estar com os seus estrategas preocupados, a questionarem: o que vamos fazer agora? Como convencer Ossufo Momade a desistir para se colocar um candidato à altura do da Frelimo?”, reflectiu.

Em contrapartida, Hélder Jauana apontou três possibilidades daquilo que o Congresso Nacional da Renamo pode trazer, e, contrariamente a Nhamire, advoga que Ossufo Momade é, sim, uma aposta que pode vir a granjear até a simpatia dos seus concorrentes nestes próximos dois dias de discussão no Alto Molocué.

Sobre as divergências no seio do Renamo, Jauana explicou que o facto pode revelar que se trata de um verdadeiro partido democrático, pois, para si, “a ideia de partidos unanimistas é  falaciosa, e um partido não unanimista produz melhor”.  É altura de o partido dar um sinal ao povo.

“A Renamo precisa de dar um sinal de que é um partido diferente, é um partido democrático, que tem vários candidatos, e pode dar-se o caso de sair legitimado Ossufo Momade como candidato. E estes outros pré-candidatos podem desistir e endossar os seus votos em Ossufo Momade”.

Sobre as outras duas possibilidades, Hélder Jauana acredita que a segunda é “haver uma eleição muito concorrida entre os vários candidatos que apresentaram candidaturas” e a terceira é que “o partido pode pretender passar a imagem de um grande líder em função da sombra causada por Venâncio Mondlane e o silêncio de Manuel de Araújo, não como candidato, mas um silêncio de não se colocar na condição de candidato, e tal silêncio incomoda a liderança”, referiu.

Outra hipótese levantada por Borges Nhamire foi sobre o silêncio de Ivone Soares face à postura de Ossufo Momade e sobre a sua candidatura. “Eu penso que Ivone Soares ficou no seu canto a ver as coisas acontecerem e ver seu líder insultar as pessoas e agora apareceu”.

Em conclusão, Nhamirre apresentou algumas características que o Congresso Nacional deverá observar. “É o momento de trazer alguém que não é de ruptura como Venâncio Mondlane, mas um candidato de continuidade e de confiança, jovem, e que vai ter uma foto bonita.”

O Presidente da República, Filipe Nyusi, enviou uma mensagem de condolências ao seu homólogo russo, Vladimir Putin, pela morte, em Maputo, do embaixador Alexander Surikov. Filipe Nyusi assegura que o país vai prestar apoio no processo que se segue.

Na mensagem da Presidência da República a que o “O País” teve acesso, o chefe de Estado refere que o embaixador Alexander Surikov foi um defensor incansável do estreitamento de relações amistosas, de solidariedade e cooperação entre os povos e os Governos dos dois países.

“A partida precoce do embaixador Surikov, um diplomata dedicado, com qualidades excepcionais que, com profissionalismo ímpar, soube defender os interesses do seu país, enquanto impulsionava uma cooperação profícua entre os nossos dois países, deixa um vazio imenso”, refere a mensagem de condolências do Presidente moçambicano.

Na mesma mensagem, Filipe Nyusi reitera a “solidariedade” e “o apoio total do Governo de Moçambique aos trâmites subsequentes”.

“Reiterando a nossa solidariedade e o apoio total do Governo de Moçambique aos trâmites subsequentes, queira aceitar, Excelência, os protestos da minha elevada consideração e estima pessoal”, diz ainda o estadista moçambicano na sua mensagem.

O chefe do Estado moçambicano acrescenta, na mensagem, que, neste momento de pesar, em nome do Povo, do Governo da República de Moçambique e no seu próprio, endereça à família enlutada e ao Governo da Federação da Rússia as mais sentidas condolências.

Entretanto, a Rússia não autorizou a realização da autópsia do seu embaixador em Maputo, algo que é desconhecido pelo Ministério Público moçambicano.

“Sobre este assunto [a não autorização de autópsia] não poderei falar (…). Não tenho conhecimento. Mas naturalmente qualquer ocorrência criminal, se for caso, o Ministério Público toma conhecimento”, afirmou à comunicação social o porta-voz da Procuradoria-Geral da República, Nazimo Mussá, à margem da reunião da entidade em Maputo.

Alexander Surikov, de 68 anos, foi encontrado morto, no sábado à noite, na sua residência oficial em Maputo e, segundo a polícia moçambicana, as autoridades russas não autorizaram qualquer exame ao corpo.

Recorde-se que a nota da Polícia da República de Moçambique, no domingo, referia que a “presunção” da investigação é de “morte súbita por causas indeterminadas”, contudo, quando o piquete policial chegou à morgue do Hospital Central de Maputo “constatou que o corpo já tinha sido acondicionado”.

“E, por orientações vindas da Rússia, as quais chegaram à equipa técnica do piquete através do cônsul daquela Federação, o senhor Yuri Doroshenkov, o qual esteve presente na morgue acompanhado com o encarregado de segurança da embaixada, foi orientado a não fazer qualquer (…) exame do corpo e muito menos autópsia”, refere-se na informação.

Alexander Surikov foi embaixador da Rússia em Moçambique nos últimos sete anos, e este seria o último ano do seu mandato no país.

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