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O País – A verdade como notícia

Governo defende mercado segurador mais sólido e resiliente

A Primeira-Ministra, Benvinda Levy, defende o fortalecimento do mercado segurador moçambicano, como forma de garantir maior protecção aos cidadãos, empresas e investimentos face aos riscos associados às mudanças climáticas e à transformação da economia nacional. Benvinda Levy afirma que Moçambique está particularmente exposto a ciclones, cheias e secas, fenómenos que

Alguns deputados do Podemos dizem que, quando se inscreveram, tinha pouca expectativa de serem eleitos e o que os moviam eram a fé e a vontade de ver e operar mudança, fosse como fosse.

São deputados da nova bancada da Assembleia da República. Alguns deles vêem-se pela pela primeira vez. Reconhecem inexperiência sobre o trabalho parlamentar. Ainda assim, querem escrever história.

Mangaze Felizardo, por exemplo, nunca tinha estado em Maputo. Tem 27 anos de idade, é do círculo eleitoral de Manica e é formando em contabilidade financeira. Sem muita expectativa de ser eleito deputado, Mangaze diz que só queria fazer uma coisa: mudar…

Embora, às vezes, olhe para baixo, o pastor Carlos Tembe vai se estrear no Parlamento com um olhar para cima. Aliás, é de lá onde buscou a fé de que seria desta vez. 

Tembe já tem uma experiência legislativa a nível municipal. Teve quatro eleições consecutivas para aquela função através do Juntos Pela Cidade.

Quem também não quer cruzar os braços é Atija Mussa. Comerciante, proveniente do círculo eleitoral de Nampula e que poderá fazer parte da Comissão Permanente. Atija tem clareza daquilo sobre que gostaria de legislar. Emprego e habitação.

No total, são 43 deputados que deverão compor a segunda maior força bancada na Assembleia da República, nesta décima legislatura.

Os deputados da Renamo não vão tomar posse, esta segunda-feira, na Assembleia da República. O partido justifica que não reconhece os resultados eleitorais

A poucas horas da data marcada para a cerimónia de tomada de posse dos deputados eleitos ao parlamento, os partidos Renamo e MDM convocaram a imprensa para anunciar que não irão participar do evento solene.

O porta-voz da Renamo, Marciel Macome, justificou que “esta cerimónia está desprovida de qualquer valor solene e constitui desrespeito à vontade dos moçambicanos, pelo que a Renamo não fará parte desta cerimónia. A vontade do povo passa necessariamente pela realização de eleições livres, justas e transparentes e não em eleições administrativas”.

O partido dirigido por Ossufo Momade justifica que o não empossamento dos seus deputados se deve ao não reconhecimento dos resultados da eleições gerais, realizadas a 09 de Outubro último.

“A Renamo responde pelas suas próprias acções. Não temos estrutura formada para um processo pelo qual não nos identificamos, pelo que não faremos parte. A Renamo não reconhece ninguém que tenha saído nestes resultados como presidente da República”, justificou Macome, porta-voz da Renamo.

Apesar de dizer não às manifestações violentas, a perdiz diz que vai usar todos os meios, para que o que chama de verdade eleitoral seja reposta.

Por sua vez, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) também convocou a imprensa, este domingo, para informar que os seus deputados não irão tomar posse na Assembleia da República, esta segunda-feira. Através do seu presidente, Lutero Simango, o partido justifica que não reconhece os resultados eleitorais e insiste que a verdade  eleitoral deve ser reposta.

 

Margarida Talapa poderá ser, a partir desta segunda-feira, a Presidente da Assembleia da República. O que significa que será a figura número dois do país depois do Presidente da República.

Seu nome foi indicado este sábado pela Frelimo e irá ao voto amanhã, na tomada de posse dos deputados da Assembleia da República para a X legislatura.

Assim, Margarida Talapa, que nos últimos cinco anos desempenhou a função de Ministra do Trabalho e Segurança Social, é a terceira mulher, proposta pela Frelimo consecutivamente, para ocupar o segundo cargo mais importante do Estado.

Talapa é escolhida para suceder a Esperança Bias, que dirigiu o parlamento de 2020 a esta parte.

Seu nome irá à votação, mas é quase garantido que seja a escolhida, uma vez que a sua bancada ocupa o maior número de assentos, com 171 e sozinha pode eleger o presidente.

Além de Talapa, a Frelimo propõe Feliz Silvia, que na legislatura passada era porta-voz, para ser chefe da bancada.

Já o PODEMOS indica Fernando Tomé José, para ocupar o cargo de segundo vice-presidente do Parlamento, como também Sebastião Avelino Mussanhane, para Chefe da bancada, e Rute Venâncio Manjate, a vice.

Para relator da bancada está Elísio Calisto Muaquina, o porta-voz poderá ser Ivandro Jordão Massingue e Carlos Tembe, Atija Mussa e Almério Tchambule poderão fazer parte da Comissão Permanente.

Já a Renamo e o MDM não indicaram ninguém.

LINHA DO TEMPO DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

A história da Assembleia da República é muito mais antiga do que se pode pensar, remota desde 1977 quando ainda era Assembleia Popular, na altura o regime era monopartidário e foi assim de 1977 a 1994, com as primeiras eleições gerais.
Com o multipartidarismo, a Assembleia da República passou a ter entre duas a três bancadas parlamentares.

Com a morte de Samora Machel, a presidência da Assembleia Popular passou para Marcelino dos Santos, que dirigiu a casa do povo entre 1986 e 1994, num parlamento composto por 249 deputados, todos eles também da Frelimo.

Com as primeiras eleições gerais de 1994 e a abertura do multipartidarismo, o Parlamento começou a ficar mais colorido e composto. De 249 o número de deputados passou para 250. O número de bancadas também aumentou, variando entre duas e três, ao longo dos anos, e as bancadas da Frelimo e Renamo são as que sempre estiveram lá, mudavam apenas, o número de representantes.

Na legislatura de 1994, que era a IV, a Frelimo teve 129 deputados, a Renamo 112 e a Coligação União Democrática teve 9 assentos. Era a única vez que esta coligação se fazia presente na Assembleia da República.

Com as eleições de 1999 os números mudaram. Só a Frelimo e a Renamo compunham as bancadas com 133 deputados e 117 respectivamente.

Na sexta legislatura, a de 2004 a Frelimo conseguiu 160 deputados e a Renamo caiu para 90, dali em diante nunca mais passou dos 100.

Em 2009 o MDM entra para o parlamento, e quebra o ciclo de apenas duas bancadas. Ainda assim, a Frelimo continuava com o maior número de deputados, mas dessa vez teve mais assentos do que nunca: 191, a Renamo caiu ainda mais para 51 e o MDM, estreante, entrou com 8.

Em 2014 os números continuaram a mudar, mas a tendência não. A Frelimo, maioria parlamentar com 144, a Renamo conseguiu recuperar alguns deputados, subiu para 89 e o MDM subiu de 8 para 17, o maior resultado já conseguido.

Na IX, que foi a legislatura passada, a Frelimo teve 184 deputados, a Renamo 60 e o MDM 6.

É por isso, que com estes dados e sempre com a maioria parlamentar a Frelimo, teve o privilégio de eleger o presidente da Assembleia da República. Isso porque, além de Samora Machel e Marcelino dos Santos, os outros três presidentes saíram da Frelimo: Eduardo Mulembwe de 1994 a 2009, foi quem mais tempo teve na presidência, foram 15 anos. Depois seguiu Verónica Macamo de 2010 a 2020, foram duas legislaturas e por fim, mais recentemente, Esperança Bias de 2020 a esta parte.

 

 

 

 

 

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, afirma que o seu país está pronto e disposto a apoiar Moçambique, caso haja persistência de mais agitação política pós-eleitoral.

Ramaphosa afirmou, no entanto, segundo cita a Agência de Informação de Moçambique, estar indeciso sobre a sua participação na cerimónia de tomada de posse do recém eleito presidente, Daniel Chapo, um evento que terá lugar no dia 15 de Janeiro, em Maputo.

“Estamos a observar muito de perto o que está a acontecer em Moçambique e, obviamente, Moçambique é um vizinho muito próximo de nós, um parceiro comercial muito bom e membro da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC)”, disse Cyril Ramaphosa aos jornalistas no local. 

A eleição de Daniel Chapo foi marcada por protestos e agitação, visto que a oposição rejeita os resultados eleitorais, o que levou várias vezes ao encerramento do posto fronteiriço entre os dois países.

Aliás, estimativas dos empresários sul-africanos revelam que as suas perdas estão calculadas em cerca de 10 milhões de randes por dia.

Esta é uma situação que afecta sobremaneira a maioria dos países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, que não têm acesso ao mar e, por isso, dependem dos corredores e portos moçambicanos para a importação e exportação de mercadorias,. 

“Como membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) estamos preparados, dispostos e capazes de lhes dar todo o apoio possível para poderem ultrapassar os desafios que enfrentam e esperamos que a tomada de posse de 15 de Janeiro corra bem e que tenham todo o nosso apoio de todas as formas possíveis”, disse Ramaphosa. 

Mas Ramaphosa diz não ser capaz de confirmar a sua presença na tomada de posse de Chapo.

“À medida que o tempo avança, vamos analisar o nosso programa e ver até que ponto o programa está bem alinhado com as nossas várias actividades”, acrescentou.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, exonerou, hoje, de funções oito governantes, incluindo cinco ministros, que foram eleitos deputados pela Frelimo nas últimas eleições gerais.

Em comunicado, a Presidência da República refere apenas que todos foram exonerados, em despachos presidenciais separados, “no uso das competências” do chefe de Estado, sem adiantar motivos.

Contudo, todos os exonerados foram eleitos deputados para a nova legislatura, cuja tomada de posse está marcada para segunda-feira.

Foram exonerados de funções Verónica Macamo, ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (eleita deputada pela província de Gaza), Margarida Talapa, do cargo de ministra do Trabalho e Segurança Social (Nampula), Nyeleti Brooke Mondlane, do cargo de ministra do Género, Criança e Ação Social (Gaza), Celso Correia, do cargo de ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural (Maputo) e Ana Comoana, do cargo de ministra de Administração Estatal e Função Pública (Maputo).

Também foram exonerados foram Francisco Mucanheia, do cargo de conselheiro do Presidente da República (Nampula), Lina Maria Portugal, do cargo de secretária de Estado na província do Niassa (Niassa), e Pedro Comissário Afonso, das funções de embaixador e representante permanente de Moçambique Junto das Nações Unidas (Sofala).

Filipe Nyusi diz que os encontros que têm vindo a acontecer são uma plataforma que a busca de paz e desenvolvimento de Moçambique. Nyusi falava à margem do encontro entre o Presidente da República e os partidos políticos, esta quinta-feira, onde também esteve presente o presidente eleito nas eleições gerais de 9 de Outubro, que reiterou o seu compromisso com a paz. 

Daniel Chapo reiterou, hoje, o seu compromisso com a paz e em trazer reformas para a acomodação dos interesses do povo moçambicano.  

“Hoje, nós chegamos a um cometimento que vamos continuar a trabalhar para as reformas, que é o objectivo principal do povo moçambicano, representado aqui pelos partidos políticos. Estamos a falar de reformas relacionadas com a lei eleitoral, reformas relacionadas com o aprimoramento do processo de descentralização, que já começou e que temos de continuar a aprimorar, e reformas  que possam nos levar a revisão da constituição, para acomodar os interesses do povo moçambicano”, disse. 

Chapo avançou que já existe consenso sobre a formação de  grupo de trabalho que vai fazer parte da comissão técnica que vai aprimorar todas as reformas mencionadas. Contudo, reitera que vai continuar a trabalhar para o desenvolvimento do país, com paz e estabilidade. 

Respondendo a pergunta se se pensa em um diálogo com Venâncio Mondlane, Daniel Chapo disse que a mesa está aberta para o diálogo está aberta, no entanto, neste momento, “trata-se de um diálogo partidário”.

Venâncio Mondlane já está em território nacional, cerca de dois meses depois de ter estado em parte incerta. Mondlane aterrou, esta quinta-feira, no Aeroporto Internacional de Maputo, onde explicou que está disponível para o diálogo na busca de soluções para a crise pós-eleitoral. O segundo candidato presidencial mais votado nas eleições gerais de 9 de Outubro reitera que não vai aceitar nenhum cargo executivo. 

Depois de quase dois meses em parte incerta, de onde orientou manifestações populares, em reivindicação aos resultados eleitorais, que dão vitória ao candidato presidencial da Frelimo, Daniel Chapo, Venâncio Mondlane volta a Moçambique. 

Mondlane explicou que o primeiro objectivo da sua volta é quebrar a narrativa de que o diálogo não acontecia devido a sua ausência. “Eu queria quebrar essa narrativa de que estou ausente por vontade própria das iniciativas do diálogo. Então estou aqui de carne e osso, para dizer que se querem negociar, se querem dialogar comigo, estou aqui presente”. 

Venâncio Mondlane avançou ainda que voltou ao país em solidariedade aos seus apoiantes, que têm sofrido algum tipo de ataque. 

“Eu me apercebi que o regime está a criar uma estratégia de uma espécie de genocídio silencioso. As pessoas estão a ser sequestradas nas suas casas, as pessoas estão a ser executadas extrajudicialmente, estão a ser descobertas agora valas comuns com supostos apoiantes de Venâncio Mondlane. Há um crescimento geométrico de assassinatos e acho que não posso estar a fresco, quando o próprio povo que está no suporte da minha candidatura está sendo massacrado”, explicou. 

Por último, o segundo candidato presidencial mais votado diz que voltou ao país para responder às acusações que pesam sobre ele  e “para apontar os verdadeiros culpados dos crimes hediondos que aconteceram até hoje”. 

Venâncio Mondlane diz que não vai aceitar os resultados eleitorais, se forem os mesmos que foram promulgados até hoje e está disposto apenas a assumir o cargo de “defensor do povo”. 

“A única função que estou disponível a assumir é a função  que sempre me predispus a ela que é de defender este povo, lutar por este povo é lutar pela justiça, é lutar pelos valores. Responsabilidades executivas, eu não fiz essa luta toda para ser chefe, não fiz essa luta toda para ter benefícios financeiros (…) eu não vou fazer parte de nenhum executivo que provenha destes resultados”, disse Mondlane. 

O Presidente da República está magoado com aqueles que destruíram edifícios públicos construídos durante o seu mandato. Filipe Nyusi chegou a pedir à população de Nampula para reencontrar-se diante do cenário de vandalização de hospitais e tribunais naquela província.

Chegou na tarde desta quarta-feira, aparentemente bem disposto. O propósito era a inauguração do novo edifício do Tribunal Superior de Recurso de Nampula construído de raíz ,na periferia da cidade de Nampula.

O edifício imponente quebra 13 anos de arrendamento a um custo mensal de mais de 100 mil meticais, onde funcionava o antigo tribunal.

Mas é no local reservado aos discursos onde tudo mudou. O presidente do Tribunal Supremo apresentou o mais recente balanço do impacto das manifestações no sector judiciário.

A vandalização de 18 tribunais nas três regiões do país vai ter um impacto na tramitação e na celeridade processual.

Filipe Nyusi recuou no tempo e parou a sua memória no dia 5 de Maio de 2021, quando lançou a primeira pedra para a construção do Tribunal Judicial distrital de Infulene, na província de Maputo, marcando o início da iniciativa presidencial Um distrito, um Tribunal condigno. Mas o mesmo tribunal foi destruído pelos manifestantes, daí a mágoa do Presidente.

E estando em Nampula, acabou centrando o seu discurso a esta província que foi um dos epicentros da vandalização de edifícios públicos. 

Filipe Nyusi fez este último discurso em Nampula na qualidade de Chefe de Estado e despediu-se da população.

Albino Forquilha reiterou a tomada de posse dos deputados do PODEMOS na Assembleia da República como forma de lutar pela democracia em Moçambique.  O presidente do segundo partido mais votado esclareceu que a decisão não viola o acordo com Venâncio Mondlane e afastou qualquer tipo de traição.

O presidente do PODEMOS falou, esta quarta-feira, à imprensa e esclareceu que, mesmo sem reconhecer os resultados, vai continuar com o seu trabalho político. Entretanto, reiterou que a luta pela verdade eleitoral vai continuar em outros moldes.

“As nossas eleições, desde 1994, foram sempre reclamadas. Nós não tivemos eleições algumas em que não houve protestos contra fraudes eleitorais e, mesmo com as reclamações, em todas as eleições que tivemos, os deputados eleitos sempre tomaram posse, inclusive Venâncio Mondlane”, explicou.

Forquilha disse ainda que, em termos de objectivos de governação, está alinhado com Venâncio Mondlane, porém, diverge nas estratégias usadas para alcançar os seus objectivos. “Enquanto Venâncio acha que continuar com os protestos é a melhor estratégia para alcançar a verdade eleitoral, nós entendemos que há outros mecanismos, como este que eu disse, que é procurar o diálogo.”

O líder da oposição, segundo os resultados das últimas eleições gerais, garantiu que o acordo com Venâncio Mondlane será cumprido e continua em vigor. No entanto, afirmou que Mondlane violou o acordo ao pedir esclarecimentos públicos para um acordo confidencial.

Quanto às manifestações, Albino Forquilha diz que, se houver um espaço para o diálogo, não há necessidade de continuar com as manifestações. “A missão de um partido político não é apenas manifestar-se, mas é lutar por um direito, e, quando há receptividade, temos de trabalhar para garantir aspectos de reforma do Estado, para que as próximas eleições possam decorrer com outro quadro.”

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