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Moçambique defende diálogo e segurança na reunião da Troika da SADC

Moçambique vai defender o reforço do diálogo e da cooperação regional para responder aos desafios de segurança e integração na região da SADC. A posição será apresentada pelo Presidente da República, durante a reunião da Troika do Órgão de Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e Segurança da organização regional.

O Presidente da República, Daniel Chapo, inaugurou três tribunais distritais em Tambara, Macossa e Mossurize, na província de Manica, reafirmando o compromisso do Governo em aproximar a justiça dos cidadãos e fortalecer o Estado de Direito. No acto central em Mossurize, o mais alto magistrado da Nação destacou a importância das novas infra-estruturas judiciais para garantir os direitos e liberdades dos moçambicanos, apelando à preservação dos bens públicos, ao reforço da cidadania e à resolução pacífica de conflitos

No âmbito da sua visita que realiza à província de Manica, no Centro do país, Daniel Chapo esteve em três distritos, nomeadamente Tambara, Macossa e Mossurize, onde, para além de interagir com a população, procedeu à inauguração dos tribunais distritais locais.

Trata-se de infra-estruturas que Daniel Chapo considerou apropriadas para exercer a cidadania, defendendo os seus direitos e liberdades fundamentais, para além de serem locais onde os magistrados, judiciais e do Ministério Público, oficiais e assistentes de oficiais de justiça e demais funcionários judiciários também passarão a ter condições adequadas para o melhor desempenho das suas funções.

“Este é um motivo de satisfação para todos nós. É um marco importante para aproximar a justiça aos cidadãos, pois a justiça próxima do povo é sinal de um Estado que responde aos anseios dos cidadãos e os defende quando os seus direitos são violados”, disse Daniel Chapo.

Aliás, Chapo diz que as inaugurações ocorrem após dois momentos marcantes para o sector da Justiça, em particular, e para a vida do nosso povo, de uma maneira geral. “O primeiro momento foi após a validação e proclamação dos resultados das eleições de 9 de Outubro, pelo Conselho Constitucional, que noutros países se chama Tribunal Constitucional, único órgão de soberania ao qual compete especialmente administrar a justiça em matérias de natureza jurídico-constitucional. O segundo momento foi a abertura do ano judicial de 2025, que esteve subordinada ao lema ‘50 anos construindo o Poder Judicial: Nova era, novos desafios’. Por essa razão, elegemos como tema central para esta nossa comunicação: ‘Os Tribunais como Centros de Construção de Cidadania’”, disse Chapo.

O Chefe do Estado recordou que os tribunais penalizam as violações da legalidade e decidem disputas de acordo com o estabelecido na lei, mas também educam os cidadãos e a administração pública no cumprimento voluntário e consciente das leis, estabelecendo uma justa e harmoniosa convivência social.

Os tribunais são, por isso, segundo Daniel Chapo, “um local de excelência onde a cidadania se manifesta na sua plenitude, caracterizada pela defesa dos interesses sociais e individuais, contribuindo para um Estado de Direito Democrático”.

Cingindo-se directamente à província de Manica, Daniel Chapo disse que a mesma tem sido alvo de práticas que atentam contra a fauna e flora, acções que danificam o ambiente, por isso da inauguração dos três tribunais.

Trouxe como referência a mineração artesanal ilegal, com recurso a meios nefastos ao ambiente que, para além de provocar casos de morte aos próprios mineradores artesanais, vulgo garimpeiros, causam poluição da água dos nossos rios, ameaçando sobremaneira a saúde pública.

“É nosso entendimento que os tribunais são um eixo fulcral na formação da cidadania ao garantir a aplicação da lei, proteger os direitos, promover a justiça e estimular a participação activa dos cidadãos na vida pública. Por isso é que nos nossos pronunciamentos, desde a validação e proclamação dos resultados eleitorais, no acto da nossa investidura e na abertura do ano judicial, afirmámos e reiteramos a nossa firme convicção de que somos um país onde impera o primado da Lei, um Estado de Direito Democrático”, reafirmou o presidente da República.

Daniel Chapo destacou ainda a lei que aprova o “Compromisso Político para um Diálogo Nacional Inclusivo”, com a aprovação da composição dos membros da Comissão Técnica, o Regulamento da Organização e Funcionamento da mesma e a proposta do Plano de Acção.

Também falou do Programa Quinquenal do Governo (2025–2029), no seu 4º pilar, sobre Infra-Estruturas, Organização e Ordenamento Territorial, como aposta no Programa das Infra-Estruturas da Administração.

“O objectivo deste programa, entre outros, é o de assegurar infra-estruturas adequadas para a gestão da administração da justiça, garantindo um ambiente seguro e justo na sociedade”, disse.

Na ocasião, o Chefe do Estado deixou uma palavra aos residentes dos três distritos, para que saibam usar da melhor forma as infraestruturas construídas, tendo em conta o custo financeiro gasto, apelando a não vandalização ou destruição, pois “pode significar um retrocesso no nosso desenvolvimento colectivo”.

Até porque, segundo Chapo, as recentes manifestações tiveram repercussões negativas nas infraestruturas e afectaram e continuam a afectar as comunidades.

A finalizar, Daniel Chapo reconheceu e saudou os resultados alcançados pelo Poder Judicial, “que podem ser vistos por todos nos três edifícios que hoje inauguramos aqui, dizendo: Bem-Haja, Manica! Que o zelo aqui demonstrado possa ser replicado em outras obras ao longo do quinquénio”, frisou.

O Parlamento aprovou, nesta quarta-feira, a prorrogação do período de isenção do pagamento do Imposto sobre Valor Acrescentado, IVA, para o açúcar, óleo e sabões até Dezembro de 2025. Os deputados instaram o Governo a fortalecer a fiscalização dos preços, para que a medida tenha impacto no custo de vida.

Produtos como óleo, sabões, açúcar e demais matérias primas voltam a beneficiar de isenção do Imposto sobre Valor Acrescentado, em resultado da aprovação, pela Assembleia da República, da revisão do código do IVA, que estende a isenção até Dezembro de 2025.

Trata-se de um instrumento que, de acordo com o Governo, visa reduzir o custo de vida dos moçambicanos.

“A proposta que submetemos à consideração de Vossas Excelências visa restaurar, a título temporário, a isenção do IVA sobre três categorias de bens essenciais: açúcar, óleos alimentares e sabões. Esta isenção abrange toda a cadeia de produção e comercialização, bem como a importação de matérias-primas, equipamentos, peças e componentes destinados às respectivas indústrias. Trata-se de uma medida fiscal que conjuga sensibilidade social, racionalidade económica e orçamental. O seu objectivo é múltiplo: aliviar o custo da cesta básica, assegurar o acesso universal a produtos indispensáveis à higiene e alimentação, e estimular a capacidade produtiva interna.”

Diante do Plenário, a ministra das Finanças, Carla Louveira, justificou a necessidade da isenção, pelo resultado dos estudos realizados pelo Instituto Nacional de Estatística, que confirmam que os produtos em alusão representam uma parte significativa dos gastos mensais das famílias moçambicanas, sobretudo nas camadas mais vulneráveis.

Com a decisão, o Governo, que já fez os cálculos, prevê perdas.

“A proposta terá um impacto fiscal estimado em 2270,79 milhões de meticais, de acordo com os dados médios de vendas anuais dos sectores abrangidos. Contudo, acredita-se que esse impacto poderá ser mitigado pelos efeitos multiplicadores sobre a economia: maior consumo, maior produção interna, e eventual aumento da arrecadação em outros impostos como o IRPC e o ICE”, explicou a proponente.

Com a medida, o Executivo espera atingir três objectivos: combate à pobreza, promoção da justiça fiscal e estímulo à actividade económica.

“Trata-se de um instrumento de política fiscal que visa assegurar que a carga tributária não incida de forma desproporcional sobre os mais carenciados e que o sistema fiscal seja um verdadeiro catalisador do desenvolvimento.

A decisão até é bem vista pelos deputados, porém o período de vigência é tido como curto e pouco vantajoso para o consumidor final.

“Considerar um período longo do acima referido no mínimo de um ano de isenção para que, ao terminar o tempo de implementação, o Executivo consiga trazer alguma solução no que concerne à produção local. Remover as barreiras tarifárias e não tarifárias, tais como, em relação às barreiras tarifárias, 10% de fretes, 2% de seguro, 20% de direitos, 16% de IVA, taxa de despachantes”, disseram os membros da Associação dos Mukheristas e vendedores informais, auscultados pela comissão de agricultura, economia e Ambiente, presidida por Filipe Acácio, deputado da bancada da Frelimo.

Para as associações de indústrias de óleos, que também foram ouvidas, o Governo deve usar o momento para reestruturar o sector, e propõe também mudanças.

“Estender a isenção do IVA até 31 de Dezembro de 2026, com vista a permitir que o Governo identifique as culturas agrárias originadas prioritárias para serem desenvolvidas em Moçambique, as indústrias que podem ser desenvolvidas em torno dessas culturas prioritárias e os mecanismos para estimular estes novos investimentos;  A partir de Janeiro de 2027, seja considerada uma isenção do IVA por um período máximo de cinco anos. Durante este período, as indústrias de óleo alimentar e sabões são convidadas a aproveitar deste benefício como um mecanismo de suporte ao seu investimento no fomento e cultivo das oleaginosas prioritárias hora definidas e a investir na prensagem e produção nacional de óleo cru para refinarias de óleo alimentar e de bagaço para produção de ração animal. Este benefício pode atrair novos investidores, tanto nacionais como internacionais, para  esta cadeia de valores”, citou.

No debate, os mandatários do povo instaram o Executivo a reforçar as medidas de fiscalização da margem de lucro das empresas.

“É uma resposta directa à luta contra a pobreza, insegurança alimentar e a dependência de produtos importados. Senhores deputados, meus pares, vejamos alguns ganhos concretos. Para as empresas, a redução de custos, maior competitividade, estímulo à produção e à inovação”, disse Ricardo Batalha, deputado da Frelimo.

“É uma resposta directa à luta contra a pobreza, insegurança alimentar e a dependência de produtos importados. Senhores deputados meus pares, vejamos alguns ganhos concretos. Para as empresas, a redução de custos, maior competitividade, estímulo à produção e à inovação. Para o povo, preços mais baixos, aumento de poder de compra, mais emprego e acesso facilitado aos produtos essenciais. E é fundamental que tudo isso seja feito com transparência, para que os benefícios cheguem de facto ao cidadão comum”, Mangaze Manuel, PODEMOS.

“É importante manter o foco no essencial, o bem-estar dos cidadãos e a solidez das finanças públicas. Vivemos um tempo de desafios económicos e sociais, por isso, cada medida fiscal deve ser cuidadosamente ponderada, não apenas pela sua lógica técnica, mas também pelos seus efeitos na vida concreta das pessoas”, afirmou Carlos Manuel, da Renamo.

“Este instrumento é oportuno, porém peca por não reflectir no bolso do cidadão, mesmo que reduzamos até 5%, e, da forma como as coisas estão, o consumidor é quem sofre. Se tivermos em conta o que geralmente acontece, é o excesso de taxas que, no final do dia, no lugar de beneficiar o consumidor, por ausência de uma fiscalização séria isenta de corrupção, o maior beneficiário é o armazenista e o importador”, 

“Aproveitamos esta ocasião para lançar um repto ao Governo, para encontrar soluções mais abrangentes para aliviar o custo de vida que passa pela redução do IVA nos combustíveis e eliminação das taxas encascadas em toda a sua estrutura de preço. No mesmo sentido de alívio ao custo de vida, a bancada parlamentar do MDM defende a redução do IVA dos actuais 16 para 14% para conformar com a prática regional.

Sobre o período, considerado curto, a ministra das finanças esclareceu.

“A proposta, por uma isenção de carácter temporário até o final do exercício económico em curso, permite que o Governo possa avaliar os seus efeitos e realizar os ajustamentos necessários com base em evidências concretas, salvaguardando a sustentabilidade das finanças públicas. Está, portanto, em curso uma análise sobre o impacto das medidas ora implementadas desde o ano de 2007. Portanto, essas análises visam aferir o impacto real no custo de vida da cesta básica da população e também no custo de vida da população, o custo da oportunidade da receita prescindida pelo Estado e ainda o impacto de toda a cadeia do valor e distribuição no âmbito da isenção transmitida”, explicou Judite Macuácua, porta-voz do MDM.

Ainda nesta sessão, foram eleitos António José Amélia, Rosália Lumbela, ambos da Frelimo, e Adérito Zimba, deputado do PODEMOS, membros do Conselho Nacional dos Direitos Humanos, por um mandato de cinco anos.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, desafiou a juventude moçambicana a assumir o protagonismo  na construção da independência económica nacional, com base no  trabalho, no empreendedorismo e na mudança de mentalidade. 

Falando esta terça-feira, no distrito de Báruè, província de Manica,  durante um encontro com jovens, o governante lembrou que a  geração da luta de libertação nacional já cumpriu a sua missão,  cabendo agora aos jovens actuais transformar o país com base na  geração de riqueza e auto-suficiência.

O Chefe do Estado sublinhou que a liberdade política conquistada em 1975  foi fruto do sacrifício de jovens “mais novos do que nós que estamos  aqui”, que pegaram em armas para libertar o país do domínio  colonial. 

“A 25 de Junho de 1975, o saudoso Presidente Samora Moisés  Machel proclamou a nossa independência nacional. E ficámos livres  politicamente”. 

No entanto, advertiu que a independência política não é suficiente se  o país continuar economicamente dependente. “Moçambique só vai  ser rico se cada um dos moçambicanos for rico honestamente. Nunca  vai ser rico enquanto os próprios moçambicanos são pobres”, advertiu,  defendendo uma geração de jovens “nervosos”, que rejeitam a  pobreza e lutam todos os dias para melhorar de vida. 

Durante a sua intervenção, Chapo traçou uma linha do  tempo desde o período colonial, passando pela luta de libertação,  até aos dias actuais, para ilustrar os ganhos da independência. “Aqui  em Báruè, onde nós estamos, não havia energia eléctrica. Esta escola  secundária, este pavilhão, esta estrada asfaltada, o hospital […] não  havia nada. Isto tudo que estão a ver é a conquista da nossa  independência”. 

O estadista recomendou ainda aos jovens a leitura do livro Pai Rico,  Pai Pobre, como forma de estimular uma nova mentalidade virada  para o empreendedorismo. “Você não precisa ser empregado. Você  tem que ter empregados. Você tem que ser empregador”, disse,  acrescentando que a pobreza não é apenas material, “é uma  pobreza mental”. 

Para operacionalizar esta visão, o Chefe do Estado revelou a criação  de novos mecanismos de apoio ao empreendedorismo juvenil, como  o Fundo de Desenvolvimento Económico Local. “Decidimos que 60 ou  70 por cento deste valor vai para jovens. Estes jovens têm que ter  juízo”, alertou, lembrando experiências passadas em que fundos  públicos foram mal utilizados. 

Daniel Chapo reiterou o  compromisso do Governo com o diálogo nacional inclusivo para pôr  fim aos ciclos de violência pós-eleitoral. “Temo-nos encontrado com  todos os partidos políticos para encontrarmos um consenso de um  Moçambique onde haja paz, segurança, harmonia, e não haja  discurso de ódio entre irmãos”, declarou. 

A Assembleia da República aprecia, hoje, a proposta de lei que altera o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA). Ainda na mesma sessão, o parlamento vai debater o projecto de resolução que elege os membros da Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), na generalidade e na especialidade.

A proposta submetida a Assembleia da República visa restaurar, a título temporário, a isenção do IVA sobre três categorias de bens essenciais: açúcar, óleos alimentares e sabões. Esta isenção abrange toda a cadeia de produção e comercialização, bem como a importação de matérias-primas, equipamentos, peças e componentes destinados às respectivas indústrias.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, manteve, na noite desta Terça-feira, um encontro no distrito de Báruè, em Manica, com o  Mandatário Especial do Presidente do Gana, John Dramani  Mahama. A audiência teve como principal objectivo a entrega de uma  mensagem oficial do Chefe do Estado ganês, relacionada com a  candidatura de Muhammad Adam ao cargo de Secretário-Geral da Organização Mundial do Turismo (OMT), para o mandato  2026-2029.

Segundo o comunicado da Presidência da República, o acto insere-se no âmbito das acções diplomáticas  do Gana em busca de apoio para o seu candidato, cuja eleição  está agendada para ocorrer durante a 123.ª Sessão da  Assembleia Geral da OMT, a ter lugar entre os dias 29 e 30 de  Maio corrente. 

Durante o encontro, foram partilhadas visões sobre a importância  do turismo como motor do desenvolvimento sustentável, bem  como reforçadas as relações de amizade e cooperação entre  Moçambique e Gana. 

Daniel Chapo agradeceu a consideração do seu  homólogo ganês, reiterando o compromisso de Moçambique em  fortalecer os laços de solidariedade no seio da diplomacia  africana multilateral.  

Muhammad Adam é um diplomata e o candidato oficialmente  apoiado pela União Africana para o cargo de Secretário-Geral  da Organização Mundial do Turismo (UN Tourism) no mandato de  2026 a 2029. Sua candidatura foi formalmente apresentada por  Gana e conta com o apoio activo do presidente John Dramani  Mahama, que tem feito campanha junto à comunidade  diplomática internacional para angariar votos em seu favor.

O Presidente da República, Daniel Chapo, reiterou esta terça-feira o seu compromisso com uma governação próxima do cidadão, durante um comício popular em Catandica, sede distrital de Báruè, na província de Manica. No encontro, o Chefe de Estado ouviu atentamente as preocupações da população local e garantiu que estas serão transformadas em instrumentos de governação para a melhoria das condições de vida.

A visita de trabalho à província de Manica insere-se no esforço de acompanhamento directo dos programas de desenvolvimento e no reforço da governação participativa. “Quando tomámos posse, dissemos que iríamos fazer uma governação mais próxima do povo. E isso significa sair do gabinete, vir ao encontro do povo e ouvir as suas preocupações”, afirmou o Presidente.

Durante o comício, os residentes de Catandica reconheceram os esforços do Governo nos primeiros 100 dias de mandato, destacando a liderança de Chapo como comprometida com o bem-estar da população. A comunidade apelou à construção de mais escolas, centros de saúde, estradas, sistemas de irrigação e à mecanização agrícola, com vista ao aumento da produção e à melhoria do escoamento dos excedentes.

O estadista moçambicano reforçou a importância do diálogo inclusivo e da confiança nas instituições eleitorais, usando o futebol como metáfora para apelar à serenidade: “As eleições deviam ser como um jogo de futebol. Na política não há inimigos. […] Quem diz que uma equipa ganhou não é a própria equipa, mas um árbitro. […] Acabou o jogo, as equipas cumprimentam-se e ficam à espera de outro jogo”.

Chapo condenou também os actos de violência, vandalismo e sabotagem de infra-estruturas públicas e privadas registados após as eleições gerais de 2024. “Quando destruímos um sistema de abastecimento de água, quem vai precisar amanhã somos nós. As manifestações violentas, criminosas e ilegais não ajudaram a ninguém”, alertou.

O Presidente sublinhou ainda que a paz, a unidade nacional e a reconciliação são essenciais para o progresso do país. “A violência gera violência, o ódio gera ódio. Temos que semear a paz, o perdão e a reconciliação. Não há desenvolvimento sem paz e segurança”, frisou, apelando ao envolvimento de todos os cidadãos na manutenção de um ambiente favorável ao crescimento.

No seu discurso, destacou os ganhos obtidos ao longo dos 50 anos da independência nacional, referindo que esses avanços devem ser valorizados e protegidos. Enfatizou também que o desenvolvimento depende do trabalho árduo e do compromisso colectivo. “Não temos como desenvolver Moçambique sem trabalho”, declarou.

Segundo o Presidente, esse esforço não se limita ao emprego formal. “O trabalho não é só onde há patrão e empregado. É também trabalhar a terra, produzir alimentos, vender parte e guardar outra parte”, disse, promovendo a auto-suficiência alimentar como base da soberania e desenvolvimento económico.

O Conselho de Ministros reuniu-se esta terça-feira, na cidade de Chimoio, província de Manica, para a sua décima sessão ordinária, onde aprovou medidas estruturantes para a Administração Pública. Em destaque, está a aprovação do novo Sistema de Carreiras, Remunerações e Qualificadores Profissionais, que revoga os Decretos nº 30/2018 e nº 14/2017.

A nova regulamentação visa alinhar os níveis salariais com a Tabela Salarial Única (TSU), estabelecendo critérios claros para progressão na carreira e corrigindo assimetrias resultantes da reforma iniciada em 2022. O objetivo é harmonizar os qualificadores profissionais com os salários, definir tetos e pisos para cada carreira, além de uniformizar a evolução funcional em todos os setores do Estado.

De acordo com o Governo, esta revisão representa uma etapa crucial da reforma administrativa e responde às principais preocupações levantadas por funcionários públicos nos últimos anos. A proposta foi construída com base num processo participativo que envolveu todas as províncias, setores de atividade e gestores de recursos humanos.

“Esta medida vai melhorar a gestão de carreiras, minimizar os problemas reportados pelos funcionários e criar uma base sólida para a realização de atos administrativos”, garantiu o porta-voz do Governo.

APOIO ÀS VÍTIMAS DA LIXEIRA DE HULENE

Na mesma sessão, o Executivo aprovou um desembolso extraordinário de 2,52 milhões de meticais para apoiar as vítimas do deslizamento da lixeira de Hulene, encerrando assim um processo que já se arrastava há anos.

“Esta será a última transferência extraordinária relacionada com este episódio. O Governo quer encerrar este capítulo e virar a página”, afirmou o porta-voz.

PREPARATIVOS PARA OS 50 ANOS DA INDEPENDÊNCIA

O Governo avaliou ainda o ponto de situação dos preparativos para a celebração dos 50 anos da Independência Nacional, bem como a proposta de criação da Feira Regional do Corredor da Beira, como parte da agenda de valorização económica e cultural do país.

O Executivo reconhece que a implementação das reformas poderá enfrentar desafios, mas destaca que foram criadas condições institucionais para assegurar sua execução eficaz. As instituições públicas devem agora organizar-se para aplicar o novo sistema, conforme os parâmetros estabelecidos na Lei 5/2022, que criou a TSU.

 

“Não se trata de eliminar completamente os problemas, mas sim de criar um quadro sustentável para a evolução contínua da Administração Pública”, concluiu o representante do Governo.

A primeira-secretária da Frelimo em Inhambane, Adélia Macucule, presidiu, nesta segunda-feira, na cidade de Inhambane, à abertura das celebrações dos 63 anos do partido Frelimo e dos 50 anos da Independência de Moçambique. Com um tom de determinação e um apelo à união nacional, Macucule reforçou o papel histórico e contemporâneo da Frelimo na construção de um Moçambique forte, inclusivo e próspero.

Perante uma audiência composta por pessoas de todas as faixas etárias, Adélia Macucule começou por enaltecer os sacrifícios e as conquistas do partido ao longo de mais de seis décadas. “Hoje é um dia de celebração, mas, acima de tudo, um dia de renovação do nosso compromisso com Moçambique. Estes não são apenas números. São anos de sacrifício, de luta, de conquistas e de desafios superados em nome da liberdade, da paz e do progresso do nosso povo”, afirmou, com veemência, enquanto os presentes aplaudiam calorosamente.

O lema deste ano, “50 anos de independência: consolidando a unidade nacional, a paz e o desenvolvimento sustentável”, foi destacado como um chamado à acção. Macucule sublinhou que a frase transcende o simbolismo e se torna um grito de responsabilidade. “É um grito que ecoa em cada canto do nosso país, em cada lar, em cada coração moçambicano”, enfatizou, convocando todos os cidadãos a abraçarem este compromisso com renovada energia.

Adélia Macucule explorou o conceito de unidade como uma força motriz que sustenta a diversidade cultural, linguística e tradicional de Moçambique. “Moçambique é um mosaico de culturas, línguas e tradições. A nossa diversidade é a nossa riqueza, mas é a unidade que transforma essa diversidade em força”, afirmou. A líder destacou que a verdadeira unidade nacional se manifesta em momentos de crise, como os ciclones que devastaram a costa do país e as ameaças terroristas no Norte. “Foi a unidade nacional que nos manteve de pé”, declarou, reforçando a necessidade de práticas diárias de solidariedade e compromisso colectivo.

Macucule fez uma defesa enfática da paz como um dos pilares fundamentais do desenvolvimento. Para ela, a paz não é apenas a ausência de conflito, mas sim um estado que garante segurança, educação e a possibilidade de sonhar com um futuro melhor. “A paz exige vigilância. Não podemos tolerar actos de violência que procuram dividir-nos como povo. Não podemos permitir que o discurso de ódio tenha espaço na nossa sociedade”, alertou, apelando à responsabilidade de todos em proteger este bem precioso.

O desenvolvimento sustentável foi outro tema central do discurso. Macucule destacou os esforços de Inhambane para equilibrar o crescimento económico com a preservação ambiental e cultural. Ela apontou o gás de Temane como um exemplo de recurso que, se gerido com transparência, pode transformar a vida das comunidades locais. “Este recurso deve ser gerido com responsabilidade, para que não apenas contribua para o crescimento económico, mas também melhore a vida das comunidades locais”, sublinhou. No sector do turismo, a primeira-secretária defendeu uma abordagem equilibrada que valorize a cultura e proteja o meio ambiente, enquanto atrai investimentos.

Com uma visão para o futuro, Adélia Macucule enfatizou que as celebrações deste ano são um compromisso renovado para erradicar a pobreza extrema, combater a corrupção e assegurar que o desenvolvimento chegue a todas as regiões do país. “Unidade, paz e desenvolvimento sustentável não são apenas palavras. São os pilares sobre os quais construiremos o Moçambique que sonhamos”, afirmou, encerrando o discurso com um apelo à acção colectiva.

A primeira-secretária aproveitou a ocasião para lembrar a todos do papel central da Frelimo na história de Moçambique. “A Frelimo é mais do que um partido; é a alma desta nação. Foi a Frelimo que liderou a luta pela independência, que trouxe a paz e que continua a ser a força motriz do desenvolvimento de Moçambique”, declarou, arrancando aplausos emocionados da audiência.

Enquanto os 63 anos do partido são celebrados com orgulho, Macucule destacou que os próximos 50 anos exigirão ainda mais dedicação e coragem para consolidar as conquistas alcançadas. “Este é o momento de enfrentar os desafios com determinação, consolidar as nossas conquistas e construir um país onde ninguém seja deixado para trás”, disse, olhando para o futuro com esperança e determinação.

O discurso de Adélia Macucule não apenas celebrou o passado do partido, mas também lançou desafios claros para o futuro. Com uma mensagem de união, resiliência e compromisso com o desenvolvimento sustentável, a primeira-secretária inspirou a audiência a trabalhar incansavelmente por um Moçambique inclusivo e próspero.

O Presidente da República iniciou, esta segunda-feira, a sua primeira visita à província de Manica, com um discurso de apelo à paz, tolerância e  desenvolvimento inclusivo, num comício popular que marcou o  arranque de uma jornada de três dias dedicada à auscultação dos  cidadãos, promoção do diálogo e valorização do potencial local. 

Durante o seu discurso, Daniel Chapo reafirmou o compromisso  do Governo com uma governação participativa e próxima do 

cidadão. “Queremos trabalhar para avaliar como é que o nosso  Governo está a trabalhar com o nosso povo em Manica. Quando  tomámos posse dissemos que iriamos trabalhar mais próximos da  população. É por isso que estamos aqui em Chimoio”, disse. 

O estadista sublinhou que a visita é um gesto concreto do  compromisso com o povo, acompanhado de um vasto programa de  trabalho, que inclui a realização, esta terça-feira, da sessão ordinária  do Conselho de Ministros na cidade de Chimoio, facto que, segundo  afirmou, transforma temporariamente a cidade na capital do país. 

Apontou a inauguração, hoje, do Centro de Formação Profissional de  Chimoio como resposta directa às preocupações da juventude com o  desemprego.  

Com o país a viver o rescaldo das tensões pós-eleitorais de 2024, o  Presidente da República condenou os actos de violência que  resultaram na destruição de infra-estruturas públicas. “A violência gera  violência, o ódio gera ódio. É uma lei da natureza. Cada um costuma  colher o que planta. Se você quer colher o amor, tem que plantar o  amor”, alertou, acrescentando que na política “não há inimigos, só há  adversários”. 

A população local, através de uma mensagem dirigida ao Presidente Chapo, elogiou a governação nos primeiros 100 dias, destacando a resposta clara às suas preocupações e os esforços de diálogo com  todas as forças vivas da sociedade. Entre as principais reivindicações,  pediram mais escolas, hospitais, esquadras e sistemas de água, ao  mesmo tempo que se comprometeram a preservar as conquistas e  evitar acções de instabilidade. 

O Presidente da República abordou também a questão do garimpo  ilegal e da poluição ambiental, confirmando a suspensão das  actividades de cinco empresas e aplicação de multas. “Vamos  organizar os jovens e lhes ensinar a trabalharem como deve ser, sem  riscos”, disse, deixando aos líderes locais a responsabilidade de  garantir uma actividade mineira mais segura e regulamentada. 

Ao abordar os 50 anos da independência nacional, o governante  rejeitou a ideia de que houve poucos avanços desde 1975. Destacou  que, actualmente, há universidades espalhadas por todo o país e que,  ao contrário do cenário da independência, quando 97 por cento da  população era analfabeta, essa realidade já foi superada. Ainda  assim, reconheceu que há muito por fazer. 

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