Falar de Paíto é recordar um famoso túnel a Luisão num dérbi entre Benfica e Sporting, a 26 de Janeiro de 2005, no Estádio da Luz, para os oitavos-de-final da Taça de Portugal. O lance começou com uma cavalgada pelo corredor esquerdo que terminou com um potente remate para o fundo das redes de Quim. Acabou por ser o seu cartão-de-visita.
Agora, já com as botas penduradas e de volta a Maputo, a magia de Martinho Martins Mucana, seu nome verdadeiro, é utilizada para gerir uma loja de conveniência, embora com o regresso ao mundo do futebol na mira, como treinador. Paíto actuou pelos Mambas em 38 jogos.
HILÁRIO RECOMENDOU-O AO SPORTING
Para trás, ficou uma carreira em que foi “difícil fazer amizades”, porque as mudanças de clube foram “constantes”.O trajecto do lateral esquerdo iniciou-se no Maxaquene, clube do seu coração, que o projectou para os leões de Portugal. Hilário da Conceição, quando Paíto ainda era júnior, chamou-o aos seniores. Depois indicou-o aos leões de Lisboa. De seguida o Sporting B veio fazer um torneio a Moçambique, com jogadores como Carlos Martins e Quaresma, em que o nosso Mamba se saíu bem. O processo burocrático durou alguns meses. Uma vez em Lisboa, teve que integrar os juniores, passando depois duas temporadas na equipa B antes de ganhar lugar, a tempo inteiro no plantel principal do emblema de Alvalade, entre 2003 e 2005. Mas havia a questão de uma eventual mudança de nacionalidade, nunca aceite pelo lateral esquerdo moçambicano, que mantinha o seu país no coração.
NEGA A PINTO DA COSTA
Após as épocas de sucesso, foi cedido ao V. Guimarães, onde passou seis meses fantásticos. Apesar disso, o clube desceu divisão, com Paíto a ser a estrela mais reluzente, a ponto de despertar o interesse do FC do Porto e dos espanhóis do Maiorca. Aceitou a segunda proposta em que o valor oferecido era o dobro. O lateral moçambicano manifestou-se mais tarde arrependido, pois olhou mais para o dinheiro do que para o projecto. Os “dragões”, claramente, seriam uma montra melhor para o manter nos holofotes do sucesso. Pinto da Costa queria-o muito.
Mais à frente, sem mesmo se estrear pelos maiorquinos, foi emprestado ao Sp. Braga. Seguiram-se aventuras nos suíços do Sion e do Neuchâtel Xamax, nos romenos do Vaslui e nos gregos do Xanthi, antes de encerrar a carreira no país natal, jogando pelos Mambas
