Transformar o Conselho Constitucional em Tribunal Constitucional, criar um Tribunal de Contas, garantir autonomia financeira ao poder judicial e reforçar a justiça eleitoral, bem como o combate à corrupção, são algumas das principais propostas constantes no Pacto pela Justiça e Estado de Direito Democrático.
O documento foi apresentado durante o Congresso da Justiça, realizado recentemente na cidade de Maputo, tendo o seu texto final sido tornado público esta sexta-feira pela Procuradoria-Geral da República.
Para responder aos desafios enfrentados pelo sector, o Segundo Fórum da Justiça, realizado há uma semana na capital do País, recomendou um conjunto de reformas estruturais consideradas essenciais para o fortalecimento do sistema judicial.
Entre as principais propostas destacam-se a transformação do Conselho Constitucional em Tribunal Constitucional, a conversão do Tribunal Administrativo em Supremo Tribunal Administrativo e a criação de um Tribunal de Contas.
Para além destas alterações institucionais, o documento de 18 páginas defende igualmente o reforço da independência dos tribunais, com enfoque na autonomia administrativa e financeira do poder judicial.
O pacto propõe ainda a constitucionalização da fixação de uma percentagem do Orçamento do Estado destinada ao sector da Justiça, de forma a garantir uma autonomia financeira efectiva e progressiva.
No capítulo eleitoral, o documento sublinha que a credibilidade dos resultados constitui uma condição essencial para a paz e estabilidade no País, alertando que Moçambique não deve continuar a enfrentar crises pós-eleitorais evitáveis através da implementação de reformas estruturais.
“O País não pode continuar a assistir a crises pós-eleitorais evitáveis, quando existem reformas que estão ao alcance do Estado”, refere o documento.
O Pacto pela Justiça dedica igualmente atenção ao combate à corrupção no sistema judicial, classificando o fenómeno como uma das mais graves ameaças ao Estado de Direito.
“A corrupção no sistema de justiça é a mais grave das traições ao Estado de Direito, porque subverte o único árbitro que os cidadãos têm para defender os seus direitos”, lê-se no documento.
Para enfrentar este problema, são propostas medidas como a criação de canais confidenciais de denúncia, o reforço da fiscalização das declarações patrimoniais dos magistrados e uma maior cooperação entre as instituições de justiça e a sociedade civil.
A Primeira-Ministra conduziu, nesta quarta-feira, a cerimónia de tomada de posse dos novos Presidentes dos Conselhos de Administração do Fundo de Investimento de Património de Abastecimento de Água e Saneamento (FIPAAS) e das Águas de Moçambique (AdeM), num evento que marcou o arranque oficial de uma profunda reestruturação do sector de abastecimento de água e saneamento.
Foram empossados Miguel Micas Langa, para o cargo de PCA do FIPAAS, e Augusto João Domingos Chipenembe, para liderar as AdeM.
A criação das duas novas entidades surge no âmbito da implementação da Lei n.° 9/2024, de 7 de Junho, que estabelece o novo Regime Jurídico do Serviço Público de Abastecimento de Água e Saneamento. De acordo com a primeira-ministra, o objetivo da reestruturação é “promover a eficiência e equidade na provisão destes serviços à população e equilibrar a alocação de recursos”.
Durante o seu discurso, Benvinda Levi detalhou as funções específicas de cada instituição. O recém-criado FIPAAS terá como missão principal a mobilização de recursos financeiros e o desenvolvimento e expansão do património público de água e saneamento a nível nacional, com o objectivo de “reduzir as assimetrias regionais e entre as zonas rurais e urbanas”.
A governante declarou que as AdeM ficarão responsáveis pela gestão operacional e manutenção desse mesmo património público em toda a sua cadeia.
A primeira-ministra destacou que a aposta na especialização institucional visa não só acelerar o cumprimento das metas do Programa Quinquenal do Governo, mas também colocar o país no rumo certo para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU até 2030.
Ao dirigir-se aos novos dirigentes, a Primeira-Ministra felicitou-os pela aceitação do desafio e manifestou confiança na sua “larga experiência profissional” para implementar as mudanças com “zelo, rigor e transparência”.
A Miguel Langa, a ministra recomendou que o planeamento das infra-estruturas seja feito em coordenação com os órgãos de governação autárquica, e que a gestão dos investimentos seja transparente e vise a sustentabilidade do sector. Foi também desafiado a criar um ambiente que incentivasse investimentos e colaboração do sector privado, tanto nacional como estrangeiro.
Já a Augusto Chipenembe, foi recomendado que dê prioridade à colaboração e articulação com as restantes instituições do sector. A primeira-ministra espera que o novo gestor promova activamente a sustentabilidade dos serviços na melhoria da qualidade do atendimento e no alargamento da rede de abastecimento nacional, bem como na manutenção das infra-estruturas existentes.
Com um tom de incentivo, a Primeira-Ministra deixou ainda uma mensagem sobre o estilo de liderança que espera dos empossados: “Privilegiem o estímulo, o incentivo, a inspiração e a motivação dos quadros que vão encontrar nas vossas instituições”, e reiterou que só com equipas motivadas será possível encontrar “soluções holísticas” para responder à crescente demanda da população, tanto urbana como rural.
O Presidente da República, Daniel Chapo, endereçou uma mensagem à Comunidade Cristã do país por ocasião do período da Quaresma, assinalando o tempo como uma oportunidade de reflexão, renovação espiritual e fortalecimento dos valores de solidariedade e fraternidade.
Na sua mensagem, o Chefe do Estado sublinha a importância deste período no contexto da vivência cristã e dos ensinamentos de Jesus Cristo.
“A Quaresma constitui um tempo de introspecção, oração e compromisso com os valores que promovem a paz, a justiça e a solidariedade entre todos os cidadãos”.
O estadista moçambicano incentiva ainda a Comunidade Cristã a dedicar-se a actos de caridade, à promoção da paz e à preservação da harmonia social.
“É também um momento propício para reforçarmos o amor ao próximo, praticando gestos concretos de solidariedade e cuidado com os mais necessitados”.
Concluindo a sua mensagem, o Presidente da República formula votos de que este período fortaleça a fé e a esperança dos fiéis, contribuindo para uma sociedade mais justa e inclusiva.
“Desejo que a Quaresma seja vivida com fé e dedicação, inspirando-nos a construir um Moçambique mais solidário, fraterno e comprometido com o bem-estar de todos”.
O Presidente da República reafirma a sua proximidade e apoio à Comunidade Cristã, destacando o papel central da fé na promoção da unidade nacional e da paz social.
Está tudo a postos para o arranque oficial da época futebolística 2026 no País. A Supertaça Mário Esteves Coluna marca a abertura oficial da época e a Federação Moçambicana de Futebol já marcou a data e o local para a sua realização.
Assim, o dia 22 de Março é a data apontada para a disputa do primeiro troféu oficial da temporada, e será disputada pela União Desportiva do Songo, na qualidade de campeã nacional, que fez a dobradinha ao vencer também a Taça de Moçambique, e a Associação Black Bulls, finalista vencido da Taça de Moçambique.
O embate terá lugar no “Caldeirão” do Chiveve, às 15h00, numa clara indicação de que o Campeonato Nacional de futebol, o Moçambola, deve iniciar no último fim-de-semana de Março ou no primeiro de Abril.
Na temporada 2026/27 as duas colectividades irão representar o país nas competições africanas, nomeadamente a Liga dos Campeões da CAF e a Taça da Confederação, também conhecida como Taça CAF ou Taça Nelson Mandela.
A Black Bulls conquistou a prova pela última vez em 2024 e a União Desportiva do Songo em 2023. O Ferroviário de Maputo é o detentor da prova, após derrotar a Black Bulls no ano passado, enquanto o Costa do Sol é a equipa com mais conquistas, 11 ao todo.
Newcastle da Inglaterra, Atlético Madrid da Espanha, Inter de Milão da Itália e Bayern Leverkusen da Alemanha disputam o jogo da primeira mão de acesso aos oitavos-de-final da liga milionária fora de portas. Será uma noite para ganhar vantagem na eliminatória, que deverá ser confirmada na próxima semana.
No prosseguimento da primeira mão do play-off de acesso aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões europeus, os principais candidatos a passarem para a fase seguinte jogam fora de portas.
Qarabağ vs Newcastle
Este será um duelo de novidades, já que ambas as equipas se estreiam na fase a eliminar. O Qarabağ é também o primeiro clube azeri a participar nesta fase e o Newcastle nunca defrontou uma formação do Azerbaijão.
O Qarabağ não venceu os nove jogos anteriores frente a adversários ingleses, tendo empatado um jogo e perdido oito.
O Newcastle venceu apenas dois dos últimos 15 jogos europeus fora. Na fase de liga, a equipa terminou com um registo de uma vitória, dois empates e uma derrota.
Club Brugge vs Atlético
As equipas defrontaram-se oito vezes e o saldo é equilibrado com três vitórias para cada uma. Os duelos mais recentes aconteceram nesta competição, na fase de grupos de 2022/23, quando o Club Brugge venceu por 2-0 em casa e empatou a zero em Madrid.
A equipa belga levou a melhor nos duelos a eliminar ante o Atlético. Apurou-se com um resultado total de 4-3 nos quartos-de-final da Taça dos Campeões Europeus de 1977/78 e repetiu o feito na mesma fase, mas da Taça das Taças, em 1991/92.
O Club Brugge não perdeu em quatro jogos caseiros frente ao Atlético, onde somou três vitórias e um empate, que por seu lado foi afastada em quatro das últimas seis eliminatórias da Champions League.
Bodø/Glimt vs Inter de Milão
Frente-a-frente vão estar duas equipas em extremos opostos no que toca a experiência, já que o Inter foi finalista da prova em duas das últimas três edições e o Bodø/Glimt cumpre a primeira campanha no torneio. Ainda assim, já se defrontaram, na segunda eliminatória da Taça das Taças de 1978/79, com um resultado total de 7-1 a apurar o Inter.
O Bodø/Glimt eliminou a Lazio na Europa League da época passada, mas foi o seu único sucesso em cinco eliminatórias ante italianos. Contam com Kasper Høgh para mudar essa tendência, pois o avançado apontou três golos nos últimos dois jogos da Champions League e frente a adversários de peso (Manchester City e Atlético).
O Inter venceu os quatro jogos disputados frente a adversários noruegueses e prevaleceu em seis das últimas sete eliminatórias disputadas nesta prova.
Olympiacos vs Leverkusen
As equipas defrontaram-se na Jornada 7 desta edição, com o Olympiacos a vencer por 2-0. Antes, em 2002/03, também se tinham encontrado na Champions League, com cada uma a vencer em casa na primeira fase de grupos.
O recente triunfo encerrou uma série de 13 jogos sem vencer da formação grega contra equipas alemãs, que tinha alcançado um empate e 12 derrotas.
O Leverkusen está a um golo dos 200 nesta competição, e o próximo poderá ser marcado pelo defesa goleador Alejandro Grimaldo, que facturou em três das últimas quatro partidas na Champions League. Um golo faria com que o Leverkusen atingisse a marca dos 200 golos nesta competição.
À excepção do embate entre Qarabağ e Newcastle que inicia quando forem 20h00 de Moçambique, os restantes jogos arrancam quando forem 22h00 de Moçambique.
Em Inhambane o ciclone Gezani deixou casas reduzidas a escombros, mais de duas centenas de salas de aula sem tecto e bairros inteiros marcados pela força implacável do vento, revelando a vulnerabilidade de famílias que já viviam no limite.
Enquanto moradores recolhem o pouco que restou das suas vidas e tentam erguer-se entre destroços, o INGD assegura que está a mobilizar assistência para os mais vulneráveis, numa corrida contra o tempo para devolver dignidade a quem perdeu quase tudo.
Catarina Rafael é uma das vítimas do ciclone Gezani, que a encontrou dentro da sua residência, construída de material precário, onde dormia com cinco netos, quando os ventos violentos do ciclone mudaram o rumo da noite do dia 14 de Fevereiro, sábado.
A estrutura começou a ceder sob a força das rajadas e, em desespero, Catarina Rafael abandonou tudo, levou as crianças e correu para a casa de um vizinho. Ao amanhecer, veio a confirmação de que a residência tinha sido totalmente derrubada, deixando a família ao relento.
Luísa Facitela é outra idosa, com mobilidade reduzida, que também atravessou momentos de terror na madrugada de sábado. Sem conseguir reagir com rapidez à violência dos ventos, viu-se obrigada a procurar refúgio improvisado numa pequena barraca onde guarda os seus pertences, como se tivesse pressentido que o tecto da sua casa não resistiria.
Acabou salvando a sua vida, mas não conseguiu salvar a sua residência, que agora está no chão, deixando-a ao relento.
Nem as instituições públicas escaparam à fúria dos ventos. Uma das escolas viu parte das suas oito salas de aula ruírem, além da destruição total do bloco administrativo, comprometendo o arranque das actividades lectivas.
No Bairro de Salela, o mercado local amanheceu irreconhecível. Os ventos arrancaram completamente o tecto, deixando as bancas expostas ao sol e à chuva, e dezenas de comerciantes sem abrigo para proteger os seus produtos e o sustento diário das suas famílias.
Os dados preliminares apontam para mais de mil habitações destruídas ou parcialmente danificadas pela fúria dos ventos do ciclone. Ainda assim, o Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres garante que equipas já estão no terreno a prestar assistência às famílias mais vulneráveis.
Para além das residências particulares, a tempestade deixou um rasto de destruição nas infraestruturas públicas: centenas de salas de aula ficaram total ou parcialmente sem teto, e várias unidades sanitárias perderam cobertura, fragilizando a prestação de cuidados de saúde.
Com o ano lectivo à porta, volta o debate de turmas ao relento e o seu impacto pedagógico. É que nos dias de chuva, milhares de alunos ficam sem estudar. Nampula equaciona recorrer aos parceiros de cooperação para a montagem de tendas para aulas.
O ano lectivo 2026 inicia a 27 de Fevereiro, com abertura oficial, e as aulas arrancam em todo o país no dia 2 de Março. As escolas preparam-se para receber os alunos, com os professores já na fase terminal das dosificações.
“E já fizeram actas, já fizeram planificações quinzenais, quase já receberam o material, já está tudo pronto. Nós só estamos à espera do dia chegar e daí arrancarmos”, confirmou Horácio Luís, Director-adjunto Pedagógico de uma das escolas de Nampula.
Entretanto, há uma situação que inquieta: Novo ano, e velhos problemas.
A Escola Primária do 1º e 2º Graus da Pedreira vai funcionar com mais de 3500 alunos e porque as salas convencionais são poucas, muitos alunos estudam ao relento, para a preocupação de pais e encarregados de educação.
“Quando chove não há nada, não costumam dar aulas porque os alunos ficam debaixo das árvores. Aí não tem chance de ficar para estudar”, lamenta Cidália João, encarregada de educação.
Durante o período lectivo, as árvores servem de salas de aula. São turmas que correspondem a cada árvore. É lá onde parte dos alunos da Escola Primária do 1º e 2º Graus da Pedreira vão iniciar o ano lectivo e o chão está húmido, justamente porque ainda é período chuvoso.
E em Nampula são muitas escolas que estão na mesma situação e condições, onde os alunos poderão ter suas aulas debaixo das árvores.
Horácio Luís confirma que a situação vai continuar, até porque não houve acréscimo das salas de aula. “No ano passado nós tivemos 30 salas ao ar livre, no relento, e espero que também este ano este número vai permanecer porque as salas que tivemos no ano passado são as mesmas”, disse.
Ou seja, cresce o número de alunos a cada ano e o ritmo de construção de novas salas é muito baixo. Na falta da melhor solução, a direcção provincial de Educação em Nampula pensa em recorrer às tendas.
“Estamos num período chuvoso, estamos a rezar para que não haja catástrofe, mas como sabem nós trabalhamos com parceiros, sempre temos tido backups. A educação sempre sofreu por conta das épocas chuvosas, como também da época ciclónica”, frisou William Tuzine, Director de Educação em Nampula.
Até ao ano passado, ao nível da província de Nampula, estimava-se que cerca de 290 mil crianças estudam ao relento, pelo menos no ensino primário, um cenário que provavelmente não vai alterar bastante, mas para pior.
A fome agrava o drama de mais de 500 pessoas, que perderam o emprego, devido às cheias na zona comercial de Xai-Xai, província de Gaza. Jovens e mulheres acabam recorrendo aos alimentos deteriorados para conseguirem, no mínimo, ter uma refeição.
A capital provincial de Gaza está em alerta para o risco iminente de fome aguda, na sequência das cheias que destruíram campos agrícolas e forçaram o encerramento da zona comercial.
Marta Tina é um dos exemplos dos que ficaram desempregados por conta das cheias e diz estar à procura de uma oportunidade de emprego, pois tem enfrentado dias difíceis. O mesmo acontece com Luís Manuel, vendedor de um dos principais mercados da cidade de Xai-Xai, que viu a sua mercadoria a ser arrastada pela fúria das águas.
“Estamos a sofrer, pois a vida está difícil”, conta Luís Manuel, que também enfrenta dificuldades para poder se alimentar.
A vida continua dura e dias de incertezas agravam o desespero de muitos residentes da zona alta de Xai-Xai que dependiam de actividades comerciais nas ruas e avenidas do coração da cidade para gerar rendimento.
“Estamos com fome, as pessoas sofrem devido à fome. E não temos apoio, e procuramos, sem sucesso, alguma ocupação nas lojas. Pedimos apoio em alimentos, pois as crianças estão a passar fome”, diz Rita Come, também desempregada devido às cheias.
Agora sem alternativa, atravessam os piores dias e porque a fome não pode esperar são obrigados a recorrer a produtos deteriorados para poderem se alimentar.
O presidente do Conselho Municipal de Xai-Xai, Ossemane Adamo, alerta para o aumento do nível de desemprego face à continuidade da suspensão do comércio e defende a retoma gradual da actividade.
“Temos cerca de 5 mil vendedores informais que, neste momento, estão sem exercer as suas actividades. Se atrasarmos a retoma das actividades comerciais na cidade de Xai-Xai, poderemos ter um cenário de caos”, alerta o edil de Xai-Xai.
Além disso, há pelo menos seis bancos que continuam encerrados, revelou Ossemane Adamo durante o encontro com o Secretário de Estado em Gaza, Jaime Neto.
“Neste momento, temos apenas dois bancos a funcionarem na zona alta da cidade e isso cria embaraços para os nossos munícipes”, explica.
O Secretário de Estado em Gaza admitiu a retoma gradual da vida comercial, mas exige padrões de higiene e segurança, o que poderá ser garantido por uma equipa multisectorial de fiscalização, liderada pela pelo sector da Indústria e Comércio.
“Queremos evitar que, com a reabertura gradual do comércio sem as condições necessárias, haja contaminação dos produtos e, consequentemente, a sobrecarga dos nossos hospitais”, alerta Jaime Neto.
Dados indicam que as cheias forçaram o encerramento de pelo menos 750 empreendimentos comerciais em Chókwè e Xai-Xai, gerando prejuízos que já superam 850 milhões de meticais.
Morreu, esta terça-feira, o líder dos direitos civis dos Estados Unidos, Jesse Jackson, aos 84 anos. Jackson foi um pastor baptista criado no sul segregado dos Estados Unidos, que se tornou próximo de Martin Luther King Jr.
Em vida, ele concorreu duas vezes à indicação presidencial democrata. Ao longo da vida, Jackson atuou em negociações diplomáticas, missões humanitárias e campanhas contra a discriminação racial, deixando um legado marcado pela defesa dos direitos civis nos Estados Unidos.
Jesse Jackson foi um proeminente activista dos direitos civis que concorreu duas vezes à nomeação do Partido Democrata para presidente, em 1984 e 1988.
Nascido no dia 8 de Outubro de 1941 em Greenville, Carolina do Sul, Jackson envolveu-se na política desde cedo.
Ele ganhou destaque na década de 1960 como líder da Conferência de Liderança Cristã do Sul, de Martin Luther King.
Jackson estava presente com King quando este foi assassinado em Memphis em 1968.
Ele lançou duas organizações de justiça social e ativismo: a Operation PUSH em 1971 e a National Rainbow Coalition doze anos depois.
O antigo Juiz-Presidente do Tribunal Judicial da Cidade da Maxixe, Alexandre José Njovo, foi condenado esta terça-feira a 10 anos de prisão pela Terceira Secção do Tribunal Judicial da Província de Inhambane, num dos casos mais delicados envolvendo magistrados judiciais nos últimos anos na província. A sentença inclui ainda o pagamento de um ano de multa e a obrigação de indemnizar o Estado moçambicano em cerca de três milhões de meticais.
O corréu no processo, Francisco Cumbane, que à data dos factos exercia funções de escrivão de direito no mesmo tribunal, foi condenado a uma pena mais pesada: 12 anos de prisão, além da devolução de 2.731.408,81 meticais aos cofres públicos.
O caso remonta ao período compreendido entre 2017 e 2018, quando uma auditoria interna ao Tribunal Judicial da Maxixe revelou graves irregularidades na gestão das contas bancárias da instituição. O que começou como um procedimento de verificação rotineira acabou por expor um alegado esquema de desvio sistemático de fundos públicos.
Segundo a acusação do Ministério Público, Alexandre Njovo e Francisco Cumbane terão utilizado o acesso privilegiado que detinham às contas de depósitos obrigatórios e de custas judiciais para emitir cheques fraudulentos e efectuar levantamentos ilícitos. Estas contas destinavam-se a valores sensíveis, como cauções, emolumentos, pensões alimentícias e outros montantes que, por lei, deveriam permanecer sob guarda do tribunal até decisão judicial.
Os cheques eram emitidos em nome do escrivão e, posteriormente, os valores eram repartidos entre ambos, de acordo com o despacho de acusação. A auditoria revelou que os levantamentos ocorreram de forma reiterada e em montantes significativos. Entre os saques identificados constam 303 mil meticais numa única operação, seguidos de 354 mil, 100 mil, 291 mil, 81 mil, 155 mil e 66 mil meticais, apenas numa primeira fase do esquema.
Em apenas seis meses de movimentações irregulares, o montante retirado ultrapassou 1,25 milhão de meticais. No total, o valor global do desfalque atingiu cerca de 3,2 milhões de meticais.
O tribunal considerou provado que os arguidos actuaram em conluio, aproveitando-se das suas funções e da confiança institucional depositada neles para praticar os ilícitos. Ficou igualmente demonstrado que houve tentativa de ocultação das provas, incluindo a destruição deliberada de canhotos de cheques, manipulação de documentos oficiais e preparação de justificativos falsos para encobrir as movimentações bancárias.
A conduta foi enquadrada como crime continuado de peculato, previsto no artigo 340.º do Código Penal, que pune funcionários públicos que se apropriem de bens ou valores que lhes tenham sido confiados em razão das suas funções. A moldura penal varia entre um e oito anos de prisão, podendo aproximar-se do limite máximo quando o valor envolvido é elevado — como foi o caso.
Além do peculato, o tribunal teve em conta crimes conexos, nomeadamente abuso de cargo ou função e destruição de processos e documentos oficiais, este último previsto no artigo 424.º do Código Penal, com penas que podem ir de dois a oito anos de prisão, além de multa. Em situações de concurso de crimes, as penas podem ser cumulativas, nos termos do artigo 124.º do mesmo diploma.
A sentença marca o desfecho judicial de um processo que já havia tido repercussões disciplinares. Em outubro de 2019, Alexandre Njovo foi expulso da magistratura pelo Conselho Superior da Magistratura Judicial, após procedimento disciplinar instaurado na sequência da auditoria. O caso foi posteriormente remetido ao Ministério Público para efeitos criminais.
Durante a leitura da sentença, o tribunal sublinhou que a actuação dos arguidos comprometeu não apenas os cofres públicos, mas também a credibilidade do sistema de justiça, instituição que deveria ser exemplo de probidade, legalidade e transparência.
Em declarações aos jornalistas, à saída do tribunal, Alexandre Njovo rejeitou a decisão, classificando-a como uma “encomenda” e anunciou que irá recorrer para instâncias superiores. A defesa sustenta que não ficou suficientemente demonstrado o dolo e contesta a interpretação dos factos feita pelo tribunal.
Já o Ministério Público considerou que a decisão reforça o princípio de que ninguém está acima da lei, independentemente do cargo que ocupa ou tenha ocupado.
O caso ganhou particular atenção pública por envolver um magistrado judicial — figura que, por natureza, tem a responsabilidade de julgar e garantir o cumprimento da lei. Para muitos observadores, a condenação representa um teste à capacidade do sistema judicial de lidar com casos de corrupção interna e reafirmar a sua própria autoridade moral.
Com a sentença agora proferida, abre-se a fase de recurso, que poderá levar o processo às instâncias judiciais superiores. Até lá, permanece o debate sobre a necessidade de reforçar os mecanismos de controlo interno nas instituições públicas e, sobretudo, na administração da justiça.
O julgamento de Alexandre Njovo e Francisco Cumbane deixa uma mensagem clara: a gestão de recursos públicos está sujeita a escrutínio e responsabilidade criminal. Num país onde a luta contra a corrupção continua a ser uma prioridade declarada, este caso poderá tornar-se um marco simbólico na exigência de integridade dentro das próprias estruturas do Estado.

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