Mulheres da sociedade civil de várias partes do País apresentaram propostas de reformas no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo, com foco nos sectores de recursos naturais, economia e políticas públicas, defendendo maior inclusão da perspetiva de género nas decisões nacionais.
As vozes e experiências das mulheres estiveram no centro das contribuições apresentadas à Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo. Representantes da sociedade civil reuniram-se para elaborar um conjunto de propostas destinadas a promover mudanças estruturais em diferentes sectores do País.
No eixo dos recursos naturais, as participantes defenderam reformas legais que permitam harmonizar a legislação sobre igualdade de género com as leis que regulam o sector.
Entre as propostas está também a revisão das directrizes de cálculo de indemnizações para garantir compensações mais justas às comunidades afectadas por projectos de exploração de recursos.
As mulheres propõem ainda que o Governo assuma a responsabilidade pela elaboração de estudos de impacto ambiental, incluindo avaliações detalhadas sobre impactos sociais e de saúde, assegurando que a perspectiva de género seja integrada nesses processos.
O documento, entregue nesta quinta-feira ao presidente da Comissão Técnica do Diálogo Nacional, inclui igualmente propostas para o fortalecimento do sector económico.
Entre as recomendações está a criação de programas nacionais de formação em literacia financeira e gestão de negócios, bem como a integração do empreendedorismo nos currículos escolares e universitários.
As participantes defendem também a criação de centros locais de apoio empresarial para impulsionar iniciativas lideradas por mulheres.
No que diz respeito ao acesso ao financiamento, as propostas incluem a criação de linhas de crédito específicas com taxas bonificadas sob coordenação do Banco de Moçambique, o estabelecimento de fundos de garantia e a promoção de mecanismos de microfinanciamento adaptados às necessidades das mulheres rurais e do sector informal.
A Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo afirmou ter registado as contribuições apresentadas, destacando que algumas propostas podem ter impacto imediato, enquanto outras deverão produzir resultados a médio e longo prazo.
Segundo a comissão, parte das recomendações poderá resultar em reformas legislativas, exigindo a revisão de algumas normas existentes. Outras contribuições enquadram-se na formulação ou redefinição de políticas públicas, enquanto algumas têm um papel essencialmente educativo para a sociedade.
O calendário do Diálogo Nacional Inclusivo prevê que até Março seja concluído o processo de sistematização das propostas recolhidas durante a auscultação pública que decorre desde Setembro do ano passado.
O Papa Leão XIV efectua uma visita a Angola entre 18 e 21 de Abril, anunciou esta quarta-feira o presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), José Manuel Imbamba, manifestando alegria pela vinda do líder da Igreja Católica a Angola.
A informação foi avançada em conferência de imprensa, em Luanda, pelo arcebispo católico angolano que convidou os fiéis a participarem activamente na recepção e nas actividades que serão desenvolvidas no país lusófono africano.
Segundo a Igreja Católica angolana, Leão XIV vai ter encontros com o Presidente angolano, João Lourenço, com a comunidade religiosa, sociedade civil e vai igualmente visitar o Santuário da Muxima e a província angolana de Lunda-Sul.
José Manuel Imbamba enalteceu a visita do Papa Leão XIV a Angola e pediu aos fiéis católicos angolanos a se prepararem “espiritual e materialmente para um acolhimento condigno”.
“O Santo Padre é o vigário de Cristo cá na terra, é ele que garante a comunhão aqui na terra (…), por isso pedimos para que todos os fiéis católicos se envolvam nos vários serviços que foram criados na mobilização, na angariação de fundos e em tudo aquilo que uma visita deste âmbito e desta natureza implica”, frisou.
Por outro lado, o coordenador geral da visita do Papa e porta-voz da CEAST, Belmiro Chissengueti, apresentou a agenda de Leão XIV a Angola, recordando que este chega ao país no dia 18 de Abril e será acolhido no Aeroporto Internacional 04 de Fevereiro.
De acordo com o responsável, neste mesmo dia o Papa vai manter encontro com as autoridades angolanas, com o Presidente da República, João Lourenço, com a sociedade civil e no final da tarde vai ser reunir com os bispos na Nunciatura Apostólica.
No segundo dia da visita, o Bispo de Roma vai presidir às 09:00 locais (menos uma hora em Maputo) a uma missa na Centralidade do Kilamba e, posteriormente, tem um encontro com os peregrinos e fiéis no Santuário da Muxima (maior espaço de peregrinação da África Subsaariana), localizado na província do Icolo e Bengo, cujas obras estão em curso.
“Esta obra [do Santuário da Muxima] foi assumida pelo Presidente, João Lourenço, as obras decorrem e sendo um lugar de maior peregrinação em África é natural que o Papa o visite também para abençoar e dar este sentido de universalidade”, respondeu Belmiro Chissengueti aos jornalistas.
No dia 20 de Abril, logo pela manhã, o Papa irá a Saurimo (capital da província angolana da Lunda Sul – leste de Angola) onde vai presidir a uma missa e depois visitará um centro de acolhimento de idosos, estando ainda previsto às 16:00 (17:00 em Maputo), já em Luanda, encontro com os bispos, padres, religiosas, catequistas na paróquia de Nossa Senhora de Fátima.
O dia 21 de Abril está reservado para as despedidas, no fim da visita papal a Angola.
Pelo menos 8.000 escuteiros estão já mobilizados para participarem nas celebrações, actividades, acolhimento e demais actos enquadrados na visita do Papa Leão XIV nas províncias de Luanda, Icolo e Bengo e Lunda-Sul.
Leão XIV será o terceiro Papa a visitar Angola, depois de João Paulo II, em 1992, e Bento XVI, em 2009.
O Chefe da Bancada Parlamentar da RENAMO, Jerónimo Malagueta Nalia, defendeu nesta quarta-feira, 25 de Fevereiro, que as Propostas de Leis de Radiodifusão e de Comunicação Social a serem apreciadas pela III Sessão Ordinária da Assembleia da República devem servir para engrandecer aos profissionais de comunicação social ao invés de persegui-los.
Falando durante a cerimónia solene de abertura da III Sessão Ordinária do Parlamento moçambicano na sua X Legislatura, Malagueta disse esperar que estes documentos sejam finalmente aprovados uma vez que foram depositados há muito tempo.
“Espera-se, igualmente, que estes instrumentos não sejam um colete-de-forças que no lugar de engrandecer a actividade, sirvam para sufocá-la e perseguir os profissionais da comunicação social”, disse o Chefe da Bancada Parlamentar da RENAMO.
O deputado Malagueta falou, igualmente, da Proposta de Revisão da Lei da Liberdade Religiosa e de Culto que, segundo ele, chama a atenção na medida em que se multiplicam as formas de cultos religiosos, reflectindo a diversidade cultural dos moçambicanos, “o que justifica a sua regulação, desde que não prejudique a liberdade religiosa”.
Ainda na sua alocução Malagueta referiu-se à Proposta de Lei de Segurança Cibernética e a Proposta de Lei dos Crimes Cibernéticos que constituem objecto de atenção por parte do legislador uma vez que o seu conteúdo tende mais para menos liberdade e menos acesso aos meios internautas, propiciando alguma dose de perseguição e criminalização da actividade comum nesta era digital e em contramão dos princípios do alargamento do acesso aos meios informáticos.
O Chefe da Bancada Parlamentar da RENAMO alertou ainda no seu discurso de abertura a necessidade o país reflectir cada vez mais sobre o sistema de educação com vista a conferi-lo mais coerência, qualidade e tornando-o mais acessível à maior parte da população.
Malagueta entende, por exemplo, ser uma aberração a introdução no ensino secundário, do curso nocturno à distância, num país onde o acesso a meios informáticos e à internet ainda está longe de atingir a maioria da população, em especial a estudantil.
Outra preocupação da Bancada Parlamentar da RENAMO na Assembleia da República tem a ver com o Sistema Nacional de Saúde, “onde os poucos hospitais públicos existentes não têm aparelhos funcionais de diagnóstico, medicamentos essenciais e a motivação do pessoal da saúde é baixíssima devido à falta de condições de trabalho, aliada aos baixos salários e falta de promoções e progressões em termos de carreiras profissionais”.
“Em contrapartida, no dia-a-dia chegam notícias sobre o desvio de medicamentos do Sistema Nacional de Saúde para as clínicas e farmácias privadas, esquema este que não seria possível sem a conivência de altas autoridades envolvidas a par da impunidade existente”, disse o Chefe da Bancada Parlamentar da RENAMO.
O deputado Malagueta não terminou seu discurso desejando aos Funcionários e Agentes em serviço na Assembleia da República votos de muito bom trabalho, reconhecendo que sem o seu trabalho não seria possível os representantes do povo exercerem o seu mandato de representar o povo, legislar e fiscalizar a actividade governativa.
O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu hoje o Chairman e CEO do Grupo OMATAPALO, Pedro Vieira Santos, em audiência que abriu caminho para a expansão das actividades do conglomerado angolano em Moçambique.
Em declarações à imprensa após o encontro, Pedro Vieira Santos destacou o potencial do país e a disposição do grupo em contribuir para projetos estratégicos nos próximos anos.
“Hoje tivemos um encontro com a sua Excelência Sr. Presidente. Vimos que Moçambique tem muitos projectos neste momento, são projectos muito ambiciosos e achamos que o Grupo OMATAPALO poderá fazer parte desse futuro que Moçambique proporciona nos próximos anos”, afirmou o executivo.
Fundado em 2003, o Grupo OMATAPALO é um grande conglomerado empresarial com forte presença em Angola e actuação em múltiplos sectores estratégicos da economia, incluindo engenharia e construção, energia e infra-estruturas, metalomecânica, carpintaria e produção de mobiliário, geotecnia e obras subterrâneas, instalações eléctricas e mecânicas, imobiliário e gestão de activos, turismo e hotelaria, mineração, agronegócio, pescas e actividades marítimas.
Pedro Santos explicou que a expansão para Moçambique insere-se na estratégia do grupo de consolidar a sua presença na África Subsaariana.
“A nível de estrutura, o Grupo OMATAPALO está neste momento a mobilizar os seus recursos para Moçambique”, disse, indicando que a preparação operacional já está em curso.
Embora tenha origem em Angola, o grupo visa diversificar suas actividades fora do país.
O executivo destacou ainda a importância da recepção do Presidente Chapo. “É um dos objectivos e achamos que a nossa presença cá, ao sermos muito bem recebidos por Sua Excelência e pelo seu grupo de trabalho, teremos todas as condições para, neste ano de 2026, estabelecermos aqui a nossa actividade”, declarou.
O encontro faz parte de uma agenda do Governo voltada a atrair investidores internacionais e consolidar parcerias estratégicas em sectores prioritários da economia moçambicana.
Com a chegada do Grupo OMATAPALO, Moçambique reforça a sua posição como destino estratégico para investimentos privados, sobretudo em sectores de grande impacto económico, alinhados ao crescimento sustentável e à integração regional.
A vice-ministra adjunta do Canadá para África, Cheryl Urban, anunciou, no encerramento da sua visita a Moçambique, um apoio de 5 milhões de dólares destinado à ajuda humanitária pós-cheias.
Durante a sua visita, Urban reuniu‐se com altos quadros do Governo, incluindo o ministro da Economia, Basílio Muhate, para analisar a parceria de desenvolvimento de longa data e explorar oportunidades para aprofundar a cooperação no âmbito da Estratégia do Canadá, para África: Uma Parceria para Prosperidade e Segurança Partilhadas.
A governante reuniu-se, igualmente, com Ussene Hilário Isse, ministro da Saúde, a fim discutir os investimentos contínuos do Canadá no reforço do sistema de saúde nacional. Como parte deste apoio, em parceria com a Plan International, foram entregues quatro ambulâncias ao Ministério, destinadas à província de Nampula, no âmbito de um projecto global de 19,2 milhões que abrange os distritos de Ilha de Moçambique, Meconta, Ribáuè e Mogovalas.
A vice-ministra adjunta do Canadá para África reuniu-se também com mulheres líderes, organizações da sociedade civil e parceiros multilaterais, reiterando o forte compromisso do Canadá com os princípios democráticos, a governação inclusiva e o desenvolvimento sustentável.
Perante o cenário de cheias, Urban transmitiu uma mensagem de solidariedade do governo do Canadá solidarizou-se com o Governo e o povo moçambicano.
Um grupo de 11 homens sul-africanos alegadamente aliciados para combater ao lado de soldados russos na guerra contra a Ucrânia deverá regressar em breve ao país, segundo anunciou o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa.
Segundo Lusa, com este regresso, sobe para 15 o número de cidadãos sul-africanos que voltaram ao país, depois de quatro homens terem chegado a Joanesburgo na semana passada, após meses a combater nas linhas da frente do conflito entre a Rússia e a Ucrânia.
Os homens terão sido enganados para viajar para a Rússia sob o pretexto de que receberiam formação em segurança.
A Organização Não-Governamental (ONG) INPACT, sediada na Suíça, lançou este mês um relatório em que descreve que o recrutamento de soldados africanos ocorre de diversas formas: através de falsos anúncios de emprego, como segurança privada, construção civil, indústria, trabalho agrícola; promessas de salários elevados e regularização de estatuto migratório; pela facilitação de vistos para a Rússia e transporte e pela utilização de redes informais, intermediários privados e agências de recrutamento.
Segundo Ramaphosa, outros dois sul-africanos permanecem na Rússia, um hospitalizado e outro em fase de processamento antes da viagem de regresso prevista.
Os repatriamentos foram facilitados por via diplomática, na sequência de um compromisso assumido no início deste mês pelo Presidente russo, Vladimir Putin, acrescentou o chefe de Estado.
Segundo a imprensa internacional, pelo menos três pessoas estão a ser investigadas devido à alegada ligação com o recrutamento dos homens para a Rússia, incluindo Duduzile Zuma-Sambudla, filha do antigo Presidente sul-africano Jacob Zuma.
Zuma-Sambudla negou qualquer irregularidade, mas se demitiu do cargo de deputada no parlamento sul-africano na sequência das acusações.
O Governo sul-africano tinha anunciado em Dezembro que recebeu pedidos de socorro de cidadãos que afirmavam estar presos na região oriental do Donbass, devastada pela guerra na Ucrânia.
Os homens, todos com idades entre os 20 e os 39 anos, terão aderido a forças mercenárias sob o pretexto de contratos de trabalho lucrativos, segundo o Governo sul-africano.
O Japão anunciou, nesta terça-feira, planos para deslocar mísseis terra-ar para uma ilha japonesa perto de Taiwan até 2031, ao mesmo tempo que as autoridades japonesas aumentam os alertas sobre as ambições militares da China na região.
“O nosso plano é deslocar ‘mísseis terra-ar de médio alcance’ durante o ano fiscal de 2030”, ou seja, durante o período de 12 meses que termina em Março de 2031, para a ilha de Yonaguni, a cerca de 110 quilómetros a leste de Taiwan, anunciou o ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, durante uma conferência de imprensa regular.
O Japão já tinha declarado em 2022 que planeava este envio de mísseis, mas não tinha especificado um calendário.
A ilha de Yonaguni, isolada e localizada a aproximadamente 2000 quilómetros de Tóquio, já alberga uma base das Forças de Autodefesa do Japão.
Este anúncio surge quando a China tem tomado uma série de medidas económicas, políticas e simbólicas contra o Japão desde Novembro, em retaliação a comentários feitos pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi.
A líder do Japão sugeriu que uma intervenção militar do seu país seria possível no caso de um ataque chinês a Taiwan, ilha que é reivindicada por Pequim.
Desde então, a China tem desencorajado os seus cidadãos a viajar para o Japão. Ontem, anunciou que iria sancionar 40 empresas e organizações japonesas acusadas de participar na nova militarização do Japão, nomeadamente proibindo 20 destas de adquirir bens e tecnologias com potencial tanto civil como militar a empresas sediadas na China.
Sanae Takaichi acusou a China na sexta-feira de querer “mudar o ‘status quo’ pela força ou coerção” nas zonas marítimas sobre as quais disputa soberania com os seus vizinhos, sublinhando, no entanto, que o seu desejo era o de estabelecer “relações estáveis construtivas” com a China.
O Tribunal Judicial do Distrito da Manhiça, através da Secção de Instrução Criminal, ordenou a libertação imediata de oito cidadãos pertencentes ao partido ANAMOLA após considerar procedente um pedido de habeas corpus apresentado pelo seu mandatário judicial.
A decisão foi proferida no âmbito do processo nº 01/26/HC, tendo como requerente Júlio Vicente Chivambo e outros sete cidadãos, nomeadamente: Júlio Ricardo Cossa, Nelson Rui Psungo, Santos Salvador Armando Mandlate, Henriqueta Francisco Dzuvane, Gina Flor Mutote, Rui António Chivambo e José Mateus Francisco Bila.
No pedido, a defesa alegou violação dos prazos legais de detenção, detenção sem mandado judicial e fora de situação de flagrante delito, bem como invasão de domicílio, ausência de comunicação imediata ao Ministério Público e falta de assistência por defensor.
Ao apreciar o caso, o tribunal destacou que o habeas corpus é um mecanismo constitucional destinado a proteger a liberdade individual contra prisões ou detenções ilegais ou abusivas, conforme consagrado no artigo 66 da Constituição da República de Moçambique.
Após análise dos autos e audição dos detidos e do responsável pela detenção, o tribunal concluiu estarem reunidos os fundamentos legais invocados pela defesa. A decisão também considerou disposições do Código de Processo Penal relativas aos prazos de apresentação judicial, às condições de detenção em flagrante delito e à obrigatoriedade de mandado judicial nos casos fora de flagrante.
Na sentença, a juíza de Instrução Criminal, Mariza M. Saiete, julgou procedente o pedido e determinou a imediata soltura dos oito cidadãos, nos termos do artigo 264, nº 3, do Código de Processo Penal.
A decisão foi proferida na cidade da Manhiça, nesta terça-feira, 24 de Fevereiro, tendo sido igualmente emitidos os competentes mandados de soltura.
O líder da Renamo diz que António Muchanga ainda não foi expulso, apenas suspenso, podendo vir a deixar o partido em caso de situações reincidentes. Ossufo Momade afirma que as suspensões serão estendidas aos ex-guerrilheiros da Renamo que ocupam ilegalmente as sedes do partido em quase todo o país.
O presidente da Renamo, Ossufo Momade, avisou que depois da suspensão de António Muchanga, crítico da liderança, outros vão seguir-se, porque “já chega de engolir sapos”.
“Ele não foi expulso, foi suspenso, porque primeiro foi chamado e foi advertido e continuou a fazer as suas brincadeiras. Agora foi suspenso e, se ele continuar, é quando vai ser expulso. E não vai ser o Conselho Jurisdicional, vai ser o Conselho Nacional”, disse Ossufo Momade, num encontro com militantes na província de Maputo.
A Renamo, que perdeu nas eleições de 2024 o estatuto histórico de líder da oposição, agravando a contestação interna ao líder do partido, anunciou, a 10 de Fevereiro, a suspensão imediata de António Muchanga, ex-deputado, como membro do partido, por violar os estatutos da organização política.
“Atendendo à gravidade, conduta reiterada e impacto público das violações, o Conselho Jurisdicional Nacional delibera suspender o senhor António Muchanga da qualidade de membro do partido Renamo”, anunciou, em Maputo, o primeiro vogal do Conselho Jurisdicional, Edmundo Panguene.
Três dias antes, num encontro de ex-guerrilheiros da Renamo que exigem a destituição do Presidente e que há vários meses têm ocupado sedes do partido em protesto, António Muchanga defendeu publicamente a saída de Ossufo Momade, acusando-o de “falta de ideias” e de não realizar reuniões regulares conforme os estatutos da formação política, pedindo união para o tirar do poder.
“Vai ser sancionado, sim, vai. Nós não vamos parar. Fora do próprio António Muchanga, vamos sancionar mais outros”, advertiu nesta terça-feira Ossufo Momade, ao comentar pela primeira vez o caso.
Na ocasião, Ossufo Momade avançou que as sanções vão ser alargadas aos ex-guerrilheiros que têm vindo a ocupar as sedes do partido em todo o país.
“Terão de ser sancionados, porque estão a ocupar a nossa delegação [sedes da Renamo em todo o País]. Aquele é um património do partido, estão a fazer aquilo porque nós não matamos. Vai fazer aquilo para a Frelimo [partido no poder]? Não. Estariam vivos? Estariam nas suas casas? Não. Porque nós não matamos, somos democratas”, disse Ossufo, avisando: “Já engolimos sapos, já chega. Os órgãos do partido vão trabalhar para que encontremos uma saída”.
Recorde-se que António Muchanga disse, a 10 de Fevereiro último, que a decisão do partido, de o suspender, “não vale nada” e que o líder contestado “pode ficar com os símbolos” que também ficou proibido de usar.
“Vou tomar que medidas? Aquele anúncio não vale nada. O que posso fazer é esclarecer as pessoas”, disse António Muchanga, defendendo que o Conselho Jurisdicional da Renamo não tem competência para o suspender, considerando tratar-se de uma tentativa de ameaça aos que contestam a liderança.
A província de Nampula registou, desde a eclosão do surto de cólera, um total de 2.714 casos da doença, resultando em 33 óbitos. De acordo com dados das autoridades sanitárias, 25 das mortes ocorreram ao nível das comunidades e as restantes oito foram registadas em unidades de saúde.
Perante o agravamento da situação, o sector da Saúde anunciou o reforço das medidas de controlo e prevenção, com destaque para uma campanha de vacinação preventiva em larga escala, a arrancar na próxima semana. A iniciativa pretende abranger cerca de 845 mil pessoas com idade igual ou superior a um ano.
A campanha será implementada no sistema de Calaporto e deverá adaptar-se ao contexto sociocultural da província, onde a maioria da população professa a religião islâmica. Considerando que o mês em curso é marcado pelo período de jejum religioso, as autoridades sanitárias decidiram ajustar a estratégia de vacinação.
“Pretendemos levar a cabo várias actividades com vista a minimizar a situação e num futuro breve conseguirmos mitigar a situação. Uma delas é mesmo esta que vamos levar a cabo a partir da próxima semana, que é a vacinação preventiva dos casos ao nível do sistema Calaporto. Nós pretendemos vacinar perto de 845 mil utentes com uma idade compreendida de 1 ano para frente e tendo em conta o contexto actual”, disse Jaime Miguel, porta-voz da Direcção Provincial de Saúde Pública em Nampula.
Além das brigadas móveis habituais, equipas de saúde serão destacadas para actuar junto às mesquitas no horário da quebra do jejum. As equipas também percorrerão comunidades a partir das 17 horas, com o objectivo de alcançar as pessoas que não consigam ser vacinadas durante o dia.
“Sabemos muito bem que na província de Nampula a maior parte da população professa a religião muçulmana e sabemos muito bem que este mês é um mês de sacrifício, por isso pensamos em levar algumas equipas a estarem nas mesquitas no horário da quebra de jejum e também que possam passar ao nível das comunidades”, disse.
A vacina contra a cólera é administrada por via oral, o que exige cuidados redobrados durante o período de jejum. Por essa razão, a imunização será realizada apenas após a quebra do jejum, respeitando as práticas religiosas da população.
A campanha será realizada em duas doses, com intervalo de 15 dias entre cada administração. A primeira fase está prevista para decorrer entre os dias 2 e 6 de Março. Duas semanas depois, as equipas regressarão às mesmas residências e comunidades para assegurar a aplicação da segunda dose.
As autoridades apelam à adesão massiva da população, sublinhando que a vacinação é uma das principais medidas para conter a propagação da doença e reduzir o número de casos e mortes na província.

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