Em entrevista ao “O País Económico”, o embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, defende que empresas portuguesas poderão reforçar a sua presença em Moçambique, caso o Governo implemente reformas para dinamizar a actividade económica no País. Neste momento, há cerca de 450 empresas de capitais portugueses presentes no mercado moçambicano. O diplomata falava em Maputo, após Portugal ter disponibilizado 17 milhões de euros para financiar micro, pequenas e médias empresas moçambicanas.
Temos aqui mais uma linha de financiamento de Portugal de 17 milhões de euros para micro, pequenas e médias empresas moçambicanas. Qual é a taxa de juros que poderá ser praticada pelos bancos?
Essa é uma pergunta muito técnica que eu vou deixar para os bancos responderem. Eu aproveito só para sublinhar que o objectivo do FECOP, o Fundo Empresarial da Cooperação Portuguesa, é apoiar aquelas que são o motor da economia moçambicana, que são as micro, pequenas e médias empresas. São empresas que, pela sua própria natureza, têm maiores dificuldades de acesso aos mecanismos tradicionais de financiamento. Portanto, nós, através do FECOP, pretendemos oferecer mais um instrumento desenhado para essas empresas de menor dimensão, e no fundo tem uma componente de assistência técnica e uma de financiamento para ajudá-las a apresentarem projectos válidos que criem valor, que criem emprego e contribuam para o desenvolvimento do País.
O que leva Portugal a apoiar essas empresas moçambicanas através deste financiamento e a não financiar as infra-estruturas que têm criado bastante obstáculos para estas?
Portugal tem uma cooperação muito abrangente com Moçambique. Não há praticamente nenhum domínio da sociedade moçambicana em que não exista uma cooperação regular, normal e intensa em muitos casos entre Portugal e Moçambique. Moçambique é o nosso principal beneficiário da cooperação para o desenvolvimento, é um dos principais destinos do investimento português no estrangeiro, é uma economia que, acreditamos, tem um enorme potencial de desenvolvimento que ainda está por explorar e, portanto, Portugal está presente em todos os domínios onde é possível estar. Nós queremos apoiar os grandes projectos, mas queremos também olhar para aquilo que é o tecido das micro, pequenas e médias empresas, que são os principais dinamizadores da economia moçambicana. São as que criam o maior número de postos de trabalho e criam valor a nível local, por todo o País. Portanto, não poderíamos deixar de estar presentes também neste importante segmento das empresas moçambicanas.
Que mecanismos foram criados para assegurar que este novo fundo não financia o caixa dos bancos e financia propriamente essas micro, pequenas e médias empresas?
Como hoje aqui ficou claro, o próprio sistema de gestão da operacionalização do FECOP é um sistema de parceria em que juntamos a Associação Moçambicana de Bancos e o Instituto das Pequenas e Médias Empresas. Portugal é o financiador, mas deixamos nas mãos dos especialistas a definição do regulamento e das regras que serão aplicáveis aos projectos. Creio que estamos em boas mãos através da Associação Moçambicana de Bancos e do Instituto das Pequenas e Médias Empresas, que juntamente com as instituições financeiras irão definir a forma concreta de operacionalização deste fundo. O nosso único objectivo é que ele sirva para apoiar a economia, sirva para apoiar as empresas e que ajude a criar valor em Moçambique.
Como está a cooperação entre Moçambique e Portugal, em termos de comércio e Investimento Directo Estrangeiro aqui, no País?
Como eu disse há pouco, Moçambique é um dos nossos principais destinos de investimento. Nós possuímos cerca de 400 a 450 empresas de capitais portugueses, que actualmente estão presentes no mercado moçambicano. Tivemos uma cimeira bilateral há cerca de seis meses, na cidade do Porto. Foi uma cimeira histórica, porque foi uma cimeira que teve uma participação recorde em termos de áreas governativas: doze ministros portugueses e doze ministros moçambicanos participaram nessa cimeira. Realizamos um fórum empresarial que contou com a participação de 700 empresas portuguesas e moçambicanas, e isto constituiu um sinal claro da aposta que nós fazemos na economia moçambicana. Recentemente, tivemos aqui também duas grandes iniciativas europeias, o fórum de negócios do Global Gateway e a conferência RENMOZ, de energias renováveis. Portugal foi o país europeu que contou com a maior participação a nível empresarial. Contamos também com a presença do seu ministro adjunto e da Reforma do Estado, garantindo uma representação também de alto nível político, e isto sinaliza essa aposta clara e esse acreditar em Moçambique, acreditar que Moçambique tem muito para fazer e tem muito para crescer, e nós queremos apoiar Moçambique nesse caminho.
E, como está a questão do investimento português em Moçambique?
Em termos de investimentos, os investimentos têm vindo, como eu disse há pouco, a acontecer. Nos últimos anos, tivemos aqui um reforço dos investimentos portugueses em muitas áreas, desde a energia ao sector agro-industrial, às pescas, mas eu acredito que esses investimentos podem ir muito mais longe. Nós estamos muito atentos e acompanhamos muito de perto aquilo que são as políticas públicas de Moçambique e acompanhamos com grande expectativa aquilo que é a agenda de reformas deste governo. Estamos confiantes que essa agenda de reformas, quando for executada, irá contribuir fortemente para uma dinamização da actividade económica em Moçambique e, dessa forma, seguramente, os portugueses responderão, as empresas portuguesas responderão e serão capazes de levar mais longe os seus projectos de investimento em Moçambique.
Com o objectivo de alavancar o empreendedorismo juvenil, o United Bank for Africa, em parceria com a Tony Elumelu Foundation, anuncia este domingo, 22 de Março, os jovens empreendedores seleccionados para a 12.ª edição do seu programa emblemático em África.
A iniciativa prevê apoiar 3200 empreendedores em todo o continente, no âmbito de diversas parcerias estratégicas com instituições internacionais, entre as quais a Heirs Holdings Group, a European Commission, a GIZ e o UNDP.
Segundo o comunicado, o programa recebeu mais de 265 mil candidaturas, oriundas dos 54 países africanos, o que demonstra “o dinamismo do ecossistema empreendedor no continente, bem como a necessidade crescente de financiamento para negócios em fase inicial”. Os sectores mais representados incluem a agricultura, a inteligência artificial, a saúde e a economia verde.
Os candidatos seleccionados beneficiarão de um pacote de apoio, que inclui capital semente não reembolsável no valor de 5 mil dólares, formação em gestão de negócios através da plataforma TEFConnect, mentoria individual e acesso a uma rede alargada de investidores e parceiros.
O processo de selecção é conduzido pela Ernst & Young, garantindo, de acordo com a organização, “rigor, transparência e independência na avaliação das candidaturas”.
Desde a sua criação, a fundação já capacitou mais de 2,5 milhões de jovens africanos e investiu mais de 100 milhões de dólares em capital semente, apoiando mais de 24 mil empreendedores. Estes negócios geraram, em conjunto, cerca de 4,2 mil milhões de dólares em receitas e criaram mais de 1,5 milhão de empregos, contribuindo para retirar 2,1 milhões de africanos da pobreza e impactar positivamente mais de 4 milhões de agregados familiares. Cerca de 46% dos beneficiários são mulheres.
Para Tony O. Elumelu, fundador da fundação, “o futuro de África será construído por africanos que criam empresas, geram empregos e resolvem os desafios do nosso continente. Na Fundação Tony Elumelu, acreditamos que capacitar empreendedores é o caminho mais sustentável para a transformação económica de África”.
O Presidente da República, endereçou uma mensagem de felicitações ao Presidente reeleito da República do Congo, Denis Sassou-Nguesso, na sequência da sua vitória nas eleições realizadas a 15 de Março corrente.
Na mensagem, Daniel Chapo expressa, em nome do povo e do Governo da República de Moçambique, o reconhecimento pelo resultado alcançado, destacando o significado político da reeleição.
“Tenho a honra de felicitar Vossa Excelência, em nome do Povo e do Governo da República de Moçambique e no meu próprio, pela vossa reeleição como Presidente da República do Congo, na sequência do sufrágio de 15 de Março corrente, que vos conferiu uma expressiva vitória. Este resultado constitui uma clara demonstração da confiança que o povo congolês deposita na vossa liderança, visão e compromisso com a estabilidade, o progresso e o bem-estar da vossa nação”.
Na mesma mensagem, o Presidente Daniel Chapo sublinha a importância das relações históricas entre Moçambique e a República do Congo, reiterando a vontade de aprofundar a cooperação bilateral em diversas áreas de interesse comum.
“A República de Moçambique valoriza profundamente os laços históricos de amizade, solidariedade e cooperação que unem os nossos países. Neste contexto, reafirmo o meu firme compromisso de continuar a trabalhar com Vossa Excelência no reforço das relações bilaterais, incluindo a cooperação económica, em benefício mútuo dos nossos povos”.
O actor norte-americano Chuck Norris, uma das figuras mais emblemáticas do cinema de ação e das artes marciais, morreu aos 86 anos. A informação foi confirmada pela família através das redes sociais.
“É com o coração pesado que a nossa família compartilha o falecimento repentino do nosso querido Chuck Norris”, pode ler-se na publicação. Segundo a mesma fonte, o ator morreu na quinta-feira, rodeado pela família e “em paz”, poucos dias depois de ter celebrado o seu 86.º aniversário, a 10 de março.
De acordo com a RTP, Norris encontrava-se hospitalizado na ilha de Kauai, no Havai, após uma emergência médica súbita. A causa da morte não foi divulgada, por opção da família, que preferiu manter as circunstâncias em privado.
Para o público, Chuck Norris ficou eternizado como um símbolo de força, disciplina e carisma, mas, para a família, era “um marido dedicado, pai e avô amoroso, e o coração da família”.
Nascido a 10 de março de 1940, em Ryan, Oklahoma, Carlos Ray Norris iniciou o seu percurso nas artes marciais durante o serviço na Força Aérea dos Estados Unidos, na Coreia do Sul. Tornou-se campeão mundial de karaté em peso médio durante seis anos consecutivos, entre 1968 e 1974, e viria a fundar o seu próprio sistema de combate, o Chun Kuk Do.
A transição para o cinema deu-se no início da década de 1970, com destaque para o filme “O Voo do Dragão” (1972), onde contracenou com Bruce Lee numa das cenas de luta mais icónicas da história do cinema. Ao longo das décadas seguintes, consolidou o estatuto de estrela em filmes como “Braddock: O Super Comando” e “The Delta Force”.
Na televisão, alcançou enorme popularidade com a série “Walker, Texas Ranger”, onde interpretou o ranger Cordell Walker, papel que marcou gerações e reforçou a sua projeção internacional.
Mesmo após se afastar dos grandes ecrãs, Norris manteve-se uma figura presente na cultura popular, nomeadamente através dos famosos “Chuck Norris Facts”, um fenómeno humorístico da internet que o retrata como uma figura quase invencível.
A morte de Chuck Norris marca o fim de uma era no cinema de ação, deixando um legado duradouro nas artes marciais, no entretenimento e na cultura popular mundial.
A União Desportiva de Songo e a Black Bulls defrontam-se este sábado, às 18h30, na Arena Lalgy, em Tchumene, na final da Supertaça Mário Coluna, jogo que assinala a abertura oficial da época futebolística no país.
Em campo estarão o campeão nacional e vencedor da Taça de Moçambique, UD Songo, e a Black Bulls, finalista vencido da mesma prova. O troféu é actualmente detido pelo Ferroviário de Maputo.
Do lado dos “hidroeléctricos”, o treinador Daúdo Razaque antevê um desafio exigente, destacando que não há jogos fáceis, sobretudo numa final.
“Vai ser um jogo difícil, porque não há jogos fáceis. Temos que nos superar ao máximo”, afirmou o técnico, reconhecendo também as limitações da preparação: “Temos apenas três semanas de trabalho, o que dificulta um pouco.”
Apesar disso, Razaque acredita nas valências da sua equipa: “Penso que temos vantagem em termos tácticos e técnicos.”
Macaime, jogador da União Desportiva de Songo, reforçou a ambição do grupo em começar a época com uma conquista. “Este jogo tem um significado enorme. É a abertura da época e qualquer jogador ambiciona ganhar”, disse, acrescentando que “queremos iniciar a época como terminámos a anterior, a ganhar”.
O atleta sublinhou ainda a integração dos novos reforços. “Temos jogadores novos, mas todos chegaram com a mesma missão. Estamos preparados”, disse.
Já a Black Bulls, que joga em casa, assume o objectivo claro de vencer e dar uma resposta diferente em relação à época passada. O treinador Nelson Santos considera simbólica a disputa do troféu. “É um privilégio disputar este troféu, que representa um nome simbólico do futebol moçambicano”, disse.
Determinada a conquistar o título, a equipa promete uma postura ambiciosa. “Vamos entrar em campo com o único objectivo de vencer o jogo”, afirmou, acrescentando que “queremos dar uma imagem diferente da época passada”.
Nelson Santos destacou ainda a ambição de aumentar o palmarés do clube. “Já conquistámos este troféu duas vezes e queremos conquistá-lo pela terceira vez”, disse.
Entre os jogadores, o discurso também é de confiança. Ângelo Cantolo reconheceu a qualidade do adversário, mas acredita na equipa: “Estamos preparados para este jogo e vamos jogar com máxima confiança”, afirmou, sublinhando “a fome de vencer” do grupo.
A partida deste sábado terá ainda um marco especial, ao assinalar a estreia de jogos noturnos na Arena Lalgy.
Em termos de histórico, a UD Songo procura conquistar a sua terceira Supertaça, enquanto a Black Bulls tenta alcançar o adversário no número de títulos. Ambas as equipas vão representar Moçambique nas afrotaças 2026/2027, reforçando a importância do duelo que marca o arranque da nova temporada.
Os jovens muçulmanos são chamados a preservar os valores espirituais adquiridos durante o mês do Ramadão como forma de garantir uma vida mais ética, equilibrada e socialmente responsável. A recomendação foi feita pelo líder religioso Sheik Mussagy Abdul Rahman, no âmbito das celebrações do Eid al-Fitr, que marcam o fim do jejum islâmico.
Segundo o Sheik, em entrevista no programa Manhã Informativa da Stv Notícias, o verdadeiro teste da fé começa após o Ramadão, quando termina o período de maior intensidade espiritual. “Somos seres humanos, não conseguimos manter o mesmo estado emocional ou espiritual por muito tempo. Isso é natural. Mas os valores essenciais devem permanecer”, afirmou.
Entre esses valores, destacou a modéstia, a honestidade, o senso de justiça e o perdão. “Os jovens devem centrar-se nesses princípios e procurar praticá-los no seu dia-a-dia, seja na escola, no trabalho ou na família”, acrescentou.
O líder religioso sublinhou que o Ramadão não é, também, um momento de transformação pessoal. “O objectivo do mês é alcançar a piedade e temer a Deus. Por isso, a mensagem é que continuemos com essa consciência ao longo do ano”, disse, defendendo que este período deve servir para “corrigir o rumo das coisas que não estavam certas”.
Para além da dimensão espiritual, o Sheik destacou a importância da solidariedade como um dos pilares centrais do Islão. Durante o Ramadão, os muçulmanos intensificam práticas como a zakat, contribuição obrigatória sobre os bens acumulados, e a sadaqa, de carácter voluntário.
“No Islão, o sucesso individual não é visto de forma isolada. Existe uma responsabilidade social. Devemos retribuir à comunidade, sobretudo aos mais desfavorecidos”, afirmou.
No Eid al-Fitr, esta responsabilidade materializa-se na sadaqatul fitr, uma contribuição destinada a garantir inclusão social. “Não devemos permitir que alguém se sinta excluído no dia da festa. É fundamental envolver os mais pobres, os órfãos e os vulneráveis”, sublinhou.
Num país caracterizado pela diversidade religiosa como Moçambique, o Sheik Mussagy Abdul Rahman defende uma convivência baseada no respeito mútuo. “O Alcorão incentiva o bom relacionamento com pessoas de outras religiões. Existe uma base comum entre todas, assente no bem, na caridade e no respeito”, afirmou.
Para o líder religioso, essa base comum deve ser o ponto de partida para fortalecer a coesão social. “Falamos todos de valores universais como o amor, o perdão e a solidariedade. É nesse espaço que devemos construir a nossa convivência”, acrescentou.
Abordando a situação de insegurança no norte do país, o Sheik rejeitou a associação entre terrorismo e religião. “Grande parte das vítimas do terrorismo em Moçambique são muçulmanas. É um erro apontar o dedo ao Islão por falta de investigação séria”, afirmou.
Segundo explicou, elementos religiosos podem ser usados como forma de camuflagem. “O uso de vestuário ou expressões religiosas não é prova. É preciso responsabilidade e capacidade de análise para não criar estigmas”, alertou.
O líder religioso apelou ainda ao reforço da solidariedade para com os deslocados e vítimas de conflitos e desastres naturais.
Apesar de a maioria dos muçulmanos moçambicanos celebrar o Eid na mesma data, persistem algumas diferenças. “Mais de 90% da comunidade celebrou esta sexta-feira, mas ainda há grupos que optam por outro dia. A jurisprudência islâmica permite, mas o ideal é a unidade”, explicou.
O Presidente da República, Daniel Chapo, endereçou uma mensagem de felicitação à comunidade muçulmana, assinalando a celebração do Eid al-Fitr e o culminar do mês sagrado do Ramadan. Na sua comunicação, o Chefe do Estado sublinha a importância desta data como um momento de renovação espiritual, gratidão e fortalecimento da unidade nacional.
O Presidente Daniel Chapo inicia a sua mensagem reafirmando os laços de irmandade que unem os moçambicanos: “É com profundo respeito, sincera alegria e elevado sentido de fraternidade nacional que me dirijo a todos vós, em particular à comunidade muçulmana de Moçambique, por ocasião da
celebração do Eid al-Fitr, que marca o fim do abençoado mês do Ramadan”.
Na mensagem, o Estadista destaca que o Eid al-Fitr representa mais do que um rito religioso, sendo um tempo de partilha e generosidade que dignifica a fé e a humanidade. E prossegue enaltecendo o papel activo e solidário da comunidade muçulmana perante os desafios contemporâneos do País.
“Quero, de forma especial, reconhecer e enaltecer o espírito solidário que caracteriza a comunidade muçulmana moçambicana, particularmente neste período desafiante que o nosso país atravessa. Perante as adversidades causadas pelo extremismo violento em Cabo Delgado, pelos desastres naturais e por outras intempéries que têm afectado famílias e comunidades, a vossa resposta tem sido exemplar: presença activa, apoio humanitário, acolhimento aos deslocados, orações constantes pela paz e iniciativas concretas de ajuda aos mais vulneráveis”.
O Chefe de Estado reitera que esta solidariedade é a prova de que a unidade nacional se fortalece quando os cidadãos se apoiam mutuamente, independentemente da sua crença ou origem.
Ao encerrar a sua mensagem, o Presidente da República expressa o desejo de que esta festividade traga esperança e prosperidade a todas as famílias: “Em meu nome pessoal e em nome do Governo da República de Moçambique, endereço as mais calorosas felicitações a toda a comunidade muçulmana”.
O Governo deu mais um passo decisivo na estratégia de fortalecimento do seu sistema financeiro ao formalizar um entendimento com o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social do Brasil, com vista à criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique. A assinatura do memorando ocorreu no Brasil e foi acompanhada pela ministra das Finanças, Carla Louveira.
A iniciativa surge num contexto em que o país procura consolidar mecanismos financeiros capazes de impulsionar o investimento produtivo e garantir financiamento sustentável para sectores estratégicos. A criação de um banco de desenvolvimento nacional é encarada como uma peça-chave para responder aos desafios estruturais da economia, sobretudo no que diz respeito ao acesso ao crédito de longo prazo.
Com esta parceria, Moçambique pretende beneficiar da experiência técnica e institucional acumulada pelo BNDES, reconhecido pelo seu papel no financiamento de projectos estruturantes no Brasil. A cooperação prevê a partilha de metodologias, modelos de governação e instrumentos financeiros que poderão orientar a concepção e funcionamento do futuro banco moçambicano.
A aproximação entre os dois países reforça igualmente os laços de cooperação económica e abre espaço para uma colaboração mais profunda em áreas estratégicas. Para o Executivo, este apoio representa uma oportunidade concreta de criar uma instituição robusta, capaz de dinamizar o desenvolvimento económico e reduzir as limitações no financiamento de projectos de grande impacto.
A EUROCAM, Associação dos Empresários Europeus em Moçambique, em parceria com a APIEX e a BusinessEurope, organizou um encontro de alto nível entre o Presidente da República, Daniel Chapo, e um grupo selecto de empresas e investidores europeus, realizado nas instalações da BusinessEurope, em Bruxelas.
O encontro reuniu 27 empresas europeias, representando investimentos superiores a 30 mil milhões de euros em Moçambique, distribuídos por sectores como energia, agronegócio, água, planeamento e serviços financeiros.
As empresas estiveram representadas ao mais alto nível institucional e executivo, com a presença de CEOs, vice-presidentes e directores seniores de grandes grupos industriais e energéticos europeus, incluindo a TotalEnergies, a Technip Energies, a Andritz, a Van Oord e a Applus Velosi.
Este nível de representação constituiu um sinal claro da confiança das empresas europeias nos compromissos assumidos perante o Chefe de Estado moçambicano, bem como no potencial de crescimento económico do país.
Durante o encontro, o Presidente Chapo apresentou as oportunidades associadas aos principais projectos estruturantes em curso, incluindo os desenvolvimentos liderados pela ENI, pela TotalEnergies e pela ExxonMobil.
Para Simone Santi, presidente da Eurocam, “os megaprojectos oferecem segurança financeira e produtiva, promovem o desenvolvimento industrial e a transferência de conhecimento, desde que se invista na criação de valor local, como fazem as empresas europeias resilientes”.
Por sua vez, Antonino Maggiore, Embaixador da União Europeia em Moçambique, destacou que o próximo passo na cooperação económica será o Global Gateway Forum Maputo 2026, agendado para 9 e 10 de Junho em Maputo, que deverá reunir investidores europeus e instituições financeiras para aprofundar parcerias estratégicas.
O encontro reforçou o papel da EUROCAM como plataforma de diálogo entre o sector privado europeu e o Governo de Moçambique, promovendo um ambiente de negócios mais previsível e favorável ao investimento estrangeiro.
O preço do gás na Europa disparou 35% ontem, após ataques a infra-estruturas energéticas no Médio Oriente, em particular o ataque iraniano à maior instalação de produção de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, no Qatar.
A empresa estatal de energia do Qatar reportou, nesta quinta-feira, “danos consideráveis” no complexo de gás de Ras Laffan, na sequência de um ataque com mísseis iranianos.
Doha esclareceu, posteriormente, que todos os incêndios no local estavam “controlados”, acrescentando que não houve feridos e que as operações de arrefecimento e segurança continuavam.
Uma das maiores refinarias do Kuwait também foi atingida nesta quinta-feira.
Os preços do petróleo também subiram nesta quinta-feira, igualmente influenciados pelos desenvolvimentos do conflito no Médio Oriente, com o petróleo Brent a registar uma subida superior a 5%, atingindo cerca de 113 dólares.
O Irão causou “danos extensos” à Cidade Industrial de Ras Laffan, a maior instalação mundial de gás liquefeito do mundo, localizada no Qatar, após ter prometido retaliar contra a infra-estrutura energética do Golfo pelo ataque sofrido no campo de gás South Pars, parte da maior reserva de gás do mundo e cerne do sistema de energia doméstica da República Islâmica.
O bombardeio por Israel, feito com consentimento ou coordenação dos EUA, foi a primeira investida contra a infra-estrutura de produção de combustível fóssil iraniana desde o início do conflito, a 28 de Fevereiro. O Irão acusa as monarquias árabes do Golfo de permitir que as forças americanas usem o seu território e/ou espaço aéreo para lançar ataques contra o território iraniano.
“Equipas de emergência foram imediatamente mobilizadas para conter os incêndios resultantes [em Ras Laffan], visto que os danos foram extensos”, afirmou a estatal QatarEnergy numa publicação no X na quarta-feira.
Em comunicado, o Ministério de Relações Exteriores do Qatar afirmou que o “lado iraniano mantém as suas políticas de escalada que empurram a região para o abismo”. Posteriormente, a Chancelaria ordenou que os adidos militares e de segurança do Irão deixem o país, numa escalada diplomática que simboliza a perda de confiança entre dois países que compartilham a operação do campo de gás de South Pars-North Dome.
Nas primeiras horas de quinta-feira (horário local), o Ministério da Defesa do Qatar confirmou que o Irão havia conduzido novos ataques com mísseis balísticos à Ras Laffan, que provocaram danos às instalações.
Já o Ministério de Relações Exteriores da Arábia Saudita disse que o país foi alvo de tentativas de ataques com drones contra uma das suas instalações de gás e outras estruturas de energia na região leste, enquanto os Emirados Árabes Unidos (EAU) sofreram um ataque contra a base aérea de Al Minhad, que abriga oficiais britânicos e australianos. Não há registro de danos ou vítimas.
Na madrugada desta quarta, o Irão também havia atingido Tel Aviv, matando dois israelitas, após jurar vingar na véspera pela morte do seu chefe de segurança, Ali Larijani, assim como a de Gholamreza Soleimani, chefe da unidade paramilitar Basij, responsável pela segurança interna do Irão. O ministro da Inteligência iraniano, Esmaeil Khatib, foi assassinado nesta quarta-feira, quando destroços de um míssil deixaram quatro palestinianas mortas na Cisjordânia.

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