Cerca de 1,3 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar as suas zonas de origem em Moçambique desde 2017, devido à violência armada no norte do país. Deste total, 661.532 continuam deslocadas internamente, enquanto 721.691 regressaram aos seus distritos de origem, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
No relatório operacional referente ao primeiro semestre de 2026, a agência indica que os ataques de grupos armados provocaram 26.184 novos deslocados entre Janeiro e Junho, em vários distritos da província de Cabo Delgado. Muitos dos afectados foram obrigados a deslocar-se mais de uma vez.
O ACNUR considera que a situação humanitária continua complexa, devido à persistência da violência em distritos como Ancuabe, Chiúre, Macomia, Mocímboa da Praia, Palma, Quissanga, Muidumbe e Nangade.
Para além dos ataques contra civis e infra-estruturas, a agência assinala que os grupos armados têm visado cada vez mais os meios de subsistência das populações, incluindo campos agrícolas, actividades pesqueiras e locais de exploração mineira, agravando a vulnerabilidade das comunidades.
O relatório indica ainda que Moçambique acolhe 24.217 refugiados e requerentes de asilo, provenientes sobretudo de países da África Central e Oriental.
Entre Janeiro e Junho deste ano, o ACNUR prestou assistência directa a 39.699 pessoas, incluindo deslocados internos, refugiados e famílias vulneráveis, através da distribuição de bens essenciais e apoio monetário. A agência apoiou igualmente 15.804 pessoas com assistência jurídica e 8.637 na obtenção de documentos de identificação.
No âmbito do reforço dos serviços de protecção, está em curso um projecto de 34 meses, lançado em Março, em parceria com os Governos de Moçambique e do Japão. A iniciativa prevê a construção ou reabilitação de 27 postos de atendimento em Cabo Delgado, com o objectivo de facilitar o acesso à documentação civil de mais de 100 mil pessoas e prestar assistência jurídica a outras 45 mil.
Para 2026, o ACNUR solicitou 61,3 milhões de dólares para financiar as suas operações em Moçambique e Angola. Contudo, até Junho, apenas 38% do montante tinha sido disponibilizado, deixando um défice de financiamento de 38,2 milhões de dólares.
Estará pronta, ainda este ano, a maior central termica construída no país desde a Independência Nacional. A garantia é do Presidente da República, Filipe Nyusi, que falava, hoje, na celebração dos 20 anos do Instituto Nacional de Petróleos (INP), na Cidade de Maputo.
O empreendimento está a ser erguido em Inhassoro, na província de Inhambane. De acordo com o Chefe de Estado, está também a ser erguida, mas com alguma dificuldade, uma refinaria de gás de cozinha, que também estará pronta em breve.
Durante o evento, o Presidente da República dedicou algum tempo para falar do conteúdo local. Disse que é um aspecto ainda com pouca pujança na economia nacional, mas cujo debate deve ser contínuo e merecer atenção dos moçambicanos.
“O sector empresarial de Moçambique deve continuar a pressionar. Pressionar não é mau. Mesmo crianças pressionam-nos em casa, quando demora o pequeno-almoço”, afirmou Filipe Nyusi.
O Chefe de Estado fez saber que o valor dos contratos entre os megaprojectos de Inhambane e da Bacia do Rovuma e as empresas moçambicanas quase que triplicou, de 16,5 milhões de dólares americanos, em 2019, para 46 milhões no ano de 2024.
“Nós queremos mais. Enquanto isso, as coisas estão a acontecer. Vamos qualificar-nos mais para podermos merecer mais atenção e sermos competitivos. Não gostaríamos que os nossos serviços fossem escolhidos só para nos agradar”, disse Filipe Nyusi.
Um dos projectos de destaque da indústria do gás natural, o Coral Sul, liderado pela empresa italiana Eni, exportou para o mercado global um total de 68 navios cargueiros de Gás Natural Liquefeito.
Chiquinho Conde garante que as negociações para a renovação do seu contrato, no comando técnico dos Mambas, poderão ter desfecho nos próximos dias. O técnico explica ainda que é normal que haja divergências em alguns pontos, mas, como homem do futebol, tudo poderá terminar com a satisfação das duas partes.
A Federação Moçambicana de Futebol manifestou interesse de continuar com o técnico à frente dos Mambas, tendo constituído uma equipa para encetar as negociações com o técnico moçambicano. Sucede que ainda não se sabe ao certo quando é que as duas partes vão assinar os papéis.
“O processo está a seguir os seus trâmites normais. Penso que, a breve trecho, teremos o resultado final”, garante Chiquinho Conde, que acrescenta que é normal que haja divergências nas negociações.
“Como qualquer outra negociação, há sempre alguns pontos em que as partes concordam ou não concordam. Como homem do futebol, eu só gosto de falar de futebol, gosto de pensar o futebol, porque é isso que me trouxe ao país e é disso que o povo precisa também. Espero, sinceramente, que as coisas se resolvam o mais cedo possível”, anota o técnico.
Os Mambas têm dois compromissos no próximo mês contra o Mali e Guiné Bissau, partidas referentes à fase de qualificação para o CAN 2025. A equipa técnica já está a estudar os adversários.
“São dois adversários muito difíceis. O Mali é cabeça de série e tem um leque de jogadores que joga no estrangeiro, por isso não vai ser tarefa fácil. Ora, como em todas as campanhas, nós temos de ser muito pragmáticos. Costumo dizer que cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Nós também temos qualidade para discutir de peito aberto com qualquer adversário”, explica.
Chiquinho foi homenageado, esta terça-feira, pelo Conselho Municipal da Beira, pelo seu contributo no desporto moçambicano.
“É a primeira vez no meu país, pela carreira que eu fiz, não só como futebolista, mas também como seleccionador nacional. É um reconhecimento de um presidente, de uma cidade que me viu crescer e sinto-me lisonjeado, porque sinto que dignifiquei, não só o nome da minha família, mas também o nome da cidade da Beira e do país além-fronteiras”, disse.
O Governo reconhece que está em déficit no financiamento das eleições gerais, mas garante que, paulatinamente, o valor de 13 mil milhões vai ser alocado aos órgãos eleitorais para garantirem a realização dos escrutínios sem sobressaltos.
Filimão Suázi foi quem deu a garantia de que o governo irá prover os fundos ainda em falta para cobrir o processo eleitoral.
“No que concerne especificamente ao déficit financeiro, penso que sempre tivemos este receio em outros pleitos anteriores, mas sempre conseguimos resolver o problema no final do dia porque o Governo comprometeu-se. Quando digo o Governo, não estou a falar deste que está em funcões. Estou a falar que, desde que somos um Estado de Direito democrático, nunca falhamos eleições e, por isso, tudo vai ser feito para que as eleicões este ano não falhem”.
O porta-voz do Governo falava depois de mais uma sessão do Conselho de Ministros, onde foram abordadas várias matérias, incluíndo a concessão do Porto seco ao Malawi, em Nacala. A propósito, o Executivo esclareceu que tudo será feito dentro do previsto na Lei.
“A atribuicão desta concessão para o Porto seco vai obedecer ao processo normal que todas as outras concessões seguem, isto é, regulada pela Lei moçambicana”.
Outrossim, a reconstrução pós-ciclone IDAI foi tema de debate em mais uma sessão do Conselho de Ministros, tendo sido avançado que, apesar do não desembolso total dos fundos necessários, houve alguns avanços.
“Todos os valores mobilizados estão a ser usados para a reabilitação de infra-estruturas sociais e outros, conforme o plano aprovado com os parceiros de cooperacão. Por exemplo, estão concluídas 5759 casas entregues aos beneficiários. Foram construídas e reabilitadas 3269 salas de aula de um total de 4745 casas afectadas. A resposta à transitabilidade, em todas secções afectadas, foram levadas a cabo. Portanto, estamos a falar de 4154 quilómetros de estradas e vinte e oito pontes intervencionadas”.
O Governo manifestou ainda preocupação face às mortes causadas por acidentes de viação, embora tenha reconhecido a redução dos sinistros no primeiro semestre deste ano, quando comparado com igual período do ano passado.
Um dos responsáveis pela mesquita de Nahene 1, na província de Nampula, falou em exclusivo ao “O País” sobre alegada ligação ao terrorismo, esclarecendo que fazem parte de um grupo de muçulmanos salafitas. Muhamad Zuneid Ali diz ainda que são alvo de perseguição por parte de outros líderes muçulmanos não salafitas.
Noutras partes do mundo, os salafitas são considerados fundamentalistas. Em Moçambique, desde 2017, os salinistas tentam registar a sua associação ortodoxa, mas sem sucesso.
Muhamad Zuneid Ali clarificou, ainda, que é preciso respeitar as regras do islão: descalçar antes de entrar na mesquita.
Ali apresentou, na ocasião, os dois livros que tem os escritos que interpretam o Alcorão que é o livro sagrado do Islão.
Para os salafitas, como diz, é errado julgá-los e associá-los ao terrorismo simplemente porque têm regras próprias de vestimetimenta.
Muhamad Zuneid Ali negou, por outro lado, que tenha financiadores de fora de Moçambique e lamenta o facto de desde 2017 estarem a tentar legalizar a sua associação ortodoxa, sem sucesso. Em 2022, escreveram para o Presidente da República a pedir a sua intervenção e o Gabinete do Presidente da República, Filipe Nyusi, e encaminou o assunto ao Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos que até hoje não respondeu se aceita ou não legalizar a Associação Ortodoxa e Monoteísta dos salafitas.
Duas pessoas morreram e outras três estão desaparecidas devido a um naufrágio de uma embarcação de transporte de passageiros ocorrido no último domingo, no distrito de Muanza, em Sofala.
O acidente marítimo terá sido causado por excesso de carga e superlotação da embarcação que transportava, na altura, doze passageiros.
O porta-voz da PRM em Sofala disse que a Polícia Costeira resgatou dez pessoas.
Segundo Marito Peralto, decorrem as buscas para localizar os três desaparecidos.
Na próxima quinta-feira, a partir das 16h30, no auditório da Autoridade Tributária, em Maputo, Jorge Fernando Jairoce vai lançar o livro “A Mulher e o comércio informal transfronteiriço mukhero no Sul de Moçambique”.
O livro de Jorge Fernando Jairoce é o resultado de uma pesquisa para o trabalho de doutoramento, defendida em 2016 e faz uma análise profunda e esclarecedora sobre a dinâmica do comércio informal transfronteiriço, especificamente centrado no fenómeno do “mukhero”.
O livro pretende responder a questões cruciais, segundo avança a nota de imprensa da editora que edita o livro (Gala Gala), como a definição do “mukhero” e as suas origens, examinando quando e como esse comércio emergiu na região.
Além disso, o autor investiga as características dos participantes do “mukhero”, os quais são predominantemente mulheres, destacando as suas experiências e desafios.
O livro também aborda o papel das instituições governamentais, analisando como regulam e impactam essa prática económica, vital para muitas comunidades locais. Com uma abordagem rica e informativa, o livro de Jairoce é um importante contributo para o entendimento das interacções económicas e sociais no Sul de Moçambique e do país.
Segundo José Rivair Macedo, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que assina o prefácio do livro e citado na nota de imprensa, “a principal contribuição oferecida pelo livro diz respeito ao reconhecimento do lugar diferencial dos sujeitos no interior das estruturas sociais, o que contribui para dar visibilidade a grupos e actividades mantidas durante muito tempo no anonimato, mas que são em grande parte responsáveis pela reconfiguração do cenário africano contemporâneo”.
O livro “A mulher e o comércio informal transfronteiriço mukhero no Sul de Moçambique” será apresentado por Bento Rupia Júnior. Além disso, Amélia Muendane, ex-presidente da Autoridade Tributária (AT), e Silvino Augusto José Moreno, ministro da Indústria e Comércio, tecerão comentários.
Jorge Fernando Jairoce nasceu em Sofala, 1981. É Doutor em História, com especialização em Relações Político-Institucionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil). Foi co-fundador e co-editor da Revista Académica “Síntese”, da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia da Universidade Pedagógica. Foi Director Nacional da Biblioteca Nacional de Moçambique (2014–2020) e Presidente de Mesa do Comité Intergovernamental de Altos Funcionários e Especialistas da Comissão Económica de África — Sub-escritório Regional da África Austral (2022–2023). É, actualmente, docente no Programa de Doutoramento em História de África na Universidade Pedagógica de Maputo, Pesquisador Associado do Mandela Institute for Development Studies (MINDS), de Johannesburg, e Secretário Permanente do Ministério da Indústria e Comércio. Possui artigos científicos e de opinião publicados em Moçambique e Brasil. É co-editor do livro “40 Anos de Relações Moçambique e China” (2017).
Payó Amarchande é o novo treinador do Ferroviário de Nampula, em substituição de Artur Macassar, afastado do comando técnico dos “locomotivas” por maus resultados. Antes de assumir as novas funções, Payó era adjunto de Turito.
O mesmo deverá orientar a equipa de forma interina, enquanto o clube procura outro treinador. A informação foi tornada pública através de uma nota da direcção do emblema da capital do Norte.
Esta não é a primeira vez que Payó assume o comando técnico do Ferroviário de Nampula na condição de interino. O jovem técnico já tinha passado por isso na época passada, quando o clube prescindiu dos trabalhos de Antoninho Muchanga, que também fora afastado por maus resultados.
Turito chegou ao Ferroviário na época passada, tendo conseguido levar a equipa à terceira posição do Moçambola. O técnico foi afastado após última derrota em casa, diante da Associação Desportiva de Vilankulo, por 0-1, mesmo resultado com que perdeu na jornada anterior, diante do homónimo da Beira.
O Ferroviário de Nampula ocupa a quarta posição da tabela classificativa com 18 pontos, menos 12 que a líder Black Bulls, que tem menos um jogo. Em 13 jogos, a equipa “nampulense” tem cinco vitórias, o mesmo número de derrotas e empatou em três ocasiões. Fez 12 golos e também sofreu 12.
Entre 25 e 31 deste mês de Agosto, o Grupo de Teatro Girassol vai participar no FESTLUSO – Festival de Teatro da Lusofonia, a realizar-se em Teresina, São Paulo, Brasil.
Neste regresso ao Brasil, os actores moçambicanos levam consigo o espectáculo teatral “O quarto”, uma peça escrita e dirigida por Joaquim Matavel e interpretada por Horácio Mazuze e Célia Matsinhe.
De acordo com o comunicado de imprensa do Grupo Girassol, “O quarto” é uma “antinomia” entre o amor verdadeiro e as convenções sociais, entre o segredo e a abertura, entre o silêncio e o amor-próprio, entre a mentira e a busca da felicidade, num diálogo desencontrado de um casal heterosexual, sobre o tema da homosexualidade no contexto cultural africano.
O espectáculo teatral “O quarto” foi recentemente adaptado e estreia em filme denominado “Heterodoxo – O quarto”.
O Grupo Girassol vai participar no FESTLUSO – Festival de Teatro da Lusofonia pela terceira vez.
Joe Biden diz que Kamala Harris é a única opção para a salvação da democracia nos Estados Unidos da América, que está sob ameaça do candidato republicano, Donald Trump. Biden disse ainda que os americanos não devem ser dirigidos por um “criminoso condenado”.
Será na quinta-feira a confirmação da Kamala Harris como candidata presidencial dos democratas, com o fim da convenção democrata que iniciou esta segunda-feira.
Durante o seu discurso, Joe Biden, Presidente dos EUA, disse que a democracia só prevalecerá com a eleição de Kamala Harris, antiga procuradora-geral da Califórnia, que dará continuidade a esta preservação.
“Estamos em um ponto de inflexão, um momento em que decisões que tomamos agora determinarão o destino da nação e do mundo por décadas. É uma batalha pela alma dos Estados Unidos. Estão prontos para votar pela liberdade e pela democracia? Estão prontos para eleger Kamala Harris?”, Biden, cita Carta Capital.
Na mesma oportunidade acusou o ex-presidente, Donald Trump, de ser criminoso, razão pela qual não pode ser eleito em novembro.
“Os Estados Unidos são mais seguros hoje do que sob Donald Trump. Ele continua a mentir sobre o crime no país, como sobre todo o restante”. Biden acrescentou que o índice de criminalidade vai continuar a cair “quando levarmos uma promotora ao Salão Oval em vez de um criminoso condenado”, acusou, cita CC.
Quem também discursou esta segunda feira, foi Hilary Clinton, porém são esperadas ao longo do próximos três dias, os discuros do ex-presidente Barack Obama e sua esposa Michelle na terça-feira, na quarta, o ex-presidente Bill Clinton e Tim Walz, escolhido para ser o vice de Kamala.