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Cerca de 1,3 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar as suas zonas de origem em Moçambique desde 2017, devido à violência armada no norte do país. Deste total, 661.532 continuam deslocadas internamente, enquanto 721.691 regressaram aos seus distritos de origem, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

No relatório operacional referente ao primeiro semestre de 2026, a agência indica que os ataques de grupos armados provocaram 26.184 novos deslocados entre Janeiro e Junho, em vários distritos da província de Cabo Delgado. Muitos dos afectados foram obrigados a deslocar-se mais de uma vez.

O ACNUR considera que a situação humanitária continua complexa, devido à persistência da violência em distritos como Ancuabe, Chiúre, Macomia, Mocímboa da Praia, Palma, Quissanga, Muidumbe e Nangade.

Para além dos ataques contra civis e infra-estruturas, a agência assinala que os grupos armados têm visado cada vez mais os meios de subsistência das populações, incluindo campos agrícolas, actividades pesqueiras e locais de exploração mineira, agravando a vulnerabilidade das comunidades.

O relatório indica ainda que Moçambique acolhe 24.217 refugiados e requerentes de asilo, provenientes sobretudo de países da África Central e Oriental.

Entre Janeiro e Junho deste ano, o ACNUR prestou assistência directa a 39.699 pessoas, incluindo deslocados internos, refugiados e famílias vulneráveis, através da distribuição de bens essenciais e apoio monetário. A agência apoiou igualmente 15.804 pessoas com assistência jurídica e 8.637 na obtenção de documentos de identificação.

No âmbito do reforço dos serviços de protecção, está em curso um projecto de 34 meses, lançado em Março, em parceria com os Governos de Moçambique e do Japão. A iniciativa prevê a construção ou reabilitação de 27 postos de atendimento em Cabo Delgado, com o objectivo de facilitar o acesso à documentação civil de mais de 100 mil pessoas e prestar assistência jurídica a outras 45 mil.

Para 2026, o ACNUR solicitou 61,3 milhões de dólares para financiar as suas operações em Moçambique e Angola. Contudo, até Junho, apenas 38% do montante tinha sido disponibilizado, deixando um défice de financiamento de 38,2 milhões de dólares.

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O presidente da Federação Moçambicana de Basquetebol, Paulo Mazivila, diz que as atletas da selecção sénior feminina deram o seu melhor no torneio de pré-qualificação para o Mundial 2026, mas a chegada tardia ao México e a fadiga condicionaram o grupo. Mazivila diz, ainda, que é preciso não parar e começar a trabalhar arduamente para as frentes que as selecções nacionais terão em Novembro próximo.

Três jogos, igual número de derrotas. Este foi o saldo da selecção nacional de basquetebol sénior feminino no torneio de pré-qualificação para o Mundial da FIBA da Alemanha 2026. No México, diga-se, as “guerreiras” até mostraram disponibilidade e intensidade na estreia, chegando mesmo a controlar a marcha do marcador diante da equipa local, mas depois veio ao de cima o desgaste físico. Um jogo, de resto, em que podiam ter vencido e deixar marcas, mas a fadiga de um grupo que saiu, praticamente, do aeroporto para o pavilhão não disfarçou, no final, o desfecho.

Mesmo diante de Montenegro, a selecção nacional deu cartas, mas ficou evidente que todo o processo que norteou a viagem, marcada por indecisões e idas e regressos do aeroporto, acabou por afectar o grupo de trabalho. O que terá, de facto, falhado e que avaliação se pode fazer desta campanha toda são as questões colocadas ao presidente da Federação Moçambicana de Basquetebol, Paulo Salvador Mazivila.

“Eu faço uma avaliação positiva porque, na verdade, estamos perante os melhores do mundo. É positiva, primeiro, porque ficou mais do que claro que, no primeiro jogo com o México, e no segundo diante de Montenegro, existiam todos os elementos para vencermos. Falo de todos os elementos e mais alguma coisa. Podíamos ter vencido os dois jogos, incluindo o contra a Nova Zelândia, mas tivemos aquele senão de não nos podermos adaptar a questões de altitude. O primeiro jogo com o México foi fatal”, frisou o dirigente.

A chegada tardia ao México, assumiu Mazivila, pesou para o desempenho da quinta classificada no “Afrobasket” 2023, em Kigali, Ruanda.

Chegamos no mesmo dia e saímos do Aeroporto para virmos jogar. Então, não há dúvidas de que isso foi um grande prejuízo para a selecção, mesmo no que diz respeito ao estado de espírito. Elas tentaram recuperar o jogo, mas a fadiga tomou conta delas. Mas, para mim, eu faço uma avaliação positiva, porque elas estiveram bem. Vamos manter este nível e competirmos sempre nesta dimensão.”

Esta não é, diga-se, a primeira vez que a selecção nacional de basquetebol sénior feminino é prejudicada pelos processos de preparação e viagem para fora do país. Aconteceu em Kigali, no Ruanda, em 2023. Houve episódio do género aquando do seu ciclo preparatório para o Campeonato Africano de 2021, em Yaoundé, nos Camarões. Isto a juntar-se a tantas outras novelas envolvendo fundos. O que deve ser feito, afinal, para que casos do género não voltem a acontecer, a bem do basquetebol feminino moçambicano com histórico de conquistas em África e presença inédita, em 2014, no Mundial de Ankara, na Turquia?

“Na verdade, é simples. Nós precisamos de ter pessoas envolvidas e comprometidas com o desporto. Precisamos de ter dirigentes que, na verdade, gostam e fazem desporto do coração. Precisamos de ter uma máquina de gestão de desporto no país. Precisamos de ter pessoas que sabem o que estão a fazer. Precisamos de ter uma máquina de desporto que não faz arranjos. Uma máquina de gestão de desporto que, quando as selecções querem sair ou mesmo querem preparar-se, criem condições. Para eles, é um encargo muito grande e não se pode olhar a coisa desta maneira. As pessoas têm que vestir a camisola de Moçambique e dizer, sim, nós precisamos melhorar ao nível do desporto e de todas as modalidades.”

A abordagem do presidente da Federação Moçambicana de Basquetebol não se cinge à modalidade da bola ao cesto: “Não falo apenas sobre o basquetebol. Nós precisamos de melhorar ao nível do desporto, falo de todas as modalidades. Temos de arregaçar as mangas e trabalhar com aquilo que conseguimos. Temos de trabalhar com aquilo que é possível. Vamos ver o que vai acontecer nos próximos tempos, com as mudanças que teremos. Se melhorar, o país vai avançar.”

Em Novembro, a selecção nacional de basquetebol sénior feminino deve disputar, em Angola, a fase de qualificação para o “Afrobasket” 2025, na Costa do Marfim. Os masculinos, esses, têm compromissos também na corrida ao “Afrobasket”, estando inseridos no grupo “A” juntamente com o Sudão do Sul, Mali e República Democrática do Congo.

“Para a frente de Angola, nós não vamos parar. Vamos fazer a ponte. Vai ser um descanso de um mês para depois começarmos a trabalhar o mais breve possível. A selecção já está coesa. A selecção já se encontrou. Não podemos ficar muito tempo sem trabalhar. É preciso fazer a ponte a trabalhar arduamente para as frentes que teremos em Angola.”

Adiante, o número “1” na FMB abordou o acesso ao “Afrobasket” masculino. “Falando da selecção masculina, não tenho dados de que será de facto fora. Porque, há bem pouco tempo, houve dados da FIBA-África para realizarmos esta prova em Moçambique. E nós dissemos que, naquelas condições que realizámos em Maputo, em Fevereiro, é muito complicado. Os encargos todos ficam com Moçambique e fica muito difícil. Na verdade, vamos preferir sair. Ou mudam as condições.”

Foi detectado, no país, o primeiro caso suspeito da varíola dos macacos. O caso foi detectado no fim-de-semana, no Hospital Geral José Macamo, na Cidade de Maputo. O paciente tem 35 anos de idade.

O Hospital Geral José Macamo confirmou ao jornal O País, esta segunda-feira, a existência de um caso de suspeita da varíola dos macacos, também conhecida como Mpox.

“Recebemos, no Hospital Geral José Macamo, no sábado, ao meio dia, um indivíduo de 35 anos, de sexo masculino, e aproximou-se à unidade sanitária com erupções na pele. Porque estamos numa época em que devemos suspeitar de MPox, varíola dos macacos, então foram feitas diligências junto à Direcção de Saúde da Cidade de Maputo e do Instituto de Saúde para recebermos orientação do que fazer”, avançou Luís Wall, Director Clínico do Hospital Geral José Macamo.

De acordo com o Director Clínico do Hospital Geral José Macamo, o sujeito, de 35 anos de idade, encontra-se, neste momento, isolado e sob observação no Hospital Geral Polana Canico, até que a suspeita seja apurada.

“Foram colhidas amostras para se ter a certeza de que, realmente, se trata da varíola dos macacos ou não. Recomendamos à família que, se por acaso tiver alguma erupção na pele, se tiver febre, se tiver dores de cabeça, se aproxime à unidade sanitária para estudo e futura conclusão”, apelou.

Um dos principais sinais da doença é o aparecimento de borbulhas na pele, por isso as autoridades da saúde recomendam a lavagem frequente das mãos, uso da máscara e evitar o contacto físico com pessoas suspeitas, tosse e espirro.

Enquanto se esperam os resultados das amostras levadas ao Instituto Nacional de Saúde, as autoridades recomendam às pessoas para que, caso tenham alguma erupção na pele, se aproximem à unidade sanitária.

O país não tem história de desenvolvimento desta doença, dos casos que houve, nenhum foi confirmado como varíola dos macacos. No entanto, embora qualquer pessoa esteja vulnerável a contrair o vírus, as populações vulneráveis ​​incluem crianças menores de 8 anos e mulheres grávidas.

Ainda não existe um tratamento específico para a infecção pelo vírus da varíola dos macacos. Dessa forma, é perceptível que os sintomas da varíola geralmente desaparecem espontaneamente num período de 15 dias.

A imprensa portuguesa reportou, na semana passada, a morte de uma estudante moçambicana que cursava Medicina em Odivelas, em Portugal, após queda do quarto andar de um edifício.

A Embaixada de Moçambique em Portugal garante que as autoridades investigam as causas da morte da estudante moçambicana, Amara Shakirah Marques Aliz.

Amara Shakirah Marques Aliz terá sido alegadamente atirada do quarto andar de um edifício.

Em entrevista exclusiva à Rádio Moçambique, a Embaixadora de Moçambique em Portugal, Stela Pinto Novo Zeca, avançou alguns detalhes sobre este facto.

A Embaixadora de Moçambique em Portugal disse ainda que “a adida consular contactou a família em Maputo e aqui em Portugal, em Setúbal, e visitamos a familia onde expressamos os nossos sentimentos. Colocamo-nos à disposição para, em conjunto, podermos acompanhar todas as investigações e documentação necessária. A família também enviou uma procuração, onde indica duas advogadas para acompanharem o decurso das investigações”.

Segundo o jornal “Correio da Manhã”, a Polícia Judiciária (PJ) portuguesa foi accionada e já está a investigar o caso como um possível crime, pois, de acordo, com relatos dos moradores, a vítima terá ido à janela gritar, a pedir socorro.

“Depois, terá sido atirada e não resistiu aos ferimentos. Os vizinhos dizem ter ouvido um estrondo violento”, escreve a publicação.

Entre os dias 16 e 19 de Setembro, das 17h30 às 19h30, o Camões – Centro Cultural Português em Maputo vai realizar o 33º Curso de Literaturas em Língua Portuguesa.

O Curso de Literaturas é a iniciativa cultural mais antiga do Camões – Centro Cultural Português em Maputo, realizada em parceria com a Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), que em edições anteriores trouxe a Maputo autores como José Saramago e Lídia Jorge, ou, mais recentemente, José Luís Peixoto, Afonso Cruz, David Machado, Pedro Mexia, Alexandra Lucas Coelho, Joana Bértholo e Lúcia Vicente.

Pretende-se, com o Curso, promover a leitura e o sentido crítico dos leitores, bem como proporcionar um espaço de debate e contacto com escritores ou académicos convidados.

A 33ª edição do Curso de Literaturas em Língua Portuguesa destaca o quinto centenário do nascimento de Luís Vaz de Camões, que viveu dois anos em Nampula, numa abordagem transdisciplinar.

O programa do Curso decorre durante quatro dias, em período pós-laboral, e conta geralmente com um grande número de participantes, entre estudantes, escritores e uma comunidade profissional variada. Para esta edição do Curso de Literaturas, o Camões – Centro Cultural Português em Maputo convidou o escritor português Afonso Reis Cabral.

No dia 16 de Setembro, a abrir o programa do Curso, o convidado Afonso Reis Cabral partilhará a sua reflexão sobre a obra “Sonetos de Luís de Camões, escolhidos por Eugénio de Andrade”, mostrando um lado contemporâneo e transversal da obra do poeta. O dia seguinte, 17 de Setembro, será dedicado aos temas “A dimensão biográfica da poesia de Camões” e “Camões no Ensino Secundário em Moçambique: O que é que dele se sabe hoje?”, pelos docentes da Faculdade de Letras e Ciências Sociais (FLCS) da UEM, José Camilo Manusse e Lurdes Rodrigues.

No terceiro dia do Curso, dia 18 de Setembro, será apresentada uma nova criação alusiva ao tema do Curso, encenada por Rogério Manjate, num momento que terminará com uma partilha do processo criativo do encenador. A finalizar este programa, o dia 19 de Setembro será dedicado à partilha de leituras de Luís Vaz de Camões, pelos dinamizadores e participantes do Curso.

Todas as sessões do Curso de Literaturas em Língua Portuguesa contarão com a moderação de Mélio Tinga.

A participação no 33º Curso de Literaturas é livre, mas caso se pretenda certificado de participação no Curso, deverá ser feita uma inscrição prévia, entre 26 de Agosto e 6 de Setembro, e assistir a todas as sessões do Curso.

As inscrições poderão ser feitas na Biblioteca do Camões – Centro Cultural Português em Maputo ou nos Centros de Língua Portuguesa da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane e da Faculdade de Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes da Universidade Pedagógica de Maputo.

A Ministra da Cultura e Turismo, Eldevina Materula, participou, no último sábado, na cerimónia tradicional Kulamba Kubwalo, na Zâmbia, em representação do Presidente da República Filipe Nyusi.

A cerimónia que juntou Moçambique, Zâmbia e Malawi presta tributo ao Rei Kalonga Gawa Undi, líder máximo das comunidades chewas de Moçambique, Malawi e Zâmbia.

No evento, a expressão artística mais alta é o Nyau-Gule Wamkulu, património oral e imaterial da humanidade, uma das manifestações que transporta uma rica tradição histórica e sócio-cultural dos povos africanos.

Kulamba Kubwalo, dos povos chewa, é uma celebração conjunta que surge pelo facto dos três países partilharem a herança histórica e cultural reflectida nas línguas e tradições interligadas dos três países. A participação de Moçambique na cerimónia reforça os laços de cooperação e amizade que unem as comunidades bantu, em particular os povos chewa.

Para Eldevina Materula, apesar da imposição das fronteiras geográficas, os povos de Moçambique, Zâmbia e Malawi continuam uno e indivísivel.

Materula disse, no seu discurso, que o Governo de Moçambique continua empenhado em expandir as acções do Estado para cada comunidade, reconhecendo a importância crucial dos líderes comunitários, e sua importância na promoção do conhecimento local, na consolidação da paz e da unidade nacional, na luta contra a pobreza e mudanças climáticas, incentivando o aumento da produção, produtividade e no bem-estar social de todos os moçambicanos.

A cerimónia é organizada pelo Estado zambiano em coordenação com a família Real Undi da Zâmbia, que realiza anualmente um ritual tradicional praticado exclusivamente pela etnia chewa, achipetas e azimbas dos três países vizinhos, como símbolo de exaltação e prestação de tributo aos ancestrais dos seus povos de Moçambique, Malawi e Zâmbia, sob liderança do Rei Kalonga Gawa Undi.

Este evento foi, igualmente, uma oportunidade excepcional para os artistas trocarem experiências, ampliarem os seus horizontes e divulgar as suas criações artísticas.
De igual modo, a cerimónia tradicional Kulamba contribui para despertar o aprimoramento dos processos de execução de Nyau-Gule Wamkulu e garantir a preservação e a manutenção dos valores culturais dos povos de etnia chewa.

Materula vincou ainda que é compromisso de todas as forças prosseguir com este legado, respeitando a herança cultural e construindo uma sociedade onde a cultura é um factor de inclusão, que permite manifestar a identidade africana, nutrir a consciência patriótica, fortalecer a unidade na diversidade, como ferramenta estratégica para a promoção do desenvolvimento e preservação da história dum povo.

Milhares de pessoas marcaram presença na mais alta cerimónia de elevação da tradição do povos chewas, que contou com a presença de diversas individualidades com destaque o Presidente da Zâmbia, Hakainde Hichilema, da Embaixadora de Moçambique na Zâmbia, Mónica Mussa, e do Governador de Tete, Domingos Viola.

O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INTRATO) está sem sistema para emissão de cartas e matrículas, devido à ruptura da Fibra Óptica da TMcel, instituição pública que garante a funcionalidade dos serviços deste instituto.

A informação foi tornada pública, esta segunda-feira, através de um comunicado que “O PAÍS” teve acesso.

O INATRO não avançou com nenhuma previsão sobre a retoma dos serviços, muito menos medidas a serem tomadas para minimizar os impactos para os utentes, entretanto, pede desculpas pelos transtornos causados.

Depois da validação da victória de Nicolás Maduro , as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) declararam “absoluta lealdade e subordinação” ao Presidente.

Através de uma mensagem partilhada na rede social Instagram pelo comandante operacional estratégico da instituição militar, Domingo Hernández Lárez, as Forças Armadas declararam: “Hoje ratificamos a nossa absoluta lealdade e subordinação ao comandante-chefe da FANB e ao Presidente Nicolás Maduro, bem como ao processo revolucionário bolivariano legitimamente constituído”, afirma uma mensagem partilhada no Instagram pelo comandante operacional estratégico da instituição militar, Domingo Hernández Lárez”.

A Constituição, no seu artigo 328.º, refere que as FANB são uma “instituição essencialmente profissional, sem militância política”, que está “ao serviço exclusivo da nação e em caso algum ao serviço de qualquer pessoa ou partido político”.

De acordo com a mensagem publicada por Hernández Lárez, as Forças Armadas “cumprem absoluta e categoricamente” a decisão da Câmara Eleitoral do Supremo Tribunal de Justiça que confirma os resultados anunciados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), atribuindo a vitória, nas eleições realizadas em 28 de julho, a Maduro para um terceiro mandato consecutivo.

A oposição instou ainda as FANB a “fazer cumprir a soberania popular” expressa nas eleições presidenciais.b

Há famílias que vivem muito perto do Cemitério de Lhanguene, na Cidade Maputo. Devido à proximidade e precariedade das valas comuns, enfrentam o mau cheiro e ossadas humanas em seus quintais.

Trata-se do cemitério de Lhanguene, localizado na Cidade de Maputo. O lugar de descanso para alguns acaba por ser de perturbação para outros.

“Temos essa inquietação. Afinal, porque trazem os mortos para enterrar próximo às nossas residências e não lá longe?”, questionou, aparentemente agastada, Reinilda Mazive, residente do bairro Luís Cabral.

O grito de socorro é de quem há décadas reside a escassos metros de uma vala comum e enfrenta moscas e cheiro nauseabundo provocado pelos corpos decompostos, principalmente na hora das refeições.

“Não passo nenhuma refeição quando o cheiro começa a fazer-se sentir. Abrem covas pequenas e metem pouca areia sobre os corpos”, denunciou a dona Reinalda.

Uma viatura branca com contentor na bagageira é usada pela edilidade de Maputo para levar os corpos abandonados nas morgues dos hospitais central e geral para as valas comuns. O trabalho é feito à luz do dia e, às vezes, com pouco cuidado.

“Todos os dias, de manhã e de tarde, quando este carro chega sentimos o mau cheiro. Quando passa, deixa manchas de sangue e, quando chamamos atenção, eles ignoram-nos”, contou um munícipe.

Ana Judite reside neste bairro há mais de 30 anos e agora teme pelo bem estar das suas crianças.

“Estamos expostos. O carro entra à luz do dia enquanto as nossas crianças estão aqui, na rua. Elas crescem a ver o carro da vala comum todos os dias. Isso nos preocupa”, expressou a sua preocupação Ana Judite.

Enquanto a mudança não ocorre, pelo menos um muro mais comprido podia aliviar o coração desta mãe. “Quando amanhece, nós vamos atrás do sustento e as crianças ficam em casa. Elas entram no cemitério e talvez façam trabalhos lá dentro, como vender água, mas nós não temos como controlar. Isso nos preocupa bastante e por isso pedimos uma solução de um muro mais alto, pelo menos por enquanto”, apelou.

Custódio da Ravuga é chefe do quarteirão 43 e reside na célula “J” desde a década de 1990. Hoje, lembra-se dos cenários assustadores que testemunhou.

“Assistimos a cenários críticos. Cães entravam na vala comum e puxavam ossos de mortos. Uma vez encontrámos um braço de uma criança no quintal da nossa vizinha”, lembrou Custódio da Ravuga, chefe do quarteirão 43 no bairro Luís Cabral.

Por sua vez, a edilidade acusa os residentes de invadirem o cemitério.

“Nós não podemos deslocar o cemitério, ele está lá antes daquelas famílias e a área reservada para vala comum está dentro deste perímetro do cemitério. O que deve haver é um diálogo com as famílias, de modo a que elas entendam que não podem ultrapassar a estrada e saltar para dentro do cemitério, mas também concordamos que é preciso, sim, colocar um muro mais comprido”, explicou Helder Muando, director de Morgues e Cemitérios.

O cenário pode ficar ainda pior, porque o número de corpos tende a aumentar nas morgues.

“No início, fazíamos vala uma vez por semana, mas, actualmente, somos obrigados a fazer três a quatro valas, o que totaliza cerca de 40 corpos em sete dias”, disse Hélder Muando.

Este cemitério até pode ser calvário para alguns, mas é um lar para outros. Por aqui, a morte deixou de ser temida.

No local, é possível ver famílias a visitarem as campas dos seus entes queridos ou a realizarem funerais, mas não muito longe, vê-se também outros grupos de jovens e crianças a divertirem-se com a bola.

É assim todos os dias. Quando uns enterram um ente querido, há quem, a partir do seu quintal, contempla o cenário e pensa em ter uma vida melhor.
“Nós já estamos acostumados. Ouvimos a cantar ou a chorarem, mas estamos aqui, não temos para onde ir”, lamentou uma residente do bairro dentro do cemitério.
A coragem dos residentes só é superada por ladrões que sempre usam o escuro do cemitério para se esconder das suas vítimas.

“Nós não temos medo, porque não há fantasmas. Só temos medo de ladrões, porque roubam e se escondem nas campas”, explicou outra moradora.

Devido ao medo, há mulheres neste bairro a quem é negado o casamento.

“Quando uma família vem para uma cerimónia de apresentação, é obrigada a atravessar pelo cemitério e saltar campas. O cenário expulsa prováveis maridos e a família chega a dizer que o nosso filho foi casar-se no cemitério. As pessoas pensam que, pelo facto de estarmos a viver no cemitério, também, estamos mortos”, explicou um jovem do mesmo local.

Mais uma vez, Hélder Muando reitera que estes escolheram viver num local proibido.

“Aquele é um exemplo clássico de famílias que foram ao cemitério, e, mesmo assim, reunimos com a comunidade para explicar o nosso projecto de muro, definimos o perímetro de onde iria circular o muro e perímetro pelo qual passaria uma rua que separaria as famílias do cemitério, mas eles invadiram. Nós não podemos falar de reassentamento, porque estamos dentro da nossa área”, disse o director de Morgues e Cemitérios.

Reclamações à parte, os jovens de Luís Cabral superaram o drama de viver entre os mortos e acharam uma oportunidade de emprego. Os jovens ocupam-se com a construção e pintura de campas, e chegam a ganhar até cinco mil Meticais por mês.

Não é de hoje que as pessoas ganham a vida no cemitério. Há um ancião que trabalha neste cemitério há 46 anos.

“Quando decidi abraçar este trabalho a minha própria família não gostou da ideia, mas como foi Deus que me incumbiu a missão, não recuei. Houve várias reuniões com a família para tentar sensibilizar-se de forma a deixar, mas questionei-os sobre a razão. Não me arranjaram um emprego melhor quando estava desempregado”, explicou o ancião que de tanto conviver com os mortos, nada mais o espanta.

Devido à escassez de espaço, o Cemitério de Lhanguene foi encerrado para novos funerais e aberto o de Michafutene, em Marracuene, que também já se ressente da pressão, realizando, por vezes, mais de dez enterros num só dia.

Mais de 3 mil pessoas dentre nacionais e estrangeiros participaram neste domingo da sexta edição da Corrida Azul, organizada pelo Standard Bank. O evento encerrou-se nas cerimónias de celebração dos 130 anos do Banco.

Pela sexta edição a Cidade de Maputo voltou a acolher a Corrida Azul, maratona de atletismo organizada pelo Standard Bank, que desta vez contou com a participação de mais de três mil atletas, dentre nacionais e estrangeiros.

Correram a 10 de Novembro, atletas das categorias de 30, 21, 12 e 7 quilómetros, entre funcionários, populares, e veteranos, onde a inclusão da pessoa portadora de deficiência foi notória.

O centenário Standard Bank diz que a preparação do evento foi a altura do evento. “O facto de nós termos tido pessoas que usam cadeiras de rodas, que usam triciclos é uma nova imagem que Standard Bank quer mostrar,  a inclusão social. Mas também aumentamos o número de quilómetros e estamos satisfeitos em saber que há pessoas que conseguem correr 30 quilómetros”, disse Esselina Macome- PCA do Standard Bank.

O banco diz estar com um projecto definido para o apoio ao desporto no país. “Já apoiamos a universidade Eduardo Mondlane para participar nos jogos em que ela estava nos países vizinhos, mas temos de uma forma estruturada dado o nosso apoio ao desporto”, fez saber a dirigente.

Além de acompanhar de perto a evolução da Corrida Azul, o governo quer fazer desta maratona uma atração turística. O Secretário do Estado do Desporto Gilberto Mendes, avançou que “Acho que está muito positivo, está cada vez melhor, estão de parabéns ao voltar a realizar o certame”, reiterou. 

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