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O governador do Banco de Moçambique afirmou que a estrutura salarial da instituição não sofreu quaisquer alterações durante o seu mandato, rejeitando as críticas que, nas últimas semanas, têm surgido em torno dos níveis de remuneração dos funcionários e dirigentes.

Segundo o responsável, o modelo salarial actualmente em vigor existe há vários anos, tendo sido herdado de administrações anteriores. “Desde que assumi funções, não alterei a estrutura salarial”, afirmou, acrescentando que as contas do banco são publicadas anualmente e sempre reflectiram a mesma política remuneratória.

O governador considerou estranho que o tema tenha ganhado destaque apenas no final do seu mandato, defendendo que a discussão está a ser alimentada pelo contexto da transição de liderança. “Parece que, agora que estou de saída, transformou-se num problema”, declarou.

Relativamente às críticas segundo as quais os salários seriam financiados com recursos do Estado, esclareceu que o orçamento do Banco de Moçambique é autónomo em relação ao Orçamento do Estado. Segundo explicou, as despesas da instituição são suportadas pelo próprio banco e não constituem encargos directos para os cofres públicos.

O responsável sublinhou ainda que os reajustamentos salariais obedecem a um Acordo Colectivo de Trabalho, negociado entre a Associação Moçambicana de Bancos, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sistema Financeiro e as instituições bancárias, incluindo o Banco de Moçambique. De acordo com o governador, os aumentos são definidos anualmente no âmbito desse acordo e não resultam de decisões unilaterais da administração.

No que respeita aos valores que têm circulado nas redes sociais e nalguns espaços públicos, o governador classificou-os como «absurdos» e afirmou que muitos resultam de interpretações incorrectas das demonstrações financeiras. Explicou que a rubrica relativa a salários inclui igualmente provisões para responsabilidades actuariais, designadamente benefícios futuros dos trabalhadores no activo e dos reformados, conforme exigem as normas contabilísticas e os auditores.

O governador concluiu afirmando que as acusações de irregularidades não correspondem à realidade e defendeu que a gestão salarial do Banco de Moçambique sempre respeitou os procedimentos legais e institucionais em vigor.

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O saudosismo não é de todo mau! Quando uma nação pretende perspectivar o futuro, é necessário não perder de vista o seu ponto de partida, o seu percurso, os seus “achievements”, os seus pontos fracos e os seus erros.

Não é possível corrigir o que não se sabe e muito menos corrigir só por mera praxe, senão estragamos. Para corrigir, é preciso ver o quê, como, quando e quem o deve fazer…

Agarrar-se às boas práticas do passado, alguns chamam a isso saudosismo, com uma conotação negativa, como se tudo o que passou devesse cair ao esquecimento e nunca ser rebuscado.

No meu país, os fazedores da política e de políticas públicas parecem não ter feito parte do passado comum desta nação. Há um vício incessante de corrigir (estragar).

A correcção deve ter em vista a melhoria. Quando isso não ocorre, parar e recuar não é uma desinteligência. Muitos aprenderam de Jacques Derrida a ideia da desconstrução.

A desconstrução, para Derrida, é um termo positivo, que se insere numa ideia de reinventar a roda quando esta não está a girar como deve ser, desconstruir conceitos, lógicas, éticas sociais em busca de resolver os males da sociedade como uma colectividade.

Esta desconstrução tem como fim último trazer alento, novos conceitos, novas lógicas na forma de encarar e buscar o bem comum. Nesta desconstrução, não se deve deitar por completo o que está bem.

A desconstrução referida neste contexto é, muitas vezes, confundida quer por distração quer por vontade maléfica dos actores do processo ou por mera incúria.

O termo escangalhar foi normalizado e até visto numa perspectiva positiva nas hostes da política nacional.

Ora, desconstruir não é sinónimo de escangalhar. Podemos até tentar dar sentido positivo ao termo, mas não são sinónimos.

Na implantação da Primeira República (1975–1990), o termo escangalhar derivava de duas situações: a primeira situação, o abandono de toda a máquina colonial que assegurava a administração pública e todo o funcionamento da província ultramarina, que era Moçambique, deixando tudo à deriva, com necessidade de se dar um “reset” ao país e nação recém-criados. Aqui o sujeito era o outro, o que está a abandonar;

A segunda situação, que é da perspectiva de quem ficou, os novos “donos” do país no caso, era a de quebrar qualquer vínculo com o colonizador. Qualquer tradição e práticas coloniais tinham de ser abandonadas, criar o que é novo, até o homem. Perspectivava-se a criação do novo.

A educação foi encontrada nesta encruzilhada, tendo sobrado para ela a segunda opção, aqui entrava em cena o termo escangalhar com vista a criar nova coisa que se pretende boa para a sociedade, até porque há novos valores a implantar, há nova história a ensinar, há o rebuscar da cultura outrora marginalizada, etc…

Criou-se o famoso SNE, Sistema Nacional de Educação, Moçambique foi um exemplo e pioneiro na região.

Como em todos os processos, este também teve prós e contras, mas o que ressaltava, aqui, é que havia e se sentia vontade de criar algo sólido, com bases e objectivos claros.

Os envolvidos na altura, parece que tinham a intenção de desconstruir ou mesmo escangalhar com vista à melhoria. Podiam até fracassar, mas há sensação de que havia preocupação em construir um sistema que se pretendia sólido.

Havia honestidade intelectual. Pedagogos como Paulo Freire foram convidados para ajudar a melhorar de alguma forma este “bebé” recém-nascido.

Estavam bem definidas as competências básicas, requeridas por cada classe, o porquê daqueles conteúdos, o que visam alcançar… havia uma atenção especial para a educação, o foco no professor (embora ainda não fosse o desejável) como um dos pilares do processo de ensino-aprendizagem. Esta atenção perdurou um pouco para além da implantação da segunda República (1990).

Foi neste sistema implantado por Samora Machel, que perdurou até finais dos anos 90 e início do novo milénio, que uma boa parte da geração jovem decisora do país estudou, incluindo-me a mim, autor deste artigo. Arrisco-me a dizer que 90% (estatísticas não confirmadas) da geração de 1975 a 1990 estudou em escolas públicas e os estudantes das pouquíssimas escolas privadas existentes eram ostracizados e, infelizmente, discriminados devido à qualidade de ensino que se presumia existente lá. (Mas isso é o saudosismo puro meu).

A educação deve ser um espaço comum de uma nação que se preze. Deve ser lá, onde estão espelhados os valores mais sublimes de um povo. É lá onde se forja e se lapida o protótipo de sociedade, por isso a falha na implantação de políticas certas leva toda uma geração ao descalabro.
O que se pode construir em dez (10) anos, pode destruir-se num ápice, e o que se destrói em 10 anos pode levar uma eternidade a corrigir. A educação é um sector produtivo, sim.

Se por um lado é saudosismo falar das boas práticas sociais do passado viradas à educação, que perduraram até ao Governo do PR Joaquim Chissano, como o passe escolar, lanche escolar, os quadros de honra, os simpósios académicos, os exames orais (as famosas provas orais), as redacções, as resoluções faseadas das operações físicas, matemáticas e outras ciências (substituídas por multichoice), as olimpíadas académicas, o jornalismo escolar, a rigidez e a permanência dos curricula, entre outras práticas, deve ser também saudosismo referir que o estudante moçambicano era competitivo, era admitido “de caras” a qualquer universidade do mundo e ombreava com qualquer estudante de outras proveniências.

Não estamos a defender que a educação deve ser estática, parada no tempo. Não é esta a visão nem opinião que se procura passar. Ela deve, sim, ser dinâmica, evoluir e acompanhar os desafios dos novos tempos, mas sem abdicar das suas boas conquistas, nem deve ser vítima do seu dinamismo.

Os últimos 20 anos, foram de tentativas e experiências de curta duração neste sector, muitas delas sem se perceber a sua “ratio”, (é verdade que muitas delas foram impostas pelas políticas do Banco Mundial e outras organizações) experiências abolicionistas, mudanças só porque as devemos fazer, sendo que maior parte delas tem como alvo principal o professor.

Num ataque desenfreado, em que não interessa o dano colateral criado ao aluno desde que se atinja o suposto corrupto, o professor.

Isto não é fazer políticas públicas de um Estado, é preciso alto sentido de Estado, elevado senso de responsabilidade e de consequência.

Em Direito, diz-se que ao emanar-se uma norma/lei, é preciso a sua “ratio legis”, então qualquer norma, para além das suas razões históricas, deve definir o problema que esta norma vem resolver, isto é, a sua razão de ser, a “ratio legis”.

É difícil buscar as razões de ser de muitas normas emanadas ultimamente pelo MINEDH, dentre elas a
– Introdução da 7ª classe no ensino secundário;
– A eliminação das famosas provas orais – ainda não vislumbro, o que pretendiam acrescentar à educação!?
– A introdução de testes e exames 100% múltipla escolha – ainda não vejo os efeitos;
– A eliminação das dispensas dos alunos, factor que impulsionava a competitividade;
– A introdução do teste provincial – fomentou mais fuga de enunciados nas vésperas dos testes;
– A redução da carga horária em disciplinas de ciências e outras;
– A eliminação do exame de Desenho.

Mais caricato, houve anos em que o estudante escolhia que exames ele pretendia fazer, onde tinha a opção de escolher substituir o exame de Matemática pelo de Filosofia, totalizando cinco exames à sua escolha.

Ora, respeito de igual maneira as duas cadeiras, mas não acho que uma possa excluir a outra, não vejo a “ratio” disso. (ainda bem que se recuou com essa prática).

Todo o mundo fala da educação, fala do professor, mas ninguém fala com o professor. A sua participação no processo de elaboração dos curricula é insipiente e quase inexistente.

A educação não deve ser um lugar de sucessivos testes e experimentos mal concebidos, uma política educativa. Os curricula, os instrumentos e a atenção virados à educação devem ser construídos sobre bases sólidas, com alto sentido de Estado, com projectos bem definidos do que se pretende alcançar.

Uma nova política, directivas e curricula no sector da educação devem ser experimentados durante um período mínimo de cinco anos ou mais. Não se pode, a cada dia que nasce, lançar apenas ordens e alterações só porque o devemos fazer. É necessário existir a “ratio” destas novas normas emanadas.

O meu pai comprava-me os livros da 7ª classe, eu ainda na terceira classe, porque era uma certeza de que eu os ia usar.

Um simples estudante sabia o que lhe esperava quando chegasse à classe seguinte, quais os requisitos de admissão, dispensa, exclusão de todas as classes, ciclo, etc… Quais as matérias ministradas em todas as classes subsequentes e matérias examinadas, porque o sistema era sólido e com alguma previsibilidade.

Hoje, entristece-me que, para além do aluno, é também o professor que não sabe como e quais são os requisitos para admitir ou excluir o seu aluno quando chegar o fim do ano, porque só nas vésperas do exame é que as ordens superiores vão definir a nota mínima e as constantes ordens “vão todos ao exame”, o brilhante, o medíocre, o faltoso, o ausente e o inexistente.

Entristece-me ainda a falta de giz, material didático, energia, água, em escolas da cidade em pleno século XXI, entristece me que o aluno hoje não saiba retirar os dados, a fórmula resolvente e demonstrar os caminhos usados para a solução numa operação matemática simples, porque hoje já não é preciso, o estudante só tem de dizer se A, B, C ou D.

Moçambique deve ser exemplo único no mundo, onde passados alguns anos, quando regressamos para visitar as escolas que frequentámos, não registamos avanços, apenas retrocesso, escolas destruídas, tecto revirado… o que existia deixou de existir, o brilho esmoreceu… apenas nostalgia.

O professor está desanimado, debate-se com problemas básicos, do tipo dinheiro de transporte… toda uma classe desmoralizada. O professor que outrora era exemplo já deixou de ser, o pontual já não é, o motivado já desistiu.
É caso para uma reflexão profunda como sociedade, se o fruto da educação dos últimos 15-20 anos não estará hoje a tomar lugares de decisão em sectores nevrálgicos do nosso Estado.

Mais ainda, é a ausência da sociedade na fiscalização, monitoria, crítica, apoio à educação, que se vai destruindo perante o olhar impávido e cúmplice de todos nós.

Não existe um jornalismo investigativo na área da educação, não existe uma ONG de defesa da educação, as que existem são amigas da educação, amigas desta educação!

Assiste-se, nos últimos dias, ao encerramento de escolas por falta de pagamento de horas extras aos professores, sem nenhuma reacção enérgica da imprensa, da sociedade, dos escribas, dos pensadores, dos supostos académicos. Parece que ninguém se incomoda com a situação destes jovens todos atirados à sua sorte, a que se retirou um direito fundamental básico, que é também um direito humano plasmado na DUDH.

Se não são os livros que tardam a chegar, é o salário dos professores e as suas horas extras. Tudo isso contribui para o fraco desempenho no sector da educação.

Ignorar todos estes factores é uma desinteligência e inconsequência. Podemos reduzir as consequências de estar a atirar toda uma geração à ignorância colectiva, pelo simples facto de colocar os nossos filhos no ensino privado e de ter uma condição social confortável aqui e acolá, mas isso, para além de sugerir a imoralidade, é, também, um tremendo erro de cálculo.

Esta geração a que se está a dar uma educação deficitária e atirada à ignorância é a maioria da população deste país.

De que vale prover a melhor educação para o seu filho, enquanto amanhã vai coabitar com jovens frustrados por lhes ter negado esse direito básico?

Por mais condições e meios que tenha o filho da escola privada, mas a ter de usar as mesmas ruas onde vai cruzar com a nudez, a frustração, a intolerância, sim a intolerância, porque a educação tem, também, a grande missão de formar bons cidadãos, pois um indivíduo de diligência média, com uma instrução aceitável, tem mais apetência e predisposição a ser tolerante, cauto e consequente.

Como sociedade devemos, também, questionar se a juventude que temos hoje é a juventude que a nação moçambicana merece. É essa juventude fruto da educação da independência?

Juventude que não questiona, não participa no desenho de políticas públicas sérias e futuristas deste país, juventude que não distingue dignidade, integridade da imoralidade, juventude que senta em cada palmo e meio das grandes cidades nas barracas e bares e debater “nonsense”, a discutir qual nova estratégia de adulação ao novo chefe, de que forma bajulou ontem o fulano e o beltrano, de que forma vendeu a sua dignidade por uma caixa de charutos, roupa de griffe e aquele par de benesses fáceis, e por este e aquele cargo público, de que forma vai usar o Estado para a próxima bolada.

Não será fruto da educação dos últimos 20 + (“plus”) anos…???

Não deixemos a educação cair na desgraça. É papel e tarefa de todos nós abraçar. Vamos participar, este é um grito de apelo à responsabilidade de todos nós.

Intervir e fiscalizar a educação é um dever patriótico, não é apenas papel do Estado, nem do novo timoneiro da Ponta Vermelha, é responsabilidade nossa, como nação e sociedade.

É caso para dizer “Pátria Amada, quo Vadis?”

 

Uma missão de avaliação pré-eleitoral da SADC está em Moçambique desde o dia 19 de Junho, e durante 11 dias, irá manter encontros com vários actores eleitorais com o objectivo de apurar o nível de prontidão para o escrutínio em outubro.

Denominada Missão de Boa Vontade de Avaliação Pré-eleitoral do Conselho Consultivo na região da SADC, a comitiva foi recebida esta sexta-feira pela ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo. Durante a estadia no país, a missão vai ouvir os principais actores envolvidos no processo eleitoral de 9 de Outubro próximo.

“Estes encontros vão alimentar a produção do relatório da Missão que será entregue ao presidente do órgão da SADC, uma vez recebido, o documento pelo presidente da Zâmbia, este por sua vez irá partilhar com o estadista moçambicano e a Comissão Nacional de Eleições”, disse Jennifer Chiringa, chefe da delegação da SADC.

Pela segunda vez consecutiva, Moçambique volta a realizar eleições gerais em ambiente de insegurança em Cabo Delgado, e é por isso, que a Missão vai também, manter encontros com os órgãos de segurança nacionais.

“Durante o encontro a ministra lembrou-nos acerca da situação de insegurança política que o país está vivendo no momento, por isso que vamos dentro destes encontros, ainda hoje ouvir a polícia incluindo o Ministério da Defesa, esses todos detalhes farão parte da reunião”.

Neste contexto, a SADC vai também destacar uma missão que vai supervisionar as próximas eleições eleições gerais marcadas para outubro próximo.

 

A ministra da Administração Estatal e Função Pública diz que há, ainda, alguns funcionários públicos fora dos seus locais de trabalho devido à insurgência em alguns pontos de Cabo Delgado. Ana Comuana garantiu que os mesmos voltarão quando a segurança for garantida.

Apesar de alguma tendência à normalidade, a insegurança em Cabo Delgado continua a preocupar as autoridades e, no sector da Administração Estatal e Função Pública, não é diferente. Conforme esclareceu hoje a respectiva titular, os funcionários públicos poderão voltar ao trabalho quando a segurança for restabelecida.

“Desde que os responsáveis pela segurança das pessoas e bens confirmem a existência de condições, os funcionários retomam.”

A ministra referiu, igualmente, que os funcionários mais afectados são de Quissanga e Pemba.

Numa outra abordagem, Ana Comoana esclareceu que os funcionários públicos afectos aos municípios ainda não estão a receber os seus salários com base na TSU.

“Nós temos municípios em que o seu quadro salarial, se calhar, é diferente do que funciona a nível central. Então, imagine o que é misturar funcionários. É um processo chegarem lá. Nós ainda não temos os funcionários das autarquias no sistema da Tabela Salarial Única, TSU.”

Em relação a alguns municípios do país com problemas salariais, como são os casos de Namaacha, Nacala, Nampula e outros, a ministra da Administração Estatal e Função Pública diz que a situação está a ser regularizada.

Mais de 40 carros e pilotos nacionais e sul-africanos vão disputar o primeiro Super Picanto e Blutech Grupo M, este sábado, no ATCM. A organização e os pilotos garantem muito espectáculo nas pistas.

É a primeira prova do ano organizado pelo Automóvel Touring Clube de Maputo, ATCM, atrasada devido às inundações que se verificaram no início do ano.

De acordo com a organização, este evento será um momento de viragem, depois das provas dos anos passados do Picanto Cup, com mudanças significativas a partir deste ano.

“Progredimos bastante neste aspecto porque agora vamos ter carros mais velozes, mais leves e com possibilidade de ganhar mais velocidade”, disse Rogrigo Rocha, Presidente do ATCM.

Rocha acrescentou ainda que este ano, e nesta primeira prova em particular, haverá lançamento do carro da academia do ATCM que será usado por pilotos com talento e margem de crescimento. “É um sonho de quatro anos para mim e que agora se concretiza. Queremos potenciar jovens talentosos que tem margem de progressão e de crescimento. Queremos potenciar mais pilotos”, acrescentou Rocha.

Para esta primeira prova prevê-se a presença de mais de 40 pilotos, entre nacionais e sul-africanos, mas aberto para qualquer piloto credenciado para competições.

Manuel da Silva, director de corridas no ATCM disse que estas primeira provas não são corridas internacionais, mas do campeonato do ATCM e aberto a qualquer um que queira fazer parte. “No arranque desta época temos a oportunidade de ter 27 condutores sul-africanos e esperamos outros 12 condutores de Moçambique e do ATCM”, o que fará com que a grelha de partida seja composta por 39 pilotos para a classe do Blutech Grupo M.

Sobre o Super Picanto, Manuel da Silva anotou que “temos 10 equipas inscritas e cada equipa tem 2 condutores. Esta prova é disputará por condutores nacionais”.

Para esta primeira prova, as expectativas são boas, uma vez que a organização “faz esforço para que seja uma boa prova e com segurança. A nossa expectativa é de um espectáculo e com mais de 43 pilotos na pista”, concluiu da Silva.

 

Pilotos prontos

Lagson Leão é um piloto em crescimento e que vai competir pela primeira vez em provas de carácter profissional e a representar a Academia do ATCM. Vai competir com grandes pilotos e já sabe o que vai fazer nas pistas.

“Estou confiante e espero poder aprender mais e ganhar mais experiencia. Tenho ainda mais provas pela frente e acredito que vou fazer uma boa prova que orgulhe a mim e a minha família”, disse Lagson.

Já André Perreira, piloto já experiente e que já conquistou várias provas do Picanto nos anos anteriores, espera por uma prova competitiva. “Estamos confiantes numa boa prestação, mas curiosos para ver o desempenho dos nossos adversários e as performances que vão ter na prova, tendo em conta que todos não tivemos grandes oportunidades de testar as condições dos carros”, disse Perreira.

A organização garante segurança tanto dentro e fora das pistas.

O 1º Super Picanto e Blutech Grupo M decorre este sábado a partir das 10h, com transmissão em directo na Stv Notícias.

A Ucrânia começou a recrutar prisioneiros para o seu exército, como forma de aumentar as suas fileiras. A medida tem por objetivo aumentar a força militar da Ucrânia, na guerra contra a Rússia.

As tropas ucranianas sofreram pesadas perdas na sua linha da frente nos últimos meses, deixando o exército ucraniano fragilizado. Neste contexto, foi adoptada uma nova lei de recrutamento, que procura alargar a mobilização dos soldados.

Cerca de 3.000 prisioneiros já se registaram. Aqueles que assinam o contrato, podem recuperar a sua liberdade na condição de continuarem a lutar até ao fim da guerra com a Rússia.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, mostrou-se otimista, e acredita que a medida pode trazer resultados eficientes. “Somos agora capazes de derrotar as ambições imperiais da Rússia e isso trará de volta a paz e a confiança a toda a Europa”, explicou Zelensky.

Os Mambas subiram sete lugares no ranking da FIFA e estão agora na posição 103, com 1205,85 pontos, de acordo com a actualização feita esta quinta-feira. Argentina, campeã do mundo, continua a ser líder do ranking, com 1860,14 pontos.

As duas vitórias, diante da Somália, em casa, por duas bola a uma, e da Guiné-Conacri, em Marrocos, por uma bola sem resposta, em partidas da fase de grupos de qualificação para o Mundial 2026, foram cruciais para a subida do combinado nacional no ranking do organismo que gere o futebol mundial.

Na actualização de 4 de Abril passado, os Mambas estavam na posição 110 do ranking da FIFA, com 1184,49 pontos, devido à não realização dos jogos da data-FIFA, em Março. Na actualização desta quinta-feira, os Mambas subiram sete lugares e estão na 103ª posição, agora com mais 21,36 pontos.

Argélia, líder do grupo dos Mambas nessa fase de qualificação para o Mundial 2026 é a selecção melhor cotada, mesmo descendo um lugar, estando na 44ª posição, seguida da Guiné-Conacri, que também desceu um lugar e é 77º colocado. Uganda, que desceu dois lugares, é 94º colocado, seguido de Moçambique.

Botswana, por seu turno, que venceu Somália em Maputo, subiu um lugar e está na posição 145, enquanto Somália, para além de lanterna vermelha do grupo é também a menos cotada, na posição 202, depois de descer três lugares.

O ranking da FIFA continua a ser liderado pela Argentinam campeã mundial, seguida da França, vice-campeã mundial, e Bélgica. Marrocos, na 12ª posição, é o país africano melhor posicionado.

O sector privado diz que a nova Lei Cambial, ora em fase de divulgação pelo Banco de Moçambique, está a gerar restrição no acesso a divisas. Um dos sectores que mais se ressente é o de viagens, onde já se regista fuga de companhias aéreas devido a dificuldades para repatriar capitais e realizar operações no mercado.

Enquanto, por um lado, o aumento da margem do investimento directo estrangeiro em Moçambique sem validação do Banco de Moçambique é recebido com azáfama, há, por outro, críticas em relação à Lei Cambial. Por exemplo, o sector do turismo incorre em prejuízos, de acordo com a Confederação das Associações Económicas.

Segundo o presidente do pelouro do Turismo na CTA, Muhammad Abdullah, a confederação tem recebido reclamações relacionadas à falta de divisas, o que está a afectar negativamente, de forma particular, o sector das viagens, principalmente a continuidade dos negócios das companhias aéreas.

“O turismo precisa de novas companhias, mas as companhias que cá estão a actuar estão a sofrer por falta de divisas. Estas entidades precisam, nalgum momento, de repatriar capitais para fazerem face aos custos das operações de handling e combustíveis. Enfrentam constrangimentos para as suas operações quando aterram nos aeroportos de Maputo, Beira e Nampula”, disse Abdullah.

O sector privado fala de registo de duas companhias aéreas que deixaram de operar no mercado moçambicano, como é o caso da Air France, que já voou para Moçambique e tinha a pretensão de voltar, mas retrocedeu na sua decisão.
“Deu 20 passos para trás. Não só cancelou os voos como também cancelou o seu inventário ao mercado moçambicano”, pelo que as agências de viagens não podem sequer agendar voos para estas companhias, segundo explicou o responsável.

“A situação não afecta só as empresas aéreas, mas também o cidadão, se o cidadão moçambicano quer comprar passagens pela Air France. Não se pode aceder à partilha do mercado moçambicano, tem de se recorrer à África do sul ou outro país. Tivemos também o caso da Cathay Pacific. Deixou de estar activo cá, em Moçambique, e pediu a intervenção da CTA para que, através da plataforma de diálogo com o Governo, fizesse chegar e resolvesse esse problema da nossa economia”, disse Abdullah.

O sector privado entende ser mais do necessária uma intervenção do Governo. “Nós queremos mais investimento. Nós queremos mais movimento turístico e que companhias aéreas venham para Moçambique. Essa é uma questão que é primordial, que o Governo, os ministros da Economia e Finanças e do Turismo devem resolver”, explicou.

O sector privado não avança números quanto aos prejuízos, até porque ainda estão em processo de levantamento.

Para a CTA, é preciso criar algum incentivo para atrair novas companhias aéreas ao país. “Basta ver que os preços das viagens domésticas são proibitivos, não direi que é por falta de concorrência, mas sim por falta de soluções e investimento, o que afecta o turismo no país. O turista consegue ter uma viagem de Londres para Maputo, por exemplo, por 30 mil Meticais, mas, quando chega aqui e quer ir para Nampula, tem de pagar entre 30 a 40 mil Meticais. Temos recebidos essas reclamações”, revelou a finalizar.

Por: Alfredo Cone

 

O conto “A mulher sobressalente” (que intitula o livro de Dany Wambire), faz parte de  uma obra literária constituída por um total de 10 Contos. Nesta narrativa, o escritor dá voz a uma narradora autodiegética, o que pressupõe ser a protagonista.

A narração acontece na primeira pessoa, o que permite que as dores da personagem seja “visíveis” aos olhos de quem lê o texto.

“A mulher sobressalente” é uma história de uma rapariga do campo, que é arrancada da cidade, para onde fora morar, enquanto a menstruação não descia, de modo a assumir a responsabilidade de liquidar as dívidas do pai e salvar o casamento da irmã mais velha. Por isso, Quinita, “A mulher sobressalente”, é obrigada a aceitar as violações do cunhado, com a anuência dos pais e da irmã mais velha,  para gerar um varão.

No conto “A mulher sobressalente”, a vida sofrida da protagonista cabe toda na seguinte passagem textual: “O teu pai te quer como peça sobressalente da família”, e Quinita “ calou-se enquanto dos seus olhos ainda vertiam lágrimas” (Wambire, 2018, p. 47).

Por um lado, os trechos mecionados acima são passagens textuais que configuram uma autêntica detonação de abuso e violação dos direitos da rapariga, que se tornam mais graves por ser perpetuada pelos seus próprios progenitores, o que frustra a possibilidade de Quinita poder desfrutar da adolescência e perseguir os seus sonhos.

Por outro lado, as passagens mencionadas expressam a dura realidade da protagonista, denunciando as fragilidades de uma tradição construída sobre tabus, mitos e lendas.  

Há uma espécie de “estética da angústia” discritas  no mundo das personagem de Wambire. Neste conto, a angústia deixou de ser um fenómeno factício. Quinita não respira livremente, porque vive atormentada pela incerteza. Vejamos o seguintesuspiro da personagem protagonista: “como pangolim,enrolei-me por uns minutos” (Wambire, 2018, p.47).

A força semântica do título remete-nos para um exercício de extrapolação de conflitos de significados entre objectos ou peças de viaturas e o corpo de uma mulher.

Consultado o dicionário online de língua portuguesa, o termo sobressalente refere a um acessório ou item de reserva com que se substitui outro já usado ou defeituoso.

Embora o termo sobressalente exista em outros saberes, em Moçambique,  muitas vezes que se usa esse termo é para se referir a roda de reserva de veículos, carros.

Quinita, ao ser obrigada a relacionar-se sexualmente com o seu cunhado para gerar um filho, ela é usada como uma peça sobressalente, não para veículos, mas sim para o lar. Assim,como um pneu de viatura, uma vez sem ar deve ser substituida, Quinita também substitui a sua irmã, que, como um pneu furado, acredita-se, no enredo, que perdeu ar, isto é, a capacidade de gerar um varão tão almejado pelo marido.

Para a irmã de Quinita, não poder gerar um menino era o mesmo que um pneu furado, sem ar e digna de uma substituição para se reparar o defeito.

Mas porquê a obsessão por um menino? Nas várias comunidades moçambicanas, o menino é uma espécie de garantia da continuidade do apelido paternal, da linhagem e da sucessão. Os excertos a seguir dissipam qualquer dúvida, porquanto confirmam o dever de se gerer um menino: quando o meu pai soube que a criança era um menino, se apressou a abraçar, com muita efusão, ao meu cunhado. E desse abraço, ouvi o seguinte: Dívida paga. Já não vou devolver nada do que me deste pelo lobolo da minha filha[mais velha]”. (Wambire 2018, p. 45).

Depois de nascer, o bebé é arrancado dos braços da mãe, Quinita, afinal. “ – Este bebé fica aqui. Pertence agora à tua irmã. Tu fizeste-o para ela. Assim salvaste-lhe o casamento, pois ela só fazia meninas” (Wambire 2018p. 45).

Diante da indignação de Quinita, o pai responde, autoritário: “ – Isso é tradição e pronto. Vamos para casa” (Wambire 2018p. 45). E a rapariga obedece.

Em Wambire, qualquer esclarecimento que leva a crer que os maus tratos, o sofrimento e o abuso sexual que caracterizam a vida da personagem é normal ao projecto social, na verdade, é deprimente.

As acções da personagem protagonista, o sofrimento que a vida lhe proporciona, enquanto jovem que vive à beira do precipício, condensam, num só momento, as maquinações diegéticas e sentimentais do mundo, inscritas em o Livro do desassossego, quando o poeta afirma que tudo se “tornou insuportável” (Pessoa, s.d., p. 70).

No conto “A mulher sobressalente”, a tradição é uma prisãoque usa, humilha, subalterniza e desgraça a protagonista da história e a própria irmã de Quinita, embora se beneficie da tradição, por ter o lar garantido depois de o marido conseguir o almejado filho.

O conto, A mulher sobressalente, de Dany Wambire cria uma espécie de angústia ao leitor. Entre o imaginário e o real, traz à tona o peso da memória de uma sociedade que oscila entre o passado, presente e o futuro preso numa tradição que busca o seu fundamento em mitos. Não há como o leitor deixar de sentir o nó na garganta e o aperto no coração a cada desfecho de cada parágrafo, a narrativa de Wambire nos remete para um mundo que parece improvável, mas que infelizmente não  é.Pois este cenário acontece ainda nos dias de hoje, sobretudo nas zonas mais recóndidas, como em Maúa, na província do Niassa.

 

*O texto de Alfredo Cone foi escrito no contexto da Oficina de escrita: crítica de arte, organizada pela Fundação Fernando Leite Couto, com a pretensão de estimular a crítica artística no país.

Todos os postos administrativos do distrito de Macomia, na província de Cabo Delgado, estão parcialmente abandonados devido aos ataques terroristas. O Governo continua a funcionar de forma improvisada devido à insegurança na zona, situação que foi confirmada pelo secretário permanente do distrito, Cristóvão Alberto.

Quase todas as aldeias e instituições do Governo dos três postos administrativos de Macomia foram abandonadas e grande parte da população e dos funcionários públicos estão concentrados na sede do distrito.

“Todos os postos administrativos de Macomia, refiro-me a Mucojo, Quiterage e Chai, ainda estão na sede, porque a situação de segurança é para controlar e, daí, avançamos. Depois de termos controlo de todo o posto e distrito, vamos retomar a administração nestes postos. A população ainda está connosco na sede”, explicou o secretário permanente do distrito, Cristóvão Alberto.

Depois do ataque terrorista à vila de Macomia, no dia 10 de Maio último, uma parte da população e funcionários do Governo foram obrigados a abandonar a sede do distrito para as zonas seguras e, até ao momento, a situação de segurança continua a ser considerada crítica.

“Enquanto a segurança estiver a trabalhar, nós estamos deslocados por um tempo, mas estamos a fazer idas e voltas. Isto até que a segurança nos diga voltem em definitivo. E, como dizia, até que a estrutura superior da província diga para voltarmos para o distrito, iremos fazer isso.”

Os três postos administrativos de Macomia estão abandonados há quase dois anos. Actualmente contam apenas com a presença de Forças de Defesa e Segurança.

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