O governador do Banco de Moçambique afirmou que a estrutura salarial da instituição não sofreu quaisquer alterações durante o seu mandato, rejeitando as críticas que, nas últimas semanas, têm surgido em torno dos níveis de remuneração dos funcionários e dirigentes.
Segundo o responsável, o modelo salarial actualmente em vigor existe há vários anos, tendo sido herdado de administrações anteriores. “Desde que assumi funções, não alterei a estrutura salarial”, afirmou, acrescentando que as contas do banco são publicadas anualmente e sempre reflectiram a mesma política remuneratória.
O governador considerou estranho que o tema tenha ganhado destaque apenas no final do seu mandato, defendendo que a discussão está a ser alimentada pelo contexto da transição de liderança. “Parece que, agora que estou de saída, transformou-se num problema”, declarou.
Relativamente às críticas segundo as quais os salários seriam financiados com recursos do Estado, esclareceu que o orçamento do Banco de Moçambique é autónomo em relação ao Orçamento do Estado. Segundo explicou, as despesas da instituição são suportadas pelo próprio banco e não constituem encargos directos para os cofres públicos.
O responsável sublinhou ainda que os reajustamentos salariais obedecem a um Acordo Colectivo de Trabalho, negociado entre a Associação Moçambicana de Bancos, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sistema Financeiro e as instituições bancárias, incluindo o Banco de Moçambique. De acordo com o governador, os aumentos são definidos anualmente no âmbito desse acordo e não resultam de decisões unilaterais da administração.
No que respeita aos valores que têm circulado nas redes sociais e nalguns espaços públicos, o governador classificou-os como «absurdos» e afirmou que muitos resultam de interpretações incorrectas das demonstrações financeiras. Explicou que a rubrica relativa a salários inclui igualmente provisões para responsabilidades actuariais, designadamente benefícios futuros dos trabalhadores no activo e dos reformados, conforme exigem as normas contabilísticas e os auditores.
O governador concluiu afirmando que as acusações de irregularidades não correspondem à realidade e defendeu que a gestão salarial do Banco de Moçambique sempre respeitou os procedimentos legais e institucionais em vigor.
Tende a aumentar o número de pessoas com AVC que dão entrada no Hospital Central de Maputo. O destaque vai para jovens. A unidade sanitária diz que a época fria é a razão da subida do número de casos, o que está a pressionar os profissionais.
O aumento de pacientes que dão entrada no Hospital Central de Maputo, vítimas de Acidente Vascular Cerebral, deve-se à ocorrência da época fria.
Por dia, são três a cinco doentes que se fazem à maior unidade sanitária do país, um número considerado superior em comparação com o do Verão.
“As pessoas não praticam actividades físicas, mas também os tipos de alimentos que consomem. Particularmente nesta época fria, há estudos que comprovam que os casos de AVC isquémicos aumentem, porque há uma tendência de o sangue se coagular e ficar mais viscoso”, explicou Dino Lopes, director dos Serviços de Urgências do HCM.
Os casos de AVC, que são, na sua maioria, de jovens, têm pressionado os Serviços de Cuidados Intensivos do Hospital Central de Maputo.
“O HCM não tem uma unidade de AVC, apesar de estar a envidar esforços. Isto acarreta de nós muita demanda no que diz respeito a recursos humanos, materiais e outros insumos, bem como espaço para internamentos.”
Além do AVC e outras doenças cardiovasculares, há também aumento de doenças infecciosas e respiratórias.
“Pessoas que têm doenças crónicas devem continuar a tomar a medicação e nunca abandonar tomar estilos de vida saudáveis para evitar estas doenças.”
Sobre o número de entradas por acidentes de viação, na passagem do Dia da Independência, o HCM diz ter recebido apenas dois pacientes vítimas de traumas.
O Prémio Camões deste ano foi atribuído à poetisa brasileira Adélia Prado, anunciou esta quarta-feira o Ministério da Cultura de Portugal.
“Adélia Prado é autora de uma obra muito original, que se estende ao longo de décadas, com destaque para a produção poética. Herdeira de Carlos Drummond de Andrade, o autor que a deu a conhecer e que sobre ela escreveu as conhecidas palavras ‘Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo…’, Adélia Prado é há longos anos uma voz inconfundível na literatura de língua portuguesa”, salienta o júri, conforme se lê no Observador, que nesta 36.ª edição foi composto pelos académicos Clara Crabbé Rocha e Isabel Cristina Mateus, a representar Portugal, Cleber Ranieri Ribas de Almeida e Deonísio da Silva, pelo Brasil, Dionísio Bahule e Francisco Noa, por Moçambique.
Com 88 anos, Adélia Prado tem uma dúzia de livros, entre poesia e ficção. Tem três livros editados pela extinta Cotovia: Bagagem (2002), o livro de estreia da autora, Com Licença Poética (2003) e Solte os Cachorros (2003), lê-se na mesma fonte.
Segundo o Observador, Adélia Prado nasceu em Divinópolis, Minas Gerais, Brasil em 1935, onde reside. É licenciada em Filosofia. Publicou o primeiro livro aos 40 anos, intitulado Bagagem (1976). Dois anos depois, edita O coração disparado, que é agraciado com o Prémio Jabuti. Estreia-se em prosa no ano seguinte, com Solte os cachorros, e logo depois publica Cacos para um vitral. Em 1981 lança Terra de Santa Cruz. Os componentes da banda é publicado em 1984 e, a seguir, O pelicano e A faca no peito. Em 1991 é publicada a sua Poesia reunida.
Em 1994, após anos de silêncio, ressurge com o livro O homem da mão seca. Em 1999 são lançados Manuscritos de Felipa, Oráculos de maio e a sua Prosa reunida. Em 2010 recebeu o Prémio Literário da Fundação Biblioteca Nacional e o Prémio da Associação Paulista dos Críticos de Arte. Na última semana, recebeu o importante Prémio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras.
O Prémio Camões, instituído por Portugal e pelo Brasil, em 1989, presta anualmente uma homenagem à literatura em português, recaindo a escolha num escritor cuja obra contribua para a projecção e reconhecimento da língua portuguesa.
Uma pessoa que supostamente se fazia passar por agente do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE) foi detido na cidade da Beira, província de Sofala, quando tentava entregar um suposto criminoso à uma esquadra, neutralizado por ele mesmo. Segundo a Polícia, o suposto falso agente cobrava, por cada detenção e apreensão de bens, mil meticais, usando um falso cartão de identificação.
O acusado terá iniciado as suas actividades em Janeiro do corrente ano. Através do uso de um falso cartão que o identificava como técnico forense, detia supostos criminosos e entregava-os às esquadras da cidade da Beira.
O agora detido afirma que deteve seis crimosos e entregou-os às esquadras, recuperou alguns bens, em troca de valores monetários das famílias que ajudava. Uma das vítimas do suposto falso agente do SISE foi até à esquadra para ter esclarecimentos, visto que conhecia o suposto burlador como “alguém da inteligência”.
“Eu fico espantado. A Polícia trabalha e diz que tem uma pessoa da inteligência. Eu sei que aquele é um burlador, então preciso que o comandante me explique que inteligência é essa. Quando minha filha foi detida, levaram os seus dois telefones, que deviam estar na posse da esquadra, mas estavam na posse dele, o tal da inteligência. Quando cheguei, disseram que os telefones estavam a ser trazidos, mas como, se deveriam estar aqui (na esquadra)”.
No entanto, a Polícia já estava a par das acções do suposto falso agente do SISE e estava à sua procura. As acusações da vítima contribuiram para a detenção do criminoso. Depois de detido, o acusado assumiu os crimes e explicou como actuava.
“A pessoa recebe o meu cartão e quando sofre um roubo ou é assaltada, entra em contacto comigo e eu recupero as coisas, trago o bandido à esquadra e a pessoa (ajudada) paga”.
Disse ainda que na esquadra onde está detido já apresentou dois supostos criminosos, tendo sido detido quando ia apresentar o terceiro.
“Detiveram-me. A pessoa era culpada, mas fui detido”, lamentou, afirmando não estar arrependido dos seus actos, pelo contrário, declarou que se sente “honrado por ter ajudado as pessoas”.
Ainda na mesma esquadra, foram detidos três jovens por furtos e roubos, com recurso a uma arma de fogo.
Tiago Muxanga, Steven Sabino, Matthew Lawrence e Denise Donatelli, juntam-se à Alcinda Panguana, Deisy Nhaquile e Jacira Ferreira na lista dos atletas que vão representar o país nos Jogos Olímpicos, Paris 2024. Os quatro atletas beneficiaram do mecanismo de universalidade olímpica, ou seja, vão à prova na condição de convidados.
A lista dos atletas que vão representar o país nos Jogos Olímpicos Paris 2024 subiu esta terça-feira. Depois da confirmação da qualificação da judoca moçambicana Jacira Ferreira para esse evento planetário, mais quatro atletas têm o passaporte carimbado.
Trata-se de Tiago Muxanda, do boxe, Stevem Sabino, atletismo, Matthew Lawrence e Denise Donatelli, ambos de natação.
Os quatro atletas vão à competição no âmbito da universalidade olímpica, ou seja, na condição de convidados, uma vez que não conseguiram a qualificação por via das várias provas em que participaram para o efeito. O quarteto junta-se à Alcinda Panguana, boxe, Deisy Nhaquile, vela, e Jacira Ferreira, do judo.
Assim, Moçambique conta agora sete atletas nos Jogos Olímpicos, menos três que na edição passada, em que país alcançou a maior delegação sempre desde a estreia em Moscovo, Rússia, em 1980.
Dos sete atletas que vão representar o país no evento, apenas Alcinda Panguana e Deisy Nhaquile estiveram em Tóquio, ou seja, na última edição da competição. Os Jogos Olímpicos vão decorrer de 26 de Julho a 11 de Agosto próximo.
Evan Gershkovich, Jornalista norte-americano, foi julgado à porta fechada, em Ekaterinburgo, depois de 15 meses de detenção, na cidade dos Montes Urais, acusado de espionagem.
Nascido nos Estados Unidos e filho de imigrantes da URSS, o jornalista de 32 anos do Wall Street Journal é o primeiro jornalista ocidental detido sob a acusação de espionagem na Rússia pós-soviética.
As autoridades russas prenderam Gershkovich durante uma viagem a Ekaterinburgo, na qual produzia uma reportagem. A alegação das autoridades russas é que o jornalista estaria a recolher informações secretas para os serviços secretos dos EUA.
O Departamento de Estado, no entanto, declarou-o “detido injustamente”, e comprometeu-se a procurar activamente a sua libertação.
Os jornalistas foram autorizados a entrar na sala de audiências durante alguns minutos antes de o julgamento ser encerrado. De acordo com a embaixada, dois funcionários consulares da Embaixada dos Estados Unidos em Moscovo também foram brevemente autorizados a entrar no tribunal.
Em entrevista à The Associated Press, Jay Conti, vice-presidente executivo e conselheiro geral da Dow Jones, descreveu o julgamento como uma farsa . “Ele era um jornalista credenciado que fazia jornalismo, e este é um julgamento falso, acusações falsas que são completamente forjadas”, argumentou.
Após a sua detenção, em 29 de março de 2023, Gershkovich foi mantido em Lefortovo, em Moscovo. Apareceu saudável durante as audiências em tribunal, nas quais os seus apelos à libertação foram rejeitados.
O jornalista poderá ser condenado até 20 anos de prisão, caso o tribunal considere-o culpado.
O município de Pemba, a capital da província de Cabo Delgado, não tem dinheiro para reabilitar as ruas da cidade, algumas das quais, estão intransitáveis, há vários anos. A situação é considerada grave e mais crítica na baía da cidade, a zona histórica da baía, onde algumas ruas construídas na época colonial estão a desaparecer.
“Aqui na cidade velha há ruas que nunca foram reabilitadas desde que foram construídas por volta de 1956, quando Pemba passou a ser considerada cidade. Algumas já nem são usadas, há muito tempo, e a cada dia que passa estão a desaparecer por falta de manutenção. Essa que vai ao porto de Pemba, por exemplo, é uma via importante para economia da cidade, mas hoje está em péssimas condições e tudo indica que um dia vai ficar intransitável”, alertou Abdul Anza, um residente de Pemba.
O problema de vias de acesso é antigo e afecta todos os bairros da cidade, onde quase todas ruas têm buracos, no entanto, a situação é considerada ainda mais grave nos subúrbios da baía, onde todas vias de acesso são de terra batida, e são ainda piores do que as do centro da cidade.
“Aqui em expansão, por exemplo, todas ruas deviam ter pavê, assim como lá o centro da cidade, mas até hoje só tem terra batida, e nem sabemos se um dia vamos ter asfalto ou pavê”, reclamou Rosa da Silva, residente de um dos subúrbios de Pemba.
Para evitar o agravamento da situação e garantir a circulação de pessoas e bens na cidade, a autarquia teve de recorrer aos parceiros. Estes disponibilizaram material e equipamentos que, actualmente, estão a ser usados para pequenas intervenções de emergência nas vias consideradas críticas.
“Nós planificamos cerca de quinze quilômetros entre urbanas e periurbanas para minimizar o problema. Nas vias urbanas asfaltadas, tapamos alguns buracos com cimento enquanto se aguarda pelos fundos para aquisição de asfalto. Nas periurbanas estamos a fazer a reposição de solos e terraplanagem. Tudo isso, estamos a fazer com ajuda de parceiros que se juntaram ao município para melhorar a mobilidade urbana e mudar um pouco a imagem da cidade” revelou Silvetre Macie, Vereador de Infraestruturas.
Alguns cidadãos reconhecem melhorias nas vias de acesso quando comparado com a época chuvosa, e estão conformados com o tapamento de buracos e a terraplanagem, mas outros, especialmente os que vivem nos subúrbios da cidade, continuam inconformados e pedem asfalto ou pavê.
“Todos os anos raspam as estradas, mas pouco tempo depois voltam a ter buracos. O que queremos agora é pavê ou asfalto, assim como esta acontecer na cidade de Montepuez, onde está tudo bonito”, exigiu Agostinho Sabao, residente de Pemba que, para além do mal estado das vias, já não suporta mais a poeira levantada pelas viaturas que circulam nos subúrbios da cidade.
Quase todas pessoas que vivem em Pemba querem asfalto ou pavê, para os subúrbios deixarem de ser subúrbios, mas o maior sonho da população, e a estrada ANE CHUIBA, um projecto adormecido mas que se for concluído será a mais larga e longa avenida construída na baía desde a independência de Moçambique, em 1975.
“Todos nós que vivemos aqui na expansão estamos a espera da estrada ANE CHUIBA, mas desde que começou nunca acaba, e o pior de tudo é que a estrada está fechada, há muito tempo”, disse Aniceto Mucaveia, residente do bairro Eduardo Mondlane.
As obras da estrada ANE CHUIBA estavam avaliadas em 400 mil dólares norte americanos, desolados pelo Instituto Nacional de Petróleos, e caso seja concluída, além de ser a mais longa, será também a primeira avenida com quatro faixas e dois sentidos a ser construída em Pemba depois da independência de Moçambique.
Silvestre Macie, Vereador de infraestruturas do Conselho Autárquico de Pemba, prometeu que, em breve, o governo se vai pronunciar em relação a estrada ANE CHUIBA.
“Com relação a estrada ANE CHUIBA, ainda há um processo em curso em termos de procedimentos administrativos e vamos nos pronunciar oportunamente ainda estamos a trabalhar com o governo ao nível provincial e central, a quem cabe junto do município avaliar a viabilidade deste projecto, mas por sermos um governo e com responsabilidades, pedimos a população para nao perder a esperança porque as coisas vão acontecer , o problema agora é saber quando e como vamos fazer as coisas”.
A solução do problema de vias de acesso em Pemba está muito longe do fim, e o município esta numa situação considerada complicada, afinal prometeu melhorar as ruas da cidade, mas ate hoje, não tem dinheiro, nem para continuar com as obras paralizadas, muito menos para manter as poucas que existem, algumas das quais construídas há quase cinquenta anos.
Os árbitros internacionais moçambicanos, Celso Alvação e Arsénio Maringule, foram nomeados para integrarem a equipa de juízes que vão participar na Taça COSAFA 2024, de 26 de Junho a 7 de Julho.
A dupla moçambicana foi testada recentemente, em Joanesburgo e vai fazer parte da restrita lista dos árbitros responsáveis por administrar o sistema de Árbitro Assistente de Vídeo (VAR).
Os responsáveis da Cosafa definiram que o VAR será utilizado a partir das meias-finais em Gqeberha, mas também como ferramenta de treino para toda a competição. Em cada jogo que terá árbitros a trabalhar no sistema nos bastidores para melhor se familiarizarem antes da sua implementação.
A decisão do comité organizador da competição inclui alguns dos principais árbitros do continente, de norte a sul, que aproveitarão esta excelente oportunidade para avançar na sua formação no sistema à medida que a FIFA e a CAF se tornam mais dependentes da tecnologia.
A lista é composta pela elite da arbitragem da região, como é o caso do sul-africano, Abongile Tom, recentemente reconhecido como Árbitro Masculino do Ano da COSAFA, Jerson dos Santos, de Angola, e Peter Waweru, do país convidado da Copa COSAFA, Quénia, passaram por treinamento VAR.
Neste novo modelo introduzido pela Cosafa, o destaque vai para a presença de cinco árbitras principais e árbitras assistentes testadas. Duas das principais árbitras do continente, no caso a marroquina Bouchra Karboubi e a assistente da Zâmbia, Diana Chikotesha, que foi nomeada Árbitra Feminina do Ano da COSAFA, na premiação anual no mês passado.
Os árbitros internacionais moçambicanos continuam a serem o rosto do país, carregando a bandeira nacional em várias competições africanas, quer a nível de selecções e clubes. Maringule atingiu o auge da carreira quando representou o país no Campeonato do Mundo de Futebol, cuja fase final foi no Qatar.
Quando se pensa na arte produzida na era colonial, é impossível não mencionar o conto “Nhinguitimo”, incluso no livro Nós matamos o cão tinhoso, de Luís Bernardo Honwana. Publicado, pela primeira vez, em 1964, o texto não pôde distanciar-se das problemáticas próprias que os moçambicanos, naquela altura, estavam sujeitos: a humilhação, injustiça, racismo, desigualdades, e etc.
Licínio de Azevedo, reconhecido realizador nacional, adaptou a narrativa de Honwana em uma curta-metragem com o mesmo título, “Nhinguitimo”, que veio a ser projectado nos cinemas nacionais em 2021, tempos de pandemia, em que Jorge Ferrão fez a analogia de nhinguitimo (ventos) com a propagação do Coronavírus, justificando, assim, a razão de o filme ser produzido e lançado nos anos da pandemia.
Ao longo desta crítica, pretendo explorar um possível realismo que o filme nos apresenta ao terminar, sem conclusão, ou, em termos próprios, um final aberto, sem esquecer os vários aspectos que compõem uma curta-metragem: a trilha sonora, a fotografia, e etc.
O enredo começa a desenrolar-se com o protagonista, Vírgula Oito, arrebatado até aos confins da sua negra alma pela previsão duma colheita que enche palhotas, estômagos e olhos azuis. Partilhando a sua felicidade para com os amigos, é-lhe avisado sobre possíveis contornos relacionados à opressão colonial, em que um negro não assimilado, não educado e sem competência linguística, na língua do colono, nunca pode lograr sucessos e ter vida de “branco”.
Conforme previsto pelos amigos de Vírgula Oito, Maguiguana e Matxinguitana, o branco (Rodrigues, proprietário de uma cantina), depois de conversações com administrador, decide arrancar as terras dos moçambicanos, o que gera revolta em Vírgula Oito. Sentido-se injustiçado e ultrajado, nas suas próprias terras, tenta uma revolta colectiva que não sucede muito por conta da resignação dos outros camponeses. Por via disso, assume uma contrariedade incotrolável.
A obra áudio-visual de Azevedo, replicando um clássico da literatura moçambicana, não perde esse estatuto: preto e branco que vai revelando e/ou inserindo essa narrativa em algum lugar do passado colonial. Como, também, a fotografia nos vai possibilitando criar um sentimento apropriado. Tendo em conta que preto e branco, às vezes, pode representar tristeza, melancolia e alguma falta de “cor” da vida, os telespectadores vão-se preparando emocionalmente com as cores que compõem a obra.
A trilha sonora, aliada às cores, liberta sentimentos aos telespectadores ou espectadores, obrigando, assim sendo, a acompanharem a narrativa com expectativa, libertando emoções condizentes com cada momento do filme. A música incidental inicial, acompanhada por pios de pássaros, simboliza uma paz, tranquilidade e um aparente bem-estar, o que é justificado, posteriormente, com a excitação do Vírgula Oito. Mais adiante, outra sonoridade, mesmo de olhos vedados, permite que se perceba a iminência de um momento romântico, entre o protagonista e a Nteasse, a mulher com a qual sonha casar depois da colheita frustrada pelo branco. Outra música incidental prevê um evento específico do filme, intensificando as emoções, no clímax, entre gritarias e apelos à revolta. Aí fica a insinuação de que Vírgula Oito acaba de cometer uma grande asneira e irreversível.
Os elementos estruturais de uma narrativa estão presentes em “Nhinguitimo”: A incitação inicial, na qual se apresentam os personagens, e o contexto está bem colocado, a não apresentação da Ntease logo no íncio revela que o romance do Vírgula Oito é marginal.
O conflito, que é a apropriação das terras dos nativos, representa o obstáculo que o protagonista enfrenta para salvaguardar os seus intentos (ter boas colheitas, casar com a Ntease, vestir como patrão, ser bem sucedido, etc). As acções crescentes, como as reuniões entre nativos, dirigem o enredo até o clímax, em que o protagonista parece ter matado alguém, posicionando-se como um ponto intenso. A intensidade das acções aceleram quando Rodrigues é informado sobvre um eventual crime cometido por Vírgula Oito.
Ora, “Nhinguitimo” não apresenta um fechamento. Quer dizer, o filme termina, a história não. Os espectadores, depois de terminarem os minutos da curta-metragem perguntam-se, “o que aconteceu ao Vírgula Oito?”, “Como a história termina?”, “Vírgula Oito morre ou materializa a sua revolta e o desejo de fazer o uso das terras dos seus ancestrais?”. A falta de um fechamento propriamente dito cria uma certa estranheza no espectador mais tradicional, clássico e que espera sempre por uma moral no final.
Apesar de ser um clássico, “Nhinguitimo” rompe com os ideiais cinematográficos e narrativos da era clássica, com um final aberto. Para Bea Goes (2022), “o final aberto é o filme nos dizendo que não chegará num postulado sobre aquela reflexão; isto fica para o espectador”. Enquanto espera-se um final em que a ordem social e cósmica é restabelecida depois do conflito, o final aberto traz mais indagações e dúvidas do que respostas fixas, o que, pelo contrário, comprometeria a reflexão, enterrando a possibilidade de os telespectadores levarem a narrativa consigo.
O final de “Nhinguitimo” situa-se no nosso tempo (apesar de ser uma narrativa fictícia dos anos 60), no qual os seremos humanos são mais paradoxais e complexos, em que temos várias vozes, talvez anoitecidas, que nos desconstroem. As contradições que reflectem o humano actual são muito bem atendidas com o final do “Nhinguitimo”, além de ser um momento em que o (tel)espectador tem para criar e reflectir o seu próprio fechamento.
Por um lado, a falta de clareza no momento do suposto assassinato confunde os telespectadores, mas, por outro lado, pode ser uma valia para que o filme possa ser apropriado para telespectadores de todas idades, como também esconde a morte, a violência para a construção de uma sociedade mais pacífica.
A ambiguidade, a interpretação a cargo do espectador, a continuidade da história além do que é mostrado, a reflexão e o realismo que evidencia a complexidade da vida real revelam outras qualidades à curta-metragem. Por exemplo, a interpretação íntima da mensagem.
*Texto escrito no contexto da Oficina de escrita: crítica de arte, organizada pela Fundação Fernando Leite Couto, com a pretensão de estimular a crítica artística no país.
Foram manuseados no Porto da Beira, de Janeiro a Maio deste ano, 161 mil contentores, contra 102 mil, em igual período do ano passado. Na carga geral, foram manuseadas 1.6 milhões de toneladas, contra 1.4, do primeiro semestre do ano passado, um crescimento considerado robusto pelo gestor do Porto da Beira, a Cornelder de Moçambique.
A conclusão da reabilitação da primeira fase da terminal de mineiros, aquisição de equipamentos modernos para transporte de cargas e uso de tecnologias de ponta e dos recursos humanos são factores que estão a contribuir na melhoria do manuseamento de cargas no Porto da Beira, que já atingiu números recordes, segundo Jan De Vries, Administrador delegado da Cornelder de Moçambique(CdM), entidade gestora do porto da Beira.
“A Cornelder de Moçambique estabeleceu um recorde de produtividade no manuseio de minério de crómio, por exemplo, alcançando uma produtividade bruta, com a média diária de 14.446 toneladas, uma melhoria de 40% em relação ao recorde anterior de 10.400 toneladas por dia”, garantiu Jan De Vries.
Acrescentou também que “a excelente produtividade é resultado do forte investimento na capacidade de manuseamento de minérios. A CDM acaba de concluir a primeira fase da construção do Terminal de Minérios que inclui 4 hectares de área de armazenamento para diversos minérios em à granel e ensacados, onde estes podem ser manuseados de forma eficiente”.
Como fruto destas melhorias, há novas linhas de navegação intercontinentais que escalam o Porto da Beira, que foi reconhecido, nos últimos dois anos, como a terminal mais eficiente.
Neste ano, haverá novos investimentos para responder a demanda dos países do Interland.
“No terminal de contentores, dentro de duas semanas, iremos iniciar a remoção de um dos antigos armazéns e, no seu lugar, garantir a expansão de quase 4 hectares de um novo parque. Ainda no âmbito da modernização das infra-estruturas, iremos adquirir 4 novas gruas modernas. As que temos actualmente são as maiores no país, mas não estamos satisfeitos dada a demanda dos nossos serviços na região e no mundo. Um estudo de engenharia realizado recentemente indicou-nos que temos capacidade para acomodar gruas para atender navios com capacidade para transportar, numa única viagem, 10 mil contentores”, referiu o administrador delegado da Cornelder.
Além disso, a CdM recebeu, este ano, uma nova frota de escavadoras de 35 toneladas e Pás, Carregadoras com baldes de 7m³ de capacidade, que servem para fazer o carregamento de banheiras para granéis, em tempo recorde, sendo transportados até ao cais por uma frota renovada e ampliada de tratores de terminal.
Toda a movimentação de equipamentos é monitorada pela organização reestruturada do Terminal de Carga Geral, fazendo uso do novo Sistema Operacional do Terminal, bem como do Sistema de Monitoramento de Equipamentos.
A Cornelder de Moçambique está, entretanto, preocupada com a melhoria dos acessos no Porto da Beira, que impactam de forma negativa na fluidez das cargas.
“Os volumes que temos hoje são dez vezes maiores em relação há 25 anos e, infelizmente, as estradas são as mesmas, o que cria um enorme constrangimento para a fluidez de cargas na entrada e saída do Porto da Beira. Acreditamos que uma maior articulação entre os vários utentes do Porto da Beira, incluindo o governo, sector privado e município, pode se encontrar uma solução a curto prazo”.
Refira-se que o município da Beira sempre defendeu a construção de uma estrada que dá acesso directo ao Porto da Beira, e que tem estado à procura de investimentos para a sua construção.