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O governador do Banco de Moçambique afirmou que a estrutura salarial da instituição não sofreu quaisquer alterações durante o seu mandato, rejeitando as críticas que, nas últimas semanas, têm surgido em torno dos níveis de remuneração dos funcionários e dirigentes.

Segundo o responsável, o modelo salarial actualmente em vigor existe há vários anos, tendo sido herdado de administrações anteriores. “Desde que assumi funções, não alterei a estrutura salarial”, afirmou, acrescentando que as contas do banco são publicadas anualmente e sempre reflectiram a mesma política remuneratória.

O governador considerou estranho que o tema tenha ganhado destaque apenas no final do seu mandato, defendendo que a discussão está a ser alimentada pelo contexto da transição de liderança. “Parece que, agora que estou de saída, transformou-se num problema”, declarou.

Relativamente às críticas segundo as quais os salários seriam financiados com recursos do Estado, esclareceu que o orçamento do Banco de Moçambique é autónomo em relação ao Orçamento do Estado. Segundo explicou, as despesas da instituição são suportadas pelo próprio banco e não constituem encargos directos para os cofres públicos.

O responsável sublinhou ainda que os reajustamentos salariais obedecem a um Acordo Colectivo de Trabalho, negociado entre a Associação Moçambicana de Bancos, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sistema Financeiro e as instituições bancárias, incluindo o Banco de Moçambique. De acordo com o governador, os aumentos são definidos anualmente no âmbito desse acordo e não resultam de decisões unilaterais da administração.

No que respeita aos valores que têm circulado nas redes sociais e nalguns espaços públicos, o governador classificou-os como «absurdos» e afirmou que muitos resultam de interpretações incorrectas das demonstrações financeiras. Explicou que a rubrica relativa a salários inclui igualmente provisões para responsabilidades actuariais, designadamente benefícios futuros dos trabalhadores no activo e dos reformados, conforme exigem as normas contabilísticas e os auditores.

O governador concluiu afirmando que as acusações de irregularidades não correspondem à realidade e defendeu que a gestão salarial do Banco de Moçambique sempre respeitou os procedimentos legais e institucionais em vigor.

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Os adeptos do Sporting Clube de Portugal escolheram o segundo golo de Geny Catamo diante do Benfica como o melhor momento do clube na temporada finda. Entretanto, Geny Catamo continua a ser cobiçado por vários clubes e agora entrou na corrida o Valência da Espanha.

Com a época futebolística de clubes já terminada, o Sporting fez uma avaliação junto dos seus adeptos e seguidores nas redes sociais para encontrar o momento favorito da temporada e os leoninos não tiveram de pensar duas vezes.

A escolha foi unânime. O segundo golo de Geny Catamo ao Benfica, no Estádio José Alvalade, em cima do minuto 90, que deu os três pontos ao conjunto orientado por Rúben Amorim, numa altura em que o marcador estava 1-1.

Foi um triunfo importantíssimo para os leões, que ganharem vantagem na tabela classificativa e distanciarem-se ainda mais das águias, alcançando o segundo campeonato em quatro anos.

Apenas um ponto separava os dois clubes à entrada para essa 28.ª jornada da Liga Portugal, mas o bis do moçambicano aumentou essa diferença para quatro pontos, sendo que o (agora) campeão nacional ainda tinha um jogo de atraso com o Famalicão, que também acabou por vencer.

Geny Catamo acabou por ser uma das figuras de destaque do Sporting na temporada 2023/2024, o que elevou a sua cláusula de rescisão para 60 milhões de euros.

 

Valência “ataca” Geny Catamo

Entretanto, no capítulo desportivo, há quem queira ter o moçambicano no seu plantel. Depois do interesse de clubes ingleses e alemães, surge agora o Valência da Espanha, que está disposto a sentar na mesa de negociações para ter o ala moçambicano.

O namoro não é de agora. O interesse dos espanhóis do Valência em Geny Catamo já vem desde o mercado de transferência do último inverno, mas a investida não foi além de observações e contactos exploratórios.

Para já, o emblema de La Liga pondera avançar com uma proposta, mas a turma de Alvalade só aceita negociar a partir de 30 milhões de euros.

O ala, de 23 anos, renovou contrato com os leões, em dezembro último, até 30 de Junho de 2028, tendo com uma cláusula de rescisão fixada nos 60 milhões de euros, mas, não se tratando de um jogador imprescindível para Rúben Amorim, a SAD leonina pondera sentar-se à mesa para negociar a saída do internacional moçambicano a partir dos 30 milhões de euros.

Recorde-se que Catamo assinou contrato profissional com o Sporting em Setembro de 2020, após uma época na Academia Cristiano Ronaldo, cedido pelo Amora, tendo depois sido emprestado a V. Guimarães e Marítimo. No ano passado fez a pré-época com a equipa principal e convenceu Rúben Amorim a mantê-lo no plantel, tendo sido a revelação dos leões em 2023/2024, somando 2401 minutos em 41 jogos, marcou seis golos (dois ao Benfica) e fez cinco assistências.

A Autoridade Reguladora de Água e Saneamento (AURA) junta, desde ontem até esta quinta-feira, fornecedores públicos e privados para encontrar soluções de modo a travar conflitos entre as partes. Divergências já levaram à vandalização de redes de fornecimento de água.

Não passa muito tempo desde que a relação entre os fornecedores de água públicos e privados foi marcada por conflitos que, em muitos casos, culminaram com a vandalização de redes de distribuição de água potável. As partes juntam-se para encontrar a melhor forma de coabitação pacífica, como deu a conhecer Suzana Loforte, Presidente do Conselho de Administração da Autoridade Reguladora de Água e Saneamento.

“O que é que nós devemos fazer? E acreditamos que o que vamos fazer, neste seminário, é reunir as partes interessadas, envolvidas na gestão do abastecimento de água e evitar o conflito. Acreditamos que o diálogo é a melhor resposta a este problema que está a acontecer hoje, no terreno. Temos, também, de criar condições para que se cumpra a lei.”

O Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, através do seu secretário permanente, Hélio Banze, defende que todas as entidades são relevantes para o abastecimento de água às populações.

“Como Governo, queremos enaltecer o papel preponderante dos provedores privados de água que, mesmo nos momentos mais conturbados e difíceis da economia do nosso país e noutras situações adversas, como desastres naturais, nunca desistiram e têm caminhado lado a lado com o Governo na busca de soluções para a provisão de água às populações em quantidade bem como em qualidade.”

Por sua vez, o representante da associação dos fornecedores de água, AFORAMO, Paulo Taça Tacarindua, afirma que há melhorias na relação com os actores públicos.
“Nós, como fornecedores privados, neste momento, temos uma relação boa. Sabemos que, no passado, tivemos alguma situação de não conformismo entre nós e as instituições do sector público do fornecimento de água, mas, a partir do momento que assinamos o memorando de entendimento em 2018, a situação relaxou.”

Ainda assim, há outra preocupação, para a Autoridade Reguladora de Água e Saneamento: a existência de fornecedores privados não licenciados devidamente. Só na zona Sul do país, há mais de dois mil fornecedores privados de água.

O seminário vai, também, discutir as perdas não contabilizadas no sector de água.

No evento, tomaram posse os membros da comissão técnica conjunta da coordenação e gestão de conflitos entre operadores de sistemas de água públicos e privados.

O seminário, que decorre em Maputo, junta os principais actores no sector da água e tem a duração de dois dias.

A principal rodovia que liga a cidade de Nampula aos distritos de Meconta, Liupo e Mogincual está cada vez mais perigosa para os condutores devido às más condições. Só nesta quarta-feira, foram encontrados dois camiões caídos na via, e já faz uma semana que um deles bloqueou a passagem.

A subida acentuada e o estado de degradação são apontados como as razões que levaram um camião carregado de toneladas de carvão à queda, nesta-quarta-feira. “O carro recuou por conta da estrada. Estávamos a fazer a subida e não suportou. Acabou por recuar e tombou”, explicou o camionista Suahi Yassin.

O ajudante do camião e o arrumador dos sacos contraíram ferimentos ligeiros. Entretanto, o grande prejuízo é do carvão, que se desfez dos sacos.

No mesmo troço que vai da cidade de Nampula ao posto administrativo de Corrane, há mais um camião avariado há sete dias, devido às condições da estrada.

O chefe do posto administrativo de Corrane, distrito de Meconta, lamenta a situação da estrada e fica-se na expectativa de ver a via terraplanada, conforme terá garantido uma equipa da Administração Nacional de Estradas.

Por: António Cabrita

Não há quem, tendo nascido pobre, não inveje a glória de François Villon, essa unidade de poeta e foragido que fazia despontar no vate francês o lume do verbo e a coragem dos intimoratos. Porque quando se nasce pobre e se alcança, não obstante a má posição da linha de partida, um inegável manejo das formas do espírito, não há como transigir com as pequenezes do mundo, com a preguiça e mediocridade que atapeta o chão dos que sabem o preço de tudo, mas não conhecem o valor do que importa.

Daí que, em todas as suas modulações, seja incandescente o percurso de José Luiz Tavares, sem receio da polémica e do sarcasmo quando é preciso, mas também generoso e de uma grande justeza ética. E lembremos aqui a advertência de Wallace Stevens: «a nobreza da poesia “é uma violência interior que nos protege da violência exterior”». E mais não se peça a José Luiz Tavares, porque é daqueles que transporta o fogo e isso, a prazo, é o que dá conforto e fertilidade à morada dos homens. O resto é o gosto fátuo das farófias.

Mais coisas o ligam a Villon, assim como a Nicanor Parra, o poeta chileno com quem José Luiz se farta de conversar nas páginas deste Perder o Pio a Emendar a Morte e em primeiro lugar a “gravitas” que lhes chega desse íntimo convívio com a noção de que a vida (a própria) é perecível e não existe outro mundo para a troca, o que empresta à expressão um carácter de urgência e a busca de uma exatidão na estocada, posto ser demasiado incerta uma segunda oportunidade.

Nicanor Parra que, apesar de ter vivido acima dos cem anos, fez sempre do poema uma ferida coçada até ao osso e construiu a sua obra contra as miragens, contrapondo à dor humana o rosto da dignidade de quem a esta não se furta, desconfiava da metáfora, mas não da parábola e escreveu em 1971 um extraordinário Sermones y Prédicas del Cristo de Elqui, uma espécie de evangelho dos decaídos.

É este o livro com quem José Luiz mais conversa, neste seu testemunho dessa clausura-rente-ao-requiem-coletivo que foi o covid, não só tomando de Parra a epígrafe do livro, como denunciando logo no terceiro bloco deste longo poema quem nele se invoca, ao mesmo tempo que nos apresenta o mote:

3.
Muitos de vós achareis intoleráveis/estes poemas, mas eu que desci da cruz/para retomar a minha caminhada pela terra, /em verdade vos digo: em seu tosco engenho, /são a reencenação das minhas palavras/
há muito descuradas. //Não querem curar um mundo de maleitas, /como quem traz pastilhas para a tosse/ (esses foram sonhos adolescentes, há muito/enterrados lá atrás), mas arreganham-se contra/a humana hipocrisia, leitor, mostrando os dentes/sanguinolentos ao insuportável mote de/ «fraternidade na desgraça». (Eu próprio não disse, /
imperativo, não vim trazer a paz, mas a espada?) //Por isso não sussurram enternecedoras melopeias, /mas o desabalado som do desmoronamento, /
fugindo porém, sempre, ao melodramático, /ao trágico sem vísceras, cultivados /pelos soleníssimos vates da república. /Expulso [cedo] duma ciência dos deuses, /eu arranco as pedras dos baldios da vida /para fazer a contabilidade dos desastres, / (…) pois se o deus diz «põe», o poeta contrapõe, /e nem consente o disfarce de divindade, /
porquanto maior audácia é abrir as comportas/do corpo e sentir nas vísceras essa negra água/– é no estremecimento do fim/que a vida acena ao que apenas sobrevive/no fundo inferno das palavras.

Perder o pio a emendar a morte, como se atesta na nota final ao livro foi «Escrito em março/abril de 2020, durante o primeiro confinamento da pandemia. Retomado em fevereiro de 2021, enquanto o autor padecia de infeção pela covid 19.» O que evidencia que a sua escrita foi contígua à de Um preto de Maus Bofes, o livro inédito que fecha a edição da sua obra (in)completa, recentemente publicado, escrito de Janeiro de 2020 e recapitulado em 2022.

Seria útil um paralelismo entre estes dois livros, mas não temos agora o tempo. Fica prometido. Refira-se apenas que os dois livros perfilham um verso terso, viril, e petiscam a gosto no pires da retórica, sendo que a ambos serve o leitmotiv lavrado em Perder o Pio a emendar a morte:

«Cercado pela peste/ (alguns chamam-lhe/ humanidade) / declarando o poema/ credo mudo/ contra o medo/ sem a ilusão de que vás gerar/ uma qualquer revolução/ com póstumo entusiasmo/ lanças-te à batalha»

Alguns chamam humanidade à peste, explicita o poeta, recordando aí que de uma batalha perpétua se trata e que o percurso da pandemia apenas a desvelou.

Mas falemos antes de mais das correntes alternadas que se divisam no trabalho poético de José Luiz Tavares:
na primeira que poderíamos apelidar de A Vingança de Caliban, José Luiz Tavares apropria-se da língua do antigo colono e faz dela uma festa, no sentido em que quase podíamos evocar aqui o dito de Joseph Brodsky sobre Derek Walcott quando lembrou que o poeta em inglês que melhor prodigalizava a língua era um negro da Martinica. Com os seus primeiros livros, José Luiz (daí o «z» do relâmpago que adotou para o nome) desperta a língua do colono, renova-lhe o brilho;
temos uma segunda corrente alternada, que se diria sob o signo de Ariel, no sentido em que José Luiz Tavares também acrescentou luz ao rincão doméstico, na zona aonde ainda prevalecia a penumbra, a qual corresponde ao labor extraordinário com que o poeta com as suas traduções de Camões e de Pessoa para o crioulo potenciou a sua língua mãe como língua literária, forçando os seus limites expressivos e morfossintáticos, de modo a torná-la mais maleável e enriquecida.

Não esqueçamos que se a coloquialidade dá a medida repentista do veio colectivo, do que é imediatamente partilhável, só o trabalho vigilante da imaginação singular, na sua mescla de invenção e memória, transforma a língua numa liga de virtualidades literárias e endereçada ao futuro. E para isso é preciso forçar as medidas do recipiente que toda a língua é, até se soltarem os ferrolhos dos sentidos pré-fabricados e a imaginação então correr livremente em novas torrentes. Depois de realizar com o seu trabalho de tradução uma verdadeira translação na sua língua, dotando-a de novas ferramentas, José Luiz Tavares produziu a sua primeira (e não é pequena) obra nela: É ka Lobu ki Fase, já inteiramente escrita em cabo-verdiano;
da terceira fase da obra de José Luiz Tavares temos um exemplo neste volume que agora se lança, onde o seu pertencimento já não é só a uma terra ou a uma língua, mas ao mais vasto e universal território do humano, com uma pauta antropológica que segue o sulco no universal. É o que eu chamaria a fase de Próspero – para fechar o cerco às personagens de A Tempestade, de Shakespeare.

Com uma particular e impensável habilidade, José Luiz Tavares entrelaça as sombras de Nicanor Parra e de Martin Heidegger, no sentido em que estes versos assumem sem ilusões ou receio a condição de sermos um ser-para-a-morte, mas dignificam esse pleito existencial ao assumirem o confronto, sem rebuço de se adiantarem na «contabilidade dos seus desastres». Neste pleito, o poeta nem dispensa assumir uma veia imprecatória contra os poderes terrenos e os divinos, como se realça nos versos que abrem o quarto poema deste livro:

(Com a língua que se há de tornar pó)
viemos para escarnecer da mortalidade,
e, sobretudo, da imortalidade.
Escarnecer da mortalidade, porque por mais que as cinzas às vezes pareçam esbrasear ao contágio dos pirilampos será o comum a quem reivindica a lucidez como primeira salvaguarda, como antídoto, sendo esta lucidez proporcional ao peso da humildade que advém ao poeta. Mas Tavares acrescenta-lhe a necessidade de escarnecer igualmente, e sobretudo, da imortalidade. E aqui o desafio pia mais fino.
A covid, o confinamento, essa abrupta redução do homem às suas fragilidades e à medida exaustiva de uma solidão inesperada, espessa, material; situação que impeliu, consoante as experiências, o homem à derrocada ou à sua superação — eis o plateau ideal para José Luiz, muito nietzschianamente, nos oferecer nestas alentadas cento e cinquenta páginas um incomplacente desmantelamento dos mitos, inclusive os pessoais. Ora, veja-se o que se lê na página 149:
«Com a morte toda
na garganta,
despede-se aqui
o animal de pranto.»

O Cristo que dialoga connosco neste livro é todos nós, na orfandade que se segue à rebeldia de perguntar, Pai porque me abandonaste?, e é o poeta a sós com as suas derrotas e a valentia de as nomear com um máximo de sobriedade e despojamento; este Cristo é já Próspero que reabilitou com paciência e porfia a magia de operar a possibilidade de libertar-se de qualquer poder.

Entretanto, a covid metaforiza esse intrincado troço de medo que nos é incutido pelas emboscadas das circunstâncias ao longo do nosso trajeto, e respondendo ao desafio, em contraponto, Tavares ergue o seu campo de honra, o qual se funda numa verdade que só o poeta reconhece e que é o seu verdadeiro às na jogada: os poderes da morte não conseguem cancelar a primavera. O que valida uma ética, inscrita ao longo do livro, mas claramente explicitada no poema final:

Recorda-te/ que habitaste a casa da sombra/ para melhor compreenderes a claridade;/ e escondeste-te na pobreza e no silêncio/ para que fossem puro aço/ as palavras que cospem a tua boca. // Recorda-te/que não traficaste (…) / nem cedeste às volubilidades do corpo/ou às tergiversações do espírito, /mas resguardaste-te/ (…) Só a tua descrença te defende[u]/ das ciladas, / das grades que se elevam/ à altura da cabeça/para matar na boca/
tua fome de comunhão, / teu anátema à servidão, / teu desígnio livre de qualquer convenção.

Os poetas maiores não traficam. É mais uma vez o que cumpre José Luiz Tavares neste novo opus. Leia-se esta declaração de princípios no poema 11: «dizem-me para esquecer/ os delitos do coração/ as traições da mente/ as fraquezas da carne/ os descaminhos da razão// que estes tempos estão/ para além do bem e do mal/ e a vida passa encolhida/
e de olhos semicerrados// aqueles que isto dizem/ se de facto querem dizer/ alguma coisa que abanem/ a cauda aos cometas// e então poderão dizer/ aquilo que não dizem/ exatamente por saberem/ o que jamais ousarão dizer».

Eis um pronunciamento contra a heteronomia, no sentido de uma debilidade de caráter ou de dupla face que ocorre a tantos, em nome afinal dessa patética «vida encolhida» que o poeta denuncia e cujo efeito, erróneo, nem sequer consegue mover «a cauda dos cometas». E este apontar de uma falta, de pequenez moral correspondente à falta de uma ideia que se convertesse em desígnio, alastra do comportamento individual ao coletivo, como se lê no fecho do poema 16: «Tenho de vos dizer, senhores: / eu sou dado às concretas matemáticas/ (mesmo quando fiz de lírico estouvanado), /por isso acabai com essa ladainha a gabar/ o civismo deste povo e dizei-me em simples/ percentagem: quantos não arriscariam/ a própria existência do universo se lhes/ dissessem que muito poucos não serão/ vítimas e quase todos são carrascos?»/

No poema seguinte, o 17, acrescenta-se uma caraterística a esta falência moral, a facilidade com que os “cidadãos” se entretêm a «caminhar de costas». No fundo, a maior carência que o Cristo de Elqui, a figura tutelar deste livro, acusa nas figuras que retrata é a de lhes faltar um rosto.

E esse, na crença do poeta, é o trabalho do homem: edificar o rosto, mesmo que «no «derradeiro detalhe» constate «(…) que não basta uma vida de homem/ para o conhecimento do mundo, / porquanto, mesmo contíguo no tombo, / o mundo é sempre exterior à vida», mas vale aqui o que de dignidade se tracejou no intento.
E este combate neste livro arca ainda com as debilidades naturais, a do homem contra a pandemia e com os medos que lhe assistem. É o que faz deste novo livro do poeta um marco necessário.
Como Epicuro no seu jardim, José Luiz Tavares, não trafica, acolhe a consciência do sentimento trágico com a potência, a alegria do seu verbo. Regozijemo-nos.

 

O Tribunal Judicial da cidade da Beira condenou o director de uma escola primária acusado de agressão contra uma professora. O professor foi condenado a um ano de prisão, e ao pagamento de uma multa no valor de 35 mil meticais.

Amade selemane, director da escola Primária Completa Antiga Emissora, localizada na cidade da Beira, província de Sofala, agrediu fisicamente, no dia 13 de Outubro do ano passado, a professora, Guida Paulo, da mesma escola, pelo facto dela ter participado em uma festa organizada pelo edil da Beira, Albano Carige.

A vítima contraiu ferimentos na face e no pescoço, tendo, posteriormente, submetido uma queixa as autoridades de justiça. O Julgamento vinha decorrendo há cerca de um mês, e, na leitura da sentença, o tribunal afirmou que na base do exame pericial efectuado pelos médicos, que a professora sofreu grandes lesões.

Face a isso, o tribunal condenou o director da escola a 12 meses de prisão, “entretanto a pena de prisão poderá ser substituída por uma multa diária equivalente a 1% do salário mínimo”. O arguido foi também condenado ao pagamento de 35 mil meticais de indeminização a vítima.

O advogado de defesa, Adriano Bungamano, alega que há uma contrariedade entre as declarações da vítima, em sede de audiência, e o relatório médico. “Nós vamos recorrer a própria setença, não há dúvida sobre isso”.

O professor não poderá exercer nenhum cargo de chefia por dois anos.

O Presidente do Quénia, William Ruto, desistiu de aumentar impostos no país, após uma onda de protestos violentos que durou mais de uma semana e resultou em dezenas de mortes, feridos e detenções.

Dois dias depois de milhares de manifestantes terem invadido o parlamento Queniano, numa acção que resultou na morte de mais de 20 pessoas, o presidente do Quénia, William Ruto, anunciou, esta quarta-feira, que não vai promulgar o projecto de lei financeira que propõe novos impostos.

“Ouvindo atentamente o povo do Quénia, que em alto e bom som disse que não quer esse projecto de lei financeira de 2024, eu cedo. E, portanto, não assinarei o projecto de lei de 2024 e será posteriormente retirado”, disse William Ruto num discurso televisivo.

Apesar disso, o chefe do Estado queniano alertou que a retirada do projecto de lei das finanças significaria um défice significativo no financiamento de programas de desenvolvimento destinados a ajudar os agricultores e os professores.

Sem avançar detalhes, o estadista queniano afirmou que vai iniciar um diálogo com a juventude e adoptar algumas medidas, começando com cortes no orçamento da presidência para compensar a diferença nas finanças do país.

“É necessário que tenhamos uma conversa como nação sobre como administrar juntos os assuntos do país”, disse o Presidente.

Vários manifestantes foram mortos a tiros, além de terem enfrentado gás lacrimogéneo disparado pela Polícia, durante as manifestações contra a subida dos impostos.

Entretanto, os protestantes já ameaçavam prosseguir com mais acções reivindicativas, nos próximos dias, caso o Governo não recuasse na decisão de aumentar impostos.

No seu discurso, William Ruto reconheceu que o projecto de lei causou insatisfação generalizada e lamentou as mortes causadas, acrescentando que mais de 200 pessoas ficaram feridas. Portanto, apesar do recuo no aumento dos impostos no Quénia, novos protestos foram registados esta quinta-feira.

Até sexta-feira, podem ser apresentadas novas soluções para o alívio do caminho das águas em alguns bairros do município de Maputo. A garantia é de Rasaque Manhique, que também apelou à paciência dos utentes da Avenida Julius Nyerere, cujas obras de reabilitação estão atrasadas.

Segundo dados do Instituto Nacional de Redução de Risco de Desastres (INGD), o município tem estado a procurar soluções para aliviar o sofrimento de pelo menos  46 555 pessoas que foram afectadas pelas recentes chuvas só na cidade capital.

Para soluções de emergência, segundo a edilidade de Maputo, foram alocadas quatro motobombas industriais para a sucção da água nas zonas mais críticas, como, por exemplo, Maxaquene, Hulene e Magoanine, sendo este último um dos bairros onde as motobombas não surtiram o efeito desejado.

Rasaque Manhique justificou que a razão do insucesso das motobombas nalgumas zonas se deve à existência de lençóis freáticos, ou seja, há uma reserva de água subterrânea nesses locais.

“O município alocou motobombas para aliviar o sofrimento das pessoas. Temos zonas onde conseguimos ter sucesso. No bairro 25 de Junho, trabalhámos com as mesmas motobombas. Trabalhamos em alguns pontos de Hulene e Magoanine. Não tivemos sucesso em todos os lugares porque há zonas onde há um lençol de água, onde há nascente e, com o agravante das chuvas, tornou-se difícil.”

Manhique “não cruzou os braços” e prometeu, ainda esta semana, anunciar algumas soluções para os bairros onde as motobombas não foram “funcionais” num encontro marcado para sexta-feira no bairro de Magoanine.

O edil também falou das atrasadas obras de reabilitação da Avenida Julius Nyerere, apelando aos utentes para terem calma e garantiu que as mesmas não vão parar até à sua conclusão.

O município de Pemba já conseguiu fundos para resolver o crônico problema de lixo que já está a pôr em risco a vida da população e já reduziu a beleza da cidade, que é considerada a maior baía de África e uma das mais belas do mundo.

Trata-se de cerca de sessenta milhões de Meticais desembolsados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no âmbito de um acordo assinado com o município com objectivo melhorar o saneamento da cidade que desde o início dos ataques terroristas em Cabo Delgado recebeu mais de duzentos mil deslocados.

“O objectivo deste acordo que chamamos carta de acordo com o município é basicamente reforçar a capacidade em termos de equipamentos para a gestão de resíduos sólidos no âmbito do projecto da PNUD de recuperação e estabilização de Cabo Delgado.

Pemba é uma cidade estratégica que recebeu muitos deslocados que trouxe muitos problemas na gestão de resíduos solidos”, explicou Samuel Akera, chefe do Escritório do PNUD e conselheiro do projecto de recuperação e estabilização de Cabo Delgado.

O presidente do município de Pemba agradeceu o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, e prometeu resolver o problema de lixo na cidade até ao final do presente mandato.

“Com este acordo vamos resolver o maior problema da cidade a longo prazo.. Podem ter certeza que dentro de cinco ja nao vamos ter problemas de má gestão de resíduos sólidos incluindo as vias de acesso”, garantiu Satar Abdulgani, edil de Pemba.

O valor disponibilizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento para o saneamento do meio em Pemba, vai em princípio ser usado para a aquisição de equipamentos e educação ambiental da população de Pemba, que actualmente está parcialmente suja devido a suposta falta de meios de gestão dos resíduos sólidos, e caso a situação continue a se agravar, a cidade corre o risco de sair da lista das baías mais belas do mundo.

Os Mambas empataram está noite diante da África do Sul a uma bola, em partida da primeira jornada do grupo A do torneio regional do Cosafa.

Dortley, aos 39 minutos, marcou primeiro para os Bafana Bafana, enquanto Chaimito, que saltou do banco na segunda parte, restabeleceu o empate aos 65 minutos.

Com o empate a um golo diante da África do Sul, os Mambas estão em igualdade pontual com todas selecções dos grupo, uma vez que Botswana e Eswatini também empataram sem abertura de contagem.

A selecção nacional olímpica dos sub-23 volta a jogar nesta competição no sábado, diante de Eswatini, para a segunda jornada.

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