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Residentes dos bairros Patrice Lumumba e Praia, na cidade de Xai-Xai, denunciam o recrudescimento de esquemas de venda múltipla de terrenos, por valores que variam entre 20 e 50 mil meticais, e apontam o alegado envolvimento de algumas autoridades locais. Os moradores exigem medidas para travar o fenómeno. O presidente do município revela que há cerca de 20 casos em investigação e anuncia a prorrogação do prazo de regularização de terrenos até ao final de agosto.

Moradores dos bairros Patrice Lumumba e Praia, na cidade de Xai-Xai, voltam a denunciar alegados esquemas de venda ilegal de terrenos, envolvendo suspeitas de participação de algumas autoridades locais. Segundo os denunciantes, a mesma parcela chega a ser comercializada para duas ou três pessoas diferentes, com valores que variam entre 20 e 50 mil meticais.

Os residentes afirmam que a prática tem gerado conflitos entre compradores e disputas pela posse de terrenos, um problema que, segundo dizem, persiste há vários anos sem uma solução definitiva. Perante o cenário, exigem uma intervenção mais firme das autoridades para travar o fenómeno e responsabilizar os envolvidos.

“Há pessoas que compram um espaço, pagam o dinheiro, começam a construir e depois aparece outra pessoa com documentos a dizer que também comprou o mesmo terreno. Isso tem criado muitos problemas nos bairros”, denuncia um morador.

Confrontado com as acusações, o chefe do Posto Administrativo de Patrice Lumumba, Pedro Sitoe, reconhece que a venda ilegal de terrenos é uma preocupação das autoridades locais. Segundo explica, quatro indivíduos já foram neutralizados no âmbito das ações de combate a esta prática.

“Nós temos conhecimento dessas situações e estamos a trabalhar para travar este fenómeno. Já conseguimos neutralizar quatro indivíduos envolvidos na venda ilegal de terrenos. Em relação ao suposto envolvimento de líderes locais, até ao momento não temos elementos que confirmem essas acusações, mas qualquer denúncia será investigada”, esclarece Pedro Sitoe.

Também chamado a pronunciar-se sobre o assunto, o presidente do Conselho Municipal de Xai-Xai, Ossemane Adamo, revela que a autarquia acompanha cerca de 20 processos relacionados com conflitos de terrenos.

“Temos cerca de 20 casos em investigação e estamos a seguir os procedimentos administrativos e legais para responsabilizar quem estiver envolvido. A população deve continuar a denunciar situações de ocupação e comercialização ilegal de terrenos”, afirma o edil.

Face à persistência dos conflitos fundiários, o município decidiu prolongar por mais 30 dias o prazo para a regularização de cinco mil terrenos considerados ociosos. Segundo Ossemane Adamo, terminado o período, as parcelas que permanecerem sem regularização poderão reverter para o património municipal.

“Estamos a dar mais uma oportunidade aos titulares para regularizarem a situação. Depois deste prazo, os terrenos que continuarem sem qualquer procedimento de regularização serão tratados de acordo com a legislação em vigor”, explica.

Até ao momento, pelo menos  1.800 parcelas já foram regularizadas, de um universo de cinco mil abrangidas pelo processo. As autoridades municipais apelam aos titulares para concluírem a regularização até ao final de agosto, alertando que o incumprimento poderá resultar na perda do direito sobre os respetivos terrenos.

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Mais de 20.7 milhões de moçambicanos têm acesso a água limpa e tratada para o consumo, garante o ministro dos Recursos Hídricos, Carlos Mesquita.

Foi durante o encontro anual do sector das águas, que teve lugar esta segunda-feira na Cidade de Maputo, que o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos partilhou alguns dados sobre a situação de abastecimento de água no país.

Carlos Mesquita diz que, de 2020 a esta parte, três milhões de pessoas passaram a ter acesso à água potável.

“Até ao presente momento, neste ciclo governativo, cerca de três milhões de pessoas foram adicionalmente cobertas com serviços seguros de abastecimento de água e cerca de 2.6 milhões de pessoas com serviços seguros de saneamento” disse Carlos Mesquita.

Com este alcance, segundo afirma, mais de 20.7 milhões de moçambicanos bebem água limpa e segura.

“Com o alcance dessas cifras, a população coberta com abastecimento de água segura é de mais de 20.7 milhões de pessoas, e do saneamento em cerca de 13 milhões de pessoas” explicou.

O ministro afirma ainda que os ganhos alcançados reduziram o número de pessoas que percorrem quilômetros à busca do precioso líquido. “Notamos com satisfação que com a expansão dos serviços de abastecimento de água, às zonas rurais há uma tendência crescente de opção de água nas residências, em detrimento das fontes de água, reduzindo significativamente as distâncias percorridas pela população para busca do precioso líquido”.

O Governo promete investir na construção de sistemas de retenção de água nas zonas semiáridas, como forma de prevenir os impactos da seca nos próximos meses.

A Universidade Católica de Moçambique – Extensão de Maputo, realiza, esta segunda-feira, o Congresso Internacional de Ciências Politicas.

Segundo avança a nota de imprensa da universidade, o Congresso Internacional de Ciências Políticas decorrerá sob o tema geral “Moçambique, povo heroico de arma em punho, 50 anos depois – celebração dos 50 anos de independência do país”, sob o lema “Mundo de esperança, de paz e de justiça; transformar Moçambique”- inspirado na encíclica papal Fratelli Tutti (reforço da fraternidade e da amizade social).

Para a sessão de abertura, a organização convidou oradores principais: Professor Doutor Francisco Proença Grácia, da Universidade Católica do Porto; Prof. Doutor Pedrito Cambrão, da Universidade Licungo, e Dr. Anselmo Vilanculos, da Universidade Matibota, do Canadá.

De igual modo, foram preparadas cerca de trinta comunicações, cujos oradores são estudantes, docentes e investigadores de diferentes universidades do país e do estrangeiro.

A participação para o público interessado foi aberta em formato presencial e online, através de um link no site da Universidade.

O Município de Mocímboa da Praia realiza as suas actividades em tendas e contentores, dada a falta de instalações adequadas devido ao terrorismo e às mudanças climáticas. Já no município do Ibo, os funcionários abastecem as viaturas com fundos próprios.

Mocímboa da Praia é um dos municípios mais antigos do país e já tinha infra-estruturas básicas para o funcionamento, mas, com a ameaça do terrorismo, tudo está em ruínas, e o pior de tudo é que “não há dinheiro para reconstrução”.

“Nós ainda estamos a trabalhar nas tendas e em contentores mas, passo a passo, vamos conseguir recuperar. O edifício que era do município está destruído e queremos reerguer uma nova casa, porque aquela já não dá para reabilitar”, disse Helena Bandeira, edil de Mocimboa da Praia.

Além de construir novas infra-estruturas, Mocímboa da Praia precisa de ajuda para reconstruir quase todo o arquivo institucional do município, que desapareceu durante os ataques terroristas.

“Não existe nenhum arquivo. Nós começamos do zero e há certos documentos que levamos para aprovação na Assembleia Municipal e só depois começámos trabalhar.

ós estamos sem computadores. O que temos foi doado pelo PNUD e um tractor também foi doado pelo PNUD, com apoio da Secretaria do Estado. Não temos estatutos, nem regulamentos internos, por isso tivemos esta demora para começar os nossos trabalhos” , acrescentou Bandeira.

Outro município de Cabo Delgado que está numa situação crítica é a histórica vila da Ilha do Ibo, que também não tem fundos para nenhuma actividade.
“Como Município, ainda não temos fundos próprios, mas estamos à espera do Fundo de Compensação Autárquica.”

Até para abastecer as viaturas, o Município não tem dinheiro. Os trabalhos não podem parar porque não temos dinheiro, senão nos tornamos parasitas. Falamos com um e outro que puder ajudar. Os combustíveis, nós adquirimos com meios próprios, mas, quando houver fundo, vamos colmatar o problema”, revelou Issa Tarmamade, edil do Ibo.

Apesar da falta de quase tudo, os presidentes dos municípios do Ibo e de Mocímboa da Praia não estão parados, porém, caso não consigam ajuda, correm o risco de terminar o mandato sem cumprir o plano, muito menos resolver o problema dos cidadãos que votaram por uma vida melhor.

Morreu Rui Baltazar, o primeiro ministro da Justiça de Moçambique, primeiro presidente do Conselho Constitucional e um dos redactores da primeira Constituição da República de Moçambique. Rui Baltazar dos Santos Alves foi um jurista importante para o país e era crítico ao sistema político moçambicano. O jurista completaria 91 anos no dia 24 de Setembro.

Se a justiça é um dos pilares de um Estado, Rui Baltazar é um dos pilares da própria justiça.

O homem que morreu na madrugada de sábado viveu para dar vida ao Estado moçambicano. Nasceu em Maputo, quando se chamava Lourenço Marques, em 1933. Nessa altura, Moçambique era parte do Estado português.

Baltazar foi à metrópole para estudar Direito, curso que veio a concluir em 1956. Dois anos depois, concluiu mestrado em Ciências Político-Económicas. Ambas as formações foram feitas na Universidade de Coimbra, em Portugal.

Com as ferramentas completas, voltou a Moçambique para servir, e foi um longo serviço. Começou por exercer a advocacia, entre 1959 e 1974. Nesta altura, Moçambique estava em transição.

Rui Baltazar foi ministro da Justiça no Governo de transição, ou seja, antes da proclamação da Independência Nacional. Em 1975, assume a mesma pasta e lá permanece até 1978, quando assumiu a pasta das Finanças. Contribuiu na redacção da primeira Constituição da República.

Na Universidade Eduardo Mondlane, foi reitor e director das faculdades de economia e direito; na diplomacia, foi embaixador; e, na política, foi Conselheiro de Joaquim Chissano, entre 2002 e 2003.
Feito tudo isso, Rui Baltazar contribuiu para que nascesse o bebé cujo parto descreveu como tendo sido “bastante penoso” e que “enfrentou, não poucas, resistências.

assaram-se longos 12 anos para que se concretizasse a iniciativa de dar à luz um órgão de soberania que estava constitucionalmente estatuído”. Os mecanismos em que esta criação aconteceu também eram estranhos aos olhos de Rui Baltazar.

Baltazar explicou que uma das razões da resistência talvez fosse a afronta que o órgão viria fazer aos outros de soberania. Ainda assim, o jurista tinha críticas relacionadas com o acesso ao Conselho Constitucional. “Duas mil assinaturas são demais”.

Falando numa palestra alusiva aos 10 anos do jornal O País, Rui Baltazar também criticou o facto de se ter um Conselho Constitucional politizado e composto por partidos políticos. Por falar em política, Rui Baltazar fez um diagnóstico das eleições no país e o resultado foi que “os processos eleitorais moçambicanos sofrem uma espécie de ébola político-crónico, que se manifesta através da constante invocação, após cada eleição, da existência de fraudes. Este fenómeno das fraudes ocorre porque, para além de outras razões, sofremos um défice de cultura e de cidadania; de falta de educação democrática, de ausência de valores e sentido de responsabilização, e porque manifestamos complacência com a violação das leis, abusos de poder e autoridade”.

E é, em parte, com isso que ele teve de lidar durante os seis anos em que esteve à frente do Órgão. Um exercício de cujo fim ele se orgulhava.

Mesmo de se ter retirado dos cargos, Rui Baltazar continuou a pensar sobre o país. Por exemplo, lá esteve quando a Ordem dos Advogados trocou de bastonário, de Tomás Timbane para Flávio Menete. Muito mais do que pensar na circunscrição jurídica, recuperou o que aprendera nas Ciências Político-Económicas para fazer análise sobre a crise que se vivia em 2016, depois das dívidas ocultas.

Dizia que o país tinha passado por aquela situação porque “se promoveu uma prematura e perigosa euforia, propícia a esbanjamentos, megalomanias, fundados em eldorados energéticos anunciados com todas as nefastas consequências a que agora temos de assistir”.

Nesta ocasião, Rui Baltazar mostrou a sua estupefacção em relação à sociedade que se está a construir no país, centrando-se nos altos níveis de corrupção e impunidade.

No ano passado, na celebração dos 20 anos do Conselho Constitucional, Rui Baltazar também escreveu um artigo que consta da quarta edição de “O Guardião”, intitulado “Lastimável do Estado de Direito Moçambicano”. Nele reflecte sobre os problemas que enfermam a política nacional, mesmo depois das revisões constitucionais.

“Os acontecimentos ulteriores a tal aprovação ilustram bem como se agudizaram as contradições existentes, o que bem pode ser explicado, entre outros factores, pela continuidade do exercício exclusivo do poder político pela mesma força política, por uma aplicação mecânica duma prática copiada de outros modelos ditos democráticos segundo a qual, quem ganha eleições, ganha tudo, instituindo uma espécie de ditadura de maiorias ao invés de se privilegiar uma política de constante diálogo construtivo e continuado e de busca, à maneira bem africana, de consenso geradores de partilhas de exercício de poder e de benefícios”, escreveu.

Falou também do aceso debate em relação à dupla função do Presidente da República. “Já em outra oportunidade chamei atenção para a displicência com que se ignora o comando contido no artigo 148 da Constituição, desprezando a sua aplicação e fazendo coincidir na mesma entidade a chefia do Estado com a chefia de um partido, factor este que é enorme obstáculo ao funcionamento verdadeiramente democrático do Estado moçambicano. Enquanto não se desfazer esse nó górdio, dificilmente se poderá caracterizar o Estado moçambicano como democrático”.

Falou do passado, do presente e dos desafios que se aproximam ao órgão do qual foi o primeiro dirigente. “O Conselho Constitucional vai, no futuro próximo, ter de tomar graves decisões, com grande impacto na sociedade moçambicana, e deve estar preparado para tal, contribuindo, através da sua independência e da aplicação intransigente, correcta e exemplar da Constituição e das leis, para a paz social, para o melhoramento da democracia e para que se faça justiça a cada cidadão;”

Antes mesmo de ele escrever o que pensa do constitucionalismo moçambicano, na edição anterior de “O Guardião”, outras pessoas tinham escrito sobre si. Uma delas foi Joaquim Chissano, antigo Presidente da República e colega do Governo de Transição e do primeiro Governo de Moçambique.

“Trabalhámos, depois, no governo de transição, eu como Primeiro-ministro e ele como Ministro da Justiça. Foi uma tarefa muito difícil. A soberania e a legalidade eram ainda portuguesas e, apesar da orientação progressista das novas autoridade de Lisboa, a estrutura legal em vigor continua a proteger e a favorecer os interesses dos estrangeiros. De uma forma muito inteligente e com rigoroso respeito pela legalidade, o nosso ministro iniciou uma revisão das questões mais chocantes da ordem colonialista e começou a preparar a reforma jurídica que se seguiria à proclamação da independência. Foi relevante a sua participação no colectivo que concebeu a elaboração da Constituição”.

Na mesma edição, houve vários outros textos de muitos autores, um dos quais Mia Couto, que recebeu o desafio de escrever sobre Baltazar como um lisonjeio.

“Não queria estar longe quando tivesse que se dizer: eis um moçambicano cuja grandeza e dignidade não foram feridas depois de tanta batalha. Eis uma pessoa que nos ajuda a ser mais humanos, a sermos mais humanidade”.

Rui Baltazar escreveu também na edição número 2 d´O Guardião, onde escreveu um artigo com o título “Origem e Desenvolvimento do Constitucionalismo Moçambicano: Antecedentes da CRM 90 com referência aos antecedentes da CRM 2004”. É esta caneta que se pôs, a voz que se calou, e o cérebro que parou de produzir novas reflexões, na madrugada deste sábado.

A sexta edição do Prémio Literário Fernando Leite Couto já tem vencedor. Chama-se Francisco Panguana Júnior, docente universitário em Angónia, Tete, e que se encontra nos Estados Unidos da América a ampliar o seu conhecimento e a forma de ver o mundo.

Formando em Ensino de Língua Portuguesa, pela Universidade Pedagógica de Maputo, Francisco Panguana Júnior distinguiu-se com o orignal “Os peregrinos da sobrevivência” (romance), entre 68 propostas submetidas ao prémio, 19 mulheres e 49 homens de todo o país, com a excepção de Niassa.

Nesta sexta edição, o perfil etário dos candidtatos variou entre os 19 e os 65 anos de idade, incluindo moçambicanos residentes em Portugal, no Brasil e, no caso do vencedor, nos Estados Unidos.
Com efeito, por unanimidade, o júri da sexta edição do Prémio Literário Fernando Leite Couto deliberou a favor de “Os peregrinos da sobrevivência”, da autoria de Aristarco Velos, pseudónimo de Francisco Panguana Júnior, devido à criatividade, inovação temática, correcção linguística e domínio técnico narrativo, conforme avançou a professora e ensaísta Teresa Manjate, presidente do júri igualmente composto pelos professores universitários Aurélio Cuna, Agostinho Goenha, Aíssa Mithá Issak e o jornalista Gil Filipe.

“Em primeiro lugar, devo dizer que foi muito difícil apurar o vencedor, porque todos nós, membros do júri, notamos que a qualidade é cada vez melhor. Os jovens estão a ler e a escrever e isso é bom sinal. Quanto à obra vencedora, tematicamente, é uma obra actual, com olhar atento para sociedade e com muita criatividade”, disse Teresa Manjate, na cerimónia do anúncio do vencedor em que o grande ausente foi, precisamente, Francisco Panguana Júnior.

Para a organização do concurso literário, a Fundação Fernando Leite Couto, “este é mais um prémio que nos leva a encarrar o futuro com os olhos bem postos na juventude, para qual o prémio é dedicado”, afirmou Armando Couto.

Já para o parceiro do prémio, há seis anos envolvido na promoção da literatura moçambicana, “no nosso país, fazer literatura é muito difícil e é necessário incentivar os jovens escritores a porem no papel os seus sonhos”, disse Manuel Soares, Presidente da Comissão Executiva do Moza Banco.

Além do valor pecuniário na ordem de 150 mil meticais, cedido pelo Moza, Francisco Panguana Júnior terá o seu livro editado no país pela Fundação Fernando Leite Couto e participará no FOLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos, dentro da residência literária de 30 dias que passará em Município de Óbidos, em Portugal, onde também poderá publicar o seu livro num evento realizado pela Câmara de Comércio Portugal Moçambique.

Com a distinção na sexta edição do Prémio Fernando Leite Couto, Francisco Panguana Júnior sucede Óscar Fanheiro e Gibson João, vencedores ex-aequo da quinta edição

Subiu de 15 para 48 o número de empresas suspeitas de branqueamento de capitais, falsificação de documentos, fraude fiscal e associação criminosa, no processo aberto no âmbito da operação “Stop branqueamento de capitais”. O Ministério Público diz haver 40 pessoas implicadas, seis das quais estão em prisão preventiva.

Segundo um comunicado do Gabinete Central de Combate à Criminalidade Organizada, datado de 12 de Julho, são empresas, na sua maioria, que operavam nas cidades de Maputo, Nacala e Nampula.

Das anteriores 15 firmas constituídas arguidas, até finais do mês de Maio, há mais 33 implicadas nos casos, totalizando 48.

As empresas visadas são acusadas da prática dos crimes de branqueamento de capitais, falsificação de documentos, fraude fiscal, abuso de confiança fiscal, associação criminosa e uso de documento falso.

Com mais empresas no processo, o valor que terá sido exportado ilegalmente, de mais de 21 mil milhões de Meticais entre 2019 e 2023, subiu para mais de 50 mil milhões de Meticais, e o Ministério Público avança que há acções em curso de apreensão de bens em conexão com os casos.

“… até ao momento, foram apreendidos 54 imóveis, designadamente, de hotelaria e turismo, estabelecimentos comerciais, instalações de empresas, residências, edifícios em construção e outras propriedades pertencentes aos arguidos. Foram, igualmente, apreendidos diversos bens móveis, dentre eles 13 viaturas”, lê-se no documento.

Dos 40 indivíduos nacionais e estrangeiros até agora implicados nos crimes, seis encontram-se em prisão preventiva, três em liberdade provisória e os restantes estão foragidos.

Ainda sobre a prática de branqueamento de capitais, num outro processo, foram detidas sete pessoas, quatro das quais foram restituídas à liberdade, mediante pagamento de caução, e três mantidas em prisão preventiva.

“Nos mesmos autos, foram apreendidos um total de 54 143 364 (cinquenta e quatro milhões, cento e quarenta e três mil, trezentos e sessenta e quatro Meticais) transferidos para a Conta Única do Tesouro”.

As apreensões e detenções resultam da operação “Stop branqueamento de capitais”.

Esta terça-feira, terá início, em Maputo, a digressão cultural AMANI Roadshow – EcoDaPaz.

A iniciativa do Projecto Música para Todos consiste na apresentação performativa de música, poemas, teatro e de DJ num palco móvel autossustentado e com o objectivo de disseminar mensagens de paz sustentável e desenvolvimento cultural para o bem-estar dos moçambicanos.

Assim, de modo inclusivo, a digressão cultural AMANI Roadshow – EcoDaPaz vai contar com a participação de artistas locais e da comunidade em geral de onde for a passar.
Os vários eventos da digressão cultural AMANI Roadshow – EcoDaPaz acontecerão na zona Sul, Centro e Norte.

No Sul, a actividade será em Maputo, precisamente no dia 16 de Julho, esta terça-feira, no Campus da Universidade Pedagógica, pelas 10h.

No dia 18 de Julho, a Escola Secundária da Katembe irá acolher o evento, quando forem 10h, e, no dia 21 de Julho, o EcoDaPaz se fará ouvir no Jardim dos Cronistas, igualmente em Maputo, pelas 15h.
De seguida, será a vez da zona Centro do país testemunhar a passagem da caravana. O evento irá decorrer no dia 24 de Julho, na Vila da Gorongosa, em Sofala, pelas 15h.

Por fim, será a vez da zona Norte. No dia 27 de Julho, a caravana AMANI Roadshow irá passar pelo Museu da Ilha, na Ilha de Moçambique, em Nampula, pelas 15h.

Já no dia 29 de Julho, o EcoDaPaz se fará ouvir no Bairro de Maringanha, na Cidade de Pemba, em Cabo Delgado, pelas 15h.

AMANI Roadshow é financiado pela Cooperação Suíça Para o Desenvolvimento em Moçambique e integra-se no Música Para Todos, uma acção inserida no PROCULTURA, financiada pela União Europeia em Moçambique e co-financiada e gerida pelo Camões, I.P. incluindo as Embaixada da Irlanda e da Suíça.

AMANI significa paz em Suaíli.

Joe Biden, presidente dos Estados Unidos da Ámerica considera prematuro comentar sobre o acto ser qualificado como “tentativa do assassinato” e pede cautela para os americanos até a conclusão das investigações. Já os antigos dirigentes do país, Barack Obama, Bill Clinton e Hilary Clinton condenaram o acto e a violência política.

Joe Biden teve uma conversa com Donald Trump e assegura que o mesmo está fora de perigo. Condenou e disse que os Estados Unidos da América devem combater todo tipo de violência.

Biden disse também que só poderá comentar quando for provado que é realmente trata-se “tentativa de homicídio”.

“É doentio e esta é uma das razões pelas quais temos de unir este país. Não podemos aceitar isto. “Eu não sei o suficiente, tenho uma opinião mas não tenho factos. Quero ter a certeza dos factos antes de fazer comentários”, disse em entrevista ao Delaware.

Barack Obama, antigo presidente diz “estar grato por Trump estar fora de perigo e que não há espaço para violência nos Estados Unidos”. Também assegura que “todos os actos de violência devem ser repudiados”.

Bill Clinton, antigo presidente dos Estados Unidos, defende que a violência não tem lugar na América.

Hillary Clinton, candidata que concorreu com Donald Trump no mandato que o elegeu presidente, também repudiou o acto.

Os senadores dos partidos dos Democratas e dos Republicanos também solidarizaram-se com Trump.

Caso Guilherme Malagueta poderá ser levado ao Gabinete Central de Combate à Corrupação. O árbitro é acusado de ter recebido 100 mil meticais para favorecer o Textáfrica de Chimoio, no jogo contra a Associação Black Bulls, partida que terminou em escaramuças. A Liga Moçambicana de Futebol já está a investigar o caso, para depois encaminhar aos órgãos de Justiça.

O jogo entre o Textáfrica e Associação Black Bulls, referente à décima jornada do Moçambola, continua no centro das atenções. A partida foi marcada por actos de violência praticados pelos adeptos dos “fabris” do Planalto, que reclamavam a má actuação da equipa de arbitragem, chefiada por Guilherme Malagueta, por este, supostamente, não ter assinalado uma grande penalidade a favor da sua equipa.

A situação levou a Polícia da República de Moçambique a recorrer a gás lacrimogénio para dispersar os adeptos, tendo, em consequência disso, havido feridos, entre eles jornalistas. Depois dos acontecimentos, a Liga Moçambicana de Futebol convocou uma reunião de emergência com a Comissão Nacional de Árbitros de Futebol, CNAF, e os 12 clubes que participam na prova, a fim a de analisar o assunto.

Através deste comunicado, a LMF fez saber que caso se constate a existência de matéria de índole criminal, endossará o respectivo expediente ao Gabinete Central de Combate à Corrupção.

Num outro comunicado, tornado público depois da sessão ordinária realizada na quarta-feira, 10 de Julho, que tinha em vista, mais uma vez, analisar os acontecimentos de Chimoio, o delegado da partida indica, no seu relatório, que, depois do jogo, o presidente do Textáfrica, Alfredo Dézima, exigiu a devolução do valor de 100 mil meticais ao árbitro do encontro, Guilherme Malagueta. O valor em causa foi pago a título de suborno para facilitar o resultado. No entanto, o clube nega qualquer envonvimento no caso de corrupção.

O Conselho de Disciplina da LMF entende que há necessidade de se apurar a verdade material, pois há sanções a serem aplicadas, à luz do Regulamento de Disciplina do organismo. Nesse sentido, nomeiou uma comissão de inquérito para investigar. Gimo Patrício fala de perseguições contra a sua equipa.

Segundo Regulamento de Disciplina, no seu artigo 49 das infracções disciplinares muito graves, como é o caso da corrupção da equipa de arbitragem.

“O clube que, através das dádivas, presentes, ofertas, promessas de recompensa ou de qualquer outra vantagem patrimonial ou não patrimonial a qualquer elemento da equipa de arbitragem, obtiver uma actuação parcial daqueles por forma a que o jogo decorra em condições anormais ou com consequências no seu resultado, ou que seja falseado o bolentim do encontro será punido nos seguintes termos:

a) Baixa divisão

b) Multa de 200.00,00MT (duzentos mil meticais) a 300.00,00MT (trezentos mil meticais)

Conhecido nos meandros desportivos, o jurista e advogado Roque Gonçalves esclarece que se trata de matéria criminal e, por isso mesmo, não tem limitações da FIFA. Nesse sentido, afirma que a Procuradoria-geral da República pode investigar o caso. Para tal, o jurista sugere que a Liga Moçambicana de Futebol deve encaminhar o processo à PGR.

A Comissão Nacional de Árbitros de Futebol, através do seu presidente, Francisco Machel, promete pronunciar-se nos próximos dias, depois da conclusão do inquérito dirigido pela LMF.

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