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Doze pessoas perderam a vida em todo o País desde o início do ano, vítimas de naufrágios. Em Gaza, sete pessoas morreram e outras continuam desaparecidas, um cenário que mantém as autoridades marítimas em alerta.

O aumento do número de casos levou o Instituto de Transportes Marítimos (ITRANSMAR) a anunciar medidas de emergência, que incluem a distribuição de coletes salva-vidas e o reforço da fiscalização das embarcações.

“Temos registado situações preocupantes em alguns pontos da província, onde algumas embarcações não cumprem as normas de segurança. Estamos a intensificar a fiscalização para garantir que a vida dos passageiros seja protegida”, explicou Robate Gunde, delegado provincial do ITRANSMAR em Gaza.

Bilene, Chókwè, Xai-Xai, Limpopo e Mapai estão entre as zonas consideradas de maior risco. Durante as operações de fiscalização, três embarcações foram apreendidas por não reunirem as condições de segurança exigidas, nomeadamente por falta de equipamentos obrigatórios para a protecção dos passageiros.

Os processos relativos às embarcações apreendidas já foram remetidos às entidades competentes e seguem os seus trâmites junto do Ministério Público.

“Foram identificadas embarcações que não reuniam as condições exigidas. Procedemos à sua apreensão e os respectivos processos seguem o seu curso no Ministério Público”, esclareceu Robate Gunde.

Para reduzir os riscos nas travessias, o ITRANSMAR vai distribuir cerca de 200 coletes salva-vidas em toda a província de Gaza. A primeira fase terá início em Ngaala, no distrito de Mapai, onde seis comunidades atravessam diariamente um curso de água para chegar à vila-sede.

“Vamos iniciar a entrega dos coletes em Ngaala porque identificámos uma necessidade urgente daquela população. Queremos reduzir os riscos e garantir maior segurança nas travessias”, afirmou Unaite Mustafa, presidente do Conselho de Administração (PCA) do ITRANSMAR.

Em Ngaala, a população agradece a iniciativa, mas pede mais intervenções para responder às necessidades das comunidades.

“Agradecemos este apoio, porque vai ajudar a salvar vidas, mas precisamos de mais acções para melhorar as condições da travessia”, disse Ricardo Paulo, residente em Ngaala.

Para os pescadores, os equipamentos de segurança são importantes, mas devem ser acompanhados por uma fiscalização permanente.

“Os coletes ajudam, mas é preciso continuar a acompanhar as condições das embarcações e garantir segurança para todos os que utilizam estas vias”, defendeu Lucas, pescador.

Além da distribuição dos coletes salva-vidas, o ITRANSMAR anunciou o reforço da capacidade de transporte marítimo em quatro províncias do País, com a introdução de novas embarcações, para garantir uma travessia mais segura de pessoas e bens.

“Estamos a trabalhar para reforçar a capacidade de transporte marítimo em várias zonas, porque muitas comunidades dependem destas ligações”, afirmou Unaite Mustafa.

Entre a necessidade de atravessar e o perigo das águas, as comunidades ribeirinhas continuam expostas a riscos. Desde Janeiro, pelo menos 12 pessoas morreram em consequência de naufrágios registados em todo o País.

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Pelo menos 13 pessoas foram atropeladas, e duas viaturas colidiram, em 30 dias, após implementação da terceira e quarta faixa de rodagem, ao longo da avenida marginal. Em causa está o excesso de velocidade e a má travessia dos peões.

No passado mês de Junho, o Conselho Municipal de Maputo introduziu mais duas faixas de rodagem na avenida Marginal, entre o clube marítimo e o bairro Costa do Sol, como forma de reduzir as longas filas de trânsito, nas horas de ponta.

O que devia ser um alívio para os utentes da via tornou-se numa maldição para os peões. 13 pessoas foram atropeladas em 30 dias.

“Na terceira faixa constatamos um total de 10 atropelamentos e duas colisões, enquanto que, na quarta faixa, em trinta dias, registamos três atropelamentos” disse Nelson massango, Director da área de transportes na edilidade de Maputo.

Apesar da edilidade de Maputo ter destacado para o local agentes da polícia municipal, agentes de trânsito, ambulâncias e equipamentos de som, como forma de sensibilização, há peões que atravessam em locais impróprios, e alguns automobilistas não respeitam o limite da velocidade.

“Muitos peões, ao atravessarem a via pública, não usam as passadeiras, e temos vindo a constatar que muitos automobilistas, ao depararem-se com a faixa livre e mais apetecível, imprimem maior velocidade, o que acaba causando esses atropelamentos”, explicou Massango.

Como medida, o Conselho Municipal suspendeu a implementação de uma das faixas de rodagem ao longo da avenida marginal, nos período das seis às oito horas, e das 15 às 18 horas, nos dias úteis, para melhorar a sinalização e assim a segurança rodoviária.

“Todos esses desafios obrigaram que fizéssemos a interrupção temporária da implementação da terceira faixa, isto no período da tarde que é das 15 as 18 horas, para que as equipas pudessem aprimorar questões relacionadas com a melhoria da segurança rodoviária, sensibilização aos peões e utentes desta via”.

A edilidade apela aos condutores para que adoptem uma condução mais prudente para evitar o derramamento de sangue.

 

O presidente da República, Filipe Nyusi, diz que o facto de não se conhecer o inimigo em Cabo Delgado tem dificultado o trabalho da defesa nacional. Nyusi falava durante a abertura do XXV Conselho Coordenador do Ministério da Defesa Nacional.

O Chefe de Estado reconheceu o apoio de vários países no combate ao terrorismo e o empenho das Forças de Defesa e Segurança. “Louvamos e saudamos o sector da defesa e segurança pelo seu engajamento no cumprimento das missões, combatendo sem tréguas e com bravura as acções que atentam contra a unidade nacional e integridade territorial”.

Nyusi disse ainda que o mundo tem passado por grandes desafios que se apresentam de forma dinâmica, o que tem, de alguma forma, dificultado o trabalho de segurança de um Estado.

Olhando especificamente para os ataques terroristas e o extremismo violento que tem assolado o país, o Presidente da República explica que “constituem uma evidência de que as ameaças actuais sobrepõem-se as fronteiras políticas do Estado, e não são perpetradas apenas por actores estatais”.

Para Filipe Nyusi, o facto de não se saber quem é o inimigo, e como se prepara, acresce os desafios do sector da defesa. “Quando tinha um conflito nosso, sabiamos para onde ir e como travar, mas, hoje, não se sabe quem são os nossos inimigos, o que querem e quem os financia. Portanto, as ameaças extravazam o aspecto do imaginável”.
Esta realidade, continuou, exige que o sector de defesa aprimore a sua capacidade de avaliação e análise, assim como os mecanismos de resposta e carácter e dinâmico, desses riscos e ameaças à segurança e integridade do país.

“Quando o inimigo se identifica, nós conhecemos a sua natureza. Quando se combateu o colonialismo era fácil montar cenários, porque conhecíamos a identidade do inimigo, mas, agora, é muito vulnerável a maneira como o inimigo se apresenta e trabalha com pessoas sem nenhuma ideologia, o que torna diferente a forma de combatê-lo”.

Nyusi apelou também para que as Forças de Defesa e Segurança trabalhem de forma igual mesmo com o fim do seu mandato.

A Organização do Tratado ao Atlântico Norte (NATO) acusa a China de “facilitador decisivo” da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, através de apoio as forças russas. A NATO diz estar preocupada com o arsenal nuclear e os recursos espaciais chineses.

Através de um comunicado, os países membros da Nato afirmam que a China tornou-se um facilitador da guerra, através da sua “parceria sem restrições” , com o Kremilin, e do seu apoio em grande escala para à base industrial da defesa russa.

“Apelamos à República Popular da China, enquanto membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, com a responsabilidade especial de defender os objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas, para que cesse todo o apoio material e político ao esforço de guerra da Rússia”, lê-se no documento.

Falando a imprensa, O secretário-geral da Nato, Jens Stoltenberg, disse que o apoio da China aumenta a ameaça Russa para segurança euro-atlântica”. Acrescentou que “os aliados deixaram claro que a China não pode permitir o maior conflito na Europa, na história recente, sem afectar negativamente os seus interesses e a sua reputação”.
Stoltenberg afirmou ainda que os aliados da Aliança Atlântica continuarão a apoiar a Ucrânia “no caminho irreversível para a adesão à NATO”.

“O trabalho que estamos a fazer agora em conjunto garantirá que, no momento certo, a Ucrânia possa aderir sem demora”, disse.
Pequim, por sua vez, negou que apoie as acções de guerra da Rússia, e insiste em manter relações comerciais normais com o seu vizinho do norte.

O Município de Maputo precisa de 44 milhões de Meticais por mês para pagar as facturas de recolha de lixo em todos os bairros. A receita colectada pela Electricidade de Moçambique (EDM), através da taxa de lixo, é de apenas 14 milhões de Meticais, deixando, assim, um défice de 30 milhões.

Continua instalada uma crise na recolha dos resíduos sólidos no Município de Maputo.

O lixo está cada vez mais cheio nos bairros. Os munícipes já se sentem incomodados.

O facto é que a edilidade de Maputo precisa de cerca de 44 milhões de Meticais por mês para o pagamento das facturas das empresas que prestam serviços.

“Neste momento, temos uma factura mensal resultante de recolha primária de cerca de 10 milhões e 370 mil Meticais, outra da recolha secundária, que é esta principal, em que nós vemos os efeitos directos, de cerca de 33 milhões e 560 mil Meticais, totalizando cerca de 44 milhões de Meticais mensalmente”, explicou João Munguambe, vereador das Infra-estruturas e Salubridade.

Com as receitas colectadas pela Electricidade de Moçambique, na cobrança da taxa de lixo, o Município de Maputo consegue apenas 14 milhões de Meticais, valor abaixo da metade das facturas.

“Para a receita que nós temos, da Electricidade de Moçambique, está em catorze milhões e seiscentos, o que significa um défice de cerca de 30 milhões de Meticais, que tem de vir de outros recursos”, acrescentou.

O Município de Maputo garante que tem feito alguns pagamentos para reduzir as facturas, mas a dívida não pára de crescer.

“Pagámos, este ano, cerca de 60 milhões à Ecolife, e pagamos o mesmo valor à Enviroserv. Isto para dizer que estamos a fazer os pagamentos, mas este pagamento, naturalmente, é insuficiente para cobrir as dívidas passadas que nós temos”, concluiu o vereador.

A edilidade continua a mobilizar recursos adicionais para cobrir as dívidas com a Ecolife, Enviroserv e Clean Africa.

As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) tem Américo Muchanga como novo Presidente do Conselho de Administração (PCA). Na sequência, a companhia exonerou o Director-Geral interino, Theunis Crous.

De mão em mão, segue o processo de resgate das Linhas Aéreas de Moçambique, companhia aérea nacional que está a ser intervencionada pelos maus resultados financeiros.

Depois de ter sido gerida interinamente por Theunis Crous, gestor da Fly Modern Ark, exonerado nesta quarta-feira, a Linhas Aéreas de Moçambique tem agora Américo Muchanga como Presidente do Conselho de Administração.

Muchanga foi exonerado terça-feira do cargo de PCA dos Aeroportos de Moçambique e assume agora a LAM, uma empresa com dívidas de mais de 100 milhões de dólares e quase sem frota própria, que tenta sair do vermelho.

O seu antecessor, que também era gestor da empresa contratada como consultora para salvar a LAM, pode ter falhado seu objectivo de mudar a companhia e torná-la forte, ou seja, uma LAM da qual o país possa se orgulhar.

Mais de um ano depois da contratação da Fly, a LAM continua uma empresa com frágil situação financeira e de um nível de risco de crédito muito elevado, que expõe as finanças públicas, segundo uma avaliação do Governo.

O contrato da Fly Modern Ark terminou em Abril último e o Governo afirmou, recentemente, que não via razões para não continuar com a consultora. Em Março, era expectativa do Executivo ver a LAM estabilizada em três anos.

Quando a equipa de reportagem do nosso jornal chegou ao Hospital provincial de Inhambane, encontrou Cremildo, um jovem dador de sangue há pelo menos 10 anos. Ele começou a doar o precioso líquido ainda na escola secundária, quando sensibilizado por uma igreja e desde lá o fazia pelo menos uma vez ao ano.

Contou ao O País que depois que foi convencido a doar sangue, o fez na escola e gostou, por isso passou a frequentar o Banco de Sangue do Hospital Provincial de Inhambane para doar com mais frequência. entretanto, tempos depois teve de se ausentar de Inhambane por razoes da escola e como tal, foi difícil para si, conciliar a escola e o exercício de doar sangue.

Mas, segundo conta Cremildo, quando voltou a Inhambane em 2019 retomou o exercício de doação de sangue, actividade que ficou interrompida no ano segundo com a eclosão da pandemia da COVID-19. em 2021, quando as coisas acalmaram-se, ele voltou para doar sangue, apenas uma vez e desde lá, não mais o fez.

Sucesso que este ano, 2024, ele retomou ao Banco de Sangue de Inhambane para doar sangue, a fim de o fazer para ajudar uma colega de trabalho, que tem o seu filho doente e deve ser submetido a uma cirurgia e para tal precisa de sangue. Cremildo conta que o pedido da sua colega veio num momento em que ele estava a pensar em retomar o exercício de doação d e sangue e decidiu atender o pedido da colega, como o primeiro passo para retomar a educação contínua de sangue.

Mas, nem tudo vai bem, na maior unidade sanitária da província de Inhambane, que neste momento ressente-se da falta do líquido vital. Segundo apuramos no local, o Hospital Provincial de Inhambane tem neste momento apenas 50 unidades de sangue, um número irrisório para a demanda daquela unidade sanitária, que atende os pacientes de toda província de Inhambane, transferidos de outras unidades sanitárias da província, geralmente em estado grande e que precisam de transfusão de sangue.

A maior unidade sanitária de Inhambane usam uma média de 10 a 15 unidades de sangue por semana, sendo por isso que a quantidade de 50 unidades é irrisória.

Segundo apuramos, nos últimos anos o número de dadores de sangue baixou para menos da metade, dos anteriores 1510 dadores, para cerca de 600.

Por: Jéssica Djedje

Preto e branco: duas cores, duas raças, duas nacionalidades, duas realidades. É nesta constante dualidade que, em 2021, o cineasta moçambicano, Licínio Azevedo, lançou Nhinguitimo, uma curta-metragem adaptada do livro Nós Matamos o Cão Tinhoso, do escritor Luís Bernardo Honwana.

A obra cinematográfica decorre no ano de 1960, na então Lourenço Marques, Vila do Vale do Rio Incomati, e retrata a opressão que o povo moçambicano sofreu por parte do sistema colonial português antes da independência. A escolha da fotografia monocromática (preto e branco) realça a narrativa, dando intensidade às emoções vividas pelos personagens.

A trama começa por mostrar o contraste gritante que há entre negros moçambicanos e brancos colonialistas, separados apenas por uma parede de distância, no bar de um português. É aí onde surge Alexandre Vírgula Oito Massinga, personagem principal da obra, um homem com pensamento livre e, portanto, com sonhos maiores que a sua realidade. Vírgula Oito possui uma pequena porção de terra fértil próxima ao rio, de onde tira o seu sustento e prevê aumentar a produção de milho e multiplicar os seus rendimentos. Porém, o proprietário do bar, Rodrigues, que conhece o potencial do vale explorado por Vírgula Oito, solicita que o administrador lhe conceda as terras, o que, materializado, causa a revolta daquele camponês.

Durante o enredo, pode-se notar como algumas das acções do actor principal reflectem a moçambicanidade. Alguns exemplos são: Vírgula Oito, através do conhecimento empírico, faz projecções precisas sobre a colheita, trabalha e pensa em como melhorar as condições de vida da sua família, e usa o nhinguitimo, vento sul, na língua ronga, que antecipam a chegada do verão(Ferrão, 2021), para aumentar a sua força de lutar.

O medo, uma das consequências da opressão colonial, é evidenciado através do comportamento de Matchumbutana e Maguiguana, amigos de Massinga, quando o aconselham a desistir do seu plano de produzir mais e aumentar o seu rendimento porque isso enfurecerá aos brancos colonialistas. Na cena, nota-se no protagonista o primeiro sinal de resistência através da sua indignação com o facto de não poder usar livremente, no seu próprio território, as terras que, de forma honesta, herdou dos seus antepassados.

A resistência é ainda mais visível e percebida através da postura confiante, voz firme, passos determinados e argumentos fortes do personagem principal. A soma destes aspectos pode ser considerada uma lição de antagonismo a um sistema opressor, uma vez que sugere a mensagem de que não importa como controlem os bens e até os corpos das pessoas, enquanto se mantiver a mente livre, o caminho para a independência torna-se possível.

Num claro contraste na forma de pensar, Matchumbutana e Maguiguana sequer vêem um futuro livre da dominação colonial, já que as grades que lhes foram impostas são tão eficazes, que eles acreditam que sua única possibilidade de sobrevivência e sustento, é trabalhar para o colono e receber o que este quiser lhes dar em troca. A incerteza cegou-os de tal forma que já não se vêem como cidadãos de um país e, por isso, com direitos inalienáveis como a liberdade.

Apesar do ambiente hostil que se vive, Massinga resiste e pondera contrariar o sistema colonial. Para tal, incita o seu grupo a uma possível revolução, mas este, incluindo seus dois amigos, deixam-se dominar pelo medo e insegurança, e viram-lhe as costas, numa evidente demonstração de covardia e desesperança.

Enfurecido pela passividade dos seus amigos diante das injustiças sofridas, o protagonista ataca um deles, que, aliás, a esta altura já é visto como traidor, uma vez que a recusa em lutar contra o colonialismo pode ter sido interpretado como conivência com este mesmo sistema. Massinga parece ter assumido que a não oposição torna-os, também, inimigos. Por isso devem ser combatidos.
Estas cenas revelam as sequelas que a opressão colonial deixou nos moçambicanos, já que até a actualidade nota-se esta inércia perante várias formas de injustiça que são vividas. Matchumbutana e Maguiguana reencarnam em cada moçambicano que se subordina à humilhação por causa do pão, que se cala perante a violência, que baixa a cabeça diante da corrupção e que fica indiferente às desigualdades sociais.

Em contrapartida, a coragem da personagem principal, Vírgula Oito, ao escolher combater, mesmo com os riscos inerentes a esta decisão, pode assemelhar-se ao posicionamento dos activistas sociais do nosso país, que têm se levantado e se colocado na linha de fogo para promover o despertar social e lutar pelo bem comum.

Para alguns espectadores, a narrativa aberta, da curta-metragem, pode ser considerada uma decepção porque transporta-os imediatamente do clímax, para a frustração de não se ter uma solução para o conflito. Ou seja, o facto de a história não ter um desfecho, pode reduzir o impacto memorável sobre quem vê o filme. Para outros espectadores, por outro lado, o fim aberto pode convidá-los a sair da sua zona de conforto, mesmo com a incerteza que acompanha as grandes mudanças, e tornar-se protagonista na construção da história de Moçambique.

Vírgula Oito é Nhinguitimo. Vírgula Oito representa a revolta de cada negro do seu espaço, que tem de trocar o seu nome, desacreditar os seus deuses, abandonar a sua cultura e perder a sua identidade.

A postura de Vírgula, associada à força do nhinguitimo e ao ribombar da trilha sonora, é tão forte que pode despertar nos espectadores o inconformismo e a ira, não apenas contra o colonialismo português, mas contra toda a forma de neocolonialismo que ainda existe.

Ficha Técnica
Título: Nhinguitimo
Realizador: Licínio Azevedo
Género: Ficção, 22 min.
Produtor: Jorge Ferrão
Co-produção: Ébano Multimédia / Mahla Filmes

O artista plástico Alberto Correia faz parte do grupo de moçambicanos, igualmente composto por Paulo Jorge, Luwi Stance, Scuarapo e Guezani, que conquitaram a primeira classificação no concurso Hotride German X Japan, organizado pela Southside Crew, na Cidade de Johanesburgo, na África do Sul.

O artista plástico conta que a pintura foi feita em 24 horas, para que o carro pudesse ser levado para o concurso.

Alberto Correia partilhou com “O PAÍS” que já tinha o projecto de pintar um automóvel, entretanto, faltava que “o corajoso” aparecesse com o carro, e foi o que aconteceu. “Da mesma forma que o músico Gilson Jamal apareceu e propôs que pintasse um saxofone, também estava à espera que aparecesse alguém com a mesma coragem para a pintura do carro. Este, obviamente, não é o primeiro carro personalizado em Moçambique, até porque Malangatana já o tinha feito, mas, no presente, queremos mostrar que é possível transmitir energias e sensações para outras pessoas através de automóveis”.

Alberto Correia conta que foi um projecto desafiador, pois tinha muito pouco tempo para o fazer. “Foi desafiador, mas também inspirador porque já há muito que queria pintar um carro. O Gazane, o dono do carro, veio pedir-me para me juntar à equipa do Tunning Vibes para que fizéssemos algo já mais feito, neste tipo de concurso. Então, pusemo-nos a pintar por 24 horas para obter um resultado fantástico”.

Depois da pintura, o carro foi levado para África do Sul para uma exposição de “carros turbinados e, artisticamente, preparados para a exposição”.
“Então, fomos destacados e ganhamos um prémio, em primeiro lugar, por termos conseguido trazer uma ideia super inovadora e diferente, como o único carro pintado a mão, neste concurso”.

Às 18 horas desta sexta-feira, a Fundação Fernando Leite Couto (FFLC) vai anunciar, em cerimónia, o vencedor do Prémio Literário Fernando Leite Couto, concurso que segue na sua sexta edição dedicada à prosa.

Ao todo, a organização do concurso recebeu 68 obras de igual número de autores, entre eles, 18 mulheres e 49 homens, provenientes de todo o país e moçambicanos a residir em Portugal e no Brasil.

Segundo a Fundação Fernando Leite Couto, em comunicado de imprensa, o júri da sexta edição do Prémio Literário Fernando Leite Couto foi presidido por Teresa Manjate (ensaísta), Gil Filipe (jornalista), Aurélio Cuna (ensaísta), Aíssa Mithá Issak (bibliotecária) e Agostinho Goenha (professor e ensaísta).

O Prémio Literário Fernando Leite Couto foi instituído em 2017 para promover e revelar novos talentos na literatura moçambicana, organizado anualmente e alternando-se entre os géneros da poesia à prosa.

O prémio que é realizado com as parcerias do Moza, Câmara Municipal de Óbidos e Câmara de Comércio Portugal-Moçambique inclui o valor monetário de 150 mil meticais, a edição e publicação da obra vencedora, uma residência literária por 30 dias na cidade de Óbidos, em Portugal, participação no Festival Literário Internacional de Óbidos, para além de outras acções e eventos de promoção e divulgação da obra a nível nacional e internacional.

Em seis anos, o Prémio Literário Fernando Leite Couto já revelou seis autores, todos eles abaixo dos 40 anos de idade, nomeadamente, Macvildo Bonde (2017), com o livro «A descrição das sombras», Otildo Justino Guido (2019), com o livro «O silêncio da pele», Maya Ângela Macuácua e Geremias Mendoso, ex-aequo, (2022), com os livros «Diamantes pretos no meio de cristais» e “Quando os mochos piam”, respectivamente e em 2023, revelou os autores Gibson João, com o livro «O Descalço [dos] Murmúrios» e Óscar Fanheiro, com «Incêndios à Margem do Sono».

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