Antigo porta-voz da RENAMO intensifica contestação à liderança de Ossufo Momade e defende que o partido não pode chegar a Novembro mergulhado na actual indefinição. António Muchanga quer a convocação urgente do Conselho Nacional e um congresso extraordinário para eleger uma nova liderança.
A crise interna na RENAMO ganhou um novo capítulo, desta vez a partir de Vilankulo, na província de Inhambane, onde António Muchanga voltou a subir o tom contra Ossufo Momade e defendeu mudanças urgentes na direcção do partido, considerando que a maior força da oposição durante décadas está a perder espaço político e, nas suas palavras, a “morrer aos poucos”. O antigo porta-voz da RENAMO quer que o partido convoque o Conselho Nacional e avance para um congresso extraordinário que permita eleger uma nova liderança, colocando Novembro como limite político para a resolução da actual crise e argumentando que qualquer adiamento poderá comprometer a preparação da formação para o próximo ciclo eleitoral.
A passagem por Vilankulo integra uma movimentação que Muchanga diz estar a realizar por diferentes pontos da província de Inhambane para mobilizar membros em torno da necessidade de reformas internas, depois de ter passado por Zavala, Morrumbene e Massinga. Em Vilankulo, município actualmente governado pela RENAMO, o antigo deputado procurou usar os resultados eleitorais alcançados pelo partido em diferentes autarquias como argumento para sustentar que existe uma distância entre aquilo que considera ser a força eleitoral da organização e o estado actual da sua liderança, afirmando que a RENAMO conquistou municípios onde acabou por não assumir a governação e que esse percurso não pode ser ignorado quando se discute o futuro da formação política.
“Viemos despertar os colegas sobre a necessidade de haver reformas que vão culminar com a realização do congresso extraordinário, onde vamos eleger nova liderança do partido”, afirmou Muchanga, defendendo que a RENAMO precisa primeiro de colocar os seus órgãos internos a funcionar regularmente e, depois, resolver a disputa em torno da liderança através dos mecanismos estatutários. Segundo o político, o Conselho Nacional deveria reunir com maior regularidade e a ausência desses encontros está a contribuir para prolongar uma crise que, no seu entendimento, já começa a afectar a capacidade do partido de se posicionar perante os principais assuntos nacionais.
A pressão de António Muchanga sobre Ossufo Momade não começou em Inhambane. O antigo deputado tem sido uma das vozes mais críticas da actual direcção e, nos últimos meses, intensificou a exigência de saída do presidente da RENAMO, acusando-o de ser responsável pelo enfraquecimento da formação. Em Maio, Muchanga voltou publicamente a defender a retirada de Momade da liderança, enquanto em Julho anunciou que pretendia recorrer à Justiça para viabilizar a realização de um congresso, acusando a direcção de atrasar o funcionamento dos órgãos internos. A disputa chegou igualmente aos tribunais depois de Muchanga ter sido suspenso pelo partido, decisão que viria a ser anulada judicialmente.
Em Vilankulo, Muchanga acrescentou agora um elemento novo à pressão política: o calendário. Na sua leitura, a RENAMO não pode entrar em Novembro sem uma definição sobre quem conduzirá o partido, porque precisa de tempo para reorganizar as estruturas e preparar-se para as próximas eleições autárquicas. O político invocou os prazos eleitorais para justificar a urgência e sustenta que prolongar a disputa interna reduzirá a margem disponível para uma nova liderança reconstruir o partido e preparar a máquina eleitoral.
É neste contexto que Muchanga dirige uma das mensagens mais duras a Ossufo Momade, defendendo que o presidente deve reconhecer que perdeu apoio dentro da organização e facilitar uma transição antes que a crise se agrave. O antigo porta-voz chegou a pedir aos membros da RENAMO em Inhambane que “orem” para que Momade reconheça aquilo que considera serem erros cometidos durante a sua liderança e aceite uma reconciliação interna, mas deixa claro que, na sua perspectiva, essa reconciliação deve passar necessariamente pela mudança no topo do partido.
“Não podemos chegar a Novembro com esta situação de indefinição dentro do partido”, advertiu Muchanga, acrescentando que é Ossufo Momade quem deve assumir responsabilidades pelo actual ambiente interno. A posição representa mais um endurecimento de uma contestação que vem sendo protagonizada por diferentes sectores da RENAMO e que já envolveu antigos guerrilheiros, quadros seniores e estruturas locais. Em Fevereiro, Muchanga e Alfredo Magumisse já tinham exigido publicamente a renúncia de Momade, acusando a liderança de estar a hipotecar o futuro da organização.
Para sustentar a necessidade de mudança, António Muchanga não limita as críticas à organização interna e acusa Ossufo Momade de manter silêncio perante alguns dos principais problemas que afectam o país. No discurso feito em Vilankulo, enumerou a violência terrorista em Cabo Delgado, a situação de moçambicanos na África do Sul, o custo de vida e o descontentamento manifestado por diferentes grupos profissionais, entre professores, profissionais de saúde e magistrados, para questionar a capacidade do actual presidente da RENAMO de se afirmar como voz da oposição.
Na avaliação de Muchanga, um partido que durante décadas ocupou o lugar de principal força de oposição precisa de ter posições claras sobre os grandes debates nacionais e o silêncio que atribui a Ossufo Momade está a contribuir para aquilo que descreve como perda de relevância política. “O nosso chefe tornou-se mudo, tornou-se surdo”, disparou o antigo porta-voz, depois de questionar a ausência de pronunciamentos públicos do líder sobre vários assuntos que considera determinantes para a vida dos moçambicanos.
A crítica ganha peso num momento particularmente delicado para a RENAMO. Depois das eleições gerais de 2024, o partido perdeu o estatuto de principal força da oposição parlamentar, mudança que aprofundou o debate interno sobre liderança, estratégia e futuro político da organização. A contestação a Momade cresceu desde então e passou a envolver manifestações de antigos combatentes e ocupações de instalações partidárias, enquanto Muchanga se consolidou como uma das figuras mais visíveis da frente que exige mudanças.
Em Inhambane, a contestação já conheceu episódios de maior tensão, com membros do partido a protagonizarem acções contra a liderança e a exigirem a saída de Ossufo Momade. É neste ambiente que Muchanga percorre a província procurando apoio para uma agenda que pretende transformar a insatisfação dispersa numa pressão organizada pela convocação dos órgãos partidários e, posteriormente, de um congresso extraordinário.
Ossufo Momade lidera a RENAMO desde a morte de Afonso Dhlakama, em Maio de 2018, tendo sido eleito presidente do partido no congresso realizado em Janeiro de 2019. Desde então, conduziu a formação em dois ciclos de eleições gerais e esteve à frente do partido durante a implementação do processo de paz e desarmamento que se seguiu ao acordo assinado com o Governo em 2019.
É precisamente o legado político da RENAMO que Muchanga coloca agora no centro da disputa. O antigo porta-voz entende que a organização corre o risco de continuar a perder influência se não renovar rapidamente a liderança, enquanto os seus pronunciamentos mostram que a contestação deixou de estar concentrada apenas na exigência de saída de Ossufo Momade e passou a apresentar uma proposta concreta de transição: Conselho Nacional, reformas internas e congresso extraordinário para escolher quem deverá conduzir o partido.
A batalha que se desenha dentro da RENAMO será, por isso, tanto sobre Ossufo Momade quanto sobre o modelo de partido que emergirá da actual crise. Muchanga quer uma decisão antes de Novembro e percorre estruturas partidárias à procura de apoio para forçar essa mudança, enquanto o calendário político continua a avançar e reduz o tempo disponível para a reorganização pretendida pelos contestatários.
Em Vilankulo, a mensagem foi inequívoca: para António Muchanga, a RENAMO já não tem tempo apenas para discutir a crise, precisa de decidir quem a vai liderar para sair dela.
Durante o primeiro semestre de 2024, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) diz que registou pelo menos 15 raptos, porém, poucos foram esclarecidos. À margem do Economic briefing, Agostinho Vuma, presidente da CTA, mostrou-se insatisfeito com o nível de resposta aos raptos.
“Registamos, com profunda preocupação, que desde o surgimento deste fenómeno no ano de 2011, houve um cumulativo de mais de 250 casos de raptos e sequestros, maioritariamente, para empresários e os seus parentes, dos quais poucos foram esclarecidos”, disse Agostinho Vuma.
Sobre a exportação de capitais do presidente da CTA diz que não se tem mostrado uma saída viável, visto que, “a maioria das vítimas, apesar da sua origem asiática, são moçambicanos de gema, portanto, sem opções, nem interesse em abdicar da sua nacionalidade ou mesmo dos seus investimentos no país”.
Devido a situação de raptos, segundo avançou, o CTA tem desenvolvido, junto com o Governo, acções de advocacia, “, juntando todas as associações empresariais com interesse directo nesta matéria, o que resultou na produção de uma série de propostas de solução para erradicar este grande mal no seio da nossa sociedade”.
Das soluções propostas, o presidente do CTA destacou a imperiosidade do reforço de medidas estratégicas e do sistema de Segurança Nacional, aliado ao reforço de medidas táticas e operativas, particularmente, unidades especiais das Forças de Defesa e Segurança.
De referir que, na manhã de hoje, o SERNIC apresentou uma quadrilha, encabeçada pela ex-sogra de Nini Satar que estaria por trás dos raptos, na mesma operação, duas vítimas foram resgatadas e voltaram ao convívio familiar.
O antigo bastonário da Ordem dos Advogados, Gilberto Correia, diz que o ministro do Interior, Pascoal Ronda, foi infeliz ao desafiar a Comunidade Islâmica a apresentar provas de que há governantes envolvidos nos raptos. Correia entende que deve haver vontade política para acabar com o crime.
O antigo bastonário da Ordem dos Advogados começou por explicar que os pronunciamentos do ministro do Interior, Pascoal Ronda, desvalorizam a preocupação de um grupo que se sente inseguro com o agravamento dos raptos sem quaisquer esclarecimentos.
“Para mim, foram declarações muito infelizes de um político que tem responsabilidades na área de investigação e protecção de crimes, sobretudo os graves, e, de alguma forma, ele tenta desvalorizar algo que devia ser levado a sério, à semelhança de muitas outras percepções que, depois, foram confirmadas”, disse Gilberto Correia, defendendo que Pascoal Ronda não devia orientar a Comunidade Islâmica a apresentar provas de que há governantes envolvidos nos raptos, mas sim garantir segurança e esclarecer os casos havidos.
“Para situações desta natureza, os cidadãos não têm de apresentar provas, mas sim a sua percepção sobre o que se está a passar. O ministro devia ter dito que valoriza e que irá abrir uma investigação para averiguar se há envolvimento de governantes moçambicanos no crime de raptos. Porém, o senhor ministro sabe que há pessoas que têm essas provas, mas que têm medo, porque não confiam na polícia que ele dirige.”
Para Gilberto Correia, não restam dúvidas de que o aumento dos raptos se deve à falta de vontade política.
“Houve situações em que era possível trazer tecnologia de fora, chamar a cooperação internacional. Sentiu-se que o Governo não quis, não facilitou, porque, provavelmente, há conflitos internos e que podem levar a descobertas que colocam em causa todo o poder político. O poder político tem de decidir de uma vez por todas que combater os raptos, com todos os meios ao seu alcance, é uma prioridade do Estado moçambicano.”
O antigo bastonário da Ordem dos Advogados sugere que se busque, igualmente, ajuda externa para combater os raptos.
A Lei Eleitoral, revista na semana passada pelo Parlamento, obriga a presença de observadores e da comunicação social em todo o processo de apuramento de resultados do escrutínio. Os resultados na mesa de voto só podem ser validados na presença de todos os membros da mesa.
Na última quinta-feira, as bancadas da Frelimo e Renamo decidiram unir forças para um propósito em comum: retirar da Lei Eleitoral anteriormente aprovada por consenso, porém devolvida para reexame pelo Presidente da República, a atribuição aos tribunais de distrito do poder de mandar recontar votos, em caso de comprovada existência de ilícito eleitoral.
Afinal, que novidades traz a nova Lei Eleitoral?
Foram, ao todo, 33 artigos revistos, que, entre outros, determinam a obrigatoriedade do uso de urnas transparentes, consultar os membros da mesa antes de chamar a polícia no posto de votação e a obrigatoriedade de fixação de edital no local de votação.
O número dois do artigo 52, por exemplo, determina que a validação da votação e dos resultados do escrutínio (…) tem lugar quando os demais membros não tiverem sido excluídos, expulsos pela força policial com a finalidade de impedir a presença dos demais membros da mesa, salvo nos casos expressamente previstos na presente lei.
Para garantir a transparência do processo, a lei obriga, no artigo 54, que “as urnas a serem utilizadas no processo de votação devem ser transparentes, com uma ranhura que permite a introdução de um único boletim de voto por eleitor”.
No processo de contagem dos votos, também há novidades. O artigo 101, por exemplo, autoriza a presença de observadores e da comunicação social durante o acto de apuramento dos resultados.
Mas não é tudo. As irregularidades detectadas na mesa de votação, que foram razão de conflitos também beneficiaram de inovações, tal como se pode ler no artigo 232, que determina que “o membro da mesa da assembleia de voto que, injustificadamente, se recusar a receber reclamações, protestos ou contraprotestos escritos pelo delegado de candidatura da respectiva mesa, é punido com pena de prisão até um ano e multa de quatro a cinco salários nacionais.
Ademais, o artigo 236 desta lei determina que “aquele que impedir a entrada ou saída de qualquer mandatário ou delegado das candidaturas na mesa da assembleia de voto ou que, por qualquer modo, tentar opor-se a que eles exerçam todos os poderes que lhes são conferidos pela presente lei, é punido com pena de prisão de até seis meses e multa de três a seis meses de salários mínimos nacionais”.
Espera-se que estas alterações melhorem o tratamento dos ilícitos eleitorais que forem registados no dia 9 de Outubro.
Vive-se uma crise de confiança em Moçambique, sobretudo em relação às instituições do Estado. O alerta é de analistas, que sugerem estudos específicos para compreender melhor o problema.
Não é de hoje a denúncia de falta de confiança nas instituições do Estado no país. Porém, nos últimos dias, essas reclamações subiram de tom, e o principal alvo têm sido as instituições ligadas à justiça.
Em menos de um mês, foram três as intervenções de membros da Comunidade Islâmica, principal grupo afectado pela onda de raptos no país. O grupo reclamou da falta de soluções para o problema, mas, sobretudo, da “falta de vontade” por parte das autoridades de justiça para estancar o fenómeno, o que gerou insegurança e desconfiança.
Além disso, falta confiança até nas instituições financeiras, facto que tem incentivado alguns empresários a manterem elevadas somas de dinheiro fora do sistema bancário nacional.
O comentador Hélder Jauana não tem dúvidas de que se vive uma crise de confiança no país, e com sérias consequências. “Cria-se uma situação de caos total, mas a sociedade, qualquer que seja, democrática ou não, faz-se de confiança. Quando não há confiança, tu tens uma situação que vai gerar um Estado de natureza, em que o mais forte vai fazendo e desfazendo, vai humilhando, vai tirando tudo o que pode e aquele que é mais fraco sucumbe.”
Jauana entende que uma das saídas para que se saia da crise passa por reconhecer a existência da crise, para depois resolver o problema, e este deve ser o papel do Governo.
O também comentador Borges Nhamirre acrescenta que fazer estudos para medir o nível de satisfação e confiança nos moçambicanos também pode ajudar a resolver o problema da confiança entre quem governa e quem é governado.
“O Governo deve assumir o problema e instituições como o INE deve tomar a dianteira e fazer estudos para ver qual e o nível de confiança que há no ensino superior, qual e o nível de confiança que o mercado tem com estudantes formados no ensino superior público em Moçambique, qual é o nível de confiança que o cidadão tem na saúde pública convencional, até para garantir que as pessoas vão ao hospital quando estão doentes e não recorram a medicina tradicional”, explicou Nhamirre.
Os comentadores falavam no programa Noite Informativa desta segunda-feira.
A segunda série da Temporada de Música Clássica 2024 decorre nos dias 16, 17, 18 e 22 deste mês de Agosto, na Cidade de Maputo, concretamente no Centro Cultural Moçambique-China, Montebelo Indy Congress Hotel e Biblioteca Nacional de Moçambique.
Nesta segunda edição, o Xiquitsi contará com a participação do renomado Quarteto de Cordas de Matosinhos, que visita Moçambique pela primeira vez e junta-se à Orquestra Xiquitsi para interpretar obras de F.Mendelssohn, F. Schubert ,Vila – Lobos e Benjamin Britten.
Nesta série, a talentosa Maya Egashira promete, segunda uma nota de imprensa, emocionar a todos com a sua interpretação única. Além disso, os alunos do Xiquitsi, Alexandre Munguambe e Khanyile Dimande também trarão toda a sua paixão e dedicação à música para partilhar com o público.
Assim, nos dias 16 e 17 de Agosto, às 19:00 horas, acontecerá a “Noite Clássica”, dois concertos com repertório diferente, no Centro Cultural Moçambique-China.
No dia 18 de Agosto, está marcado o interactivo “Concerto para Pais e Filhos”, às 16:00 horas, no Montebelo Indy Congress Hotel. A entrada será gratuita, proporcionando a oportunidade de desfrutar da música clássica em família.
E para encerrar com chave de ouro, está programada a “Noite Fora de Série”, a 22 de Agosto, às 19:00 horas, na Biblioteca Nacional de Moçambique. Este será um evento de Latin Jazz com entrada livre e uma oportunidade imperdível para apreciadores deste género musical.
Refira-se que o Xiquitsi ambiciona levar o ensino da música para todo o país e isso já está a acontecer através do projecto “Cantate”, nas províncias de Nampula, Cabo Delgado e a seguir em Niassa.
O escritor Eduardo Quive vai participar numa iniciativa pan-africana, entre 12 e 22 deste mês de Agosto, em Abauri, no Gana. O evento é liderado pela escritora Chimamanda Ngozi Adichie.
De acordo com uma nota de imprensa, a Canex Creative Writing Workshop convidou o escritor e jornalista Eduardo Quive a participar da iniciativa pan-africana que reúne criativos e investidores do continente a fim de criar um ecossistema sustentável para as indústrias culturais e criativas.
“Liderada por Chimamanda Ngozi Adichie, a oficina vai reunir cerca de 20 escritores de origem africana e caribenha que vão integrar o workshop de escrita criativa que vai incluir profissionais da área jurídica e empresarial que fornecerão informações valiosas sobre os aspectos jurídicos e comerciais da profissão de escritor”, lê-se no comunicado de imprensa.
Na mesma fonte, lê-se que Eduardo Quive encontra-se entusiasmado em integrar a equipa de escritores: “este workshop tem a profundidade de incluir a componente que nós, os escritores, não gostamos: encarar a escrita como trabalho e, como tal, termos de ser remunerados de alguma forma. E a forma clássica de remuneração, na escrita, são os direitos autorais, os contratos editoriais. Isso leva-nos para outras questões relacionadas ao próprio livro e tudo o que se pode desenvolver à volta. Penso que é por isto, sobretudo, que tenho a vontade de estar neste encontro. E depois vem outro elemento importante, a ligação com o nosso continente. São poucas oportunidades que nos juntam entre africanos, na nossa diversidade e complexidade. Vai ser bom encontrar e conhecer autores africanos e por via disso traçar possíveis rotas de mobilidade para as nossas obras”, disse.
Canex é uma plataforma de apoio às indústrias culturais e criativas africanas (ICC), um programa criado pelo Banco Africano de Exportação e Importação, Afreximbank, em apoio às ICC, em África, que foi especificamente concebido para os criadores africanos, para lhes permitir rentabilizar os seus conteúdos no panorama digital.
O Workshop de Escrita Criativa da Fábrica de Livros Canex colabora com a Fundação James e Grace Adichie e com a Narrative Landscape Press Limited para oferecer este workshop dedicado à arte da prosa. Como parte da iniciativa mais ampla da Fábrica de Livros Canex que se dedica a destacar a cadeia de valor do livro em África, o workshop irá apoiar e desenvolver o talento literário em África e na sua diáspora bem como se tornar um espaço de partilha, discussão e troca de soluções para incentivar os criativos a encontrar formas inovadoras de melhorar os seus rendimentos e fazer crescer as suas carreiras.
Os distritos de Guro, Vandúzi e Tambara, em Manica, receberam, recentemente, ambulâncias para facilitar o acesso aos serviços de saúde e transporte de doentes. Na ocasião, Francisca Tomás, governadora da província, prometeu, sem avançar datas, entregar ambulâncias também aos distritos de Macate e Báruè.
Além de ambulâncias, os três distritos receberam, cada um, uma motorizada. Já as restantes nove foram alocadas aos distritos de Macate, Manica, Báruè, Gondola, Mossurize, Sussundenga, Machaze e cidade de Chimoio.
A governadora de Manica, que fez a entrega, apelou para o bom uso dos meios e reiteirou que são para a servir “exclusivamente” as comunidades.
“Os meios vêm reforçar a frota de viaturas existentes na província, com o objectivo de prover melhor assistência sanitária à população. Queremos que saibam que estes meios resultam dos esforços do Governo e que deverão ser usados para os fins a que estão destinados. Conservem os meios e façam a devida manutenção, sempre que necessário, disse Francisca Tomás.
Inês Boane, directora de Saúde em Guro, assegurou que a ambulância e motorizada recebidas no seu distrito já eram necessárias, uma vez que tinahma apenas uma que não era suficiente.
“Tinhamos uma que usavamos para transfeirir os pacientes. Mas assim que temos a segunda ambulância, vai fazer face as nossas actividades”, referiu.
Amadeu Mpuana, director de saúde em Gondola, também disse que os meios serão importantes, sobretudo nas zonas mais longínquas. “Vai ajudar o nosso serviço de campo, sobretudo na prevenção de doenças, com maior enfoque para as doenças diareicas e a malária, e vai ajudar na deslocação para as zonas mais recônditas”.
Nos próximos dias, mais duas ambulâncias serão alocadas a dois hospitais distritais de Macate e Báruè.
A província de Manica conta com um universo de 2,4 milhões de habitantes e tem 146 hospitais, seis dos quais são distritais.
O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos manifestou, hoje, sua preocupação em relação às detenções arbitrárias, na Venezuela. A ONU diz que o país vive “um clima de medo”, pois “muitas pessoas estão a ser detidas, acusadas de incitamento ao ódio, ao abrigo da legislação antiterrorista”.
Através de um comunicado, o alto comissário das Nações Unidas, Volker Turk, advertiu que “o direito penal nunca deve ser utilizado para restringir indevidamente os direitos à liberdade de expressão, de reunião e de associação”.
O aviso surge um dia depois de o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ter exigido que os serviços do Estado atuem com “mão de ferro”, na sequência dos distúrbios que eclodiram após o anúncio da sua reeleição.
Encerrou oficialmente na noite de domingo a trigésima terceira edição dos jogos olímpicos de Paris, com os Estados Unidos a levarem para casa 126 medalhas, seguido da china com 91. Quênia conseguiu 11 molhadas e é a melhor nação africana.
Caiu o pano e desligaram-se as luzes da trigésima terceira edição dos Jogos Olímpicos de Paris. Entre Stade de France e as ruas de Paris, assistiu-se à gala de encerramento com os atletas a levarem o destaque.
Tal como foi na abertura, a música milenar que transcende os séculos fez-se presente, mas foi o momento da união dos aneis olímpicos que esquentou a festa que juntou mais de setenta e cinco mil e quinhentos espectadores, dos quais 9 mil atletas.
No Stade de France, desfilaram todas as 206 nações, incluídos os medalhados nas diversas modalidades que tiveram lugar durante os 15 dias. Com 126 medalhas, os Estados Unidos de America sagraram-se campeões de Paris, levando para casa 40 de ouro, 44 de prata e 42 de bronze. Na lista segue a República da China com 91 medalhas, e Japão em terceiro lugar com 45 medalhas.
A República do Quénia é a melhor nação africana com mais medalhas, ocupando a décima sétima posição na classificação olímpica com 11 medalhas, das quais 4 de ouro, 2 de prata e 5 de bronze. África do Sul, Etiópia, Botswana e Uganda, são outras nações africanas que preencheram o cesto continental com 39 medalhas.
No seu discurso, o presidente do comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, descreveu a edição 33 como fantástica.
“Caros colegas olímpicos, os vossos desempenhos foram espantosos. Competiram ferozmente uns contra os outros, cada competição no limite da perfeição. Sabemos que os Jogos Olímpicos não podem criar a paz, mas os Jogos Olímpicos podem criar uma cultura de paz que inspire o mundo.”
A famosa bandeira olímpica de cinco aneis foi entregue à cidade-sede das olimpíadas de 2028, Los Angeles, nos EUA, um momento solene e bastante aplaudido.