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A Fundação Joaquim Chissano quer afirmar-se como uma plataforma de reflexão, diálogo e construção de consensos para contribuir na resposta aos principais desafios de Moçambique. A instituição pretende reunir Governo, sector privado, academia, sociedade civil, parceiros internacionais e cidadãos na procura de soluções para questões relacionadas com a paz, o desenvolvimento sustentável, a governação, a inclusão social e a produção de conhecimento, num contexto em que considera que os problemas actuais exigem respostas colectivas e não acções isoladas.

Esta visão está consagrada no Plano Estratégico 2026-2035, documento que orientará a actuação da Fundação durante os próximos dez anos e que parte da convicção de que Moçambique enfrenta uma nova realidade, marcada por profundas transformações políticas, económicas, tecnológicas e sociais. A instituição entende que os desafios nacionais estão cada vez mais ligados às mudanças que ocorrem no mundo, desde os efeitos das alterações climáticas até à rápida evolução da inteligência artificial, passando pelos conflitos armados, violência, criminalidade transnacional e crescentes exigências da juventude africana por oportunidades, participação e dignidade.

Perante este cenário, a Fundação considera que é necessário criar espaços permanentes de diálogo, reflexão e produção de conhecimento que permitam aproximar diferentes sensibilidades e construir soluções sustentáveis para o desenvolvimento do país.

“Nenhuma tarefa desta envergadura pertence, por exemplo, exclusivamente ao Governo, ao sector privado ou à sociedade civil em separado. Pelo contrário, as respostas a estes desafios são responsabilidades partilhadas”, defendeu o presidente do Conselho de Administração da Fundação, Joaquim Chissano, sublinhando que apenas uma actuação articulada permitirá alcançar resultados relevantes para o país.

A estratégia da Fundação assenta precisamente nessa lógica de complementaridade. A organização deixa claro que não pretende assumir funções que competem ao Estado, mas contribuir para fortalecer o ambiente de diálogo e cooperação entre os diferentes actores nacionais.

“Não procuramos substituir o Estado. Queremos complementá-lo. Não pretendemos falar em nome da sociedade. Queremos trabalhar com ela, para ela e por ela”, afirmou Joaquim Chissano, acrescentando que a ambição da instituição passa por criar condições para que os cidadãos participem activamente na construção de um ambiente pacífico e democrático.

O plano identifica igualmente o capital humano como o principal recurso estratégico de Moçambique. Para a Fundação, o futuro do país dependerá menos da abundância de recursos naturais e mais da capacidade de valorizar as pessoas e criar oportunidades para o seu desenvolvimento.

“O nosso maior activo estratégico não são os nossos recursos minerais, nem o gás, nem a posição geográfica, mas sim são as pessoas”, afirmou Joaquim Chissano, destacando o papel desempenhado pelos jovens, mulheres, professores, profissionais de saúde, agricultores, empreendedores, trabalhadores do sector informal, funcionários públicos e membros das forças de defesa e segurança na construção do país.

Segundo o antigo Chefe de Estado, será precisamente este capital humano que estará no centro da intervenção da Fundação ao longo da próxima década, procurando reforçar a paz, estimular o desenvolvimento e consolidar uma cultura de participação e inclusão.

A construção da paz constitui, aliás, um dos principais eixos estratégicos do documento. A Fundação manifesta preocupação com o crescimento da violência em diferentes dimensões da sociedade, com especial incidência sobre mulheres e raparigas, considerando que este fenómeno representa uma ameaça ao desenvolvimento e à democracia.

No seu discurso, Joaquim Chissano defendeu que a violência baseada no género deve deixar de ser encarada como um problema exclusivamente das vítimas, apelando a uma mobilização colectiva para a sua erradicação.

“Chega! Precisamos de sair do lugar do problema e ir para o lugar da solução”, afirmou, acrescentando que “a paz é o maior investimento para o desenvolvimento e o bem-estar de todas as cidadãs e de todos os cidadãos”.

O antigo Presidente fez igualmente questão de sublinhar que a instituição deve ser entendida como um património colectivo e não como um projecto pessoal.

“A Fundação Joaquim Chissano não é de Joaquim Chissano. É uma Fundação com o nome dele. A Fundação é vossa”, declarou perante os convidados, apelando para que todos assumam a organização como um espaço de participação e construção colectiva.

Estas posições foram apresentadas esta quinta-feira, em Maputo, durante a cerimónia de lançamento do Plano Estratégico 2026-2035 da Fundação Joaquim Chissano, realizada sob o lema “Congregar sinergias para um mundo de paz”, que reuniu representantes do Governo, corpo diplomático, sector privado, academia, organizações da sociedade civil e parceiros de cooperação.

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No passado sábado, o artista plástico Aldino Languana foi eleito novo Presidente da Associação Núcleo de Arte. Nas eleições que duraram seis horas, das 10h às 16h, a Lista B, presidida por Languana, venceu com um total de 42 votos contra 8 da Lista A, presidente pelo artista Micas. O outro voto foi considerado nulo.

Para Aldino Languana, ser eleito Presidente do Núcleo de Arte constitui a realização de um sonho, porque se trata de uma instituição artística especial e centenária, que neste 2024 completa 103 anos de existência. Por isso mesmo, o recém-eleito presidente tem a pretensão de dar um novo vigor a uma das principais instituições artísticas do país, isto é, criar condições favoráveis para que os artistas e os seus projectos sejam valorizados. “Pretendemos reerguer o Núcleo de Arte, porque achamos que, neste momento, se encontra moribundo. Nós fornecemos artistas às principais galerias do país, mas a nossa instituição, aparentemente, está esquecida. Temos de reverter o cenário e valorizar a nossa casa”, disse Aldino Languana, comprometendo-se em dar visibilidade às actividades e a própria instituição.

A Lista B, vencedora das eleições no Núcleo de Arte, inclui Aldino Languana (Presidente), Saranga (Vice-Presidente), Carlos Jamal (Tesoureiro), Matxakhosa (Secretário), Zamba (Presidente da Mesa da Assembleia), João Tovela (Primeiro-Secretário), Raul Ganda (Segundo-Secretário). Já André Mathe assume a função de Presidente do Conselho Fiscal.

Para o mandato de dois anos, Aldino Languana vai trabalhar com dois membros que presidiram o Núcleo de Arte noutras ocasiões, nomeadamente, André Manthe e Carlos Jamal: “Resgatamos os que já presidiram o Núcleo para formar uma equipa forte”, assegurou Languana, prometendo que a primeira iniciativa a implementar é uma página web que vai favorecer a promoção do artista e das artes moçambicanas ao nível nacional e internacional.

Reagindo ainda em relação à eleição, Aldino Languana assumiu que pretende contribuir para tornar o mercado artístico dinâmico em Moçambique e, simultaneamente, criar condições para que os artistas nacionais apresentem os seus trabalhos em grandes galerias internacionais.

Mesmo sem ter tomado a posse, Aldino Languana e a sua equipa já preparam a primeira exposição no Núcleo de Arte, que será de Gonçalo Mabunda. A ideia consiste em levar à sala de exposições do Núcleo de Arte os grandes mestres que se forjaram naquela instituição.

Na função de Presidente do Núcleo de Arte, Aldino Languana substitui Celestino Mudaulane.

Aldino Dinis Languana, de nome artístico Languana, nasceu a 20 de Fevereiro de 1972, em Maputo. Começa a desenhar para se distrair, o que considera primeiros passos da descoberta da sua carreira artística. De 1990 a 1991, frequenta o Atelier Arco-íris onde começa a sua formação artística com o mestre Noel Langa. A partir daí, passa por vários diferentes ateliers, designadamente, o de Vítor Sousa (5 anos), Neto, Carlos Martins (10 anos), Massunga, João Tinga e Samate, onde, trabalhando com cada um desses artistas, enriquece o seu conhecimento técnico nas diferentes modalidades da pintura.

Formado em Ciências Sociais pela Universidade Aberta de Lisboa, em 2007, continua, contudo, a dedicar-se à arte, em aguarela sobre papel. Ainda em 2007, frequenta o curso de pintura em aguarela, em acrílico e em óleo, ministrado pelo professor Ulisses, na Escola Eugénio de Lemos.

Realizou diversas exposições colectivas e individuais, recebeu prémios, foi produtor e realizador cinematográfico e orientou oficinas de pintura e palestras em Moçambique e no estrangeiro. No seu portefólio, constam várias exposições individuais e colectivas.

 

O Presidente do Parlamento Juvenil, David Fardo, exorta aos partidos políticos e candidatos que ganharem eleições a cumprirem as promessas feitas aos jovens durante a campanha. Fardo exige melhores condições na educação, na saúde, mais empregos e habitação. 

Faltam nove dias, contados a partir desta segunda-feira, para os moçambicanos votarem nos próximos dirigentes do país. 

Esta segunda-feira, o Instituto para Democracia Multipartidária (IMD) organizou uma reflexão sobre a inclusão das preocupações dos jovens nos manifestos.

“Entendemos que os partidos políticos, ao elaborarem os seus manifestos, tiveram alguma sensibilidade em incluir aspectos e prioridades da juventude, mas, também, notamos que essas prioridades foram colocadas de uma forma subtil, não foram bastante aprofundadas ” apontou Víctor Fazenda, gestor de projectos no IMD.

Como em todos os outros ciclos eleitorais, os jovens têm sido mais envolvidos na divulgação dos manifestos eleitorais dos partidos, daí que o Presidente do Parlamento juvenil exige o cumprimento das promessas eleitorais. 

“A dada altura, tudo quanto nós queremos é que, enquanto partidos vencedores, depois das eleições que se avizinham, sejam aqueles que possam ter um comprometimento daquilo que são as principais agendas e demandas elencadas nos seus manifestos”, disse David Fardo.

E acrescentou: “temos jovens, hoje, que com nível de licenciatura, alguns deles acabam sendo agentes de carteiras móveis, acabando por aceitar empregos que não são proporcionais à sua área de formação. Nós queremos ver os manifestos dos partidos políticos a respeitarem ou a responderem a questão de acesso à habitação para a juventude. Olhamos, também, para mais direitos como a saúde, transporte, vias de acesso condignas e governação inclusiva” .

Por meio disso, os partidos políticos dizem conhecer os problemas dos jovens e prometem resolvê-los.

“A juventude sempre esteve no centro da governação da Frelimo e, nestes próximos cinco anos, não será diferente. Há uma agenda totalmente virada para os jovens, há, também, uma série de reformas políticas, económicas e sociais ao nível do projecto de governação, para atender os jovens” expressou-se Jaide Madeira, em representação ao partido Frelimo. 

A Renamo promete criar melhores condições de emprego, tendo em conta a abundância de recursos minerais no país. 

“Temos tantos recursos, mas o nosso Governo não está focado em formar jovens para que possam responder aquilo que é a demanda do mercado. Temos um sistema de educação totalmente fragilizado, e é por isso que nós queremos capacitar os jovens para mudar esse cenário” disse Fernando Fernandes em representação a Renamo.

Uma opinião partilhada pelo MDM, que quer melhorar a educação.

“Queremos, igualmente, antes de falar de emprego, apresentar aos jovens aquilo que são as ideias sobre a questão da formação técnico profissional, nós queremos garantir que todos os jovens aprendam a saber fazer” afirmou. 

O partido PODEMOS, por sua vez, promete criar um Governo maioritariamente de jovens para mudar o destino do país. 

“Nós temos os jovens como os pilares e motores para desenvolver Moçambique, ou seja, além de ser a nossa força motriz, o jovem é que tem o pensamento vibrante, é que tem a força e é o dono do destino deste país” afirmou Ananias Mausse, em representação ao partido PODEMOS. 

A mesa redonda contou com a presença de vários partidos políticos, e organizações da sociedade civil. 

Os órgãos de apoio da Comissão Nacional de Eleições (CNE) estão sem subsídios há cerca de quatro meses. A informação é do  vice-presidente da CNE, Fernando Mazanga, que revelou que a situação é mais grave para os órgãos em nome do Governo que estão há seis meses sem os seus ordenados.

O número dois da Comissão Nacional de Eleições diz que a situação verifica-se em todos os distritos do país, o que perfaz um universo de cerca de 2300 pessoas sem o subsídio. 

Por isso, descreve a situação como “grave” e “maquiavélica” é proposital, pois o governo, através do Ministério da Economia e Finanças que é quem deve fazer o pagamento, tem pleno conhecimento disso. 

“Isso visa, essencialmente, fragilizar os órgãos de apoio tornando-os vulneráveis e, desta forma, poderem ser susceptíveis a quaisquer tipo de suborno e corrupção. Estou bastante triste com o Governo que não está a disponibilizar o dinheiro, e as pessoas pensam que o problema está na Comissão Nacional de Eleições, mas não”, desabafou. 

Mazanga diz que os problemas iniciaram em Novembro do ano passado e que já foram feitos encontros até com o Primeiro-Ministro, Adriano Maleiane,  mas até aqui nada foi feito, o que considera um grave problema, principalmente num ano eleitoral. 

Mas tudo isso, conforme disse, está a acontecer porque há uma “mão externa a conduzir a CNE”, o que viola completamente a lei, pois este deveria ser um órgão independente. 

O vice-presidente diz que o problema da falta de independência da CNE viu-se na  formação dos órgãos de apoio para o apuramento. É que a formação que devia ter sido de três ou quatro dias foi apenas de três horas por falta de condições nalguns

locais.

“O problema está na disponibilização de meios por parte do Ministério da Economia e Finanças, que está sempre com curvas e contracurvas, que no fim ao cabo resulta em nada e isso é complicado com aquilo que é a pretensão do órgão de ser independente e isso não depende de nós”, referiu, acrescentando que parte destes problemas são gerados também por “elefantes brancos” que existem na CNE.  

Mazanga garante que o material de campanha já está a ser distribuído, entretanto, foi produzido a título de crédito e por adjudicação directa, pois ainda não há dinheiro disponível para pagar. 

“O País” contactou o Ministério da Economia e Finanças que não quis dar entrevista, mas uma fonte desta instituição reconheceu o problema e garantiu, sem avançar datas, que os pagamentos aos órgãos de apoio serão feitos nos próximos dias.

Entrar e sair do terminal do Zimpeto continua um grande problema para os automobilistas, que dizem perder mais de 30 minutos no exercício, devido a má concepção das vias e degradação nas proximidades. Ademais, o parque do Zimpeto tem sido invadido por construções de lojas. 

Sair e entrar no terminal de transporte público de Zimpeto continua um grande desafio, 12 anos depois da concepção da infraestrutura. Construído em 2012 pelo município da cidade de Maputo, o parque acolhe mais de 15 rotas de transporte, e mais de 12 mil passageiros diários, e as dificuldades no acesso ao local, deixam agastados os automobilistas.

É muita ginástica que fazemos para entrar e sair do parque do Zimpeto. Tem água estagnada por aqui, além da degradação em algumas vias”, lamenta  Henrique Alberto, Transportador da Rota Muhalaze- Zimpeto.

Devido a má situação das vias que dão acesso ao terminal do zimpeto, os automobilistas dizem averbar danos mecânicos sem precedentes. Recentemente a entrada principal de acesso ao parque, beneficiou de uma reabilitação,facto que esperava-se minimizaria a situação, entretanto, os automobilistas dizem continuar a perder muito tempo para entradas e saídas no parque.

Além das vias e lombas mal concebidas, há águas que inundam a via e criam um cenário de imundície para a lamentação de quem desenvolve comércio nas proximidades. 

“É só ver que ao longo da via está cheio de águas, que saem das foices (…) creio que a tal dita reabilitação daquela entrada não mudou quase nada. Fecharam os tubos que conduzem às águas negras e o lixo sai do outro lado, com isso chegamos a perder mais de quarenta minutos a uma hora de tempo, neste exercício”, queixa-se Filipe Moiane, outro transportador semi colectivo de passageiros.

Os que por ali passam diariamente, apontam o dedo ao município da cidade de Maputo que continua a fazer “vista grossa” perante as anomalias causadas por desconhecidos. Para os munícipes, a edilidade pode exigir explicação aos desconhecidos que conduzem águas negras até ao local. 

Sergio Nhanca desenvolve suas actividades comerciais nas proximidades da via que liga o terminal e a Estrada Nacional Número 1 (EN1), e relata o drama vivido no local. “Estamos a passar mal e pedimos socorro por essa situação. Nós comemos aqui. Nem para engolir uma coisa não conseguimos por conta do cheiro nauseabundo criado pela concentração das águas negras”.   

Em 12 anos, o parque do Zimpeto conheceu outras mudanças, além da degradação das vias de acesso e valas ao seu redor. No local é possível ver obras em lugares que a edilidade havia assegurado que seria usado para estender o terminal de chapas.

O Jornal O País tentou, sem sucesso, contactar o município de Maputo para explicações sobre as obras que estão a ser erguidas nas proximidades do terminal do Zimpeto.

Papa Francisco apela para um cessar-fogo imediato no Líbano e condena a guerra no Médio Oriente, com efeitos devastadores sobre a população.

Falando após uma missa que celebrou em Bruxelas, Francisco pediu que as partes acordem um cessar-fogo imediato no Líbano, em Israel e em toda a Palestina, para facilitar a ajuda humanitária.

E, por ocasião do Dia dos Migrantes e Refugiados, o Papa renovou o seu apelo a que o fenómeno da migração seja considerado uma oportunidade para crescer em fraternidade.

Esta segunda-feira, no Hotel Indy Village, Cidade de Maputo, membros do Governo, representados pelos Ministério da Saúde, Educação, Género, Interior, Justiça, e Organizações da Sociedade Civil e parceiros de cooperação, vão debater sobre os grandes desafios para a oferta dos serviços de aborto seguro.

Segundo um comunicado de imprensa, a sessão de debate vai incluir abordagem a questões relacionadas ao transporte de medicamentos abortivos às unidades sanitárias.

Além do debate em si, serão distinguidas algumas figuras emblemáticas na defesa dos Direitos Sexuais e Reprodutivos, com especial enfoque para o aborto seguro.

Durante o evento, promovido pela Rede de Direitos Sexuais e Reprodutivos (DSR), serão abordados os desafios organizativos, técnicos e logísticos para o acesso pleno aos serviços de aborto seguro em Moçambique.

A actividade insere-se nas comemorações do dia 28 de Setembro, Dia Mundial do Aborto Seguro, sob lema “Solidariedade nos Desafios que persistem na oferta de Serviços de Aborto Seguro”.

Só no ano passado, foram mais de 850 casos diagnosticados no Hospital Central de Nampula, número que representa aumento em cerca de 100%, se comparado a 2021. A gastrite não tem cura e há que devem ser evitados, porque pioram a doença.

Começou com um quadro de dor ardente no estómago sempre que consumia determinados alimentos. Júlia Leonor reporta esse quadro desde 2020. 

“Dói-me o peito, como se estivesse a aquecer por dentro. Principalmente quando como arroz, feijão manteiga, salada de alface e de repolho”.  

Moisés Firmino é outro paciente que reporta o mesmo quadro clínico: “existem alguns alimentos que provocam esse problema depois de consumir. É o caso de refrigerantes, água gelada, feijões e arroz”.

O relato dos dois pacientes sugere tratar-se de gastrite, mas a confirmação definitiva só pode ser feita por um especialista em gastroenterologia – especialidade médica que cuida do sistema digestivo. 

“O estômago é como se fosse uma bola. Tem uma cavidade interna que chamamos de mucosa e é ela que fica afectada quando temos gastrite. A ferida [no estômago] é outra situação – aí já estamos a falar de úlceras. A gastrite pode ter um padrão de inflamação e pode ter um padrão de erosão que ocorre da descontinuidade ao nível da camada que protege o estômago, a mucosa, neste caso, enquanto que a úlcera é uma depressão que ocorre como complicação da gastrite. Então, o processo, sempre, inicia como uma gastrite”, explica Roqueia Combana, médica gastroenterologista.    

Em mais uma consulta com a médica gastroenterologista, Júlia apresenta os resultados das análises a que foi submetida e, para a sua sorte, não se trata exactamente de gastrite.

“Pedimos exames laboratoriais e não apresenta nenhuma alteração. Uma das suspeitas que tínhamos era de uma infecção pelo “helicobacter pylori” que é uma das principais causas da gastrite, mas no caso dela não tem esta infecção. Neste caso, tem um tratamento conservador que são as medidas gerais. Aconselhamos a ter uma dieta adequada para pacientes com gastrite”.

Dependendo do quadro clínico do paciente, são realizados exames com recurso à torre endoscópica. “Por meio deste procedimento nós diagnosticamos, visualizamos as alterações e também podemos tratar algumas situações. Por exemplo, se o paciente tiver uma úlcera ao nível do estômago que é uma das complicações da gastrite é possível fazer o tratamento por via endoscópica”.  

A médica explica que a gastrite não tem cura definitiva, mas também por si não leva à morte. “A gastrite, por si só, não mata, mas pode evoluir com algumas complicações como é o caso da úlcera do estômago, ou que pode acontecer no duodeno e o paciente pode evoluir com um quadro de sangramento digestivo em que vomita e defeca sangue e, se não for controlado, pode levar à perda da vida”.

O recomendável para não desenvolver um quadro de gastrite é evitar certos alimentos que têm um grande potencial de causar irritação na camada do estômago.  Para os pacientes com gastrite “aconselhamos sempre o paciente a evitar o álcool, o tabaco,evitar o consumo de refrigerantes, o paciente deve evitar ou reduzir o consumo do chocolate, café, o consumo de chá preto, o piri-piri, os temperos, no geral. Deve evitar também alimentos processados, estamos a falar de salsichas, chouriços e de certa forma os laticínios derivados de leite, alguns vegetais crus como é o caso da cebola e tomate que têm uma grande concentração de ácido”.  

Os casos de gastrite têm vindo a aumentar em Nampula, afectando mais as mulheres e a população jovem. Em 2021, foram reportados 456 casos e, no ano passado, o número disparou para 854.

Por: João Laissone

Na estética da recepção a obra é susceptível a vários escrutínios. Nesses casos, a objectividade da análise, não poucas vezes, se mescla com a subjectividade polissémica da arte. Logo, seja qual for a abordagem crítica, na estética da recepção nada é absoluto, até porque a unanimidade não enriquece nenhum debate de ideias. Pelo contrário, na diferença de opinião sobre um objecto artístico ou um património cultural se enriquece o sujeito de forma ecléctica e transversal.

Ora, desde que lápide alusiva à requalificação do Monumento e Estátua Eduardo Mondlane foi descerrada, neste 25 de Setembro, ficou claro de que cada cidadão tem a sua forma de captar impressões e de expressar sentimentos. Por isso mesmo, o dia reservado à celebração dos 60 anos das Forças Armadas de Defesa de Moçambique rapidamente se transformou numa perfeita ocasião para os mais apaixonados tão-somente se concentrarem em alguns aspectos da obra em detrimento da totalidade.

Em geral, as publicações nas redes sociais começaram com uma implícita noção de verosimilhança. Se, para uns, o primeiro presidente da Frelimo tem a sua imagem bem retratada em aproximadamente quatros metros de bronze, para outros, na nova Estátua Eduardo Mondlane não há muito a favor que se lhe diga. Assim, à partida, precipitou-se um conflito à moda “Da galinha e do ovo”, de Luandino Vieira. Por um lado, vêem-se os que enaltecem a qualidade da estrutura de bronze, e, por outro, os que a vilipendiam. Nos dois casos, as opiniões são extremadas e não dialogam com apreciável critério. Mesmo quando se sabe que o que está em causa é um memorial histórico moçambicano, o que nos liga ao passado como um ponto de ordem no acto da afirmação da moçambicanidade e do amor à pátria.

Para não me deixar influenciar, quer por uns, quer por outros, resolvi ir ao Alto-Maé ver pessoalmente a Estátua Eduardo Mondlane. Sobre a visita, dois pontos prévios. Primeiro, há muita gente que ainda não foi ver a estrutura de bronze e que está a tirar conclusões com base em três/ cinco fotografias em circulação nas redes sociais.

Segundo, as fotografias a circularem nas redes sociais não dão uma precisão sobre o que a estrutura de bronze realmente é. Quer dizer, à distância é fácil criticar com algum desequilíbrio, porque as fotografias desproporcionam a estátua e não dão uma visão a 360º compatível com a realidade. Por exemplo, pelas fotografias, a cabeça da figura parece maior do que devia e o rosto decepciona os que julgam conhecer as imagens de Eduardo Mondlane. Portanto, a avaliar pelas partilhas nas redes sociais e as legendas que as acompanham, sim, fica-se com uma má impressão sobre a estrutura de bronze. Entretanto, no local, as coisas são bem diferentes. Vendo a estátua por trás, pelos lados e pela frente, próximo ou há meia distância, é evidente que se trata de um bom ensaio arquitectónico sobre um dos maiores intelectuais africanos do séc. XX, homem de origem pobre, que, uma vez alcançado o topo da carreira nos Estados Unidos, sacrificou tudo para Lutar por Moçambique.

Em termos de engenharia, a obra é opulenta, destacando-se, por isso, na atmosfera do lugar. Quem passa pela Avenida Eduardo Mondlane, ao contrário do passado, vê uma tentativa de valorização daquele que se acredita ser o “arquitecto da unidade nacional”. Parece óbvio, as autoridades moçambicanas quiseram “ressuscitar” Mondlane, não ao nível da profundidade do pensamento, como se propôs Severino Ngoenha, mas ao nível simbólico, dando ao herói nacional um estatuto de “Pai da Nação” que, para muitos, pertence a Samora Machel.

Nas entrelinhas, pode ser que o Governo de Nyusi esteja a contradizer a percepção de que existe apenas um “Pai da Nação”. Ao invés disso, como há muito não se via, resgata a figura de Mondlane para, como o fizeram os americanos, sugerir em actos que, no caso, há dois heróis nacionais que, pelo seu envolvimento na Luta Armada de Libertação Nacional, se distinguem dos outros: Mondlane e Machel.

Parece que o Governo de Nyusi está interessado pela importância da memória colectiva como património inegociável dos moçambicanos. Há uns anos, inaugurou a Estátua Filipe Samuel Magaia (na altura, igualmente controvérsia), tal como Mondlane, um herói que poucos sabem o que pensava para Moçambique. Ao trazer de volta essas figuras, pelo menos em termos históricos, reconhece-se aqueles que arriscaram as suas vidas para que hoje vivêssemos em harmonia social.

Actualmente, e num contexto em que tópicos como identidade e pertença diluem-se pelas tantas ofertas disponíveis na internet, é urgente o resgate dos valores e das referências de Moçambique, para que os heróis dos nossos filhos, sobrinhos e netos não sejam personagens dos desenhos animados ou figuras pré-fabricadas através da inteligência artificial.

A Estátua Eduardo Mondlane, vista por perto, contém uns pormenores interessantíssimos sobre a proeminente figura do herói nacional, designadamente, a calvície, o lábio inferior maior do que o superior, a testa farta, aquele semblante e aquele corpo a lembrarem que, sem prejudicar a inteligência, Mondlane era um homem feio e grande.

Dito de outro modo, a estrutura de bronze revela como o construtor vê o herói, o que exigiu de si suportar uma pressão enorme uma vez que a sua obra foi feita para substituir àquela pela qual se tinha desenvolvido uma justa afinidade. As mudanças nem sempre são fáceis e cada um reage a isso de forma particular.

Não obstante, ainda que se diga que a estátua foi muito bem-feita, atendendo aos padrões internacionais, relativamente à tonalidade, material utilizado e à dimensão, é preciso compreender quem pensa o contrário. A diferença de opinião, num debate, não deve ser um problema e muito menos dar azo à intolerância. Longe disso, no debate público, discutir ou contradizer deve constituir uma incessante busca da razão, do consenso, ainda que isso aparentemente seja impossível. Deve importar fazer da diferença da sensibilidade um pretexto maior para construirmos uma narrativa que nos engrandece a todos, como moçambicanos.

No debate sobre a Estátua Eduardo Mondlane, em parte, escapa a sensação de que as novas gerações de moçambicanos, afinal, continuam interessadas pela boa apresentação dos seus símbolos. O que está em causa, a certo nível, não é a estátua, mas a percepção de que podia ser melhor. Claro, também há os que questionam se a estrutura de bronze é prioritária para o país num contexto atravessado por enormes desafios. Respeito quem assim intervém, mas julgo que as outras prioridades nacionais não anulam a relevância de se requalificar o Monumento e Estátua Eduardo Mondlane.

O desenvolvimento de um país se faz em várias frentes. Cabe aos governantes serem consistentes em todas… A questão essencial é que devemos deixar de pensar que gastamos dinheiro quando investimos em bens culturais. Aliás, até devemos exigir dos governantes mais acções a favor do património cultural. No dia que alcançarmos esse nível de exigência, os manifestos políticos vão valorizar a importância das artes e da cultura no desenvolvimento intelectual das mulheres e dos homens.

Uma vez no Alto-Maé, comparei a nova Estátua Eduardo Mondlane com a anterior. Em cada uma há aspectos que aprecio e aspectos que menos gosto. Na anterior, o herói nacional aparece bonito, subtilmente maquiado e diminuto. Nesta nova, aparece com “todas” as suas características físicas destacadas, mas com umas presumíveis manchas à cabeça que ainda não sei explicar. Aparentemente, o construtor não quis pôr beleza onde nunca existiu, mas fazer da verosimilhança o principal factor da originalidade. Quiçá, para a sua desgraça, guiando-se nuns retratos de Mondlane diferentes dos que guiaram a construção da primeira estátua.

Alargando o debate (gesto perigoso quando dizemos o que o nosso leitor não está à espera), os que conhecem Sandton, devem ter reparado as semelhanças existentes entre a Estátua Eduardo Mondlane e a Estátua Nelson Mandela. Analisadas as duas estruturas, até parece que foram construídas pela mesma entidade.

Muitos moçambicanos, quando vão a Sandton, deixam-se fotografar na Estátua Nelson Mandela. Sem receios, geralmente, valorizam aquele símbolo nacional sul-africano, continental e mundial. Nada mais do que justo. Madiba é um exemplo distinto de grandeza, de paz e de amor no tempo de cólera, tal como Gandhi e King Jr. Mas, honestamente, comparando as estátuas de Mondlane e de Mandela, a nossa é bem melhor no retrato, na projecção, nos adereços incluídos e na localização urbana.

Agora, no que me parece óbvio, cabe-nos a todos promover aquele monumento no mapa turístico da Cidade de Maputo, e, assim, torná-lo mais apelativo na divulgação da História de Moçambique. Afinal, na estética da recepção, a crítica é que faz a obra.

Foram a enterrar os restos mortais do jornalista Rui de Carvalho. O velório ocorreu na manhã de hoje, onde colegas, amigos e familiares descrevem-no como um homem que não se contentava apenas em escrever.

A despedida do jornalista Rui de Carvalho foi um evento que contou com a presença do Presidente do município de Maputo, Rasaque Manhique, familiares, amigos, membros do governo e centenas de pessoas que compareceram para dizer o último adeus.

Na sua mensagem, o edil da Cidade de Maputo deixou uma mensagem para a família e em especial para viúva e seus filhos “que aceitem os nossos mais sinceros pêsames e que Deus conceda a voz força e consolo. Rui de Carvalho acabou de cumprir a sua missão na terra”, disse.

Fazendo um breve historial da sua vida, Faruco Sadique, antigo Presidente do Conselho de Administração da Televisão de Moçambique disse que foi um jornalista que deu um grande contributo para a comunicação social em Moçambique “por exemplo, ele não se contentava apenas em escrever para os jornais e para outros órgãos de comunicação que assistia mas criando novos espaços, contribuindo em jornais como Diário de Notícias e O público.

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