Comerciantes instalados no interior do Mercado Central de Inhambane decidiram levar os produtos para fora em protesto contra as bancas improvisadas que ocupam a área reservada aos transportadores, alegam perda de clientes e dizem que sucessivas reclamações à gestão não produziram qualquer solução.
Cerca de dois anos depois de entrar em funcionamento com a promessa de organizar o comércio na cidade de Inhambane e oferecer melhores condições aos vendedores, o Mercado Central enfrenta um problema que começa a colocar em causa o propósito para o qual foi concebido, isto porque parte do espaço exterior reservado aos transportadores de passageiros está ocupado por comerciantes que montaram bancas improvisadas e vendem diariamente diferentes produtos, uma situação que há algum tempo provoca descontentamento entre aqueles que receberam lugares no interior e que esta quinta-feira decidiram transformar a insatisfação em protesto, retirando os seus produtos das bancas e levando-os para o exterior para disputar directamente a clientela com os vendedores cuja presença contestam.
O cenário revela duas realidades que se confrontam à porta da mesma infra-estrutura, pois enquanto os comerciantes instalados no interior reclamam que as bancas improvisadas lhes retiram clientes e tornam cada vez mais difícil manter os negócios, aqueles que vendem no exterior garantem que não escolheram voluntariamente ocupar o espaço destinado aos transportadores e justificam a permanência naquele local com a alegada falta de lugares suficientes dentro do Mercado Central. Albertina, uma das vendedoras que exerce a actividade do lado de fora, diz que a necessidade de garantir o sustento da família acaba por falar mais alto do que os riscos associados à ocupação de um espaço que não foi concebido para a venda, reconhecendo que existem perigos, mas insistindo que abandonar o local sem uma alternativa significaria perder a única possibilidade que tem de conseguir algum rendimento. “Sabemos que pode haver perigo, mas não temos para onde ir. Estamos à procura do pão. Ninguém pode viver com fome”, explica a comerciante, numa declaração que expõe o lado social de um problema que já ultrapassa a simples organização física do mercado.
Mas para quem recebeu uma banca no interior da infra-estrutura, a explicação apresentada pelos vendedores de fora não elimina aquilo que consideram ser uma situação de concorrência desigual, porque os consumidores que chegam ao Mercado Central encontram primeiro os produtos expostos no exterior e muitos acabam por fazer ali mesmo as compras, sem necessidade de entrar no edifício. Foi perante este cenário que, esta quinta-feira, vários comerciantes decidiram retirar os produtos das respectivas bancas e instalá-los igualmente do lado de fora, não por alegada falta de espaço, mas como forma de protesto e de pressão sobre os responsáveis pela gestão do mercado, numa tentativa de mostrar que não estão dispostos a continuar dentro de uma infra-estrutura onde dizem ter cada vez menos compradores enquanto a actividade comercial cresce à sua porta.
Laura, uma das vendedoras que aderiu ao protesto, explica que a decisão de sair resulta da queda da clientela e daquilo que considera ser a falta de resposta das autoridades às reclamações apresentadas ao longo do tempo, defendendo que todos os comerciantes deveriam estar sujeitos às mesmas regras e exercer a actividade dentro dos espaços definidos para o efeito. “Estamos aqui porque lá dentro não entram clientes devido ao outro mercado que está fora. O que estamos a pedir neste momento ao nosso município é que retire aquelas pessoas que estão fora e que elas também entrem no mercado”, afirma, deixando claro que o objectivo dos manifestantes não é abandonar definitivamente a infra-estrutura, mas pressionar para que seja encontrada uma solução capaz de devolver clientes às bancas interiores.
A situação está a transformar a área exterior num concorrente directo do próprio Mercado Central, porque quanto maior é a quantidade de produtos disponíveis nas bancas improvisadas, menor é a necessidade de os consumidores entrarem no edifício e, consequentemente, menor é o volume de vendas de quem permanece nas bancas formais. Benilde, uma das comerciantes que continua a trabalhar no interior, conta que há dias em que passa praticamente toda a jornada à espera de compradores, vendo do seu posto de venda o movimento concentrar-se no exterior, onde diferentes produtos são comercializados antes mesmo de os clientes atravessarem as portas da infra-estrutura, uma realidade que, segundo afirma, está a provocar perdas e a tornar cada vez mais difícil sobreviver exclusivamente do negócio instalado no interior.
Para os comerciantes, não se trata apenas de uma questão de preferência dos consumidores, mas de localização e facilidade de acesso, porque quem chega à zona encontra primeiro os vendedores instalados na área exterior e pode adquirir os produtos sem entrar no Mercado Central, enquanto aqueles que cumprem a orientação de permanecer nas bancas atribuídas ficam numa posição menos favorável para disputar os mesmos clientes. “Lá fora está cheio de pessoas a vender e aqui no mercado ninguém entra”, lamenta Benilde, descrevendo dias em que o rendimento obtido fica muito abaixo das expectativas e mal permite compensar o tempo e os custos associados à actividade comercial.
O fenómeno começa, desta forma, a produzir um efeito contrário ao pretendido com a construção da nova infra-estrutura, pois o mercado criado para concentrar e ordenar a actividade comercial enfrenta agora uma dinâmica em que permanecer no interior pode representar uma desvantagem económica, enquanto vender no exterior permite contacto imediato com os compradores. É precisamente esta percepção que levou comerciantes formalmente instalados dentro do mercado a adoptar a mesma estratégia daqueles que criticam, criando um ciclo difícil de interromper: quanto mais vendedores saem, mais produtos ficam disponíveis no exterior, quanto mais produtos existem do lado de fora, menos razões os consumidores encontram para entrar e, quanto menor é a clientela no interior, maior se torna a pressão para que outros comerciantes façam exactamente o mesmo percurso.
A revolta desta quinta-feira, contudo, não nasceu de um problema identificado apenas nos últimos dias, uma vez que os vendedores garantem ter apresentado várias vezes as suas preocupações aos responsáveis pela gestão do Mercado Central e dizem ter recebido promessas de intervenção que, até agora, não se traduziram numa solução visível. Laura afirma que os comerciantes aguardam há algum tempo por uma resposta concreta e que a ausência de uma data para a resolução do problema aumentou a indignação entre quem continua a acumular prejuízos, explicando que “já falámos várias vezes, dizem que vão mandar uma equipa e nunca mais”, razão pela qual alguns vendedores decidiram que permanecer no interior à espera de uma solução deixou de ser uma alternativa economicamente sustentável.
A posição dos manifestantes é agora mais dura e alguns garantem que só pretendem regressar às bancas quando houver uma intervenção que coloque todos os vendedores em condições semelhantes de concorrência. “Nós vamos sair se virmos aquela gente que está aí fora dentro do mercado”, afirma Laura, numa declaração que aumenta a pressão sobre a administração do Mercado Central e sobre o Conselho Municipal de Inhambane, porque qualquer intervenção terá de encontrar uma saída para os comerciantes que alegam não dispor de lugares no interior sem, ao mesmo tempo, prejudicar aqueles que aceitaram instalar-se nos espaços formais e que agora reclamam estar a pagar o preço por respeitarem a organização definida.
É neste ponto que o problema deixa de ser apenas uma disputa entre vendedores e passa a colocar questões sobre a própria gestão do comércio urbano, uma vez que retirar os comerciantes instalados no exterior sem lhes apresentar uma alternativa poderá simplesmente deslocá-los para outros pontos da cidade, enquanto permitir que permaneçam no espaço destinado aos transportadores poderá continuar a reduzir a clientela no interior e incentivar novos vendedores a abandonar as bancas. A situação exige, por isso, uma solução capaz de conciliar a necessidade de ordenamento com uma realidade económica incontornável: para muitas destas famílias, a venda diária não é uma actividade complementar, mas a principal ou única fonte de rendimento.
A reportagem de O País procurou ouvir a administração do Mercado Central para perceber como pretende responder à revolta dos comerciantes, esclarecer a alegada falta de espaço no interior, explicar por que razão a área reservada aos transportadores continua ocupada por vendedores e indicar que medidas estão previstas para impedir que a saída dos comerciantes instalados nas bancas formais agrave ainda mais a desorganização, mas, no momento em que a equipa se deslocou ao local, o edifício onde funciona a administração encontrava-se encerrado e não foi possível obter qualquer pronunciamento dos responsáveis pela gestão até ao fecho desta reportagem.
O impasse deixa o Mercado Central de Inhambane perante uma contradição cada vez mais difícil de ignorar, porque uma infra-estrutura moderna que entrou em funcionamento para organizar o comércio começa a assistir à transferência da actividade das suas bancas para o espaço exterior que deveria permanecer livre para outras funções, ao mesmo tempo que vendedores que inicialmente cumpriram as regras sentem-se agora prejudicados por aqueles que comercializam fora e decidem responder fazendo exactamente o mesmo.
Enquanto a gestão não apresenta uma solução, o protesto desta quinta-feira deixa uma mensagem clara sobre a dimensão do problema: quando os comerciantes entendem que permanecer dentro de um mercado formal significa perder clientes e que colocar os produtos na rua aumenta as possibilidades de vender, a discussão já não pode limitar-se à disciplina de quem ocupa irregularmente os espaços, devendo também questionar a capacidade de organização, fiscalização e gestão da própria infra-estrutura. O Mercado Central foi criado para trazer ordem ao comércio de Inhambane, mas o desafio que agora se coloca é impedir que a luta diária pela sobrevivência transforme o seu exterior num segundo mercado e empurre para a rua precisamente aqueles vendedores que deveriam encontrar dentro dele melhores condições para trabalhar.
A cidade de Maputo acolheu a Assembleia Geral da Confederação Africana de Ténis, uma reunião magna que tomou diversas decisões sobre o futuro da modalidade, que contou com a presença de mais de 50 delegados de vários países do continente.
Foram dois dias em que Maputo se tornou a capital do ténis africano, através da realização de uma Assembleia Geral da Confederação Africana da modalidade, que contou com a presença dos presidentes da Confederação Africana e da Federação Internacional.
Anfitrião do evento, Jonas Alberto espera que a reunião magna abra portas para mais investimentos para a modalidade, tanto para o país assim como para o continente.
“É uma oportunidade que se tem nestes eventos para conseguir fazer alguns lobbies de forma a assegurar que alguns dos projectos internos e distintos para cada país sejam implementados e assegurados”, começou por dize Jonas Alberto.
Para o presidente da Federação Moçambicana de Ténis, a Assembleia Geral da Confederação Africana de Ténis “vai, de facto, abrir algumas portas para que consigamos, a nível da região, e, em particular, do Moçambique, atingir alguns objectivos, que é continuar a massificar a modalidade”.
Para Angola, também presente no encontro através do seu presidente da federação, Mendes Platini, esta foi uma oportunidade para motivar os países que têm estado a trabalhar em prol da modalidade.
Mendes enalteceu ainda o papel desempenhado por Jonas Alberto na massificação da modalidade no país. “Está de parabéns o ténis em Moçambique e o Presidente Jonas, que é o nosso Presidente da região, que tem feito um trabalho incrível, tem estado a desenvolver e é isso que a África precisa”.
Mas também falou da modalidade no país, Angola, destacando que “nós também temos estado a dar o nosso contributo”. Sobre o ténis em África, Mendes Platini acredita que, “se cada uma das nações trabalhar de forma árdua, o nosso continente poderá continuar a emergir dentro do ténis mundial”.
As federações continental e internacional de ténis também estão satisfeitas com o crescimento da modalidade e asseguram tudo continuarem a fazer para que o ténis continue a crescer.
David Haggerty, Presidente da Federação Internacional de Ténis, disse ter ficado muito impressionado com a forma como Moçambique está a desenvolver a modalidade. “Eu sei que vocês tem muitos bons jogadores e estão a trabalhar para desenvolver mais jogadores. Envolver mais crianças no ténis é muito, muito importante”, disse.
Haggerty disse ainda que “uma das coisas que a ITF tem é a capacidade de trabalhar com cada uma das nações para ter um Centro Nacional de Ténis, bem como para tentar encontrar maneiras de construir instalações e quadras”.
Jean-Claude Talon, Presidente da Confederação Africana de Ténis, por seu turno, disse que a Assembleia Geral “vai nos permitir recuperar e acelerar o ritmo da nossa organização, da qual o Presidente da Federação de Moçambique é uma das pessoas chave com quem contamos muito”.
Esta foi a primeira vez que Moçambique acolheu um encontro desta magnitude e que contou com a participação de mais de 50 delegados.
O jogador da Black Bulls, Kadre Gueye, está a um golo de ser coroado e premiado como o melhor marcador do Moçambola-2024. À entrada para a penúltima jornada estava empatado em número de golos com Elias Macamo, do Desportivo de Nacala, cada um deles com 12 remates certeiros.
Sucede porém que o avançado do Desportivo de Nacala ficou em branco diante do Ferroviário de Maputo e abriu espaço para o recém-naturalizado moçambicano adiantar-se na lista, depois de marcar dois golos frente ao Textáfrica do Chimoio.
Assim, Kadre passa a liderar isolado a lista dos melhores marcadores, agora com 14 golos, e até podia já ter assegurado o prémio, se não tivesse falhado a grande penalidade, ainda na primeira parte, diante do Textáfrica do Chimoio.
Assim, Kadre terá que marcar pelo menos um golo em Lichinga, diante do Ferroviário local, para chegar aos 15 golos que são regulados pela Liga Moçambicana de Futebol para que o melhor marcador receba a premiação de 450 mil meticais.
Por outro lado Elias Macamo terá que esperar que Kadre fique em branco diante do Ferroviário de Lichinga e trabalhar para marcar, pelo menos, três golos frente à União Desportiva de Songo.
Kadre é, também, líder isolado dos melhores classificados para homem de jogo. Depois de mais uma indicação diante do Textáfrica do Chimoio, Kadre foi eleito homem do jogo por oito jogos, deixando para trás Dominguez, com seis nomeações e Elias Macamo com cinco.
Black Bulls e União Desportiva de Songo são as duas equipas que ainda lutam pelo título do Moçambola-2024, depois de terem goleado as duas equipas que ainda lutam pela manutenção, Textáfrica e Brera, respectivamente, pelo mesmo resultado de 4-0. O Costa do Sol perdeu na Beira e disse adeus ao título
Está reduzida a apenas duas equipas a luta pelo canecão do campeonato nacional de futebol, o Moçambola, na sua edição 2024, à entrada da última jornada da prova, que será disputada próximo fim-de-semana.
Depois da disputa da penúltima jornada, onde três equipas ainda lutavam pelo título, uma derrota do Costa do Sol na Beira e duas goleadas da Black Bulls e União Desportiva de Songo, em suas casas, reduziram a luta para apenas duas equipas.
Líder da prova à entrada para a 21ª jornada, a Black Bulls tinha a missão de vencer o Textáfrica de Chimoio para continuar na frente e pressionar seus directos perseguidores. Kadre fez um bis, Hammed e Stephan marcaram um cada (todos os marcadores são naturalizados moçambicanos e prontos para serem chamados aos Mambas, pelo menos para o CHAN), ditaram o resultado final que podia ter sido mais dilatado, se Kadre não tivesse falhado uma grande penalidade.
Os “touros” golearam, somaram mais três pontos, cimentaram a liderança do Moçambola e estão mais próximos do título, dependendo somente de si para festejarem, na última jornada, em Lichinga, diante do Ferroviário local.
Mas a Black Bulls teve uma boa resposta do seu directo perseguidor, a União Desportiva de Songo, que na recepção a outro aflito, o Brera, também goleou, pelo mesmo resultado, 4-0, com os quatro golos apontados pelo mesmo jogador: Lau King.
Os “hidroeléctricos” não aceitaram entregar o título de bandeja a Black Bulls e mantém a perseguição, somando agora 46 pontos, menos dois que os “touros”, primeiros com 48. Uma luta que se adivinha titânica e frenética até ao último minuto, já que enquanto a Black Bulls vai a Lichinga defrontar o Ferroviário local, a União Desportiva de Songo vai a Nacala, jogar diante do Desportivo local.
Quem disse adeus ao título é o Costa do Sol, que tinha duas possibilidade de lá chegar, nomeadamente vencer ao Ferroviário da Beira, no “caldeirão”, e esperar que a Black Bulls não vencesse ao Textáfrica.
Facto é que os “canarinhos” acabaram por verem seus intentos sairem contrários, uma vez que os “touros” venceram o seu jogo e, para piorar, a equipa de Matchiki Tchiki perdeu. Infamar foi o autor do único golo dos “locomotivas” de Chiveve, marcado aos 74 minutos.
Baía de Pemba perde mas garante manutenção
Quem respirou de alívio com as derrotas do Textáfrica do Chimoio e do Brera Tchumene FC é o Baía de Pemba, que mesmo perdendo na deslocação a Nampula, diante do Ferroviário local, viu-se com a manutenção garantida. É que os baianos contam com 21 pontos e somente duas vitórias dos “fabris” de Planalto e dos “putos de Tchumene”, aliadas a duas derrotas do Baía, faziam a turma de Cabo Delgado dizer adeus ao Moçambola.
Mas as três equipas perderam e o Baía de Pemba tem mais seis pontos de distência em relação ao Brera e o Textáfrica, que vão decidir seu futuro na última jornada, jogando em casa, nomeadamente diante do Ferroviário de Nampula e Ferroviário de Maputo, respectivamente.
Ferroviário de Maputo que fechou as contas caseiras com uma vitória difícil diante do Desportivo de Nacala, à tangente, com golo de Chelton, aos 11 minutos. Uma vitória que, entretanto, não garante a melhor classificação possível, uma vez que conta com 29 pontos, mais dois que outros três perseguidores, Associação Desportiva de Vilankulo, Ferroviário de Nampula e Ferroviário da Beira, com as quais vai lutar pelo quarto lugar.
A Associação Desportiva de Vilankulo, por seu turno, terminou o seu último jogo em casa com vitória diante do Ferroviário de Lichinga, por 2-1.
A última jornada será decisiva para o título, com duas equipas a disputarem o canecão até ao último minuto, o mesmo a acontecer em relação a manutenção, também disputada por apenas duas equipas.
Morreu este domingo, aos 91 anos, Quincy Jones, compositor e produtor musical norte americano, que lançou álbuns icônicos incluindo o “Thriller”, “Off the Wall”, e “Bad”, do “Rei do Pop”. De acordo com um comunicado da família, o músico morreu de forma natural, na sua casa em Los Angeles, na Califórnia, cercado pelos seus filhos, irmãos e familiares próximos.
Quincy partiu, mas sua vida deve ser celebrada, diz a sua família em comunicado, cita AFP.
“Nesta noite, com os corações repletos, mas partidos, temos que compartilhar a notícia do falecimento do nosso pai e irmão Quincy Jones. Embora seja uma perda para a nossa família, celebramos a grande vida que ele viveu e sabemos que nunca haverá outro como ele”, completou a nota citada.
Segundo os familiares, Jones é “verdadeiramente único” e fará falta para a família e a indústria da música. “Estamos confortados e orgulhosos em saber que o amor e a alegria foram compartilhados com o mundo pelo que ele criou. Por meio de sua música e de seu amor sem limites, o coração dele baterá por toda a eternidade”, afirmou o texto.
Durante a sua trajectória, são consideradas como suas maiores honras as suas produções com Michael Jackson, nomeadamente, “Off the Wall”, “Thriller” e “Bad”, que foram álbuns universais.
Jones foi uma peça fundamental para a consolidação da carreira de Michael Jackson e juntos criaram uma paisagem sonora global a partir de disco, funk, rock, pop, R&B, jazz e cantos africanos.
O álbum “Thriller” vendeu mais de 20 milhões de cópias só em 1983 e disputou com “Greatest Hits 1971-1975” dos Eagles, entre outros, como o álbum mais vendido de sempre.
Além de Michael Jackson, Quincy colaborou também com alguns gigantes da indústria musical, como Aretha Franklin, Frank Sinatra, Celine Dion e Ray Charles.
Quincy foi também relevante na indústria cinematográfica sendo o fundador da gravadora que produziu a série “Um Maluco no Pedaço”, protagonizada por Will Smith.
Jones fez 70 anos de carreira e apesar de sua vida e obra serem motivos para “celebrar”, ainda continuam desconhecidas as causas da sua morte.
O vice-comandante da Polícia diz que a PRM tem sempre orgulho do trabalho que faz e que as manifestações são um fenómeno que desafia a corporação a adaptar-se, de forma a garantir a ordem. Fernando Tsucana diz ainda que a Polícia não impede manifestações e a sua actuação não é em função do partido envolvido.
Fernando Tsucana esteve em entrevista no Jornal da Noite, este domingo, para falar da actuação da Polícia, num contexto de manifestações que em vários casos se resvalam para violência.
E a pergunta sobre a actuação dos agentes da PRM era inevitável.
“O nosso trabalho é sempre orgulhoso, porque é o trabalho que garante a ordem e segurança públicas e a circulação de pessoas e bens em segurança. Agora, as manifestações são fenómenos que de tempos em tempos acontecem, e nós temos que nos adaptar a estes fenómenos para repormos a ordem e garantirmos o curso normal das actividades sociais”, disse Fernando Tsucana.
Em alguns casos, o gás lacrimogêneo e balas verdadeiras tem sido o recurso da Polícia para dispersar manifestantes. Mas, porque impedir manifestações?
“A polícia não impede manifestações, se há algum impedimento, tudo decorre da lei”, explicou.
Enquanto o partido PODEMOS e outros da oposição manifestam-se em contestação dos resultados das eleições gerais, a Frelimo faz marchas de celebração da vitória.
Por isso, questionamos porque as manifestações do partido Frelimo poucas vezes resultam em tiros e tumultos.
“O que nós encontramos no terrenos, quando trabalhamos, são manifestantes ou indivíduos envolvidos em tumultos e quando é assim, nós não perguntamos de que partido são. A nossa actuação não decorre de nome de partidos. Todos os que se manifestam tem que obedecer a lei, tal como nós obedecemos a lei, e evitar situações em que manifestações desembocam em tumultos”, disse o vice-comandante da Polícia
Mas a polícia pode usar balas verdadeiras em manifestações?
“A polícia em nenhuma manifestação devia usar balas, o nosso trabalho é, primeiro, a persuasão, dois, intervenção, que visa debelar qualquer acção violenta, mas usando medidas de forma gradativa. É verdade que há uma e outra circunstância que tenham sido usadas balas verdadeiras, mas essas situações, como eu dizia, fazemos a verificação para saber em que circunstâncias ocorreram… em circunstâncias normais não (a polícia não devia usar balas verdadeiras), se isso acontecer são incidentes que devem ser corrigidos e nós temos trabalhado nesse sentido”, respondeu.
Nesta situação, será que a polícia continua a transmitir segurança aos cidadãos?, questionou “O País”, mas esta foi uma pergunta para a qual não houve resposta directa do número dois do Comando-Geral da PRM. Tsucana fez apenas apelos, reiterando que a Polícia estará no terreno para garantir a segurança.
“Queremos apelar aos cidadãos para que voltem ao trabalho e retomem as suas actividades. A polícia vai garantir a ordem e a sua segurança, para que as pessoas voltem aos seus trabalhos, todos os trabalhadores, os professores, os transportadores, os funcionários públicos e todos os demais trabalhadores, que têm de voltar ao trabalho, e nós vamos garantir que se desloquem e voltem dos seus postos de trabalho em segurança”.
Há casas que continuam inundadas desde a passada época chuvosa no país. Os proprietários das residências abandonaram os seus sonhos e acharam refúgio em casas de aluguer ou centros de acolhimento. Com o calendário da época chuvosa 2024/2025 em marcha, as famílias afectadas dizem que vão viver um calvário nos próximos dias.
A chuva que caiu em dezembro do ano passado (2023) trouxe dor para milhares de famílias nos municípios da Matola e Maputo, na capital do país.
Devido às inundações, as casas tiveram de ser abandonadas e os proprietários encontraram refúgio em centros de acolhimentos ou casas de renda, para aqueles que têm condições para o efeito.
No Magoanine “C”, a rua principal do quarteirão 44 tem uma nova imagem. Transformou-se num rio, onde as crianças do bairro aprendem a nadar.
Neste bairro, mora Rogério Matsinhe, de 65 anos de idade, que foi reassentado pelo Município, aquando das inundações do ano 2000, que afectaram gravemente o bairro Jorge Dimitrov, onde morava com a sua família. Este lamenta e até acredita que a desgraça o persegue.
“Estou sem segurança. Quando chove, praticamente não durmo, fico acordado a assistir a água entrar para minha casa sem poder fazer absolutamente nada”, lamentou.
Com o calendário da época chuvosa 2024/2025 em marcha, Rogério Matsinhe prevê que os próximos dias serão difíceis para si e sua família e pede apoio.
“Nos próximos dias, a situação será pior e já percebemos que ninguém está preocupado em tirar desse sofrimento”, disse.
No mesmo bairro inundado, mora Elsa Cumbi, que se recorda da luta que travou para escoar as águas do interior da sua casa e teme que o cenário se repita nos próximos dias.
“Estamos com medo. Pedimos a quem de direito para que nos ajude. Que façam canais de escoamento das águas antes que comece a chover a sério”, exortou.
Não é somente o bairro Magoanine que está de rastos, o bairro Intaka 2, no município da Matola, também vive um cenário que se confunde com o calvário.
Nos “altos” prédios construídos ao longo da estrada circular, próximo à primeira rotunda, só residem sapos e outros bichos, porque os proprietários foram expulsos pelas inundações.
Inconformados, os munícipes apontam o dedo à REVIMO, por supostamente ter feito uma engenharia desqualificada, e sem análise de risco.
“Há problemas de engenharia, não sei se a REVIMO terá previsto o impacto ambiental quando concebeu a estrada. Quando chove, os nossos vizinhos sofrem as consequências de inundações. Levamos o assunto para as entidades competentes (REVIMO, Município, ANE) mas nada se resolve”, denunciou Manuel Machaie, morador de Intaka 2.
Como consequência, instalou-se um braço-de-ferro entre os moradores que são separados pela estrada circular, por alegadamente um dos grupos estar a encerar uma vala de drenagem.
“A coisa mais caricata é que os vizinhos vieram obstruir este canal, e, como consequência, nós já estamos a sofrer inundações nas nossas casas. Nesta última chuva, a minha casa ficou uma bacia e tive prejuízos enormes. Sentimos por eles, porque nós também estamos na mesma situação, mas desejar que outros também passem pela mesma dor não é bonito”, disse.
O Instituto Nacional de Gestão e Redução de Riscos de Desastres (INGD) diz que está a elaborar um plano de contingência para responder a eventuais situações de ocorrência de inundações na época chuvosa 2024/2025.
Actualmente, os planos estão a ser concebidos nos distritos para depois serem submetidos às províncias e, mais tarde, harmonizados centralmente.
Após a harmonização, o documento será submetido ao conselho técnico, antes de ser entregue para apreciação e aprovação pelo Conselho de Ministros.
Para a presente época chuvosa, espera-se que pelo menos 3,5 milhões de pessoas venham a ser afectados por eventos climáticos extremos, sendo que, deste universo, cerca de 300 mil necessitarão de assistência.
A Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos refere que cerca de 400 mil hectares de culturas poderão ser afectados em todas as áreas com potencial agrícola.
Abdul Machava diz ser estranho que o director-geral do SISE tenha feito uma viagem de mais de 200 quilómetros de carro. O capitão-tenente acrescenta que só se a missão fosse ultra-secreta é que justificaria deslocação de viatura. Caso contrário, pode ter havido falha no protocolo.
Bernardo Constantino Lidimba foi nomeado director-geral do Serviço de Informações e Segurança do Estado, SISE, em Maio de 2022, substituindo no cargo Júlio Jane.
No cargo de director-geral da secreta moçambicana, que lhe foi confiado pelo Presidente da República, Lidimba tinha como parte das suas competências as seguintes: nomear, exonerar e demitir os directores de divisão e directores nacionais após aprovação das propostas pelo Presidente da República; admitir, nomear, exonerar e demitir os restantes membros do SISE; transmitir informações de forma pontual e sistemática ao Presidente da República; transmitir informações a outras entidades com necessidade de conhecer; dar execução às ordens e instruções do Presidente da República; determinar os processos de recrutamento e carreiras.
De acordo com o capitão-tenente na reserva Capitão-Tenente figuras, como director-geral do SISE, há um protocolo específico para a sua mobilidade. Abdul Machava entende que só é aceitável que o director-geral do SISE tenha percorrido longas distâncias de carro, caso a missão assim exigisse.
Ainda assim, o capitão-tenente na reserva defende que deve haver uma investigação do acidente de viação para evitar especulações.
Antes de ser nomeado pelo Presidente da República para dirigir a secreta moçambicana, Lidimba era chefe do Protocolo do Estado e alto-comissário de Moçambique em Nairobi, no Quénia.
O Município de Pemba está preocupado com a desordem na urbanização da cidade, que corre o risco de perder o estatuto de uma das mais belas baías do mundo.
Cada pessoa constrói onde e como quer e alguns cidadãos estão a ocupar espaços públicos e até as ruas.
O edil de Pemba prometeu repor a ordem e anunciou uma campanha de demolição de algumas infra-estruturas.
A ocupação de espaços públicos começa mesmo no centro da cidade de Pemba, onde alguns cidadãos privatizaram uma parte da Praça Samora Machel e outros estão a construir no meio de algumas ruas e até em passeios feitos na época colonial.
Para preservar os espaços públicos e travar a ocupação desordenada na cidade, o município de Pemba vai destruir quase todas as infra-estruturas que, supostamente, foram construídas de forma ilegal ou em zonas proibidas, explicou Satar Abdulgani, edil de Pemba.
A situação poderá piorar caso não sejam tomadas medidas para evitar a privatização de espaços públicos como ruas e jardins.
Na província de Nampula, um jovem universitário está a fazer a diferença. Reuniu um grupo de meninos de rua e começou a ensinar a Língua Portuguesa e a Matemática. Da rua, os meninos ganharam um abrigo temporário e uma formação técnico-profissional.
Tudo começou com uma iniciativa de liretacia e numeracia a um grupo de crianças de rua. As aulas aconteciam no passeio central da avenida 25 de Setembro, na cidade de Nampula. O mentor é Alimo Manuel Mussa, jovem universitário de 23 anos. Para além de ensinar a ler, a escrever e contar, distribuia o carinho que tanto faltava para os adolescentes e jovens.
O projecto começou exactamente em 2022. Alimo esteve nos Estados Unidos da América a fazer um curso de desenvolvimento comunitário e engajamento cívico e, ao regressar, entendeu que era possível mudar a vida dos meninos de rua.
Com a confiança conquistada, Alimo precisava de mobilizar apoios para continuar com o seu projecto. Das instituições públicas e privadas que contactou, o jovem professor deparava-se com uma exigência: o apoio só podia ser canalizado se estivessem num local certo e é daí que este ano, os caminhos de Alimo e Guimarães, proprietário do Ruby Guest House, cruzaram-se.
O grupo ganhou um local com mais dignidade, onde passa as noites, toma as refeições e tem aulas com o professor Alimo e outros voluntários.
Faizal é um dos integrantes do grupo. O jovem de 18 anos nasceu com deficiência. Devido à condição, foi rejeitado pelo pai e a relação com a mãe parece não andar muito bem.
A única pessoa que dá a cara como familiar é a tia Elisabete Xai-Xai, que confessa que sofria bastante por ver o sobrinho na condição e a viver na rua.
A concentração é máxima. E não é para menos. Para muitos destes adolescentes e jovens, esta é a primeira vez que estão numa sala de aulas.
E para capitalizar mais a atenção da rapaziada, a aula é interactiva. Todos participam e Faizal destaca-se.
Ao todo, são nove rapazes com idades que variam de 14 a 18 anos. O abrigo no local é temporário, por isso o mentor da iniciativa pede ajuda de pessoas de boa-vontade.
E por mais difícil que tenha sido o passado, o presente, para eles, dá-lhes motivos para sorrir!