Comerciantes instalados no interior do Mercado Central de Inhambane decidiram levar os produtos para fora em protesto contra as bancas improvisadas que ocupam a área reservada aos transportadores, alegam perda de clientes e dizem que sucessivas reclamações à gestão não produziram qualquer solução.
Cerca de dois anos depois de entrar em funcionamento com a promessa de organizar o comércio na cidade de Inhambane e oferecer melhores condições aos vendedores, o Mercado Central enfrenta um problema que começa a colocar em causa o propósito para o qual foi concebido, isto porque parte do espaço exterior reservado aos transportadores de passageiros está ocupado por comerciantes que montaram bancas improvisadas e vendem diariamente diferentes produtos, uma situação que há algum tempo provoca descontentamento entre aqueles que receberam lugares no interior e que esta quinta-feira decidiram transformar a insatisfação em protesto, retirando os seus produtos das bancas e levando-os para o exterior para disputar directamente a clientela com os vendedores cuja presença contestam.
O cenário revela duas realidades que se confrontam à porta da mesma infra-estrutura, pois enquanto os comerciantes instalados no interior reclamam que as bancas improvisadas lhes retiram clientes e tornam cada vez mais difícil manter os negócios, aqueles que vendem no exterior garantem que não escolheram voluntariamente ocupar o espaço destinado aos transportadores e justificam a permanência naquele local com a alegada falta de lugares suficientes dentro do Mercado Central. Albertina, uma das vendedoras que exerce a actividade do lado de fora, diz que a necessidade de garantir o sustento da família acaba por falar mais alto do que os riscos associados à ocupação de um espaço que não foi concebido para a venda, reconhecendo que existem perigos, mas insistindo que abandonar o local sem uma alternativa significaria perder a única possibilidade que tem de conseguir algum rendimento. “Sabemos que pode haver perigo, mas não temos para onde ir. Estamos à procura do pão. Ninguém pode viver com fome”, explica a comerciante, numa declaração que expõe o lado social de um problema que já ultrapassa a simples organização física do mercado.
Mas para quem recebeu uma banca no interior da infra-estrutura, a explicação apresentada pelos vendedores de fora não elimina aquilo que consideram ser uma situação de concorrência desigual, porque os consumidores que chegam ao Mercado Central encontram primeiro os produtos expostos no exterior e muitos acabam por fazer ali mesmo as compras, sem necessidade de entrar no edifício. Foi perante este cenário que, esta quinta-feira, vários comerciantes decidiram retirar os produtos das respectivas bancas e instalá-los igualmente do lado de fora, não por alegada falta de espaço, mas como forma de protesto e de pressão sobre os responsáveis pela gestão do mercado, numa tentativa de mostrar que não estão dispostos a continuar dentro de uma infra-estrutura onde dizem ter cada vez menos compradores enquanto a actividade comercial cresce à sua porta.
Laura, uma das vendedoras que aderiu ao protesto, explica que a decisão de sair resulta da queda da clientela e daquilo que considera ser a falta de resposta das autoridades às reclamações apresentadas ao longo do tempo, defendendo que todos os comerciantes deveriam estar sujeitos às mesmas regras e exercer a actividade dentro dos espaços definidos para o efeito. “Estamos aqui porque lá dentro não entram clientes devido ao outro mercado que está fora. O que estamos a pedir neste momento ao nosso município é que retire aquelas pessoas que estão fora e que elas também entrem no mercado”, afirma, deixando claro que o objectivo dos manifestantes não é abandonar definitivamente a infra-estrutura, mas pressionar para que seja encontrada uma solução capaz de devolver clientes às bancas interiores.
A situação está a transformar a área exterior num concorrente directo do próprio Mercado Central, porque quanto maior é a quantidade de produtos disponíveis nas bancas improvisadas, menor é a necessidade de os consumidores entrarem no edifício e, consequentemente, menor é o volume de vendas de quem permanece nas bancas formais. Benilde, uma das comerciantes que continua a trabalhar no interior, conta que há dias em que passa praticamente toda a jornada à espera de compradores, vendo do seu posto de venda o movimento concentrar-se no exterior, onde diferentes produtos são comercializados antes mesmo de os clientes atravessarem as portas da infra-estrutura, uma realidade que, segundo afirma, está a provocar perdas e a tornar cada vez mais difícil sobreviver exclusivamente do negócio instalado no interior.
Para os comerciantes, não se trata apenas de uma questão de preferência dos consumidores, mas de localização e facilidade de acesso, porque quem chega à zona encontra primeiro os vendedores instalados na área exterior e pode adquirir os produtos sem entrar no Mercado Central, enquanto aqueles que cumprem a orientação de permanecer nas bancas atribuídas ficam numa posição menos favorável para disputar os mesmos clientes. “Lá fora está cheio de pessoas a vender e aqui no mercado ninguém entra”, lamenta Benilde, descrevendo dias em que o rendimento obtido fica muito abaixo das expectativas e mal permite compensar o tempo e os custos associados à actividade comercial.
O fenómeno começa, desta forma, a produzir um efeito contrário ao pretendido com a construção da nova infra-estrutura, pois o mercado criado para concentrar e ordenar a actividade comercial enfrenta agora uma dinâmica em que permanecer no interior pode representar uma desvantagem económica, enquanto vender no exterior permite contacto imediato com os compradores. É precisamente esta percepção que levou comerciantes formalmente instalados dentro do mercado a adoptar a mesma estratégia daqueles que criticam, criando um ciclo difícil de interromper: quanto mais vendedores saem, mais produtos ficam disponíveis no exterior, quanto mais produtos existem do lado de fora, menos razões os consumidores encontram para entrar e, quanto menor é a clientela no interior, maior se torna a pressão para que outros comerciantes façam exactamente o mesmo percurso.
A revolta desta quinta-feira, contudo, não nasceu de um problema identificado apenas nos últimos dias, uma vez que os vendedores garantem ter apresentado várias vezes as suas preocupações aos responsáveis pela gestão do Mercado Central e dizem ter recebido promessas de intervenção que, até agora, não se traduziram numa solução visível. Laura afirma que os comerciantes aguardam há algum tempo por uma resposta concreta e que a ausência de uma data para a resolução do problema aumentou a indignação entre quem continua a acumular prejuízos, explicando que “já falámos várias vezes, dizem que vão mandar uma equipa e nunca mais”, razão pela qual alguns vendedores decidiram que permanecer no interior à espera de uma solução deixou de ser uma alternativa economicamente sustentável.
A posição dos manifestantes é agora mais dura e alguns garantem que só pretendem regressar às bancas quando houver uma intervenção que coloque todos os vendedores em condições semelhantes de concorrência. “Nós vamos sair se virmos aquela gente que está aí fora dentro do mercado”, afirma Laura, numa declaração que aumenta a pressão sobre a administração do Mercado Central e sobre o Conselho Municipal de Inhambane, porque qualquer intervenção terá de encontrar uma saída para os comerciantes que alegam não dispor de lugares no interior sem, ao mesmo tempo, prejudicar aqueles que aceitaram instalar-se nos espaços formais e que agora reclamam estar a pagar o preço por respeitarem a organização definida.
É neste ponto que o problema deixa de ser apenas uma disputa entre vendedores e passa a colocar questões sobre a própria gestão do comércio urbano, uma vez que retirar os comerciantes instalados no exterior sem lhes apresentar uma alternativa poderá simplesmente deslocá-los para outros pontos da cidade, enquanto permitir que permaneçam no espaço destinado aos transportadores poderá continuar a reduzir a clientela no interior e incentivar novos vendedores a abandonar as bancas. A situação exige, por isso, uma solução capaz de conciliar a necessidade de ordenamento com uma realidade económica incontornável: para muitas destas famílias, a venda diária não é uma actividade complementar, mas a principal ou única fonte de rendimento.
A reportagem de O País procurou ouvir a administração do Mercado Central para perceber como pretende responder à revolta dos comerciantes, esclarecer a alegada falta de espaço no interior, explicar por que razão a área reservada aos transportadores continua ocupada por vendedores e indicar que medidas estão previstas para impedir que a saída dos comerciantes instalados nas bancas formais agrave ainda mais a desorganização, mas, no momento em que a equipa se deslocou ao local, o edifício onde funciona a administração encontrava-se encerrado e não foi possível obter qualquer pronunciamento dos responsáveis pela gestão até ao fecho desta reportagem.
O impasse deixa o Mercado Central de Inhambane perante uma contradição cada vez mais difícil de ignorar, porque uma infra-estrutura moderna que entrou em funcionamento para organizar o comércio começa a assistir à transferência da actividade das suas bancas para o espaço exterior que deveria permanecer livre para outras funções, ao mesmo tempo que vendedores que inicialmente cumpriram as regras sentem-se agora prejudicados por aqueles que comercializam fora e decidem responder fazendo exactamente o mesmo.
Enquanto a gestão não apresenta uma solução, o protesto desta quinta-feira deixa uma mensagem clara sobre a dimensão do problema: quando os comerciantes entendem que permanecer dentro de um mercado formal significa perder clientes e que colocar os produtos na rua aumenta as possibilidades de vender, a discussão já não pode limitar-se à disciplina de quem ocupa irregularmente os espaços, devendo também questionar a capacidade de organização, fiscalização e gestão da própria infra-estrutura. O Mercado Central foi criado para trazer ordem ao comércio de Inhambane, mas o desafio que agora se coloca é impedir que a luta diária pela sobrevivência transforme o seu exterior num segundo mercado e empurre para a rua precisamente aqueles vendedores que deveriam encontrar dentro dele melhores condições para trabalhar.
Israel pode estar a cometer crimes de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. A informação foi divulgada, hoje, em um relatório da Organização das Nações Unidas, que diz também que o país usou fósforo branco em pelo menos 24 ocasiões da guerra na faixa de Gaza.
O relatório, de 32 páginas, divulgado em Genebra na Suíça, a ONU não só volta a considerar as forças israelitas como possíveis autores de crimes de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, como também, refere que o país usou fósforo branco, uma substância química incendiária capaz de causar “ferimentos graves e dolorosos”, em pelo menos 24 ocasiões da guerra em curso.
O fósforo branco, que foi usado por Israel, durante a guerra, sobretudo nos seis meses de análise (entre novembro de 2023 e abril de 2024), é uma substância que “arde instantaneamente quando entra em contacto com o oxigénio e é muito difícil de extinguir”, refere a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Segundo o documento, seis utilizações de fósforo branco foram registadas na capital de Gaza, nove no centro da Faixa de Gaza, quatro no norte, três em Khan Younis e duas em Beit Lahiya, algumas das quais em campos de refugiados.
Um dos momentos em que se registou a utilização da substância, foi no dia 25 de dezembro em que um bebé foi queimado por fósforo branco numa escola do campo de Al Bureij.
Apesar de não ser considerado uma arma química, o fósforo branco deve ser proibido ao abrigo das convenções que vetam o uso de armamento “com efeitos indiscriminados” ou que cause “sofrimento desnecessário e ferimentos supérfluos”, segundo a ONU.
Organizações não-governamentais como a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch já tinham denunciado a utilização de fósforo branco por Israel em Gaza, mas este é um dos primeiros documentos da ONU a conter tal acusação na actual guerra.
No conflito de Gaza no início de 2009, o chamado Relatório Goldstone, elaborado por uma missão de apuramento de factos da ONU, também acusou Israel de utilizar esta substância incendiária.
A substância também é propensa a aderir à pele e à roupa, provocando “queimaduras profundas e graves, penetrando até nos ossos”, disse a OMS.
A Associação dos Escritores Moçambicanos lamenta a escalada de violência pós-eleições em todo o território nacional, com perdas de vidas de cidadãos. Por isso, através de um comunicado apresentam algumas propostas para parar a violência que tem caracterizado os últimos dias.
Através de um comunicado, enviado ao Jornal O País, A Associação dos Escritores Moçambicanos lamenta o clima de violência, que “tem vindo a ceifar vidas humanas”, envolvendo cidadãos que protestam contra os resultados eleitorais, anunciados pela Comissão Nacional de Eleições e agentes das Forças da Lei e Ordem, nomeadamente da Polícia.
” A violência, venha ela de cidadãos civis, venha ela de agentes da Lei e Ordem, constitui um mecanismo errado para abordar desavenças na sociedade, pois ela apenas serve para aumentar sentimentos de ódio e vingança”, lê-se no comunicado.
Por acompanhar a larga escalada de violência, segundo o documento, os escritores moçambicanos decidiram vir a público para contribuir com propostas tendentes a solucionar o presente conflito e para a criação de um Moçambique de Paz, Concórdia, Reconciliação e Unidade, mas não sem antes apresentar as suas causas.
“O presente conflito pós-eleições tem as suas raízes, dentre outras causas, no sistema político moçambicano, onde os poderes dos diferentes órgãos do Estado acham-se confundidos e não se têm mostrado independentes, criando relações de promiscuidade e de ingerência nefastas uns sobre os outros”. Aliado ao facto de existir uma camada social, sobretudo jovem, penalizada pelas consequências da má gestão da coisa pública, sobretudo a Corrupção e consequente elevado e insuportável custo de vida. E ainda com o funcionamento dos órgãos eleitorais, cuja conduta tem sido apontada como fonte constante de suspeições dos cidadãos, que não acreditam na sua independência e credibilidade. Os órgãos eleitorais são percebidos como partes importantes, fontes de criação e manutenção destes conflitos, entre vários outros factores.
Os escritores propõem a realização de um encontro urgente, entre os dois candidatos presidenciais mais votados, nomeadamente Daniel Francisco Chapo e Venâncio António Bila Mondlane, com uma agenda de três pontos: acordar em terminar com o actual clima de instabilidade e violência, para evitar mais perda de vidas humanas e destruição de infraestruturas, com o compromisso sério e verdadeiro de que, no encontro, se devem fazer cedências mútuas e jamais pautar pela arrogância ou posições radicais; Iniciar o Processo negocial para a criação de uma plataforma de entendimento que inclua a constituição de um Governo de inclusão efectiva, com vista a abrir portas para um processo de reforma profunda do Estado, envolvendo e beneficiando toda a Sociedade, sem exclusão, com particular realce para a camada jovem que é a mais numerosa e indiscutivelmente a mais penalizada pelas diferenças sociais; e a constituição de um Comité de Sábios, para desenhar a arquitectura do diálogo entre os dois candidatos presidenciais mais votados, fazer a moderação dos encontros entre ambos e comunicar ao povo sobre o seu progresso.
A Associação sugere ainda que os dois candidatos presidenciais venham rapidamente a público exprimir o seu compromisso com a paz, a estabilidade e o desenvolvimento harmonioso do país, ultrapassando expressões de ódio ou outras que incitem à violência.
Com tantos incidentes de mortes nas manifestações, que pessoas restarão para serem governadas? A pergunta é de uma idosa da Província de Gaza, que se junta a tantas outras vozes que apelam ao diálogo para pôr fim à crise pós-eleitoral.
Do bairro 10, na Cidade de Xai-Xai, Província de Gaza, Helena Manhique faz ecoar a sua voz, apelando ao diálogo entre o Governo e Venâncio Mondlane.
“Apelamos ao entendimento entre Venâncio Mondlane e Nyusi, para dialogarem para libertar o país, porque está a haver muitos incidentes. As pessoas são mortas. Não sabemos quem será governado. Já não estamos bem. Apelamos ao entendimento. Que prevaleça o entendimento”, disse Helena Manhique, idosa de 68 anos de idade.
No bairro Francisco Manyanga, na Cidade de Tete, o senhor Álvaro Damião, de 92 anos de idade, não se conforma com o curso dos acontecimentos no seu país.
Aos 92 anos, e a gozar da sua reforma na Hidroeléctrica de Cahora Bassa, entende que a energia deve ser buscada no diálogo que, ao seu ver, a iniciativa deve ser do Governo, ainda que para tal, recorra aos mediadores.
O Atlético de Madrid, de Reinildo Mandava, derrotou, nesta quarta-feira, no Estádio Parque dos Príncipes, em França, o PSG.
Num jogo a contar para a quarta jornada da Liga dos Campeões europeus de futebol, fase regular da competição, a equipa espanhol comandada por Diogo Simione venceu por 2-1.
Os parisienses, após uma vitória, uma derrota e um empate, estavam numa situação complicada com quatro pontos.
No início do jogo, o PSG entrou melhor e até conseguiu abrir o marcador com um tento apontado pelo médio francês Warren Zaïre-Emery.
Apesar da superioridade em termos de posse de bola, os parisienses acabaram por sofrer um golo rapidamente. Quatro minutos após o primeiro tento do encontro, o argentino Nahuel Molina, defesa do Atlético de Madrid, empatou o encontro com um golo de pé esquerdo.
No intervalo, as duas equipas estavam empatadas a uma bola no Parque dos Príncipes.
Na segunda parte, o Paris Saint-Germain continuou a dominar perante uma equipa madrilena que recuava com o passar dos minutos.
Os parisienses, que estavam mais perto do segundo, acabaram por sofrer um contra-ataque ao cair do pano com uma jogada levada a cabo pelo francês Antoine Griezmann, que ofereceu o golo ao avançado argentino Ángel Correa.
Aos 90+3 minutos de jogo, e em cima do apito final, os ‘Colchoneros’, que contaram com a exibição equilibrada de Reinildo Mandava, arrecadaram o triunfo e os três pontos nesta Liga dos Campeões.
Com esta vitória, o Atlético de Madrid ocupa o 23° lugar com seis pontos, enquanto o Paris Saint-Germain está na 25ª posição com quatro pontos.
Recorde-se que o novo formato da Liga dos Campeões europeus tem como principais características o facto de cada clube disputar oito encontros frente a oito adversários diferentes e de haver apenas um único grupo composto por 36 equipas.
No fim das oito jornadas, as primeiras oito equipas apuram-se para os oitavos-de-final, enquanto os clubes entre o nono e o vigésimo quarto lugares seguem para um play-off. Por fim, as equipas entre o vigésimo quinto e o trigésimo sexto lugares são definitivamente eliminadas.
Reinildo Mandava iniciou o jogo no banco de suplentes, tendo entrado aos 60 minutos. Nessa fase de jogo, o internacional moçambicano ajudou o clube da capital espanhola a marcar um golo e a preservar o resultado final de 2-1, com o derradeiro golo marcado aos 90+3, por Correa.
Desde que foi anunciada uma semana de manifestações, pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane, os envolvidos nas marchas tentaram várias vezes, sem sucesso, alcançar o centro da Cidade de Maputo. Entretanto, partindo de vários bairros suburbanos da capital do país, os manifestantes conseguiram, esta quinta-feira, parte do que pretendiam.
Por volta das 11 horas, viu-se várias tentativas de a população contornar a barreira policial e militar em prontidão nas avenidas da capital do país. Quando as autoridades proibiam a circulação numa certa via, os manifestantes escolhiam outros caminhos. Assim, viu-se várias pessoas a marchar na Avenida Eduardo Mondlane, a partir da estátua do primeiro presidente da Frelimo.
Uma vez na Estátua Eduardo Mondlane, e resistindo ao gás lacrimogéneo disparado, os manifestantes marcharam até à zona da Electricidade de Moçambique, muito próximo ao Hospital Central de Maputo. Ali a polícia e os militares, com carros blindados, vedaram a passagem. Nisso, houve, inclusivamente, uma espécie de negociação entre as partes. No entanto, os manifestantes insistiram em continuar o percurso, mas as autoridades não permitiram.
Para dispersar a população, uma vez mais, as autoridades dispararam gás lacrimogéneo. Assim, viu-se os manifestantes, com garrafas plásticas para apagar o gás e lavar o rosto, a fugir por avenidas alternativas à Eduardo Mondlane.
Na Avenida Acordos de Lusaka, que marca a fronteira entre a zona cimento e o emblemático subúrbio da Mafalala, por exemplo, alguns moradores saquearam lojas.
A polícia disparou gás lacrimogéneo, entre a fumaça dos pneus queimados, mas, mesmo assim, viu-se moradores a atravessar a avenida com bens saqueados à cabeça.
A candidata presidencial democrata, Kamala Harris, num discurso proferido em Washington, prometeu uma “transferência pacífica de poder”, mas assegurou também que nunca desistirá da “luta pelos ideais” no âmago dos Estados Unidos
A igualmente vice-presidente dos Estados Unidos da América reconheceu, nesta quarta-feira, a derrota para o republicano Donald Trump, nas eleições presidenciais nos Estados Unidos, mas garantiu não desistir “da luta que alimentou” a campanha.
“A luta pela liberdade, por oportunidades, pela justiça e pela dignidade de todas as pessoas. Uma luta pelos ideais que estão no âmago da nossa nação. Nunca irei desistir da luta por um futuro onde os americanos podem perseguir os seus sonhos e ambições. Onde as mulheres tenham a liberdade de tomar decisões sobre os seus próprios corpos”, afirmou num discurso na Universidade de Howard, em Washington, segundo se lê no Expresso.
“Nunca desistiremos da luta para proteger as nossas escolas e as nossas ruas da violência das armas, nunca desistiremos da luta pela nossa democracia, pelo Estado de direito e pela ideia sagrada de que cada um de nós, independentemente de quem somos ou de onde começámos, tem direitos e liberdades fundamentais. Estes devem ser respeitados e defendidos”, realçou Harris, citada pelo Expresso.
Para Harris, tudo isto exige “trabalho árduo”, mas pelo país, “vale sempre a pena”, defendeu. “Por vezes, a luta demora mais tempo. Isso não significa que não venhamos a ganhar. A parte mais importante é nunca desistir. Nunca desistam”, reforçou, dirigindo-se especificamente aos mais jovens. “Não desesperem”, foi o apelo geral. “Não é altura para desalento. É altura para nos organizarmos, mobilizarmos e permanecermos empenhados em nome da liberdade, da justiça e do futuro que podemos construir juntos.”
O Expresso avança que a ainda vice-presidente sublinhou desde logo a necessidade de “aceitar os resultados” das eleições. “Falei com o Presidente eleito Trump e felicitei-o pela vitória. Também lhe disse que o iremos ajudar e à sua equipa nesta transição e que nos iremos envolver numa transferência pacífica de poder. Devemos lealdade à Constituição dos Estados Unidos”, apontou.
Logo no início, Kamala Harris referiu ter o coração “cheio de gratidão” pela confiança em si depositada, agradecendo ao Presidente Joe Biden pelo apoio e ao candidato à vice-presidência, Tim Walz, bem como à família, à equipa que a acompanhou e aos voluntários, de quem está “orgulhosa”. “O resultado desta eleição não era o que desejávamos, não era aquilo pelo qual lutámos. Mas ouçam-me bem quando digo: a luz da promessa da América vai sempre resplandecer”, cita o Expresso.
“No final, terminou no mesmo sentido: procurando transmitir uma mensagem de esperança, ao mencionar um ditado que diz que ‘só quando está suficientemente escuro é que se podem ver as estrelas’. ‘Sei que muitas pessoas sentem que estamos a entrar numa zona de escuridão, mas espero que não seja esse o caso. Se for, vamos preencher o céu com milhares de milhões de estrelas’”, declarou, segundo a fonte.
O antigo Procurador-geral da República pede que haja idoniedade por parte dos Juízes Conselheiros do Conselho Constitucional que vão tomar a decisão final sobre os resultados das eleições.
O país vive em tensão devido à contestação dos resultados eleitorais e, por tudo que está a acontecer, Sinai Nhatitima faz um pedido. “Vamos terminar o processo eleitoral, e que está quase no fim. Deixemos que o Conselho Constitucional comunique-nos qual foi o apuramento que fez e a avaliação que fez do processo”.
Mas porque bons dias faltam até a proclamação e validação dos resultados, o antigo Procurador-geral da República aponta aquele para si seria o caminho ideial para controlar a situação de paralisação da economia e vandalização de infraestruturas. “Existe alguém que é suposto ser ele quem está a orientar ou quem deu o rastilho. Então compete a essa pessoa dizer aos seus correligionários que devem esperar. Nós como sociedade, como Estado, devemos exigir para que isso seja feito”, diz o também Conselheiro Jubilado do Tribunal Administrativo.
Ao Conselho Constitucional, quem vai tomar a última decisão a mensagem de que não se devem esquecer do interesse nacional.
“Antes de quem os mandatou para lá, estão os interesses na Nação moçambicana, os interesses do país. E agora temos que olhar para o interesse profundo do país, que é a paz. Este membro do Conselho Constitucional deve assumir que está alí como pacificador e assumir independência na decisão que vai tomar, mesmo que isso lhe possa trazer algum problema na sua vida”.
Quando tudo isso for resolvido, Nhatitima defende que se deve pensar num novo modelo que Estado, que comesse com a retirada de representação partidária em órgãos como a Comissão Nacional de Eleições e o Conselho Constitucional.
O governo português reforçou o alerta à comunidade portuguesa em Moçambique, face à instabilidade social e política vivida no país. O Executivo luso recomendou a manutenção de cuidados de segurança redobrados.
Segundo avança o jornal Observador, o governo português actualizou, esta quarta-feira, pela segunda vez o aviso de 25 de Outubro aos cidadãos nacionais que se encontram em Moçambique para evitarem ajuntamentos e manterem cuidados de segurança redobrados, face à agitação social vivida no país.
“Face ao actual contexto de instabilidade social e à ocorrência de confrontos entre manifestantes e as autoridades policiais, recomenda-se a todos os cidadãos portugueses em Moçambique que sejam redobrados os cuidados de segurança, em particular no dia 07 de novembro”, lê-se na nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros, disponível no Portal das Comunidades Portuguesas.
O aviso desta quarta-feira, que teve uma primeira actualização em 30 de Outubro, está relacionado com os protestos nas ruas que paralisaram o país, convocados pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane.
O candidato convocou novamente a população para uma paralisação geral de sete dias, desde 31 de Outubro, com protestos nacionais que têm degenerado em violência e intervenção da polícia, e uma manifestação concentrada em Maputo convocada para esta quinta-feira.
No alerta actualizado emitido esta quarta-feira, pode-se ler no Observador, o governo português considera que, atendendo à convocação de marchas e manifestações, “com particular incidência na cidade de Maputo e na sua periferia, reitera-se a recomendação para que sejam evitados ajuntamentos populares”, lê-se no Observador.
Pela segunda vez, em menos de uma semana, os partidos políticos da oposição marcharam, nesta quarta-feira, na cidade da Beira. Trata-se dos partidos MDM, PODEMOS, Renamo e RD.
José Domingos, que foi cabeça-de-lista do MDM, na Província de Sofala, nas eleições do passado dia 9 de Outubro, disse que com esta manifestação os partidos políticos pretendem voltar a mostrar que estão indignados com os órgãos eleitorais, pela forma como geriram o processo eleitoral.
Os manifestantes acrescentaram que estão a reivindicar os seus direitos e, depois, criticaram a Comissão Nacional de Eleições (CNE), por, alegadamente, estar a forjar actas e editais.
José Domingos pediu aos agentes da PRM a actuarem dentro da lei.
E na cidade da Chimoio não decorreu a manifestação do PODEMOS agendada para esta quarta-feira, devido a um desentendimento entre este partido e a polícia em relação a rota a seguir.
Tanto na Beira assim como no Chimoio os eventos terminaram sem nenhum incidente.
Médicos marcham na Beira para exigir fim da violência
Profissionais de saúde afectos a várias unidades, na cidade da Beira, paralisaram parte das suas actividades, esta quarta-feira, para marcharem exigindo o fim da violência pós-eleitoral no país, que, para eles está a sufocar os serviços de saúde e pôr em causa os direitos humanos.
Os manifestantes caminharam pelas artérias da urbe empunhando vários dísticos com dizeres como basta a violência, não matem o povo e somos pela paz.
Quatro partidos políticos juntaram-se, esta quarta-feira, na cidade da Beira, e marcharam para mostrarem a sua indignação em relação a como decorreu o processo eleitoral e distanciarem-se dos resultados anunciados pela Comissão Nacional de Eleições, pedindo justiça eleitoral. E na Cidade de Chimoio, uma marcha do partido PODEMOS não teve lugar devido a desentendimentos entre a polícia e os manifestante por conta da rota.