Comerciantes instalados no interior do Mercado Central de Inhambane decidiram levar os produtos para fora em protesto contra as bancas improvisadas que ocupam a área reservada aos transportadores, alegam perda de clientes e dizem que sucessivas reclamações à gestão não produziram qualquer solução.
Cerca de dois anos depois de entrar em funcionamento com a promessa de organizar o comércio na cidade de Inhambane e oferecer melhores condições aos vendedores, o Mercado Central enfrenta um problema que começa a colocar em causa o propósito para o qual foi concebido, isto porque parte do espaço exterior reservado aos transportadores de passageiros está ocupado por comerciantes que montaram bancas improvisadas e vendem diariamente diferentes produtos, uma situação que há algum tempo provoca descontentamento entre aqueles que receberam lugares no interior e que esta quinta-feira decidiram transformar a insatisfação em protesto, retirando os seus produtos das bancas e levando-os para o exterior para disputar directamente a clientela com os vendedores cuja presença contestam.
O cenário revela duas realidades que se confrontam à porta da mesma infra-estrutura, pois enquanto os comerciantes instalados no interior reclamam que as bancas improvisadas lhes retiram clientes e tornam cada vez mais difícil manter os negócios, aqueles que vendem no exterior garantem que não escolheram voluntariamente ocupar o espaço destinado aos transportadores e justificam a permanência naquele local com a alegada falta de lugares suficientes dentro do Mercado Central. Albertina, uma das vendedoras que exerce a actividade do lado de fora, diz que a necessidade de garantir o sustento da família acaba por falar mais alto do que os riscos associados à ocupação de um espaço que não foi concebido para a venda, reconhecendo que existem perigos, mas insistindo que abandonar o local sem uma alternativa significaria perder a única possibilidade que tem de conseguir algum rendimento. “Sabemos que pode haver perigo, mas não temos para onde ir. Estamos à procura do pão. Ninguém pode viver com fome”, explica a comerciante, numa declaração que expõe o lado social de um problema que já ultrapassa a simples organização física do mercado.
Mas para quem recebeu uma banca no interior da infra-estrutura, a explicação apresentada pelos vendedores de fora não elimina aquilo que consideram ser uma situação de concorrência desigual, porque os consumidores que chegam ao Mercado Central encontram primeiro os produtos expostos no exterior e muitos acabam por fazer ali mesmo as compras, sem necessidade de entrar no edifício. Foi perante este cenário que, esta quinta-feira, vários comerciantes decidiram retirar os produtos das respectivas bancas e instalá-los igualmente do lado de fora, não por alegada falta de espaço, mas como forma de protesto e de pressão sobre os responsáveis pela gestão do mercado, numa tentativa de mostrar que não estão dispostos a continuar dentro de uma infra-estrutura onde dizem ter cada vez menos compradores enquanto a actividade comercial cresce à sua porta.
Laura, uma das vendedoras que aderiu ao protesto, explica que a decisão de sair resulta da queda da clientela e daquilo que considera ser a falta de resposta das autoridades às reclamações apresentadas ao longo do tempo, defendendo que todos os comerciantes deveriam estar sujeitos às mesmas regras e exercer a actividade dentro dos espaços definidos para o efeito. “Estamos aqui porque lá dentro não entram clientes devido ao outro mercado que está fora. O que estamos a pedir neste momento ao nosso município é que retire aquelas pessoas que estão fora e que elas também entrem no mercado”, afirma, deixando claro que o objectivo dos manifestantes não é abandonar definitivamente a infra-estrutura, mas pressionar para que seja encontrada uma solução capaz de devolver clientes às bancas interiores.
A situação está a transformar a área exterior num concorrente directo do próprio Mercado Central, porque quanto maior é a quantidade de produtos disponíveis nas bancas improvisadas, menor é a necessidade de os consumidores entrarem no edifício e, consequentemente, menor é o volume de vendas de quem permanece nas bancas formais. Benilde, uma das comerciantes que continua a trabalhar no interior, conta que há dias em que passa praticamente toda a jornada à espera de compradores, vendo do seu posto de venda o movimento concentrar-se no exterior, onde diferentes produtos são comercializados antes mesmo de os clientes atravessarem as portas da infra-estrutura, uma realidade que, segundo afirma, está a provocar perdas e a tornar cada vez mais difícil sobreviver exclusivamente do negócio instalado no interior.
Para os comerciantes, não se trata apenas de uma questão de preferência dos consumidores, mas de localização e facilidade de acesso, porque quem chega à zona encontra primeiro os vendedores instalados na área exterior e pode adquirir os produtos sem entrar no Mercado Central, enquanto aqueles que cumprem a orientação de permanecer nas bancas atribuídas ficam numa posição menos favorável para disputar os mesmos clientes. “Lá fora está cheio de pessoas a vender e aqui no mercado ninguém entra”, lamenta Benilde, descrevendo dias em que o rendimento obtido fica muito abaixo das expectativas e mal permite compensar o tempo e os custos associados à actividade comercial.
O fenómeno começa, desta forma, a produzir um efeito contrário ao pretendido com a construção da nova infra-estrutura, pois o mercado criado para concentrar e ordenar a actividade comercial enfrenta agora uma dinâmica em que permanecer no interior pode representar uma desvantagem económica, enquanto vender no exterior permite contacto imediato com os compradores. É precisamente esta percepção que levou comerciantes formalmente instalados dentro do mercado a adoptar a mesma estratégia daqueles que criticam, criando um ciclo difícil de interromper: quanto mais vendedores saem, mais produtos ficam disponíveis no exterior, quanto mais produtos existem do lado de fora, menos razões os consumidores encontram para entrar e, quanto menor é a clientela no interior, maior se torna a pressão para que outros comerciantes façam exactamente o mesmo percurso.
A revolta desta quinta-feira, contudo, não nasceu de um problema identificado apenas nos últimos dias, uma vez que os vendedores garantem ter apresentado várias vezes as suas preocupações aos responsáveis pela gestão do Mercado Central e dizem ter recebido promessas de intervenção que, até agora, não se traduziram numa solução visível. Laura afirma que os comerciantes aguardam há algum tempo por uma resposta concreta e que a ausência de uma data para a resolução do problema aumentou a indignação entre quem continua a acumular prejuízos, explicando que “já falámos várias vezes, dizem que vão mandar uma equipa e nunca mais”, razão pela qual alguns vendedores decidiram que permanecer no interior à espera de uma solução deixou de ser uma alternativa economicamente sustentável.
A posição dos manifestantes é agora mais dura e alguns garantem que só pretendem regressar às bancas quando houver uma intervenção que coloque todos os vendedores em condições semelhantes de concorrência. “Nós vamos sair se virmos aquela gente que está aí fora dentro do mercado”, afirma Laura, numa declaração que aumenta a pressão sobre a administração do Mercado Central e sobre o Conselho Municipal de Inhambane, porque qualquer intervenção terá de encontrar uma saída para os comerciantes que alegam não dispor de lugares no interior sem, ao mesmo tempo, prejudicar aqueles que aceitaram instalar-se nos espaços formais e que agora reclamam estar a pagar o preço por respeitarem a organização definida.
É neste ponto que o problema deixa de ser apenas uma disputa entre vendedores e passa a colocar questões sobre a própria gestão do comércio urbano, uma vez que retirar os comerciantes instalados no exterior sem lhes apresentar uma alternativa poderá simplesmente deslocá-los para outros pontos da cidade, enquanto permitir que permaneçam no espaço destinado aos transportadores poderá continuar a reduzir a clientela no interior e incentivar novos vendedores a abandonar as bancas. A situação exige, por isso, uma solução capaz de conciliar a necessidade de ordenamento com uma realidade económica incontornável: para muitas destas famílias, a venda diária não é uma actividade complementar, mas a principal ou única fonte de rendimento.
A reportagem de O País procurou ouvir a administração do Mercado Central para perceber como pretende responder à revolta dos comerciantes, esclarecer a alegada falta de espaço no interior, explicar por que razão a área reservada aos transportadores continua ocupada por vendedores e indicar que medidas estão previstas para impedir que a saída dos comerciantes instalados nas bancas formais agrave ainda mais a desorganização, mas, no momento em que a equipa se deslocou ao local, o edifício onde funciona a administração encontrava-se encerrado e não foi possível obter qualquer pronunciamento dos responsáveis pela gestão até ao fecho desta reportagem.
O impasse deixa o Mercado Central de Inhambane perante uma contradição cada vez mais difícil de ignorar, porque uma infra-estrutura moderna que entrou em funcionamento para organizar o comércio começa a assistir à transferência da actividade das suas bancas para o espaço exterior que deveria permanecer livre para outras funções, ao mesmo tempo que vendedores que inicialmente cumpriram as regras sentem-se agora prejudicados por aqueles que comercializam fora e decidem responder fazendo exactamente o mesmo.
Enquanto a gestão não apresenta uma solução, o protesto desta quinta-feira deixa uma mensagem clara sobre a dimensão do problema: quando os comerciantes entendem que permanecer dentro de um mercado formal significa perder clientes e que colocar os produtos na rua aumenta as possibilidades de vender, a discussão já não pode limitar-se à disciplina de quem ocupa irregularmente os espaços, devendo também questionar a capacidade de organização, fiscalização e gestão da própria infra-estrutura. O Mercado Central foi criado para trazer ordem ao comércio de Inhambane, mas o desafio que agora se coloca é impedir que a luta diária pela sobrevivência transforme o seu exterior num segundo mercado e empurre para a rua precisamente aqueles vendedores que deveriam encontrar dentro dele melhores condições para trabalhar.
Há enchentes de camiões na fronteira de Machipanda, na província de Manica. O facto deve-se ao encerramento da fronteira de Ressano-Garcia, em Maputo, que foi originado pelas recentes manifestações violentas na maior fronteira do país.
Depois do nos dias seis e sete do corrente mês, o maior posto fronteiriço ter sido encerrado devido a vandalização, a fronteira de Ressano-Garcia muitos automobilistas, sobretudo, de veículos de transporte de cargas, que pretendem entrar ou sair do país, pela fronteira de Ressano Garcia, foram obrigados a mudar de rota e o caminho foi a fronteira de Machipanda, na província de Sofala, tal como refere Carlos Sete.
“Até mesmo ontem “vejo que por causa da fronteira da África do Sul, muitos já não usam aquela via, estão a vir nesta aqui, Carlos Sete”, disse.
É uma saída que não tem sido nem tão pouco fácil para os camionistas que chegam a permanecer por mais de 24 horas para atravessar para o vizinho zimbabwe.
“A afluência de camiões, hoje, é maior, porque todos os motoristas estão a andar de um lado para o outro”, referiu Tawanda Gwara.
Machipanda é o principal ponto de travessia terrestre de diversos produtos que saem do porto da Beira para os países do interland, que hoje, para aliviar o congestionamento anormal, alguns automobilistas tiveram de fazer-se em contra-mão, tal como fez a equipa do “O País”.
“Eu vou a Zimbabwe, cheguei de manhã. Estava muito longa a fila, mas agora já tende a ser rápida, acredito que daqui há pouco irei atravessar”, disse Simba Dube, que já devia estar no Zimbabwe.
Os automobilistas pedem com urgência o alívio do tráfego da fronteira.
É destaque internacional que decorre a partir de segunda-feira, a 29.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP29), em Baku, no Azerbaijão. O evento que junta representantes de 197 países, incluindo os da União Europeia, serve de espaço para a discussão de planos para a mitigação do aquecimento global.
Considerada crucial para aumentar o financiamento climático até 2030, a 29.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP29), decorre de 11 a 22 de Novembro.
É uma reunião anual que visa promover acções para os países mitigar alterações climáticas através de acções que permitam a redução das emissões de gases de efeito de estufa.
A Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas em Baku, capital do Azerbaijão, junta representantes de 197 países e da União Europeia, e terá pela primeira vez a participação do Afeganistão, apesar do governo talibã não ser reconhecido a nível internacional.
A Cimeira acontece numa altura em que a Espanha foi recentemente afectada por tempestades que causaram mais de duzentas mortes, justificando a necessidade de acelerar políticas que travem o aquecimento global.
Entre os pontos da agenda, destaca-se a Nova Meta Colectiva Quantificada (NCQG), depois de em 2015, na COP 21 em Paris, os governos terem estabelecido uma verba de 100 mil milhões de dólares por ano.
Na mesa de agenda estará também o balanço global dos progressos desde o Acordo de Paris sobre redução de emissões, alcançado na COP21, para que todos os países apresentem os seus planos.
Financiamento para combater aquecimento global é o tema principal da Cop29.
As Forças dos Estados Unidos da América atacaram cinco locais subterrâneos de armazenamento de armas em áreas controladas pelos Houthis, no Iêmen, segundo a agência de notícias Reuters. Os meios de comunicação social iemenitas também informaram que houve também ataques do Reino Unido contra os mesmos alvos no oeste daquele país.
Segundo o comunicado emitido este domingo pelo secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, justificou o seguinte: “As forças dos EUA miraram em várias das instalações subterrâneas dos Houthis que abrigam componentes de armas que os houthis têm usado para atacar embarcações civis e militares em toda a região”, disse Austin.
Os ataques ocorreram nas áreas de Jarban e Al-Hafa, na província de Saná, bem como na região de Sufyan, de acordo com a emissora Al Masirah TV.
O canal Al Manar TV, ligado ao grupo xiita Hezbollah, indicou que dois ataques aéreos ocorreram em Sufyan, não sendo ainda conhecido o resultado da operação.
Os jornais israelitas The Times of Israel e The Jerusalem Post também noticiaram esta madrugada ataques norte-americanos e britânicos em Saná, Amran e outras regiões.
A agência de notícias iraniana IRNA referiu que a ofensiva visava áreas em Al-Hudaydah, em especial uma aldeia na cidade de Al-Jarrahi.
Os ataques resultaram na morte de animais, acrescentou a IRNA.
Os Huthis, que controlam uma grande parte do Iémen, realizam há vários meses ataques contra Israel e navios alegadamente ligados a este país, afirmando estar a agir em solidariedade com o movimento islamita palestiniano Hamas.
Em resposta, os Estados Unidos e o Reino Unido têm efetuado ataques regulares contra instalações dos Huthis, mas até agora sem conseguir destruir a capacidade operacional do movimento.
Morreu o padre Fernão Magalhães Raúl, que concorreu nas últimas eleições em Nampula como cabeça-de-lista do MDM para o cargo de governador provincial. O corpo foi encontrado estatelado na sua residência, na sala, sem sinais de violência.
No bairro de Namutequeliua, na periferia da cidade de Nampula, é onde vivia o padre Fernão Magalhães Raúl. Vivia apenas com empregados, e a irmã mais nova, que vive nas proximidades, é que desconfiou que algo ia mal, quando, até por volta do meio-dia de sábado, não recebeu nenhum sinal do irmão.
“Estava a tentar ligar e o telefone estava desligado, mas ontem à noite [sexta-feira] havia saído, regressou e entrou. As portas estavam todas trancadas. Liguei para papá para trazer as chaves que era para poder abrir estas duas portas. Papá veio, abriu a porta e quando entramos na sala encontramos o corpo”, descreveu Anatércia Magalhães Raúl, irmã do malogrado.
O corpo estava estatelado na sala e sem sinais de violência. A secretária-geral do Movimento Democrático de Moçambique, visivelmente abalada com a notícia, preferiu deixar que sejam as autoridades a esclarecer as causas da morte.
“São situações subsequentes que a gente pode, depois, procurar saber. O importante era mesmo saber se aquilo que tinha caído como notícia era verdade ou não, se ele já não estava em vida. O resto vamos saber, há-de se ver, existem entidades próprias para procurar saber”, anotou Leonor Lopes, secretária-geral do Movimento Democrático de Moçambique que acorreu à casa do padre para acompanhar tudo de perto e confortar a família enlutada.
Os técnicos do Serviço Nacional de Investigação Criminal estiveram no local, na tarde de sábado, fizeram a peritagem e, por fim, removeram o corpo. Presume-se que a morte terá ocorrido na noite de sexta-feira, pois o cenário sugere que antes da morte esteve a assistir televisão.
O padre Fernão Magalhães Raúl desafiou a lei canónica da Igreja Católica que proíbe que os clérigos tenham militância política activa, e ele compreendia muito bem isso.
“A igreja tem uma missão, e a missão é a evangelização. Sendo esta mensagem central de difundir a mensagem de Cristo, de paz, de convivência pacífica, de solidariedade, de unidade, valores que a Igreja defende, é importante que a igreja observe, na sua relação com a comunidade política, o princípio da neutralidade, para que não esteja dividida”, disse à nossa reportagem em Agosto passado, no arranque da campanha eleitoral.
E mesmo assim, aceitou apresentar-se como candidato do Movimento Democrático de Moçambique para o cargo de governador da província de Nampula, nas eleições de 9 de Outubro. A Igreja Católica não gostou, e através de uma carta, ameaçou aplicar a sanção de perda do direito de direcção paroquial, mas, mesmo assim, o padre não retirou a candidatura.
“Há incompatibilidades ao olhar das pessoas e segundo aquelas que são as regras de neutralidade da própria Igreja, mas é uma questão de liberdade de escolha. Há uma escolha e a escolha é estar ao lado do povo, ajudar o povo a crescer na tomada de consciência de cidadania necessária para lutar junto para resolver os problemas que Moçambique tem e Nampula tem concretamente.”
Não conseguiu cumprir essa missão na política, mas, como padre, deixa muitas saudades.
Há importadores do mercado grossista do Zimpeto que perderam até 1,8 milhões de meticais em mercadorias em importação, que se deterioraram, devido ao encerramento da fronteira de Ressano Garcia. O economista Elio Cossa alerta que a crise pós-eleitoral pode provocar subida da inflação.
As manifestações pós-eleitorais trouxeram enormes prejuízos para alguns importadores de produtos alimentares.
Após dias sem poder passar pela fronteira de Ressano Garcia, este sábado, há camiões que conseguiram chegar ao mercado grossista do Zimpeto. A mercadoria que estava retida chegou mas já sem proveito.
“Esse carro carregou no domingo, chegou à fronteira na segunda-feira. Depois começou aquela confusão toda. O carro ficou lá segunda, terça, quarta, quinta e sexta-feira, até que tive a ideia de tirar o carro pela fronteira de Namaacha” apontou Alzira Chida, uma importadora lesada.
Alzira Chida é proprietária da batata na imagem e faz de tudo para recuperar o que pode ter escapado. No entanto, já sabe que nenhum esforço poderá compensar o investimento.
“Em termos de prejuízo, nem posso calcular agora. É acima de 500 mil rands. Conforme o mano está a ver, eu só tenho uma perda fora do céu por causa dessa confusão da greve. Esse carro carrega 3.520 sacos mas por aqui acho que nem mil sacos poderei recuperar” disse.
O choro é partilhado por Rebeca José, que perdeu mais de 500 mil sacos de batata, e ficou com uma dívida porque o valor investido é fruto de um empréstimo.
“É só choro. O dinheiro que nós usamos para trabalhar não é nosso. Nós pedimos emprestado e depois devolvemos, mas estamos a somar grandes prejuízos mesmo. Temos dois carros. Há um carro link, aquele grande, tem 3.500 de sacos, toda batata foi-se embora. Tem esse carro aqui que tem 1.800 de sacos, conforme vê, é isso que está a acontecer aqui. Nos bancos, nós daqui do mercado, não nos dão dinheiro porque dizem que nós não trabalhamos no Estado, mas nós conseguimos, à nossa maneira. Nós estaríamos lá dentro do mercado, nas nossas bancas, nas tendas, mas estamos aqui no sol desde de manhã” Lamentou Rabeca.
Sem referenciar outras despesas, Rebeca avança que tem um prejuízo de cerca de 400 mil rands, mais de um milhão e quatrocentos meticais, ao câmbio do dia.
“Aquele carro grande ali foram mais de 250, já não faço ideia. Nesse carro aqui foram 148 mil Randes, não estou a falar de metical, em rands. Deixando despesas de documentos, combustíveis, sim, foi uma perda muito grande” explicou.
A terceira fase da greve nacional, convocada pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane, levou à paralisação da fronteira de Ressano Garcia devido à vandalização protagonizada pelos manifestantes.O pelouro de transporte e logística da CTA fala de prejuízos enormes e consequências inevitáveis para a economia nacional.
“O impacto é devastador porque a fronteira foi totalmente saqueada pelos manifestantes e dizer que muitas empresas vão fechar, muitas empresas foram vandalizadas, não é fácil enumerar aqui o número de empresas que foram vandalizadas, os camiões, desde três dias atrás, dos quais dois consecutivos de vandalização da terminal de carga. É um impacto muito triste, é o pior, é um tsunami” avancou Flávio Naene, presidente do Pelouro de Transportes na CTA.
Não é para menos, é que segundo o presidente do pelouro de transportes na CTA, mais de uma centena de camiões não escaparam da fúria dos manifestantes.
“Estamos, ainda, a tentar fazer um mapeamento de quantos camiões tenham sido vandalizados, mas acima de 100 camiões foram vandalizados. É um número que eu tenho a olho nu pelo que eu tentei perceber e tentei ver, acima de 100 camiões. Há uma empresa que quase 23 camiões foram vandalizados, com mercadorias diversas, sensíveis, que eram preparativos para as festas que se avizinham em dezembro, então a economia ficou destruída” vincou.
Os problemas não param por aí, o economista Elio Cossa alerta que o país pode voltar a enfrentar a subida da inflação.
“Isto levanta riscos naturais, que é a escassez de produtos nas prateleiras dos diferentes centros comerciais e com isso levanta-se, também, o risco do recrudescimento ou a retoma da inflação para o país. Estamos a vir de uma série recente de controlo de estabilidade inflacionária e naturalmente com este novo risco, este novo evento, que é o encerramento da fronteira, que é um dos principais abastecedores dos nossos mercados, retoma-se aqui um risco inflacionário que já estava subjetivamente ou quase controlado” alerta o economista Élio Cossa.
E diz mais.
“Naturalmente irá levantar aqui um problema fiscal, em que não haverá coleta de receitas, o que é prejudicial para o funcionamento do nosso Estado, o que pode, a curto prazo, condicionar o funcionamento normal do nosso Estado, neste caso, o cumprimento daquilo que são as suas obrigações, tanto em termos de funcionamento e investimento. Aqui estamos a falar do pagamento das receitas de funcionamento, de pessoal e fornecedores. Isto desencadeia um efeito cascata para outros sectores da economia, estamos a falar das empresas” concluiu Cossa.
Como resultado dos prejuízos somados pelos importadores, as bancas que neste momento deveriam estar a comercializar batata, cebola, cenoura e mais produtos provenientes da África do Sul estão vazias, o que significa que nos próximos dias pode haver escassez dos mesmos a nível nacional.
Uma organização não-governamental no Sudão acusou as Forças de Apoio Rápido do País de ter causado a morte, por envenenamento, a pelo menos 151 pessoas. Entretanto, os paramilitares alegam que as vítimas poderão ter sido vítimas de cólera.
Só nas últimas 24 horas foram reportadas 40 mortes pela Gezira Conferente, uma ONG do Sudão, que avançou que a cidade mais afectada é Hilaliya, que fica a 70 quilómetros da capital do Estado, Wad Madani.
Em declarações à publicação Sudan Tribune, um comandante das Forças de Apoio Rápido do Sudão (RSF), Muk Abid Abu Shotal, defendeu que as mortes podem ter sido causadas por um surto de cólera.
O comandante indicou ainda que a RSF quer enviar uma “delegação de alto nível” à cidade para confirmar as suas suspeitas.
Segundo a Gezira Conference, a cidade está sob o controle paramilitar (grupos civis armados, que não pertencem ao exército) há várias semanas.
No total, a ONG contabilizou 166 mortes, 151 das quais por envenenamento e 15 baleadas.
A Gezira Conference culpa também a RSF pela destruição da cidade, incluindo um centro médico de diálise, 18 celeiros e a infraestrutura elétrica, 10 poços e 10 farmácias.
Joga-se, neste final de semana , a última jornada do Moçambola. Apenas duas equipas têm a possibilidade de alcançar o título de campeão nacional, que dá acesso à Liga dos campeões africanos. Todos os jogos vão decorrer em simultâneo, este domingo, às 15 horas.
21 jornadas intensas, onde 12 equipas deram o seu máximo entre subidas e descidas na classificação. À entrada da última jornada do Moçambola apenas duas equipas têm a possibilidade de conquistar a maior competição a nível de clubes do país: Black Bulls, líder com 48 pontos, e União Desportiva do Songo, o segundo com 46.
A matemática é simples para a Black Bulls ser campeã. Necessita apenas de um empate, enquanto que para a União Desportiva do Songo é a conjugação da sua vitória e derrota dos touros.
A Associação Black Bulls viaja até Lichinga para defrontar o Ferroviário Local que neste momento ocupa um confortável oitavo lugar e já com a manutenção garantida. Já a União Desportiva Do Songo viaja a Nampula para defrontar o Desportivo de Nacala que ocupa a nona posição.
Em caso de vitória dos hidroeléctricos e empate dos touros, as duas equipas terminam com os mesmos pontos, mas a turma de Tchumene leva vantagem pela diferença de golos marcados e sofridos e, por isso, seria coroado campeão.
No confronto directo, Black Bulls e União Desportiva de Songo estão empatados, já que se anularam nos dois jogos.
O campeão nacional tem acesso aos Playoffs de acesso à fase de grupos da da liga dos campeões africanos.
Foram apreendidas 11 bombas de fabrico caseiro e 30 pneus, na noite de ontem, no bairro da Munhava, na cidade da Beira. Os fabricantes dizem que as bombas e os pneus seriam usados para manifestações de reivindicação dos resultados e, que, os mesmos não pertencem a qualquer partido.
As bombas feitas de garrafas, combustível e fiapos, fabricadas em casa, seriam usadas nesta sexta-feira (08), nas ruas da cidade da Beira por um grupo de jovens que residem no bairro da Munhava. Os jovens dizem que apenas queriam incendiar pneus.
“Era para colocar no pneu, deixar na estrada, para quando uma garrafa partir-se atirar uma outra para pegar fogo”, diz um dos indiciados.
Aliás, diz que nas marchas anteriores, as manifestações foram pacíficas e que esta nova ideia seria aplicada, também, “pacificamente”.
Estamos a manifestar por causa dos resultados e fizemos manifestações pacíficas, e há sempre alguém que dá uma ideia mas não posso revelar quem”. O jovem disse igualmente “não pertencemos a nenhum partido”.
Segundo a Polícia, contrariamente ao que os indiciados dizem, as bombas caseiras seriam usadas em actos criminosos. “As bombas caseiras não visam queimar pneus, estas visam a destruir bens. É com estas bombas, que estes indivíduos queimam viaturas, destroem antenas de telefonia móvel e tomam de assalto alguns estabelecimentos comerciais”, disse Roberto Selemane, porta-voz da PRM em Sofala.
Também, a Polícia disse que há pistas para o encalço dos outros 14 jovens envolvidos no fabrico das bombas caseiras.
Ainda sobre as manifestações o ambiente voltou a normalidade na cidade da Beira, com a movimentação de pessoas e bens em toda a urbe sem receio por parte dos munícipes, tal como diz Antónia, “tudo voltou à normalidade”. A mesma normalidade é referida pelo comerciante, Muhammad Waseem, “hoje abrimos lojas e está muito calmo”, acrescentou.
Na cidade de Chimoio, dois agentes da Polícia foram feridos, quando tentavam remover barricadas numa via pública. “A população arremessou pedras e acabou ferindo os agentes, mas tiveram pronto socorro. Durante este período tivemos dois detidos que tentavam queimar pneus na via pública”, disse Mouzinho Manasse, porta-voz da PRM em Manica.
E, na província de Nampula, a Polícia deteve 14 pessoas sob acusação de manifestações violentas, contudo, a situação está controlada e a vida voltou à normalidade.
“Queremos reiterar a população para que não aderiram às manifestações com intuito de saquear e vandalizar bens e actos criminais. pautem por marcha pacífica que a Polícia estará pronta para para manter a ordem e segurança pública”, diz Rosa Chaúque, porta-voz da PRM em Nampula.
Ainda em Nampula, no distrito de Angoche, houve um naufrágio na passada quarta-feira que vitimou 4 pessoas e nove foram resgatadas com vida.
O Partido Povo Optimista para Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS), diz que o Conselho Constitucional está a ser injusto e ilegal por ignorar algumas fases da reclamação submetida pelo partido a reivindicar a sua vitória e do seu candidato persidencial, Venâncio Mondlane. O PODEMOS garante, igualmente, a continuidade das manifestações até que “haja reposição da legalidade eleitoral”.
O Partido Povo Optimista para Desenvolvimento de Moçambique, (PODEMOS) chamou a imprensa para dar a conhecer a sua posição em relação à resposta do Conselho Constitucional ao recurso interposto em relação à disparidade dos números de votantes nas três eleições de 9 de Outubro, nomeadamente presidenciais, legislativas e das assembleias provinciais. Para este partido, o acórdão do Conselho Constitucional é ilegal e injusto, até porque:
“De acordo com a nossa legislação, o recurso é uma prerrogativa que os entes cidadãos têm, para diante de um inconformismo, eles verem os seus direitos ressarcidos. Então, o Conselho Constitucional, em completo desalinhamento com a lei decidiu não apreciar o nosso recurso e mandou o recurso para fazer figurar na segunda fase. No escopo da Lei Eleitoral e da Constituição da República, o CC tem dois momentos: o primeiro, apreciar as reclamações e recursos, finalizados, passa a fase da validação e antes de fazer isso não se passa para a fase da validação. O Conselho Constitucional decidiu analisar o nosso recurso na fase da validação e isso constitui um atropelo à lei”, acusou Dinis Tivane.
Ou seja, o Conselho Constitucional está a faltar com verdade em relação à posição legal dos vencedores do escrutínio.
“O Conselho Constitucional tem que se conformar com a lei, portanto, entrou um recurso, ainda que pareça doloroso dizer que a Frelimo perdeu, que a CNE fez um mau trabalho, é essa consequência que tem que acatar. Se a Comissão Nacional de Eleições deixou de fazer o seu trabalho, e se efectivamente o número de pessoas que votaram a favor do Venâncio Mondlane e do PODEMOS é superior ao número de pessoas que votaram em Daniel Chapo e a Frelimo, então, nós fizemos uma reclamação para pedir nulidade dessa decisão”.
Relativamente às manifestações que acontecem no país, o PODEMOS diz continuar alinhado com Venâncio Mondlane, e que as mesmas vão continuar até a reposição da verdade eleitoral. “Na senda da pressão pela justiça eleitoral, nós vamos continuar a fazer as nossas marchas, separadas do vandalismo que tem estado a surgir. As instituições estão a trabalhar no processo para que possam ir à justiça”.
E, quanto a violência e pilhagem que tem caracterizado os propostos em Maputo, Albino Forquilha diz, “dissemos que no dia 07 faríamos a manifestação e aconteceu. E, as manifestações pacíficas vão continuar e não se podem associar ao vandalismo. Aquilo que está a acontecer não é desejável, mas quem começa com a violência é a Polícia.
Mas, porque os líderes do PODEMOS não são vistos nas manifestações na capital do país? Em resposta à pergunta, Forquilha diz que os membros estão a participar. “A marcha é popular, em todo o canto há pessoas a marcharem, então participamos. O descontentamento não é apenas dos membros do PODEMOS, é popular e há muita solidariedade e nós estamos felizes com isso”. Além de se alegrar com a adesão nas marchas, Forquilha assegurou que todos sabem que são os reais vencedores, “muitos que estavam nas mesas de voto e os que divulgaram sabem quem ganhou”.
O PODEMOS denunciou ainda o desaparecimento de três membros do partido que vinham da Zambézia. “Isso me parece um sequestro, uma ilegalidade. E se um sequestro desses é feito por pessoas que fiscalizam as vias, só por saberem que a pessoa é de certa província e é do PODEMOS, a nossa posição é exigir que haja esclarecimento, queremos saber onde param os nossos compatriotas”, exigiu Forquilha.
Para já, e segundo o PODEMOS as manifestações continuam e sem data para o seu fim, sendo que o limite será o que chamam de reposição da verdade eleitoral.