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Mais de duas décadas depois do início da exploração comercial do gás natural, Inhambane entra num novo ciclo. A SASOL aumentou os gastos com empresas moçambicanas, concluiu o primeiro Acordo de Desenvolvimento Local e iniciou outro de 43 milhões de dólares, enquanto continua entre os maiores contribuintes fiscais do país. Mas, nos distritos onde a riqueza é extraída, permanece uma pergunta que os números ainda não encerraram: quanto do gás está efectivamente a transformar a economia e a vida das comunidades?

Há mais de duas décadas que o gás natural sai do subsolo de Inhambane. Em 2004, quando começou a produção comercial nos campos de Pande e Temane, abria-se uma das páginas mais importantes da história da indústria extractiva moçambicana e uma nova relação entre uma província essencialmente turística, agrícola e pesqueira e uma indústria que passaria a movimentar centenas de milhões de dólares, gerar receitas fiscais, alimentar centrais eléctricas, fornecer gás a empresas nacionais e exportar parte considerável da produção para a vizinha África do Sul. Vinte e um anos depois, a dimensão da operação mudou, os investimentos cresceram, novas infra-estruturas foram erguidas, empresas moçambicanas entraram na cadeia de fornecimento, comunidades receberam projectos sociais e o Estado passou a arrecadar receitas que fazem da SASOL um dos grandes contribuintes fiscais do país, mas a pergunta fundamental continua a ser muito mais simples do que os números da indústria: quanto dessa riqueza conseguiu ficar e multiplicar-se no lugar de onde ela sai?
A pergunta ganha ainda mais importância porque Inhambane já não está apenas a olhar para trás. A província entrou numa nova etapa da exploração, impulsionada pelo Projecto de Partilha de Produção, PSA, um investimento de cerca de 760 milhões de dólares que acrescentou novas reservas e uma componente mais forte de aproveitamento do gás dentro de Moçambique. O projecto foi concebido para produzir aproximadamente 23 milhões de gigajoules de gás por ano, incluindo gás destinado à Central Térmica de Temane, de 450 megawatts, e inclui uma unidade com capacidade para produzir cerca de 30 mil toneladas de GPL por ano para o mercado doméstico, além de óleo leve e gás excedente para exportação.
É uma mudança importante na narrativa iniciada em 2004. Se durante anos uma das imagens mais fortes da exploração foi a do gás produzido em Inhambane a percorrer o gasoduto até à África do Sul, o novo ciclo coloca uma parcela maior da discussão sobre aquilo que pode ser transformado dentro do país, seja através da geração de electricidade, do GPL, da contratação de empresas nacionais ou da criação de competências capazes de permanecer na economia quando os poços deixarem de produzir.
É precisamente nesta última dimensão que surgem alguns dos números mais expressivos dos últimos anos.
Desde 2019, a SASOL implementa um Plano de Conteúdo Local acordado com o Governo moçambicano para aumentar a participação de empresas e trabalhadores nacionais na cadeia de valor da indústria. Os resultados divulgados pela companhia na sua publicação de 2025 mostram que, considerando as operações e os grandes projectos de expansão realizados ao longo dos últimos cinco anos, foram gastos mais de mil milhões de dólares com empresas registadas em Moçambique, incluindo despesas relacionadas com as operações do PPA, construção do PSA, campanha MERIC, Centro de Formação de Inhassoro e aldeia de reassentamento. A companhia afirma igualmente ter aplicado perto de 3,5 milhões de dólares no desenvolvimento de fornecedores, apoio que terá permitido a 46 empresas locais conquistar ou manter novos contratos.
Mas os números tornam-se ainda mais interessantes quando se separa aquilo que é uma empresa registada em Moçambique daquilo que é uma empresa efectivamente pertencente a moçambicanos, uma distinção essencial numa discussão séria sobre conteúdo local.
No projecto PSA, cerca de 250 milhões de dólares foram adjudicados em contratos, dos quais aproximadamente 211 milhões, equivalentes a 84%, foram atribuídos a empresas moçambicanas, enquanto cerca de 134 milhões de dólares, ou 52% dos gastos, foram direccionados a fornecedores de propriedade moçambicana. Paralelamente, a campanha MERIC, criada para reservar determinadas oportunidades a empresas nacionais, resultou na adjudicação de nove contratos a empresas moçambicanas de propriedade local.
Nas operações regulares do PPA, a despesa anual com fornecedores moçambicanos passou de 16,5 milhões de dólares no ano financeiro de 2019 para 37 milhões em 2024, mais do que duplicando em cinco anos. E existe um número particularmente relevante para Inhambane: os gastos com fornecedores estabelecidos na província passaram de aproximadamente 2,2 milhões de dólares em 2019 para 13,2 milhões em 2024, um crescimento de cerca de seis vezes.
No conjunto de iniciativas reportadas pela empresa, cerca de 700 milhões de dólares foram gastos com empresas moçambicanas e 104 milhões com empresas de propriedade moçambicana, enquanto um programa de certificação envolveu 30 micro, pequenas e médias empresas, 14 das quais de Inhambane e 60% com participação de mulheres.
São números que mudam parte da fotografia existente quando, há alguns anos, jovens de Inhassoro saíam às ruas para reclamar que a indústria instalada no seu território não estava a abrir espaço suficiente para trabalhadores e empresas locais. Mas também levantam uma questão que precisa de ser feita precisamente porque os resultados melhoraram: quanto do conteúdo local é verdadeiramente local?
Uma empresa pode estar registada em Moçambique e continuar a ter capital maioritariamente estrangeiro, da mesma forma que uma empresa moçambicana estabelecida em Maputo pode fornecer serviços em Temane sem que isso represente necessariamente a criação de uma empresa em Inhassoro ou Govuro. Por isso, se o objectivo final do conteúdo local é usar a exploração de um recurso finito para criar uma economia capaz de sobreviver a esse recurso, a avaliação não pode terminar na nacionalidade fiscal do fornecedor. Precisa de chegar à propriedade da empresa, ao local onde ela opera, aos empregos que cria, às competências que transfere e ao dinheiro que permanece a circular na economia dos territórios produtores.
E é precisamente aqui que os 13,2 milhões de dólares gastos em 2024 com fornecedores de Inhambane assumem particular importância. O número mostra uma evolução substancial em relação aos 2,2 milhões registados cinco anos antes, mas também oferece uma nova linha de investigação: quantas dessas empresas pertencem efectivamente a empresários da província, quantas são de Inhassoro e Govuro, quantos trabalhadores locais empregam e quantas conseguirão continuar competitivas quando os grandes contratos associados à construção terminarem?
A SASOL reconhece, de resto, que acesso ao financiamento continua a ser uma das limitações das pequenas empresas. Em parceria com o BCI, criou um fundo dirigido às micro, pequenas e médias empresas, que até 2025 já tinha desembolsado cerca de dois milhões de dólares, procurando resolver um dos obstáculos mais recorrentes enfrentados por empresários locais que possuem capacidade técnica, mas não dispõem de capital suficiente para executar contratos de maior dimensão.
Esta é uma das fronteiras decisivas da indústria extractiva moçambicana. Conseguir um contrato é importante, mas criar uma empresa capaz de usar esse contrato para crescer, contratar trabalhadores, adquirir equipamento, entrar noutros mercados e continuar a operar independentemente da SASOL é muito mais importante. É nessa segunda etapa que conteúdo local deixa de ser uma política de procurement e começa verdadeiramente a transformar-se em política de industrialização.
A mesma lógica aplica-se ao emprego. Durante a construção do PSA, o número de trabalhadores atingiu milhares e uma parte significativa foi recrutada nos distritos próximos das operações. A transição da construção para a operação, contudo, reduz inevitavelmente a necessidade de mão-de-obra, colocando a formação profissional no centro da discussão. A pergunta já não pode ser apenas quantos jovens conseguiram trabalhar durante a construção, mas quantos adquiriram qualificações transferíveis para outras empresas e sectores da economia.
É neste contexto que ganha significado a formação realizada através dos programas de desenvolvimento local. Até Dezembro de 2024, 287 jovens de Inhassoro e Govuro tinham recebido formação profissional em áreas como electricidade, canalização, culinária e agro-processamento, enquanto 231 passaram por formação complementar em competências para a vida e preparação para o mercado de trabalho. O verdadeiro indicador de sucesso, porém, virá depois: quantos conseguiram emprego, quantos abriram negócios e quantos passaram da condição de beneficiários de um projecto social para agentes económicos capazes de gerar rendimento.
Esta discussão conduz directamente a uma das experiências mais ambiciosas de relacionamento entre a indústria extractiva e as comunidades em Inhambane: os Acordos de Desenvolvimento Local.
Em 2019, SASOL, governos distritais e 37 comunidades de Inhassoro e Govuro assinaram o primeiro ciclo dos ADL, que seria implementado entre 2020 e 2025, com investimento global de 20 milhões de dólares, repartidos em partes iguais, dez milhões para 28 comunidades de Inhassoro e dez milhões para nove comunidades de Govuro. Diferentemente do modelo tradicional em que uma empresa decide praticamente sozinha onde aplicar o seu investimento social, os acordos introduziram um mecanismo tripartido no qual as próprias comunidades participam na identificação das prioridades, em articulação com os governos distritais e a companhia.
O primeiro ciclo chegou ao fim em 2025 e deixou resultados suficientemente concretos para permitir uma avaliação que vá além das promessas.
No sector de água e saneamento, ao qual foram destinados aproximadamente cinco milhões de dólares, o programa chegou a mais de 30 mil pessoas. O balanço divulgado pela SASOL próximo do encerramento do ciclo contabilizava a construção de 11 novos sistemas de abastecimento de água, 25 novos furos equipados com bombas manuais, reabilitação de 97 furos e intervenção em 17 sistemas de abastecimento, além de blocos sanitários, formação de agentes comunitários de higiene e criação ou revitalização de comités responsáveis pela gestão das fontes.
Há aqui uma diferença importante entre construir e transformar. Uma fotografia de inauguração prova que uma infra-estrutura foi entregue, mas não prova que cinco anos depois continua a fornecer água. O legado do primeiro ADL deverá, por isso, ser medido não apenas pelo número de furos e sistemas instalados, mas pela sua funcionalidade, capacidade das comunidades de financiar pequenas reparações e existência de peças e técnicos para garantir manutenção. O próprio programa procurou responder a esse risco através da formação de 36 mecânicos comunitários, criação de 69 novos comités de água e saneamento, revitalização de outros 92 e estabelecimento de três fornecedores de peças para bombas e sistemas.
Na vertente económica, foram investidos cerca de três milhões de dólares com o objectivo de criar alternativas ao emprego formal. Mais de 500 pessoas receberam formação em empreendedorismo, 250 passaram por acompanhamento na implementação dos negócios e 235 projectos acabaram financiados. O programa incluiu ainda desenvolvimento de cadeias de valor em caju, caprinocultura, artesanato, horticultura, ananás e produção de ovos, além da construção de sistemas de irrigação, instalação de uma câmara frigorífica para conservação de pescado em Inhassoro e moageiras em Govuro.
São intervenções que revelam uma mudança conceptual importante. A riqueza do gás começa a ser utilizada para financiar actividades que não dependem do gás. Isso parece contraditório, mas é precisamente o que uma boa política de desenvolvimento numa região extractiva deveria procurar: utilizar receitas e investimento produzidos por um recurso esgotável para criar actividades económicas que continuem a gerar rendimento depois dele.
A agricultura, a pecuária, a pesca, o pequeno comércio e o empreendedorismo podem parecer economicamente pequenos quando comparados com uma operação internacional de gás, mas são precisamente estas actividades que sustentam a maioria das famílias e que permanecerão em Inhassoro e Govuro independentemente do comportamento futuro dos campos de gás.
O primeiro ADL avançou também para sectores sociais. No quadro das prioridades escolhidas pelas comunidades e governos locais, foram direccionados investimentos para a transformação do Centro de Saúde de Mangungumete em Hospital Distrital, com cerca de 1,2 milhões de dólares previstos para a primeira fase, incluindo um bloco cirúrgico; para a reabilitação e expansão dos centros de saúde de Pande e Doane, em Govuro; e para a construção da primeira fase de uma escola secundária em Inhassoro, incluindo salas de aula, bloco administrativo, sanitários, cantina, rede eléctrica e sistema de abastecimento de água.
Foram igualmente construídos centros comunitários, um mercado em Govuro e infra-estruturas desportivas, enquanto o programa de acesso à electricidade foi desenhado para chegar a 26 das 37 comunidades, através de uma combinação de ligação à rede nacional, mini-redes solares e kits individuais. Cerca de 1,1 milhões de dólares foram alocados a esta componente e a ligação à rede foi projectada para beneficiar aproximadamente mil famílias.
O balanço, contudo, exige uma ressalva importante. Pouco antes do fim formal do primeiro ciclo, em Abril de 2025, alguns projectos ainda apresentavam diferentes níveis de execução. O documento de acompanhamento publicado pela SASOL indicava, por exemplo, componentes de água com execução de 91% e 59%, obras de saúde entre 20% e 35%, enquanto outros projectos se aproximavam ou tinham alcançado a conclusão. Portanto, dizer que o ciclo 2020-2025 terminou não significa automaticamente que todas as infra-estruturas previstas estivessem fisicamente concluídas exactamente na mesma data. Essa distinção é importante para avaliar o ADL pelo que efectivamente entregou, e não apenas pelo orçamento aprovado.
A própria empresa, na publicação de 2025, apresenta o primeiro ciclo como concluído e afirma que vários projectos comunitários foram entregues, ao mesmo tempo que o segundo ciclo foi formalizado em Maio daquele ano. A avaliação independente do impacto deverá agora responder à pergunta que os números de execução não conseguem resolver sozinhos: os 20 milhões de dólares produziram mudanças sustentáveis nas 37 comunidades ou produziram sobretudo infra-estruturas cuja sustentabilidade ainda dependerá de novos investimentos?
É uma pergunta particularmente relevante porque a escala acaba de aumentar.
O ADL II, assinado em Maio de 2025 para o período 2025-2030, elevou o investimento de 20 para 43 milhões de dólares e ampliou o universo de 37 para 70 comunidades, incorporando Vilankulo aos distritos de Inhassoro e Govuro. Ou seja, a segunda fase terá mais do dobro do investimento e quase o dobro das comunidades abrangidas, mantendo áreas como saúde, educação, agricultura, água, energia, saneamento e fortalecimento da economia local.
O aumento é substancial. Mas traz igualmente uma responsabilidade maior de medir resultados. Se o primeiro ciclo serviu para testar o modelo, o segundo terá de demonstrar que participação comunitária, investimento social e sustentabilidade conseguem funcionar conjuntamente. Não basta gastar 43 milhões de dólares. Será necessário saber quanto desse dinheiro chega aos projectos, quanto é absorvido por gestão e assistência técnica, quantas pessoas melhoram efectivamente os rendimentos, quantas infra-estruturas permanecem operacionais e que indicadores sociais mudam nas comunidades abrangidas.
Enquanto a SASOL aumenta o investimento social e os gastos com fornecedores nacionais, outra conta alimenta um debate muito mais sensível em Inhambane: os impostos.
Durante anos, a dimensão fiscal da operação tem sido uma das principais contribuições da indústria para o Estado. Em 2023, a SASOL Petroleum Temane foi reconhecida pela Autoridade Tributária como primeira classificada nas categorias de Contribuição Global e Imposto sobre o Rendimento, e no exercício de 2024 voltou a aparecer entre os maiores contribuintes de IRPC do país.
Aqui é importante separar exercícios fiscais para não misturar números que dizem respeito a períodos diferentes. O valor de 124.973.928 dólares, cerca de 7,9 mil milhões de meticais, anteriormente divulgado, corresponde ao exercício de 2023, não a 2025. Já em 2024, os dados divulgados posteriormente apontam para uma contribuição fiscal de aproximadamente 6,2 mil milhões de meticais, cerca de 92 milhões de dólares.
E há agora um número ainda mais recente.
Segundo informação divulgada em 2026 no contexto dos novos investimentos comunitários da empresa, a contribuição fiscal da SASOL em 2025 foi de aproximadamente 77 milhões de dólares, excluindo royalties pagos em espécie. A sequência mostra que os valores variam de exercício para exercício, mas confirma a dimensão da empresa dentro da arrecadação fiscal moçambicana.
É precisamente aqui que nasce uma das maiores contradições políticas da exploração de gás em Inhambane.
O governador da província, Francisco Pagula, critica o modelo através do qual uma parcela do Imposto sobre a Produção é canalizada para o desenvolvimento das zonas produtoras. A legislação passou a prever a afectação de 10% das receitas do imposto sobre a produção mineira e petrolífera às províncias, distritos e comunidades onde ocorre a exploração, substituindo o anterior mecanismo de 2,75% destinado às comunidades.
A percentagem parece elevada quando apresentada isoladamente. O problema, segundo Pagula, está na base sobre a qual é calculada.
Tomando como exemplo os números fiscais anteriormente apresentados pela SASOL, dos 124.973.928 dólares pagos no exercício de 2023, 95.941.011 dólares correspondiam ao IRPC, 4.502.239 dólares ao IRPS, 6.293.059 dólares ao IVA e 18.237.619 dólares ao Imposto sobre a Produção. Portanto, os 10% destinados ao mecanismo de desenvolvimento territorial não incidiam sobre os quase 125 milhões de dólares de tributação global, mas apenas sobre os 18,2 milhões referentes ao Imposto sobre a Produção.
Daí resultariam cerca de 1,82 milhões de dólares, aproximadamente 116 milhões de meticais, como referência para os 10%.
É essa matemática que o governador considera injusta.
Para Francisco Pagula, uma província que suporta directamente os impactos territoriais, sociais e ambientais associados à exploração deveria beneficiar de uma parcela maior da riqueza fiscal produzida pela actividade. A sua crítica não é apenas ao número “10”, mas à fórmula que o produz, porque dez por cento de uma rubrica específica representam uma parcela muito menor quando comparados com o conjunto de impostos pagos pela indústria.
A discussão merece, porém, uma distinção fundamental. Os restantes impostos não desaparecem nem deixam necessariamente de beneficiar Inhambane. São receitas do Estado e entram no financiamento das despesas nacionais, podendo regressar à província através do Orçamento do Estado, salários, escolas, hospitais, estradas e outros investimentos. O debate colocado por Pagula é diferente: qual deve ser a parcela especificamente reservada ao território que produz o recurso e suporta directamente os seus impactos?
Esta pergunta torna-se concreta quando se olha para aquilo que o dinheiro consegue financiar. Segundo dados apresentados pelo Governo Provincial, Inhambane recebeu cerca de 64 milhões de meticais em 2024, referentes ao exercício económico de 2023, recursos que permitiram financiar menos de três quilómetros de estrada e um centro de saúde, enquanto Inhassoro e Govuro receberam cerca de oito milhões de meticais cada.
É aqui que a dimensão abstracta dos milhões de dólares encontra a dimensão física do desenvolvimento. Uma província pode produzir gás suficiente para alimentar indústrias e gerar centenas de milhões em actividade económica, mas uma estrada continua a ser medida em quilómetros, uma escola em salas, um hospital em camas e uma comunidade em famílias com ou sem água.
Por isso, a discussão sobre os 10% não deveria ser reduzida à ideia de que Inhambane pretende ficar com a riqueza nacional. Os recursos naturais pertencem ao Estado e a sua exploração deve beneficiar todo o país. Uma criança em Niassa tem tanto direito aos benefícios produzidos pelo gás de Inhambane como uma criança em Inhassoro. Mas existe igualmente um princípio de justiça territorial: as comunidades que cedem terra, convivem com instalações industriais e suportam os impactos directos da exploração não podem ser as últimas a perceber os benefícios dessa riqueza.
É neste equilíbrio entre solidariedade nacional e compensação territorial que a discussão precisa de amadurecer.
E há uma terceira conta, talvez mais importante do que impostos e investimento social juntos: o que permanecerá quando o gás acabar?
Os campos de gás são recursos finitos. Uma escola pode durar décadas, uma empresa competitiva pode atravessar gerações, um trabalhador qualificado pode levar conhecimento para outras indústrias e um sistema de irrigação pode continuar a produzir alimentos muito depois de um poço deixar de produzir gás. É por isso que conteúdo local, formação profissional, desenvolvimento empresarial e investimento comunitário não devem ser vistos como acessórios sociais da exploração, mas como parte central da transformação de uma riqueza subterrânea temporária numa economia permanente.
Os números mais recentes da SASOL mostram avanços que há poucos anos pareciam difíceis de imaginar. Mais de mil milhões de dólares gastos com empresas registadas em Moçambique ao longo de cinco anos, 211 milhões de dólares do PSA adjudicados a empresas moçambicanas, 134 milhões direccionados a fornecedores de propriedade nacional, gastos com fornecedores de Inhambane multiplicados várias vezes e um primeiro ADL de 20 milhões de dólares sucedido por outro de 43 milhões.
Mas estes números não devem encerrar a investigação. Devem iniciá-la.
Porque gastar com uma empresa moçambicana não é automaticamente criar indústria moçambicana. Construir um furo não garante água daqui a dez anos. Formar um jovem não significa que ele conseguiu emprego. Financiar um empreendedor não significa que o negócio sobreviveu. Construir uma escola não garante qualidade de ensino. Transferir 10% do Imposto sobre a Produção não significa que as comunidades receberam 10% de todos os impostos. E anunciar 43 milhões de dólares para um novo ADL não significa que o desenvolvimento está garantido.
A diferença entre investimento e impacto está precisamente no que acontece depois.
É por isso que Inhambane chega ao terceiro decénio da exploração de gás com uma vantagem que não tinha em 2004: já existe história suficiente para comparar promessa com resultado.
Há jovens que protestaram por emprego e hoje podem dizer se conseguiram entrar na indústria. Há empresários que começaram pequenos e podem mostrar se os contratos da SASOL os transformaram em fornecedores competitivos. Há comunidades onde foram construídos sistemas de água e onde é possível abrir uma torneira para verificar se ainda corre água. Há beneficiários financiados pelo programa de empreendedorismo e é possível descobrir quantos negócios sobreviveram. Há famílias abrangidas pelos projectos de electrificação e é possível verificar se a luz chegou. Há 37 comunidades que atravessaram todo o primeiro ciclo dos ADL e podem dizer, sem intermediários, o que mudou.
Essa talvez seja a avaliação mais importante de todas.
A SASOL pode apresentar os números do investimento. O Governo pode apresentar os números dos impostos. Os distritos podem apresentar as obras. Mas as comunidades são quem pode dizer se esses números se transformaram em desenvolvimento.
E o momento para fazer essa avaliação dificilmente poderia ser mais oportuno. O primeiro ADL terminou e o segundo começou. O PSA entrou numa nova fase. O conteúdo local apresenta resultados muito superiores aos registados no início do plano. O investimento comunitário mais do que duplicou. E a discussão política sobre a parcela das receitas destinada aos territórios produtores chegou ao próprio Governo Provincial.
Inhambane encontra-se, portanto, entre dois ciclos.
O primeiro demonstrou que a exploração do gás pode produzir receitas fiscais, empregos, empresas fornecedoras, água, escolas, saúde, electricidade e negócios comunitários. Também mostrou que expectativas podem crescer mais depressa do que os benefícios, que empregos de construção desaparecem quando as obras terminam, que uma infra-estrutura sem manutenção pode perder rapidamente o seu valor e que números nacionais de conteúdo local nem sempre respondem à pergunta feita por quem vive em Inhassoro: quanto ficou aqui?
O segundo ciclo terá 43 milhões de dólares de investimento comunitário, 70 comunidades e três distritos abrangidos, enquanto a indústria entra numa fase em que parte do gás poderá alimentar uma central de 450 megawatts e uma unidade projectada para produzir 30 mil toneladas anuais de GPL.
A escala aumentou.
A exigência também terá de aumentar.
Depois de 21 anos, já não basta medir o sucesso da exploração pela quantidade de gás retirada do subsolo, pelos dólares pagos em impostos ou pelos milhões investidos em projectos sociais. A verdadeira medida será saber se Inhassoro e Govuro estão a construir uma economia menos dependente da própria SASOL, se os jovens possuem competências capazes de lhes garantir trabalho noutras indústrias, se empresários locais conseguem competir sem protecção, se as comunidades conseguem gerir as infra-estruturas recebidas e se uma parte da riqueza extraordinária produzida durante algumas décadas continuará a gerar desenvolvimento quando a exploração terminar.
Porque o maior risco para uma região rica em recursos naturais não é apenas receber pouco enquanto o recurso é explorado.
É chegar ao fim da exploração e descobrir que, apesar de toda a riqueza que passou por ali, ficou pouco capaz de produzir riqueza sem ela.
Em Inhambane, essa história ainda está a ser escrita.
Há mais dinheiro a circular pelas empresas moçambicanas, mais investimento anunciado para as comunidades e uma nova cadeia energética a nascer em torno do PSA. Há também um governador que considera insuficiente a parcela fiscal que regressa especificamente ao território produtor e comunidades que continuam a medir desenvolvimento não em milhões de dólares, mas na água que corre, no emprego que aparece, na estrada que resiste às chuvas, na escola que funciona e no rendimento que chega ao fim do mês.
Talvez seja justamente aí que esteja a resposta para a pergunta que acompanha Inhambane desde que o primeiro gás começou a sair de Temane.
A riqueza do gás não deve ser medida apenas pelo que sai do subsolo, mas sobretudo pelo que consegue permanecer à superfície.
E, 21 anos depois, essa continua a ser a conta que Inhambane quer ver fechada.

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A Província de Inhambane comercializou, nos últimos quatro anos, cerca de 70 mil toneladas de castanha de caju, grande parte no mercado nacional.
Os pequenos processadores da castanha de caju dizem que encontram dificuldades para certificar a castanha produzida naquela província.

Inhambane é o terceiro maior produtor de castanha de caju do país, mas, apesar disso, não tem nenhuma indústria de processamento. Por outro lado, existem pequenos processadores cuja capacidade de processamento está abaixo de mil toneladas por ano. Para estes, o grande problema tem que ver com a certificação da castanha produzida em Inhambane.

O preço de venda da castanha de caju no exterior é outro problema enfrentado pelos processadores que muitas vezes preferem vender no mercado local.

Os distritos produtores da castanha de caju dizem que deve haver incentivos para atrair investimentos para o processamento industrial da oleaginosa.

O governador de inhambane revela que, nos últimos cinco anos, foram implantados três milhões de mudas de cajueiro ao mesmo, que eram tratados 700 mil árvores por ano. Estes números permitiram um aumento da produção da castanha de caju.

Os intervenientes falavam em Inhambane durante o Fórum Provincial do caju, um evento que juntou, na mesma mesa, produtores, processadores, compradores e o regulador, para discutir as melhores estratégias de produção da oleaginosa.

 

Os vendedores do Mercado Kwachena, na cidade de Tete, queixam-se da falta de clientes devido às manifestações e alegam que a situação está a retrair potenciais compradores de produtos no local.

Desde que iniciaram as manifestações convocadas pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane, os mercados informais da cidade de Tete tendem a registar fraco movimento de clientes. Entretanto, como saída, os vendedores são obrigados a baixar os preços de produtos, sobretudo a batata, tomate e cebola. Dizem estar a somar prejuízos relacionados com a falta de compradores e deterioração dos produtos.

Por outro lado, os compradores queixam-se do agravamento de preços dos produtos de primeira necessidade. O óleo, sabão e ovos, por exemplo, tiveram uma subida que varia entre 50 a 200 Meticais.
Os comerciantes dizem que tal facto está relacionado com as dificuldades para movimentar mercadorias dos países vizinhos para Moçambique e vice-versa.

Tomate, cebola e a batata produzida localmente estão em abundância nos principais mercados informais da cidade de Tete.

Duas das três equipas que vão ascender ao Mocambola-2025 serão conhecidas este domingo, quando se disputarem os jogos da segunda mão das finalíssimas das zonas Sul e norte do país. Ao nível da zona Centro joga-se a primeira mão da finalíssima, em Quelimane

 

Com a época futebolística nacional a caminhar para o seu final, às equipas que vão disputar o campeonato nacional do próximo ano também vão sendo conhecidas com a realização das finalíssimas regionais.
Sul e Norte encerram este domingo a disputa da finalíssima, enquanto no Centro arranca, este domingo, com a realização da primeira mão.
Canavial terá mais açúcar ou ficará preto e branco?

Na zona sul, a finalíssima é entre o Desportivo da Matola e o Incomati de Xinavane, ambas da província de Maputo e que deixaram para trás às equipas da cidade de Maputo, tidas como candidatas, nomeadamente Estrela Vermelha de Maputo e Maxaquene, para além das equipas de Inhambane e Gaza, esta última que não tem nenhum representante no Moçambola já lá vão três anos.

Depois da disputa da primeira mão, sábado passado, com o Desportivo da Matola a vencer em sua casa (casa emprestada da Liga Desportiva de Maputo), por 3-2, desta vez o jogo será no Canavial, em Xinavane.
Os “alvi-negros” da Matola querem segurar a vantagem mínima e regressar ao Moçambola quase 15 anos depois, e por isso terá que jogar todas energias para que esse objectivo se concretize.

O representante da cidade da Matola até recebeu apoio financeiro do respectivo presidente do Município da Matola, para que consiga está qualificação e coloque a segunda equipa da cidade no Moçambola.

Mas o resultado da primeira mão pode ser enganador para um possível fim da eliminatória, uma vez que ao Incomati basta uma vitória de uma bola sem resposta para se qualificar ao Moçambola, uma vez que em casa do adversário marcou dois golos. E vai, de certeza, usar essa arma para ir para cima do Desportivo da Matola.

Os “açucareiros” procuram o regresso dois anos depois da descida de divisão, num ano que estavam a atravessar uma crise financeira sem precedentes. Desta vez pode ser diferente e um regresso à prova máxima do futebol moçambicano é aposta da direcção.

Se para o campeonato provincial às duas equipas dividiram às vitórias, mas fora de portas, nomeadamente com o Incomati a vencer no campo do Desportivo da Matola por 3-1 e os “alvi-negros” a darem o troco no Canavial por uma bola sem resposta, desta vez, na finalíssima foi o contrário. A equipa da casa venceu na primeira mão.

Será que teremos vitória da equipa da casa? Ou os forasteiros vão contrariar a tendência?

“Leões” de Nampula procuram ressuscitar depois da trucidação da “locomotiva” de Nacala

Na zona norte parece não haver muito a se contar em relação a está finalíssima. É que o resultado da primeira mão pode ter definido a equipa que vai ascender ao Moçambola do próximo ano.

Em Nacala, a “locomotiva” local não teve meias medidas para trucidar um “leão” sem garras e sem forças para obter outro resultado. Foi uma vitória gorda, de 3-0 imposta pelo Ferroviário de Nacala ao Sporting de Nampula.

Este domingo, na capital de Nampula, o Sporting terá que fazer tudo e mais alguma coisa que não conseguiu fazer na primeira mão, para revirar a eliminatória e chegar ao Moçambola. Um Sporting de Nampula que não conseguiu se superiorizar diante do Ferroviário de Nacala dos dois jogos do campeonato da segunda divisão, uma vez que na primeira volta os nacalenses venceram por 3-1 e na segunda volta houve empate sem abertura de contagem.

Aliás, o Sporting de Nampula até terminou na terceira posição do campeonato provincial, mas beneficiou-se do facto de o Omhipiti Futebol Clube não ter terminado o processo de licenciamento de clubes para equipas da segunda divisão.

Mas o jogo da primeira mão demostrou claramente qual equipa está melhor estruturada e preparada para chegar ao Moçambola, daí que o Sporting de Nampula terá que contrariar está superioridade dos “locomotivas” de Nacala no jogo.

Zambézia e Tete lutam pelo Moçambola-2025

Por seu turno, ao nível da zona centro a disputa da finalíssima começa este fim-de-semana, com Matchedje de Mocuba e Chingale de Tete a procura do regresso ao Moçambola.

As duas equipas venceram os respectivos campeonatos provinciais com categoria, tiveram uma Poule de Apuramento, na fase regular, diferente uma da outra.

Por um lado o Chingale de Tete teve categoria para vencer a série A, numa disputa em que deixou para trás o FC da Beira, equipa que parecia que daria luta.

Já o Matchedje de Mocuba teve que usar, até, de estratégias extra-futebol, para conseguir o apuramento, numa luta com a Liga Desportiva de Sofala, tida como candidata ao apuramento. Teve que ser o jogo em repetição diante da turma de Sofala, para os “militares”assegurarem lugar na finalíssima.

Num frente a frente, “militares” de Mocuba e “canarinhos” de Tete procuram o regresso ao Moçambola.

O Chingale de Tete, despromovido do Moçambola em 2017, tentou por diversas vezes o regresso, mas sempre encontrou oposição de outras equipas da zona centro, que foram ascendendo, casos do Textáfrica do Chimoio, Ferroviário de Quelimane, Matchedje de Mocuba e Têxtil de Púnguè. Agora tenta o regresso numa disputa com o Matchedje de Mocuba, despromovido ano passado a segunda divisão.

Será uma eliminatória equilibrada, olhando para a grandeza das duas equipas e os objectivos de ambos na competição.

A primeira mão disputa-se este domingo, em Quelimane, sendo que a segunda mão será em Tete.

No próximo dia 2 de Dezembro, a partir das 15 horas, o escritor Adelino Timóteo irá lançar o seu mais recente livro na Livraria Castro e Silva, em Lisboa, Portugal.
Intitulado “Jorge Jardim – o ano do adeus ao ultramar”, o autor pretende fazer do livro um farol, com material inédito, buscando iluminar os acontecimentos do pós-25 de Abril de 1974, assim como o episódio trágico de 7 de Setembro, em Lourenço Marques, do mesmo ano.

Com enfoque no Engenheiro Jorge Jardim, trata-se, segundo uma nota de imprensa, de um ângulo inédito e distinto de contar também sobre os derradeiros momentos da luta armada de libertação e os demais acontecimentos que lhe sucederam, vinculando-o a uma tentativa humana e de redenção de se acercar à FRELIMO, através do «Programa de Lusaka», com que buscava evitar a debandada de 250 mil brancos de Moçambique.

Debaixo da lenda desta personalidade e com informação devidamente contextualizada, o autor esmiuça os factos, que marcaram o fim do Ultramar português e a emergência de um novo conflito, debaixo da consigna da guerra fria.

“Afamado como uma das mais ímpares e insignes personalidades da África Austral, purgado pela Junta de Salvação Nacional, dos capitães de Abril, Jorge Jardim, tratado como um monstro, esgrime os seus argumentos, mas não consegue impor o seu plano em cima da mesa, no tratado de Lusaka. Daí resvala-se para um plano secundário e assiste desencantado o processo dramático e trágico da descolonização desde a periferia.

Cinquenta anos depois, olhando para o pensamento de Jorge Jardim, é possível depreender que, mais do que votar-lhe ao ostracismo e ao tabu, Jorge Jardim foi um nacionalista, que pretendeu contribuir com o seu pensar particular, que mantivesse a dignidade da maioria e dos derrotados, numa harmonia comum, sem se ferirem uns aos outros”, lê-se na nota de imprensa.

No seu livro, ao desenterrar o perfil de um homem complexo, de acordo com a sinopse, pretensamente anti-racista, com as suas contradições e partes encantadoras, como todos os seres humanos comuns, o autor oferece a oportunidade de se esgravatar sobre a documentação e testemunhos interessantes de uma figura enigmática, esclarecendo sobre os momentos que mediaram a morte de Eduardo Mondlane, com isto demonstrando que a história é um processo dinâmico, em permanente construção.

“A relevância de documentar com intensidade esse período de ouro da história contemporânea é um serviço à Nação”, assume Adelino Timóteo.

Sobre o autor

Adelino Timóteo nasceu a 3 de Fevereiro de 1970, na Beira. É formado na área de docência em Língua Portuguesa, mas não exerceu a profissão. Ingressou no Jornalismo em 1994, na cidade da Beira, no Diário de Moçambique, e, mais tarde, tornou-se correspondente do semanário Savana, na mesma cidade. É licenciado em Direito e exerce a função de jornalista no semanário Canal de Moçambique. Além disso, é artista plástico e já realizou várias exposições individuais de artes, em Moçambique e no estrangeiro. Obras publicadas, entre poesia, romances e biografias: · Os segredos da arte de amar. Maputo: AEMO, 1998. · Viagem à Grécia através da Ilha de Moçambique. Maputo: Ndjira, 2002. · A fronteira do sublime. Maputo: AEMO, 2006. · Mulungu. Maputo: Texto, 2007. · A Virgem da Babilónia. Maputo: Texto, 2009. · Nação pária. Maputo: Alcance, 2010. · Na aldeia dos crocodilos. Maputo: Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa; Barcelona: Fundació Privada Contes pel Món, 2011. · Dos frutos do amor e desamores até à partida. Maputo: Alcance, 2011. · Não chora Carmen. Maputo: Alcance, 2013. · Nós, os do Macurungo. Maputo: Alcance, 2013. · Livro Mulher. Maputo: Alcance, 2013. · Apocalipse dos predadores. Lisboa: Chiado, 2014. · Corpo de Cleópatra. Maputo: Alcance, 2016. · Os oito maridos de Dona Luíza Michaela da Cruz. Maputo: Alcance, 2017. · Os últimos dias de Uria Simango. Maputo, 2018. · Na aldeia dos crocodilos. Contos de Moçambique, v. 7. São Paulo: Kapulana, 2018. · Os últimos dias de Uria Simango. Maputo, 2018. · Volúpia da pedra. Maputo, 2018. · Afonso Dhlakama – a longa luta em defesa da democracia. 2019 . O Feiticeiro Branco, 2020 .

Há cidadãos Zimbabweanos que votaram em nome dos moçambicanos, no dia 9 de Outubro, em Zimbabwe. A denúncia é do partido PODEMOS que garante ter havido manipulação no número de votantes, por isso, pede anulação do processo. 

A constatação do partido PODEMOS surge pelo facto de terem sido contados naquela região 296 519 cidadãos inscritos como eleitores  moçambicanos, o que segundo o partido não corresponde à verdade.  

Por isso o PODEMOS submeteu, esta quarta-feira, ao Conselho Constitucional  uma invocação de nulidade da eleição presidencial, na circunscrição Zimbabwe. 

Através de um documento, o PODEMOS afirma que: “As razões para o efeito, é por esta circunscrição ter contado com 296 519 cidadãos Zimbabweanos, sem capacidade eleitoral activa, todavia inscritos como cidadãos moçambicanos eleitores”.

E justifica que “a invocação da nulidade teve como base o Relatório da Southern Africa Human Rights Lawyers High Comission Mozambique”.

O partido que apoia o candidato presidencial Venâncio Mondlane diz ainda que decorrem, até ao momento, os recursos submetidos ao Conselho Constitucional, através da Comissão Nacional de Eleições, para a solicitação da verdade eleitoral.

 

A Associação Black Bulls intensifica a preparação, tendo em vista o jogo da primeira jornada do Grupo “D” da fase de grupos da Taça CAF, frente ao Zamalek do Egipto. A partida entre as duas equipas será disputada dentro de uma semana, ou seja, na próxima quinta-feira. 

Os “touros” iniciaram os trabalhos, esta segunda-feira, depois de Hélder Duarte ter dado uma semana de descanso aos seus jogadores, após a conquista do Moçambola. 

A equipa ganhou reforço, com a integração dos cinco jogadores, que estiveram ao serviço da selecção, no caso Ernani, Nené, Chamboco, Martinho e Melque. A viagem do representante moçambicano para o Egipto está agendada para três dias antes do jogo. 

Recorde-se que esta é a primeira vez que a Black Bulls chega à fase de grupos das competições africanas. 

Os Mambas qualificaram-se pela segunda vez consecutiva para uma fase final de um CAN. Esta é a segunda vez que a selecção nacional se apura duas vezes seguidas para um Campeonato Africano das Nações, depois de 1996 e 1998. Para esta qualificação, os Mambas tiveram uma das melhores pontuações de sempre.
Moçambique está em festa com a qualificação dos Mambas para a sua sexta fase final de um Campeonato Africano das Nações, CAN. Uma história que está a ser feita de forma constante nos últimos anos, pelo menos desde que Chiquinho Conde assumiu as rédeas dos Mambas.
Aliás, Chiquinho Conde só sabe fazer história no comando da selecção nacional de futebol. Com a sua chegada aos Mambas, em 2021, Chiquinho só soma conquistas e, a cada competição, faz história para o país.
No seu primeiro objectivo, após a sua contratação, Conde qualifica os Mambas para a fase final do CHAN da Argélia, em 2022, oito anos depois, numa competição em que se apurou pela primeira vez para os quartos-de-final.
Ainda no mesmo período, o técnico consegue o seu segundo objectivo: devolver a selecção nacional à alta roda do futebol africano, nomeadamente a uma fase final de um CAN, nomeadamente ao CAN da Costa do Marfim, em 2023, 13 anos depois da última participação.
Mas não terminou por aí: depois da renovação de contrato, o Conde de Moçambique somou o terceiro grande objectivo: qualificar pela segunda vez consecutiva os Mambas para uma fase final do CAN, desta feita para Marrocos, em 2025.
Esta é a segunda vez que os Mambas conseguem dois apuramentos seguidos a um CAN, depois de o terem feito para os CAN de 1996 e 1998, respectivamente, na África do Sul e no Burkina Faso.
Chiquinho Conde consegue, assim, fazer o que nenhum outro seleccionador tinha conseguido com os Mambas em apenas três anos: duas qualificações para o CAN, uma qualificação para o CHAN, com uma passagem aos quartos-de-final, e uma caminhada a ser feita de forma tranquila na fase de apuramento ao Mundial de futebol.
Caminhada para Marrocos com apenas uma derrota
A qualificação para o CAN de Marrocos terá sido das mais tranquilas e menos penosas para os Mambas. Apesar de ter sido sorteada num grupo difícil, com Mali a ser cabeça-de-lista, Guiné-Bissau era tida como a selecção com a qual os Mambas iriam lutar pela segunda vaga. Havia contas a fazer com os Djurtus.
A caminhada começou em Setembro, com um empate fora de portas diante do Mali, a um golo, em Bamako, que abria muitas expectativas em relação à luta pelo apuramento. A Guiné-Bissau vencia Eswatini e era o primeiro líder do grupo.
Seguiu-se a vitória caseira diante da Guiné-Bissau por duas bolas a uma, que colocava os Mambas na liderança do grupo, com os mesmos quatro pontos do Mali, que também vencia Eswatini, mas à tangente.
Em Outubro foram dois jogos que podiam ter ditado a qualificação antecipada, sem depender de mais ninguém e sem passar por dúvidas. Afinal o adversário era a “frágil” selecção de Eswatini.
Porém, um empate caseiro a um golo deixou dúvidas em relação às expectativas de qualificação. No entanto, noutro jogo, Guiné-Bissau e Mali também empataram e deixaram tudo em aberto.
Na deslocação a Mbombela para defrontar Eswatini para a quarta jornada, os Mambas venceram por 3-0 e continuaram na liderança, ainda em igualdade pontual com Mali, que também vencera a Guiné-Bissau.
Em Novembro, os Mambas ainda estremeceram após derrota caseira diante do Mali, por uma bola sem resposta, mas foram agraciados pelo empate dos Djurtus diante de Eswatini, a um golo. Foi preciso esperar pelo último jogo, em Bissau, diante do directo adversário na luta pela qualificação, num jogo em que um empate servia para a qualificação para o CAN.
Chiquinho Conde não quis o empate e terminou com vitória por duas bolas a uma, fazendo a festa no mesmo palco onde há cinco houve tristeza, numa vingança servida fria.
Segunda melhor pontuação de sempre
Com a vitória na Guiné-Bissau os Mambas terminaram com 11 pontos, a segunda maior pontuação em fase de qualificação para o CAN, superada apenas pela qualificação de 1996, que terminou com 20 pontos. Na qualificação para o CAN 1998, os Mambas terminaram com 10 pontos, tal como no apuramento para o CAN 2023. Para o CAN de 2010, os Mambas somaram sete pontos e foram um dos quatro melhores terceiros de todos os grupos que garantiram a qualificação.
Ao todo, os Mambas marcaram nove golos e sofreram cinco, com Stanley Ratifo a ser o melhor marcador com três golos, marcados a Eswatini, na terceira e quarta jornadas, e Guiné-Bissau, na sexta jornada, seguido de Geny Catamo com dois golos apontados a Mali, na primeira jornada, e Eswatini, na quarta.
Ricardo Guima, Elias Macamo, ambos com golos apontados à Guiné-Bissau na segunda jornada, Dominguez, que marcou ao Eswatini na quarta jornada, e Bruno Langa, que marcou em Bissau, foram os outros marcadores dos Mambas.
RESULTADOS DOS MAMBAS NO GRUPO I
SETEMBRO
Mali 1-1 Moçambique
Moçambique 2-1 Guiné-Bissau
OUTUBRO
Moçambique 1-1 Eswatini
Eswatini 0-3 Moçambique
NOVEMBRO
Moçambique 0-1 Mali
Guiné-Bissau 1-2 Moçambique
CLASSIFICAÇÃO GRUPO I
JVEDGMGSP
1. Mali 6 4 2 0 10 1 14
2. Moçambique 6 3 2 1 9 5 11
3. Guiné-Bissau 6 1 2 3 4 6 5
4. Esswatini 6 0 2 4 2 13 2

O trânsito ficou paralisado, hoje, às 12h00, em algumas avenidas da Cidade de Maputo, em resultado dos protestos contra os resultados eleitorais. Vestidos de preto, os manifestantes tocaram buzinas, cantaram e exibiram cartazes. Tudo correu de forma pacífica.

Pontualmente às 12h00, o trânsito parou, literalmente, em algumas avenidas da Cidade de Maputo. Com o relógio numa mão e a outra ao volante, os condutores accionaram buzinas e o acto teve réplica. Era uma nova forma de os manifestantes se fazerem ouvir. Não foi só isso que aconteceu. Vestidos de preto, alguns manifestantes encheram as avenidas de Maputo, cantando e exibindo cartazes, até que os que estavam nos seus postos de trabalho se juntaram aos protestos.

As manifestações ocorreram em diversas artérias, com o objectivo de protestar contra os resultados eleitorais anunciados pela Comissão Nacional de Eleições, que consideram injustos e fraudulentos.

Os protestos aconteceram de forma pacífica. Entretanto, há quem não gostou da atitude de alguns manifestantes naqueles 15 minutos, considerando que a sua iniciativa consubstanciava em impedir que tomasse, de forma normal, a sua direcção para desenvolver as suas actividades.

Na Estrada Nacional Número Quatro (EN4), precisamente na zona da Maquinag, no bairro Luís Cabral, os manifestantes pararam no meio da via e interromperam o trânsito.

A manifestação não só foi captada pelas lentes de várias televisões, como também por câmaras amadoras.

Os que não estavam nas viaturas juntavam-se aos outros, formavam pequenos grupos e cantavam, exibindo cartazes. Todo o movimento durou, exactamente, 15 minutos.

Durante este período, nenhum polícia esteve na estrada para regular o trânsito e muito menos para dispersar os manifestantes. As avenidas que dão acesso a instituições sensíveis, como a Presidência da República, Ponta Vermelha, Ministérios da Defesa Nacional e do Interior, ficaram temporariamente fechadas. Depois de 15 minutos, tudo voltou ao normal e a Polícia esteve lá para orientar o trânsito.

Moçambique vai receber 20 milhões de Euros, mais de 1.3 mil mihões de Meticais para o reforço do apoio militar ruandês que opera na província de Cabo Delgado, devido ao terrorismo. O apoio foi aprovado há dias no âmbito do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz.

“Este apoio permitirá a aquisição de equipamento pessoal e cobrirá os custos relacionados com o transporte aéreo estratégico necessário para apoiar a projecção ruandesa em Cabo Delgado”, refere a Agência de Informação de Moçambique, que cita um documento a que teve acesso.

Este destacamento teve início em Julho de 2021, a pedido das autoridades moçambicanas, para apoiar a luta contra o terrorismo em Cabo Delgado.

“A presença das tropas da Força de Defesa do Ruanda tem sido fundamental para fazer progressos e continua a ser fundamental, especialmente tendo em conta a recente retirada da Missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral em Moçambique (SAMIM). Esta medida de reforço é um testemunho do apoio da UE às “soluções africanas para os problemas africanos” e, como parte da luta global contra o terrorismo, servirá também os interesses da UE na região”, disse Josep Borrell, Alto Representante para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, citado em comunicado.

O apoio adicional adoptado complementa a medida de assistência paralela, no valor de 89 milhões de euros, às Forças Armadas moçambicanas treinadas pela Missão de Formação da UE (EUTM) Moçambique.

Criado em Março de 2021, o Mecanismo Europeu de Apoio à Paz visa financiar acções externas da UE com implicações militares ou de defesa, com o objectivo de prevenir conflitos, preservar a paz e reforçar a segurança e a estabilidade internacionais.

Em particular, o EPF permite à UE financiar acções destinadas a reforçar as capacidades de Estados terceiros e organizações regionais e internacionais em matéria militar e de defesa.

Desde Outubro de 2017 que Moçambique, particularmente Cabo Delgado, é alvo de ataques terroristas que já resultaram na morte de mais de quatro mil pessoas e levaram mais de quatro mil a abandonar as suas residências na busca de locais mais seguros.

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