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O Município de Montepuez suspendeu o transporte público de passageiros, devido à crise de combustíveis que afecta a segunda maior cidade de Cabo Delgado. Os autocarros de transporte público de passageiros de Montepuez pararam de circular há quase uma semana. O edil de Montepuez, Cecílio Chabane, reconhece o problema e explica que a edilidade tem estado a trabalhar para garantir que haja combustível nos próximos dias.

Além de criar transtornos na mobilidade da população, a paralisação dos autocarros em Montepuez provocou uma onda de desinformação sobre as reais causas do problema. Nesse sentido, a edilidade apela à calma dos munícipes.

Para minimizar o sofrimento da população, o município de Montepuez retomou, temporariamente, o transporte público de passageiros enquanto aguarda o fim da crise de combustíveis.

Montepuez recebeu, neste ano, cinco autocarros, dois dos quais circulam no centro da cidade, enquanto outros dois fazem a rota Balama-Namuno, numa extensão de sessenta quilómetros.

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O regime militar no poder em Níger anunciou a suspensão por três meses da estação de rádio britânica BBC, por difundir informações falsas.

Os programas da BBC que são difundidos no Níger através de rádios locais, deixaram de ser emitidos naquele país, alegadamente por conter informações enganosas que desestabilizam a paz social e minam a moral das tropas que combatem os extremistas.

A medida que entrou em vigor com efeito imediato em todo o país, foi tomada pelo ministro da Comunicação da Nigéria, Sidi Mohamed Raliou, e abrangeu também dois outros meios de comunicação ocidentais, a Radio France Internationale (RFI) e a France 24, 

Ainda nesta Quinta-feira, o regime militar apresentou uma queixa  contra a Radio France Internationale por incitação ao genocídio e aos massacres intercomunitários no Níger.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) alerta que o ciclone Chido, que vai afectar as províncias de Nampula e Cabo Delgado, no domingo, é da dimensão do Idai e Kennet. O INAM pede as pessoas que fiquem em zonas seguras.

Os preços dos serviços e produtos essenciais subiram 2,84% de Novembro do ano passado a esta parte. Alimentos e serviços de restauração e hotelaria tiveram a maior subida durante o período em análise.

Os dados do mês de Novembro passado, quando comparados com os de igual período de 2023, indicam que o país registou um aumento do nível geral de preços na ordem de 2,84%, segundo o último Índice de Preço ao Consumidor do Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

“As divisões de alimentação e bebidas não alcoólicas e de restaurantes, hotéis, cafés e similares foram as que tiveram maior aumento de preços, ao variarem com cerca de 7,36% e 4,10%, respectivamente”, escreve o INE.

Segundo o INE, a cidade de Quelimane registou o maior aumento de preços com cerca de 4,34%, seguida da cidade de Xai-Xai, com 3,64%, e pela cidade de Chimoio, com 3,53%.

Apesar de a trajectória de queda da inflação ter sofrido ligeira alteração, nos últimos três meses, a subida continua distante de dois dígitos.

Aliás, as perspectivas da inflação mantêm-se em um dígito, no médio prazo, de acordo com o Banco de Moçambique, cujo último CPMO, enfatizou que a manutenção das perspectivas da inflação em um dígito, no médio prazo reflecte, essencialmente, a estabilidade do Metical e o impacto das medidas tomadas pelo CPMO.

A trajectória da inflação, aliada a outros factores, contribuiu para a redução da taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, de 13,50% para 12,75%.

“Esta decisão é sustentada pela contínua consolidação das perspectivas da inflação em um dígito, no médio prazo, não obstante as incertezas quanto à duração da tensão pós-eleitoral e o seu impacto sobre os preços de bens e serviços”, avançou o regulador.

O regulador também avançou que a avaliação dos riscos e incertezas associados às projecções da inflação mantém-se favorável e destacou como possíveis factores de contenção da inflação, no médio prazo, a estabilidade do Metical e a redução dos preços das mercadorias no mercado internacional, não obstante as incertezas quanto à duração da tensão pós-eleitoral e o seu impacto sobre os preços de bens e serviços.

Pelo menos dois países do interland sofreram restrições na importação de combustíveis devido à crise pós-eleitoral em Moçambique. Malawi e Zâmbia decidiram suspender por alguns dias a circulação de camiões de carga que transportam, principalmente, diesel e gasolina. Malawi suspendeu a importação a partir do Porto da Beira.

A petrolífera PUMA Energy Zâmbia foi uma das primeiras a mandar parquear todos os seus camiões em lugares seguros em Moçambique, devido aos protestos pós-eleitorais, no princípio de Novembro.

Na sequência, a companhias de petróleo do Malawi suspenderam parcialmente a importação de combustível desde o Porto da Beira, também devido aos protestos em alguns pontos da região Centro de Moçambique.

O porta-voz da Companhia Nacional de Petróleos do Malawi, Raymond Likambale, citado pela Rádio Moçambique, disse que, face aos protestos pós-eleitorais em Moçambique, que afectaram o transporte de combustível, o produto passará a ser transportado desde Tanzânia, até que a situação das manifestações em Moçambique se  normalize.

Aliás, segundo a fonte, a situação agudizou a crise de combustíveis na região Sul do Malawi, sobretudo na cidade de Blantyre, que actualmente importa combustíveis a partir do Porto de Dar es Salaam, em Tanzânia, num percurso mais longo em relação à Beira.

Raymond Likambale revelou que cerca de um milhão de litros de diesel estão a caminho do Malawi, através de caminhos-de-ferro, desde o Porto de Nacala, mas a circulação das locomotivas está a ser condicionada.

O Malawi importa 50% do seu combustível através da Beira e 20% através de Nacala, ambos em Moçambique, enquanto Dar es Salam, na Tanzânia, movimenta 30%, de acordo com a Autoridade Reguladora de Energia do Malawi.

A Companhia Nacional de Petróleos, a Associação dos Transportadores do Malawi e a Associação dos Retalhistas do Malawi afirmam que a situação actual é volátil, abrindo dúvidas sobre uma eventual subida de preços.

No país, apesar dos protestos comprometerem o acesso aos diversos portos,  ainda não foram divulgados dados dos prejuízos ou eventual ruptura de stock por parte das gasolineiras.

Membros da Renamo, incluindo os delegados distritais, amotinaram-se defronte da sede provincial daquele partido para exigir a saída do delegado político provincial. Os membros acusam o delegado provincial de má gestão e de não ter contacto com as bases daquele partido.

Os membros da Renamo, desde desmobilizados de guerra até delegados de todos os 14 distritos da província, decidiram amotinar-se defronte do edifício onde funciona a sede provincial da Remano, para exigir a saída do delegado político a nível da província.

“Estamos a dizer que a partir de hoje o delegado político provincial de Inhambane, Carlos Samson Maela, não pode exercer mais funções do partido a nível da província de Inhambane”, disse Arménia Joaquim, membro da Renamo em Inhambane.

Os membros dizem estar cansados do actual delegado provincial que comanda o partido há mais de 10 anos.

De acordo com Arménia Joaquim, “o primeiro ponto é a ausência do delegado político provincial nas atividades do partido a nível da província, assim como na base. O segundo ponto é a má gestão das finanças do partido a nível da província. O terceiro ponto é o nepotismo e o quarto ponto é a arrogância, razão pela qual os quadros reuniram-se, os delegados políticos distritais estão aqui presentes, todos os distritos, 14 distritos da província de Inhambane, para dizer o fim do delegado político provincial desse partido”.

Os mesmos revelam que decidiram exigir publicamente a saída de Carlos Maela, porque dentro do partido são ignorados, segundo disse António Joaquim, desmobilizado da Renamo.

“Nós, os desmobilizados na província de Inhambane, estamos à par disso, mesmo de Maputo, nós fizemos constar no documento, nós fizemos chegar o documento na presidência, na secretaria geral e até agora não nos dão resposta. O único meio que nós vimos é entrar na imprensa e ver se podemos ter uma saída, uma pressão que a sede nacional possa nos responder a essa nossa inquietação, porque o partido não existe”, disse.

António disse ainda que o grupo mandou três cartas para a sede nacional e falou com a secretária geral, telefonicamente, “mas nunca nos deram a resposta. Mandamos o primeiro documento, não tivemos resposta, mandamos o segundo documento e não temos resposta. Marcamos audiência para falar pessoalmente com o delegado político provincial, não fez presente no local, o que se anotou é que ele mandou pessoas virem retirar a bandeira do partido e trancar todas as portas da sede provincial”.

O “O País” contactou o delegado provincial da Renamo para reagir em torno do assunto, entretanto, não atendeu às chamadas.

O presidente do Tribunal Supremo diz que em nenhum tribunal moçambicano existe uma ordem de prisão contra o candidato presidencial do Partido Optimista pelo Desenvolvimento de Moçambique, Venâncio Mondlane, caso ele queira regressar ao país.

“Nos tribunais moçambicanos não existe nenhuma ordem de prisão contra o engenheiro Venâncio Mondlane, isso significa que, se ele chegar hoje a Moçambique, naturalmente que, não existindo ordem de prisão, ele é um cidadão livre”, disse Muchanga.

Adelino Muchanga acrescentou que a lei está ao serviço da paz e nunca será nenhum obstáculo no processo de estabilização do país.

Esclareceu que, fora do flagrante delito, a ordem de prisão em Moçambique só pode ser dada por um tribunal, e na qualidade de presidente do Tribunal Supremo, assegurou que essa ordem não existe.

Venâncio Mondlane enfrenta três acusações pelo Ministério Público, das quais duas de carácter cível, sendo obrigado a pagar perto de 150 milhões de Meticais de indemnização ao Estado moçambicano, e a terceira, que inclui outros membros da oposição, tem a ver com o intento de uma conspiração para a prática de crime contra a segurança do Estado.

Adelino Muchanga esclareceu que a ordem de prisão só pode ser dada por um tribunal, reiterando que os processos que correm contra Mondlane continuam em fase de instrução preparatória no Ministério Público.

O presidente do Supremo acrescentou que mesmo a ordem de bloqueio das contas bancárias de que Venâncio foi alvo é passível de recurso, desde que o visado o faça dentro do processo.

“Todos os que tenham interesse em reagir contra uma decisão judicial devem fazê-lo dentro do processo. Havendo essa ordem de bloqueio das contas, o interessado deve ir ao processo e reagir no processo. Os tribunais não perseguem pessoas”, disse Muchanga, acrescentando que “os tribunais não serão empecilhos para eventual pacificação social”.

Questionado sobre a actuação das forças policiais durante os protestos, o presidente do Tribunal Supremo defendeu que a Constituição protege a manifestação pacífica, mas a vandalização de infra-estruturas públicas e privadas é ilegal, admitindo, no entanto, que, em alguns casos, podem existir “excessos” por parte dos órgãos de justiça.

“A invasão de esquadras e fábricas, bloqueios de estradas e fronteiras não são manifestações pacíficas. Agora, na actuação dos órgãos, eu não posso dizer que tudo o que acontece sejam coisas necessariamente legais. Pode haver, em alguns casos, excessos e situações que carecem de investigação para eventual responsabilização daqueles que excedem os limites dos poderes que a lei lhes confere”, declarou.

Os protestos contra os resultados eleitorais levaram o caos às ruas em diversos pontos do país, com pelo menos 110 pessoas mortas e mais de 300 feridas em resultado dos confrontos entre polícia e manifestantes desde 21 de Outubro, segundo um balanço atualizado pela organização não-governamental (ONG) Plataforma Eleitoral Decide.

Naquele que era o jogo de tudo ou nada para a Universidade Pedagógica de Maputo no Campeonato Africano dos Clubes Campeões da Zona VI de voleibol de sala, até mesmo porque defrontava a equipa da casa, as upenianas foram mais ousadas, sofreram e venceram.

No jogo que marcava a reedição da final do ano passado, em que a UP venceu e conquistou a região, a turma de Maputo não tremeu e venceu por 3-1, marcando presença na final.

A UP venceu o primeiro set por 27-25, enquanto as Tsuanas do Kutlwano venceram o segundo por 20-25, abrindo espaço para dúvidas em relação à equipa que iria se qualificar às meias-finais.

Mas enganou-se quem pensou que seria uma luta difícil de vencer, uma vez que as moçambicanas venceram os dois sets seguintes por 26-24 e 25-15, marcando encontro no penúltimo jogo antes da consagração.

Por seu turno, a Aliança Maputo, em masculinos, está apurada para as meias-finais da prova depois de na partida anterior ter eliminado a equipa do Police VI do Botswana por 3-2, num encontro disputado sob o signo de equilíbrio.

Os moçambicanos venceram os dois primeiros Sets por 25-16 e 25-18, mas os anfitriões trataram de igualar a contenda ao vencerem por 15-25 e 19-25. A Aliança acabou demonstrando a sua mais valia e venceu o quinto e último set por 15-12, desforrando a derrota na fase regular por 3-0.

Nas meias-finais a Aliança vai medir forças com o Royal Eswatini Police Service, partida que está agendada para este sábado, 14 de Dezembro.

O Conselho Constitucional reuniu-se nesta quinta-feira com o partido Renamo para explicar a sua metodologia de trabalho. A mandatária do partido apelou ao Conselho Constitucional para tomar uma decisão que tire o país da crise em que vive.

No âmbito do que designa “portas abertas”, a presidente do Conselho Constitucional recebeu, nesta quinta-feira, mais um partido político, a Renamo, para partilhar a metodologia de trabalho na verificação dos resultados eleitorais de 9 de Outubro.

“Nós chamamos mesmo para partilhar esta metodologia de trabalho que os processos estão a ser verificados um por um, compatibilizando os editais da CNE com os editais trazidos pelos partidos políticos, que são um meio de trabalho extremamente importante para o alcance ou para a busca desta almejada verdade eleitoral”, avançou Lúcia Ribeiro.

A Renamo, que apenas submeteu ao Conselho Constitucional dois recursos, apontou irregularidades no processo de votação.”O nível da Fraude até cá é maior que até colocam numa situação de não ter dúvidas de que decisão se pode tomar”, disse Glória Salvador, Mandatária da Renamo.

Sobre a discrepância de eleitores a Renamo questionou. “Sendo o Conselho Constitucional o órgão máximo, que decide sobre este processo, que resposta poderia ter para satisfazer essa situação”?, questionou Glória Salvador.

Lúcia Ribeiro voltou a tomar a palavra e explicou que o CC não está a fazer a recontagem, mas que quer perceber as razões da discrepância de eleitores.

“O Conselho Constitucional teria ordenado à CNE que se fizesse a recontagem, mas porque a própria CNE, lembrado que no dia da divulgação dos resultados, afirmou no seu relatório que havia discrepâncias entre as três eleições, mas que não tinha tido tempo para verificar.

Então, o Conselho Constitucional, sendo um órgão jurisdicional, não pode vir dar essa mesma resposta, mas fica uma curiosidade é uma responsabilidade e um dever de perceber por que razão é que há discrepância e onde é que existe essa discrepância, a partir de onde é que começou a existir essa discrepância”, disse.

A Renamo é o segundo partido que participou do encontro com o Conselho Constitucional, o primeiro foi PODEMOS.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) alerta que perante a aproximação do ciclone tropical Chido ao norte do país, os ventos podem chegar até 220 quilómetros por hora (km/h) a partir de sexta-feira. Entretanto, o norte será mais afectado no domingo

É mais um aviso de alerta vermelho que é lançado pelo Instituto Nacional de Meteorologia INAM que reforça a chegada do ciclone Chido ao país, que evoluiu nas últimas horas desta quinta-feira para o estágio de “intenso”.

O ciclone aproxima-se do canal de Moçambique, devendo entrar ao final do dia de hoje, sexta-feira, com o epicentro previsto para a costa moçambicana dentro de 72 horas.

A entrada em terra do ciclone de categoria 3, o terceiro mais elevado numa escala de 1 a 5, é esperada nos distritos de Memba, província de Nampula, Chiúre ou Mecúfi, na província de Cabo Delgado, “com ventos de 200 quilómetros por hora e rajadas até 220 quilómetros por hora, segundo as projeções actuais”, refere o aviso do INAM.

O mesmo adverte ainda que “face à ocorrência de ventos fortes, trovoadas e chuvas muito fortes, recomenda-se a tomada de medidas de precaução e segurança”.

O aviso, válido até às 24:00 do dia 15 de Dezembro, define como áreas de risco vários distritos de Cabo Delgado e a capital provincial, Pemba, bem como de Nampula e a sua cidade capital provincial.

 

Ciclone pode afectar cerca de 500 mil pessoas

Entretanto, num encontro havido esta quinta-feira entre o Instituto Nacional de Meteorologia, o Instituto Nacional de Gestão de Desastres Naturais e o sector de saúde, foi revelado que muitas pessoas poderão ser afectadas pela chegada do ciclone Chido.

De acordo com Ana Cristina Manuel, do INGD, mais de 500 mil pessoas ficarão afectadas nas províncias de Cabo Delgado e Nampula e disse que vão precisar que sejam socorridas com base nos cenários que foram vistos no encontro.

“Primeiro, tendo em conta as medidas que devem ser intensificadas, a difusão de informação, a questão do abrigo, da população, a evacuação, o provimento de meios alimentares são necessários. Nós achamos que poderíamos usar a plataforma integrada, que já integra vários meios de difusão de informação, desde as mensagens curtas, a partir das telefonias móveis, a partir das rádios comunitárias que já estão a trabalhar no terreno na difusão de informação, comités locais de gestão de risco”, disse, como formas de prevenção.

E para casos de emergência, Ana Cristina Manuel disse que existem centros de acomodação activos e disponíveis para que possam acolher as pessoas. “Na região norte temos 68 e temos também os meios para apoiar na busca e salvamento, o mapeamento das zonas afectadas, que são os drones, temos os pilotos e também temos os telefones satélites que possam nos apoiar em caso de colapso do sistema de comunicação naquela região”, revelou.

Outrossim, o Instituto Nacional de Gestão de Desastres diz que tem meios de bens alimentares, de abrigo, água e saneamento e também meios para apoiar os grupos vulneráveis, destacando meios específicos como mantas, kits de cozinha, redes mosquiteiras, kits de família, colchões, esteiras e roupas.

Os intervenientes no encontro propõem o destacamento de equipas de nível central que possam apoiar, equipas mínimas que possam apoiar as províncias de Cabo Delgado e Nampula, que são as que se mostram neste momento com alguma preocupação em relação ao impacto dos ciclones.

Por seu turno, Agostinho Vilankulo disse que esta chuva também pode trazer alguns impactos positivos para além das consequências que pode trazer. E apresentou três cenários que podem ser verificados com a queda das chuvas.

“O primeiro cenário é aquele que estamos a falar, que o ciclone entre da província de Nampula e nós temos cerca de 2 milhões de pessoas que estão dentro do risco. Atenção, há uma diferença e neste momento nós estamos falando de pessoas que estão em risco, são aquelas pessoas que vão sentir o efeito, ou de chuva, ou do vento, ou de caudal. Mas dentro desses, nós aplicamos um coeficiente de certeza, com uma probabilidade muito maior, que 10% daquela população pode precisar de assistência. E nós estamos a falar de cerca de 200 mil pessoas, esses podem precisar de assistência. É 10%, mas podemos ter um pouco mais. O universo daqueles que vão sentir o impacto por causa deste fenômeno, são cerca de 2 milhões de pessoas”, disse.

O segundo cenário, de acordo com Agostinho Vilankulo, é do ciclone entrar, por Nampula, mas antes de chegar, provocar impacto nas vias rodoviárias. No caso há vias que podem ser afectadas com destaque os que ligam alguns distritos.

“Este é o cenário costeiro. Se nós formos entrar para o interior, porque também há uma probabilidade de chuvas muito intensas. É certo que o vento vai também diminuindo, mas as chuvas vão continuar a ser intensas”, referiu.

Por fim, o último cenário, onde o ciclone pode entrar, por exemplo, da região de Mecufi ou Pemba, onde existem outras bacias que estão em consideração.

“Em termos de impactos, nós estamos a prever aqui, aqui os impactos são relativamente diferentes, temos cerca de 1 milhão e 400 mil pessoas, e certeza que se o sistema tiver aquela trajetória, mais ou menos cerca de 150 mil a 200 mil pessoas também podem precisar de assistência. Nós temos que, o extremo é cerca de 1 milhão de pessoas, mas aquelas que aparentemente devem ser assistidas, nós estimamos em 10% daquele valor. E também fizemos aqui um exercício sobre a ocorrência de cheias urbanas”, explicou Agostinho Vilankulo.

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.

O período chuvoso de 2018/2019 foi dos mais severos de que há memória em Moçambique: 714 pessoas morreram, incluindo 648 vítimas dos ciclones Idai e Kenneth, dois dos maiores de sempre a atingir o país.

Já na primeira metade de 2023, as chuvas intensas e a passagem do ciclone Freddy provocaram 306 mortos, afetaram no país mais de 1,3 milhões de pessoas, destruíram 236 mil casas e 3.200 salas de aula, de acordo com dados oficiais do Governo.

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