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A crescente insatisfação da população sul-africana com a falta de água, electricidade e recolha de lixo está a enfraquecer o apoio ao Congresso Nacional Africano (ANC), numa altura em que o país se prepara para as eleições municipais, marcadas para 4 de Novembro. Várias sondagens recentes indicam uma redução da popularidade do partido, que enfrenta críticas pela corrupção e má gestão das autarquias.

A degradação dos serviços públicos tem levado alguns cidadãos a ameaçar boicotar as eleições, sobretudo nos bairros periféricos de Joanesburgo, onde milhares de famílias enfrentam dificuldades no acesso a serviços básicos.

Em Katlehong, nos arredores de Joanesburgo, cerca de 180 famílias dependem de ligações eléctricas ilegais há mais de 20 anos. Os cabos atravessam as calçadas e transportam energia de outras zonas da comunidade, numa tentativa dos residentes de contornar a falta de fornecimento regular. O líder comunitário Lesiba Rankapole afirma que os moradores decidiram não votar enquanto não tiverem acesso à electricidade. “Tomámos uma decisão colectiva: sem electricidade, sem voto”, declarou, defendendo que a falta de energia compromete o futuro das crianças e o desenvolvimento da comunidade.

A mesma revolta é manifestada por Enock Majola, outro residente de Katlehong, que acusa as autoridades de não resolverem os problemas locais, incluindo a deposição ilegal de lixo. O cidadão, que afirma ter crescido a apoiar o ANC, diz já não querer ouvir falar do partido devido às dificuldades que enfrenta.

Em Alexandra, outro bairro periférico de Joanesburgo, a situação também é preocupante. O lixo acumula-se nas ruas, as águas residuais correm a céu aberto e muitos residentes não dispõem de água canalizada.

Para vários cidadãos, a corrupção e a má gestão municipal estão entre as principais causas da deterioração dos serviços públicos e da perda de confiança nas autoridades. “Não vou votar porque já não acredito no nosso Governo. Decepcionou-nos inúmeras vezes”, afirmou o residente Sipho Mandala.

Apesar do descontentamento, alguns eleitores continuam fiéis ao ANC, sobretudo pelo seu papel histórico na luta contra o apartheid. Um morador de Katlehong, mesmo confrontado com problemas de saneamento na sua residência, admitiu que voltaria a votar no partido, caso conseguisse chegar a uma assembleia de voto.

O ANC, que tem no antigo Presidente Nelson Mandela uma das suas principais figuras históricas, conquistou quase 70 por cento dos votos nas eleições nacionais de 2004. Contudo, a sua influência eleitoral tem vindo a diminuir. Nas eleições municipais de 2021, o partido obteve 46 por cento dos votos, ficando pela primeira vez abaixo da fasquia dos 50 por cento.

A perda de apoio tornou-se ainda mais evidente nas eleições nacionais de 2024, quando o ANC conseguiu pouco mais de 40 por cento dos votos, resultado que o obrigou a formar uma coligação governamental.

Segundo o analista político Sethulego Matebesi, as eleições municipais tendem a registar uma participação inferior à das eleições nacionais. Ainda assim, os resultados poderão ajudar os partidos a avaliar a sua base de apoio e a preparar a disputa eleitoral de 2029.

Dos 257 conselhos municipais em disputa, Joanesburgo destaca-se como um dos principais campos de batalha política, devido à sua importância económica e à dimensão da população, estimada em mais de 4,8 milhões de habitantes.

Em Alexandra, o funcionário de manutenção Patrick Saohatse considera que o ANC não conseguiu melhorar as condições de vida da população, apesar de governar a região há vários anos. Por essa razão, afirma que pretende votar na Aliança Democrática (DA), o segundo maior partido da coligação governamental.

A DA, que governa a Cidade do Cabo, tem intensificado as críticas ao ANC, apontando falhas na prestação de serviços públicos e problemas de gestão. Num comício recente, Helen Zille, candidata à presidência da Câmara de Joanesburgo, alertou que mais cinco anos de corrupção e degradação das infra-estruturas poderão colocar a cidade numa situação irreversível.

Entretanto, a campanha eleitoral do ANC tem sido marcada por dificuldades, incluindo a ausência de um candidato escolhido para disputar a presidência da Câmara de Joanesburgo, segundo a informação divulgada.

O responsável pela comissão eleitoral do partido, Mdumiseni Ntuli, reconheceu que existem razões para a insatisfação dos eleitores, sobretudo em Joanesburgo e nas zonas circundantes.

Os analistas prevêem que vários municípios poderão terminar as eleições sem uma maioria absoluta, obrigando os partidos a negociar coligações. A instabilidade destes acordos poderá agravar os problemas de governação e comprometer ainda mais a prestação de serviços públicos, aumentando a pressão sobre o ANC.

 

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Os analistas Hélder Jauana e Alberto da Cruz defendem que deve haver responsabilização no caso da destruição da estrada de betão na avenida das Nações Unidas, na Cidade de Maputo, caso se prove uso indevido de fundos públicos.

A destruição da estrada de betão na avenida das Nações Unidas, na capital do país, foi a debate, nesta segunda-feira, no programa da STV, Noite Informativa. Alberto da Cruz suspeita haver gestão irresponsável e danosa de fundos do Estado. Inclusivamente, Cruz avança a hipótese de uso desregrado dos fundos, por interesses pessoais.

Por sua vez, Hélder Jauana defende que haja responsabilização dos envolvidos no que chamou de uso indevido de fundos públicos. Para o sociólogo, era necessário aplicar os fundos em projectos prioritários.

Os analistas apelam que haja investigação em torno do assunto.

 

O Presidente da República, Daniel Chapo, nomeou, através de Despachos Presidenciais separados, a Amílcar Tivane, para o cargo de Secretário de Estado de Tesouro e Orçamento; Gustavo Djedje, para o cargo de Secretário de Estado de Terra e Ambiente;  Jorge Daudo, para o cargo de Secretário de Estado de Minas; Edson Macuácua, para o cargo de Secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior; Leo Jamal, para o cargo de Secretário de Estado de Ensino Técnico Profissional; Abdul Esmail, para o cargo de Secretário de Estado de Género e Acção Social; e  Emília Araujo, para o cargo de Secretário de Estado da Juventude.

As tomadas de posse estão marcadas para amanhã, pelas 14 horas, no Gabinete da Presidência da República, na Cidade de Maputo. 

 

O internacional moçambicano Edmilson Dove voltou a jogar com a camisola do Kaizer Chiefs, sábado, em jogo do campeonato sul-africano, frente ao Mamelodi Sundowns. Foi o regresso depois da lesão da ruptura no tendão de Aquiles, que o afastou dos relvados desde 7 de Maio de 2024.

O lateral-esquerdo moçambicano fez a sua reestreia logo a titular e a cumprir os 90 minutos do jogo diante do poderoso Mamelodi Sundowns, no último sábado, num jogo em que a sua equipa perdeu à tangente.

Ainda assim, a Sofascore atribuiu a Edmilson Dove uma pontuação de 6,8 pontos, depois de uma boa prestação, em que venceu todos os duelos aéreos e terrestres e teve 80% de precisão de passe.

Edmilson Dove acaba por ser uma tábua de salvação para uma equipa que perdeu alguns defesas para outras equipas, para além de poder voltar a merecer a confiança do seu treinador, Nasreddine Nani, que no final teceu elogios ao defesa moçambicano de 31 anos de idade.

Dos Mambas pré-convocados por Chiquinho Conde para os dois embates deste mês, destaque ainda para dois avançados que marcaram neste fim-de-semana, nomeadamente Pepo e Ratifo.

Stanley Ratifo voltou aos golos no fim-de-semana apontado um tento no empate da sua equipa, Chemie Leipzig, contra Chemnitzer (2-2), a contar para mais uma partida da terceira divisão alemã. Já Pepo marcou o golo da vitória do Caldas SC diante do Lusitânia SC, em jogo do Campeonato de Portugal.

Moçambique revalidou o título africano de boxe ao nível da Zona IV, prova que teve lugar em Maputo. A selecção nacional conquistou um total de 13 medalhas, oito de ouro, três de prata e duas de bronze. Os atletas consideram que a conquista foi fruto de muito sacrifício. 

E o sol voltou a brilhar para Moçambique. O boxe nacional reafirmou a sua hegemonia ao nível da região. Pouco ou nada a provar, senão colectar medalhas. Não foi a primeira, mas sim a segunda vez nos últimos três anos, ou seja, Moçambique é bicampeão africano de boxe da zona IV. Repetiu o feito de 2022, curiosamente em Maputo.

Em femininos, as medalhas de ouro foram conquistadas por Alcinda Panguana, Fidelicia Cumbe, Latifa Camilo e Benilde Macaringue. Em masculinos, o ouro foi para Armando Sigaúque, Yassine Nordine, Lourenço Cossa e Lázaro Comé. 

Alcinda Panguana, uma das estrelas do pugilismo moçambicano, diz estar acostumada a grandes vitórias, e esta, mais uma, não foi novidade. “É gratificante estar aqui a receber mais um título, uma vez já estou acostumada, porque trabalho para isso, mas é de louvar o esforço, o meu esforço está a ser compensado hoje. Então, vou continuar a trabalhar para fazer face às outras competições”, disse.

Por seu turno, Yassin Nordine disse que esperava um adversário melhor para provar as suas valências. “Foi uma luta igual a qualquer uma. Eu esperava encontrar muito mais de um adversário, mas eu não consegui provar mais, e eu vi a melhor”.

Já o pugilista olímpico Armando Sigaúque disse sentir-se orgulhoso dos combates que teve e do título conquistado. “Sinto-me orgulhoso, porque eu disse, eu prometi-vos, e cumpri. Isso é uma prova de que o que eu falo eu cumpro”, garantiu Sigaúque.

É um título com muitos significados, conquistado com muito sacrifício, segundo deu a entender Latifa Camilo. “Esperei tanto para que a selecção me conhecesse, e eu precisei de mostrar que, de verdade, preciso de estar na selecção, graças a Deus, graças à oportunidade e graças ao meu bisavô Noami, que me formou”, revelou.

Benilde Macaringue, outra pugilista moçambicana que disputou o regional de boxe, disse estar feliz com a recuperação do título falhado nas últimas edições, depois de conquistado em 2018. 

“Sinto-me muito feliz por ter recuperado o meu título, depois de 2018, se a memória não me falha, depois de 2018, no outro campeonato fui ficando em segundo, em terceiro, agora em primeiro lugar”, comentou Macaringue.

Finalmente, Lázaro Comé espera poder inspirar mais jovens com o título conquistado. “Aproveitar esse grande momento para inspirar os mais novos. Quem pratica como qualquer que seja a modalidade, que se dedique, que dê esforço, que faça de tudo para que um dia seja campeão”, revelou Comé.

Botswana foi segundo classificado, com duas medalhas de ouro, o mesmo número de prata e 3 de bronze. Lesotho, em terceiro lugar, amealhou duas medalhas de ouro e duas de prata. Seychelles, com uma medalha de ouro e prata, esteve em penúltimo lugar, e Eswatine, na última posição, ficou com cinco medalhas de prata e três de bronze.

A pugilista moçambicana Benilde Macaringue foi eleita a melhor do torneio em femininos, e Khobamelo Molatheghi, do Botswana, em masculinos.

Uma senhora desapareceu em Junho do ano passado em circunstâncias ainda por serem esclarecidas. Nove meses depois, há indícios que apontam que o corpo da mesma pode estar enterrado no quintal da residência do seu namorado, a última pessoa com quem foi vista numa casa de pasto.

A situação criou algum alvoroço nesta segunda-feira, em que dezenas de moradores do bairro de Chingussura, arredores da cidade da Beira, se amotinaram na casa onde  foi,  supostamente, enterrada, clandestinamente, na parte traseira do quintal,  uma senhora que é dada como desaparecida há nove meses.

A senhora em causa chamava-se Cristina Domingos e, na altura em que desapareceu, tinha 32 anos. Ela  foi vista pela última vez em finais de Junho do ano passado, a  conviver numa casa de pasto com o seu namorado.

A informação já estava, desde o sábado passado, na posse da polícia, que deteve naquele dia o principal suspeito do acto macabro, que é namorado da suposta desaparecida.

A comunidade de Chingussura soube que estava agendada para esta segunda-feira a exumação, e, por conta disso, amotinou-se na residência para ver de perto a acção policial que não chegou a acontecer.

A secretária do bairro confirma que Cristina Domingos, mais conhecida por Nina, frequentava a residência e que o relacionamento dela com o detido era do conhecimento das duas famílias.

A filha da desaparecida disse que era frequente a mãe ir ao encontro do namorado e não regressar no mesmo dia, tal como o fez pela última vez, em Junho do ano passado, e que o detido tinha comportamento violento.

Os parentes do suspeito estão surpreendidos com a informação e disseram que nada sabem do sucedido e que estão prontos para colaborar com a polícia.

Enquanto se esperava pela chegada da polícia, alguns membros da comunidade tentaram destruir a residência do suspeito e, quando a polícia chegou, apelou à calma. O apelo da polícia foi acatado pela comunidade.

Para garantir a integridade dos familiares do suspeito e proteger a sua residência, foi destacado um contingente policial que irá permanecer no local até o caso ficar esclarecido, provavelmente nesta terça-feira.

O sector informal diz que não faz sentido a sua exclusão da linha de crédito de 10 mil milhões de Meticais para a recuperação pós-protestos eleitorais. Os comerciantes são contra a discriminação e alegam que todos sofreram os impactos dos protestos.

O sector informal tem um peso significativo na economia nacional. Dados do INE de 2021 indicam uma representatividade de cerca de 45% do PIB do país. Ainda assim, os informais não foram contemplados da linha de crédito anunciada pelo Governo. A informação não caiu bem para o sector.

“Se não abrange, é uma discriminação. As manifestações abrangeram todos, ninguém escapou. Então, era, na minha opinião, importante que abrangesse o sector informal. No final das contas, quem desenvolve uma actividade visível e com impacto directo ao consumidor é o sector informal.”

Além disso, os informais criticam o juro aplicado no empréstimo, por considerá-lo elevado, o que, no seu entender, dificulta o ambiente de negócios.

Para ter acesso aos créditos, os bancos deverão solicitar garantias às empresas, e o crédito estará disponível de 01 de Março a 30 de Setembro.

Os empresários dizem que a linha de crédito especial lançada na semana passada, de 10 mil milhões de Meticais para recuperação económica das empresas afectadas pela tensão pós-eleitoral, é bem-vinda, mas as condições impostas não ajudarão  as empresas a recuperarem-se.

Para o presidente do Pelouro de Indústria da CTA e também presidente do Conselho de Administração da Infarma, Evaristo Madime, a taxa de juro de 15% a ser aplicada no primeiro ano, para a realidade actual, não é muito benéfica, visto que há empresas que perderam.

Para Madime, a solução que mais útil neste momento seria uma linha de financiamento com taxas de juro de zero ou quase zero, ou mesmo algo como um “fundo perdido”.

“Para as empresas que estão numa situação em que devem reinvestir  completamente do zero e pensar que têm uma taxa de juros de 15%, acho que é difícil. Você não consegue trabalhar e pagar esse custo e ainda por cima ter uma margem para poder continuar a vida”, disse Madime.

Além da taxa, outra condição é que sejam excluídas as empresas que apresentarem incumprimentos na central de registos de crédito do Banco de Moçambique e outras instituições como INSS e Autoridade Tributária.

Onório Manuel, director-geral da Moz Parks, entende que este ponto deve ser analisado com cautela, porque grande parte das empresas, de Outubro a esta parte, podem estar numa situação de incumprimento, derivada do momento em que o país se encontra.

“Vamos supor que antes de Outubro uma empresa, de Setembro para trás, tenha estado em incumprimento. Esta empresa, sim, pode estar fora daquelas que se pretende que adiram a esta facilidade. Mas para todas as empresas que apresentarem a situação de incumprimento que tenha sido causado ao longo deste período de Outubro até esta parte, é necessário que não se conte como um impedimento”, propôs Onório Manuel.

Já o economista Hélio Cossa diz que, de forma geral, a taxa de juro é boa, quando comparada com a vigente no mercado, mas há factores que dão alguma desvantagem, dependendo de cada empresa. 

O economista aponta, por exemplo, a capacidade das empresas de gerar retornos, tendo em conta as condições associadas ao mercado, o caso da inflação e outros custos de produção.

“Isto tudo depende da capacidade das próprias empresas de gerar fluxos de caixa suficientes para cobrir as suas despesas de funcionamento e também cobrir o serviço da dívida e garantir o retorno do investimento colocado na sua actividade económica.”

Por outro lado, o economista Dimas Sinoia chama, para o sucesso desta linha de financiamento, a intervenção do banco central.

“Se, por exemplo, uma das medidas fosse exactamente a questão do acesso às divisas, isso ia fazer com que as empresas, ao conseguirem estes empréstimos, tivessem um pouco mais de facilidade até na importação e reposição de investimentos que são necessários para a importação”, explicou o economista, que depois acrescentou que esta medida evitaria “congestionamento” na procura de dólares.

A linha de financiamento prevê que, no primeiro ano, a taxa de juro seja de 15%, e, para os anos subsequentes, será a taxa de juro de referência no mercado menos 4%.

O país revalidou o título africano de boxe ao nível da Zona IV, prova que teve lugar na Cidade de Maputo. A selecção nacional conquistou um total de 13 medalhas, oito de ouro, três de prata e duas de bronze. Os atletas consideram que a conquista foi fruto de muito sacrifício. 

Assim, o sol voltou a brilhar para Moçambique. O boxe nacional reafirmou a sua hegemonia ao nível da região. Pouco ou nada a provar, senão colectar medalhas. Não foi a primeira, mas sim a segunda vez nos últimos três anos, ou seja, Moçambique é bicampeão africano do boxe da zona IV. Repetiu o feito de 2022, curiosamente em Maputo. 

No torneiro, venceram Alcinda Panguane, Yassin Nordine e Armando Sigauque. 

Botswana e Lesotho completam o trio de vencedores da prova, na segunda e terceira posições. 

 

Estão a ser destruídos os 900 metros de estrada de betão na Avenida das Nações Unidas, que dá acesso e saída da baixa da Cidade de Maputo. A infra-estrutura, que custou mais de 21 milhões de Meticais à Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento, foi inaugurada em Setembro de 2022 e deveria durar pelo menos 20 anos, mas passaram-se menos de três anos. 

 

Em Março de 2022, o município de Maputo, através da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento, reabilitou 900 metros de uma das faixas da Avenida das Nações Unidas, na Cidade de Maputo, devido ao elevado nível de degradação da via.

Trata-se da faixa de rodagem que dá acesso à baixa da cidade, cuja intervenção custou cerca de 21 milhões de Meticais e, quatro meses depois, foi entregue ao público, isto em Setembro de 2022, com promessas de vida útil de, no mínimo, 20 anos.

No dia 9 de Junho de 2022, o PCA da EMME declarou: “Tomámos a decisão de fazer um pavimento em betão armado, completamente novo, e esse pavimento, de acordo com as especificações técnicas e com as normas de construção, é um pavimento que pode durar 20 a 25 anos sem manutenção”.

No entanto, no terreno, verificava-se o oposto. O pavimento já se apresentava com fissuras, buracos e muitos pontos já intervencionados, contrariando as expectativas de João Ruas.

Sucede que, em menos de três anos, o betão da superestrada está a ser totalmente removido e, no seu lugar, será implantada uma estrada de asfalto. 

Quem está a fazer esta intervenção é o Ministério dos Transportes e Logística, através do projecto Move Maputo, que, no entanto, esclarece que esta via não era para durar sequer 10 anos, porque ela era provisória. 

É uma obra provisória que custou aos cofres da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento 21 milhões de Meticais, conforme explica o engenheiro Afonso Ronda, responsável pela obra. 

“O Governo de Moçambique iniciou, com o Banco Mundial, um processo de negociação para financiamento de um projecto de mobilidade para a área metropolitana de Maputo.  Dentro deste projecto, existem várias componentes, e temos uma componente que chamamos de componente 3, que é a intervenção em infra-estruturas municipais. Neste contexto, o município de Maputo identificou algumas artérias a intervir, e a reabilitação da Avenida da ONU foi incluída neste pacote. Entretanto, por força da necessidade de mitigação de aspectos de mobilidade e acesso à cidade, o município de Maputo implementou a solução de reparação desta via, enquanto o projecto  finalizava os procedimentos de procurement, implementou esta solução com betão, que está, agora, a ser intervencionada”, defendeu o engenheiro.

Mas porque destruir em vez de reabilitar?

Em resposta, Ronda disse: “Esta intervenção foi feita pelo município de Maputo, não tive nenhuma participação do projecto, pelo que não posso comentar”.

Não pode comentar, mas esclarece que a estrada de betão tinha muitos problemas, e o sistema de drenagem das águas da chuva é um deles.

“Nós temos intervenções profundas aqui a fazer, particularmente a nível do sistema de drenagem, que envolvem escavação em áreas para instalação de sistemas de drenagem.  Adicionalmente, verificámos, também, que a solução implantada começava já a exibir alguns defeitos, que sob o risco de colocar o que quer que fosse de camada de desgaste por cima, essa camada de desgaste iria reflectir depois algumas das patologias que a estrutura em betão já estava a exibir.  Para garantir uma solução sustentável e que minimize custos com a manutenção desta infra-estrutura, optámos por fazer o reforço da estrutura com uma solução de pavimento flexível”, ouviu-se de Afonso Ronda, até porque há evidências de que, neste caso, o asfalto é melhor que o betão.

“A nossa intervenção, que foi feita na faixa de saída, foi feita recentemente, mas, com certeza, pode-se observar que a outra faixa não apresentava os problemas que esta faixa de entrada tinha, sendo que elas estão localizadas na mesma zona, operam sob as mesmas condições e é uma estrutura flexível, porque temos confiança de que essa solução com uma estrutura flexível vai funcionar, sim, porque há demonstração da mesma numa faixa que está mesmo ao lado, está a menos de 10 metros.”

Concluída a estrada, Ronda garante vida útil da infra-estrutura de, pelo menos, 20 anos.

“A intervenção que está a ser feita, como disse, está a ser feita de forma robusta a nível do sistema de drenagem, para garantir o suprimento adequado das águas, tanto superficiais  assim como subterrâneas, para minimizar a influência da água na performance do pavimento.  Estamos a fazer reforço do pavimento, como se pode ver nos trabalhos executados na faixa de saída da cidade, com recurso a uma solução baseada em base tratada com betume. Portanto, estes agregados com algum volume de betume lá, é um produto a quente preparado em central, que também vai ser um tratamento similar para esta faixa de entrada da cidade. Com isto, nós não só vamos garantir que tenhamos uma camada de desgaste nova, mas, acima de tudo, possamos garantir que haja, pelo menos por 15 a 20 anos, durabilidade a nível estrutural desta estrutura de pavimento que vamos agora construir.”

O “O País” contactou o presidente do Conselho de Administração da EMME, dono da obra. João Ruas mostrou-se espantado com as intervenções em curso, numa infra-estrutura que, no seu entender, era de qualidade.  

“Eu fui, também, surpreendido quando vi a Avenida da ONU ser destruída. Inclusivamente, na mesma manhã, falei com o presidente do município e esclareci-lhe que isso estava a acontecer e que não estava a entender o que se passava. Eu não sei exactamente o que é que aconteceu, porque quem está a fazer o trabalho é o Ministério dos Transportes, através do projecto MOVE [Maputo]. Eles é que estão a fazer a obra, eles é que estão a fazer aqueles trabalhos, não é o município de Maputo nem é a EMME, e nós não sabemos, efectivamente, quais são as razões técnicas ou financeiras que levaram, portanto, a essa decisão. Efectivamente, o trabalho que tinha sido feito com a laje de betão armado, em cima  da base que já existia anteriormente, tinha sido uma solução que poderia levar, sim como eu tinha dito, 20 anos. Qualquer engenheiro pode provar isso”, explicou João Ruas, dizendo mais: a solução nunca deveria ter sido a destruição da estrada e explica.

“Eu sou engenheiro civil e já trabalhei em construção de estradas e construção de aeroportos. Qualquer pavimento de betão tem coeficientes de dilatação maiores que o asfalto. Aparecerem algumas fissuras, e é natural que elas aconteçam, portanto, é uma questão de manutenção. Agora, a solução para evitar as fissuras era, exactamente, meter um tapete de asfalto em cima, não demolir tudo e fazer tudo de novo. A solução, como está a ser preconizada, eu acredito que vai haver fragilidades na caixa de fundação, na sub-base e na base. Há-de haver deformações no pavimento, e eu acredito que, em pouco tempo, há-de haver fissuras e, consequentemente, buracos.  Portanto, eu penso que, tecnicamente, a solução está errada.”

Recorde-se, caro leitor, que o engenheiro Ronda teria dito que a infra-estrutura de betão era uma solução provisória. Ruas desmente.

“Isso é absolutamente falso, porque a solução, de facto, não é temporária. Quando se mete um tapete de betão armado ao longo de uma via, essa solução não é solução temporária.  Uma solução temporária seria tapar buracos e fazer trabalhos de remendos, etc, etc, o que não foi o caso. Nós fizemos um tapete com 14 centímetros de espessura, 10 metros de largura e 1200 metros de comprimento. Isso não pode ser uma obra provisória, não é verdade.  Tecnicamente, essa justificação não é correcta, porque isso não é verdade”.

Contradições à parte. O facto é que, sempre que chovia, uma parte da avenida ficava alagada, e isso pode ter sido uma das falhas, de acordo com Bento Machaila, presidente da Federação dos Empreiteiros.

“Não creio que seja na qualidade, não creio também que seja na falta de engenharia. Provavelmente, houve omissão de alguns trabalhos que poderiam ter sido feitos. Como eu disse, o sistema de drenagem mostrou-se ineficiente. Fez-se o trabalho na faixa de rodagem e esqueceu-se de colocar um sistema de drenagem que possa escoar as águas com muito mais eficiência.”

Para o Presidente da Federação dos Empreiteiros, a exiguidade de fundos pode ser a razão da falta de sistema de drenagem na infra-estrutura.

“Muitas das vezes, acontece que o Estado ou as entidades que contratam têm um determinado montante para investir numa infraestrutura e, quando se percebe que não é suficiente para fazer todo o trabalho necessário, acabam por colocar de lado alguns trabalhos, como este, a que me estava a referir. Provavelmente, não se investiu muito no sistema de drenagem porque se achou que poderia fazer  numa outra altura, mas a natureza foi mostrando que, quando chove, o sistema de drenagem não pode, de maneira nenhuma ser esquecido para uma engenharia daquelas”, explicou Machaila, deixando um recado ao Governo.

“Aí fica a mensagem de que o Estado ou as entidades que contratam, sempre que fizeram um projecto, nunca podem pôr de lado os investimentos necessários para o sistema de drenagem, porque acabam por dar cabo a toda aquela infra-estrutura que se gastou muito dinheiro para se executar.”

O prazo para a entrega das obras de reabilitação da Avenida das Nações Unidas, orçada em mais de 420 milhões de Meticais, está para o dia 3 de Abril. Enquanto isso, o trânsito continuará condicionado, pelo menos nas horas de ponta, nos dias úteis da semana.

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