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A falta de informação sobre os preços, os elevados custos de transporte, o acesso limitado ao financiamento e as deficiências das infra-estruturas continuam a comprometer a capacidade da agricultura do país de gerar rendimentos e alimentar a indústria nacional. 

Os constrangimentos afectam diferentes cadeias de valor e dificultam a transformação da produção agrícola em riqueza, apesar do potencial de recursos de que o país dispõe.

Estas são algumas das constatações apresentadas no livro Agricultura e Transformação Económica em Moçambique: Evidências, Políticas e Caminhos para o Desenvolvimento, uma obra colectiva que reúne 16 autores, entre investigadores nacionais e estrangeiros, e resulta de estudos desenvolvidos ao longo de vários anos sobre os desafios da agricultura e da transformação estrutural da economia moçambicana.

Na apresentação da obra, que teve lugar esta quarta-feira, na Cidade de Maputo, Alberto da Cruz explicou que os estudos surgiram no contexto da preparação de políticas de desenvolvimento e industrialização, tendo sido analisadas diferentes cadeias de valor, entre as quais o milho, o algodão, o frango e o feijão bóer.

O investigador destacou a falta de informação fiável sobre os preços e as dificuldades de transporte como obstáculos que prejudicam os produtores e limitam a ligação entre a produção agrícola e a indústria.

“Os agricultores, no caso do milho, não têm informação do preço. Isto é um problema, porque já não sabem como negociar”, afirmou.

Alberto da Cruz chamou igualmente a atenção para as dificuldades de escoamento da produção, que impedem que determinados produtos cheguem aos principais centros de consumo e às unidades industriais.

“A indústria agrícola não compra o milho que sai da Angónia porque não chega a Maputo”, explicou, defendendo que a industrialização do país depende também de investimentos em infra-estruturas que liguem as zonas de produção aos mercados.

“Se realmente queremos industrializar Moçambique, é preciso infra-estruturar”, sublinhou.

Baixa produtividade mantém agricultores na pobreza

Por seu turno, Egas Daniel, também autor da obra, considera que o desafio da agricultura moçambicana não se resume à quantidade de terra disponível ou ao número de pessoas envolvidas na actividade, mas à capacidade de produzir mais com os recursos existentes.

“A diferença é que há pouco rendimento nesta muita terra, neste muito trabalho”, observou o investigador, ao explicar que o crescimento da produção agrícola tem acompanhado o aumento da área cultivada e da população, sem uma evolução significativa da produtividade por trabalhador e por área.

Segundo Egas Daniel, esta realidade limita os rendimentos dos produtores e dificulta a transformação da estrutura económica do país. Para o investigador, o aumento da produtividade agrícola deve ser o ponto de partida para dinamizar outros sectores, incluindo a indústria transformadora e os serviços.

“O agricultor não é irracional. Ele não produz pouco porque não quer ganhar, os simples riscos que ele enfrenta ao produzir muito são tais que não lhe dão incentivos para ele produzir mais”, afirmou, defendendo que os riscos e os constrangimentos enfrentados pelos produtores ajudam a explicar a baixa produção.

Entre os factores identificados no livro estão as dificuldades de transporte, o acesso à terra, a falta de crédito, a ausência de seguros agrícolas adequados e as limitações do mercado de trabalho. Na perspectiva do autor, estes obstáculos estão interligados e devem ser enfrentados de forma articulada.

Egas Daniel alertou ainda para a necessidade de integrar as mudanças climáticas na planificação pública. Cheias e secas podem desencorajar os produtores a investir e comprometer até a produção que conseguem realizar, sobretudo quando não existem mecanismos de protecção adequados.

O investigador defendeu igualmente a diversificação dos mercados e o processamento da produção nacional, para reduzir a dependência de compradores externos. Como exemplo, apontou o caso do feijão bóer, cuja exportação depende fortemente do mercado indiano.

Potencial agrícola exige ligação à indústria

Na sua intervenção, o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, afirmou que o país dispõe de um potencial agrícola significativo, mas continua a enfrentar dificuldades para o converter em rendimento e desenvolvimento económico.

“O nosso problema não é a ausência de potencial, mas a ausência das ligações que convertem potencial em rendimento”, declarou.

O governante recordou que a agricultura emprega cerca de três quartos da força de trabalho nacional, mas representa aproximadamente um quarto do valor acrescentado da economia. Moçambique dispõe de cerca de 36 milhões de hectares de terra arável, dos quais aproximadamente três milhões têm potencial para irrigação, mas apenas cerca de 50 mil hectares estão efectivamente irrigados.

Salim Valá destacou também o baixo nível de comercialização da produção agrícola, estimando que, em média, os agregados familiares agrícolas comercializam cerca de 12% da sua produção.

“Aumentar a produção sem assegurar mercados, financiamento, logística e processamento industrial produz resultados económicos limitados”, advertiu.

Para o ministro, a transformação da agricultura exige uma abordagem que ultrapasse o aumento da produção e inclua o acesso aos mercados, a melhoria das infra-estruturas, a expansão da irrigação, o financiamento e o desenvolvimento da indústria de processamento.

“O verdadeiro valor económico da agricultura mede-se também pela indústria que alimenta, pelas empresas que dinamizam, pelos empregos que criam e pelos mercados que desenvolvem”, afirmou.

A obra apresenta, assim, um conjunto de evidências e propostas para orientar as políticas públicas e os investimentos privados, defendendo uma maior articulação entre os diferentes sectores da economia. 

A mensagem central dos autores é que o potencial agrícola de Moçambique só poderá traduzir-se em desenvolvimento sustentável se forem removidos, de forma coordenada, os obstáculos que limitam a produtividade, o rendimento dos produtores e a ligação entre a produção e a indústria.

 

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Há redução no movimento migratório pelos postos de travessia aérea em Vilankulo e Inhambane. Até os imigrantes ilegais, que antes usavam Moçambique como corredor para chegar à África do Sul, estão a mudar de rota. 

Nos primeiros três meses deste ano, registou-se uma redução significativa no número de pessoas que utilizaram os dois postos de travessia aérea das cidades de Vilankulo e Inhambane. Os dados apontam para uma quebra de mais de 3 mil entradas em comparação com o mesmo período do ano passado.  

Enquanto isso, nos postos de fiscalização do Save e de Lindela, os Serviços de Migração interceptaram cerca de 1.700 estrangeiros. Contudo, há uma mudança de comportamento que chama atenção: até mesmo os imigrantes ilegais já não estão a usar Moçambique como corredor habitual para entrar clandestinamente na África do Sul.  

Recorde-se que a província de Inhambane tem sido historicamente um ponto estratégico para cidadãos estrangeiros que tentam entrar ilegalmente na África do Sul. Até o ano passado, era comum encontrar grupos de mais de 20 pessoas numa só operação de fiscalização. 

O Sporting está na final da Taça de Portugal, depois de vencer o Rio Ave por duas bolas a uma, em partida da segunda mão das meias-finais.

Depois de ter vencido na primeira mão por duas bolas sem resposta, a equipa do internacional moçambicano, Geny Catamo, foi ao terreno do Rio Ave repetir a vitória. Gonçalo Inácio abriu o marcador aos 11 minutos a responder de cabeça a um canto.

Na segunda parte, e já com Geny Catamo em campo, o extremo moçambicano desferiu um remate de fora da área para defesa incompleta do guarda-redes do Rio Ave, e na recarga Viktor Gyökeres ampliou o marcador.

Os avenses reduziram aos 66 minutos por André Luíz, após jogada combinada, sem beliscar a vitória leonina, que assim vai à segunda final consecutiva, onde deverá defrontar o Benfica na final de Jamor. Os encarnados jogam esta noite no terreno do Tirsense, depois da goleada da primeira mão por 5-0.

Cerca de 500 famílias do posto administrativo de Maluana, distrito da Manhiça, província de Maputo, exigem corrente eléctrica à uma empresa que opera naquela zona. Os moradores dizem que a energia foi-lhes prometida por uma fábrica em 2024. Sucede que, a infraestrutura foi vendida a um proprietário sem incluir a componente de responsabilidade social.

A cerca de cinco quilômetros da Estrada Nacional Número Um, no posto administrativo da Maluana, distrito da Manhiça, província de Maputo, há uma comunidade que nunca conheceu uma outra luz senão do sol de dia e da lua de noite…

Em 2014, é instalada, na comunidade, a ECOBOM, uma fábrica para captação, engarrafamento e comercialização de água mineral, que promete aos moradores corrente eléctrica. 

“O projecto facilitará o acesso à electricidade para as famílias com o poder de compra, na medida em que a empresa de electricidade irá estender o acesso a este bem às pessoas locais a partir das ligações que forem feitas para servir o projecto”, le-se no compromisso assumido pela ECOBOM em 2024. 

Só que 11 depois da promessa, as famílias arredores do projecto ainda não têm corrente eléctrica. 

“Nós perguntamos o que nos dariam com a instalação da fábrica. Disseram que tinham visto que somos pobres e nos ajudariam com energia, água, mas até hoje, não vemos corrente eléctrica. Queremos energia aqui em Chirinza e dliwana. Os nossos filhos não sabem o que energia e muito menos nós as mães”, reclamou Rolecha Baloi, residente de Maluana, distrito da Manhiça. 

Sucede que a empresa que prometeu energia a cerca de 500 famílias do posto administrativo de Maluana já foi vendida à uma outra entidade em hasta pública, tal como atesta este documento do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo de 2022. 

O novo dono da unidade fabril em causa é a Refrigerantes Spar, que pagou 40 milhões de Meticais, e no acordo de tramitação não assume a responsabilidade social da ECOBOM. 

“Os compromissos sociais assumidos (…) com as comunidades locais ou administração local e não cumpridos são da exclusiva responsabilidade do antigo proprietário do imóvel, com excepção do compromisso de se dar preferência à contratação da mão-de-obra local sempre que houver necessidade do novo dono”.  

Este posicionamento é secundado pelo administrador executivo da Refrigerantes Spar, Sulemane Padamo.

“Quando adquirimos, consultamos e a comunidade veio falar connosco e informou-nos que existia uma responsabilidade social. Fomos falar com os senhores da ECOBOM, mas ficou por escrito que a responsabilidade é com aquela empresa e não existe responsabilidade nenhuma com os actuais proprietários, que acabam de adquirir as instalações”, sublinha Sulemane Padamo, administrador executivo da Refrigerantes Spar. 

Entretanto, a comunidade diz desconhecer os contornos da venda desta instalação à outra entidade e tem se deslocado ao mesmo endereço físico de onde foram prom

“Nós estamos aqui a manifestar defronte à empresa porque este sítio foi-lhe atribuído com a promessa de dar-nos energia. Esta parcela é muito grande. Só levaram-nos a terra e fizeram as suas coisas. Eles prometeram dar energia e nós ainda não vimos nada”, referiu António Chirindza, morador da Maluana, distrito da Manhiça.   

Para poderem ter corrente eléctrica, os moradores desta comunidade de Maluana já começaram a reunir-se com os proprietários deste empreendimento e o Governo local.

“Portanto, passou muito tempo e nós ficamos preocupados. Então, fomos ter com a empresa para perceber o que se passava. Foi quando reunimos com a EDM, que se responsabilizou em colocar a corrente eléctrica, mas não avançaram com datas e isso preocupa a população. A comunidade quer algum sinal dentro de 45 dias”, deu ultimato, Flávio Nhambi, também, residente de Maluane. 

E a empresa já começou a fazer alguma coisa. Comprou postes e posto de transformação de energia, material que foi canalizado à Electricidade de Moçambique de Infulene, tal como atesta este documento. 

A EDM confirmou a recepção do material e fez outra exigência para electrificar a zona. 

“O custo para a execução do trabalho está avaliado em seis milhões, novecentos e catorze mil e noventa e oito Meticais e seis centavos. O referido valor deverá ser pago na Agência desta Área de Serviço ao Cliente de Infulene…”, lê-se no documento. 

“Foi entendido com a EDM, que é da responsabilidade dela e vai executar esse trabalho. Em termos de prazos, nada está definido. Não da nossa responsabilidade. A EDM é quem deve dizer em que prazos e em quanto tempo vai fazer esse trabalho. Ficou esclarecido pela EDM que aquele documento feito por si, que o valor de aproximadamente seis milhões e novecentos mil Meticais  é de uma informação do montante necessário para poder terminar o trabalho após a oferta feita pela Refrigerantes Spar”, esclareceu Sulemane Padamo. 

A Refrigerantes Spar, empresa que comprou esta unidade fabril, diz que está a desenhar um plano de responsabilidade social, através do qual poderá assumir alguns compromissos com a comunidade onde opera.

Já está em liberdade condicional o motorista do transporte semi-colectivo de passageiros que causou a morte de 23 pessoas num aparatoso acidente de viação. A Procuradoria distrital de Gondola diz que o processo está ainda na fase de instrução.

Há cerca de um mês, 23 pessoas morreram após embate de um minibus e um camião, no posto administrativo de Cafumpe, em Gondola. A procuradoria distrital disse ter aberto um processo-crime para responsabilizar os autores do acidente.

“Os arguidos já foram constituídos arguidos e já foram apresentados no primeiro interrogatório. Foram ouvidos pela juíza de instrução criminal e, claramente, como é de direito,    foi-lhes aplicado medidas de coação, que vão desde caução,  termos de identidade de residência (…) Caução para o motorista do chapa 100 e o condutor do camião, que também está envolvido  no acidente beneficiou-se do termo de identidade de residência”, explicou Fidelix Pedro- Procurador-chefe em Gondola. 

Neste momento, decorre a  busca de provas materiais para juntar ao processo que já está na fase de instrução. 

“É a fase que vai permitir que se possa fazer mais averiguações e investigações e também para garantir que as vítimas e as famílias das vítimas  possam formalizar processualmente as suas queixas, para que se possa garantir, eventualmente, as indemnizações …”, disse. 

  De referir que os dois motoristas envolvidos no sinistro saíram ilesos.

O Tribunal Judicial da Cidade de Tete condenou, esta terça-feira, a uma pena máxima de 24 anos de prisão, o homem que matou a  esposa no final do ano passado, com recurso a paus e catana, motivado por ciúmes.

O crime aconteceu em Novembro do ano passado, quando a vítima despediu-se do seu marido, para um momento de diversão com as amigas e regressou no mesmo dia por volta das 23 horas. 

Quando  o marido perguntou porque chegara tão tarde, a vítima respondeu que a conversa aconteceria no dia seguinte, pois já era tarde. No entanto, os dois começaram a discutir e o marido, alegadamente movido por ciúmes, decidiu usar paus e catana para desferir golpes violentos contra a esposa.

 A vítima foi socorrida e  levada ao hospital distrital de Magoe, mas já sem vida.

Aquando da instrução dos autos, o arguido alegou, em sua defesa, que, ao agredir a esposa, não tinha a intenção de a matar e fê-lo de forma inconsciente, porque estava sob efeito de álcool

Contudo, as alegações não convenceram o Ministério Público, daí que a terceira secção do tribunal judicial da cidade de Tete concluiu que Finiasse Chiringa Chilauro  agiu de forma intencional, e por isso, decidiu aplicar a pena máxima de 24 anos de prisão.

Familiares da vítima, dizem-se satisfeitos com a decisão do tribunal. A vítima tinha trinta e dois anos e era agente de serviço, afecta a escola secundária de Magoe na província de Tete.

Mais de 600 pequenos agricultores do distrito de Dondo em Sofala, beneficiaram, nesta terça-feira , de uma unidade de processamento de arroz, instalada em Mafambisse,  com capacidade para sete mil e quinhentas toneladas por ano, assim como diversos insumos agrícolas e sementes de qualidade.

Com a unidade de processamento de arroz e a alocação de equipamentos e insumos agrários para o reforço da segunda época da campanha agrária 2024/25, o Governo espera melhorar bastante a colheita mecanizada.

“Por quê a colheita mecanizada, por causa do programa de agroindustrialização. Portanto, normalmente, a qualidade da  matéria-prima para a indústria é garantida quando os processos iniciam desde a sementeira, gravura, lavagem e irrigação. Também a colheita mecanizada, porque estes instrumentos permitem colher, limpar e que o arroz esteja instantaneamente pronto para ser processado”, disse Nelson António, representante do Vale do Zambeze.  

A alocação desta unidade de processamento foi acompanhada  pela entrega de sementes de qualidade e 4 tratores com as respectivas alfaias agrícolas.

“Queremos saudar o executivo, porque trouxeram instrumentos que já há muito pedíamos. Gostaríamos que houvesse mais equipamentos do género, para  dar seguimento a aquilo que é o nosso programa de produção, com vista a aumentar a produtividade”, disse um beneficiário. 

O governador de Sofala, que inaugurou a unidade de processamento de arroz e a entregou os equipamentos aos beneficiários, numa iniciativa que contou com a intervenção  da agência de desenvolvimento do Vale do Zambeze e a açucareira de Mafambisse, referiu que: “No nosso entender, esta inauguração e alocação de equipamentos e insumos agrários, para o reforço da segunda época da campanha agrária  2024-2025 não representa apenas a materialização de um projecto industrial, mas representa uma clara demonstração de que o investimento privado, aliados aos objetivos estratégicos e políticos públicos, induz ao empreendedorismo, transforma a realidade, gera oportunidades, impulsiona o crescimento económico, a produtividade e a geração de renda e emprego nas nossas comunidades”.    

A unidade de processamento de arroz possui ainda capacidade para produzir, através de outros equipamentos modernos, cinco mil toneladas de ração animal por ano.

A Confederação das Associações Económicas (CTA) desmente que o processo disciplinar contra Álvaro Massingue seja uma desobediência à providência cautelar do Tribunal. A agremiação diz que a acção contra o presidente da Câmara de Comércio de Moçambique veio muito antes da decisão judicial. Massingue sublinha que vai concorrer à presidência da CTA e vai submeter a sua candidatura hoje.   

O braço-de-ferro entre o Conselho Directivo da CTA e a Câmara de Comércio de Moçambique, no quadro da eleição do novo presidente da agremiação dos empresários, parece estar longe do fim. 

É que 24 horas depois de Álvaro Massingue ter acusado a actual direcção da Confederação das Associações Económicas de Moçambique de tentar o colocar fora da corrida eleitoral, através de um processo disciplinar e de desobedecer à decisão do Tribunal, a CTA reagiu.

Através de um comunicado, a CTA esclarece que o processo disciplinar foi instaurado contra Álvaro Massingue muito antes da despacho do Tribunal sobre providência cautelar. 

“CTA foi notificada do Despacho da Providência Cautelar no dia 09 de Abril de 2025, tendo o processo disciplinar sido instaurado anteriormente, em 03 de Abril de 2025. Note-se que a respectiva investigação tinha iniciado em Dezembro último. Não se verifica, portanto, qualquer acto de desobediência, visto que, até à data da notificação da Nota de Acusação, nenhuma medida cautelar havia sido comunicada”

E mais: a agremiação diz que o processo disciplinar foi instaurado à luz dos estatutos da CTA e nenhuma ordem do Tribunal se sobrepõe a eles. 

“Não é credível justificar que uma decisão do Tribunal, entidade que defenda a justiça, se coadune na prática de actos violadores de deveres estatutários e com indícios de crime. Porquanto o Tribunal não suspendeu os Estatutos e Regulamento Eleitoral da CTA. O alcance do Despacho da Providência – decisão provisória – não impede a aplicação das normas internas estatutárias, nem mesmo limita o poder estatutário de aplicar sanções disciplinares”. 

Depois de se aperceber do pagamento de quotas para algumas associações pela Câmara de Comércio de Moçambique, a CTA afirma ter chamado Álvaro Massingue para se explicar em sede própria, mas ele não compareceu. 

Por isso, argumenta a CTA, Massingue invoca a tese de solidariedade para com as outras associações, mas já é demasiado tarde. 

“A invocação de solidariedade em contexto eleitoral, feita tardiamente no espaço mediático e não no processo disciplinar, revela uma tentativa de reconstrução da narrativa pós-decisão. Além disso, diversas associações que figuraram na lista de pagamentos negaram ter autorizado ou solicitado o apoio, e algumas delas já estavam com as quotas regularizadas, o que demonstra a falta de critério objectivo no suposto gesto de solidariedade, a falta de coordenação na prática da solidariedade e o conhecimento tardio em si mesmo que, afinal, o acto era de solidariedade”. 

Ainda assim, por meio deste comunicado de imprensa, a Câmara de Comércio de Moçambique reafirma que Álvaro Massingue vai concorrer à presidência da CTA. 

“A CCM manterá a sua candidatura à presidência da CTA. A submissão formal da candidatura será feita no dia 23 de Abril de 2025, às 08 horas”. 

No mesmo documento, a Câmara do Comércio de Moçambique refere que: “A tentativa de afastar a CCM e o seu presidente é ilegal, antiética e evidencia uma manobra desesperada para obter vantagens eleitorais, com objectivo claro que distrair e manipular alguns membros”. 

A agremiação presidida por Álvaro Massingue denuncia, ainda, que, neste jogo eleitoral, a  CTA joga papel de jogador e árbitro. 

“Os membros do Conselho Directivo que deliberam da CCM, possuem interesses directos nas eleições, sendo eles próprios concorrentes. Ao agirem assim, colocam-se na posição de juízes da sua própria causa, o que fere os princípios básicos de ética, imparcialidade e legalidade”. 

E três das associações, que terão se beneficiado do pagamento de quotas por Álvaro Massingue, escreveram este documento ao Procurador-Chefe da Procuradoria Distrital da República de Kampfumo a pedir que seja instaurado um  procedimento criminal contra o Conselho Directivo da CTA por desobedecer a decisão do Tribunal sobre a providência cautelar. 

As eleições na CTA estão marcadas para o dia 14 de Maio.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano convocou o embaixador chinês, para expressar as suas “sérias preocupações” sobre a presença de combatentes chineses no exército russo e a assistência de empresas chinesas à Rússia no fabrico de armamento.

“O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Yevhen Perebyinis, sublinhou [ao embaixador chinês em Kiev] que a participação de cidadãos chineses nas hostilidades contra a Ucrânia ao lado do Estado agressor (Rússia), bem como o envolvimento de empresas chinesas na produção de equipamento militar na Rússia, são muito preocupantes e contradizem o espírito de parceria entre a Ucrânia e a China”, afirmou o ministério num comunicado, citado por Lusa.

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, sancionou, a 18 de Abril, três empresas chinesas, depois de ter acusado Pequim de fornecer armas à Rússia e de ter anunciado a existência de cidadãos da China a combater ao lado das forças russas.

O chefe de Estado impôs sanções à Beijing Aviation and Aerospace Xianghui Technology, à Rui Jin Machinery e à Zhongfu Shenying Carbon Fiber Xining, segundo a presidência ucraniana.

Zelensky disse ter recebido a confirmação dos serviços de informação e do Serviço de Segurança (SBU) de que a China estava a fornecer pólvora e artilharia à Rússia, uma alegação rejeitada por Pequim.

Anteriormente, o Presidente ucraniano anunciou no dia 08 de Abril a captura de dois cidadãos chineses a lutar ao lado das forças russas, indicando a seguir ter informações de que o número ascendia a várias centenas.

A diplomacia chinesa respondeu que nunca entregou armas letais à Rússia na guerra com a Ucrânia, criticando “acusações arbitrárias” e “manipulação política” a este respeito.

Pequim já rejeitara também o seu envolvimento na presença de cidadãos chineses nas forças de Moscovo.

Refira-se que a Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de Fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o país vizinho, independente desde 1991 – após a desagregação da antiga União Soviética – e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) suspendeu o tratamento de desnutrição de 650 mil mulheres e crianças, na Etiópia, esta semana, devido à grave escassez de financiamento, segundo informou a agência da ONU, citado pela revista Reuters. 

O PMA recebe financiamento de 15 a 20 doadores, incluindo os Estados Unidos, entretanto, muitos deles cortaram o financiamento este ano, disse Zlatan Milisic, Diretor Nacional do PMA na Etiópia.

Segundo a Reuters, a agência recebeu isenções do congelamento da ajuda humanitária imposto pelo presidente americano Donald Trump, que interrompeu o trabalho humanitário em todo o mundo. 

Mais de 10 milhões de pessoas na Etiópia sofrem com grave escassez de alimentos, incluindo 3 milhões de deslocados por conflitos e condições climáticas extremas, bem como refugiados do Sudão, devastado pela guerra, de acordo com o PMA.

Milisic disse que o PMA já havia reduzido as rações nos últimos meses, mas que suas operações estavam agora em um “ponto de ruptura” devido à grave falta de financiamento, forçando medidas mais drásticas.

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