A 61.ª edição da Feira Agro-Comercial e Industrial de Moçambique (FACIM), que encerra já este domingo, tem na exposição da pecuária um dos seus pontos de maior destaque. O certame serviu de palco para o anúncio, por parte do Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, da importação de 800 touros com o objectivo de melhorar a raça de gado bovino no país.
O certame, que decorre desde segunda-feira, permitiu aos criadores exibir exemplares de genética melhorada, animais de crescimento precoce e elevada qualidade de carne. Este esforço colectivo tem como meta estratégica reduzir a dependência das importações e fortalecer a soberania alimentar.
O Governo reiterou, na ocasião, que acompanha de perto o movimento, garantindo que esta iniciativa será acompanhada pela transferência de tecnologia e pela implementação de boas práticas junto dos produtores.
Para os pecuaristas, que aproveitaram o leilão realizado no sábado para transaccionar os seus melhores animais, começa a consolidar-se uma mudança de paradigma. A consciência de criar gado de corte, vocacionado para o mercado, ganha terreno face ao modelo tradicional de acumulação de cabeças de gado por longos períodos.
O apelo aos investidores nacionais é claro: existe um vasto mercado por explorar, uma vez que a oferta interna se revela ainda deficitária face às necessidades de consumo.
A modernização estende-se, igualmente, a outros sectores. Além dos bovinos, a feira exibiu aves de elevada produtividade, demonstrando que a procura pela qualidade se alastra a toda a produção pecuária.
Moçambique enfrenta agora o desafio de fazer crescer os efectivos exponencialmente, aproveitando as oportunidades de negócio que a FACIM, uma vez mais, evidenciou como motores para o desenvolvimento económico do país.
A primeira-ministra de Moçambique, Benvinda Levi, empossou, nesta quinta-feira, no seu gabinete de trabalho, dois directores-gerais, uma secretária-executiva e um inspector-geral-adjunto. A estes pediu competência e dinamismo para o fortalecimento das instituições que vão dirigir.
Trata-se da secretária-executiva do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional, SETSAN, Judith Faria, dos directores-gerais do Instituto de Algodão e Oleaginosas de Moçambique e do Fundo de Promoção Desportiva, Edson de Almeida e Sílvia Langa, e do inspector-geral-adjunto do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, Dino Milisse, dos quais se exige competência e dinamismo.
A primeira-ministra, Benvinda Levi, falou para todos, no geral, esperando que possam contribuir para o fortalecimento das instituições que irão integrar ou dirigir “focados na melhoria da qualidade dos serviços prestados aos cidadãos”.
Da secretária-executiva do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional, SETSAN, Judith Faria, uma entidade do Governo que assegura a coordenação e a promoção da Segurança Alimentar e Nutricional no país através da implementação de medidas e acções que garantam o acesso à alimentação adequada para satisfazer as necessidades de uma vida saudável e activa, Benvinda Levi espera que os reforços das suas acções possam ajudar na educação nutricional das populações.
“Recomendamos a Senhora Judith Faria a assegurar, de entre outros, a implementação efectiva da Política e Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional (PESAN) 2024–2030, incluindo o respectivo Plano de Acção Multissectorial; o aperfeiçoamento dos mecanismos de coordenação multissectorial com os diferentes intervenientes de nível nacional, provincial e distrital; o reforço das acções de educação nutricional para os vários segmentos da população; e a dinamização dos órgãos de coordenação de Segurança Alimentar e Nutricional, a nível provincial e distrital”, afirmou.
Quanto ao Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique (IAOM), criado pelo Governo com objectivo de prover o fomento da produção, comercialização, processamento, industrialização, exportação do algodão e oleaginosas, incluindo os seus subprodutos, Levi recomenda a Edson de Almeida para “promover o fomento e a produção comercial de culturas estratégicas como algodão, sisal, soja, gergelim e girassol, de entre outras; melhorar a produção de sementes de qualidade de algodão e oleaginosas; garantir a observância das normas e técnicas que permitam preservar e proteger o meio ambiente na produção de algodão e oleaginosas”, entre outras.
Relativamente ao Fundo de Promoção Desportiva, a primeira-ministra diz que o Governo tem no desporto uma das suas prioridades, pelo facto de esta actividade constituir um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento humano, inclusão social, promoção da saúde, cidadania e unidade nacional.
Por isso, para a nova directora-geral do FPD, recomenda a Sílvia Langa que continue a promover, de entre outros, “o aperfeiçoamento das políticas e acções que assegurem o fortalecimento da instituição; a promoção do estabelecimento de parcerias que permitam criar a auto-sustentabilidade financeira na gestão do património desportivo do Estado; o aprimoramento dos mecanismos de articulação e coordenação com os governos locais com vista a garantir a reserva de espaço para recintos desportivos e manutenção dos já existentes”, para além de descobrir e valorizar os talentos desportivos.
Do inspector-geral-adjunto do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, Dino Milisse, Benvinda Levi espera que trabalhe para “garantir a conformidade dos planos de lavra, sobretudo no que diz respeito à tecnologia de produção e equipamentos usados nas actividades geológicas minerais de grande escala, pequena escala e artesanais e que continue a aprimorar e reforçar os mecanismos de controlo das quantidades e qualidade dos produtos minerais extraídos, o que nos irá permitir determinar com mais exatidão os impostos específicos a colectar para os cofres do Estado”.
A finalizar, Benvinda Levi recomendou a todos para pautarem pela observância da legislação aplicável na Administração Pública, na área da gestão de recursos humanos, patrimoniais e financeiros, promovendo acções de bem servir aos cidadãos e de combate à corrupção.
Empossados prometem muito trabalho
Judith Faria, secretária-executiva do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional, SETSAN, diz estar familiarizada com o trabalho que deve executar, até porque já há avanços no sector de que vai fazer parte. “Recebemos as recomendações daquilo que deve ser e como deve ser a nossa actuação. Estamos numa situação em que temos cerca de 37% de desnutrição no nosso país. Os COPSAM na província já trabalham, os CODSAM nos distritos já trabalham. O que vamos fazer é continuar a trabalhar na base, continuar a incentivar a mulher, a rapariga, para que, de facto, consigam aproveitar o que muito existe lá na agricultura, a nossa produção, para evitar que não tenhamos mais crianças desnutridas”, disse.
Por seu turno, Sílvia Langa disse ser desafiante a missão que vai encontrar no FPD, e elencou dois principais dossiers que se vão concentrar neles. “É muito prematuro avançar com soluções rápidas neste momento, mas é importante dizer que, dentro daquilo que foram as capacidades, o sector tem estado a fazer melhor, quer ao nível da premiação desportiva, que foi um compromisso assumido pelo Governo para cumprir no âmbito do Plano de 100 Dias de Governação, e também a questão da requalificação do Estádio Nacional de Zimpeto”.
Os empossados iniciam as suas actividades imediatamente.
Moçambique ainda não vive o sonho idealizado há 50 anos, com o alcance da independência. A ideia é defendida pelos economistas João Mosca e Thomas Selemane, no livro intitulado “Do País Sonhado ao País Vivido”, lançado nesta quarta-feira.
Conflitos internos, má gestão e crise económica são alguns dos factores que, na visão de João Mosca, fizeram com que o país não alcançasse os seus objectivos de desenvolvimento, 50 anos depois da Independência Nacional.
“Houve relações externas muito complicadas. A política interna foi quase sempre muito desajustada das nossas realidades. A maioria do povo não foi incluído nas políticas nacionais de desenvolvimento e, portanto, posso dizer que aquilo que se pretendia alcançar, o seu sonho colectivo, não foi concretizado no fundamental”, disse.
Para Thomas Selemane, autor do livro, a unidade nacional está cada vez mais ameaçada, devido a vários conflitos internos.
“Os últimos episódios dos últimos sete, oito anos, sobretudo dos últimos meses das manifestações, mostraram que temos cada vez mais moçambicanos que não têm nada a perder.”
Para Selemane, o não ter nada a perder numa nação “é um factor de risco. Quer dizer que há muita gente que não vê nenhuma diferença entre ser moçambicano e não ser. Essa gente não tem nada a perder”.
Socorrendo-se da estatística, Thomas Selemane disse que existem cerca de 20 milhões de moçambicanos fora do sistema econômico oficial, sem emprego, sem protecção social, sem nenhum sonho, sem nenhum horizonte. “Isso é muito perigoso para a continuidade do projecto de Moçambique como país”.
Apesar dos vários desafios ainda persistentes, os economistas João Mosca e Thomas Selemane reconhecem que o país registou avanços.
“Com todas as dificuldades que houve, conseguiu-se formar muita gente, muitas moçambicanas e muitos moçambicanos em várias áreas de conhecimento. Esse é um ganho muito importante para o país”, disse Thomas Selemane, autor do livro.
No livro “Do País Sonhado ao País Vivido: Moçambique 1975–2025”, lançado nesta quarta-feira, os autores destacam os factores que moldaram a independência e as transformações económicas e sociais.
O livro tem cerca de 80 páginas e pode ser obtido através de plataformas digitais.
Continuam casos de funcionários públicos envolvidos em actos de corrupção no país. O Gabinete Central de Combate à Corrupção recebeu mais de 330 casos no primeiro trimestre deste ano. Correm, actualmente, no Ministério Público, 145 processos-crime envolvendo vários tipos de corrupção.
O Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) chamou a imprensa, nesta quinta-feira, para fazer o balanço do trabalho realizado nos primeiros três meses deste ano. O órgão revelou que houve mais de 330 casos, dos quais 145 correm na justiça.
“Quanto ao movimento processual do primeiro trimestre, os gabinetes de combate à corrupção e as procuradorias registaram 334 novos casos de corrupção, que, adicionados aos 799 do ano transacto, perfizeram um total de 1133 processos (…). Isto corresponde a um aumento de 171 processos tramitados. Do total dos processos tramitados, findaram 227 contra 174 de igual período anterior”, disse Romualdo Jhonan, porta-voz do Gabinete Central de Combate à Corrupção.
Ainda de acordo com Romualdo Jhonan, 82 processos recairam em despacho de arquivamento, quer pelo facto de o Ministério Público ter recolhido prova bastante de não se ter verificado o crime, quer por o arguido não o ter praticado a qualquer título, quer ainda por estar extinta a acção penal, ou, por qualquer outro motivo, não ser admissível o procedimento criminal.
Um dos casos envolve uma médica ginecologista do Hospital Geral de Mavalane, acusada de cobrar valores para a realização de consultas. Mas há mais: “Temos o caso do reembolso do Imposto Sobre Valor Acrescentado que nós reportámos no ano passado, como estando em instrução. Este crime, como referi há pouco, está relacionado com a obtenção do Imposto sobre Valor Acrescentado por uma empresa de revenda de combustíveis que opera em Tete, com recurso à falsificação de documentos. Na sequência disso, houve um prejuízo de 81 milhões, 228 mil, 180 Meticais e 17 centavos”.
Está ainda na justiça o caso de rombo financeiro, perpetrado por um grupo de funcionários do Instituto Nacional de Segurança Social.
De acordo com o Gabinete Central de Combate à Corrupção, há três pessoas envolvidas no caso, e decorrem trabalhos para a identificação de mais elementos de prova.
O secretário-geral da Frelimo, Chakil Aboobacar, iniciou, nesta quinta-feira, uma visita de trabalho de dois dias à Cidade de Maputo, para aferir o grau de implementação do manifesto eleitoral do partido na urbe. Aboobacar diz que o motivo da visita é cumprir as promessas feitas durante a campanha eleitoral.
O partido Frelimo quer saber do grau de implementação do manifesto eleitoral autárquico no município de Maputo, dois anos depois do mandato de Rasaque Manhique como edil da cidade.
Para o efeito, o secretário-geral da Frelimo, Chakil Aboobacar, efectua uma visita de trabalho de dois dias ao município de Maputo, onde deverá fazer acompanhamento dos órgãos do partido a nível de base.
Em conferência de imprensa nesta quinta-feira, Chakil Aboobacar disse que o partido vai, também, partilhar com os militantes e órgãos de base as decisões tomadas na última sessão do Comité Central da Frelimo.
“A Frelimo é a bancada maioritária que, de facto, venceu as eleições. Devemos saber o que é que o nosso município está a fazer para assegurar o bem-estar da nossa população aqui, na Cidade de Maputo, o que é que o nosso partido está a fazer, justamente para reforçar a implantação dos órgãos do partido aqui a nível da cidade”, disse Aboobacar, citado pela Agência de Informação de Moçambique.
O secretário-geral do partido Frelimo acrescentou que “igualmente, como devem ter acompanhado pela imprensa também, nós realizámos, recentemente, a sessão do Comité Central do nosso partido e viemos partilhar com os militantes aqui a nível da cidade as principais decisões que foram tomadas neste órgão do partido, que é o Comité Central, que é o órgão máximo do partido”, disse.
Ademais, a visita do secretário-geral da Frelimo à Cidade de Maputo tem, também, a particularidade de fazer cumprir as promessas feitas durante a campanha para as eleições autárquicas e gerais, em conjunto com os simpatizantes da formação partidária.
Por isso, segundo Aboobacar, “temos de compreender o que é que está a ser feito para garantir que, no final, aquelas promessas que fizemos durante a campanha eleitoral nas autarquias, as promessas que fizemos durante a recente campanha eleitoral e actual vitória do presidente Chapo, o que é que estamos a fazer em conjunto para cumprir as promessas do nosso partido”.
Nesta visita à Cidade de Maputo, Chakil Aboobacar reúne-se com os órgãos sociais do partido, nomeadamente, a Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLLN), a Organização da Mulher Moçambicana (OMM) e a Organização da Juventude Moçambicana (OJM).
Na Zambézia, cerca de 3500 famílias vão beneficiar de equipamentos e insumos agrícolas alocados pela Agência do Zambeze, no quadro do reforço da capacidade produtiva da segunda época, num investimento em torno de 53 milhões de Meticais.
Trata-se de tractores e respectivos suplementos, autocombinadas para a colheita de arroz, kit especializado de batata reno e de produção de feno, sistemas de rega, pouco mais de 40 toneladas de sementes diversas, fertilizantes e pesticidas avaliados em cerca de 53 milhões de Meticais disponibilizados pelo Governo, através da Agência do Zambeze.
A iniciativa visa incrementar os níveis de produção, produtividade e disponibilidade de alimentos no mercado nacional, segundo o director da assistência técnica e financeira na Agência do Zambeze, Nelson Rodrigues.
“Temos alguns equipamentos específicos para a cultura de arroz, que é característico aqui, na Zambézia, mas no segmento de investimentos que já estão a ser feitos há dois, três anos, por exemplo, tivemos a oportunidade de entregar uma autocombinada de alta capacidade, portanto, até 900 hectares, com capacidade de colher de 900 hectares numa campanha, para adicionar às oito, totalizando nove, que já tinham sido estabelecidas, aumentando, assim, a capacidade de colheita mecanizada até três mil hectares só nesta província”, disse Rodrigues.
Nelson Rodrigues avançou que os equipamentos e diversos meios visam dinamizar a produção de alguns produtos estratégicos para o desenvolvimento no Vale do Zambeze.
“Adicionalmente às autocombinadas, temos alguns equipamentos específicos, como o kit especializado de batata reno, portanto, colheitadeira e semeadora que não existe ainda na província; temos o kit de produção de feno, temos tractores e os respectivos suplementos”, frisou.
O governador da Zambézia, Pio Matos, defende que os equipamentos e meios agrícolas poderão trazer esperança para o sector agrário, assolado pelos impactos do fenómeno El Niño, que afectou severamente a primeira época da campanha 2024/2025.
“Aos colegas da agricultura, esperamos maior articulação com todos os intervenientes para uma boa gestão de equipamentos e utilização dos insumos. Temos consciência de que, apesar de termos entregado estes insumos e equipamentos, ainda temos prevalência em outros desafios”, destacou o governador da Zambézia.
Rugendo Sousa, agricultor beneficiário dos equipamentos, disse que os mesmos vão ajudar na sua produção, uma vez que “à medida que nós vamos aumentando as nossas áreas de cultivo, principalmente para mim, vou aumentar a área de cultivo de arroz, e depois também terei de atender aos meus membros para o aumento da produção e produtividade”.
Por seu turno, Rogério Pedro, também beneficiário dos equipamentos, diz que muita coisa vai mudar para a comunidade. “O que vai mudar é que agora a nossa forma de produzir já não vai depender só de chuva. Já temos uma motobomba, já recebemos a semente, nós temos uma área de 14 hectares para a produção de hortícolas”, disse.
Refira-se que os meios serão alocados nos distritos de Nicoadala, Mopeia, Luabo, Morrumbala, Derre, Namacurra, Mocuba, Maganja da Costa e Mocubela, onde se espera uma produção de cerca de 4,3 mil toneladas de produtos agrícolas diversos.
Pelo menos 250 antigos guerrilheiros da Renamo, desmobilizados no âmbito do DDR, estão em parte incerta e incontactáveis, o que, segundo o próprio partido, está a condicionar o encerramento do processo de instrução, fixação e pagamento de pensões.
A Renamo, através do seu chefe na Comissão de Assuntos Militares, André Magibire, tornou público, nesta quinta-feira, em Sofala, que 251 antigos guerrilheiros, que foram desmobilizados no âmbito do DDR, estão em parte incerta e incontactáveis.
“Não está a ser fácil a sua localização para efeito deles requererem às suas pensões, porque não estão contactáveis, os números que nós tínhamos (…) estão fora de área, e alguns deles mudaram de residência, mas estão a ser envidados esforços pelo nosso departamento de assuntos sociais, em coordenação com as delegações políticas provinciais e distritais, para que esses combatentes possam tratar as suas pensões”, explicou André Magibire.
De acordo com Magibire, dos 5221 combatentes da Renamo desmobilizados no âmbito do DDR, mais de 4500 já receberam pensões e os restantes estão em processo.
Em relação ao ataque armado ocorrido em Maringue, protagonizado por indivíduos, com idades acima de 50 anos, que se presume serem antigos guerrilheiros da Renamo, Magibire disse que cabe ao Governo clarificar o assunto.
“Quem deve responder isso é o Governo. Não gostaria de me pronunciar sobre isso. Se calhar numa outra conferência de imprensa poderemos nos debruçar sobre isso, se tivermos elementos”, declarou.
Sobre o encerramento das sedes da Renamo e da destruição de material contendo fotos do presidente do partido, protagonizado por antigos guerrilheiros da Renamo, Magibire primeiro criticou o acto.
“Acho que não se deve, nem se pode fechar delegações, porque os membros não gostam do Presidente. Não é a via”.
O antigo Secretário-Geral da Renamo defendeu depois um diálogo interno. “Se nós conseguirmos fazer isso, convocar todos numa reunião e cada um dizer o que lhe preocupa, acredito que a coisa vai mudar. O próprio presidente Ossufo Momade vai-se pronunciar sobre as matérias que ele é acusado”.
André Magibire falava numa conferência de imprensa na cidade da Beira que tinha como principal objectivo actualizar o processo de fixação e pagamento de pensões no âmbito do processo de Desarmamento, desmobilização e reintegração dos combatentes da Renamo.
O brigadeiro da Renamo, Fernando Mafenhure, ameaça atacar a residência de Ossufo Momade, caso não abandone voluntariamente a liderança do partido, nos próximos dias. Mafenhure fez o pronunciamento em Gondola, depois de ordenar que fosse queimado todo material de propaganda política com imagem de Ossufo Momade.
Em Manica, à semelhança de outros pontos do país, a pressão para retirar Ossufo Momade da liderança da Renamo não para. Desta vez, os desmobilizados da Renamo, liderados pelo brigadeiro Fernando Mafenhure, escalaram a sede distrital da Renamo em Gondola, onde queimaram todo material com cara de Ossufo Momade.
“Nosso trabalho ainda não parou. Nosso objectivo principal, como desmobilizados, é a retirada do próprio Ossufo Momade, já não estamos a precisar. Deste modo, se existem alguns que apoiam Ossufo Momade (…) é da nossa inteira responsabilidade chegar directamente onde ele está, e vamos atacar a sua residência”, disse Fernando Mafenhure.
A liga da juventude da Renamo diz que a organização já não se revê na figura de Ossufo Momade como seu líder.
“Nós queremos esse partido e não o podemos abandonar, como liga da juventude. Estamos aqui a representar o partido, mas fora Ossufo Momade. Estamos cansados nós, como liga da juventude”
Recentemente os desmobilizados da Renamo incendiaram material político-partidário com imagens de Ossufo Momade em Chimoio, onde encerraram, também, a sede provincial do partido.
O presidente do MDM, Lutero Simango, é de opinião que é da responsabilidade de todos os moçambicanos contribuírem na construção de uma sociedade mais justa e tolerante e que a celebração dos 50 de independência nacional deve servir de momento de reflexão sobre a unidade nacional e a busca de caminhos para o bem estar de todos.
Foi numa conferência de imprensa, que o presidente do MDM desafiou a todos os moçambicanos, para a passagem dos 50 anos da independência nacional, a serem celebrados no próximo dia 25 de Junho, a reflictam sobre o diálogo, tolerância política, e reconciliação nacional, pontos que, para ele, são os caminhos para a construção de uma sociedade mais justa.
Simango exige, de forma particular, o fim de assassinatos de cidadãos, supostamente por razões políticas.
Refira-se que há cerca de três meses parte dos membros fundadores do MDM, na Beira, convocaram a imprensa para mostrarem o seu descontentamento em relação à forma como Lutero Simango gere o partido.
Simango não quis entrar em detalhes sobre o assunto, mas garantiu que falou com os membros do seu partido.
O presidente do MDM está em Sofala há mais de uma semana para revitalizar as bases do partido.
No distrito de Gondola, em Manica, operadores furtivos estão a invadir cemitérios para a extracção de madeira em toros. Ao todo são seis cemitérios vandalizados só na região de Pumbuto, interior do distrito.
O cemitério Nhacurerua, nas margens do rio Nhamatope, em Pumbuto. Nele jazem restos mortais do régulo local Pumbuto e outros membros da comunidade. Está a ser alvo de madeireiros furtivos.
Aqui não importa o diâmetro da madeira. Deitam abaixo qualquer tamanho, desde que tenha algum valor comercial. Árvores centenárias, que um dia sombreiam lamentos e orações, agora tombam sob motosserras que não distinguem sagrado de lucro.
Filomena João tem enterrados daqui seus familiares. Lamenta a acção dos furtivos que não só estão a roubar madeira, mas também o silêncio – o último direito dos seus ente-queridos.
A Madeira é extraída durante a noite e transportada em touros em camionetas para a cidade de Chimoio onde é comercializada.
Enquanto gravávamos a reportagem, uma equipa da Agência de Controle de Qualidade Ambiental (AQUA) chegou no local. Reconhece que há crimes que não se medem apenas em termos legais, mas em valores morais e espirituais. Invadir cemitérios por madeira é violar as raízes de uma cultura, daí que promete.