A 61.ª edição da Feira Agro-Comercial e Industrial de Moçambique (FACIM), que encerra já este domingo, tem na exposição da pecuária um dos seus pontos de maior destaque. O certame serviu de palco para o anúncio, por parte do Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, da importação de 800 touros com o objectivo de melhorar a raça de gado bovino no país.
O certame, que decorre desde segunda-feira, permitiu aos criadores exibir exemplares de genética melhorada, animais de crescimento precoce e elevada qualidade de carne. Este esforço colectivo tem como meta estratégica reduzir a dependência das importações e fortalecer a soberania alimentar.
O Governo reiterou, na ocasião, que acompanha de perto o movimento, garantindo que esta iniciativa será acompanhada pela transferência de tecnologia e pela implementação de boas práticas junto dos produtores.
Para os pecuaristas, que aproveitaram o leilão realizado no sábado para transaccionar os seus melhores animais, começa a consolidar-se uma mudança de paradigma. A consciência de criar gado de corte, vocacionado para o mercado, ganha terreno face ao modelo tradicional de acumulação de cabeças de gado por longos períodos.
O apelo aos investidores nacionais é claro: existe um vasto mercado por explorar, uma vez que a oferta interna se revela ainda deficitária face às necessidades de consumo.
A modernização estende-se, igualmente, a outros sectores. Além dos bovinos, a feira exibiu aves de elevada produtividade, demonstrando que a procura pela qualidade se alastra a toda a produção pecuária.
Moçambique enfrenta agora o desafio de fazer crescer os efectivos exponencialmente, aproveitando as oportunidades de negócio que a FACIM, uma vez mais, evidenciou como motores para o desenvolvimento económico do país.
Melhor arranque não podia ter Rodrigo Almeida na edição 2025 da Porsche Carrera Cup Asia, competição que movimenta mais de 20 pilotos de todos os cantos do mundo.
Ao cabo de quatro rondas, Almeida, que representa a Team Jebsen, partilha o terceiro lugar na classificação geral da prova com o piloto italiano Enzi Trullli, ambos com um total de 54 pontos.
Dylan Pereira, piloto do Luxemburgo, lidera a Porsche Carrera Cup Asia, com 95 pontos. Na sua última aparição no evento, precisamente no Circuito de Motegi, também conhecido como Twin Ring Motegi, no Japão, o piloto moçambicano terminou na quinta posição na ronda 3, realizada a 19 de Abril, contabilizando, desta forma, um total de 12 pontos.
Já na segunda ronda, a 20 de Abril, começou por se colocar na sétima posição e, no final, fechou no sexto lugar. “Nem sempre as coisas correm como planeado. Este fim-de-semana foi cheio de imprevistos e desafios que nos obrigaram a dar o nosso melhor em cada volta. Comecei a prova na sétima posição e, apesar dos contratempos, consegui terminar em sexto lugar”, disse Rodrigo Almeida.
O piloto moçambicano reconheceu, ainda, que “não foi o resultado que gostaríamos, mas levamos daqui lições importantes e ainda mais motivação para a próxima corrida. O vosso apoio tem feito toda a diferença. Obrigado a todos, em especial aos meus patrocinadores e a cada pessoa que tem acreditado em mim ao longo do ano”, agradeceu.
Na primeira e segunda rondas, disputadas no circuito internacional de Xangai, na China, Rodrigo Almeida terminou a prova em segundo lugar.
Foi uma prestação assinalável, num evento bastante renhido e que travou despiques interessantes com Dylan Pereira, piloto do Luxemburgo que representa a Team Shangai Yonda BWT, e Brock Gilchrist da Nova Zelândia que compete pela “Team Porshe New Zeland”.
A próxima ronda da Porsche Carrera Cup Asia realiza-se no entre os dias 6, 7 e 8 de Junho, em Sepang, na Malásia.
Mais de 600 pequenos agricultores do distrito de Dondo, na província de Sofala, Centro do país, beneficiaram, nesta terça-feira, de uma unidade de processamento de arroz instalada em Mafambisse. A infra-estrutura tem capacidade para sete mil e quinhentas toneladas por ano, assim como diversos insumos agrícolas e sementes de qualidade.
Com a nova unidade de processamento de arroz e alocação de equipamentos e insumos agrários, para o reforço da segunda época da campanha agrária 2024/25, o Governo espera melhorar a colheita mecanizada.
“Porque a colheita mecanizada? Por causa do programa de agro-industrialização. Normalmente, a qualidade da matéria-prima para a indústria é garantida quando os processos iniciam desde a sementeira, tanto a lavoura, sementeira, irrigação, também a colheita mecanizada. Porque estes equipamentos permitem instantaneamente colher e limpar. Os equipamentos permitem que o arroz já esteja disponível em granel, em algum lugar pronto para ser processado ou mesmo nos sacos”, explicou Nelson António, representante do Vale do Zambeze.
A alocação da unidade de processamento foi acompanhada da entrega de sementes de qualidade e quatro tractores e as respectivas alfaias agrícolas. “Queremos saudar o Executivo, que está a proceder à entrega de equipamentos que nós, na verdade, já há muito tempo que estávamos a pedir, e pedimos que haja mais equipamentos do género para dar seguimento àquilo que é o nosso programa de produção e aumentarmos a produtividade. Com este equipamento, vai aumentar a produtividade”, frisou Mufar Lourenço, beneficiário.
Lourenço foi secundado por Dércio de Oliveira, que enalteceu a iniciativa. “Na altura, estávamos com 10 hectares, e, agora, vamos passar para 25 hectares. Então, eu tenho a certeza de que, em algum momento, vai mudar em relação à produção que a gente vinha tendo.”
O governador de Sofala, Lourenço Bulha, que inaugurou a unidade de processamento de arroz e entregou equipamentos aos beneficiários, numa iniciativa que contou com a intervenção da Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze e a Açucareira de Mafambisse, referiu que, “no nosso entender, esta inauguração e alocação de equipamentos e insumos agrários para o reforço da segunda época da campanha agrária, não representa apenas a materialização de um projecto industrial, mas representa uma clara demonstração de que o investimento privado, aliado aos objectivos estratégicos e políticos públicos, induz ao empreendedorismo, transforma a realidade, gera oportunidades, impulsiona o crescimento económico, a produtividade e a geração de renda e emprego nas nossas comunidades”.
Esta unidade de processamento de arroz possui ainda capacidade para produzir, através de outros equipamentos modernos, cinco mil toneladas de ração animal por ano.
Há redução no movimento migratório pelos postos de travessia aérea em Vilankulo e Inhambane. Até os imigrantes ilegais, que antes usavam Moçambique como corredor para chegar à África do Sul, estão a mudar de rota.
Nos primeiros três meses deste ano, registou-se uma redução significativa no número de pessoas que utilizaram os dois postos de travessia aérea das cidades de Vilankulo e Inhambane. Os dados apontam para uma quebra de mais de 3 mil entradas em comparação com o mesmo período do ano passado.
Enquanto isso, nos postos de fiscalização do Save e de Lindela, os Serviços de Migração interceptaram cerca de 1.700 estrangeiros. Contudo, há uma mudança de comportamento que chama atenção: até mesmo os imigrantes ilegais já não estão a usar Moçambique como corredor habitual para entrar clandestinamente na África do Sul.
Recorde-se que a província de Inhambane tem sido historicamente um ponto estratégico para cidadãos estrangeiros que tentam entrar ilegalmente na África do Sul. Até o ano passado, era comum encontrar grupos de mais de 20 pessoas numa só operação de fiscalização.
O Sporting está na final da Taça de Portugal, depois de vencer o Rio Ave por duas bolas a uma, em partida da segunda mão das meias-finais.
Depois de ter vencido na primeira mão por duas bolas sem resposta, a equipa do internacional moçambicano, Geny Catamo, foi ao terreno do Rio Ave repetir a vitória. Gonçalo Inácio abriu o marcador aos 11 minutos a responder de cabeça a um canto.
Na segunda parte, e já com Geny Catamo em campo, o extremo moçambicano desferiu um remate de fora da área para defesa incompleta do guarda-redes do Rio Ave, e na recarga Viktor Gyökeres ampliou o marcador.
Os avenses reduziram aos 66 minutos por André Luíz, após jogada combinada, sem beliscar a vitória leonina, que assim vai à segunda final consecutiva, onde deverá defrontar o Benfica na final de Jamor. Os encarnados jogam esta noite no terreno do Tirsense, depois da goleada da primeira mão por 5-0.
Cerca de 500 famílias do posto administrativo de Maluana, distrito da Manhiça, província de Maputo, exigem corrente eléctrica à uma empresa que opera naquela zona. Os moradores dizem que a energia foi-lhes prometida por uma fábrica em 2024. Sucede que, a infraestrutura foi vendida a um proprietário sem incluir a componente de responsabilidade social.
A cerca de cinco quilômetros da Estrada Nacional Número Um, no posto administrativo da Maluana, distrito da Manhiça, província de Maputo, há uma comunidade que nunca conheceu uma outra luz senão do sol de dia e da lua de noite…
Em 2014, é instalada, na comunidade, a ECOBOM, uma fábrica para captação, engarrafamento e comercialização de água mineral, que promete aos moradores corrente eléctrica.
“O projecto facilitará o acesso à electricidade para as famílias com o poder de compra, na medida em que a empresa de electricidade irá estender o acesso a este bem às pessoas locais a partir das ligações que forem feitas para servir o projecto”, le-se no compromisso assumido pela ECOBOM em 2024.
Só que 11 depois da promessa, as famílias arredores do projecto ainda não têm corrente eléctrica.
“Nós perguntamos o que nos dariam com a instalação da fábrica. Disseram que tinham visto que somos pobres e nos ajudariam com energia, água, mas até hoje, não vemos corrente eléctrica. Queremos energia aqui em Chirinza e dliwana. Os nossos filhos não sabem o que energia e muito menos nós as mães”, reclamou Rolecha Baloi, residente de Maluana, distrito da Manhiça.
Sucede que a empresa que prometeu energia a cerca de 500 famílias do posto administrativo de Maluana já foi vendida à uma outra entidade em hasta pública, tal como atesta este documento do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo de 2022.
O novo dono da unidade fabril em causa é a Refrigerantes Spar, que pagou 40 milhões de Meticais, e no acordo de tramitação não assume a responsabilidade social da ECOBOM.
“Os compromissos sociais assumidos (…) com as comunidades locais ou administração local e não cumpridos são da exclusiva responsabilidade do antigo proprietário do imóvel, com excepção do compromisso de se dar preferência à contratação da mão-de-obra local sempre que houver necessidade do novo dono”.
Este posicionamento é secundado pelo administrador executivo da Refrigerantes Spar, Sulemane Padamo.
“Quando adquirimos, consultamos e a comunidade veio falar connosco e informou-nos que existia uma responsabilidade social. Fomos falar com os senhores da ECOBOM, mas ficou por escrito que a responsabilidade é com aquela empresa e não existe responsabilidade nenhuma com os actuais proprietários, que acabam de adquirir as instalações”, sublinha Sulemane Padamo, administrador executivo da Refrigerantes Spar.
Entretanto, a comunidade diz desconhecer os contornos da venda desta instalação à outra entidade e tem se deslocado ao mesmo endereço físico de onde foram prom
“Nós estamos aqui a manifestar defronte à empresa porque este sítio foi-lhe atribuído com a promessa de dar-nos energia. Esta parcela é muito grande. Só levaram-nos a terra e fizeram as suas coisas. Eles prometeram dar energia e nós ainda não vimos nada”, referiu António Chirindza, morador da Maluana, distrito da Manhiça.
Para poderem ter corrente eléctrica, os moradores desta comunidade de Maluana já começaram a reunir-se com os proprietários deste empreendimento e o Governo local.
“Portanto, passou muito tempo e nós ficamos preocupados. Então, fomos ter com a empresa para perceber o que se passava. Foi quando reunimos com a EDM, que se responsabilizou em colocar a corrente eléctrica, mas não avançaram com datas e isso preocupa a população. A comunidade quer algum sinal dentro de 45 dias”, deu ultimato, Flávio Nhambi, também, residente de Maluane.
E a empresa já começou a fazer alguma coisa. Comprou postes e posto de transformação de energia, material que foi canalizado à Electricidade de Moçambique de Infulene, tal como atesta este documento.
A EDM confirmou a recepção do material e fez outra exigência para electrificar a zona.
“O custo para a execução do trabalho está avaliado em seis milhões, novecentos e catorze mil e noventa e oito Meticais e seis centavos. O referido valor deverá ser pago na Agência desta Área de Serviço ao Cliente de Infulene…”, lê-se no documento.
“Foi entendido com a EDM, que é da responsabilidade dela e vai executar esse trabalho. Em termos de prazos, nada está definido. Não da nossa responsabilidade. A EDM é quem deve dizer em que prazos e em quanto tempo vai fazer esse trabalho. Ficou esclarecido pela EDM que aquele documento feito por si, que o valor de aproximadamente seis milhões e novecentos mil Meticais é de uma informação do montante necessário para poder terminar o trabalho após a oferta feita pela Refrigerantes Spar”, esclareceu Sulemane Padamo.
A Refrigerantes Spar, empresa que comprou esta unidade fabril, diz que está a desenhar um plano de responsabilidade social, através do qual poderá assumir alguns compromissos com a comunidade onde opera.
Já está em liberdade condicional o motorista do transporte semi-colectivo de passageiros que causou a morte de 23 pessoas num aparatoso acidente de viação. A Procuradoria distrital de Gondola diz que o processo está ainda na fase de instrução.
Há cerca de um mês, 23 pessoas morreram após embate de um minibus e um camião, no posto administrativo de Cafumpe, em Gondola. A procuradoria distrital disse ter aberto um processo-crime para responsabilizar os autores do acidente.
“Os arguidos já foram constituídos arguidos e já foram apresentados no primeiro interrogatório. Foram ouvidos pela juíza de instrução criminal e, claramente, como é de direito, foi-lhes aplicado medidas de coação, que vão desde caução, termos de identidade de residência (…) Caução para o motorista do chapa 100 e o condutor do camião, que também está envolvido no acidente beneficiou-se do termo de identidade de residência”, explicou Fidelix Pedro- Procurador-chefe em Gondola.
Neste momento, decorre a busca de provas materiais para juntar ao processo que já está na fase de instrução.
“É a fase que vai permitir que se possa fazer mais averiguações e investigações e também para garantir que as vítimas e as famílias das vítimas possam formalizar processualmente as suas queixas, para que se possa garantir, eventualmente, as indemnizações …”, disse.
De referir que os dois motoristas envolvidos no sinistro saíram ilesos.
O Tribunal Judicial da Cidade de Tete condenou, esta terça-feira, a uma pena máxima de 24 anos de prisão, o homem que matou a esposa no final do ano passado, com recurso a paus e catana, motivado por ciúmes.
O crime aconteceu em Novembro do ano passado, quando a vítima despediu-se do seu marido, para um momento de diversão com as amigas e regressou no mesmo dia por volta das 23 horas.
Quando o marido perguntou porque chegara tão tarde, a vítima respondeu que a conversa aconteceria no dia seguinte, pois já era tarde. No entanto, os dois começaram a discutir e o marido, alegadamente movido por ciúmes, decidiu usar paus e catana para desferir golpes violentos contra a esposa.
A vítima foi socorrida e levada ao hospital distrital de Magoe, mas já sem vida.
Aquando da instrução dos autos, o arguido alegou, em sua defesa, que, ao agredir a esposa, não tinha a intenção de a matar e fê-lo de forma inconsciente, porque estava sob efeito de álcool
Contudo, as alegações não convenceram o Ministério Público, daí que a terceira secção do tribunal judicial da cidade de Tete concluiu que Finiasse Chiringa Chilauro agiu de forma intencional, e por isso, decidiu aplicar a pena máxima de 24 anos de prisão.
Familiares da vítima, dizem-se satisfeitos com a decisão do tribunal. A vítima tinha trinta e dois anos e era agente de serviço, afecta a escola secundária de Magoe na província de Tete.
Mais de 600 pequenos agricultores do distrito de Dondo em Sofala, beneficiaram, nesta terça-feira , de uma unidade de processamento de arroz, instalada em Mafambisse, com capacidade para sete mil e quinhentas toneladas por ano, assim como diversos insumos agrícolas e sementes de qualidade.
Com a unidade de processamento de arroz e a alocação de equipamentos e insumos agrários para o reforço da segunda época da campanha agrária 2024/25, o Governo espera melhorar bastante a colheita mecanizada.
“Por quê a colheita mecanizada, por causa do programa de agroindustrialização. Portanto, normalmente, a qualidade da matéria-prima para a indústria é garantida quando os processos iniciam desde a sementeira, gravura, lavagem e irrigação. Também a colheita mecanizada, porque estes instrumentos permitem colher, limpar e que o arroz esteja instantaneamente pronto para ser processado”, disse Nelson António, representante do Vale do Zambeze.
A alocação desta unidade de processamento foi acompanhada pela entrega de sementes de qualidade e 4 tratores com as respectivas alfaias agrícolas.
“Queremos saudar o executivo, porque trouxeram instrumentos que já há muito pedíamos. Gostaríamos que houvesse mais equipamentos do género, para dar seguimento a aquilo que é o nosso programa de produção, com vista a aumentar a produtividade”, disse um beneficiário.
O governador de Sofala, que inaugurou a unidade de processamento de arroz e a entregou os equipamentos aos beneficiários, numa iniciativa que contou com a intervenção da agência de desenvolvimento do Vale do Zambeze e a açucareira de Mafambisse, referiu que: “No nosso entender, esta inauguração e alocação de equipamentos e insumos agrários, para o reforço da segunda época da campanha agrária 2024-2025 não representa apenas a materialização de um projecto industrial, mas representa uma clara demonstração de que o investimento privado, aliados aos objetivos estratégicos e políticos públicos, induz ao empreendedorismo, transforma a realidade, gera oportunidades, impulsiona o crescimento económico, a produtividade e a geração de renda e emprego nas nossas comunidades”.
A unidade de processamento de arroz possui ainda capacidade para produzir, através de outros equipamentos modernos, cinco mil toneladas de ração animal por ano.
A Confederação das Associações Económicas (CTA) desmente que o processo disciplinar contra Álvaro Massingue seja uma desobediência à providência cautelar do Tribunal. A agremiação diz que a acção contra o presidente da Câmara de Comércio de Moçambique veio muito antes da decisão judicial. Massingue sublinha que vai concorrer à presidência da CTA e vai submeter a sua candidatura hoje.
O braço-de-ferro entre o Conselho Directivo da CTA e a Câmara de Comércio de Moçambique, no quadro da eleição do novo presidente da agremiação dos empresários, parece estar longe do fim.
É que 24 horas depois de Álvaro Massingue ter acusado a actual direcção da Confederação das Associações Económicas de Moçambique de tentar o colocar fora da corrida eleitoral, através de um processo disciplinar e de desobedecer à decisão do Tribunal, a CTA reagiu.
Através de um comunicado, a CTA esclarece que o processo disciplinar foi instaurado contra Álvaro Massingue muito antes da despacho do Tribunal sobre providência cautelar.
“CTA foi notificada do Despacho da Providência Cautelar no dia 09 de Abril de 2025, tendo o processo disciplinar sido instaurado anteriormente, em 03 de Abril de 2025. Note-se que a respectiva investigação tinha iniciado em Dezembro último. Não se verifica, portanto, qualquer acto de desobediência, visto que, até à data da notificação da Nota de Acusação, nenhuma medida cautelar havia sido comunicada”
E mais: a agremiação diz que o processo disciplinar foi instaurado à luz dos estatutos da CTA e nenhuma ordem do Tribunal se sobrepõe a eles.
“Não é credível justificar que uma decisão do Tribunal, entidade que defenda a justiça, se coadune na prática de actos violadores de deveres estatutários e com indícios de crime. Porquanto o Tribunal não suspendeu os Estatutos e Regulamento Eleitoral da CTA. O alcance do Despacho da Providência – decisão provisória – não impede a aplicação das normas internas estatutárias, nem mesmo limita o poder estatutário de aplicar sanções disciplinares”.
Depois de se aperceber do pagamento de quotas para algumas associações pela Câmara de Comércio de Moçambique, a CTA afirma ter chamado Álvaro Massingue para se explicar em sede própria, mas ele não compareceu.
Por isso, argumenta a CTA, Massingue invoca a tese de solidariedade para com as outras associações, mas já é demasiado tarde.
“A invocação de solidariedade em contexto eleitoral, feita tardiamente no espaço mediático e não no processo disciplinar, revela uma tentativa de reconstrução da narrativa pós-decisão. Além disso, diversas associações que figuraram na lista de pagamentos negaram ter autorizado ou solicitado o apoio, e algumas delas já estavam com as quotas regularizadas, o que demonstra a falta de critério objectivo no suposto gesto de solidariedade, a falta de coordenação na prática da solidariedade e o conhecimento tardio em si mesmo que, afinal, o acto era de solidariedade”.
Ainda assim, por meio deste comunicado de imprensa, a Câmara de Comércio de Moçambique reafirma que Álvaro Massingue vai concorrer à presidência da CTA.
“A CCM manterá a sua candidatura à presidência da CTA. A submissão formal da candidatura será feita no dia 23 de Abril de 2025, às 08 horas”.
No mesmo documento, a Câmara do Comércio de Moçambique refere que: “A tentativa de afastar a CCM e o seu presidente é ilegal, antiética e evidencia uma manobra desesperada para obter vantagens eleitorais, com objectivo claro que distrair e manipular alguns membros”.
A agremiação presidida por Álvaro Massingue denuncia, ainda, que, neste jogo eleitoral, a CTA joga papel de jogador e árbitro.
“Os membros do Conselho Directivo que deliberam da CCM, possuem interesses directos nas eleições, sendo eles próprios concorrentes. Ao agirem assim, colocam-se na posição de juízes da sua própria causa, o que fere os princípios básicos de ética, imparcialidade e legalidade”.
E três das associações, que terão se beneficiado do pagamento de quotas por Álvaro Massingue, escreveram este documento ao Procurador-Chefe da Procuradoria Distrital da República de Kampfumo a pedir que seja instaurado um procedimento criminal contra o Conselho Directivo da CTA por desobedecer a decisão do Tribunal sobre a providência cautelar.
As eleições na CTA estão marcadas para o dia 14 de Maio.