Skip to main content

O País – A verdade como notícia


ÚLTIMAS

Destaques

NOTÍCIAS

O líder do principal partido da oposição na Tanzânia, Tundu Lissu, foi condenado, esta sexta-feira, a quatro anos de prisão, por incitação à violência, depois de ter sido absolvido da acusação de traição, que poderia resultar na aplicação da pena de morte. A decisão está a gerar fortes críticas da comunidade internacional, que considera o processo judicial politicamente motivado.

 

Tundu Lissu, de 58 anos, líder do partido Chadema, foi detido antes das eleições presidenciais de Outubro de 2025, tendo permanecido 19 meses na prisão. O tribunal considerou-o inocente da acusação de traição, mas condenou-o por incitação, apesar de este crime não constar formalmente do processo. Durante a leitura da sentença, o juiz afirmou que as declarações do político tinham como objectivo perturbar o processo eleitoral e instigar actos de violência.

 

Em reacção, Lissu classificou o julgamento como uma perseguição política e acusou os magistrados de actuarem sob ordens do Governo da Presidente Samia Suluhu Hassan.

A condenação surge num contexto de crescente tensão política na Tanzânia, onde o Governo tem sido acusado de reprimir opositores e críticos. Antes das eleições de Outubro de 2025, foram registadas detenções e raptos de membros da oposição, seguidos de manifestações de grande dimensão.

 

Samia Suluhu Hassan venceu as eleições com 98 por cento dos votos. Segundo a oposição e organizações de defesa dos direitos humanos, milhares de pessoas terão sido mortas pelas forças de segurança durante a repressão dos protestos. O Governo, por sua vez, reconhece oficialmente 518 mortos.

 

A decisão judicial provocou reacções de condenação no estrangeiro. Parlamentares britânicos e a União Europeia consideram o processo politicamente motivado e exigem a libertação imediata de Tundu Lissu. O embaixador dos Estados Unidos da América na Tanzânia, William Trachman, também manifestou preocupação com as implicações do julgamento para o Estado de Direito no país.

 

Na Tanzânia, as medidas de segurança foram reforçadas na capital comercial, Dar es Salaam, e nas imediações do tribunal, antes da leitura da sentença.

Este é o terceiro julgamento por traição de grande repercussão na história da Tanzânia continental. Os dois anteriores ocorreram nas décadas de 1970 e 1980, envolvendo acusações de conspiração para derrubar e assassinar o primeiro Presidente do país, Julius Nyerere.

 

Em 2017, Tundu Lissu sobreviveu a uma tentativa de assassinato, durante a qual foi atingido por 16 tiros. O político, que acredita que o ataque teve motivações políticas, foi submetido a cerca de 20 intervenções cirúrgicas na sequência dos ferimentos.

Vídeos

NOTÍCIAS

A cidade de Chibuto  celebrou, esta quarta-feira, 54 anos de elevação à categoria de cidade com atenções viradas para a recuperação económica, depois dos protestos pós-eleitorais que destruíram 7 instituições do estado e paralisaram vários sectores, com destaque para o transporte, comércio e turismo.

Cinco décadas e quatro unidades é o tempo em que celebra a elevação de Chibuto à categoria de cidade. Esta quarta-feira, 8 de Outubro, a cidade parou para celebrar a efeméride, bem como para assinalar avanços e retrocessos registrados principalmente no período pós-eleitoral.

“Durante as manifestações foram destruídas várias coisas, estradas, escolas, muitas coisas”, disse uma munícipe.

E mais: “a nossa cidade está espetacular em termos de recolha de lixo, de limpeza. Nós agora já não nos queixamos muito, temos pontos centrais para podermos depositar o lixo. Chibuto, pelo menos, melhorou o problema de emprego, para além do costume natural, em que as pessoas iam para a África do Sul”, destacou um residente de Canhanda, no município de Chibuto.

Entretanto, os munícipes queixam de problemas na prestação de serviços sociais básicos, em particular o abastecimento de água e energia, problemas para os quais  exigem respostas. 

“O nosso hospital, na verdade, não está em boas condições. Pedimos ao nosso presidente, não sei se é do município de Chibuto, ou é o Presidente da República, não sei a quem falar e também pedimos a reabilitação da Escola Secundária de Chibuto. Na verdade, a escola não está em boas condições. É uma ameaça para a saúde dos estudantes”, lamentou outro munícipe.

É também preocupação dos munícipes a situação da erosão que assola quase toda cidade e que se agrava no período chuvoso.

“Na época chuvosa, nem para entrar na escola não tem como, nem para caminhar mesmo na estrada não temos como, não temos valeta ou vales para escoamento de água, é o grande problema”, lamentou outro munícipe.

No entanto, durante o discurso de ocasião, o presidente do município de Chibuto, Henriques Machava, admitiu que a cidade tenta reerguer do impacto severo dos protestos durante os quais foram, entre outros, destruídas 7 instituições públicas, incluindo 10 empreendimentos comerciais e turísticos.

“A vandalização de infraestruturas económicas e sociais e a nossa cidade, uma das que muito foi sacrificada na província de Gaza. Temos um grande empreendimento económico que, com as manifestações, foi reduzido a escombros”, lamentou.

Henriques Machava descreve o cenário como um retrocesso no desenvolvimento, em participar para arrecadação de receitas municipais que caíram de 300 mil meticais para 50 mil meticais por semana.

“Esta situação nos permite a provisão limitante na percepção de serviços básicos. A nossa cidade conta com uma percentagem de 58% na cobertura da energia elétrica. Foi feita e conseguimos restabelecer a comunicação entre os bairros que tinha sido comprometida durante a época chuvosa”, concluiu Henriques Machava.

Os munícipes de Chibuto destacam melhorias nos 54 anos, mas pedem  intervenções da edilidade para a retirada de mais três mil famílias que continuam em zonas propensas à erosão.

No dia 18 de Setembro do presente ano, o diário O  País publicou uma matéria relacionada com o quadro social dos trabalhadores da NUKE TRANSPORTES, empresa sediada na cidade Tete. Sobre as matérias vertidas na peça jornalística vimos, no âmbito da Lei de Imprensa, artigo 33 (direito de resposta), esclarecer:

O artigo faz referência a paralisação do curso laboral que resulta, segundo escreve o jornal, da baixa qualidade das refeições, inexistência de seguro de acidente de trabalho e assistência médica e medicamentosa.

Sobre os três pontos elencados, e tendo em conta a situação real da empresa, temos a dizer:

  1. Quanto à alimentação, a Nuke desconhece as reais motivações do descontentamento dos trabalhadores, porquanto a empresa tem vindo a criar condições para garantir o mais alto padrão de qualidade das mesmas. 
  2. Em relação ao seguro e assistência médica e medicamentosa, a NUKE dispõe do programa de controle médico ocupacional e do seguro de acidentes de trabalho.
  3. Por outro lado, importa salientar que a NUKE está em estrito alinhamento com a Lei do Trabalho (vide o artigo 235 da Lei n.° 13/2023 de 25 de Agosto), que dispõe que “o empregador deve possuir um seguro colectivo dos seus trabalhadores, para cobertura dos respectivos acidentes de trabalho e doenças profissionais”.
  4. A Lei do Trabalho estabelece ainda que os trabalhadores têm direito a assistência médica e medicamentosa e de indemnização em caso de acidente de trabalho ou doença profissional- conforme dispõe  a al.f), n.° 5 do artigo 55 da Lei do Trabalho.
  5. É dentro de todo este quadro que a NUKE tem vindo a criar condições para que os trabalhadores usufruam destes direitos. 

Esperamos ter esclarecido as questões que foram publicadas pelo jornal O País. 

O governo revelou, nesta quarta-feira, que os livros da  4.ª e 5.ª classes estão a ser produzidos no país. O executivo reafirmou o seu compromisso com o sector da Educação, garantindo que o pagamento das dívidas aos professores e alfabetizadores, relativas às horas extras está em curso.

A informação foi avançada pela Ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, durante a abertura do I Conselho Coordenador do sector, que decorre sob o lema “Educação, Investigação e Cultura: Vectores Fundamentais para o Desenvolvimento Sustentável do País”.

O evento marca um momento de avaliação e projecção estratégica do sector, com enfoque na educação de qualidade, investigação científica e promoção cultural como pilares para o desenvolvimento sustentável de Moçambique.

Segundo a ministra do pelouro, as autoridades têm estado a honrar os compromissos financeiros com os profissionais e apelou mais humanismo aos professores.

“Estamos a pagar as dívidas relacionadas com as horas extras dos professores e alfabetizadores, (….) começamos a pagar 2023 e 2024 está em preparação. Começamos a pagar os alfabetizadores dores ontem (esta terça-feira). Apelamos mais humanismo, responsabilidade e respeito à lei, pois assistimos alguns professores que abandonam os alunos por causa destas dívidas, o governo está a pagar, por mais que demore, vai pagar todas as dívidas”, garantiu Samaria Tovela.

Durante a sua intervenção, a ministra revelou que já está em curso a produção dos livros escolares para as 4.ª e 5.ª classes, agora feitos a nível nacional. Para os restantes níveis de ensino, os manuais estão em fase de distribuição nos distritos.

“São duas classes que têm os livros produzidos no país, estamos a testar a capacidade nacional. Os livros para outros níveis estão a chegar, já estamos a nos preparar para recepção e distribuição nos distritos, como forma de garantir que o livro chegue cedo aos meninos nas escolas”, explicou.

Questionada pelo “O País” sobre de algumas escolas nas províncias de Maputo e Gaza, que apresentam riscos de colapso, a governante garantiu que se está a angariar recursos.

“O governo está a mobilizar recursos para intervir nas escolas de Namaacha e Chibuto e garantir a segurança dos alunos e professores”, afirmou Tovela.

No que diz respeito à província de Cabo Delgado, onde o sistema educativo tem sido duramente afectado pela violência armada, a dirigente assegurou que os alunos são recebidos em todas províncias.

Durante o I Conselho Coordenador do Ministério da Educação e Cultura que reúne quadros de todo o país até o dia 10 do mês, o governo afirmou que pretende introduzir manuais de educação moral e cívica e patriotico, artes e cultura no próximo ano lectivo para maior ocupação dos alunos e minimizar comportamentos anormais nas escolas.

A administração Trump alertou, na terça-feira,  para o facto de não ser garantido o pagamento de salários em atraso aos trabalhadores federais durante o período de paralisação do governo.

A medida  inverte o que era uma política antiga para cerca de 750.000 funcionários com licença, de acordo com um memorando que está a ser divulgado pela Casa Branca.

O presidente dos EUA, Donald Trump, promulgou a lei após o mais longo encerramento do governo em 2019, durante o seu primeiro mandato, uma legislação que garante que os trabalhadores federais recebam salários em atraso durante qualquer lapso de financiamento federal.

No novo memorando de Trump, o seu gabinete de Gestão e Orçamento diz que o pagamento retroativo deve ser fornecido pelo Congresso, se assim o decidir, como parte de qualquer projecto de lei para financiar o governo.

A medida é vista por muitos como uma tática de braço de ferro, como uma forma de a administração republicana pressionar os legisladores a reabrir o governo, que actualmente está  no seu oitavo dia de paralisação.

As universidades portuguesas receberam neste ano mais 351 estudantes moçambicanos, elevando para 1 600 os que já estudam no país. O anúncio foi feito pelo embaixador português em Moçambique, Jorge Monteiro, na cerimónia de despedida de 18 bolseiros do instituto Camões, segundo escreve Lusa.

De acordo com Jorge Monteiro, foram recebidas neste ano mais de 520 candidaturas às universidades portuguesas, tendo sido “colocados 351 estudantes moçambicanos no ensino superior em Portugal” que já estão a iniciar o percurso académico.

 Dos 1600 que estudam em Portugal, “cerca de duas centenas são bolseiros moçambicanos, distribuídos por cursos de licenciatura, mestrado e de doutoramento, incluindo no domínio das ciências policiais e militares”, disse o embaixador português, reconhecendo a importância desta ligação nas relações entre os dois países.

Deste grupo de 18 bolseiros do instituto Camões, dois estudantes já partiram para Portugal e os restantes viajam nos próximos dias.

No âmbito deste programa de cooperação bilateral, Moçambique definiu como prioritárias para a atribuição de bolsas as áreas de Ciências, Tecnologias, Engenharias e Matemática (STEM), com o objectivo de responder às necessidades estratégicas de desenvolvimento do país.

“São domínios técnicos essenciais ao desenvolvimento de Moçambique, de qualquer sociedade”, sublinhou o diplomata português, na cerimónia de despedida.

O embaixador destacou que estas bolsas representam um investimento directo na formação de capital humano qualificado e um reforço dos laços históricos e culturais entre os dois países.

Durante a cerimónia, a diretora-geral do Instituto Nacional de Bolsas de Estudo (INABE) de Moçambique, Carla Caomba, destacou a importância da parceria na formação de quadros moçambicanos altamente qualificados e no reforço das relações bilaterais.

“Esta partida representa um passo importante rumo à realização de sonhos e à consolidação de projetos de vida”, sublinhou.

A responsável acrescentou que os estudantes moçambicanos têm-se destacado em várias universidades portuguesas, não apenas pelo mérito académico, mas também pela capacidade de adaptação e contribuição em diferentes áreas de conhecimento.

Os 18 estudantes selecionados vão frequentar cursos em universidades de Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Braga e Faro, em licenciaturas e mestrados em diversas áreas científicas.

Alguns membros da Assembleia Provincial de Cabo Delgado querem uma descentralização do processo de fiscalização dos megaprojetos de exploração de recursos minerais, que actualmente é feita apenas pela Assembleia da República, segundo rege a lei.

A pretensão visa garantir os direitos da população e transparência na exploração dos recursos naturais, que desde a sua descoberta tem estado a criar conflitos nas comunidades abrangidas pelos projectos.

“E vontade de todos membros da Assembleia Provincial ir perceber essa questão de reassentamento e indemnizações nos distritos de Palma por causa do gás, em Balama onde se explora grafite, e Montepuez devido a exploração de rubis, mas neste momento essa actividade está a ser efectuada pela Assembleia da República, e nós, da Assembleia Provincial, só realizamos algumas actividades segundo o que está plasmado na lei 6/2019. Essa nossa pretensão surge na sequência de inúmeras reclamações que recebemos das comunidades afectadas pela exploração de recursos minerais, sobretudo no que diz respeito às indemnizações e o processo de reassentamento”, explicou Abácio Silamo, Presidente da Comissão do Plano e Finanças da Assembleia Provincial de Cabo Delgado.

A maior preocupação dos parlamentares de Cabo Delgado está relacionada com os frequentes conflitos entre as comunidades afectadas pela exploração dos recursos minerais e as empresas que exploram esses recursos, devido a supostas injustas indemnizações, falhas processo de reassentamento, alegados impactos negativos para o ambiente e sistemáticas violações da lei laboral.

“Gostaríamos também de fiscalizar a plataforma da Coral Sul, na bacia do Rovuma, para percebermos o que está a acontecer com os trabalhadores que são nativos de Cabo Delgado”, argumentou Abácio Silamo.

A pretensão da Assembleia Provincial de Cabo Delgado em se juntar à Assembleia da República na fiscalização dos megaprojetos de exploração de recursos minerais foi apresentada durante uma capacitação dos membros do órgão em matéria de governação descentralizada, indústria extractiva e direitos humanos, realizado na cidade de Pemba.

Segundo estatísticas, nos últimos dez anos, mais de dez mil pessoas foram afectadas pela exploração de recursos minerais na província de Cabo Delgado.

A presidente da Assembleia da República (AR), Margarida Adamugi Talapa, recebeu, nesta terça-feira, em audiência de cortesia, na sede do Parlamento, em Maputo, o embaixador da Federação da Rússia em Moçambique, Vladimir Tararov, num encontro que tinha como objectivo reforçar as relações de amizade e cooperação existentes entre os dois países e povos.

Falando à imprensa após a audiência, o diplomata russo descreveu a visita à Assembleia da República como uma grande honra, tendo servido para a entrega de um convite pessoal e oficial do Presidente do Parlamento daquele país europeu para a sua homóloga moçambicana visitar Moscovo em Novembro próximo.

O embaixador Tararov sublinhou que o principal objectivo da visita é o de aprofundar as relações de cooperação parlamentar entre Moçambique e a Federação Russa, destacando a necessidade de definir um programa abrangente de colaboração entre as duas instituições legislativas.

“O programa proposto visa ir além das esferas política e interparlamentar, incluindo uma exposição das potencialidades económicas da Rússia que poderão ser exploradas em Moçambique”, disse o diplomata, acrescentando que “envidaremos todos os esforços para que a nossa cooperação parlamentar seja directa e abrangente”.

Tararov enfatizou que as relações de cooperação entre Moçambique e a Rússia devem ser multifacetadas, abrangendo diversos sectores. Vincou que a Federação Russa está pronta para prestar assistência a Moçambique em qualquer área, desde que tal intervenção seja solicitada, oficialmente, pelas autoridades moçambicanas.

O embaixador da Federação da Rússia em Moçambique referiu que, para assegurar o sucesso desta parceria, as possibilidades e modalidades de intervenção serão analisadas em conjunto com as instituições moçambicanas competentes.

Talapa recebeu também o embaixador de Portugal em Moçambique

Numa outra audiência acontecida nesta terça-feira na sede do Parlamento, a presidente da Assembleia da República, Margarida Adamugi Talapa, recebeu o embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, num encontro que serviu para reforçar os laços de amizade e cooperação existentes entre os dois países e os respectivos parlamentos.

O diplomata português disse que Portugal reafirma o seu compromisso com Moçambique como aliado estratégico no desenvolvimento, segurança e combate ao terrorismo em Cabo Delgado.

“Moçambique poderá sempre contar com Portugal como um aliado prioritário nesta fase de desenvolvimento”, afirmou Monteiro, sublinhando que “estamos presentes não apenas na economia, mas também na segurança e defesa, apoiando as Forças Armadas de Defesa de Moçambique face aos desafios em Cabo Delgado. Portanto, Portugal é um aliado para todas as horas”.

O embaixador de Portugal acreditado em Moçambique destacou o carácter cordial e produtivo do encontro mantido com a presidente Talapa, frisando que as relações entre Portugal e Moçambique são exemplares e transversais, abrangendo todos os domínios da cooperação, incluindo a área parlamentar.

“Há uma cooperação muito profícua entre as Assembleias da República de Portugal e de Moçambique, que se traduz no dia-a-dia em acções de formação, apoio técnico-administrativo e partilha de experiências”, referiu Monteiro, acrescentando que “neste momento, decorre um importante projecto de cooperação para a criação de Televisão da Assembleia da República de Moçambique, com o apoio de Portugal”.

“Nos dias 8 e 9 de Dezembro do presente ano, terá lugar em Portugal a 6ª Cimeira Bilateral Portugal–Moçambique durante a qual os dois governos irão definir uma nova agenda de cooperação bilateral para os próximos anos. As expectativas são muito positivas”, vincou o diplomata português.

A violência doméstica e os crimes motivados por ciúmes e acusações de feitiçaria continuam a semear o luto na província de Inhambane. Desta vez, duas mulheres foram brutalmente assassinadas — uma pelo próprio filho e outra pelo companheiro — em dois crimes que chocaram as comunidades locais e expuseram, mais uma vez, a crescente onda de homicídios que assola a região.

Segundo as autoridades, os casos ocorreram em diferentes comunidades do distrito de Vilankulo, mas têm em comum a violência extrema e a proximidade entre vítimas e agressores. Na cidade de Vilankulo, um homem de 47 anos foi detido depois de tirar a vida da namorada, alegadamente por motivos passionais. No mesmo distrito, outro indivíduo é acusado de ter espancado a própria mãe até à morte, após tê-la acusado de feitiçaria.

As cenas macabras, que voltam a manchar de sangue a “terra da boa gente”, reacendem o debate sobre o aumento de crimes violentos em Inhambane — onde, só nos primeiros sete meses do ano, cerca de 150 pessoas foram assassinadas, a maioria por razões ligadas à ciúmes, conflitos familiares ou crenças tradicionais.

Em declarações à imprensa, a porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Inhambane, Nércia Bata, detalhou as circunstâncias em que ocorreu o primeiro homicídio, envolvendo um jovem casal de Vilankulo.

“Este que saiu com a sua namorada, foram numa adega, consumiram bebidas alcoólicas com os outros amigos e, de regresso à casa, na calada da noite, o mesmo desconfiou que a esposa tinha um relacionamento extraconjugal e acabou asfixiando-a até à morte”, contou Bata, acrescentando que o suspeito foi detido pouco depois.

De acordo com a PRM, o crime foi premeditado e executado num contexto de ciúmes descontrolados, um padrão que tem se repetido com frequência alarmante em vários distritos da província. “Infelizmente, estamos a lidar com situações em que o diálogo é substituído pela violência. Pequenas desavenças acabam em tragédia. E o que mais nos preocupa é que, na maioria dos casos, o agressor é alguém próximo da vítima”, lamentou a porta-voz.

O segundo caso, registado em Vilankulo, expõe o outro lado da mesma moeda: a persistência das acusações de feitiçaria como justificativa para crimes brutais. O suspeito, um homem de 52 anos, é acusado de ter agredido a própria mãe até à morte, sob a alegação de que ela praticava feitiçaria e seria a responsável pelos males que o atormentavam.

Nércia Bata explicou que o suspeito foi igualmente detido e deverá responder por homicídio qualificado. “Este indivíduo confessou parcialmente o crime, dizendo que agiu sob raiva e medo de supostas práticas mágicas da mãe. Mas, para nós, trata-se de um ato bárbaro que demonstra até que ponto o obscurantismo ainda destrói famílias”, sublinhou.

A Polícia afirma que continua a reforçar o trabalho de sensibilização comunitária, com o objetivo de desencorajar a justiça pelas próprias mãos e combater as crenças associadas à feitiçaria, que frequentemente terminam em mortes. No entanto, reconhece que o desafio é enorme e exige uma intervenção multidisciplinar.

“Estamos a trabalhar com as lideranças comunitárias, com as igrejas e com o setor da educação, porque não basta punir. É preciso educar e mudar mentalidades”, referiu Bata, frisando que, só em 2025, já foram registados vários homicídios relacionados com acusações infundadas de feitiçaria.

As estatísticas mais recentes do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) revelam que Inhambane é uma das províncias com maior incidência de homicídios do país, com uma média de uma morte violenta a cada dois dias. A maioria dos casos está ligada a disputas familiares, desentendimentos amorosos e crenças tradicionais.

Fontes comunitárias ouvidas pelo O País afirmam que a pobreza, o consumo excessivo de álcool e a falta de mecanismos de mediação social têm contribuído para o agravamento da situação. Em zonas rurais, a crença de que doenças, infertilidade ou infortúnios resultam de feitiçaria continua profundamente enraizada, levando a linchamentos e execuções sumárias.

Entretanto, organizações da sociedade civil pedem uma atuação mais firme do Estado, combinando a repressão penal com campanhas educativas contínuas. “Precisamos de um trabalho intenso de consciencialização, sobretudo nas comunidades rurais, onde a ignorância e o medo ainda são usados como armas de destruição”, comentou um ativista local.

Os dois casos mais recentes, embora separados por poucos dias e por dezenas de quilómetros, partilham uma mensagem inquietante: Inhambane, a província outrora conhecida pela sua tranquilidade e hospitalidade, está a viver um ciclo de violência doméstica e homicídios que desafia as autoridades e destrói famílias.

Para a PRM, o combate a esta onda sangrenta exige mais do que prisões — exige uma mudança cultural profunda. “Não podemos continuar a assistir a vidas perdidas por ciúmes ou superstição. A violência nunca é solução. O que precisamos é de diálogo, empatia e respeito pela vida”, concluiu Nércia Bata.

Uma em cada vinte pessoas já tentaram suicídio no país. Para a psicóloga Nícia Dzimba, estes números são preocupantes, daí que apela à população a dar maior atenção à saúde mental. Dzimba também chama atenção aos pais para reflectirem no tipo de mimos que dão aos filhos, sob riscos de deseduca-los, no lugar de educar.

O inquérito nacional de prevalência de factores de risco para doenças crónicas não transmissíveis concluiu que cerca de 7,3 por cento de moçambicanos adultos já contemplaram o suicídio, outros 4,3 por cento fizeram um plano de suicídio.

Para a psicóloga Nicia Dzimba existem vários factores por detrás da situação e muitos têm estado a ignorar os sinais de depressão.

“O que está por detrás do suicídio pode ser a depressão, mas também pode ser uma frustração repentina por alguma insatisfação ou por alguma pressão e que o indivíduo naquele momento não consegue gerir e acaba tirando a sua própria vida”, disse.

Mas há mais: falando mais sobre depressão, que é a maior causa de suicídio, Nícia Dzimba diz que “as pessoas infelizmente, hoje em dia, normalizam muito o que não se pode normalizar. Estou a falar de comportamentos anormais que as pessoas começam a identificar, a demonstrar quando as pessoas têm depressão. Hoje em dia nós falamos de depressão e confundimos muito depressão e tristeza”.

Outrossim, segundo a psicóloga, “as pessoas pensam que a pessoa está um bocadinho para baixo, isso não é nada, vai passar. Não é sobre isso. A tristeza é passageira por várias causas, nós ficamos tristes, mas em pouco tempo nós conseguimos lidar com isso e ultrapassamos, mas a depressão não, a depressão é um transtorno de humor grave”.

Outro ponto crítico é o aumento dos casos de transtornos de ansiedade entre crianças e adolescentes. Nícia Dzimba destaca que, nestes casos, o papel dos pais é ainda mais determinante.

“Está a haver uma fraqueza dos pais em preencher o vazio das crianças e demonstrar os seus papéis como devem ser nas casas, porque nós vamos ver que uma mãe tem lá a sua criança de um, dois anos, porque quer fazer as tarefas e a criança está perturbada, a mãe vai fazer o quê, coloca o desenho animado no celular”, detecta.

Para Nícia Dzimba, ao fixar-se naquela tela “nós vemos uma criança que do nada começa a passar tudo, então estamos ensinando àquela criança que o mundo é feito de fantasias, que é feito de cores e que essas cores nós podemos mudar sempre que nós quisermos”.

Nos adultos, as redes sociais também têm sido uma preocupação. A psicóloga observa um comportamento cada vez mais frequente: pessoas que se reúnem fisicamente, mas preferem interagir com outras através do telefone.

+ LIDAS

Siga nos

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Galeria