A Prime Rate do sistema financeiro moçambicano está fixada em 15,50% para Novembro, mas o custo do crédito varia significativamente entre as instituições financeiras e as modalidades de financiamento. No crédito à habitação, o Standard Bank apresenta o spread mais baixo entre os bancos comerciais, de 1%, colocando a taxa indicativa em 16,50%. Já no crédito ao consumo, o First Capital Bank apresenta a margem mais elevada, de 12%, enquanto nas instituições de microfinanças os juros indicativos podem atingir 60,95%.
Os dados constam do Comunicado n.º 10/2026 da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), de 30 de Outubro, que estabelece as margens de crédito a aplicar durante Novembro. A Prime Rate resulta da soma do Indexante Único, fixado em 9,30%, com o Prémio de Custo, de 6,20%, e constitui a taxa de referência para operações de crédito com juros variáveis.
Na modalidade de financiamento à habitação, o Standard Bank apresenta o spread mais baixo, de 1%, seguido do Millennium BIM, com 1,20%. Em sentido contrário, o Vista Bank e o First Capital Bank apresentam margens de 6%. Considerando a Prime Rate de Novembro, as taxas indicativas para esta modalidade variam entre 16,50% e 21,50%.
No crédito ao consumo, destinado ao financiamento de bens e serviços como viaturas, electrodomésticos e mobiliário, o First Capital Bank apresenta a margem mais elevada, de 12%, seguido do ABSA, com 10,75%, e do FNB, com 10%. O Millennium BIM regista o spread mais baixo, de 3,91%. Neste segmento, as taxas indicativas variam entre 19,41% e 27,50%.
Para as empresas, os custos de financiamento também apresentam diferenças em função do prazo e da finalidade do empréstimo. Nos créditos de curto prazo, até um ano, os spreads dos bancos comerciais variam entre 2% e 5%, correspondendo a taxas indicativas de 17,50% a 20,50%. Estes financiamentos destinam-se sobretudo à aquisição de meios circulantes e à cobertura de necessidades de tesouraria.
Já nos empréstimos de longo prazo, acima de um ano, as margens oscilam entre 1% e 6%, colocando as taxas indicativas entre 16,50% e 21,50%. Esta modalidade destina-se principalmente ao financiamento de investimentos empresariais, podendo o prazo de reembolso atingir sete anos.
É, contudo, no segmento das microfinanças que se encontram os encargos mais elevados. Para empréstimos ao consumo, os spreads variam entre 14% e 45,45%, dependendo da instituição e do prazo de reembolso. Com a aplicação da Prime Rate de 15,50%, as taxas indicativas podem chegar a 60,95%.
A MyBucks Mozambique apresenta uma margem de 45,45% nos empréstimos com prazos de seis e 12 meses, enquanto a Socremo pratica um spread de 44,50% nas mesmas maturidades. O Banco Letshego apresenta uma margem de 14% em todos os prazos de crédito ao consumo divulgados.
Nas operações de financiamento às empresas através das microfinanças, as diferenças também são expressivas. A MAIS – Microbanco de Apoio aos Investimentos apresenta spreads de 4% nos empréstimos de curto prazo e 4,25% nos de longo prazo. A Socremo regista margens de 20,10% e 20,50%, respectivamente, enquanto o Banco Letshego apresenta 19% nas duas modalidades.
ACESSO AO CRÉDITO EXIGE GARANTIAS
Para além dos juros, o acesso ao financiamento está condicionado ao cumprimento de requisitos definidos pelas instituições. Nos bancos comerciais, os clientes devem ter uma relação bancária de pelo menos seis meses, apresentar histórico de transacções e não possuir incidentes por regularizar na Central de Registo de Crédito do Banco de Moçambique. É igualmente exigida uma livrança em branco.
No crédito à habitação, os bancos estabelecem um prazo máximo de 20 anos e exigem uma hipoteca do imóvel com cobertura de 120% do valor financiado. A prestação mensal não pode ultrapassar 30% do rendimento líquido do mutuário, sendo também obrigatórios o seguro de vida e o seguro do imóvel.
Para o crédito ao consumo, o prazo máximo é de cinco anos. O requerente deve ter contrato de trabalho por tempo indeterminado e apresentar uma declaração da entidade empregadora que confirme as suas funções e rendimentos. A prestação também não pode exceder 30% do rendimento líquido mensal.
No financiamento empresarial, os bancos exigem garantias com cobertura mínima de 120% do valor do crédito pretendido, bem como contas auditadas dos últimos três anos ou, no caso dos empréstimos de longo prazo, um plano de negócios.
O comunicado estabelece ainda condições para operações de leasing, modalidade utilizada para financiar a aquisição de activos como máquinas, veículos e imóveis. No leasing mobiliário, os spreads dos bancos comerciais variam entre 2,50% e 5%, enquanto no imobiliário os valores divulgados oscilam entre 0% e 4,50%. O financiamento pode cobrir até 90% do valor de avaliação do bem.
A Prime Rate é calculada com base em dois componentes. O Indexante Único é determinado mensalmente pelo Banco de Moçambique, tendo em conta a média ponderada das operações de liquidez realizadas no Mercado Monetário Interbancário para o prazo de um dia útil. O Prémio de Custo é calculado trimestralmente pela AMB e considera factores como a classificação de risco do país, o crédito em incumprimento, o crédito saneado e o coeficiente de reservas obrigatórias.
O modelo resulta do Acordo sobre o Indexante Único do Sistema Bancário Moçambicano, que procura reforçar a transparência na fixação dos juros variáveis e melhorar a transmissão da política monetária ao mercado. A divulgação dos spreads permite aos clientes comparar as condições oferecidas pelas instituições, embora a taxa final dependa sempre da avaliação de risco e das condições específicas de cada operação.
O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu hoje em audiência, no seu gabinete de trabalho, a Directora para África do Secretariado do Ambiente, Kina Murphy, com quem abordou questões relacionadas com a cooperação entre Moçambique e aquela organização no domínio da biodiversidade, conservação e desenvolvimento sustentável.
Durante o encontro, as partes trocaram impressões sobre as oportunidades de parceria para apoiar Moçambique no fortalecimento das suas políticas de adaptação às mudanças
climáticas, protecção da biodiversidade e promoção do desenvolvimento económico sustentável das comunidades locais.
Segundo o comunicado da Presidência da República, no final da audiência, Kina Murphy manifestou a sua satisfação pelo encontro com o Chefe do Estado moçambicano, sublinhando o compromisso do Secretariado do Ambiente em trabalhar com Moçambique para tornar o país um exemplo na conciliação entre conservação ambiental e prosperidade económica.
“Acabámos de nos reunir com Sua Excelência, o Presidente Chapo, para discutir formas de apoiar Moçambique a tornar-se um campeão da biodiversidade e do desenvolvimento económico sustentável das comunidades. Falámos sobre como conciliar as necessidades de adaptação climática, de protecção da biodiversidade e de criação de resiliência económica para o povo moçambicano. O essencial é encontrar caminhos para promover prosperidade através da conservação”, disse Kina Murphy no final do encontro.
O Presidente da República defendeu, nesta quarta-feira, a necessidade de aprofundar e acelerar as reformas em curso, para uma independência económica do país. Daniel Chapo vincou que a parceria entre o Governo e a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) será mais eficaz se houver alcance dos instrumentos financeiros já disponíveis para a dinamização da economia nacional.
Falando na abertura da vigésima Conferência Anual do Sector Privado (CASP), que decorre sob o lema “Reformar para Competir: Caminhando para o Relançamento Económico”, o Chefe do Estado disse que o Executivo está comprometido em aprofundar e acelerar reformas nos próximos cinco anos, em torno de cinco grandes eixos, nomeadamente: reforma fiscal, reforma administrativa e digital, reforma judicial e de confiança institucional, reforma produtiva e reforma de financiamento e mercado.
Nesse âmbito, a reforma fiscal visa tornar o sistema tributário mais previsível, justo e competitivo, com foco na produtividade e na ampliação da base tributária, “e nisto já começámos a trabalhar com a nossa Autoridade Tributária”.
Com a reforma administrativa e digital, pretende-se reduzir tempo, custo e burocracia; consolidar as inspeções e modernizar serviços públicos com base em tecnologia e ética. “Por isso, neste momento, estamos a unir as inspecções para que o nosso sector privado não tenha tantas inspecções ao mesmo tempo e tantas taxas e taxinhas, incluindo multas e multinhas”.
Relativamente à reforma judicial e de confiança institucional, Daniel Chapo apontou a necessidade de garantir segurança jurídica, previsibilidade e combate cerrado à corrupção. Ao nível judicial, os processos devem ser céleres, para que a economia e o comércio possam fluir.
Integrar a agricultura, a indústria, a logística, o turismo, as infra-estruturas e aproveitar o potencial do Oceano Índico como corredor azul para exportar, incluindo a cabotagem, é outro eixo (reforma produtiva) apontado pelo Presidente da República. “Por isso, estamos a fazer grandes investimentos ao nível dos nossos corredores de desenvolvimento. Vai arrancar, brevemente, a obra de ampliação da estrada que liga a nossa Cidade de Maputo à fronteira de Ressano Garcia, a partir do nó de Tchumene em duas faixas”.
Igualmente, será construída uma infra-estrutura que permitirá que “tenhamos uma fronteira de paragem única digitalizada na fronteira de Ressano Garcia, para que não haja estacionamento de camiões, tanto do lado de Moçambique, como do lado da África do Sul”, anunciou Chapo e avançou que o processo já está “bastante avançado” e o acordo já foi assinado.
Brevemente, garantiu o Chefe do Estado, a contraparte da África do Sul estará em Moçambique para que “esta fronteira seja um modelo em África e possamos replicar para outras fronteiras, como a fronteira de Machipanda, entre Moçambique e Zimbabwe, incluindo Cassacatiza, em Tete, entre Moçambique e Zâmbia, e outros países vizinhos”.
REFORMA DE FINANCIAMENTO E MERCADO
Com esta medida, segundo Chapo, o objectivo é expandir o crédito produtivo e o papel do Banco de Desenvolvimento de Moçambique, em parceria com o sector privado, os nossos parceiros de desenvolvimento, e promover a Bolsa de Valores como um mecanismo eficaz de financiamento produtivo da nossa Economia, através dos recursos que vão aparecer através do nosso Fundo Soberano”.
MPMES DINAMIZAM ECONOMIA
O Governo reafirmou o reconhecimento em relação às Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs). Disse que “são o coração da economia nacional” aqui e “em qualquer país do mundo. Por isso, reforçamos o papel do Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas (IPEME) como centro estratégico de formação, mentoria, financiamento, incluindo incubadoras para a formação de jovens empresários para a sua integração empresarial”.
RAPTOS
Na perspectiva do Executivo, “quem está atento consegue perceber que os níveis dos raptos reduziram”. Entretanto, “há pessoas que ainda continuam enfrentar o Estado. Nós, como Estado, vamos continuar a trabalhar, dia e noite, para que esta redução se torne zero raptos em Moçambique para desenvolver a nossa economia”.
“Não vamos pactuar com criminalidade”, disse Chapo, sublinhando que o Governo quer um país livre, com um ambiente de negócios onde as pessoas convivem 24/24 horas com paz e segurança.
“Não há nenhum país no mundo que se desenvolva sem paz e segurança. Por isso a nossa luta em relação à Cabo Delgado. Vamos continuar a trabalhar, dia e noite, usando todos os meios que estão ao nosso alcance, para que realmente o terrorismo também possa ter fim. E com o terrorismo terminado, com os raptos terminados, com a economia dinâmica, com oportunidades de negócio em paz e segurança, nós vamos, sem margem de dúvidas, trazer prosperidade para este país, criar esperança para o nosso povo e criar melhores condições de vida para todos os moçambicanos”.
Colisão entre um autocarro turístico e um camião perto da cidade egípcia de Ras Garib fez dois mortos. Maioria dos feridos são turistas russos, com cidadãos lituanos e finlandeses também entre as vítimas.
Duas pessoas morreram e cerca de 40 ficaram feridas hoje na sequência de uma colisão entre um autocarro turístico e um camião perto da cidade egípcia de Ras Garib, na costa do mar Vermelho, anunciaram as autoridades.
Segundo o jornal egípcio Al Masry al Youm, a maioria dos feridos são turistas russos, com cidadãos lituanos e finlandeses também entre as vítimas.
O autocarro seguia da cidade de Hurghada para o Cairo e transportava turistas que visitavam vários sítios arqueológicos.
As causas do acidente ainda estão a ser investigadas.
A oposição camaronesa continua a contestar o resultado das últimas eleições presidenciais. O segundo classificado, Issa Tchiroma Bakary, deu às autoridades um ultimato de 48 horas para libertar todos os presos detidos nos protestos que se seguiram à reeleição de Paul Biya.
Num vídeo publicado nas redes sociai, Tchiroma acusou o Governo de “gangsterismo de Estado e terrorismo de Estado”. Pediu, ainda, às autoridades que cessem as práticas que, segundo ele, incluem “expurgos étnicos”.
Tchiroma ficou em segundo lugar nas eleições presidenciais com 35,19 por cento dos votos, atrás de Paul Biya, que obteve 53,66 por cento, de acordo com os resultados oficiais. Mas o líder da oposição considera-se o presidente eleito dos Camarões.
Acredita-se que Tchiroma tenha deixado os Camarões rumo à Nigéria pouco depois das eleições. Tem convocado o povo camaronês a protestar contra a alegada fraude eleitoral, inclusive por via de protestos em cidades-fantasmas.
As forças de segurança camaronesas mataram 48 pessoas numa repressão às manifestações pós-eleitorais, segundo uma notícia da Reuters baseada em fontes da ONU. O Governo afirma que pelo menos cinco pessoas morreram. Paul Biya tomou posse oficialmente na quinta-feira e apelou ao fim da violência.
“Apelo ao sentido de responsabilidade de todos. Dirijo-me a todos aqueles que trabalham para incitar o ódio e a violência no nosso país, particularmente alguns dos nossos compatriotas na diáspora”, disse. “Camarões não precisa de uma crise pós-eleitoral com consequências potencialmente dramáticas, como já vimos noutros lugares.”
Caso o seu ultimato não seja respeitado, Tchiroma advertiu às autoridades de que o povo camaronês “se sentirá livre não só para se proteger, mas também para fazer todo o possível para proteger os seus filhos e encontrá-los onde quer que estejam”.
Há sensivelmente dois meses, cerca de duzentos trabalhadores da Nuke Transporte, empresa subcontratada pela mineradora Vulcan, estiveram em greve exigindo melhores condições de trabalho. No entanto, nesta terça feira, a empresa decidiu quebrar contratos com sete trabalhadores, por alegadamente serem os autores das manifestações e conflitos. Os visados, por sua vez, decidiram amotinar-se no recinto onde funciona o escritório da empresa para exigir explicações pelas suas demissões e paralisaram as actividades, e fizeram reféns três gestores da empresa, todos de nacionalidade chinesa.
Os protestatários alegam que a empresa rescindiu contratos sem justa causa e exigem indemnizações.
Segundo os trabalhadores, a decisão de manter os gestores em cárcere privado vai continuar até que haja consensos entre as partes junto das entidades competentes.
A Polícia foi accionada para garantir a ordem e segurança no local e evitar ocorrências de desordem durante as manifestações.
O “O País” procurou ouvir, junto da direcção da empresa, as razões que levaram os os gestores a tomar esta decisão, mas ninguém se prontificou a prestar declarações.
O “O País” contactou igualmente o advogado da Nuke Transport, presente no local dos factos, que se negou a falar sobre o assunto, alegando que não era a pessoa indicada para falar com mais profundidade sobre a demissão dos trabalhadores.
Portanto, até a saída da nossa equipa do local das manifestações por volta das 17 horas ainda não havia consenso entre as partes.
O Governo moçambicano reconheceu esta terça-feira que os altos índices de violência contra a criança são ainda um desafio entre os países da África austral, apelando a acções “expressivas e coordenadas” para travar o problema nesta região.
“Moçambique e a região ainda enfrentam desafios relacionados aos altos índices de violência contra a criança”, disse o secretário de Estado de Género e Acção Social, Abdul Esmail, na abertura da Conferência Regional das Instituições Nacionais de Direitos Humanos da África Austral sobre Promoção e Protecção dos Direitos da Criança.
No evento de três dias que decorre em Maputo e reúne diversas organizações da sociedade civil africanas e parceiros internacionais, Abdul Esmail reiterou que esta situação “exige acções expressivas e coordenadas” para que “ninguém fique para trás”.
“Este evento representa o interesse regional na melhoria progressiva do quadro de implementação dos direitos da criança e reforço das perspectivas sobre a promoção e protecção dos direitos da criança em cada um dos nossos países”, afirmou o governante.
Assinalando os desafios enfrentados por Moçambique no combate à violência contra a criança, Esmail lembrou os dados até 2019, quando 32,1% das meninas e 40,3% dos rapazes, com idades entre 18 e 24 anos, sofriam algum tipo de violência antes dos 18 anos, “entre os quais referiram terem sido vítimas 14,3% das meninas e 8,4% dos rapazes”.
“Segundo o inquérito demográfico e de saúde 2022-2023, 48,4% das raparigas estão afectadas pelas uniões prematuras”, acrescentou, apontando também para “desafios significativos” associados à desnutrição crónica e ao aumento do número de menores em conflito com a lei no país.
Na ocasião, o presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos em Moçambique defendeu que a promoção e protecção dos direitos da criança é um “imperativo moral, social e legal”, já que a mesma é o “sujeito de plenos direitos e termómetro do desenvolvimento sustentável” das sociedades.
Segundo Albachir Macassar, os progressos celebrados, quando passam 35 anos desde a adopção da Convenção Internacional dos Direitos Humanos das Crianças e 25 anos da Carta Africana sobre os Direitos e Bem-estar da Criança, mostra a vontade de todos os países em manter o “interesse superior” da criança sempre em dia, demonstrando, frisou, a necessidade destes instrumentos serem “reflectidos na realidade diária destas mesmas crianças”.
Apesar dos “notáveis progressos”, o presidente da comissão dos direitos humanos também alertou para a “prevalência de desafios” para o país e toda a região austral africana, destacando a fraca proteção de “algumas categorias de crianças consideradas vulneráveis”, como menores com deficiência e com albinismo.
Para Macassar, o desafio das organizações sociais é transformar os compromissos assumidos em medidas “concretas e eficazes”, acompanhadas da definição de “prioridades e metas concretas”.
“Os nossos compromissos devem ser acompanhados pela definição de prioridades e metas, isto é fundamental. Sair daqui da mesma forma que entrámos não vai valer a pena”, acrescentou.
Quarenta pessoas morreram vítimas de acidente de viação nos últimos nove meses na província de Tete. As autoridades locais estão preocupadas com a situação, que tem estado a agravar-se, e apelam aos automobilistas a redobrarem medidas de condução defensiva nas estradas.
A província de Tete registou, nos primeiros nove meses deste ano, 40 mortes resultantes de 27 acidentes de viação, um aumento em oito vítimas mortais em relação ao igual período do ano passado, em que se contabilizaram 32 vítimas mortais causadas pela ocorrência de 23 sinistros rodoviários.
Este crescimento preocupa as autoridades provinciais que, de acordo com Jorge Alguineiro, Director Provincial dos Transportes e Comunicações, em Tete, há que se fazer um trabalho para minimizar a situação.
“Nós tivemos aqui um crescimento de acidentes de viação em quatro acidentes, porque nós tínhamos no ano passado 23, mas este ano foram 27. E mortos, o número cresceu também em nove, no ano passado nós tivemos 31, este ano 40. Em termos de feridos graves, crescemos também em quatro, como o crescimento, aqui 30 do ano passado, 34 para este ano. Feridos ligeiros diminuímos em 10, aqui é de 42 para 32, que é 42 do ano passado e 32 deste ano, por tanto houve um decréscimo. Em termos de danos avultados estamos a crescer, tendo passado de 17 para 26 e danos ligeiros, crescemos em cinco, ou seja de cinco para 10”, esclareceu Jorge Alguineiro.
As condições mecânicas das viaturas, a degradação de algumas vias de acesso e, sobretudo, os factores humanos, como o excesso de velocidade, a condução sob efeito de álcool e a imprudência ao volante, foram apontados como as principais causas dos sinistros.
“A questão do comportamento humano é muito importante para diminuir os acidentes de viação. E um dos aspectos que nós priorizamos é a questão da fiscalização. Aí nós vamos directamente para controlar os níveis de álcool de cada condutor, naqueles locais que nós temos de fiscalização os pontos super importantes, falo do quilômetro 18, o posto de fiscalização de Mboja, de Cahunje e vários outros pontos que nós temos, mesmo até na saída da província”, destacou o Director Provincial dos Transportes e Comunicações em Tete.
No mesmo período, cerca de 500 automobilistas foram surpreendidos a conduzir sob efeito de álcool durante as operações de fiscalização realizadas em diferentes pontos da província de Tete.
O Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, através do ProAzul, procedeu ao lançamento da Conta Satélite da Economia Azul (CSEA), na Galeria de Maputo. A cerimónia de lançamento foi dirigida pela Primeira-Ministra, Benvinda Levi.
A Primeira-Ministra, Benvinda Levi, afirmou que o lançamento da CSEA marca uma etapa importante para a divulgação acessível e transparente de informação fiável relativa à economia azul, pois, pela primeira vez, Moçambique passa a dispor de uma ferramenta estatística que permite a recolha de dados económicos específicos sobre as actividades ligadas ao mar e às águas interiores, possibilitando avaliar o contributo real deste sector no Produto Interno Bruto nacional.
O Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, mostrou a sua satisfação e considerou a Conta Satélite da Economia Azul uma ferramenta essencial para a governação baseada em evidências, permitindo medir o contributo real da economia azul no desenvolvimento nacional.
A Representante do Banco Mundial afirmou que este é um passo fundamental para integrar o verdadeiro valor do oceano nas decisões económicas nacionais, salientando que os empregos são os caminhos mais rápidos para sair da pobreza e que a necessidade de criar oportunidades de trabalho nunca foi tão urgente.
A Conta Satélite da Economia Azul constitui um instrumento estratégico para medir, planear e valorizar o contributo da economia azul, promovendo políticas públicas e investimentos mais sustentáveis.
O transporte ferroviário de passageiros foi interrompido por dez dias depois da vandalização da linha de Sena que culminou com o descarrilamento de um comboio de carga, Os passageiros, bem como a direcção dos Caminhos de Ferro de Moçambique em Sofala, lamentam os prejuízos e apelam para que não haja mais destruição das linhas.
Foi retomada esta terça.feira a circulação de comboios de passageiros a partir da cidade da Beira para Tete, Chimoio e Machipanda, depois de uma interrupção de dez dias devido a vandalização da Linha de Sena que culminou com o descarrilamento de um comboio de mercadorias, sem vítimas humanas.
A partida aconteceu na estação da cidade da Beira para Moatize, província de Tete, facto que não acontecia há 10 dias, depois da Linha de Sena ser sabotada por indivíduos até agora desconhecidos.
A sabotagem da linha de Sena, que culminou com o descarrilamento do comboio de mercadorias, propiciou a que os Caminhos de Ferro de Moçambique, por razões de segurança, tenham decidido suspender os comboios de passageiros.
Depois de consertada a linha, cujo prejuízos ascenderam a sete milhões de dólares, foi retomada nesta terça-feira a circulação de comboios de passageiros o que alegra os utentes, que ficaram bastante prejudicados com a interrupção deste meio de transporte, fundamental na ligação entre Beira e os distritos do norte de Sofala e do Sul de Tete.
Na retoma, o ambiente encontrado na estação ferroviária da Beira foi de centenas de passageiros à procura de um lugar, tanto nas carruagens da segunda, assim como da primeira classe.
Isac Fernando é um dos passageiros que apanhou o comboio e disse estar muito satisfeito, porque, “esses dias que estava paralisado, já estava muito apreensivo, porque há muitas viagens que não aconteceram, há muitos negócios que também não aconteceram, porque nós temos estado a usar o comboio para essas trocas comerciais, negócios e também essa locomoção para questões profissionais”.
Teresa Maimisse é residente no distrito de Cheringona, há cerca de 200 quilómetros da cidade da Beira, e deveria ter saído de Chiveve na terça-feira da semana passada, mas devido a interrupção.
“Sim, criou um impacto negativo mesmo, porque sem a circulação do comboio nós ficamos muito tristes, porque o comboio nos ajuda muito para transportar bens de pessoas”, disse. Os nossos entrevistados dirigiram-se depois aos autores da vandalização para apelar que coloquem mão na consciência, por forma a não prejudicarem a empresa e nem os que se beneficiam destes serviços.
“É preciso mesmo colocar a mão na consciência, porque este aqui é um comboio de passageiros. Esta vandalização, em algum momento, se tivesse encontrado este comboio, poderíamos ter, se calhar, várias mortes, então, para esses que têm estado mesmo a vandalizar, na verdade, eles devem colocar a mão na consciência e não voltar a fazer isso, porque é um acto mesmo não abonatório e é condenável e repudiável”, disse Alberto Francisco, passageiro.
Os caminhos de Ferro de Moçambique, através de Atanásio das Neves, Director de Manutenção dos CFM-Centro, garantiram que o transporte de passageiros da cidade da Beira para vários pontos voltou à normalidade.
“Hoje, primeiro saiu uma automotora para Chimoio, e neste momento, como puderam acompanhar também, durante o embarque, vai sair o comboio para Moatize. Amanhã teremos o comboio que vai para Marromeu”, disse Atanásio das Neves.
Entretanto, há passageiros que ficaram retidos na cidade da Beira cerca de 10 dias sem poderem viajar de comboio a fim de cumprirem com os seus interesses. Atanásio das Neves diz que esta situação não é boa para ninguém.
“Por isso, por favor, se houver alguma coisa, tem que sempre evitarmos termos prejuízos nesses aspectos. O CFM sofre muito com os prejuízos quando há descarrilamento. São incalculáveis e esses prejuízos acabam afectando não só ao CFM, mas à própria economia do país, porque todos nós estamos a remar na mesma direcção”, disse.
Refira-se que foi reforçada a segurança ao longo das Linhas de Sena e Machipanda e as autoridades de justiça estão a investigar os actos de vandalização que ocorreram nas duas linhas.