A Prime Rate do sistema financeiro moçambicano está fixada em 15,50% para Novembro, mas o custo do crédito varia significativamente entre as instituições financeiras e as modalidades de financiamento. No crédito à habitação, o Standard Bank apresenta o spread mais baixo entre os bancos comerciais, de 1%, colocando a taxa indicativa em 16,50%. Já no crédito ao consumo, o First Capital Bank apresenta a margem mais elevada, de 12%, enquanto nas instituições de microfinanças os juros indicativos podem atingir 60,95%.
Os dados constam do Comunicado n.º 10/2026 da Associação Moçambicana de Bancos (AMB), de 30 de Outubro, que estabelece as margens de crédito a aplicar durante Novembro. A Prime Rate resulta da soma do Indexante Único, fixado em 9,30%, com o Prémio de Custo, de 6,20%, e constitui a taxa de referência para operações de crédito com juros variáveis.
Na modalidade de financiamento à habitação, o Standard Bank apresenta o spread mais baixo, de 1%, seguido do Millennium BIM, com 1,20%. Em sentido contrário, o Vista Bank e o First Capital Bank apresentam margens de 6%. Considerando a Prime Rate de Novembro, as taxas indicativas para esta modalidade variam entre 16,50% e 21,50%.
No crédito ao consumo, destinado ao financiamento de bens e serviços como viaturas, electrodomésticos e mobiliário, o First Capital Bank apresenta a margem mais elevada, de 12%, seguido do ABSA, com 10,75%, e do FNB, com 10%. O Millennium BIM regista o spread mais baixo, de 3,91%. Neste segmento, as taxas indicativas variam entre 19,41% e 27,50%.
Para as empresas, os custos de financiamento também apresentam diferenças em função do prazo e da finalidade do empréstimo. Nos créditos de curto prazo, até um ano, os spreads dos bancos comerciais variam entre 2% e 5%, correspondendo a taxas indicativas de 17,50% a 20,50%. Estes financiamentos destinam-se sobretudo à aquisição de meios circulantes e à cobertura de necessidades de tesouraria.
Já nos empréstimos de longo prazo, acima de um ano, as margens oscilam entre 1% e 6%, colocando as taxas indicativas entre 16,50% e 21,50%. Esta modalidade destina-se principalmente ao financiamento de investimentos empresariais, podendo o prazo de reembolso atingir sete anos.
É, contudo, no segmento das microfinanças que se encontram os encargos mais elevados. Para empréstimos ao consumo, os spreads variam entre 14% e 45,45%, dependendo da instituição e do prazo de reembolso. Com a aplicação da Prime Rate de 15,50%, as taxas indicativas podem chegar a 60,95%.
A MyBucks Mozambique apresenta uma margem de 45,45% nos empréstimos com prazos de seis e 12 meses, enquanto a Socremo pratica um spread de 44,50% nas mesmas maturidades. O Banco Letshego apresenta uma margem de 14% em todos os prazos de crédito ao consumo divulgados.
Nas operações de financiamento às empresas através das microfinanças, as diferenças também são expressivas. A MAIS – Microbanco de Apoio aos Investimentos apresenta spreads de 4% nos empréstimos de curto prazo e 4,25% nos de longo prazo. A Socremo regista margens de 20,10% e 20,50%, respectivamente, enquanto o Banco Letshego apresenta 19% nas duas modalidades.
ACESSO AO CRÉDITO EXIGE GARANTIAS
Para além dos juros, o acesso ao financiamento está condicionado ao cumprimento de requisitos definidos pelas instituições. Nos bancos comerciais, os clientes devem ter uma relação bancária de pelo menos seis meses, apresentar histórico de transacções e não possuir incidentes por regularizar na Central de Registo de Crédito do Banco de Moçambique. É igualmente exigida uma livrança em branco.
No crédito à habitação, os bancos estabelecem um prazo máximo de 20 anos e exigem uma hipoteca do imóvel com cobertura de 120% do valor financiado. A prestação mensal não pode ultrapassar 30% do rendimento líquido do mutuário, sendo também obrigatórios o seguro de vida e o seguro do imóvel.
Para o crédito ao consumo, o prazo máximo é de cinco anos. O requerente deve ter contrato de trabalho por tempo indeterminado e apresentar uma declaração da entidade empregadora que confirme as suas funções e rendimentos. A prestação também não pode exceder 30% do rendimento líquido mensal.
No financiamento empresarial, os bancos exigem garantias com cobertura mínima de 120% do valor do crédito pretendido, bem como contas auditadas dos últimos três anos ou, no caso dos empréstimos de longo prazo, um plano de negócios.
O comunicado estabelece ainda condições para operações de leasing, modalidade utilizada para financiar a aquisição de activos como máquinas, veículos e imóveis. No leasing mobiliário, os spreads dos bancos comerciais variam entre 2,50% e 5%, enquanto no imobiliário os valores divulgados oscilam entre 0% e 4,50%. O financiamento pode cobrir até 90% do valor de avaliação do bem.
A Prime Rate é calculada com base em dois componentes. O Indexante Único é determinado mensalmente pelo Banco de Moçambique, tendo em conta a média ponderada das operações de liquidez realizadas no Mercado Monetário Interbancário para o prazo de um dia útil. O Prémio de Custo é calculado trimestralmente pela AMB e considera factores como a classificação de risco do país, o crédito em incumprimento, o crédito saneado e o coeficiente de reservas obrigatórias.
O modelo resulta do Acordo sobre o Indexante Único do Sistema Bancário Moçambicano, que procura reforçar a transparência na fixação dos juros variáveis e melhorar a transmissão da política monetária ao mercado. A divulgação dos spreads permite aos clientes comparar as condições oferecidas pelas instituições, embora a taxa final dependa sempre da avaliação de risco e das condições específicas de cada operação.
O Reitor da Universidade Católica de Moçambique, Filipe Sungo, critica o que chama de normalização do terrorismo e pede que o Governo e toda a sociedade se envolvam na busca de soluções. O académico e padre alerta ainda para a necessidade de buscar-se soluções pacíficas e não apenas confiar no poder das armas.
O Reitor da Universidade Católica de Moçambique falava durante a cerimónia de graduação dos novos formandos em Nacala, mas aproveitou a oportunidade para levanter a voz da sua indignação sobre a forma como é encarado o terrorismo que tem o seu epicentro em Cabo Delgado.
E como tal, Filipe Sungo exige envolvimento do Governo e de toda a sociedade na busca de soluções, que para si, vão para além do recurso ao poder das armas.
Filipe Sungo lembra os malefícios da guerra, a mais grave das quais, a morte brutal de pessoas, sobretudo jovens, que podiam contribuir para o desenvolvimento do país.
A cerimónia de graduação aconteceu esta quarta-feira na extensão de Nacala, marcando o fim de um ciclo de formação superior em diversos cursos ministrados pela Universidade Católica de Moçambique. Dos 76 gradudos, 47 são licenciados, 28 mestres e 1 de nível de doutoramento.
Quatro anos depois de suposto rapto de bebé de Leila Vilanculos, a jovem mãe continua à espera de justiça. O caso, onde são réus os funcionários do Hospital Provincial da Matola, voltou esta quarta-feira ao tribunal, mas a audiência acabou sendo adiada para Dezembro, devido à sobreposição de outro julgamento no tribunal.
O que era para ser um julgamento de busca de justiça, terminou em lamentações e tristeza por parte da queixosa e sua família, que terá que esperar por mais tempo para conhecer a decisão sobre o roubo do seu bebé.
Aliás, a pressa em saber dos contornos do desaparecimento do seu filho fez com que Leila Vilanculos chegasse ao Tribunal Judicial da Matola por volta das 9 horas da manhã.
Leila Vilanculos trazia no rosto a esperança de que o processo no qual move contra o hospital, acusando-o de ter-lhe retirado o útero sem seu consentimento, violência obstétrica e roubo do seu bebé avançasse.
Mas, depois de mais de cinco horas de espera, a audiência foi adiada para 30 de Dezembro. O sentimento era de tristeza, segundo Leila.
“Haviam dito 30 de Dezembro, mas acho que 30 de Dezembro não vai dar para ninguém. As pessoas querem viajar. Então, acho que talvez para o próximo ano mesmo. Assim estou mesmo triste”, revelou Leila Vilanculos.
A mãe diz que esperava que nesta audiência tivesse resultados das suas preocupações. Sem ter havido a audiência, Leila Vilanculos diz que “cada vez que adiam, mais estão a adiar à volta da minha filha”.
“E eu queria ouvir, porque há outras pessoas envolvidas que eu nem as conhecia”, revelou Leila Vilanculos.
Na altura dos factos, o Hospital Provincial da Matola justificou que o bebé de Leila tinha falecido, uma versão rejeitada pela queixosa que hoje convive com sequelas do ocorrido e quer a sua filha de volta e a responsabilização dos implicados.
“Eu quero que me devolvam a minha filha. É o que eu mais quero. E depois eu quero que as pessoas que me tiraram o útero me expliquem porquê. Porquê que me fizeram isso tudo, porquê que me fizeram passar por isso que eu estou a passar até hoje. Eu tenho muitas dificuldades”, conta angustiada Leila Vilanculos, que sublinha que “eu quero saber delas como é que eu devo viver”.
A mãe diz querer respostas a todas inquietações que vive nos dias actuais que considera terem sido causadas pelos agentes da saúde que a atenderam aquando do parto, há três anos. “O que elas acham que eu devo fazer, eu tenho que me medicar, até quando?”, questiona.
Por outro lado, Leila Vilanculos diz não acreditar até hoje que a criança tenha perdido a vida porque não foi entregue o corpo. “Minha filha perdeu a vida, segundo elas, dia 4. Dia 5, minha família esteve no hospital. Porquê que não entregaram o corpo? Dia 6, eles estiveram lá. Dia 7, porquê que não entregaram o corpo? Simplesmente entregaram certidão de óbito. Sem corpo, não há óbito”, continuou Leila Vilanculos.
A defesa de Leila explicou que o adiamento da audiência deveu-se à sobreposição de outro julgamento no tribunal. Para esta quinta-feira, esperava-se ouvir outros arguidos e definir os próximos passos subsequentes do processo.
“Consta-nos que está a decorrer uma outra audiência, razão pela qual estamos aqui e ainda esperamos que seja ouvida a arguida que não tinha sido ouvida anteriormente, justamente porque não tinha sido notificada pela acusação. E os próximos passos só poderemos saber lá na sala, qual é que vai ser a sequência e tudo mais”, disse Rosita Euridse, Advogada de defesa de Leila Vilanculos.
A nossa equipa de reportagem tentou, sem sucesso, obter uma posição formal da defesa dos acusados.
O Programa “Moz Rural” está a introduzir uma nova componente no sector agrário. A ideia é facilitar o acesso aos mercados para os produtores através da construção de vias de acesso, que ligam as zonas de produção as de comercialização. O programa está a ser implementado na província de Manica, com destaque para o distrito de Báruè, onde há muitos produtores com dificuldades de escoar os seus produtos.
Muitos produtores da província de Manica estão localizados em zonas remotas e com vias de acesso em condições precárias. A situação tem estado a dificultar o escoamento dos seus produtos para os mercados, havendo casos em que chegam a perder a produção por falta de compradores que temem danificar os seus meios de transporte por conta das estradas degradadas.
Olhando para este cenário, o programa Moz Rural decidiu introduzir a componente de melhoramento de estradas.
A primeira estrada a beneficiar-se de obras de melhoramento na província de Manica é a de Catandica a Munene, um troço de 12 quilómetros, o que é visto como um alívio para os produtores, conforme os mesmos disseram.
“Sinto-me muito feliz com a construção desta estrada porque antigamente era difícil escoar o produto, apesar da zona ser muito produtiva e escoa-se muitos produtos”, disse Benedito Deniasse, produtor de Báruè.
Matias Tambula, também produtor, disse que a construção das estradas acaba por ser um alívio para eles, uma vez que encontram facilidades para escoar seus produtos até aos grandes mercados.
“Dantes nós sofríamos porque cultivamos muitos produtos lá e era difícil tirar os produtos porque os carros levavam até dois dias para sair”, disse Matias Tambula.
Um alívio que também é sentido por Edmó Crispin, produtor em Báruè, que fala das condições anteriores: “tinha covas, mesmo carregando as coisas, sair lá na machamba era muito difícil”, revela.
Para o administrador do distrito de Báruè, a escolha da reabilitação da estrada de Munene não foi ao acaso. “A zona de Munene é uma zona de grande produção aqui no nosso distrito de Báruè. É a zona que alimenta o distrito praticamente. É a zona que todas as vezes do ano estamos a produzir”, disse o Administrador de Báruè, Bruno Patreque.
Em Manica, o programa MozRural que conta com financiamento do Banco Mundial, além de componente de estradas, está a financiar a produção de sementes e apoio com meios de produção mecanizada aos produtores.
“Fomos visitar, por exemplo, umas pequenas empresas de alimentação para animais e também de sementes, como a Fenix, e realmente ficamos muito gratos de ver que no Moçambique tem umas empresas que realmente vão fazer o potencial de scale-up a fornecer as sementes”, disse Ana Bucher, representante do Banco Mundial.
Refira-se que para a reabilitação da estrada Muenene até Catandica foram investidos cerca de 30 milhões de meticais.
Está instalado um novo braço-de-ferro entre o Conselho Municipal de Xai-Xai e os vendedores informais da cidade. Em causa está a proibição das suas actividades nas ruas da zona comercial, apesar de alegarem ter acordos anteriores com a edilidade, mediante o pagamento de licenças.
É mais um autêntico duelo de forças entre vendedores informais e a polícia municipal por causa da proibição de vendas nas ruas e bermas da zona comercial de Xai-Xai.
“Há uma contestação das pessoas que vendem fora porque o município mandou eles embora das avenidas para estarem a deambular. Nem eles trabalham, nem nós trabalhamos”, explicou Júlio, vendedor informal.
Com forma de retaliar a ordem de retirada de mais de 3 mil vendedores de rua, os vendedores informais bloquearam, desde a tarde desta quarta-feira, os portões principais do mercado Limpopo, resultando na paralisação do comércio, gerando uma forte agitação, apesar do forte dispositivo policial mobilizado para o local.
Laura, vendedeira informal, explica que tudo é causado pela presença da polícia onde não devia estar, alegando ainda falta de espaço para exercer a actividade. “Mobilizaram polícia canina e armas, e exigem a retirada de todos das vias. Avisaram há tempo, mas não queremos sair por falta de espaço”, disse.
O ambiente está instalado no interior do maior mercado da província de Gaza e o ambiente que se vivia esta quinta-feira era de um “salve-se quem puder”. As vias estavam totalmente bloqueadas, a confusão instalada e posições entre os vendedores formais e informais.
“Mas a gente vendeu com o máximo, com esse engarrafamento. E esses que estão aqui, eles estão a reclamar. Dizem que nós estamos a fechar bancas, estão a misturar”, explicou Lineu Tomas, vendedor do mercado Limpopo.
Por seu turno, Vânia, vendedeira informa, diz que a falta de um espaço adequado resulta na confusão que se vive na capital de Gaza.
“Vamos sentar aonde? Eu sou vendedora ambulante, desde 2010 estou a vender roupa na cidade como vendedora ambulante. Onde é que nós vamos vender? Aqui dentro não tem espaço. Vamos vender aonde? Nós também queremos pão”, denuncia Vânia.
Os vendedores informais alegam falta de bancas. “Nós não vamos sair daqui antes do município nos mostrar um sítio para sentarmos e vendermos”, critica Vânia.
Já a edilidade assegura, uma vez mais, que há espaços suficientes para os vendedores informais exercerem as suas actividades, mas há falta de colaboração.
“Todos os mercados têm espaço para venda lá no interior. Não está lá ninguém”, revela Nelson Pedro, Comandante da Polícia Municipal em Xai-Xai.
Nelson Pedro diz tratar-se de manobras para inviabilizar uma operação que visa aliviar passeios tomados desde finais do ano passado, mas avisa que nos próximos a medidas são endurecidas.
“A nossa luta é contra a venda ambulante. É uma operação permanente até regularizarmos a situação dos mercados”, disse o Comandante da Polícia Municipal em Xai-Xai.
No entanto, mantém a decisão de continuar nas vias e alegam ter acordos anteriores com a edilidade, mediante o pagamento de licenças.
Para já, Nelson Pedro diz que o grupo deve sair das áreas interditas, o responsável garante a disponibilidade de mais três mil bancas, rejeitadas pelos informais.
O Edil do Município de Pemba, Satar Abdulgani, alertou a Polícia da República de Moçambique sobre o aumento de casos de pedido de declaração para efeitos de legalização de porte e uso de armas de fogo. Ainda assim, o presidente do Município da capital de Cabo Delgado não apresentou o número de pessoas que solicitaram o documento junto às autoridades locais.
Quase uma semana depois de ter alertado sobre o aumento do número de pessoas interessadas em ter arma de fogo para efeitos de segurança em Pemba, a nossa equipa de reportagem foi ao município para saber porque razão o edil da cidade está preocupado com uma situação que é legalmente considerada normal.
Em resposta, Satar Abdulgani disse que apesar de não ter dados comparativos do antes e depois, o que mais o preocupa são os pedidos que acontecem neste momento, desde que assumiram o comando da edilidade, numa altura em que a província está assolada pelo terrorismo.
“Não vou lhe trazer dados concretos, porque alguns deles fazem pedidos nos bairros, a declaração dos bairros, e eles nos reportam que tem esse tipo de situação. Nós já deixamos uma comunicação nos bairros que quando aparecer um pedido para este fim tem que passar directamente para o presidente do Conselho Municipal, que é para podermos monitorar e rastrear esses pedidos”, disse Satar Abdulgani.
Ademais, de acordo com o edil, não é o número de pessoas que fazem os pedidos, mas o mal que podem causar depois da legalização do porte de armas de fogo. “O facto de ter 5, 6 pessoas a fazerem pedido de armas em menos de um ano é preocupante. 5, 6 pessoas é suficiente para plantar um terror, por exemplo, se essa arma for usada indevidamente. Então, não vamos dizer que estaremos preocupados com o facto de termos 100, 200 pessoas, não. O facto de ter 5, 3 pessoas é preocupante e razão pela qual nós manifestamos a quem é de direito nesse caso que é o Comando Provincial”, explicou.
O edil de Pemba reconhece a existência de focos de criminalidade na cidade, mas considera estranha as tentativas de obtenção legal de armas de fogo para efeitos de defesa pessoal
“A cidade de Pemba é uma cidade segura, razão pela qual estamos aqui todos a viver, não saímos, não fugimos, não nos movimentamos, queremos desenvolver a nossa cidade e mostrarmos a qualquer parceiro que seja, para a população, que é uma cidade segura. Os pequenos incidentes que têm acontecido são incidentes normais que têm acontecido mesmo em grandes cidades onde não existe um conflito como este que existe na província de Cabo Delgado, mas é uma cidade segura e não há necessidade que eu tenha arma de fogo. Eu não tenho arma de fogo aqui onde eu estou, eu estou limpo”, frisou Abdulgani.
Tendo a notícia sobre o suposto aumento de pedidos de declarações no município para efeitos de obtenção de armas de fogo para uso pessoal, o edil de Pemba garante segurança na cidade e pede calma à população.
“Não é para a população ficar preocupada e entrar em pânico, só a recomendação que nós deixamos por conta da segurança dos próprios munícipes junto das suas famílias é que quem tem que fazer um pedido de porte de arma tem que ser mesmo na estrutura competente que é a própria PRM. E nós não queremos aconselhar aos jovens para terem de qualquer maneira as armas de fogo porque em algum momento, momento de ira, de qualquer descuido, podemos usar mal esta arma para nossas próprias famílias e nós nos arrependermos nisso”, alerta, apelando ainda que “temos que ser vigilantes face a essas situações todas”.
A equipa de reportagem do O País procurou ouvir a Polícia da República de Moçambique, entidade responsável pela legalização de armas de fogo na posse dos civis, para reagir à preocupação do edil de Pemba, mas não obteve resposta.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alertou que a Rússia pode estar a prepara-se para uma “grande guerra” na Europa, “em 2029 ou 2030”, no continente europeu e defendeu a necessidade de haver uma “forte pressão” sobre o país liderado por Vladimir Putin.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou esta quinta-feira que não há sinais de que a Rússia “queira parar” a invasão e alertou que o país poderá estar a preparar-se para uma “grande guerra” em “2029 ou 2030”.
“Precisamos de pressionar mais a Rússia. De acordo com a situação no campo de batalha, não vemos que a Rússia queira parar. O problema é que, observando a indústria militar russa, vemos que estão a aumentar a sua produção. E a nossa avaliação é que querem continuar esta guerra”, começou por considerar o presidente da Ucrânia numa publicação na rede social X.
Zelensky defendeu que, se existir uma “forte pressão”, a Rússia “precisará de uma pausa”. No entanto, defendeu a necessidade de “reconhecer” que o país liderado por Vladimir Putin “quer uma grande guerra”, que poderá acontecer em “2029 ou 2030”.
“Acreditamos que, se exercermos uma forte pressão, os russos precisarão de uma pausa. Mas temos de reconhecer que eles querem uma grande guerra e preparar-se para estarem prontos em 2029 ou 2030 – neste período – para iniciar uma guerra desta dimensão. No continente europeu. Encaramos isso como um grande desafio”, escreveu.
Neste sentido, Zelensky afirmou, ainda, que é necessário “pensar” em como deter a Rússia na Ucrânia e “fazer tudo para diminuir as suas capacidades”.
O alerta de Zelensky surge um dia após o Canadá ter aplicado novas sanções contra Moscovo, visando sobretudo o setor energético russo. As sanções canadianas têm como alvo 13 indivíduos e 11 entidades, várias das quais envolvidas no desenvolvimento e execução do programa de drones da Rússia, segundo um comunicado de Otava.
“Foram também sancionadas diversas entidades russas especializadas em gás natural liquefeito, dado que a Rússia continua a depender das receitas energéticas para financiar a sua guerra de agressão contra a Ucrânia”, acrescentou o comunicado.
As sanções visam ainda 100 navios da chamada “frota fantasma” usada pela Rússia para contornar as penalizações já existentes.
Os Estados Unidos, a União Europeia e o Reino Unido já tinham aplicado sanções semelhantes.
Nas últimas semanas, a Ucrânia tem enfrentado a intensificação dos ataques russos contra as suas infraestruturas energéticas e o assalto das forças russas à cidade estratégica de Pokrovsky, no leste do país, à medida que o inverno se aproxima e as negociações para o fim da guerra estão paradas.
A tuberculose matou mais de 1,2 milhão de pessoas, no ano passado, segundo a Organização Mundial da Saúde. Depois de três anos de aumento, a Organização Mundial da Saúde anunciou uma ligeira queda nos casos de tuberculose em 2024, como fruto das medidas de prevenção e tratamento, mas alertou para os cortes no financiamento internacional que podem travar esse progresso.
O relatório revela que 10,7 milhões de pessoas adoeceram no último ano, uma redução de 1% em relação a 2023 e que as mortes caíram 3%, para 1,23 milhões em todo o mundo. Apesar da melhoria, a OMS lembra que 87% dos casos continuam concentrados em apenas 30 países, com destaque para a Índia, Indonésia e Nigéria.
A agência reconhece avanços importantes em regiões como África e Europa, onde as taxas de incidência e mortalidade diminuíram de forma significativa. No entanto, alerta que o mundo ainda está longe das metas da Estratégia para o Fim da Tuberculose, que prevê reduzir a doença em 50% até 2025.
Nesta altura, há 18 vacinas e 29 medicamentos em fases de teste, um número recorde, o que aumenta a esperança de novos tratamentos eficazes.
O Presidente da República, Daniel Chapo, inicia hoje uma visita de trabalho de dois dias à província de Sofala, com especial enfoque na cidade da Beira e o distrito de Dondo.
Durante a sua estadia, o Chefe do Estado vai dirigir a Cerimónia Central do Lançamento da Campanha Agrária 2025-2026, a realizar-se no posto administrativo de Mafambisse. O evento marca o início das actividades ligadas à promoção da produção agrícola e à segurança alimentar no país.
No âmbito da visita, está igualmente prevista a entrega de uma unidade educacional e de uma unidade fabril. Chapo vai dirigir uma cerimónia de abertura da primeira reunião nacional dos Chefes de Postos Administrativos, na cidade da Beira.
Pelo menos 42 pessoas estão desaparecidas e presume-se que tenham morrido após o naufrágio de uma embarcação com migrantes na costa da Líbia, declarou esta quarta-feira a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Em comunicado, a agência da ONU lamentou “a perda de vidas em mais um trágico incidente na costa da Líbia”, escreve o Noticias ao Minuto.
Segundo a OIM, a 08 de Novembro corrente, as autoridades líbias conduziram uma operação de busca e salvamento após o naufrágio de um bote insuflável junto ao campo petrolífero de Al-Buri.
De acordo com os sobreviventes, a embarcação, que transportava 49 migrantes e refugiados [47 homens e 2 mulheres], partiu de Zuwara (norte da Líbia) a 03 de Novembro por volta das 03:00, no horário local (mesma hora em Maputo). Aproximadamente seis horas depois, ondas fortes provocaram a falha do motor, fazendo com que a embarcação virasse e lançasse todos os passageiros ao mar.
A OIM referiu que depois de seis dias à deriva, apenas sete homens, dos quais quatro do Sudão, dois da Nigéria e um dos Camarões, foram resgatados.
“Tragicamente, 42 pessoas continuam desaparecidas e são dadas como mortas, incluindo 29 do Sudão, oito da Somália, três dos Camarões e duas da Nigéria. A equipa da OIM prestou assistência médica de emergência, forneceu água e alimentos aos sobreviventes assim que estes chegaram ao ponto de desembarque, em coordenação com as autoridades competentes”, indicou a nota.
De acordo com os dados mais recentes do Projecto Migrantes Desaparecidos da OIM, o número de mortes no Mediterrâneo Central já ultrapassou as mil este ano.
Este naufrágio, ocorrido poucas semanas após outros incidentes fatais perto de Surman (Líbia) e Lampedusa (Itália), sublinha os perigos persistentes enfrentados pelos migrantes e refugiados ao longo da rota do Mediterrâneo Central, afirmou a agência da ONU.
Com este último naufrágio, este total aumentou, segundo a OIM, que reforçou “a necessidade urgente de uma cooperação regional mais forte, da expansão de rotas migratórias seguras e regulares e de operações de busca e salvamento mais eficazes para evitar mais perdas de vidas”.