A Administração Nacional de Estradas promete iniciar obras de drenagem nos pontos críticos da EN1, no troço Missão Roque-Zimpeto, na Cidade de Maputo. A empreitada poderá arrancar nas próximas semanas. A promessa surge depois de intervenções de emergência em alguns pontos da estrada.
Uma das zonas abrangidas pela intervenção foi a área da Total, onde os trabalhos consistiram essencialmente no tapamento de buracos e na aplicação de uma camada de resselagem para facilitar a circulação de veículos. Contudo, as obras não incluíram, nesta fase, a construção de valas de drenagem para o escoamento das águas pluviais, um dos principais problemas apontados pelos automobilistas.
Segundo o delegado provincial da ANE, Dado Novela, a instituição identificou três secções críticas ao longo do troço São Roque–Zimpeto, caracterizadas por buracos profundos e sérios problemas de drenagem.
“Tratou-se de intervenções de emergência para garantir a transitabilidade nestes pontos e reduzir os constrangimentos provocados pelos congestionamentos”, explicou.
O responsável reconheceu que a ausência de valas de drenagem constitui uma limitação das obras realizadas, mas garantiu que esta componente faz parte do projecto e será executada numa fase posterior.
“Nesta altura, a prioridade era assegurar a circulação de pessoas e bens. Conseguimos melhorar a fluidez do tráfego e, nas próximas semanas, avançaremos com intervenções para orientar o escoamento das águas”, afirmou, acrescentando que as obras de drenagem poderão arrancar dentro de cerca de 15 dias, embora sem uma data definitiva.
As intervenções surgem depois de vários anos de reclamações dos automobilistas, que se queixavam do estado degradado da via, marcado por buracos e frequentes congestionamentos.
Durante a visita ao local, automobilistas manifestaram satisfação pela melhoria das condições de circulação, mas defenderam que a solução definitiva passa pela construção de um sistema eficaz de drenagem, capaz de evitar a acumulação de água durante a época chuvosa.
A equipa de reportagem questionou ainda a ANE sobre as valas de drenagem construídas no ano passado em alguns troços da EN1, que continuam a revelar-se insuficientes para evitar o alagamento da estrada durante os períodos de chuva intensa. Em resposta, a instituição reiterou que está a avaliar novas intervenções para melhorar o sistema de drenagem nos pontos mais vulneráveis.
Enquanto as obras complementares não arrancam, os utentes da principal estrada do País esperam que as próximas intervenções resolvam de forma definitiva os problemas de escoamento das águas e contribuam para preservar a infra-estrutura rodoviária.
Nas cerimónias fúnebres de Francisco Carrilho, realizadas na manhã desta quinta-feira, na Igreja Santa Ana da Munhuana, na Cidade de Maputo, coube à Directora de Informação do Grupo SOICO, Olívia Massango, fazer chegar à família enlutada a mensagem de condolências da instituição que o falecido empresário ajudou a fundar.
Durante o elogio fúnebre, o Grupo SOICO manifestou o seu respeito e a sua consideração diante de um dos seus mais ilustres fundadores. Segundo disse Olívia Massango, Francisco Carrilho não foi apenas um sócio-fundador, foi um visionário, um homem que acreditou na comunicação como força transformadora da nação. Por isso mesmo, acrescentou a jornalista, a sua memória continuará a ser inspiração permanente e indestrutível no coração da SOICO e de Moçambique.
Desde os primeiros dias da SOICO, foi com fé que Francisco Carrilho ajudou a erguer as bases da STV, do jornal O País, da SFM e as bases de tudo o que hoje o grupo é.
Para a SOICO, continuou Olívia Massango, a grandeza de Francisco Carrilho não se mede pelas palavras, mas pelas obras, pelo homem que foi, com dom de motivar a toda gente à sua volta, transformando desafios em esperança.
Francisco Carrilho é lembrado como um homem íntegro e de bom carácter. Dele o Grupo SOICO aprendeu que a grandeza da organização se mede com o carácter dos seus dirigentes. Por isso, a sua partida deixa um vazio profundo, mas também um legado que se impõe como farol para todos os dirigentes e colaboradores da empresa.
De igual modo, acrescentou Olívia Massango, em nome da SOICO, a maior homenagem a Francisco Carrilho é continuar-se com a obra que ele começou, com a mesma coragem, ética e paixão. Esse é o compromisso solene do grupo, como instituição.
Por fim, a Directora de Informação do Grupo SOICO disse que a vida de Francisco Carrilho não se apaga, “o seu exemplo viverá sempre connosco. Por isso, hoje não dizemos adeus, mas obrigado, pela visão, sonho e amizade”.
A cidade da Matola, na Província de Maputo, volta a ser palco do Matola Sundown in the Garden, uma experiência que regressa no dia 27 de Setembro, com espectáculo que cruza os artistas moçambicanos e angolanos.
A primeira edição do ano combina música ao vivo, presença de vários DJ, para além de animação cultural que contempla feira gastronómica, activações de marcas e momentos de intercâmbio entre participantes.
O público poderá viver, desta vez, uma experiência única com a fusão entre artistas moçambicanos e angolanos, o que reforça o compromisso do projecto em criar pontes entre culturas e aproximar diferentes expressões musicais africanas.
Criado em 2017, ao longo das suas edições, o evento já recebeu artistas nacionais e internacionais que marcaram o público com performances inesquecíveis, entre eles, Pérola, Edmázia Mayembe, Anna Joyce, Sir Trill, Scotts Maphuma, Landric, entre outros.
O “Matola Sundown” aposta em experiências imersivas que celebram a identidade local, ao mesmo tempo que promovem a circulação de artistas e a troca cultural entre países.
“Mais do que um concerto, o projecto tem desempenhado um papel importante no fortalecimento da economia criativa, estimula o turismo cultural, o que gera oportunidades para jovens artistas e fortalece o ecossistema cultural da Matola e da região. Com o regresso marcado para Setembro, o “Matola Sundown” reafirma a sua relevância no panorama artístico nacional e regional, a consolidar a sua identidade como projecto que valoriza a cultura, a diversidade e o talento africano”, adianta o comunicado de imprensa sobre o evento que pretende colocar a cidade da Matola no mapa da cena artística nacional e regional, atraindo públicos diversos.
A província de Inhambane está prestes a viver um momento histórico na sua trajectória de desenvolvimento económico. O Conselho Executivo Provincial e a MozParks Holding formalizaram um memorando de entendimento para a criação de dois parques industriais, um em Inhassoro e outro em Jangamo, avaliados inicialmente em cerca de 2 milhões de dólares, com implementação faseada.
A escolha destes distritos combina factores estratégicos fundamentais. Inhassoro e Jangamo beneficiam de proximidade aos projectos de gás natural, areias pesadas e transformações energéticas em curso no país, acessibilidade a portos e rodovias, e um forte potencial agrícola e turístico que pode sustentar novas cadeias de valor. Essas características posicionam os parques como pólos de atracção para investimentos, com capacidade para integrar empresas de sectores como agroindústria, manufactura leve e logística.
Durante a cerimónia de assinatura, o governador Francisco Pagula destacou que o acordo vai muito além de um compromisso institucional. Segundo ele, os parques industriais “vão criar um ambiente que promova a integração de micro, pequenas e médias empresas, permitindo que empreendedores locais conquistem espaço na cadeia de fornecimento dos grandes projetos energéticos”. Para Pagula, a iniciativa representa uma resposta concreta ao desafio da diversificação econômica, reduzindo a dependência do turismo, um setor vulnerável à sazonalidade.
A MozParks Holding, representada pelo CEO Onório Manuel, enfatizou que a empresa busca consolidar um modelo de parques industriais sustentáveis, com planejamento e gestão moderna. “Queremos espaços onde empreendimentos nacionais e internacionais operem de forma eficiente, com infraestrutura partilhada, logística integrada e incentivos que promovam competitividade”, afirmou o gestor, citando como modelo bem-sucedido o Parque Industrial de Beluluane (Maputo), que abriga mais de 70 empresas de 18 nacionalidades, emprega cerca de 10 mil trabalhadores e acumulou mais de 3 mil milhões de dólares em investimentos.
Além da geração direta e indireta de empregos, a província espera que a implantação dos parques estimule o fortalecimento de cadeias produtivas municipais, leve a capacitação técnica de jovens e favoreça o surgimento de novos empreendimentos locais. O plano, conforme autoridades, dá ênfase à inclusão econômica, ao envolver pequenos empresários no fornecimento de insumos, serviços de apoio e mão de obra especializada.
O contexto atual consolida a importância desta aposta. Inhambane luta para diversificar sua economia, desde os impactos da pandemia — que afectou turismo, pesca e informalidade. A industrialização surge, portanto, como oportunidade de reequilibrar a economia e dar um rumo mais sustentável no médio e longo prazo.
O memorando prevê a criação de uma estrutura de governança compartilhada entre governo e MozParks, com critérios claros para uso das terras, infraestrutura inicial já projetada e serviços de apoio, como eletrificação, tratamento de águas e acesso rodoviário. A expectativa é que os parques sejam operacionalizáveis dentro dos próximos 18 a 24 meses, com previsão de transformarem Inhambane em uma plataforma exportadora competitiva e integrada à economia nacional.
Concluindo, o governador sublinhou que “se este plano for executado com eficiência e transparência, Inhambane pode se transformar no principal motor industrial do sul do país”. O desafio agora é garantir que o avanço seja apoiado por políticas públicas firmes, incentivos adequados e monitoramento contínuo — para que a promessa possa, de fato, reverberar em transformação econômica e qualidade de vida para a população.
A Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo) e a Empresa Nacional de Parques de Ciência e Tecnologia (ENPCT) rubricaram, ontem, um memorando de entendimento com o objectivo de desenvolver acções conjuntas nas áreas da inovação, incubação de startups, transformação digital, certificação e patenteamento, formação de capital humano, desenho curricular e desenvolvimento comunitário.
Segundo uma publicação da universidade, para os signatários do acordo, Jorge Ferrão, reitor da UP-Maputo, e Orlando Zobra, PCA da ENPCT, o instrumento poderá fomentar a aproximação entre a academia e o sector produtivo nacional, impulsionar o desenvolvimento de soluções inovadoras e tecnológicas voltadas às necessidades do país.
Para Ferrão, o acto carrega um valor simbólico depois do primeiro acordo entre as duas instituições assinado em Dezembro de 2018.
“Este é um gesto de continuidade, mas também de renovação, que marca um novo capítulo da cooperação entre solidez da relação institucional construída ao longo dos anos e, por outro, a visão partilhada de que a educação, a ciência e a tecnologia devem caminhar lado a lado como motores centrais da transformação do nosso país”.
Ainda de acordo com o reitor da UP-Maputo, a criação de um Centro de Dados Académico e Tecnológico constituirá um marco fundamental para a digitalização das infra-estruturas e para a inserção plena do país na economia digital.
“Mais do que formar profissionais, queremos formar transformadores sociais, inovadores e empreendedores, cidadãos capazes de conceber soluções criativas para os desafios locais e nacionais”.
Por sua vez, Zobra enalteceu a pertinência de cooperação interinstitucional, tendo avançado que o memorando vem marcar mais uma etapa das relações de cooperação que só podem ser firmadas com afinidades profundas e douradoras para o alcance de resultados para ambas instituições.
“De hoje em diante, o memorando vai servir de instrumento de cooperação, esperando que esta caminhada conjunta traga frutos, não só à empresa, mas à Universidade igualmente, pois é isto que queremos fazer e queremos fazer com auxílio da UP- Maputo”.
A ENPCT no âmbito do acordo poderá prestar apoio técnico e, sempre que possível, financeiramente, em projectos conjuntos de inovação e empreendedorismo, disponibilização espaços, serviços, orientação e acompanhamento às startups e grupos de investigação da UP-Maputo, para além de participar na revisão e concepção de programas curriculares voltados à inovação e desenvolvimento local, e facilitar o acesso a plataformas de certificação e registo de propriedade intelectual.
Os académicos moçambicanos Severino Ngoenha, Benjamim Alfredo e Teodoro Waty defendem a necessidade de o país repensar o Direito leccionado e aplicado, sob pena de este ficar ultrapassado. Segundo os estudiosos, Moçambique pode estar a perder nas negociações de contratos internacionais, devido à desactualização do seu sistema judiciário.
“O Direito na construção de Moçambique: conquistas, desafios e perspectivas” foi o tema da mesa-redonda promovida pela Universidade Eduardo Mondlane. No centro do debate, estiveram Benjamim Alfredo, Teodoro Waty e Severino Ngoenha, que expuseram as suas ideias e visões sobre a qualidade do Direito no país, 50 anos após a independência.
Benjamim Alfredo, profundo conhecedor do Direito nacional, considera que o sistema moçambicano se encontra ultrapassado e limitado, defendendo ser urgente uma mudança de paradigma no ensino e na aplicação da justiça.
“O nosso Direito acaba por revelar limitações quando os contratos assinados com empresas multinacionais incluem cláusulas oriundas de sistemas jurídicos totalmente diferentes do nosso. Temos imensa dificuldade em interpretar e, sobretudo, compreender o alcance e o objectivo dessas cláusulas. Porquê? Porque o nosso ensino continua demasiado preso ao sistema romano-germânico”, afirmou o académico.
Para Alfredo, não apenas está em causa a identidade jurídica do país: o Direito moçambicano, na sua perspectiva, já não consegue dar resposta aos problemas da sociedade.
“Mesmo aqueles que criaram o sistema romano-germânico já o estão a abandonar. Na Europa, já não existe esta rigidez de dizer que o sistema é este ou aquele. Temos de repensar o Direito também na perspectiva de que ele não serve apenas para nos relacionarmos com o mundo, mas, em primeiro lugar, para resolvermos os nossos próprios problemas”, defendeu.
Já o docente universitário Teodoro Waty sublinhou que o Direito é fundamental para o desenvolvimento de uma sociedade, mas que em Moçambique carece de um reajuste profundo, uma vez que identifica os problemas mas não consegue oferecer soluções.
“O Direito tem vindo a identificar a corrupção, mas não implementa políticas de boa governação e transparência para a combater. O Direito procura a pacificação, mas não percebe que os conflitos e a instabilidade interrompem a execução das políticas e desviam recursos e capacidades para a segurança, em detrimento do desenvolvimento”, disse Waty, lançando críticas severas ao sistema.
O académico alertou ainda para a fragilidade das leis moçambicanas. “Em determinados momentos, para garantir certeza e segurança jurídicas, a lei apresenta disposições ambíguas, o que leva a interpretações variadas e inconsistentes, resultando em decisões injustas e desiguais. O Direito, qual rei nu, está sujeito a pressões externas, que se traduzem num baixo nível de conformidade”, lamentou.
Por sua vez, Severino Ngoenha reflectiu sobre os dilemas do sistema jurídico nacional, sublinhando a discrepância entre as normas aplicadas e os costumes sociais do país.
“Parece existir uma discrepância enorme entre o nosso Direito positivo e a nossa sociologia e antropologia. Podemos falar de uma geografia assimétrica do Direito: os nomes que usamos e as leis que temos não são extraídos das nossas culturas, mas impostos a partir de modelos estrangeiros”, argumentou.
A mesa-redonda realizou-se no âmbito das comemorações dos 50 anos da Independência Nacional e das reflexões em torno da melhoria dos serviços e políticas públicas.
Foi suspensa em Incoluane toda equipa de fiscalização de trânsito composta por 20 autoridades, que estavam em serviço na madrugada em que ocorreram os acidentes que resultaram em 35 mortes. Em 13 dias o relatório do inquérito deverá apontar as causas e os responsáveis. O Secretário de Estado dos transportes e logística quer medidas duras para acabar com impunidade e corrupção nas estradas
Pelo menos 35 Pessoas morreram, esta segunda-feira, na sequência de dois acidentes de viação em Gaza e Maputo. Trata-se de semi-colectivos de passageiros, que atravessaram o posto de fiscalização de Incoluane antes das 05 horas, o que viola o diploma ministerial que proíbe a circulação de transportes semi-colectivos interprovincial e internacionais de passageiros das 21 às 5 horas.
Face ao cenário foi suspensa, nesta terça-feira, toda equipa de fiscalização rodoviária, que estava em serviço, trata-se de grupo de mais de 20 homens de diferentes especialidades policiais
A comissão de inquérito que investiga as causas e responsáveis pelo acidentes deverá em 13 dias apresentar um relatório definitivo que vai abrir espaço para medidas mais duras a vários níveis.
Chinguane Mabote falou ainda de semi-colectivos de passageiros “intocáveis”, aliás, de gente com poder que se vale da corrupção para perpetuar irregularidades, que, vezes sem conta, resultam em tragédias e sangue nas estradas
O Secretário de Estado dos transportes e logística fez estes pronunciamentos no posto de fiscalização de Incoluane, à margem do último dia de trabalho em Gaza, após acidente que matou 11 pessoas e deixou feridas outras 8 em Chongoene.
Organizações de defesa dos direitos humanos pediram à Argentina que cancele o jogo amigável com Angola, previsto para Novembro deste ano, em Luanda, no âmbito do 50.º aniversário da independência nacional
A carta aberta, dirigida à Federação Argentina de Futebol e à sua selecção nacional, é subscrita pela Comissão Episcopal de Justiça e Paz e Integridade da Criação da CEAST (Conferência Episcopal de Angola e São Tomé), Pro Bono Angola, Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD) e Friends of Angola (FoA).
As quatro organizações angolanas sublinham que o seu apelo “não se opõe ao desporto nem aos laços de amizade entre povos”, mas significa “um grito de consciência diante da dolorosa realidade vivida por milhões de angolanos – uma realidade que contrasta de forma chocante com a ostentação e os gastos milionários envolvidos na organização deste evento”.
Os subscritores do documento citam o relatório SOFI 2025 – O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo. Neste, indica-se que mais de 27 milhões de angolanos (cerca de 71,4% da população) não tiveram acesso a uma dieta saudável em 2024 e que a subnutrição afeta 22,5% da população, aproximadamente 8,3 milhões de pessoas.
“Enquanto recursos públicos são canalizados para eventos desportivos de grande porte, milhares de crianças e adultos enfrentam fome crónica, anemia severa e insegurança alimentar generalizada”, realçam na carta.
Segundo estas organizações, “a grave crise social ocorre num ambiente político marcado pela repressão sistemática contra cidadãos que expressam pensamento crítico”.
“Embora Angola se apresenta como uma democracia de economia livre, apenas um grupo seleto de cidadãos, maioritariamente ligados ao MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) – partido que sustenta o Governo – usufruem dos negócios e têm acesso às linhas de crédito”, enfatizam.
Descrevem igualmente que, “apesar de o país possuir uma enorme quantidade de riquezas naturais – petróleo, minerais, biodiversidade, recursos hídricos e mais de 11 milhões de hectares de terras aráveis – a esmagadora maioria da população vive em extrema pobreza”.
Na carta, os subscritores recordaram que o país viveu três dias de protestos, entre 28 e 30 de Julho deste ano, período em que, segundo a Polícia Nacional, foram registados “pelo menos 30 mortos, mais de 277 feridos e cerca de 1515 detenções”.
“Esse cenário inclui: prisões arbitrárias de jornalistas, ativistas e manifestantes pacíficos; uso excessivo da força policial, com relatos de execuções sumárias e criminalização da liberdade de expressão e da mobilização cívica, sobretudo entre os jovens”, refere-se no documento.
“Tais abusos são amplamente documentados por organizações como Human Rights Watch, Amnistia Internacional e relatores especiais das Nações Unidas”, acrescentam, sublinhando que este cenário revela “um Estado que silencia vozes dissidentes em vez de ouvi-las – uma lógica de controlo político, não de compromisso com a justiça e a dignidade”.
Para estas organizações, o amigável com a Argentina, promovido como parte das celebrações dos 50 anos de independência, está a ser utilizado como “um instrumento de propaganda” e “não representa uma comemoração inclusiva para o povo angolano”.
“[É] usado para encobrir violações e desviar a atenção da grave crise social”, acusam, considerando que “investir milhões de dólares num evento desportivo, enquanto milhares passam fome, hospitais colapsam e a repressão se intensifica, não é uma prioridade legítima – é um insulto à dignidade humana”.
Num apelo directo ao jogador argentino Messi, à Associação de Futebol Argentino e jogadores da selecção argentina, as organizações disseram que o cancelamento seria “um acto corajoso, ético e profundamente humanitário – uma mensagem clara ao mundo de que a justiça, a dignidade e a igualdade valem mais do que qualquer espetáculo desportivo financiado com o sofrimento de um povo”.
O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu, nesta quarta-feira, em Yokohama, Japão, o Director-Geral da Corporação Financeira Internacional (IFC), Makhtar Diop, com quem discutiu oportunidades de cooperação nos sectores da energia, agricultura e turismo. Do encontro resultou o anúncio de uma missão da IFC a Moçambique, em Setembro, para avançar com projecto nessas áreas.
No final da audiência, Makhtar Diop explicou que a reunião permitiu aprofundar a cooperação com o Grupo Banco Mundial em Moçambique. “ [O encontro foi] para discutir o programa do Banco Mundial, do Grupo do Banco Mundial em Moçambique. Foi uma oportunidade de discutir o sector da energia, o sector da agricultura e do turismo também”, afirmou.
O responsável destacou que os sectores abordados são vitais para enfrentar um dos maiores desafios que o continente enfrenta.
Segundo Diop, a agenda incluiu iniciativas concretas, que estão a ser preparadas para os próximos meses. “A discussão que tive hoje foi especificamente sobre o projecto no sector da energia, no sector da agricultura, e vamos organizar uma missão em Moçambique em Setembro”, revelou.
O Director-Geral da IFC adiantou ainda a sua intenção de acompanhar pessoalmente os próximos passos. “E depois gostaria pessoalmente de visitar o país para concretizar algumas iniciativas que discuti com o senhor Presidente e os ministros”, acrescentou.
A IFC, instituição do Grupo Banco Mundial, é especializada no apoio ao sector privado nos países em desenvolvimento, com enfoque na mobilização de investimentos, criação de empregos, fortalecimento das empresas locais, ampliação do acesso a financiamento e redução da pobreza.
O encontro de Yokohama segue-se à visita do Presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, a Moçambique, realizada em Julho, na qual foi apresentada a visão estratégica de transformar o país num centro regional de distribuição de energia eléctrica para a África Austral.
Durante essa deslocação, Banga e o Chapo identificaram o enorme potencial energético de Moçambique (hidroeléctrico, gás natural, solar e eólico) como a base para impulsionar a industrialização, o desenvolvimento agrícola e o turismo, com impacto directo na criação de empregos.
O presidente do Município da Beira, Albano Carige, e o governador de Sofala, Lourenço Bulha, apelaram, nesta quarta-feira, aos munícipes para, independentemente das suas crenças políticas, estarem unidos na construção de uma cidade cada vez mais segura, solidária e coesa. Os dirigentes defenderam a união de todos para a melhoraria da qualidade de vida dos citadinos.
20 de Agosto é um dia especial para os cidadãos da Beira. É que, nesta data, se celebra o aniversário de elevação à categoria de cidade. Neste ano, no meio de desafios, a cidade da Beira completa 118 anos. Por ocasião da efeméride, realizou-se, nesta quarta-feira, uma cerimónia marcada por um desfile no qual funcionários e parceiros do município evidenciaram as suas actividades. O momento, diga-se, foi marcado por actuações culturais.
No discurso de ocasião, o edil da Beira, Albano Carige, pediu a todos os citadinos desta urbe para permanecerem cada vez mais unidos, colocando, desta forma, de lado as crenças políticas e respeitando as ideias contrárias, factos que podem contribuir para o crescimento da cidade.
“Nós comprometemos-nos a ‘djimar’ com todos, independentemente das cores partidárias, religião e aquilo que cada um faz. Queremos, aqui e agora, agradecer a entrega dos funcionários do Conselho Municipal da Beira que, acima de tudo, acreditam que juntos podemos continuar a fazer diferença e maravilha na governação autárquica. Para continuarmos a lograr sucesso nos próximos anos, convidamos todos a sermos unidos, saber conviver com a diferença em todas as vertentes”, destacou Carige.
Por sua vez, o governador de Sofala, Lourenço Bulha, começou por felicitar os munícipes e, depois, garantiu que o Govenro central continuará a apoiar o município na construção de edifícios cada vez mais resilientes.
Bulha apelou, ainda, aos municípes para unirem esforços para o desenvolvimento da cidade da Beira.
“Apelamos a todos para serem mais unidos na diversidade, apesar das nossas diferenças ideológicas, políticas e religiosas. Para nós, o mais importante é o respeito mútuo e cada um cumprir com as suas responsabilidades e atribuições que lhe são conferidas para o bem-estar dos munícipes da cidade da Beira.”
Na ocasião o edil da Beira, acompanhado por vários munícipes que completaram anos nesta data, cortou um bolo gigante.
A cerimónia foi marcada, por outro lado, por um desfile em que os funcionários e parceiros do município exibiram as suas actividades.
Actuações culturais encerraram oficialmente a efeméride. A Beira é uma cidade portuária situada na província de Sofala, na região central do país. É um importante centro económico, com o segundo maior porto marítimo de Moçambique para transporte internacional de cargas, depois de Maputo.
A cidade está em crescimento, com novas construções e desenvolvimento em áreas que antes eram consideradas marginais.

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