As Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) contam, a partir de agora, com novos militares habilitados para integrar as forças de comandos, na sequência do encerramento do 31.º Curso de Comandos, realizado na cidade de Nacala, província de Nampula.
O curso teve como objectivo dotar os militares de conhecimentos e técnicas específicas para o cumprimento de missões que exigem elevado nível de preparação física, táctica e psicológica.
Durante a cerimónia, que contou com a presença de altas patentes militares e outras entidades, os formandos participaram em actos protocolares e demonstraram parte das competências desenvolvidas durante a formação.
A cerimónia de encerramento foi marcada por demonstrações de disciplina e preparação militar, com os novos comandos a exibirem as capacidades adquiridas ao longo do processo de formação.
A conclusão do 31.º Curso de Comandos representa mais uma etapa no processo de preparação das FADM para responder aos desafios de defesa e segurança do país, particularmente em contextos que exigem unidades com capacidade de actuação especializada.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou o fim do surto de Ébola no Uganda, depois de o país permanecer 42 dias sem registar novos casos após a alta do último paciente confirmado.
O Uganda tinha declarado oficialmente o fim do surto no mês passado. Contudo, a OMS manteve a vigilância epidemiológica para assegurar que não existissem novas cadeias de transmissão do vírus.
Desde 15 de Maio, quando a vizinha República Democrática do Congo (RDC) anunciou um novo surto de Ébola, o Uganda registou um total de 20 casos. Segundo as autoridades ugandesas, todos os casos estavam relacionados com o surto na RDC, tendo os primeiros pacientes entrado no país provenientes do Congo antes de saberem que estavam infectados.
Para travar a propagação do vírus, as autoridades ugandesas adoptaram várias medidas preventivas, entre as quais o cancelamento de grandes eventos, recomendações para evitar apertos de mão e a suspensão do transporte público e dos voos entre o Uganda e a RDC.
Entretanto, a situação permanece preocupante no leste da República Democrática do Congo, onde o vírus continua a propagar-se a um ritmo considerado alarmante pelas autoridades sanitárias. Mais de 4.500 casos foram confirmados em seis províncias, dos quais mais de 2.000 resultaram em mortes.
O actual surto é provocado pela estirpe Bundibugyo do vírus Ébola, para a qual, até ao momento, não existe vacina nem tratamento aprovado.
Na semana passada, a OMS alertou que o risco de propagação para os países vizinhos continua elevado, sobretudo para os que partilham fronteiras terrestres com a RDC. A organização actualizou igualmente as recomendações temporárias dirigidas aos Estados-Membros, que incluem o reforço da vigilância epidemiológica, a detecção e investigação de casos, as medidas de prevenção e o envolvimento das comunidades.
Apesar de o Uganda ter conseguido interromper a transmissão do vírus, a OMS mantém o alerta na região, numa altura em que a epidemia continua activa na República Democrática do Congo.
O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, condenou, na terça-feira, a tomada, por parte de Israel, de um centro de treinamento da organização em Jerusalém Oriental, informou o seu porta-voz.
Em conferência de imprensa, o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, citado pela CGTN, ressaltou que tais acções violam as obrigações de Israel sob o direito internacional e a Carta da Organização das Nações Unidas.
“O secretário-geral condena, nos termos mais veementes, as acções de hoje das autoridades israelenses, incluindo suas forças de segurança, de entrar ilegalmente e permanecer no Centro de Treinamento da UNRWA em Kalandia, em Jerusalém Oriental ocupada, e de realizar obras não autorizadas nessas instalações. O secretário-geral está profundamente alarmado com esse desdobramento, pois ele privará jovens da educação profissionalizante que estavam a receber”, disse o porta-voz.
A UNRWA é a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina.
Há mais de 70 anos, o centro apoia milhares de refugiados palestinos por meio de educação profissionalizante e oportunidades de acesso ao mercado de trabalho, afirmou o porta-voz.
Cerca de 20 funcionários da UNRWA, que estavam no centro no momento da entrada não autorizada, tiveram permissão para sair, disse o porta-voz.
Dujarric, citado pela CGTN, informou que o secretário-geral instou o governo israelense a cessar imediatamente a interferência nas instalações da UNRWA, a desocupar e devolver todas as instalações afectadas às Nações Unidas sem demora, e a proteger esses locais contra novas interferências ou danos.
“Essas acções contra as instalações da UNRWA são totalmente inaceitáveis e incompatíveis com as obrigações claras de Israel sob o direito internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas e a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas”, disse Dujarric.
O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários informou que este é o centro de treinamento profissional mais antigo da UNRWA, que oferece a centenas de estudantes de toda a Cisjordânia educação profissional gratuita e um caminho para maior independência económica.
A Direcção Provincial do Género, Criança e Acção Social em Gaza confirma dois casos de violência contra menores e anuncia investigação à familiares e diagnóstico social para determinar quem poderá garantir a segurança das crianças. Num dos casos, uma avó é acusada de agredir e obrigar uma criança a ingerir as próprias fezes.
Os dois casos de violência contra menores, registadas esta Terça-feira preocupam as autoridades da área da criança em Gaza, que dizem estar a trabalhar para garantir a protecção das vítimas depois da detenção das pessoas acusadas dos maus-tratos.
O primeiro caso envolve uma criança proveniente da província de Inhambane, que terá enfrentado de acordo com Chefe de Departamento de Criança, dificuldades em utilizar correctamente a sanita, situação que terá sido incompreendida pela avó com quem vivia.
“Esta avó não compreendeu que aquela prática resultava da inocência da criança, do desconhecimento do procedimento do uso do autoclismo”, explicou Nhabete.
A incompreensão da situação terá resultado em agressões e na obrigação de a criança ingerir as próprias fezes.
“Violentava a criança e inclusive obrigava a criança para comer aquela sujeidade”, revelou o responsável.
No outro caso, uma mãe é acusada de maltratar e agredir o próprio filho de várias formas.
As duas mulheres de 38 e 30 anos de idade estão detidas, entretanto, as autoridades dizem que ainda é necessário apurar se existe outra pessoa que possa representar perigo para as crianças no meio familiar.
É neste contexto que está a ser realizado um diagnóstico social mais aprofundado, com o objectivo de avaliar o ambiente familiar e determinar quem deverá ficar responsável pelas vítimas.
A Direcção Provincial do Género, Criança e Acção Social diz que a prioridade é identificar um espaço onde as crianças possam permanecer em segurança e receber a devida protecção.
A primeira-dama da República, Gueta Chapo, manifesta o seu apoio à modelo moçambicana Arcenia Quehá, candidata de Moçambique ao Miss Mundo 2026, cuja final terá lugar no dia 5 de Setembro, na cidade de Nha Trang, Vietname.
Arcenia Quehá, vencedora do Mozambique Beauty Awards 2025, representa Moçambique, pela primeira vez, na competição internacional de beleza, depois de se destacar entre centenas de candidatas de todo o mundo.
Ultrapassou várias batalhas e alcançou o top 10 das mais votadas a nível mundial, feito que constitui motivo de orgulho nacional, de acordo com um comunicado de imprensa da Presidência da República.
No âmbito do seu apoio à representante moçambicana, a primeira-dama garante igualmente o envio ao Vietname de uma equipa especializada, composta pela sua estilista, cabeleireira e maquiadora, para apoiar Arcenia Quehá na preparação e participação na fase final do concurso.
“A iniciativa visa garantir à candidata moçambicana o necessário apoio profissional, contribuindo para uma participação condigna e competitiva na estreia histórica do país no Miss Mundo”, refere a nota de imprensa.
Arcenia Quehá já se encontra no Vietname, onde decorrem as actividades que antecedem a grande final, levando consigo o orgulho e a responsabilidade de representar a beleza, a cultura e o talento da mulher moçambicana.
Face ao desempenho alcançado, a primeira-dama apela aos moçambicanos, dentro e fora do país, para apoiarem a Arcenia Quehá através da votação popular, contribuindo para que alcance a final do Miss Mundo 2026.
A cidade de Nampula volta a registar crise de combustíveis, sobretudo a gasolina. As poucas bombas que abastecem registam longas filas. A Inspecção-Geral dos Recursos Minerais e Energia diz que os três terminais oceânicos de Nacala estão com pouca gasolina, por isso estão a fornecer com restrição, para evitar a ruptura total.
Na primeira semana deste mês de Agosto, aconteceram duas operações de apreensão de combustível vendido ilegalmente na via pública e em algumas residências na cidade de Nampula, e logo a seguir houve normalização da situação de combustíveis, com muitas bombas a abastecerem, sem longas filas e nem limitação da quantidade de abastecimento.
Foram cerca de duas semanas sem qualquer problema, mas desde a semana passada que o cenário de crise voltou a afectar a cidade de Nampula. “Estou na fila desde as 5h00. Tinha uma viagem para Cabo Delgado, mas estamos aqui. Isto cria transtornos”, desabafou Manuel Jorge, interpelado pela nossa reportagem em plena fila de acesso a uma das poucas bombas que estavam a abastecer nesta quarta-feira.
Diante da crise, há quem sinta falta dos vendedores informais de combustível. “Eliminaram aqueles da rua sabendo que não iam abrir todas as bombas”, lamentou Domingos Chales, mototaxista.
A cidade de Nampula tem 53 bombas de combustíveis, mas diariamente é difícil encontrar cinco a abastecerem, nos últimos dias.
A Inspecção-Geral dos Recursos Minerais e Energia em Nampula esclareceu, sem gravar entrevista, que os três terminais oceânicos de Nacala estão com uma quantidade limitada de gasolina, por isso o fornecimento tem sido em “modo de reserva” para evitar que haja ruptura total da gasolina.
O normal, com o descarregamento total, tem sido de 20 milhões de litros de gasolina naqueles terminais, mas neste momento estão com apenas um milhão e duzentos mil litros.
Entretanto, informação de última hora recebida pela nossa equipa de reportagem indica que nesta quarta-feira terminou o descarregamento de seis milhões de litros que vão fazer com que, nos próximos dias, o fornecimento de gasolina às gasolineiras volte a fluir, o que vai também permitir a normalização do abastecimento a partir da sexta-feira.
A província de Gaza regista um aumento de casos de malária de pouco mais de 100%. Face ao cenário, a província prepara uma campanha integrada que prevê a distribuição de mais de 800 mil redes mosquiteiras, a administração de medicamentos e a pulverização intradomiciliária em 13 distritos para reforçar o combate.
A malária continua a constituir um dos principais desafios de saúde pública na província de Gaza, alertou a directora provincial de Saúde, Mulassua Simango, durante a apresentação da microplanificação da campanha de distribuição universal de redes mosquiteiras e administração massiva de medicamentos.
“No primeiro semestre de 2026, nós registamos 34 019 casos de malária contra 11 267 de igual período de 2025, representando um aumento em mais de 100%”, disse Mulassua Simango.
A responsável revelou ainda que a prevalência da doença na província é de 6,1 por cento, o que significa que, em cada 100 pessoas, pelo menos seis têm malária.
Perante o agravamento da situação, as autoridades de saúde vão integrar diferentes intervenções numa única campanha, combinando a distribuição de redes mosquiteiras, a administração de medicamentos e a pulverização intradomiciliária.
A campanha integrada de distribuição de redes e administração de medicamentos será realizada em 13 distritos, enquanto a pulverização intradomiciliária abrangerá seis distritos, nomeadamente Chibuto, Mandlakazi, Chókwè, Guijá, Bilene e Limpopo.
Os dados preliminares dos microplanos apontam para uma distribuição estimada de “871 416 redes mosquiteiras, destinadas a cerca de 313 711 agregados familiares, numa população estimada em 1 156 855 pessoas”.
Contudo, os números ainda não são definitivos. Segundo a fonte, os dados foram levantados pelos distritos e estavam a ser discutidos durante a formação de microplanificação, podendo sofrer alterações antes da implementação da campanha.
A campanha incluirá igualmente a administração de albendazol a crianças “dos 5 aos 14 anos, com uma previsão de alcançar 375 130 indivíduos.”
A integração das intervenções pretende, segundo as autoridades, optimizar recursos e aproveitar a mobilização, logística e comunicação das campanhas para ampliar as acções de saúde nas comunidades.
Entretanto, Mulassua Simango alerta que o sucesso da operação dependerá de uma planificação ajustada às características de cada comunidade, sobretudo nas zonas de difícil acesso.
“Uma aldeia de difícil acesso, uma comunidade em zona arenosa, uma área de travessia de rios, uma comunidade distante da sede distrital, uma zona com dificuldade de comunicação não podem ser planificadas da mesma forma como uma área urbana de fácil acesso”, afirmou.
A directora provincial de Saúde defende, por isso, que os distritos apresentem estimativas próximas da realidade, para evitar que recursos sejam alocados acima ou abaixo das necessidades.
O Instituto para Democracia Multipartidária diz que os projectos de exploração de gás em Moçambique precisam de beneficiar, em primeiro lugar, as comunidades locais para dinamizar o seu desenvolvimento.
Em Moçambique, continuam desproporcionais os benefícios entre as empresas que exploram recursos naturais e as comunidades locais, uma situação que gera conflitos e críticas regulares.
Meio ano depois do levantamento da Força Maior pela Total Energies, o Instituto para Democracia Multipartidária debate, com parceiros estratégicos, mudanças estruturais para o desenvolvimento das comunidades.
Falando à imprensa, Hermenegildo Mundlovo, Director Executivo do Instituto para a Democracia Multipartidária, garantiu que esta plataforma de diálogo constante baseada em evidências vai permitir ao país aproveitar ao máximo as oportunidades criadas e as transformações na vida das pessoas.
Para Mundlovo “a população não se interessa muito por grandes indicadores. Quanto exportamos em termos de petróleo? Qual o volume de investimentos realizados? A preocupação deles é a transformação de suas próprias vidas.
Em que medida isso garantiu uma transformação nas suas próprias vidas? Em que medida isso gerou emprego para alguém das suas respectivas famílias? Em que medida isso também gerou negócios para os atores nacionais? Penso que, se conseguirmos reunir todos estes elementos, estas recomendações, podemos estar a fazer um bom trabalho para o país, para os moçambicanos, mas também para os investidores”.
O evento contou com a participação do Provedor de Justiça apontou fragilidades e os respectivos riscos.
As mudanças são urgentes e se não acontecerem, a Comissão Nacional de Direitos Humanos teme que novos conflitos surjam e comprometam a segurança no país.
Até ao fim deste ano, Moçambique espera pela aprovação da decisão final de investimento do projecto coral norte, avaliado em mais de 7.2 mil milhões de dólares.
O partido Frelimo está reunido, desde ontem, na cidade de Chimoio, na quarta Sessão Extraordinária do Comité Central. O objectivo é transformar orientações políticas em acções concretas em resposta aos desafios do país.
O encontro junta membros efectivos e quadros da organização para reflectir sobre a situação política, económica e social de Moçambique, com particular atenção para o combate à corrupção, a revitalização das estruturas partidárias e a definição de estratégias de desenvolvimento para os próximos 50 anos.
Para o membro do Comité Central do partido, Carlos Agostinho do Rosário, pretende-se, na sessão, encontrar formas de operacionalizar as orientações transmitidas pelo presidente da Frelimo na Reunião Nacional de Quadros.
“Pegar o discurso do presidente, que é um discurso muito impactante, profundo e muito actual e como membros do Comité Central, vermos como é que isso se operacionaliza, não é?, disse Carlos Agostinho do Rosário.
Segundo o antigo Primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, as orientações do presidente da Frelimo devem ser transformadas em acções concretas, sobretudo nas áreas da paz e do desenvolvimento económico.
“Nós vamos explicar as decisões ou as orientações do Presidente da República e ver como é que a paz e os elementos de desenvolvimento económico se possam fazer”, acrescentou Carlos Agostinho do Rosário.
O combate à corrupção e a outros males que afectam a sociedade foi igualmente apontado como uma responsabilidade colectiva. Outro membro da Frelimo, Alberto Mondlane, desafia toda a gente a assumir o compromisso.
“O que eu podia apelar aos moçambicanos e a mim próprio é, primeiro, procurarmos compreender bem o pensamento do Presidente da República e apoiar a ele no processo de implementação”, afirmou Alberto Mondlane.
O membro do Comité Central considera ainda que o combate à corrupção depende também do envolvimento individual dos cidadãos.
“O combate à corrupção e outros males que enfermam a nossa sociedade tem muito a ver com o engajamento de cada um de nós no local onde vive, no local onde trabalha, dar a sua contribuição para que possamos acelerar ainda mais este processo de luta pela promoção do bem-estar”, disse Mondlane.
Revitalizar a Frelimo, do base ao topo, é outra matéria em discussão. Calisto Cossa, também membro do partido, considera que as contribuições apresentadas pelos quadros devem transformar-se em instrumentos de trabalho para responder aos desafios futuros de Moçambique.
“Foram questões ou contribuições que têm a ver com a revitalização do nosso partido, sendo que com esta reunião, naturalmente que teremos a oportunidade de chancelar essas contribuições para que sirvam de instrumento de trabalho para os próximos desafios que nós temos”, avançou Calisto Cossa.
Segundo o membro do partido, os desafios não se limitam à organização. Abrangem também a realidade nacional. Preparar o futuro de Moçambique constitui uma das preocupações levantadas no encontro.
Eneas Comiche defende que as decisões actuais devem ser tomadas tendo em perspectiva os próximos 50 anos do país. “A visão hoje em dia é dizer nós hoje temos de olhar para os próximos 50 anos para que efectivamente possamos ir etapa por etapa, para que consigamos os objectivos definidos pelo partido”, disse Eneas Comiche, membro do Comité Central da Frelimo.
A sessão acontece na sequência de um processo de reflexão realizado pelos quadros do partido sobre a situação económica, política e social do país. De acordo com Constantino André, as discussões anteriores produziram recomendações que deverão agora ser apreciadas pelo Comité Central.
“Foi um momento de reflexão, foi um momento em que os membros do partido, os quadros a nível nacional, analisaram sobre o País, analisaram a situação económica, política e social e teceram um conjunto de recomendações”, explicou Constantino André, membro do Comité Central.
Constantino André acrescentou também que a quarta Sessão Extraordinária deverá servir também para validar as recomendações saídas da 11.ª Conferência Nacional de Quadros e definir novas linhas de orientação.
“A sessão de hoje (quarta-feira) vem também no mesmo espírito de validar as recomendações trazidas pela 11.ª Conferência Nacional de Quadros, de trazer as linhas de orientação das teses, igualmente de convocar o XII Congresso”, afirmou Constantino André.
Ao longo da sessão, os membros do Comité Central deverão analisar e validar propostas e recomendações apresentadas anteriormente, procurando consolidar as linhas de orientação da Frelimo para os próximos desafios. A expectativa é que as decisões tomadas em Chimoio contribuam para reforçar a coesão interna do partido, dinamizar as suas estruturas e acelerar a implementação das orientações políticas, com impacto nas respostas aos desafios económicos, políticos e sociais de Moçambique.
A Primeira-ministra, Benvinda Levi, desafiou, nesta terça-feira em Maputo, ao Fórum das Comissões Eleitorais dos Países Membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), a construírem sistemas eleitorais cada vez mais modernos e eficientes.
Para a governante, a aposta na modernização dos sistemas eleitorais não deve comprometer a transparência, a inclusão, integridade, credibilidade e, acima de tudo, a confiança do público que, segundo ela, sustenta a democracia dos Estados membros deste bloco regional.
“Reafirmamos o compromisso de Moçambique com os princípios democráticos consagrados nos instrumentos da SADC, União Africana e das Nações Unidas, bem como o interesse e determinação no fortalecimento permanente das instituições responsáveis pela administração eleitoral”, disse Benvinda Levi.
APOSTA NA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A Reunião do Comité Executivo do Fórum das Comissões Eleitorais dos Países Membros da SADC acontece num contexto em que o mundo é marcado pela afirmação da Inteligência Artificial (IA). Segundo a Primeira-ministra, a IA está a transformar como as instituições públicas planeiam, gerem a informação e prestam serviços aos cidadãos.
No contexto eleitoral, afirma Benvinda Levi, essas tecnologias podem oferecer oportunidades para aumentar a eficiência administrativa, apoiar os registos da gestão eleitorais, melhorar a comunicação com os eleitores, reforçar a análise de dados e facilitar a identificação atempada de irregularidades operacionais.
“Podem igualmente apoiar a monitoria de fenómenos de desinformação, manipulação digital e disseminação de conteúdos falsos que afectam a integridade dos processos eleitorais”, alerta.
Nesse sentido, alerta a Primeira-ministra, o recurso a essas ferramentas deve ser criterioso e responsável, respeitando os mandatos legais das instituições e preservando os direitos dos cidadãos.
“As mesmas tecnologias que podem apoiar a democracia podem também ser utilizadas para a fragilizar. A proliferação de conteúdos digitalmente manipulados, as campanhas automatizadas de desinformação, a microssegmentação política abusiva e a utilização indevida de dados pessoais constituem riscos concretos para a integridade eleitoral e para a confiança nas instituições”, alerta Benvinda Levi.
Segundo a Primeira-ministra, associada à Inteligência Artificial, está a crescente relevância da governação de dados, assim como o facto delas constituírem um activo estratégico para o desenvolvimento económico, social e institucional.
“A capacidade de os recolher, proteger, gerir e utilizar de forma segura e responsável tornou-se um elemento central da soberania digital dos Estados. A inovação tecnológica deve caminhar lado a lado com a protecção dos direitos fundamentais, a salvaguarda da privacidade, a segurança dos sistemas e do respeito pelos princípios democráticos.”
Benvinda Levi entende, por isso, que uma governação de dados sólida representa uma oportunidade para reforçar a soberania digital, reduzir dependências externas e assegurar que a transformação tecnológica contribua para o desenvolvimento sustentável e para o fortalecimento das instituições democráticas.