Skip to main content

O País – A verdade como notícia


ÚLTIMAS

Destaques

NOTÍCIAS

Os Presidentes dos municípios estão a ser capacitados em Chimoio para reforçar os mecanismos de protecção social face aos choques climáticos. A formação pretende preparar as autarquias para identificar as populações mais vulneráveis e responder de forma rápida às famílias afectadas por ciclones, cheias, secas e outros eventos extremos.

Os choques climáticos deixaram de ser apenas uma questão ambiental. Em Moçambique, ciclones, cheias e secas afetam diretamente as famílias, destruindo habitações, culturas e fontes de rendimento.
É neste contexto que os municípios estão a ser preparados para reforçar a resposta através dos mecanismos de protecção social.

O ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa explicou que a capacitação pretende dotar as autarquias de conhecimentos para identificar as famílias em situação de maior vulnerabilidade e melhorar a coordenação da assistência em situações de emergência.

No últmo choque climático havido na provincia, o município de Gaza foi um dos pontos mais afectados na provincia. A edil diz estar agora, coma a capacitação, preparada para enfrentar eventos climáticos extremos, mas diz que ainda existem marcas das inundações no município.

Com a formação, espera-se que os municípios estejam em melhores condições para planificar intervenções, identificar atempadamente os grupos vulneráveis e garantir que o apoio chegue às famílias afectadas de forma rápida e coordenada.

Vídeos

NOTÍCIAS

O Egipto anunciou ontem o repatriamento de 2632 cidadãos egípcios, alegadamente imigrantes ilegais, detidos na Líbia desde o início do ano, em colaboração com as autoridades da região leste da Líbia e da região de Tripoli.

Segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros egípcio, trata-se de “cidadãos egípcios desaparecidos” na Líbia, um grupo cujo número exacto, bem como a sua “situação e destino”, são desconhecidos, mas que o Governo egípcio tem tentado repatriar em contactos com as autoridades líbias.

“Os nossos esforços já deram resultados tangíveis, incluindo o repatriamento bem-sucedido, a 27 de Novembro, de um grupo de 131 cidadãos egípcios que estavam num centro de detenção da Líbia”, refere o comunicado.

O Governo egípcio adianta que esses esforços permitiram que, “desde o início deste ano, fossem repatriados 1132 cidadãos egípcios de Trípoli e da região oeste, e mais de 1500 de Benghazi e da região leste”.

O comunicado enfatiza que as conversações tentam também determinar o paradeiro e repatriar um grupo de migrantes egípcios sem documentos, cujo barco partiu da Líbia há duas semanas e afundou perto da ilha grega de Creta, no Mediterrâneo.

O ministério egípcio não divulgou o número total de egípcios que seguiam a bordo do barco, mas na terça-feira passada tinha anunciado a morte de 14 dos seus cidadãos que viajavam com outros 34 migrantes indocumentados numa embarcação que partiu a 07 de Dezembro da costa de “um país vizinho” e naufragou no Mediterrâneo oriental, perto de Creta.

A Líbia é um importante centro de migrantes irregulares no Norte de África, servindo tanto como destino de trabalho como ponto de partida preferencial para aqueles que tentam atravessar o Mediterrâneo central em direcção à Europa, particularmente para Itália ou Malta.

Cinco organizações da sociedade civil exigem da Procuradoria-Geral da República (PGR) esclarecimentos urgentes sobre a responsabilização dos autores da violência registada durante as manifestações pós-eleitorais, que resultaram em centenas de mortos e milhares de detenções. A exigência foi formalizada através de uma exposição submetida nesta segunda-feira, na Cidade de Maputo.

A iniciativa surge dias depois de o Chefe do Estado, Daniel Chapo, não ter detalhado, no seu Informe Anual sobre o Estado Geral da Nação, os danos humanos provocados pelos protestos, uma omissão que, segundo as organizações, contribui para a normalização da violência e da impunidade.

A sociedade civil ainda quer esclarecimentos sobre os indultos anunciados por Chapo e aponta que há uma distinção entre indulto e amnistia. 

Durante a audição de exigência de informação junto à PGR, a sociedade civil alertou que cerca de quatro mil cidadãos continuam detidos no contexto das manifestações, sem informação clara sobre a sua situação processual.

“Estamos a falar de milhares de pessoas privadas de liberdade sem que o país saiba em que condições estão detidas, que crimes lhes são imputados e que tratamento estão a receber. Isto fere princípios básicos do Estado de direito”, afirmou Quitéria Guirengane, representante das organizações da sociedade civil.

As organizações exigem informações detalhadas sobre mortes, baleamentos, casos de tortura e desaparecimentos forçados registados entre Outubro de 2024 e Março de 2025. Segundo dados avançados pelo grupo, mais de 350 pessoas perderam a vida durante os protestos, muitas delas alegadamente mortas por agentes da polícia, incluindo crianças.

Questionada pela sociedade civil sobre a identificação e responsabilização dos agentes da Polícia implicados nos actos de violência, a Procuradoria-Geral da República garantiu que irá partilhar informação sólida e fundamentada.

“A PGR comprometeu-se a disponibilizar informação factual sobre os processos instaurados, os agentes implicados e as diligências em curso. Esperamos que esse compromisso seja honrado de forma pública e transparente”, sublinhou a representante da sociedade civil.

O pedido de informação foi submetido ao abrigo do artigo 48 da Constituição da República e da Lei do Direito à Informação e exige dados estatísticos e factuais sobre cidadãos detidos, presos, feridos, baleados, torturados ou assassinados, bem como esclarecimentos sobre medidas de reparação e garantias de acesso à justiça para as vítimas e seus familiares.

“Sem verdade não há justiça e sem justiça não há paz social. O país precisa de respostas claras e não de discursos que ignoram o sofrimento das vítimas”, reforçou Guirengane.

O documento é assinado pelas organizações Justiça Ambiental, Observatório das Mulheres, Centro de Aprendizagem e Capacitação da Sociedade Civil (CESC), Rede dos Defensores dos Direitos Humanos (RDDH) e Centro para o Desenvolvimento Alternativo (CDA).

Recorde-se que, em Abril último, a Procuradoria-Geral da República anunciou a abertura de 31 processos-crime, alguns dos quais envolvendo membros da Polícia da República de Moçambique. No entanto, apenas dois tiveram despacho de acusação e, até ao momento, não há qualquer actualização pública sobre o estágio dos restantes processos.

“Esta ausência de informação reforça a sensação de impunidade. O que exigimos não é favor, é o cumprimento da lei e das obrigações do Estado moçambicano em matéria de direitos humanos”, concluiu Quitéria Guirengane.

A Primeira-Dama da República de Moçambique, Gueta Chapo, orientou esta segunda-feira, na cidade de Mocuba, província da Zambézia, a iniciativa Natal Solidário, que beneficiou mais de 400 pessoas, entre crianças e pessoas em situação de vulnerabilidade. Cada beneficiário recebeu uma cesta básica.

O Natal chegou mais cedo para crianças e famílias vulneráveis em Mocuba. O evento solidário foi organizado pela Primeira-Dama, que, além da entrega de kits de cestas básicas, partilhou o almoço e participou no corte do bolo com os beneficiários.

Na ocasião, Gueta Chapo destacou a importância da empatia e da solidariedade entre os moçambicanos, não apenas nesta quadra festiva, mas durante todo o ano.

“Estão aqui em representação às crianças. Temos os nossos pais, as nossas mães, temos os nossos irmãos com deficiência e estamos aqui para convivermos juntos. Não trouxemos somente o lanche ou o almoço. Trouxemos igualmente a cesta básica, que é composta por arroz, temos farinha, temos óleo, temos sabão, temos feijão e ainda temos manta”, disse Gueta Chapo.

A Primeira-Dama explicou porque oferecer as mantas durante a celebração do Natal Solidário. “Porque a comida vai acabar, nós ficamos lá com a manta para podermos cobrir quando fizer frio. E transformamos o valor das camisetas para comprar a cesta básica”, explicou.

Ademais, Gueta Chapo diz que mais do que ter oferecido camisetes para os beneficiários, o seu gabinete preferiu transformar em alimentos, até porque “o que adianta estarem todos bonitos aqui vestidos de camiseta enquanto o estômago está vazio? Não vale a pena. Então vamos obedecer primeiro o estômago, o resto virá”, disse.

A Ministra do Trabalho, Género e Acção Social considerou a iniciativa um reflexo do verdadeiro espírito natalício, ao apoiar crianças e pessoas vulneráveis.

“Este valor da solidariedade que está sendo aqui demonstrado mostra a força que todos nós temos em conjunto para podermos estar num momento como este de festa com os que mais precisam. Como Ministério do Trabalho, Gênero e Ação Social, transformamos este valor de solidariedade em acções concretas e neste processo contamos com o apoio de todos, em especial do sector privado, da sociedade civil, dos parceiros de cooperação”, disse Ivete Ferrão.

Para a governante este foi o motivo que levou o Ministério que tutela a juntar-se à iniciativa do Gabinete da Primeira-Dama “para poder contribuir e ajudar no bem-estar de cada família aqui presente”.

Os beneficiários mostraram-se satisfeitos com o gesto da Primeira-Dama, que levou alegria e esperança a centenas de famílias. “Recebi 25 de arroz, 2 pacotes de massa de braquete, 2 kg de açúcar, 2 litros de óleo, 2 frangos. Estou feliz. Eu não podia festejar o Natal com a minha família”, disse um dos beneficiários que revelou que “estava desesperado” por não poder celebrar o Natal. 

A esposa do Presidente da República encontra-se na província da Zambézia desde sábado e termina a sua visita de trabalho esta terça-feira.

O defesa central moçambicano Edson Sitoe, mais conhecido por Mexer, desembarcou em Agadir na madrugada desta segunda-feira e foi a tempo de integrar o treino matinal com o grupo antes de seguir viagem a Marrakech. Era a última pedra que Chiquinho Conde esperava para ter um conjunto completo.

Os Mambas já estão completos em Marrocos! Mexer Sitoe juntou-se nesta segunda-feira ao grupo de trabalho, para a tranquilidade de Chiquinho Conde, que lamentava a sua chegada tardia.

Aliás, Mexer falhou o estágio no Algarve por falta de visto de entrada em Portugal e tinha de esperar que os Mambas se deslocassem a Marrocos para poder juntar-se a eles. Ainda assim, falhou o primeiro treino da equipa em solo marroquino, realizado na tarde deste domingo.

Assim, no treino matinal desta segunda-feira, a equipa técnica contou com a participação de todos os convocados, sendo que todos estiveram às ordens de Chiquinho Conde, mesmo depois das dúvidas em relação a alguns jogadores que estavam tocados no estágio, nomeadamente Bruno Langa, Witi Quembo e Infren.

Em termos de programa, os Mambas realizaram duas sessões de treino nesta segunda-feira, devendo realizar uma sessão nesta terça-feira, à hora do jogo de adaptação ao palco, na quarta-feira, a partir das 19h30, diante da Costa do Marfim, em Marrakech.

Os Mambas partiram ainda nesta segunda-feira para Marrakech, local onde vão ficar instalados para os jogos do grupo F, nomeadamente diante da Costa do Marfim, Gabão e Camarões.

Nas sessões de treinos efectuados em Agadir, a equipa técnica priorizou aspectos técnicos-tácticos, com enfoque para as transições defesa-ataque, testando as capacidades de cada jogador, para além de procurar montar o seu “onze” inicial para a estreia na competição.

 

Geny Catamo é o novo camisola 10 dos Mambas

O internacional moçambicano Geny Catamo mudou de camisola na selecção nacional e, tal como no Sporting Clube de Portugal, vai passar a vestir a camisola 10 dos Mambas.

A nova camisola do extremo moçambicano foi revelada pela Confederação Africana de Futebol na publicação de algumas imagens da sessão fotográfica do combinado nacional, onde cada jogador devia estar vestido com a sua camisola.

Trata-se de uma camisola já vestida por ícones do futebol moçambicano na selecção nacional, com destaque para o próprio seleccionador nacional, Chiquinho Conde, para além de outros ex-capitães da selecção nacional, nomeadamente Gil Guiamba e Dário Monteiro, para além de jogadores como Sonito e Clésio Baúque, este último que a vestia até há bem pouco tempo.

Assim, a jóia moçambicana deixa de vestir a camisola 20, que passa a ser vestida pelo médio Keyns Abdala, jogador que actua em Portugal.

Em termos de alterações da numeração das camisolas dos Mambas para esta edição do Campeonato Africano das Nações, há que destacar João Bonde, que passa a vestir a camisola 11, que era vestida por Pedro “Pepo” Santos, que falha o CAN 2025 por lesão.

Os Mambas vão estrear neste CAN um novo modelo nos seus equipamentos, mas continuarão a ser vestidos pela mesma marca. A camisola principal continuará a ser a de cor vermelha com faixas pretas e amarelas.

Moçambique faz a sua estreia nesta quarta-feira, diante da campeã em título, Costa do Marfim, a partir das 19h30 (de Maputo), em Marrakech.

O Governo já disponibilizou cerca de duzentos milhões de Meticais para ajudar na recuperação de empresas afectadas pelos ciclones Chido e Jude, incluindo os empresários que registaram prejuízos durante as manifestações pós-eleitorais que deixaram a província economicamente débil.

Os acordos de funcionamento de empresas de Cabo Delgado que sofreram prejuízos resultantes de calamidades naturais e manifestações pós-eleitorais foram entregues pela Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte, ADIN, a instituição responsável pela coordenação do programa de recuperação empresarial ao nível da província.

De acordo com Nocif Magaia, representante da ADIN em Cabo Delgado, os financiamentos não irão chegar para todos de uma só vez e explica: “à medida que forem sendo lançadas mais linhas, mais oportunidades surgirão e mais empresas poderão beneficiar-se das subvenções compartilhadas, bem como de outros financiamentos disponibilizados pelo governo”, disse.

O Governo  promete mobilizar mais apoios para recuperação económica de Cabo Delgado, mas pede aos empresários tempo e paciência. “Esta é a segunda edição do Fundo de Recuperação Empresarial, dentro do Fundo Catalítico. Colocámos à disposição do nosso sector privado cerca de 200 milhões de Meticais para 34 micro, pequenas e médias empresas”, anotou Valige Tauabo, Governador de Cabo Delgado.

O dirigente provincial destacou ainda que se estima que até 2026-2027 sejam financiadas mais empresas com estes fundos “e o pacote global de financiamento deverá atingir cerca de 600 milhões de Meticais”.

A quinta edição do Fundo Catalítico para Inovação e Demonstração, também conhecido por Fundo de Recuperação Empresarial, foi lançado pelo Presidente da República em Março deste ano, e segundo previsões, o programa deverá terminar em 2027.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a continuação da ocorrência de chuvas moderadas a fortes, acompanhadas de trovoadas e ventos com rajadas, em vários distritos das províncias de Niassa, Nampula, Zambézia, Tete, Manica e Sofala.

Segundo o INAM, está prevista a queda de chuvas moderadas, que podem atingir até 30 milímetros em 24 horas, e localmente fortes, ultrapassando os 50 milímetros no mesmo período, associadas a trovoadas e ventos fortes, o que poderá aumentar o risco de inundações, cheias repentinas e danos em infraestruturas frágeis.

Na província de Niassa, o alerta abrange os distritos de Mecula, Marrupa e Nipepe. Em Nampula, a previsão inclui Malema, Lalaua e Ribaué. Já na Zambézia, os distritos afetados são Nicoadala, Inhassunge, Mopeia, Namacurra, Gurué, Namarrói, Ile, Maganja da Costa, Mocubela, Pebane, Maquival, Luabo, Chinde e a cidade de Quelimane.

Em Tete, a previsão incide sobre os distritos de Doa, Changara, Cahora Bassa, Angónia, Marávia, Zumbo e a cidade de Tete. Na província de Manica, estão abrangidos Sussundenga, Manica, Macossa, Tambara, Guro, Barué, Gondola e Vanduzi. Em Sofala, o alerta aplica-se aos distritos de Chemba, Caia, Muanza, Cheringoma e Marromeu.

Face a este cenário, o INAM recomenda a tomada de medidas de precaução e segurança.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, destacou a necessidade de negociações de paz construtivas nos Estados Unidos, mas lamentou que “apenas cheguem sinais negativos” da parte russa.

“Estamos a fazer progressos bastante rápidos, e a nossa equipa na Flórida tem trabalhado com o lado americano. Também foram convidados representantes europeus. É importante que estas negociações sejam construtivas, e muito depende de a Rússia sentir a necessidade de realmente acabar com a guerra e não se envolver em jogos retóricos ou políticos”, escreveu Zelensky na rede X.

 As conversações estão em curso em Miami, na Flórida, entre o enviado do Kremlin, Kirill Dmitriev, e os representantes da Casa Branca Steve Wittkoff e Jared Kushner, sobre o plano de paz para a Ucrânia, após uma reunião na sexta-feira com a delegação ucraniano e também com elementos europeus.

Na sua mensagem, o Presidente ucraniano criticou porém que, “infelizmente, os sinais reais vindos da Rússia são apenas negativos”.

Zelensky relatou que prosseguem “os ataques nas linhas da frente, os crimes de guerra russos nas zonas fronteiriças”, bem como os bombardeamentos das infra-estruturas energéticas, comentando que “o mundo não pode permanecer em silêncio perante tudo isto”.

Ao mesmo tempo, afirmou que existe um sentimento generalizado de que, após o trabalho que está a ser realizado pela equipa ucraniana nos Estados Unidos, liderada pelo secretário do Conselho de Segurança Nacional, Rustem Umerov, “seria aconselhável realizar consultas num contexto mais alargado” com os parceiros europeus.

A equipa da Universidade Pedagógica de Maputo (UPM) conquistou a medalha de bronze no Campeonato Africano de Voleibol em seniores femininos, após vencer a formação do Spikings Stars do Botswana, por 3-1. Assim, as “pedagogas” voltam a ocupar uma posição de destaque naquela que é a maior competição de voleibol africano a nível de clubes. 

O Reitor da UPM, Jorge Ferrão, considera que esta conquista eleva a instituição e reitera o compromisso de continuar a apoiar as iniciativas do desporto. 

Em uma mensagem dirigida às atletas, equipa técnica e direcção do clube, Ferrão disse que “as nossas meninas voltam ao pódio. Pode não ser o lugar mais alto desta vez, mas continua a ser um lugar nobre, digno e profundamente orgulhoso”, lê-se. 

O Reitor da Universidade Pedagógica de Maputo refere ainda que durante a prova as atletas mostraram raça, disciplina, espírito de equipa e a capacidade rara de superar a tristeza e transformar desafios em conquistas.

“São campeãs no jogo, na atitude e na forma como representam o país e a UPM”, anota Jorge Ferrão.

Moçambique continua a investir pouco na sua própria defesa, apesar de ser um país rico em recursos naturais e cada vez mais exposto a ameaças internas e externas. O alerta foi lançado de forma directa pelo antigo vice-chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, Bertolino Capetini, durante o debate sobre defesa e segurança no âmbito do Diálogo Nacional e Inclusivo. Com base na sua experiência no desenho de estratégias militares do país, o general na reserva traçou um retrato crítico do sector, apontando fragilidades estruturais, decisões estratégicas inconsistentes e uma resposta considerada insuficiente ao terrorismo em Cabo Delgado, num contexto em que a segurança, a economia e a soberania nacional continuam profundamente interligadas.

Foi no espaço do Diálogo Nacional Inclusivo, dedicado às questões de defesa e segurança, que o general na reserva Bertolino Capetini, antigo vice-chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, voltou a falar de forma frontal sobre o terrorismo em Cabo Delgado e sobre aquilo que considera serem fragilidades estruturais profundas do Estado moçambicano em matéria de defesa nacional. Antes mesmo de entrar no dossier do norte do país, Capetini centrou a sua intervenção numa crítica directa ao baixo nível de investimento do Orçamento do Estado no sector da defesa, num país que descreve como rico em recursos naturais, mas vulnerável do ponto de vista da segurança. Para o general, a projecção de que, em 2029, a defesa possa representar cerca de um por cento do orçamento é um sinal preocupante, que compromete a capacidade do Estado de proteger o seu território e os seus cidadãos.

Usando metáforas simples, mas contundentes, Capetini comparou o país a uma casa cheia de bens, mas sem vedação, onde qualquer um pode entrar. Para o antigo responsável militar, a defesa e a economia são dois pilares inseparáveis, e a fragilidade de um compromete inevitavelmente o outro. Na sua leitura, não há investidor sério disposto a aplicar recursos num país que não transmite segurança nem previsibilidade. Referiu, nesse contexto, a retirada temporária de grandes projectos energéticos como um exemplo concreto de como a instabilidade afecta decisões estratégicas de investimento e gera custos elevados para o país.

Capetini defendeu que a consequência directa da fraca aposta financeira na defesa nacional é a utilização de meios inadequados pelas Forças de Defesa e Segurança, o que limita a capacidade de resposta do Estado perante ameaças internas e externas. Questionou escolhas feitas no passado recente, sobretudo no domínio naval e terrestre, argumentando que determinados equipamentos adquiridos não respondem às reais necessidades operacionais do país. Para ilustrar, referiu que alguns meios não têm autonomia nem alcance compatíveis com a dimensão da zona económica exclusiva moçambicana, o que fragiliza a vigilância marítima num país com extensa costa e interesses estratégicos no mar.

Com anos de envolvimento directo na definição de estratégias de defesa, o general foi mais longe ao apontar o que considera ser falta de seriedade na tomada de decisões estratégicas ao mais alto nível. Relatou episódios de encontros regionais no âmbito da cooperação em segurança, em que, segundo descreveu, Moçambique apresentou relatórios excessivamente optimistas sobre a situação interna, contrastando com informações mais duras trazidas por países vizinhos. Para Capetini, essa discrepância fragiliza a credibilidade do país e dificulta uma resposta regional eficaz ao fenómeno do terrorismo.

Ao abordar especificamente Cabo Delgado, o general na reserva afirmou que Moçambique tem reagido de forma tardia, fragmentada e excessivamente reativa ao terrorismo. Defendeu a necessidade urgente de uma estratégia clara, coerente e de longo prazo, sustentada por objectivos bem definidos, meios adequados e uma cadeia de comando funcional. Para Capetini, as Forças Armadas são uma ciência, com componentes terrestre, aérea, naval e logística que devem funcionar de forma integrada, e não como um simples ajuntamento de homens enviados para o teatro de operações sem planeamento adequado.

Na sua intervenção, criticou também a ideia recorrente de que a solução passa apenas por concentrar efectivos em Cabo Delgado, sublinhando que uma força militar eficaz depende de comando, logística, inteligência e coordenação entre níveis estratégico, operacional e táctico. Alertou que decisões tomadas sem compreensão profunda do funcionamento das Forças Armadas acabam por gerar desgaste, ineficiência e riscos acrescidos para os próprios militares no terreno.

Capetini chamou igualmente a atenção para uma dimensão que considera negligenciada: a defesa cibernética. Num contexto em que o Estado aposta cada vez mais na digitalização de serviços, incluindo a cobrança de impostos e a gestão administrativa, o general alertou para os riscos de um sistema vulnerável a ataques informáticos. Defendeu que a segurança nacional já não se limita ao território físico e que um eventual colapso digital pode paralisar o funcionamento do Estado e afectar directamente a vida dos cidadãos.

Outro ponto central da sua intervenção foi a forma como Moçambique encara o seu espaço marítimo. Para Capetini, o país tem tratado o mar com negligência, apesar da sua importância estratégica para a soberania, a economia e a segurança nacional. Defendeu a necessidade de uma autoridade marítima funcional, capaz de articular fiscalização, investigação e resposta rápida a infrações no mar. Sublinhou que outros países da região avançaram nesse domínio, enquanto Moçambique continua a debater modelos institucionais sem implementar soluções eficazes.

O general destacou ainda a importância de investir seriamente na inteligência como ferramenta central no combate ao terrorismo. Na sua análise, cortar as linhas de abastecimento, financiamento e logística dos grupos armados é tão ou mais decisivo do que a resposta militar directa. Referiu que as redes terroristas utilizam meios simples, incluindo plataformas digitais e transferências financeiras, e defendeu um reforço da capacidade nacional para monitorar e neutralizar esses fluxos.

Capetini alertou para o risco de subestimar a capacidade de adaptação dos grupos armados e deixou um aviso claro sobre a necessidade de prevenir ataques fora das zonas tradicionalmente afectadas. Na sua leitura, a segurança não pode ser tratada como um problema distante, restrito a uma província, quando as fragilidades estruturais do Estado podem ter impacto em qualquer ponto do território nacional.

Na mesma intervenção, o general na reserva abordou a questão da atribuição de nacionalidade e documentos moçambicanos a cidadãos estrangeiros, classificando a situação como um risco sério para a segurança nacional. Defendeu maior rigor nos processos de identificação e verificação, sublinhando que falhas nesse domínio podem ter consequências de longo prazo para a soberania do Estado e para o funcionamento das próprias instituições de defesa e segurança.

O encontro, realizado no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo, teve como objectivo recolher contributos técnicos e experiências acumuladas para alimentar o debate sobre reformas estruturais no sector da defesa e segurança. As intervenções, como a de Bertolino Capetini, trouxeram para o centro da discussão temas sensíveis, muitas vezes ausentes do debate público, mas considerados fundamentais para a estabilidade do país.

Num contexto marcado por desafios internos e regionais complexos, a mensagem deixada pelo general na reserva foi clara: sem uma aposta consistente, estratégica e sustentada na defesa, Moçambique continuará vulnerável, independentemente da riqueza dos seus recursos naturais. Para Capetini, a segurança não é um custo, mas uma condição básica para o desenvolvimento, a confiança dos investidores e a própria sobrevivência do Estado enquanto entidade soberana.

+ LIDAS

Siga nos

Galeria