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OIT pode dispensar 120 trabalhadores devido a pagamentos em atraso dos EUA

A administração da Organização Internacional do Trabalho (OIT) vai realizar uma reunião extraordinária em Setembro para analisar um pedido de autorização do director da agência para reduzir 120 postos de trabalho, devido à ausência de contribuições financeiras dos Estados Unidos da América (EUA).

De acordo com o Jornal de Negócios português, este é o único tema previsto para a reunião agendada para 7 de Setembro, segundo o documento com a ordem de trabalhos do encontro da agência da Organização das Nações Unidas (ONU). Tal como outros organismos da ONU, as finanças da OIT estão a ressentir-se dos cortes no financiamento dos EUA.

A agência liderada por Gilbert Houngbo precisa de poupar cerca de 22 milhões de dólares, tendo indicado que já não tem outra forma de reduzir despesa além da relacionada com o pessoal, escreve o Jornal de Negócios.

Os Estados-membros têm de contribuir para o orçamento da OIT, mas os EUA encontram-se com pagamentos em atraso, devendo 173,5 milhões de francos suíços (185 milhões de euros), correspondentes a contribuições relativas a 2024 e 2025.

A contribuição deste ano, de 83,2 milhões de francos suíços (88,7 milhões de euros), ainda não se encontra em incumprimento. No entanto, se for considerada em conjunto com as anteriores, o valor total dos pagamentos pendentes dos EUA totaliza 257,5 milhões de francos (275 milhões de euros).

As contribuições obrigatórias dos Estados Unidos correspondem a 22% do orçamento da OIT. Seguem-se a China (20%), Japão (7%), Alemanha (5,6%) e França (3,8%), enquanto Espanha representa 1,9%, de acordo com o orçamento de receitas para 2026-2027.

A crise no financiamento da OIT acontece nas vésperas da abertura do concurso para o cargo de director-geral. O actual director, Gilbert Houngbo, antigo primeiro-ministro do Togo e responsável máximo da OIT desde 2022, espera ser reeleito em Novembro, tendo como concorrente a vice-presidente e ministra do Trabalho e Economia Social de Espanha, Yolanda Díaz.

O Conselho de Administração da OIT confirmou, na reunião de Junho, que Houngbo deveria proceder à aplicação de “medidas de contingência”, o que implicava levar a cabo um “processo justo e transparente para identificar os cargos suscetíveis de serem suprimidos”, segundo o Jornal de Negócios.

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