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FEMATRO mantém negociações com o Governo sobre o aumento dos preços, numa altura em que os transportadores estão divididos quanto à proposta de incremento de cinco meticais e à reivindicação de 20 meticais.

O preço dos transportes públicos poderá agravar-se a partir de 1 de Novembro, no contexto das negociações entre a Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) e o Governo sobre as compensações aos operadores.

Apesar de ainda não haver uma data definida para o pagamento das compensações, os transportadores continuam divididos quanto à proposta de incremento de cinco meticais nas tarifas. Enquanto uma parte admite aceitar o valor, desde que se mantenha o subsídio atribuído pelo Governo, outros defendem a proposta submetida pela FEMATRO, que prevê um aumento de 20 meticais.

Perante a falta de consenso, a Federação anunciou que vai retomar as negociações com o Executivo, com vista à identificação de uma solução que responda às preocupações dos transportadores e dos passageiros.

A indefinição em torno das compensações e do reajustamento das tarifas surge numa altura em que havia uma tendência de paralisação dos transportes para segunda-feira, 12 de Outubro. Entretanto, a FEMATRO apelou aos operadores para não avançarem com a suspensão das actividades, defendendo a continuidade do diálogo com o Governo.

Segundo a Federação, os transportadores deram um voto de confiança à sua direcção para prosseguir com as negociações. O ponto de situação deverá ser apresentado numa nova reunião, marcada para 26 de Outubro.

A FEMATRO considera que o aumento das tarifas é necessário para garantir a rentabilidade da actividade e melhorar as condições de operação do transporte público no país. A Federação defende que os operadores precisam de receitas suficientes para continuar a prestar serviços e assegurar condições de trabalho adequadas.

Entretanto, o eventual agravamento dos preços poderá representar um encargo adicional para os passageiros, que aguardam por uma solução para o diferendo entre os transportadores e o Governo.

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Cerca de 1200 pessoas, incluindo 500 crianças, fugiram da vila de Mocímboa da Praia, em Cabo Delgado, após uma vaga de ataques em Abril e Maio deste ano. A informação consta no relatório da Agência das Nações Unidas para os Refugiados, publicado esta quinta-feira.

Os deslocados afectados por três ataques, durante os últimos 2 meses,  pertencem a 258 famílias, revela o relatório da Agência das Nações Unidas para os Refugiados.

Entre Abril e Maio de 2026, houve deslocação de  1.200 pessoas, dos quais 466 crianças, 45 mulheres grávidas, 62 idosos e 301 homens, provenientes de 258 famílias afectadas pelos ataques terroristas, na vila de Mocímboa da praia.

O relatório divulgado esta quinta-feira, aponta que a maioria das pessoas abandonou as suas comunidades em busca de segurança, enquanto outras permanecem em trânsito ou escondidas em zonas consideradas mais seguras devido ao receio de novos ataques.

Os testemunhos recolhidos pela agência das Nações Unidas descrevem um cenário de violência marcado por mortes, agressões físicas, saques, destruição de bens e perda dos meios de subsistência. 

Muitos deslocados relataram discriminação nas zonas de acolhimento, segundo a ACNUR. 

Pelo menos nove pessoas deram entrada, este ano, no Hospital Distrital de Mocuba, vítimas de ataques de crocodilos no Rio Licungo, sem registo oficial de óbitos.

Os casos mais frequentes são provenientes dos bairros Samora Machel, nas zonas de Magogodo e Macuia, em Mocuba. O hospital recebe igualmente pacientes oriundos do Baixo Licungo, em Nante, distrito de Maganja da Costa, e do Baixo Lugela, no distrito de Lugela.

O director do Hospital Distrital de Mocuba explicou que os ataques por crocodilos continuam a representar uma séria ameaça para as populações que dependem do rio para as suas actividades diárias.

Entretanto, circulam informações nas comunidades, ainda não confirmadas oficialmente, de que pelo menos duas pessoas terão perdido a vida no mesmo período, vítimas de ataques de crocodilos no Baixo Lugela.

As autoridades apelam à população para redobrar os cuidados ao utilizar as águas do Rio Licungo, sobretudo nas zonas consideradas de maior risco.

Terminou hoje, 5 de junho, no Campo de Treino da Katembe, o Curso Prático Básico de Munições, ministrado às Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), por uma Equipa Móvel de Formação e Aconselhamento (MATT) das Forças Armadas Austríacas, e que contou com o apoio da Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ).

A cerimónia de encerramento do curso foi presidida pelo Comandante da Força da EUMAM MOZ, Comodoro César Pires Correia, e onde estiveram igualmente presentes altas entidades das FADM.

Esta formação especializada foi conduzida por três instrutores da Escola de Logística das Forças Armadas Austríacas, e teve como objetivo desenvolver competências técnicas essenciais numa área crítica para a segurança e eficácia operacional das FADM, nomeadamente o manuseamento, armazenamento e gestão de munições.

Nestas últimas duas semanas, os militares das FADM que concluíram com aproveitamento o Curso Teórico Básico de Munições, realizado em março deste ano, consolidaram os conhecimentos adquiridos em contexto prático e operacional.

Este curso integrou uma abordagem sustentada de capacitação, orientada para dotar as FADM de conhecimentos técnicos e práticos fundamentais, reforçando a sua capacidade de resposta aos atuais e futuros desafios de segurança.

A realização deste curso ministrado pela MATT austríaca constitui mais um exemplo da parceria entre a União Europeia e Moçambique na afirmação da promoção da paz, da segurança e do desenvolvimento de capacidades das FADM.

Relembrando que em agosto de 2024, a Áustria financiou a construção de Depósito de Munições, que visou garantir as condições adequadas de armazenamento e manuseamento de material explosivo e perigoso, no Campo de Treino da Katembe.

A EUMAM MOZ é uma missão não executiva, com mandato até dezembro de 2026, focada no ciclo de formação operacional e na manutenção, prestando aconselhamento, mentoria e formação especializada, de modo a permitir que as FADM se tornem autossuficientes na resposta à insurgência em Cabo Delgado. Esta Missão da União Europeia conta com mais de 80 militares e civis de 12 nacionalidades, incluindo um militar da Áustria.

O movimento xiita libanês, Hezbollah, rejeitou o acordo de cessar-fogo anunciado pelos Estados Unidos entre os governos do Líbano e de Israel e insiste que qualquer entendimento só será possível com a retirada total das forças israelitas do sul do território libanês.

O anúncio norte-americano dava conta de um entendimento entre Beirute e Telavive para a implementação de um cessar-fogo. Entre as condições propostas estava a suspensão dos ataques do Hezbollah e a retirada dos seus combatentes das zonas fronteiriças do sul do Líbano.

No entanto, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou publicamente a proposta, alegando que o grupo não participou nas negociações e que os termos apresentados favorecem os interesses israelitas. 

Qassem classificou o plano como uma ameaça à soberania libanesa e aos direitos da população afectada pela guerra.

Os confrontos entre Israel e o Hezbollah intensificaram-se novamente no início de Março, quando o grupo abriu uma nova frente de combate em apoio ao Irão. Desde então, várias tentativas de cessar-fogo anunciadas por Washington falharam em travar os bombardeamentos e ataques transfronteiriços.

O líder do Hezbollah defende que qualquer acordo deve incluir a retirada das forças israelitas das áreas ,actualmente, ocupadas no sul do Líbano.

O Governo defende a transformação dos recursos minerais e energéticos em instrumentos efectivos de industrialização, criação de emprego e desenvolvimento económico inclusivo.

A posição foi manifestada pelo Ministro dos Recursos Minerais e Energia durante um encontro com o sector privado, no qual destacou que Moçambique dispõe de uma combinação estratégica de recursos energéticos, incluindo gás natural, energia hídrica, carvão, energia solar, eólica e outras fontes renováveis.

Segundo o governante, a existência destes recursos, por si só, não garante energia acessível para a população e para o sector produtivo. Para alcançar esse objectivo, é necessário investir em infra-estruturas de geração, transporte e distribuição de energia, melhorar a eficiência operacional e mobilizar financiamento em condições favoráveis.

O ministro sublinhou que o Governo tem vindo a implementar reformas para aumentar a previsibilidade e atrair investimentos para o sector energético. Entre as medidas destacam-se a aprovação do regulamento sobre atribuição, execução e extinção de concessões de energia eléctrica e o regulamento da Taxa de Acesso Universal à Electricidade.

De acordo com o dirigente, estas iniciativas visam reforçar a transparência, a segurança jurídica e criar condições mais favoráveis para o desenvolvimento sustentável da indústria energética nacional e para a expansão do acesso à energia.

O governante apontou ainda a necessidade de melhorar o aproveitamento das infra-estruturas críticas, como portos, linhas férreas, estradas, sistemas de energia e abastecimento de água, de modo a reduzir custos operacionais e facilitar o acesso de pequenos e médios investidores ao sector.

Na ocasião, defendeu uma maior participação das empresas moçambicanas na cadeia de valor dos projectos de mineração e hidrocarbonetos, através da prestação de serviços de manutenção, logística, transporte, construção, formação profissional e subcontratação industrial.

“O nosso objectivo é que a energia sirva a indústria e que os grandes projectos gerem oportunidades para as empresas moçambicanas, contribuindo para uma economia mais forte, diversificada e inclusiva”, afirmou.

O ministro reiterou que o Governo permanece aberto ao diálogo com o sector privado e considera a CTA um parceiro estratégico para garantir que os recursos minerais e energéticos sejam colocados ao serviço da transformação económica e social de Moçambique.

A crescente onda de sequestros de estudantes voltou a levar centenas de pessoas às ruas da capital nigeriana. Manifestantes concentraram-se em Abuja para exigir a libertação de alunos e professores raptados por grupos armados e cobrar uma resposta mais eficaz das autoridades.

Os protestos foram convocados por organizações da sociedade civil após mais um caso de sequestro em massa numa escola do estado de Oyo. A insegurança continua a afectar várias regiões da Nigéria, onde grupos armados utilizam os raptos como fonte de financiamento através da cobrança de resgates.

Durante a manifestação, activistas denunciaram aquilo que consideram ser uma incapacidade do Governo para proteger a população e travar a acção dos grupos criminosos.

“Chega! Basta de sequestros, basta de assassinatos. Eles nos matam como galinhas. Matam nossos filhos como galinhas. Não somos animais. Somos cidadãos de primeira classe da Nigéria”, apeloi a activista Arije Alao.

Entre os participantes esteve o activista e ex-candidato presidencial que criticou duramente a actuação das forças de segurança e acusou as autoridades de não tratarem a crise com a urgência necessária.

“Estou muito preocupado com as crianças que estão em cativeiro. Soldados que deveriam estar na mata procurando crianças estão aqui protegendo seus opressores, os políticos nigerianos”, disse o ex-candidato presidencial, Omoyele Sowore.

Dados divulgados pelos organizadores indicam que pelo menos 46 estudantes e funcionários foram sequestrados no estado de Oyo no dia 15 de Maio. No mesmo dia, cerca de 42 pessoas também foram raptadas no nordeste do país, incluindo no estado de Borno.

Os manifestantes prometem manter a pressão sobre o Governo até que os reféns sejam libertados e medidas mais eficazes sejam adoptadas para travar uma crise de segurança que continua a afectar milhares de famílias nigerianas.

Um dos sectores mais afectados pela escassez dos combustíveis é o empresarial. Exemplo disso é que no fim de Maio último, mesmo com a aparente estabilização no fornecimento, o sector privado continuou a ressentir-se.

Com a crise instalada, as dificuldades de operação das empresas agravaram-se, uma situação que culminou com a perda da confiança das empresas, tendo estas atingido o nível mais baixo no mês passado desde Novembro do ano de 2016.

“O sector privado moçambicano manteve a tendência de contração em Maio, à medida que as empresas continuaram a enfrentar desafios devido à escassez de combustível no mercado interno”, refere o relatório PMI do Standard Bank.

Com as restrições no abastecimento dos combustíveis diversos, os gastos dos clientes das empresas diminuíram no período em análise, num contexto em que a produção e a cadeia de abastecimento sofriam rupturas em algumas empresas.     

“O ambiente de procura permaneceu difícil para as empresas moçambicanas durante o mês de Maio, com as novas encomendas a diminuírem pelo segundo mês consecutivo, embora a um ritmo moderado”, refere o mais recente relatório.

De acordo com o inquérito feito em mais de 40 países, as empresas apontaram a escassez de combustíveis como um factor que limitou tanto a capacidade das empresas como também o poder de compra dos consumidores ou clientes.

Com a redução significativa das encomendas, a produção das firmas deteriorou-se pela primeira vez desde Janeiro de 2025. Em Maio, os custos de aquisição também aumentaram ao ritmo mais acelerado dos últimos três meses.

O relatório do PMI do Standard Bank mostra ainda que o desempenho da cadeia de abastecimento continuou a deteriorar-se em Maio, principalmente devido à escassez de combustíveis, que ditou os atrasos nas entregas dos fornecedores. 

Embora 24% dos inquiridos tenham antecipado um crescimento da produção ao longo do próximo ano, em comparação com a média de longo prazo de 51%, a maioria dos restantes não prevê qualquer alteração, conclui o relatório.

Fáusio Mussá, economista-chefe do Standard Bank Moçambique, explica o significado do inquérito PMI do Standard Bank Moçambique. Segundo ele, com a pontuação de 49,9, o índice esteve abaixo da marca dos 50 pelo segundo mês.

“Resultados do PMI abaixo do valor de referência de 50 significam uma deterioração mensal consecutiva da saúde da economia do sector privado”, sublinha o economista-chefe do Standard Bank Moçambique.

Os subíndices de produção, novas encomendas e quantidade de aquisições permaneceram abaixo dos 50, afectados pela escassez e reajustes dos preços dos combustíveis e pelas pressões ao mercado cambial.

Diante da situação, Mussá refere que reduziu a procura agregada, e o conflito no Médio Oriente resultou no aumento do preço local dos combustíveis em Maio, o que deverá resultar numa subida da inflação, que foi de 4,4%, em Abril.

Entretanto, o subíndice de emprego manteve-se acima da marca dos 50 desde Junho de 2025, o que pode reflectir alguma recuperação da crise pós-eleitoral e o progresso na fábrica de gás natural liquefeito em Afungi, na Área 1.

“No entanto, o sentimento empresarial deteriorou-se ainda mais, com o subíndice do PMI de expectativas empresariais para o futuro a registar o valor mais baixo de quase uma década”, considera o economista-chefe do banco.

Com a política monetária mais restritiva, a taxa de juro de referência inalterada nos 9,25%, o aumento das reservas obrigatórias em 10 pontos percentuais para 39%, Fáusio Mussa acredita que o custo do dinheiro vai aumentar em breve.

“É provável que se assista a subidas na taxa de juro referência da política monetária, MIMO, no segundo semestre do ano, à medida que aumenta o risco de uma inflação de dois dígitos no curto prazo”, considera Fáusio Mussa.

De acordo com as empresas inquiridas, houve uma nova contracção ligeira da produção em meados do segundo trimestre de 2026. 

“Esta foi a primeira redução mensal consecutiva da produção em quase um ano e meio. Várias empresas referiram que a escassez de combustível tinha limitado a actividade e conduzido a uma redução das vendas aos clientes”, refere a nota.

No que diz respeito a novas encomendas, o índice destas permaneceu ligeiramente abaixo dos 50 em Maio, indicando uma redução nas carteiras de encomendas pelo segundo mês consecutivo.

“Nos casos em que as aquisições de meios de produção sofreram cortes, os membros do painel atribuíram esta situação, sobretudo, a uma redução na aquisição de combustível devido à escassez, assim como a um fraco poder de compra”, aponta o inquérito publicado pelo Standard Bank Moçambique.

Já os stocks de meios de produção mantiveram-se em contracção em Maio, embora a taxa de descida tenha abrandado em relação ao mês anterior. A grande maioria dos inquiridos não observou qualquer alteração nos seus inventários.

Por fim, depois de ter aumentado nos últimos dez meses, as despesas salariais no sector privado mantiveram-se estáveis em Maio, um factor evidenciado pelo Índice de custos com pessoal, que caiu para o ponto neutro, que é 50.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê uma recuperação económica de Moçambique na ordem dos 0,5% em 2026. De acordo com a instituição financeira, a evolução de preços de matérias-primas e a dinâmica de mercados globais terão influência decisiva no desempenho.

Este posicionamento foi apresentado nesta quarta-feira, em Maputo, pelo representante residente do FMI em Moçambique. Olamide Harrison falava numa mesa redonda sobre as Perspectivas Económicas Regionais e os impactos dos choques dos preços dos combustíveis na economia.

O responsável sublinha que as estimativas são baseadas em dados recentes, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O indicador revela um desempenho mais fraco do que o anteriormente previsto, com a taxa de crescimento de 2025 revista para apenas 0,2%.

“Estamos a trabalhar para incorporar a informação mais recente que saiu do Instituto Nacional de Estatística”, afirmou Harrison, acrescentando que o processo de actualização das projecções procura reflectir de forma mais precisa a realidade económica do País.

O crescimento previsto representa uma desaceleração significativa face aos anos anteriores, em que a economia moçambicana chegou a registar crescimentos acima dos 5%.

O abrandamento é associado à redução do dinamismo em vários sectores produtivos, bem como às restrições financeiras e cambiais que continuam a afectar empresas e consumidores. 

Diante do cenário de fragilidade, o FMI considera que existem condições para uma retoma gradual da actividade económica.

“Esperamos um crescimento gradual. Estamos ainda a incorporar vários elementos que influenciam a economia, incluindo a evolução dos preços das matérias-primas nos mercados internacionais”, referiu Harrison e destacou a forte dependência do País por factores externos.

Entre os elementos externos com maior impacto, segundo o Fundo Monetário, estão os preços dos combustíveis, do gás natural e de outras matérias-primas exportadas pelo País, cuja volatilidade continua a influenciar as receitas nacionais e o equilíbrio macroeconómico. 

O Fundo Monetário Internacional alerta que uma trajectória de recuperação dependerá, em grande medida, da estabilidade dos referidos mercados internacionais.

Outro ponto considerado positivo pelo representante do FMI foi a recente retirada de Moçambique da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI), um passo que reforça a confiança dos investidores internacionais.

Harrison reiterou ainda o compromisso do FMI em continuar a apoiar Moçambique em áreas estratégicas, incluindo a gestão das finanças públicas, o fortalecimento da administração tributária, a melhoria da governação económica e o reforço da transparência institucional.

Segundo o FMI, a consolidação da estabilidade macroeconómica e a criação de condições para atrair investimento serão determinantes para transformar a recuperação projectada em ganhos concretos para a economia e melhores condições de vida para a população.

As empresas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) e Aeroportos de Moçambique (ADM) continuam a constituir uma grande fonte de risco para as finanças públicas, revela  o Relatório de Monitoria de Riscos Fiscais 2025 publicado pelo Ministério das Finanças.

De acordo com o documento, as duas empresas “irmãs” beneficiaram-se de um apoio do Estado de aproximadamente 1,5 mil milhões e 0,5 mil milhões de meticais respectivamente no ano passado, o que terá agravado a vulnerabilidade das finanças públicas.

São cerca de 2 mil milhões canalizados às empresas no ano passado, num contexto em que 91% das participações da companhia aérea foram alienadas às empresas Hidroeléctrica de Cahora Bassa, Caminhos de Ferro de Moçambique e Empresa Moçambicana de Seguros.

De acordo com a informação que consta do Relatório de Monitoria de Riscos Fiscais, publicado no portal do Ministério das Finanças, só no ano passado, apesar das iniciativas em curso para melhorar a gestão e a rentabilidade das empresas participadas pelo Estado, algumas instituições continuam a enfrentar dificuldades financeiras significativas.

O relatório foi divulgado num contexto de fortes constrangimentos económicos. Entre os factores apontados pelo Ministério das Finanças estão o abrandamento da actividade económica, as receitas públicas abaixo das previsões, o crescimento da dívida pública e os impactos de fenómenos climáticos extremos que afectaram várias regiões do País.

Os dados do Relatório de Monitoria de Riscos Fiscais mostram ainda que a consolidação financeira das empresas públicas continua a ser um dos principais desafios para a estabilidade das contas públicas. Tal ocorre num momento em que o Governo moçambicano procura reduzir os riscos fiscais e reforçar a sustentabilidade do Sector Empresarial do Estado.

O relatório conclui que “este comportamento sugere a contínua monitoria e um melhor tratamento na programação orçamental, por forma a mitigar os efeitos negativos nas finanças públicas”.

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