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A intensificação dos ataques contra imigrantes na África do Sul começa a produzir efeitos que ultrapassam a esfera social e política, alimentando preocupações quanto ao impacto sobre o ambiente de negócios, a confiança dos investidores e a capacidade da maior economia africana de atrair capital estrangeiro.

Numa conjuntura marcada por crescimento económico moderado, elevado desemprego, limitações fiscais e necessidade de maior investimento privado, analistas alertam que a deterioração do ambiente de segurança pode agravar a percepção de risco do mercado sul-africano.

Segundo a agência Reuters, economistas e analistas de mercado defendem que a sucessão de manifestações e episódios de violência contra cidadãos estrangeiros poderá reduzir o apetite dos investidores internacionais, sobretudo daqueles que avaliam novos projectos de investimento directo estrangeiro no país.

A consultora sul-africana ETM Analytics advertiu, citada pela Reuters, que os protestos contra imigrantes representam “o principal risco de curto prazo” para os mercados financeiros do país. A instituição considera que a evolução da crise poderá influenciar o comportamento do rand, aumentar a volatilidade dos activos financeiros e afectar as expectativas dos agentes económicos.

O receio surge numa altura em que a África do Sul procura recuperar o dinamismo económico. O país continua a enfrentar uma das mais elevadas taxas de desemprego do mundo, crescimento económico inferior ao potencial e uma necessidade crescente de mobilizar investimento privado para expandir a capacidade produtiva, modernizar infra-estruturas e estimular a criação de emprego.

O investimento directo estrangeiro desempenha um papel estratégico neste processo. Além da entrada de capitais, contribui para a transferência de tecnologia, desenvolvimento de competências, aumento da produtividade e integração das empresas sul-africanas nas cadeias globais de valor.

Entretanto, os sucessivos episódios de violência contra comerciantes e trabalhadores estrangeiros podem afectar um dos factores mais valorizados pelos investidores: a previsibilidade do ambiente de negócios.

A própria reputação internacional da África do Sul começa a sofrer desgaste. De acordo com a Reuters, membros do Governo sul-africano reconhecem que os ataques xenófobos podem comprometer a imagem do país, afectar empresas nacionais que operam noutros mercados africanos e reduzir o seu poder de influência económica no continente.

O Presidente Cyril Ramaphosa condenou os actos de violência e afirmou que “não permitiremos que grupos utilizem as legítimas preocupações da população para promover a violência e a ilegalidade”, reiterando que a aplicação das leis migratórias compete exclusivamente às instituições do Estado.

Embora os mercados financeiros ainda não tenham registado uma reacção expressiva, economistas consideram que a persistência da violência poderá reflectir-se no custo do financiamento, no comportamento da moeda sul-africana e nas decisões de investimento de empresas multinacionais.

A preocupação estende-se igualmente ao comércio regional. A África do Sul é o maior parceiro económico de vários países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), incluindo Moçambique. Qualquer deterioração do seu ambiente económico pode repercutir-se sobre o comércio transfronteiriço, os fluxos de investimento, as remessas dos trabalhadores migrantes e a integração económica regional.

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A Organização dos Trabalhadores Moçambicanos apela às partes envolvidas nas negociações sobre o anúncio do encerramento da Mozal para que evitem engrossar ainda mais a estatística de desempregados no país. A organização pondera levar o assunto à arbitragem laboral internacional, em caso de haver medidas que prejudiquem os trabalhadores.

A Mozal anunciou o desligamento completo das máquinas em Moçambique para em Março próximo. Já o Governo garante haver negociações em curso, para salvaguardar o interesse das partes envolvidas. 

Sobre o assunto, a Organização dos Trabalhadores Moçambicanos alerta sobre o impacto negativo na economia, em caso de uma eventual má gestão porque  “pode expor a fragilidade estrutural do nosso modelo econômico, onde há uma nítida dependência de megaprojetos, com escassa integração nacional, ausência de cadeia de valor doméstico e política industrial que confunde incentivos fiscais com o desenvolvimento sustentável”. Alertou  Damião Ezequias Simango, Secretário Geral organização

A efetivar-se o encerramento da empresa, a OTM exige que se salvaguarde direitos adquiridos dos trabalhadores.

“Tanto os trabalhadores da Mozal quanto das empresas subsidiárias não podem deixar de ser protagonistas de produção da riqueza com os direitos adquiridos para integrar estatística de desemprego estrutural acrescido”.

Simango falou no primeiro encontro do Conselho Consultivo de Trabalho, que reuniu trabalhadores, empregadores e o Governo. Na ocasião, a OTM mostrou-se preocupada com o silêncio do governo em relação à sindicalização dos trabalhadores da Função Pública e prometeu assumir “dianteira da luta” dos funcionários do Estado e sendo necessário “levar esta luta à distância de arbitragem internacionais para ver salvaguardados os direitos dos funcionários públicos” Concluiu. 

O Príncipe Aga Khan IV anunciou a disponibilização de um milhão de dólares norte-americanos para reforçar a resposta humanitária às vítimas das cheias que fustigam sobretudo o sul de Moçambique, com enfoque na província de Gaza, uma das regiões mais severamente afectadas.

De acordo com um comunicado, a intervenção de emergência visa “dar prioridade à estabilização dos meios de subsistência, ao apoio rápido à saúde e às intervenções relacionadas com água, saneamento e higiene”, procurando responder às necessidades mais urgentes das populações atingidas.

A ajuda agora mobilizada pretende mitigar constrangimentos críticos na cadeia de fornecimento de medicamentos essenciais, melhorar o acesso à água potável e aos serviços de saneamento, bem como apoiar a distribuição de insumos agrícolas que permitam às famílias retomar a produção de alimentos e reconstruir os seus meios de subsistência.

A implementação do programa será assegurada pela Fundação Aga Khan Moçambique, em estreita coordenação com as autoridades nacionais e parceiros locais, com quem mantém colaboração em diversas áreas de desenvolvimento. O objectivo, segundo a nota, é “acompanhar de perto o impacto directo deste apoio junto das comunidades afectadas”.

Para assegurar a continuidade e rapidez da resposta, realizou-se na manhã desta sexta-feira um encontro de coordenação que reuniu a Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, o representante diplomático da Rede Aga Khan para o Desenvolvimento, Nazim Ahmad, e a directora de Planificação e Cooperação do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Rita de Almeida.

Das 45 toneladas inicialmente disponibilizadas, as últimas 13 toneladas estão a ser distribuídas às populações mais vulneráveis, em coordenação com o INGD e sob o alto patrocínio da Primeira-Dama, cujo Gabinete também se encontra a operar no terreno. Esta fase inclui a entrega de 200 tendas familiares e 500 kits compostos por bens alimentares e produtos de higiene.

Segundo dados oficiais mais recentes, as cheias já afectaram mais de 860 mil pessoas em todo o país, provocando 223 óbitos e mais de 94 mil deslocados. O sector agrícola regista perdas estimadas em 441 mil hectares de culturas, afectando cerca de 365 mil agricultores, o que agrava o risco de insegurança alimentar nas zonas atingidas.

Dezoito adeptos senegaleses foram hoje condenados pela justiça marroquina a penas de prisão que variam entre três meses e um ano, devido aos incidentes violentos na final da Taça das Nações Africanas de futebol (CAN2025).

Os réus foram processados por diversos actos “hooliganismo”, uma acusação que inclui o uso de violência, particularmente contra agentes de autoridade, danos a equipamentos desportivos, invasão de campo e arremesso de objectos, tendo o ministério público marroquino solicitado penas de até dois anos para cada um dos visados.

 A final, disputada em 19 de Janeiro, foi vencida pelo Senegal frente ao anfitrião Marrocos no prolongamento (1-0), graças a um golo de Pape Gueye, com as autoridades marroquinas a estimarem em mais de 450 mil euros os estragos provocados no Estádio Príncipe Moulay Abdellah, em Rabat.

A Confederação Africana de Futebol (CAF) impôs multas pesadas e sanções a ambas as selecções pelas condutas “inapropriadas” de jogadores, técnicos e adeptos, ainda que tenha confirmado o título de campeão da CAN2025 ao Senegal, ao contrário das pretensões de Marrocos.

Em termos monetários, a Federação Senegalesa de Futebol foi condenada ao pagamento de mais de 500 mil euros pelo comportamento inadequado dos seus adeptos e pela conduta antidesportiva dos seus jogadores e equipa técnica.

A congénere marroquina também foi sancionada a nível financeiro, em cerca de metade do valor (mais de 250 mil euros), sofrendo também sanções desportivas.

A CAF sancionou também Pape Thiaw, selecionador senegalês, com cinco jogos de suspensão por incitar os seus jogadores a abandonarem o relvado durante a final.

No início deste mês, Marrocos anunciou que iria recorrer destas sanções, enquanto a federação do Senegal tomou conhecimento das penalizações impostas pela CAF e decidiu não recorrer.

Três funcionários do Hospital Rural de Vilankulo encontram-se detidos na província de Inhambane, indiciados da prática do crime de corrupção activa, num caso que envolve a cobrança ilegal de valores monetários a uma família cujo parente, vítima de acidente de viação, necessitava de uma cirurgia urgente e acabou por perder a vida.

A informação foi confirmada pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) em Inhambane, através do seu porta-voz, Alcéres Cuamba, que explicou que as detenções resultam de mandados de busca e captura emitidos pelo Tribunal Judicial do Distrito de Vilankulo, no âmbito de um processo que se encontra ainda em fase de instrução.

De acordo com o SERNIC, os detidos são três funcionários afectos ao Hospital Rural de Vilankulo, concretamente um técnico de instrumentalização, um técnico superior e um técnico de farmácia geral. Os três são suspeitos de terem exigido o pagamento de cerca de 15 mil meticais para viabilizar uma intervenção cirúrgica a uma paciente internada após um acidente de viação.

“O Serviço Nacional de Investigação Criminal confirma a detenção destes indivíduos, por existirem elementos de prova suficientes que indiciam a prática do tipo legal de crime de corrupção activa”, disse Alcéres Cuamba, sublinhando que a privação da liberdade foi determinada por um juiz, com base nos dados recolhidos durante a investigação preliminar.

Questionado sobre a possibilidade de haver mais detenções, o porta-voz do SERNIC afirmou que o processo ainda decorre e que novas diligências poderão conduzir a outros desenvolvimentos. 

“É a própria investigação que vai ditar se haverá mais envolvidos. Neste momento, o processo encontra-se numa fase sensível e qualquer detalhe adicional poderá comprometer o normal decurso das investigações”, explicou.

Segundo o SERNIC, durante os interrogatórios iniciais os suspeitos alegaram que o dinheiro cobrado à família destinava-se à compra de medicamentos e de algum material médico-cirúrgico necessário para a cirurgia. Contudo, as autoridades consideram essa versão infundada.

“Independentemente da justificação apresentada, a cobrança de valores monetários aos utentes configura crime. Não cabe aos funcionários de saúde exigir pagamentos para a prestação de serviços que devem ser garantidos pelo sistema público”, frisou Alcéres Cuamba,, acrescentando que a responsabilização criminal é inevitável.

O caso tem gerado forte indignação pública, sobretudo por ocorrer num contexto em que os serviços de saúde pública são, em princípio, gratuitos, e numa situação de extrema vulnerabilidade de uma família que procurava salvar a vida de um parente. 

“Entendemos que, se houvesse uma intervenção célere e responsável, talvez não se tivesse chegado ao extremo que todos acompanhámos. O lema deve ser claro: o maior valor é a vida”, afirmou o porta-voz da instituição.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal garantiu que está empenhado em esclarecer o caso com a maior brevidade possível e assegurou que não vai tolerar práticas de extorsão ou corrupção no sector da saúde. Segundo Alcéres Cuamba, há um trabalho contínuo de monitoria nas unidades sanitárias da província, em coordenação com as autoridades de saúde, para identificar e travar esquemas ilícitos.

“Reiteramos aos profissionais de saúde que salvar vidas é uma honra e uma missão. Práticas que mancham esta nobre profissão não serão toleradas. Quem insistir nestes esquemas fraudulentos será responsabilizado criminalmente”, advertiu.

O SERNIC deixou ainda um apelo às famílias e aos utentes do sistema nacional de saúde para denunciarem qualquer tentativa de cobrança ilegal, sublinhando que a aflição e o desespero não devem ser explorados por quem tem o dever legal e moral de cuidar da vida humana.

Pelo menos 38 mineiros morreram, devido à explosão de uma mina  de gás  no estado de Plateau, no centro da Nigéria, segundo a AFP. 

Segundo fontes oficiais, o acidente ocorreu entre 7h30 e 8h da manhã, horário local, em uma mina subterrânea de chumbo no estado de Plateau, região central da Nigéria. Além de pelo menos 38 mortos, 27 pessoas ficaram feridas com gravidade variável. A causa inicial foi identificada como uma explosão de gás dentro da mina.

Ibrahim Dattijo Sani, um mineiro de uma mina próxima, disse à AFP que as vítimas estavam no subsolo da mina onde a explosão ocorreu. 

Um relatório de segurança confidencial, consultado pela AFP, atribuiu a morte dos mineiros ao “envenenamento por monóxido de carbono”.

Kampanin Zurak é um antigo assentamento mineiro no distrito de Wase. Idris disse à AFP que o local da explosão é operado pela Solid Unit Nigeria Limited.

O estado é uma região histórica de mineração, com sua capital, Jos, conhecida como a Cidade do Estanho. Mas as actividades de mineração diminuíram nos últimos anos.

Antes do acidente de 18 de Fevereiro, a Nação da África Ocidental já havia registado inúmeros outros acidentes catastróficos relacionados a minas. Entre eles, um deslizamento de rochas causado por fortes chuvas prolongadas que atingiram uma mina ilegal no estado de Zamfara, no noroeste da Nigéria, em Setembro de 2025, matou pelo menos 18 pessoas.

A primeira prova futebolística provincial vai, finalmente, arrancar neste sábado, na Cidade de Maputo, com a disputa do torneio de abertura, também conhecido como Campeonato da Cidade ou mesmo Liga Jogabets. São 12 equipas que vão corporizar a prova, divididas em duas séries de seis cada, com três jogos por jornada.

É já neste sábado que a bola começa a rolar na Cidade de Maputo, com o arranque da Liga Jogabets, a prova que marca a abertura das competições na capital do País. Trata-se de uma prova que será disputada por 12 equipas, uma redução em duas equipas em relação à prova do ano passado, que foi disputada por 14 equipas.

Vale isto dizer que, das 14 equipas que estiveram em prova na Liga Jogabets, a União Desportiva do Zimpeto e o Ferroviário das Mahotas não vão competir neste ano, com a formação do bairro do Zimpeto a anunciar que não vai disputar nenhuma prova neste ano, enquanto os “locomotivas” das Mahotas ainda não estão preparados para as competições deste ano.

As 12 equipas ficaram divididas em dois grupos de seis equipas cada, com a Série A a ser composta por pelo finalista vencido da edição passada e cabeça-de-série deste ano, o Maxaquene, agora promovido ao Moçambola, juntamente com a Black Bulls, equipa que milita no Moçambola, a Liga Desportiva de Maputo, o Mahafil, o Estrela Vermelha e o Vulcano, todas da segunda divisão.

Por seu turno, a Série B é encabeçada pelo Ferroviário de Maputo, detentor do troféu conquistado ano passado, juntamente com o Costa do Sol, as Águias Especiais, o Ntsondzo, o Desportivo e o Matchedje.

Para o arranque da Liga Jogabets, a Série A terá dois jogos no sábado, com o sensacional embate entre a Liga Desportiva de Maputo e o Maxaquene a abrir, no campo do Costa do Sol, a partir das 14H00.

Trata-se de duas equipas que protagonizaram despiques interessantes no ano passado, quando ambas estavam na segunda divisão.

Ainda no sábado, já no campo do Mahafil, teremos o jogo entre o Mahafil e o Vulcano, enquanto a Black Bulls terá pela frente o Estrela Vermelha de Maputo na tarde de domingo, no relvado dos “canarinhos”.

Pela série B, a tarde de sábado reserva apenas um embate, no campo do Costa do Sol, a partir das 16H00, que vai opor dois antigos clubes do futebol moçambicano, nomeadamente o Costa do Sol e Desportivo Maputo.

Os restantes dois jogos estão previstos para domingo, com o detentor do troféu, Ferroviário de Maputo, a iniciar a defesa do título defrontando o Ntsondzo, equipa que foi sensação na segunda divisão do ano passado, na Cidade de Maputo, em  jogo que terá lugar no campo do Costa do Sol a partir das 14H00, seguindo-se o embate entre o Matchedje e as Águias Especiais.

A prova será disputada em uma única volta, com as duas primeiras equipas melhores classificadas de cada série a apurarem-se às meias-finais, que serão disputadas no sistema cruzado, com o primeiro da série A a defrontar o segundo da série B e o segundo da série A a defrontar o primeiro da série B.

Os vencedores dos jogos das meias-finais disputam o troféu e o prémio de 300 mil meticais, enquanto os derrotados disputam o terceiro lugar.

O Presidente da República,  Daniel Chapo, nomeou, esta quinta-feira, Carlos Manuel Carlos Rodrigues da Costa para o  cargo de Conselheiro do Presidente da República para os  Assuntos Diplomáticos.

Segundo um comunicado da Presidência da República, o nomeado é diplomata de carreira, com a categoria de  Embaixador, e exerceu várias funções no Ministério dos Negócios  Estrangeiros e Cooperação, onde desempenhou, entre outros, os  cargos de Director da Direcção para Integração Regional e  Continental (DIRCO), Director da Comissão Nacional da SADC e  Ponto Focal da SADC. 

Com uma carreira diplomática iniciada em 1989, Carlos Manuel Carlos Rodrigues da Costa  possui vasta experiência no serviço externo do Estado  moçambicano, tendo desempenhado funções em diversas  missões e estruturas estratégicas, com destaque para as  Embaixadas da República de Moçambique na Bélgica e em  França, a Missão Permanente junto da União Europeia, a  Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a  Cultura (UNESCO) e a Missão Permanente da República de  Moçambique junto das Nações Unidas, em Nova Iorque, onde  serviu até à categoria de Embaixador. 

Ministério da Juventude e Desporto, Federação Moçambicana de Futebol e Liga Moçambicana de Futebol, estiveram reunidos esta quinta-feira para encontrar caminhos para a viabilização do Moçambola-2026. Os três órgãos de gestão do desporto, em particular o futebol, mostraram-se confiantes que a prova arranque em Abril, no modelo tradicional de todos contra todos em duas voltas.

O Ministro  da Juventude e Desporto, Caifadine Manasse, recebeu, nesta quinta-feira, no seu gabinete de trabalho, o Presidente da Federação Moçambicana de Futebol, Feizal Sidat, e o Presidente da Liga Moçambicana de Futebol, Alberto Simango Jr., num encontro que contou igualmente com a presença de quadros seniores do Ministério e dirigentes das duas instituições.

A reunião decorreu num ambiente de concertação estratégica e compromisso institucional, tendo como ponto central a criação de condições técnicas, organizativas e logísticas para o arranque efectivo do Moçambola, a principal competição do futebol nacional.

Segundo Alberto Simango Jr., os resultados dos trabalhos realizados pelas comissões conjuntas foram positivos e permitiram ultrapassar constrangimentos anteriormente identificados.

“Do último encontro entre as comissões de trabalho por nós criadas obtivemos avanços significativos. As condições estão reunidas para o arranque do Moçambola”, afirmou.

Por sua vez, Feizal Sidat reafirmou o papel fiscalizador e orientador da Federação:

“Enquanto Federação Moçambicana de Futebol, vamos assegurar o monitoramento rigoroso das competições do Moçambola. Estamos satisfeitos com os entendimentos alcançados entre as equipas técnicas.”

O Ministro da Juventude e Desporto, Caifadine Paulo Manasse, destacou o alinhamento institucional alcançado e saudou esta nova etapa do futebol nacional:

“Como Governo, estamos satisfeitos com os consensos alcançados e saudamos esta nova fase que marca o início do Moçambola. O futebol é um instrumento de unidade nacional e desenvolvimento.”

Com o entendimento consolidado entre Governo, Federação e Liga, o Moçambola prepara-se para arrancar sob o signo da estabilidade, organização e compromisso com a excelência competitiva, renovando a esperança dos adeptos e fortalecendo o desporto nacional.

Recorde-se que o Moçambola-2026 será disputado por 14 equipas, nomeadamente a União Desportiva de Songo, Black Bulls, Ferroviário da Beira, Associação Desportiva de Vilankulo, Ferroviário de Maputo, Ferroviário de Lichinga, Baía de Pemba, Chingale de Tete, Ferroviário de Nampula, Costa do Sol, Ferroviário de Nacala, todos vindos do Moçambola-2025, mais os três recém-promovidos, Associação Desportiva de Pemba, pela zona Norte, Liga Desportiva de Sofala, pela zona Centro, e Maxaquene, que chega em representação da zona Sul.

A temporada 2026 terá início oficial no dia 22 de março, com a disputa da Supertaça Mário Esteves Coluna, que colocará frente a frente a União Desportiva do Songo e a Black Bulls.

Governador considera inaceitável que a província produtora tenha apenas três mil ligações de gás canalizado e anuncia avanços com gás veicular, botijas mais baratas e transporte público a gás

Quinze anos depois do arranque formal da exploração de gás natural em Inhambane, a província continua praticamente à margem dos benefícios directos deste recurso estratégico. O governador provincial reconhece que a situação é preocupante e admite, sem rodeios, que não faz sentido que uma província produtora conte actualmente com apenas cerca de três mil ligações de gás natural canalizado.

“É realmente preocupante. Não faz sentido que, 15 anos depois, Inhambane ainda não sinta na prática os benefícios do gás canalizado”, afirmou o governante, sublinhando que o número de ligações é manifestamente insuficiente face à dimensão da produção de gás na província.

Segundo o governador, estas cerca de três mil ligações resultam de todo um longo período desde o início da exploração, o que evidencia um atraso estrutural na expansão da rede de gás doméstico. Ainda assim, garante que o Executivo Provincial tem vindo a pressionar a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos para acelerar o processo.

Como resultado dessa pressão institucional, está prevista para este ano a realização de cerca de mil novas ligações, concentradas nos três distritos da zona norte da província, actualmente os únicos com cobertura de gás canalizado. “Só este ano vamos fazer quase um terço do que foi feito em mais de uma década”, frisou.

Apesar do avanço, o próprio governador reconhece que o ritmo continua aquém das expectativas da população. Distritos densamente povoados e com forte dinâmica urbana, como Massinga e Maxixe, permanecem fora da rede de gás canalizado, situação que, segundo disse, exige uma articulação mais agressiva e soluções estruturais de médio e longo prazo.

Enquanto a expansão do gás canalizado avança lentamente, o governo provincial aposta noutras soluções para aliviar o custo de vida das famílias. Entre elas está a instalação de pontos de enchimento de gás de cozinha dentro da própria província, o que deverá reduzir significativamente o preço final das botijas.

O governante lembrou que recentemente foi inaugurada uma unidade de produção de gás de cozinha no distrito de Inhassoro e revelou que está em curso um trabalho de advocacia para garantir um ponto de enchimento de botijas em Inhambane. “Isso vai permitir que o gás chegue mais barato à população”, explicou.

Paralelamente ao debate sobre o uso doméstico do gás, Inhambane dá passos decisivos na transição energética no sector dos transportes. O governador lançou a primeira pedra para a construção dos primeiros postos de abastecimento de Gás Natural Veicular (GNV) fora da província de Maputo, um marco histórico para a região sul.

O projecto integra o Programa de Massificação do Uso do Gás Natural Veicular e conta com um investimento global avaliado em cerca de cinco milhões de dólares norte-americanos, financiados com o apoio da multinacional Sasol. Deste montante, aproximadamente quatro milhões de dólares serão aplicados directamente na província de Inhambane.

O investimento inclui a construção de postos de abastecimento, sistemas de gestão e a aquisição de 20 autocarros movidos a gás, que irão operar em rotas urbanas na cidade da Maxixe e em ligações interdistritais, abrangendo quase toda a província.

Segundo o governador, trata-se de uma resposta concreta aos desafios da mobilidade urbana, à escalada dos preços dos combustíveis tradicionais e à necessidade de reduzir emissões poluentes. “O gás natural veicular é uma alternativa limpa, segura e eficiente”, afirmou.

Além do impacto ambiental positivo, o projecto promete reduzir os custos operacionais no sector dos transportes e criar oportunidades de emprego, sobretudo para a juventude. A expectativa é que o uso do gás permita baixar o custo do transporte público, melhorando o acesso da população a serviços essenciais.

Numa primeira fase, os 20 autocarros serão distribuídos pelas rotas municipais da Maxixe e por rotas interdistritais. Distritos como Mabote e Funhalouro ficam, por enquanto, fora do circuito, devido a limitações de acessibilidade, mas o governo garante estar a estudar soluções alternativas.

O governador explicou ainda que a infraestrutura em construção terá capacidade para acomodar até 40 viaturas, o que abre espaço para a expansão futura do projecto, caso se confirme a sua viabilidade económica.

Para o governo provincial, este conjunto de iniciativas representa um esforço para corrigir um desequilíbrio histórico: a produção de gás em Inhambane sem benefícios proporcionais para a população local.

“Somos representantes da população. O que dizemos é aquilo que a população nos diz. E a população quer gás canalizado, quer gás mais barato e quer transporte acessível”, afirmou o governador.

O desafio, reconhece, continua a ser transformar a riqueza energética da província em ganhos reais no quotidiano das famílias. A pressão política, a articulação institucional e a execução eficaz dos projectos serão determinantes para que o gás deixe de ser apenas um recurso explorado em Inhambane e passe a ser, finalmente, um benefício vivido pelos seus habitantes.

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