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Nyusi quer sociedade envolvida na defesa e segurança de Moçambique

O Presidente da República e Comandante-em-Chefe das Forças de Defesa e Segurança diz que o terrorismo, o crime transnacional, a pirataria e o crime cibernético são alguns desafios com que o país se debate e, para os ultrapassar, reitera a sua confiança nas Forças Armadas. Filipe Nyusi apela ao envolvimento da sociedade e que esta compreenda que “os temas de defesa não são exclusividade dos militares”.

O Comandante-em-Chefe das Forças de Defesa e Segurança orientou, hoje, a cerimónia central alusiva ao 56º aniversário do desencadeamento da luta armada de libertação nacional e Dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).

No monumento dos heróis moçambicanos, em Maputo, Filipe Nyusi depositou uma coroa de flores em homenagem àqueles de dedicaram as suas vidas em defesa da pátria.

No evento, foram condecorados 30 cidadãos nacionais, em reconhecimento da sua participação activa na luta de libertação de Moçambique, “bem como do esforço abnegado tendente a valorizar as conquistas da independência nacional, da moçambicanidade e do desenvolvimento”.

No seu discurso de ocasião, Presidente Nyusi começou por lembrar que, depois de cinco séculos de dominação colonial, a 25 de Setembro de 1964 homens e mulheres pegaram em armas e iniciaram a luta armada de libertação nacional, com o objectivo de libertar os moçambicanos e a terra.

“Nesta ocasião em que celebramos o nosso percurso histórico e as conquistas alcançadas por várias gerações de combatentes, dedicamos uma palavra de reconhecimento aos jovens que, neste exacto momento, estão nos teatros operacionais norte e centro do país. Sei dizer que ainda ontem fortemente repeliram um ataque a Bilibiza”, revelou o Chefe de Estado.

De acordo com Filipe Nyusi, perante circunstâncias adversas, os jovens “não vacilam porque estão conscientes da sua missão, que é a de combater o terrorismo, uma versão de guerra diferente das lutas passadas”.

Se no passado as FADM tiveram o desafio de libertar o país do colonialismo português, “hoje, com o advento da globalização, as ameaças são difusas e mais imprevisíveis, o que exige das Forças Armadas de Defesa de Moçambique um elevado nível de flexibilidade e prontidão combativa”, disse o Chefe de Estado.

“O terrorismo, o crime transnacional, a pirataria, o crime cibernético e as missões humanitárias são alguns dos desafios” para os quais “as nossas forças devem também estar preparadas para combater e vencer”, disse Filipe Nyusi, para quem “esta conjuntura adversa requer níveis de coordenação e articulação interinstitucional”.

Para que tal desiderato seja alcançado, há necessidade de desenhar respostas cooperativas e abordagens integradas, combinando as componentes militar e civil, indicou o Comandante-em-Chefe das Forças de Defesa e Segurança, salientando que isso não isenta as FADM do seu papel de defender a pátria, a integridade territorial e a manutenção da paz.

“Os ataques terroristas, em alguns distritos de Cabo Delgado, assim como os ataques na zona centro do país, protagonizados pela auto-intitulada Junta Militar da Renamo, constituem clara afronta à independência nacional, à integridade territorial e à paz que o povo moçambicano conquistou com muito sacrifício”, considerou Presidente Nyusi.

Num país como Moçambique, onde as necessidades são imensas, poderia parecer tentadora a ideia de que a modernização e o redimensionamento das Força Armadas constitui um esforço em vão, prejudicial ao investimento e a outros sectores prioritários, afirmou o Chefe de Estado e fez o seguinte reparo: “este é um equívoco que deve ser desconstruído. O correcto é não considerar a defesa e segurança como elementos menores na agenda de desenvolvimento. E a situação tem estado a provar esta realidade”.

É importante, segundo Filipe Nyusi, que os moçambicanos, independentemente da sua crença religiosa, grau de instrução, opção política ou posição social entendam a importância do seu engajamento nos assuntos relacionados com a Defesa.

“A sociedade precisa de compreender que os temas de defesa não são exclusividade dos militares. A defesa nacional é um assunto que a todos deve mobilizar. As nossas Forças Armadas merecem ainda que o poder político, todo ele solidariamente, reconheça a importância da missão que elas desempenham. É fundamental que todos sejamos solidários quando abordamos questões relacionadas com os objectivos que as nossas forças armadas prosseguem na alocação de meios e recursos (…)”.

“Temos consciência de que os tempos são de escassez de recursos, que graves problemas sociais requerem meios com prioridade e que as sociedades em crise ou com maiores desigualdades têm mais dificuldades em entender a importância crucial das Forças Armadas. Não obstante, é importante dignificar, reforçar e conferir maiores capacidades de afirmação das Forças Armadas, pois foram elas que abriram o caminho para a independência nacional, defesa da democracia e souberam aceitar o primado da vontade popular”, explicou Nyusi.

São as Forças Armadas que em quaisquer circunstâncias e em cada palmo do território nacional estão permanentemente mobilizadas para defender os valores essenciais de Moçambique, disse o Comandante-em-Chefe das Forças de Defesa e Segurança, reiterando o seu compromisso de se “manter aberto ao diálogo e disposto a agregar todas as forças vivas”, que desejam “contribuir para a afirmação do grande destino que estamos a construir”.

Para esse propósito, Nyusi disse que conta com “a dedicação do Exército, da Marinha de Guerra de Moçambique e da Força Aérea de Moçambique”.

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