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Mulheres usadas no apoio logístico ao terrorismo em Cabo Delgado

O envolvimento de mulheres no apoio logístico a grupos terroristas tem sido uma das dinâmicas identificadas nas investigações em curso em algumas zonas da província de Cabo Delgado.

Segundo o Procurador da República, em determinados casos, as mulheres são recrutadas  ou aliciadas para desempenhar tarefas de suporte aos grupos armados, incluindo a aquisição e entrega de produtos essenciais como alimentos, medicamentos e outros bens de primeira necessidade. 

“Em Mocímboa da Praia, por exemplo, foi identificado um caso em que uma mulher adquiria regularmente produtos alimentares e assegurava a sua entrega a elementos terroristas, mantendo contacto directo com um membro do grupo para coordenação das operações”.

Américo Letela explicou que “este tipo de participação integra-se num quadro mais amplo de sustentação logística e financeira do terrorismo, que continua a representar um dos principais desafios à segurança nacional”. 

Letela avançou ainda que as redes terroristas recorrem a diversos mecanismos de financiamento, incluindo extorsão em estradas, instalação de barricadas em vias que ligam distritos e postos administrativos, saques de bens e, em alguns casos, a queima de viaturas, de forma a obrigar os civis a pagarem valores monetários para prosseguir viagem.

No período em análise, 2025, foram registados 32 processos de terrorismo, contra 26 do período anterior, o que representa um aumento de 23,1%. A estes juntam-se 87 processos transitados, totalizando 119, dos quais 31 foram concluídos, sendo 13 por acusação e 18 por arquivamento.

Paralelamente, os processos relacionados com o financiamento do terrorismo também registaram aumento, tendo passado de 15 para 21, o que corresponde a um crescimento de 40%. 

As autoridades indicam ainda que, no decurso das investigações, foi apreendido um montante de 237 291 Meticais destinado ao apoio logístico dos grupos terroristas.

Apesar dos esforços em curso, a investigação destes crimes, disse, continua a enfrentar desafios significativos, sobretudo devido ao acesso limitado às zonas afectadas, à natureza de guerrilha das operações e à dispersão de vítimas e testemunhas por várias regiões dentro e fora da província.

Perante este cenário, o Procurador-Geral defende o reforço da coordenação interinstitucional, a melhoria da partilha de informação estratégica e a formação especializada dos agentes envolvidos na investigação criminal, de modo a garantir maior eficácia na produção de prova e responsabilização dos autores dos crimes.

Está igualmente em implementação a Estratégia Nacional de Prevenção e Combate ao Terrorismo e Extremismo Violento, que prevê o reforço da coordenação entre instituições, prevenção da radicalização e combate ao financiamento. Neste âmbito, foi criado o Centro Nacional de Prevenção e Combate ao Terrorismo e Extremismo Violento, que visa unificar a resposta do Estado a este fenómeno.

As autoridades sublinham ainda a necessidade de se avançar para soluções estruturais, incluindo mecanismos de desradicalização e reinserção social de indivíduos envolvidos em actividades terroristas, como forma de complementar as respostas penais e reforçar a prevenção a longo prazo.

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