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Mina dos Seis Carros continua activa apesar da ordem da paralização

As actividades de extracção de ouro continuam na mina de Seis Carros, apesar da recente visita do Ministro da Defesa Nacional e do Secretário de Estado de Minas, que ordenaram a paralisação imediata das operações mineiras naquela região da província de Manica. Mineradores artesanais afirmam que a Polícia da República de Moçambique, destacada para proibir a actividade, acaba por autorizar a mineração em troca de valores monetários.

No passado dia 12 de Janeiro, durante a visita à mina de Seis Carros, o Secretário de Estado de Minas foi confrontado com informações de que, apesar da proibição em vigor, as actividades mineiras continuavam no local, com o alegado apadrinhamento da Polícia da República de Moçambique, num esquema marcado por práticas corruptas.

A denúncia foi feita por Sebastião Ngoera, garimpeiro, que refere que é em troca de valores monetários que tal ocorre.

“Não estou a enfrentar a polícia, não. Estou a falar do negócio já. Eu não tenho dinheiro. Quando alguém vem, com o telefone dele, para aí, com o táxi dele, está aí e manda para o chefe e diz que quer entrar e os polícias autorizam e podem meter mesmo 10 homens”, denuncia.

Duas semanas depois da denúncia, a equipa de reportagem do O País regressou à mina de Seis Carros e a constatação é a mesma, segundo denunciaram os garimpeiros, frustrados com a atitude dos agentes da PRM.

“A polícia aqui está demais. Estão a mandar entrar pessoas e depois a cobram algum valor”, denunciou um garimpeiro, secundado por outra garimpeira que refere que “a polícia fecha para nós e eles é que entram para trabalhar”. 

Outro garimpeiro diz que os agentes da Polícia arranjam um grupo de pessoas que metem na mina durante a noite, para trabalharem.

O Ministro da Defesa Nacional e o Comandante-Geral da Polícia também escalaram a mina de Seis Carros na semana passada, apelando à paralisação das actividades devido aos riscos que estas representam.

E porque a alegada desobediência parte dos próprios agentes da PRM, uma das garimpeiras pede a intervenção do Ministro do Interior. “Queremos que o Ministro do Interior venha nos resolver. Queremos uma reunião com o Ministro do Interior para ele poder nos dizer onde é que nós podemos ir. É uma atitude reprovável”, queixa-se.

O jurista Francisco Massambo considera que é o momento de a Procuradoria-Geral da República agir, de modo a responsabilizar os agentes da Polícia da República de Moçambique implicados no caso.

“É espaço suficiente para que o Ministério Público, através do Gabinete de Combate à Corrupção, possa prestar um pouco mais de atenção em relação a esse tipo de actuação, bem como a execução dos crimes difusos e interesses colectivos. Também deve fazer algum trabalho no sentido de fiscalizar um pouco mais a actuação destes agentes da ordem de segurança pública”, referiu.

Por outro lado, Massambo alerta que o decreto que proíbe as actividades mineiras já se encontra fora do prazo, e estranha o silêncio do Governo quanto aos passos subsequentes a serem tomados.

“O prazo de 90 dias de suspensão da actividade é prorrogável, mas só é prorrogável se houver uma determinação por escrito, depois do relatório da Comissão Inter-Ministerial, que determina a necessidade de prorrogar esse prazo e para que finalidade. Ora, se o Governo estabeleceu uma medida que deve ser aplicada, que é uma medida de suspensão num prazo de 90 dias, esse prazo já se encontra largamente expirado, não faz sentido que o Governo permaneça no silêncio”, denuncia, acrescentando ainda que “é também estranho que o Governo permaneça no silêncio e deixe que o país esteja numa situação quase de ilegalidade”.

As denúncias referem ainda que a PRM estaria a autorizar a mineração na mina de Seis Carros mediante o pagamento de valores que revertem directamente para os seus bolsos.

 

PRM refuta alegações de práticas corruptas na mina dos Seis Carros

A Polícia da República de Moçambique em Manica diz estar a investigar o envolvimento dos seus membros em práticas corruptas na mina de Seis Carros, as quais consistem na facilitação da mineração mediante pagamento de valores monetários. A corporação, através do seu porta-voz, Mouzinho Manasse, diz que a confirmar-se a suspeita, os agentes implicados serão responsabilizados disciplinar e criminalmente.

“Tomamos este reconhecimento através da STV, no Jornal da Noite ontem (segunda-feira), mas logo de imediato foi criada uma equipe multissectorial, equipa de gestos que compõe o controle da actividade mineira, para se fazerem ao campo e aferirem à veracidade desta informação. Temos aqui a informar que este comportamento não é digno de um agente da PRM. A ser verdade, estes serão responsabilizados criminalmente e processados disciplinarmente”, disse.

Relativamente a relatos de mortes e assassinatos que têm acontecido no campo de mineração, o porta-voz da PRM diz não ter números exactos, mas não confirma a existência de assassinatos.

“A informação que chega através dos órgãos de comunicação social, através das denúncias que têm aparecido do campo de mineração, é de desabamento de terras e os mineiros acabam ficando soterrados. Registros como casos de assassinatos naquele local a polícia não tem”, destacou.

Mouzinho Manasse apelou ainda para que os garimpeiros denunciem actos de corrupção envolvendo agentes da corporação. “Queremos ainda deixar ficar aqui o nosso apelo, se é que existem garimpeiros que estão a trabalhar na calada da noite, sob autorização de alguns membros que estão lá para garantir que eles não trabalhem, queremos apelar a eles a fazerem a denúncia, porque nós não permitimos que actos do gênero aconteçam”, anunciou.

O porta-voz da PRM terminou referindo que os membros que se encontram naquele local foram destacados para garantir com que a actividade mineira seja paralisada na totalidade, não para facilitar com que haja actividade clandestina.

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