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Viagem de Mapai para Pafuri: uma verdadeira tortura!

Viajar, via terrestre, do distrito de Mapai para a localidade de Pafuri, em Chicualacuala é sinónimo de desgaste e sofrimento. Além das vias de acesso degradadas, a travessia no rio Limpopo é feita através de um batelão artesanal que funciona de forma manual. Isto é, as viaturas são transportadas de uma margem para outra através da força da correnteza e da força humana.

Chegar ao posto administrativo de Pafuri, no distrito de Chicualacuala, através de Mapai, é um verdadeiro martírio. A única maneira para lá chegar é desafiando o medo e atravessar o Rio Limpopo através de uma embarcação manual. A ideia da construção da embarcação efectivou-se em 2009, através de um pequeno empresário local. A partir daí, a travessia de viaturas, pessoas e bens é feita através do batelão por ele construído.

Nela, trabalham seis homens que são responsáveis por direccionar os condutores das viaturas no momento da sua entrada na embarcação e na “condução” das mesmas através de bastões que permitem a saída de uma margem para outra. Para cada viagem, que dura, em média, dois minutos (devido à redução do caudal do rio) só pode entrar uma viatura de tamanho das consideradas ligeiras.

A nossa reportagem esteve na comitiva que ia até à zona de Salane para cobrir a inauguração, pelo Presidente da República, da vila de reassentamento das populações que foram retiradas do interior do Parque Nacional do Limpopo. Boa parte da delegação, que esteve na vila de Salane para fazer a cobertura da inauguração da vila, viajou via terreste, mas o que poucos sabiam é que o cenário seria aquele. Parte das equipas de jornalistas e pessoal de apoio chegou ao rio Limpopo por volta da meia-noite da última terça-feira; depois de ter passado por várias vias acidentadas, poucos imaginavam que o cenário naquele rio era aquele.

Por lá, apenas carros com tração é que passam. Trata-se de um risco que, segundo aqueles transportadores, é lucrativo e permite o sustento das suas famílias. “O fluxo depende dos dias. Podemos transportar 30 carros por dia ou mais… depende da demanda”, revelou o chefe do grupo, tendo, depois, esclarecido que “o preço varia do volume da água no rio, podem ser 500 meticais, 1000 ou 1.500 meticais; dependemos do caudal do rio, não temos um preço único. Com esse dinheiro, conseguimos alimentar a nossa família”, destacou.

Pela contabilização que a nossa equipa de reportagem fez, passaram, entre terça-feira e quarta-feira, não menos que 50 viaturas, que fizeram o movimento de ida e volta, o que quer dizer que aqueles homens podem ter feito mais de 150 mil meticais.

PR GARANTE SOLUÇÃO PARA BREVE

Antes de chegar a Chicualacuala, para orientar a cerimónia, o Presidente da República soube da situação e chegou ao distrito precavido. “Soubemos que uma das aflições que as populações têm é a questão da ponte sobre o rio Limpopo. Por isso que, de emergência, convidei o ministro das Obras Públicas para que possamos arranjar uma solução para este constrangimento”, esperançou Filipe Nyusi, tendo, depois, sido secundado por João Machatine, que garantiu que os trabalhos irão arrancar ainda este ano.

“Teremos uma ponte convencional no Rio Limpopo para que esta população atravesse com segurança. Trata-se de um rio com um leito de quase 400 metros. Iremos fazer uma intervenção híbrida com aterros e aquedutos e, depois, construir uma ponte convencional com betão armado. Neste momento, já estão destacadas as equipas que estão a fazer o levantamento das necessidades. Ainda não é um trabalho conclusivo, porque ainda há água no rio. Temos que saber que tipo de solo é, para sabermos que tipo de material usar”, detalhou o ministro.

 

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