Manifestantes na África do Sul deram até 30 de Setembro aos imigrantes em situação irregular para abandonarem o país, ameaçando realizar protestos de maior dimensão caso as suas exigências não sejam atendidas.
Os protestos semanais têm continuado na cidade de Durban, onde o movimento March and March ganhou força nos últimos meses. O líder do movimento, Sphelele Shinga, estima que até 1,5 milhão de pessoas possam participar na próxima grande manifestação.
Shinga afirmou que os activistas pretendem realizar uma mobilização de grande dimensão no dia 30 de Setembro, para exigir a saída dos imigrantes sem documentos da África do Sul.
“Todas as comunidades estão a reunir-se novamente. Estão a despertar, a defender as suas casas e o seu país”, afirmou o líder do movimento.
Entretanto, o grupo decidiu alterar a data da manifestação devido a preocupações relacionadas com a segurança, depois de vários meses de protestos nas ruas.
A situação tem também afectado refugiados que permanecem nas ruas enquanto aguardam pela verificação da sua documentação. Uma refugiada ganesa, Princesa Adjei, afirmou que a situação se tornou insustentável.
“Não podemos continuar a dormir nas ruas para sempre. Pessoas já morreram por dormirem na rua”, disse Adjei, acrescentando que o grupo aguardava por autocarros enquanto os seus documentos eram verificados.
Durante a manifestação, activistas pela paz, entre os quais Ela Gandhi, permaneceram ao lado dos refugiados. A antiga deputada e neta de Mahatma Gandhi criticou a retórica adoptada pelos manifestantes contra os imigrantes.
Para Ela Gandhi, as acusações de que os migrantes são responsáveis pelos principais problemas enfrentados pela África do Sul são infundadas.
“A retórica que essas pessoas estão a usar é completamente falsa. Não são os migrantes que estão a causar os problemas de que falam”, afirmou.
O prazo estabelecido para 30 de Setembro aumenta, assim, o risco de novas manifestações de grande dimensão em Durban, num contexto de crescente tensão em torno da imigração e da permanência de estrangeiros em situação irregular no país.