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Malária matou 42 pessoas no ano passado em Sofala

A província de Sofala registou, no ano passado, um aumento preocupante de casos e mortes por malária. Dados oficiais indicam cerca  de 1150 infecções contra 862 mil em 2024, e o número de óbitos subiu de 12 para 42, entre eles 15 crianças menores de cinco anos. Os distritos de Muanza, Gorongosa e Chibabava lideram a lista.

A malária continua a provocar constrangimentos no sistema nacional de saúde, numa situação em que existe cura, mas é negligenciada – uma razão para o governador de Sofala deixar questionamentos sobre os motivos pelos quais a doença continua a dizimar vidas, num contexto de possibilidade de evitar essas mortes.

“Por que é que uma doença que pode ser prevenida e tem cura continua a afectar milhões de pessoas e causar milhares de mortes em todo o mundo, incluindo o nosso país e, de modo particular, na nossa província?”, questiona Lourenço Bulha.

Esta questão foi colocada pelo governador de Sofala no III Fórum Provincial sobre Malária, com Bulha a apontar algumas razões para que o cenário continue alarmante no País, no geral, e naquela província do Centro, em particular.

“A existência de vários locais propícios para a multiplicação do mosquito, transmissor da malária, nos nossos quintais, comunidades, vilas e cidades, através do capim, águas paradas, lixo, mal gerido e outros. A existência constante e permanente do mosquito nas casas e nas comunidades leva à naturalização de todos nós com a doença”, disse.

Lourenço Bulha diz que a situação leva as populações a acreditarem que a malária faz parte do seu ciclo de vida e do seu cotidiano, “que é normal ter a doença para depois recebermos o tratamento e a cura”.

O governador de Sofala apontou, por outro lado, o mau uso de meios de prevenção da doença, destacando que, em algumas famílias, “a prioridade para o uso da rede mosquiteira é para o chefe de família, em detrimento das mulheres grávidas e crianças”, para além de serem utilizadas “de forma imprópria para pesca ou para cobertura de viveiros”.

Os aspectos negativos ora citados no combate à malária, de acordo com Lourenço Bulha, mostram que as intervenções para o controlo da epidemia devem ser complementadas com outras actividades, destacando “a melhoria da gestão ambiental, a mudança social e de comportamento e o desenvolvimento socioeconómico”.

O principal objectivo do III Fórum Provincial sobre Malária é encontrar soluções para fazer face à doença, onde a prevalência em crianças é de 33 por cento. Só no ano passado, dados das autoridades sanitárias de Sofala revelaram que cerca de 1150 foram infectadas pela malária, contra 862 mil, em 2024, e os óbitos subiram de 12 para 42, entre eles 15 crianças menores de cinco anos.

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