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Mais Integridade recusa-se a entregar actas e editais ao Conselho Constitucional

foto: O País

O consórcio eleitoral entende que, ao colaborar com o Conselho Constitucional, estaria a validar uma fraude eleitoral, uma vez que, segundo afirma, os editais e actas recolhidos nas mesas de voto já tinham sido falsificados. Por essa razão, recusa-se a disponibilizar ao órgão as actas e editais sob a sua posse.

Num despacho datado de 04 de Dezembro, o Conselho Constitucional solicitou  actas e editais ao Consórcio Eleitoral Mais Integridade, tendo em vista a validação dos resultados das eleições gerais, realizadas no dia 9 de Outubro deste ano. “Este órgão (…) solicita à vossa Instituição, Mais Integridade, que se digne a remeter as actas e os editais das mesas em vosso poder”, diz o documento.

O Conselho Constitucional deu um prazo de 5 dias para o efeito, ou seja, o consórcio Mais Integridade devia apresentar os documentos até esta segunda-feira, dia 09 de Dezembro. 

Sucede, porém, que, findo o prazo, o consórcio não mandou os documentos, mas uma resposta alegando que não poderia apresentar as actas e editais em sua posse porque eram falsos.

“Houve tanta fraude que os resultados que constam do edital,(…) grande parte dos editais são fraudulentos. Eu, Edson Cortez, estive em Nampula e vi a contagem que dava vitória ao candidato presidencial Venâncio Mondlane, em várias urnas e, no dia em que fui ver os editais, os resultados davam vitória a Daniel Chapo e à Frelimo”, explicou o representante do consórcio.

O consórcio diz que gostaria de ajudar o Conselho Constitucional, mas não quer colaborar para o que chama de fraude eleitoral.

“Tendo em conta todos os editais que recolhemos (…) Não vamos ser coniventes e dar editais que podem conduzir ao erro o próprio Conselho Constitucional. Por via desse facto, dissemos ao Conselho Constitucional que todos os editais que nós temos são fraudulentos e, por isso, fizemos como Pôncio Pilatos, lavámos as mãos”, avançou Edson Cortez.

A plataforma de observação eleitoral disse, antes disso, que o pedido do Conselho Constitucional era muito estranho,“visto que, no ano passado, aquando das eleições autárquicas, o Mais Integridade, de livre vontade, cedeu editais das eleições da Cidades de Maputo e Matola, que deram vitória ao candidato da Renamo, e o Conselho Constitucional simplesmente ignorou, tudo compilado e bem organizado, porque fizemos uma contagem paralela”, detalhou Cortez.

Edson Cortez entende que o pedido do Conselho Constitucional pode ser uma estratégia para usar o consórcio para dar credibilidade aos resultados que promulgar. Contudo, reitera disponibilidade para relatar tudo o que viu no terreno.

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