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Joaquim Chissano distinguido como Doutor Honoris Causa pela UJC

O antigo Presidente da República de Moçambique, Joaquim Alberto Chissano, foi, nesta quinta-feira, homenageado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Joaquim Chissano (UJC), em reconhecimento ao seu percurso destacado na diplomacia, resolução de conflitos, pacificação e desenvolvimento económico e social, tanto a nível nacional como internacional. 

A cerimónia decorreu na Cidade de Maputo e reuniu académicos, estudantes, diplomatas e diversas personalidades políticas.

Na abertura do evento, o reitor da Universidade destacou o mérito histórico e a relevância do legado de Chissano. “A atribuição deste título honorífico reconhece o percurso meritório de Sua Excelência na diplomacia, na resolução de conflitos, na pacificação e no desenvolvimento económico e social na arena nacional e internacional”, afirmou João de Barros, reitor da Universidade Joaquim Chissano.

O reitor lembrou que Chissano, ao longo da sua carreira, lutou diplomaticamente pela independência do país e, com humildade e sabedoria, negociou a paz que pôs fim a 16 anos de guerra, além de desenhar a matriz democrática que ainda hoje guia os passos do país.

“Excelência Joaquim Alberto Chissano, na nossa memória histórica fica registado em letras douradas que a vossa luta pela liberdade, pelos direitos humanos e pelo desenvolvimento humano transcende o nosso país. Subjectivamente distinguido no estrangeiro, sois um exemplo a seguir pelas gerações vindouras”, afirmou o reitor.

Chissano partilha quatro lições da diplomacia moçambicana

Na sua intervenção, o antigo Presidente apresentou quatro lições fundamentais retiradas da sua experiência na diplomacia e na política externa de Moçambique.

A primeira lição, segundo Chissano, é “a necessidade de uma definição clara e formal da orientação política que os nossos diplomatas devem seguir”. Ele salientou que, tendo já definido esse quadro, o país deve, agora, avançar para a implementação efectiva desse comando orientador.

A segunda lição é a importância de que, para a defesa do interesse nacional, os moçambicanos serão sempre a melhor opção. “Embora em certas ocasiões possamos contar com o apoio de parceiros de cooperação, são os quadros nacionais devidamente treinados, competentes e comprometidos com a causa nacional que farão a diferença. O melhor de Moçambique são os próprios moçambicanos, sobretudo quando estão capacitados”, afirmou.

A terceira lição está relacionada com a actuação internacional. Chissano defendeu que Moçambique deve manter um espírito de portas abertas para a cooperação com todos os países, independentemente da sua linha política ou ideológica, evitando envolver-se em conflitos que não lhe dizem respeito. “Uma diplomacia mais amiga de todos tem melhores chances de nos permitir navegar num mundo incerto. Não nos esqueçamos que somos todos interdependentes. Queremos independência para sermos interdependentes”, destacou.

Por fim, a quarta lição enfatiza a necessidade de colaboração e envolvimento da sociedade. “Nem sempre o diplomata consegue sozinho resolver os seus problemas. É preciso identificar certos atores-chave fora da esfera política, engajar o sector privado, as artes, a cultura, as instituições religiosas e a sociedade civil em geral”, disse Chissano.

O antigo Presidente da República sublinhou também a importância da diáspora moçambicana e de “injetar sangue novo nos corredores da nossa diplomacia”, preparando as novas gerações para desafios globais cada vez mais complexos.

Na qualidade de padrinho da cerimónia, Jorge Ferrão destacou que Chissano se elevou com mérito ao título de mentor da paz e da reconciliação. “Ele instituiu a paz e a reconciliação como paradigma e prática, inaugurando uma nova era e uma nova história de Moçambique, ao pôr termo ao período de 16 anos de violência militar entre irmãos moçambicanos”, afirmou Jorge Ferrão.

A distinção reforça o reconhecimento nacional ao papel central de Joaquim Chissano na construção da paz, na estabilidade política e no desenvolvimento do país, bem como o seu prestígio internacional como exemplo de diplomacia eficaz e de compromisso com os valores democráticos e humanitários.

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