A zona baixa da cidade de Xai-Xai já foi tomada por águas que já inundaram boa parte da urbe. As autoridades municipais estimam que mais de 15 mil famílias venham a ser afectadas. A PRM está a retirar compulsivamente os que ainda tendem a permanecer em zonas de risco.
As águas invadem os bairros da zona baixa da cidade de Xai-Xai desde a noite de domingo, e quem não conseguiu sair a tempo procura agora abandonar as zonas de risco nestas condições.
Sem tempo e em debandada, homens, mulheres e crianças procuram caminhos já submersos, onde as vias deixaram de ser visíveis.
“Saímos da nossa zona por causa da água. Não sei se eles lá tiveram alerta ou não, porque eu estou na zona alta e só fui lá buscar a minha família. A situação naquelas zonas baixas não é boa porque já começou a entrar muita água nas casas”, contou uma das cidadãs que viu a casa dos seus familiares inundada.
A Polícia da República de Moçambique foi mobilizada para estar nas ruas e ajudar na retirada das pessoas, num processo que tem estado a ser compulsivo, segundo o Comandante Provincial de Gaza, que confirma que houve uma primeira fase de sensibilização para abandono voluntário.
“Sensibilizamos as comunidades numa primeira fase da retirada das comunidades dos seus bairros. Quer o cidadão comum quer os comerciantes foram sensibilizados a retirar as mercadorias dos seus estabelecimentos, mas o que percebemos é que esses persistiram a abrir o comércio até a última hora, até o último momento da entrada da água e alguns inclusive metendo alguns camiões com alguma carga de mercadoria. Então a consequência foi aquela”, confirmou Momad Made, Comandante Provincial da PRM em Gaza.
Na zona baixa da cidade de Xai-Xai, com mais de 15 mil famílias, a situação é bastante crítica, o que faz com que a mesma passe de alerta para a realidade uma vez que as águas inundaram quase a metade da cidade, e o trabalho que é feito actualmente é evacuar as pessoas para a zona alta.
As autoridades municipais trabalham na localização e no resgate das pessoas que necessitam de maior assistência, sendo que maior número da população tem se deslocado para suas residências ou dos seus familiares, nas zonas altas e seguras.
“Neste momento temos um centro lá em cima onde algumas pessoas têm suas casas na zona alta porque já tivemos duas vezes cheia e foram dados talhões, construíram suas casas e muitas das pessoas que estamos a tirar da cidade estão a ir para as suas próprias residências e na casa de familiares”, revelou Ossimane Adamo, edil de Xai-Xai.
O dirigente afirma haver prontidão para a abertura de novos centros, caso haja necessidade. “Temos um centro que ainda não temos necessidade de levar as pessoas para esse centro, mas estamos prontos para levar as pessoas para lá, caso haja necessidade”, confirmou.
Em termos de assistência aos afectados, nomeadamente no que diz respeito aos produtos alimentares, Ossimane Adamo diz que o município está em coordenação com a INGD para garantir que todos sejam assistidos.
“O INGD tem mantimentos para os primeiros socorros daquelas populações, em termos de material de higiene, comida e outros materiais”, anunciou, revelando ainda que os bairros mais críticos e que necessitaram de uma retirada compulsiva foram Malhangalene, Xitinine, bairro A, bairro B, bairro 12, bairro 1 e bairro 2, bem como uma parte do centro da cidade.
Em algumas zonas com acesso, as autoridades estão a mobilizar saídas com recurso a autocarros. Em Xai-Xai está cortada a ligação com outros pontos da província, casos de Macia e outros distritos.

