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O País – A verdade como notícia

O ainda Presidente do Zimbabwe Robert Mugabe fez uma aparição pública na manhã de hoje, a primeira desde que as forças militares tomaram controlo na madrugada de quarta-feira. Mugabe falou durante uma cerimónia de graduação, numa universidade na capital Harare; segundo a Reuters, citada por O Público, foi aplaudido pela plateia.

É a primeira vez que o líder africano aparece em público depois da escalada de tensões políticas no país.

O Exército quer a saída imediata de Mugabe, mas este tem resistido ao exílio e às negociações. Segundo a AFP, esta aparição pública é mais uma prova da sua teimosia em abandonar o cargo.

O Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pede calma, ausência de violência e moderação no Zimbabwe, indicou um porta-voz da ONU, Farhan Haq, citado pelo Notícias ao Minuto.

Para o responsável da ONU, devem preservar-se "os direitos fundamentais, entre os quais a liberdade de expressão e de reunião que é de uma importância vital".

"As diferenças políticas devem ser resolvidas de forma pacífica e através do diálogo, de acordo com a Constituição do país", acrescentou o porta-voz.

O exército zimbabweano colocou, ontem, Robert Mugabe, em prisão domiciliária e tomou o controlo da capital, Harare, numa operação visando, segundo indicou, "os criminosos" que rodeiam o mais velho dirigente em exercício do mundo, com 93 anos, e não "um golpe de Estado contra o Governo".

Depois de o exército zimbabweano manter o Presidente Robert Mugabe e sua família sob prisão domiciliar e circularem especulações de golpe de estado, abriu-se espaço para negociações.

Robert Mugabe pode ter assinado na noite de quarta-feira com os militares, um acordo através do qual abandona o poder no Zimbabwe, escreve o Expresso.

Segundo a imprensa internacional o acordo foi proposto pelos militares, representantes do partido Zanu-PF e membros da oposição, em que o ex-vice-presidente Emmerson Mnangagwa deveria liderar um governo de transição. O novo governo incluirá membros da oposição e veteranos de guerra.

Trata-se de um Governo interino que liderará os destinos de Zimbabwe por três anos a cinco anos

O líder do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai e o líder dos veteranos de guerra, Christopher Mutsvangwa, que se encontravam na África do Sul, voltaram para o Zimbabwe na quarta-feira para participar das negociações.

Ainda segundo o acordo, uma das prioridades do governo de transição será restaurar a economia que experimentou declínio nos últimos tempos.

Esta quinta-feira foi criada uma página do Governo Zimbabweano no Twitter. Nesta página pode se ler que Emmerson Mnangagwa vai tomar posse esta sexta-feira e que Robert Mugabe está bem de saúde e confirma a sua demissão e a criação de um governo interino. Segundo a comunicação Mugabe está retido numa residência presidencial fora do Harare e que a sua esposa Grace Mugabe encontra-se na Embaixada do Zimbabwe na Namíbia. África do Sul, Namíbia e Angola terão segundo esta página oferecido asilo a Robert Mugabe.

Entretanto as negociações prevêm que Robert Mugabe pode manter-se no Zimbábwè se quiser com a garantia de segurança e assistência do Estado que poderá continuar a reconhecê-lo como antigo presidente da República e Herói Nacional.

O Presidente angolano, João Lourenço, pediu, hoje, aos novos administradores da Sonangol, empossados após a exoneração de Isabel dos Santos, que "cuidem bem" da concessionária estatal petrolífera, por ser a "galinha dos ovos de ouro" de Angola, informa o Expresso.

Um dia depois da exoneração do Conselho de Administração da Sonangol, João Lourenço deu empossou à nova equipa da petrolífera estatal, que passa a ser liderada por Carlos Saturnino. "Continue a ser, para a nossa economia, a galinha dos ovos de ouro. Eis a razão por que fazemos este apelo, para que cuidem bem dela", disse João Lourenço, de acordo com a Lusa.

Angola é actualmente o segundo maior produtor de petróleo em África, atrás da Nigéria, com 1,6 milhões de barris de petróleo, produto que tem um peso de mais de 95% nas exportações angolanas.

Carlos Saturnino, que agora passa a liderar o maior grupo angolano, totalmente público, foi até Dezembro de 2016 Presidente da Comissão Executiva da Sonangol Pesquisa & Produção, tendo sido demitido por Isabel dos Santos, com a acusação de má gestão e de graves desvios financeiros.

A empresária Isabel dos Santos, a filha mais velha de José Eduardo dos Santos, foi nomeada para presidente do conselho de administração da Sonangol, pelo pai, em junho de 2016, na altura com a tarefa de assegurar a reestruturação da petrolífera estatal angolana, lembra Lusa.

Além de Isabel dos Santos, o Presidente angolano exonerou ainda Eunice Carvalho, Edson dos Santos, Manuel Lino Carvalho Lemos e João Pedro de Freitas Saraiva dos Santos dos cargos de administradores executivos, bem como Sarju Raikundalia, até agora administrador não executivo.

 

Fonte dos serviços secretos do Zimbabwe disse à Reuters, citada pelo Expresso, que o ainda Presidente Robert Mugabe, impedido de sair de casa pelos militares, não quer deixar o cargo voluntariamente e recusou a mediação de um padre católico, único meio de contacto com os generais.

Ainda de acordo com o Expresso, conta a Reuters, citando uma fonte política, que o padre Fidelis Mukonori constitui nesta altura o único elo de ligação entre Mugabe e os generais que numa declaração transmitida pela televisão justificaram o assalto ao poder com a necessidade de capturar “criminosos” próximos do chefe de Estado, “que estão a causar sofrimento económico e social no país”.

Relatórios dos serviços secretos a que a Reuters teve acesso sugerem que o antigo chefe da segurança e vice-Presidente, Emmerson Mnangagwa, cuja demissão foi anunciada na segunda-feira, dia 6, será o arquiteto do golpe que começou a ser desenhado há mais de um ano.

Logo que surgiram as primeiras notícias das movimentações militares nas ruas da capital e na eventualidade do plano de Mnangagwa estar em curso, o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, no estrangeiro por motivos de saúde, decidiu regressar a Harare.

De acordo com o Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, que esta quarta-feira terá falado ao telefone com Mugabe, o ainda Presidente do Zimbabwe estaria seguro mas impedido de sair de casa pelos militares, juntamente com sua mulher, Grace, de 52 anos.

A aparente agitação nos gabinetes do poder contrasta com a calma nas ruas de Harare. Segundo o correspondente da Associated Press na capital do país, os soldados ainda continuavam a controlar algumas posições estratégicas e a pedir a identificação a alguns cidadãos, a caminho de mais um dia de trabalho.

Explosões foram ouvidas, na noite de ontem,  na capital do Zimabwe, Harare, e os funcionários da televisão nacional, ZBC, disseram que as instalações foram ocupadas por militares, escreve o Diário de Notícias.

O habitual serviço noticioso nocturno da ZBC não foi emitido.

Ao longo do dia de ontem, tinham-se produzido movimentações militares e surgiram rumores de um golpe de Estado. Colunas militares foram vistas a convergir para Harare.

Ao início da noite, os militares controlavam algumas das entradas na cidade.

Pouco depois, a embaixada dos EUA no Zimbabwe informou que estaria fechada ao público devido à "incerteza persistente" na capital do país, Harare. A embaixada anunciou o encerramento através da sua conta na rede social Twitter ao início do dia, pouco depois de terem sido ouvidas pelo menos três fortes explosões em Harare, onde foram vistos veículos.

O partido do presidente Robert Mugabe acusara no início da semana o general Constantino Chiwenga, responsável máximo das forças armadas, de "comportamento traiçoeiro" depois de este ter sugerido que os militares poderiam ver-se forçados a intervir na vida política do país.

Chiwenga fez as declarações num momento em que estão a ser afastados da ZANU-PF os elementos considerados seus próximos pelos seguidores de Mugabe. A crise no partido está aliada ao afastamento do vice-presidente Emmerson Mnangagwa, até há pouco considerado o favorito para suceder a Mugabe, de 93 anos, na chefia do país.

Quer Mnangagwa quer Chiwenga são veteranos da guerrilha contra o regime da minoria branca na então Rodésia. O primeiro foi criticado há meses por Grace Mugabe, que o acusou de estar a preparar um golpe. Mnangagwa foi demitido de funções no início de Novembro, acusado de "deslealdade" e saiu do país.

Mnangagwa foi afastado do cargo há poucas semanas naquilo que foi considerado um movimento abrindo caminho à candidatura da mulher de Mugabe, Grace Mugabe, de 52 anos, para lhe suceder. Esta já tem o apoio de importantes dirigentes do partido, além do marido, para se candidatar nas presidenciais marcadas para o próximo ano. Isto apesar de, oficialmente, Mugabe ter sido designado como candidato, mas com o seu estado de saúde a deteriorar-se, a hipótese de Grace avançar tem ganho maior probabilidade. O ainda presidente tem-se deslocado frequentemente a Singapura para tratamentos médicos.

Grace Mugabe, que declarou em 2014 ter "todo o direito" a candidatar-se à presidência, esteve envolvida nesse ano no afastamento da então vice-presidente Joice Mujuru, próxima do presidente.

Mugabe dirige o Zimbabwe desde a independência em 1980. Segundo a Reuters, na terça-feira presidiu a uma reunião do governo onde acusou Chiwenga de insubordinação e "apelo à insurreição".

A ala juvenil da ZANU-PF divulgou ao final de terça-feira um longo comunicado em que apelava à mobilização "quando chegar o momento" para defender "a revolução e o nosso líder e presidente", estando "preparados para morrer", caso necessário.

O choque entre o presidente e o general Mnangagwa é o primeiro conflito aberto entre os militares e Mugabe desde que este chegou à liderança do Zimbabwe. Tradicionalmente, as forças armadas sempre se mantiveram a seu lado em momentos de crise política.

Ouvido pela Reuters terça-feira à tarde, o embaixador do Zimbabwe na África do Sul desmentira a existência de tentativas de golpe, afirmando que "nada está a acontecer" e que o poder permaneceria "intacto" nas mãos do presidente e da ZANU-PF.

O exército do Zimbabwe desmentiu que esteja em curso um golpe de Estado militar, garantindo que o Presidente, Robert Mugabe, se encontra em segurança, após uma noite de agitação nas ruas, com uma série de explosões, escreve o Notícias ao Minuto.

"Estamos apenas a visar criminosos em torno dele [Robert Mugabe] que cometem crimes que estão a causar sofrimento económico e social no país, de modo a levá-los à justiça", afirmou o exército através dos 'media' estatais. O anúncio feito às primeiras horas de hoje tem lugar depois de uma noite de agitação na capital, com soldados armados e veículos militares nas ruas da capital e o registo de pelo menos três explosões.

"Assim que tivermos cumprido a nossa missão, esperamos que a situação volte à normalidade", diz o comunicado militar.

O Zimbabwe vive pela primeira vez uma divergência aberta entre o Presidente, que dirige o país desde 1980, e o exército.

A tensão iniciou na semana passada depois de Mugabe, de 93 anos, ter despedido o seu vice-presidente e aliado de longa data, Emmerson Mnangagwa, de 75 anos, que tinha estreitas ligações com os militares.

Na segunda-feira, o chefe das Forças Armadas, o general Constantino Chiwenga, condenou a demissão do vice-presidente do país, e avisou que o exército poderia "intervir" se não acabasse a "purga" dentro do Zanu-PF, partido no poder desde a independência do Zimbabwe, em 1980.

O partido Zanu-PF, de Mugabe, reagiu no dia seguinte ao aviso sem precedentes, acusando o chefe das Forças Armadas de "conduta de traição", afirmando que as críticas do general Constantino Chiwenga destinavam-se "claramente" a perturbar a paz nacional e demonstraram uma conduta de traição, "já que foram feitas para incitar à sublevação".

Mnangagwa há muito considerado o delfim do Presidente, foi humilhado e demitido das suas funções e fugiu do país após um braço-de-ferro com a primeira-dama, Grace Mugabe.

Vários órgãos internacionais acompanham a situação política do Zimbabwe. O Expresso, por exemplo, escreve, na sua página de hoje, que o Exército zimbabweano a capturou do Presidente Robert Mugabe.

Para o jornal português, no que parece ser golpe militar, o Exército tomou a televisão estatal, ZBC, depois de uma madrugada em que Harare, a capital do Zimbabwe, foi abalada por explosões.

Ainda de acordo com o Expresso, a partir da redação televisiva, dois soldados em uniforme anunciaram ao início desta quarta-feira que "a situação no país avançou para outro nível". Rejeitando que haja um golpe militar em curso, os representantes das forças armadas garantiram que Mugabe e a sua família "estão a salvo" e que "a sua segurança está garantida".

Pelas 6h da manhã locais, mesma hora em Maputo, a vida na capital parecia estar a decorrer com normalidade. No entanto, os correspondentes do "New York Times" na cidade dizem que alguns soldados continuam a ser avistados nas principais estradas que ligam à capital, mas que nenhum veículo está a ser parado, noticia o Expresso.

Neste momento, segundo aquele órgão de informação, não se sabe para onde Mugabe foi levado.

A tensão entre as forças armadas e o Presidente no poder desde a independência do país acontece uma semana depois de o vice-presidente Emmerson Mnangagwa ter sido forçado a demitir-se – alegadamente para abrir caminho a Grace Mugabe, para que venha a substituir o marido de 93 anos.

O general Chiwenga é amigo próximo de Mnangagwa, que a par de ter sido expulso do governo foi igualmente afastado do partido de Mugabe, o ZANU-PF. Ao "New York Times", de acordo com o Expresso, o ministro da Informação, Simon Khaya Moyo, disse, esta manhã, numa curta entrevista telefónica que "não sabe" se está em curso um golpe militar. "O que é que posso dizer? Não sei nada sobre isso.".

O G1, portal da Globo, informa que três ministros do governo do Zimbabwe foram detidos pelos militares, citando o jornal local independente "NewsDay”. Assim, para o G1, foram detidos por soldados os ministros das Finanças, Ignatius Chombo; de Educação Superior, Jonathan Moyo; e de Governo Local, Obras Públicas e também líder do partido ZANU-PF, Saviour Kasukuwere.

Os três foram presos em suas casas, que também foram revistadas pelos soldados, avança G1.

 

 

O presidente sul-africano, Jacob Zuma, na qualidade de presidente da SADC, mandou enviados especiais para o Zimbabwe. Dos enviados, constam a Ministra da Defesa e Veteranos Militares e o Ministro da Segurança do Estado, para monitorarem de perto a situação que se vive no país, avança o News 24.

Os enviados especiais também serão enviados à República de Angola, onde deverão interagir com João Lourenço, na qualidade de presidente do órgão da SADC sobre Política, Defesa e Segurança para informá-lo da situação.
Jacob Zuma manifestou sua preocupação com a conspiração militar no Zimbabwe e pediu calma e moderação. Expressou a esperança de que a situação no Zimbabwe não culmine em mudanças inconstitucionais do governo, porque tal contraria regras da SADC e da União Africana.

O Presidente sul-africano apelou ao Governo do Zimbabwe e às Força de Defesa a resolverem o impasse político de forma amigável e exigiu às forças militares para garantirem que a manutenção da paz e da segurança no país não seja comprometida.

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