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O País – A verdade como notícia

O Presidente moçambicano e o da África do Sul, Filipe Nyusi e Cyril Ramaphosa, respectivamente, apelaram ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para que crie condições para o diálogo entre a Rússia e a Ucrânia com vista a colocar um fim à invasão russa.

Os dois Chefes de Estado, que falavam, hoje, no fim da 3ª Sessão da Comissão Binacional entre a África do Sul e Moçambique, exortaram que se recorra “a uma abordagem equilibrada do conflito através do diálogo que atenderá as preocupações de segurança de ambas as partes no conflito”.

De acordo com a Lusa, a Assembleia-Geral da ONU aprovou uma resolução que condena a invasão russa à Ucrânia, com o apoio de 141 dos 193 Estados-membros das Nações Unidas.

Refira-se que a resolução contou com 35 abstenções, incluindo as da África do Sul, Moçambique e Angola.

Segundo o comunicado, a que a Lusa teve acesso, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, e o seu homólogo Cyril Ramaphosa reafirmaram “a urgência de reformar o Conselho de Segurança das Nações Unidas”.

O Presidente Ramaphosa reiterou o apoio da África do Sul à candidatura de Moçambique para o Conselho de Segurança da ONU como membro não permanente em 2022/23, salienta na nota.

Os ministros de Negócios Estrangeiros da Rússia e da Ucrânia, Sergei Lavrov e Dmytro Kuleba, estiveram, ontem, reunidos na Turquia. O encontro descrito por ambas partes como difícil não trouxe resultados no que diz respeito ao fim da guerra.

Duas semanas depois da invasão russa à Ucrânia, as tropas russas estão à porta de Kiev, capital ucraniana. De acordo com as autoridades locais, várias pessoas estão a abandonar a cidade.

As negociações havidas na semana passada entres as delegações dos dois países não foram suficientes para se encontrar uma solução para o fim do conflito.

Nesta quinta-feira, os ministros de Negócios Estrangeiros da Rússia e da Ucrânia, Sergei Lavrov e Dmytro Kuleba, estiveram reunidos em Antália, na Turquia, para negociar uma possível solução para pôr o fim as divergências entre os dois vizinhos.

O encontro, descrito por ambas as partes como difícil, não trouxe avanços no que diz respeito a um cessar-fogo, segundo escreve a imprensa internacional.

Em conferência de imprensa, Lavrov disse a jornalistas que o presidente russo, Vladimir Putin, nunca rejeitou um encontro com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Segundo o ministro russo, cabe aos negociadores que se têm encontrado na Bielorrússia preparar o terreno, para que os dois líderes se encontrem.

Na mesma quinta-feira, a guerra na Ucrânia, levou os líderes da União Europeia a reunirem-se no Palácio de Versalhes, tendo deixado claro que, neste momento, não existe forma da Ucrânia aderir rapidamente à União Europeia, como pretendia o governo de Kiev.

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, anunciou ontem, na sua rede social Twitter, que a África do Sul foi abordada para mediar no conflito entre a Rússia e a Ucrânia.

Ramaphosa disse que “o Presidente Vladimir Putin apreciou a nossa abordagem equilibrada, acreditamos que esta posição permite que ambas as partes sujeitem o conflito à mediação e negociação”.

“Com base nas nossas relações com a Federação Russa e como membro do BRICS, a África do Sul foi abordada para desempenhar um papel de mediação”, revelou o Presidente da África do Sul.

BRICS é um grupo de economias emergentes que integra o Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Para obter uma perspectiva da situação que está a desenrolar entre a Rússia e a Ucrânia, o Chefe do Estado sul-africano ressaltou que telefonou ao seu homólogo da Rússia, Vladimir Putin.

“Descrevi a nossa posição sobre o conflito que se desenrolou, bem como a nossa convicção de que o conflito deve ser resolvido por meio de mediação e negociação entre as partes e, se necessário, com a ajuda de agências que podem ajudar a encontrar uma solução para o conflito”, disse Ramaphosa, no Twitter.

Na segunda-feira, Cyril Ramaphosa defendeu que Pretória está firmemente do lado da paz e apelou para a negociação pacífica, através da Organização das Nações Unidas (ONU), no conflito entre a Rússia e a Ucrânia.

“Houve quem dissesse que, ao se abster na votação condenando a operação militar da Rússia na Ucrânia, a África do Sul se colocou do lado errado da história. No entanto, a África do Sul está firmemente do lado da paz num momento em que outra guerra é algo de que o mundo não precisa, nem pode pagar”, frisou Ramaphosa.

O Presidente Ramaphosa explicou ainda que Pretória se absteve, na semana passada, na votação da resolução das Nações Unidas, que condenou a invasão russa à Ucrânia, porque a resolução não colocou, em primeiro plano, o apelo para um envolvimento significativo.

O Chefe de Estado sul-africano considerou que “o apelo para a negociação pacífica está alinhado com os valores sobre os quais a ONU foi fundada”.

“Estamos particularmente preocupados que o Conselho de Segurança da ONU não tenha sido capaz de cumprir a sua responsabilidade de manter a paz e a segurança”, considerou.

A guerra na Ucrânia chega, esta sexta-feira, ao seu 16º dia, marcado por acusações trocadas entre Rússia e Estados Unidos sobre criação de armas químicas.

 

A imprensa internacional noticiou que nesta quarta-feira, 14º dia da guerra na Ucrânia, um ataque atribuído a Rússia atingiu a maternidade de um hospital em Mariupol, cidade portuária no sudeste da Ucrânia. Durante o ataque, 17 pessoas ficaram feridas, incluindo funcionários e mulheres em trabalho de parto. Segundo Pavlo Krylenko, chefe da administração militar ucraniana, citado pela BBC News,  não há registo de crianças entre as vítimas.

O ataque foi condenado pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres que pediu fim da “violência sem sentido”.

“Os civis estão a pagar o preço mais alto por uma guerra que não tem nada a ver com eles. Esta violência sem sentido deve parar. Acabem com derramamento de sangue agora”, afirmou António Guterres numa mensagem publicada no Twitter.

A directora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Catherine Russell, citada pela Lusa, disse estar aterrorizada pelo ataque à unidade hospitalar.

“Ainda não sabemos o número de vítimas, mas tememos o pior”, referiu em comunicado Catherine Russel, destacando que a ofensiva deixou crianças e mulheres em trabalho de parto sob os escombros do edifício.

Para Catherine Russel este ataque “ressalta o terrível preço” que a guerra “está a provocar às crianças e famílias da Ucrânia”.

Informações avançadas pela imprensa internacional indicam que o ataque russo também atingiu um hospital pediátrico mas, não há informação de crianças feridas.

 

“ATACAR MATERNIDADE E PEDIATRIA É CRIME DE GUERRA E GENOCÍDIO”, DIZ ZELENSKY

O ataque da Força Aérea russa, esta quarta-feira, a um hospital de Mariupol é “um crime de guerra”, denunciou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky e apelou novamente ao encerramento do espaço aéreo ucraniano.

“Nunca fizemos, nem nunca faríamos algo como este crime de guerra nas cidades das regiões de Donetsk e Lugansk ou em qualquer outra região. Em nenhuma cidade da Terra. Porque somos humanos. E vocês?”, questionou o presidente Ucraniano.

Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) reiterou o seu apelo a uma resolução pacífica do conflito, condenando o ataque contra o hospital pediátrico.

Em Zhytomir, segundo a Euronews, um outro hospital também foi bombardeado. Segundo a OMS, há pelo menos 18 ataques confirmados contra instalações médicas ou ambulâncias desde o início da invasão, que fizeram uma dezena de mortos.

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse, numa entrevista televisiva, que pondera desistir da adesão do seu país à NATO. O líder ucraniano disse também que está disponível para assinar um acordo sobre o estatuto dos territórios da região de Donbass, cuja independência foi reconhecida pelo presidente russo.

O presidente russo, Vladimir Putin, disse várias vezes que a adesão da Ucrânia à Aliança Atlância, NATO, constituía uma ameaça para os interesses de Moscovo e tem alertado aos países do Ocidente para que não expandam a sua zona de influência militar junto das suas fronteiras.

Até recentemente, o presidente ucraniano, Volodymir Zelensky, dizia que não iria ceder às exigências da Rússia da não adesão à Aliança Atlântica, muito menos reconhecer a autonomia dos territórios separatistas de Donetsk e Luhansk.

Segundo a CNN Portugal, o presidente ucraniano disse, durante uma entrevista a um canal televisivo americano, que não vai insistir na adesão da Ucrânia à NATO, uma das razões que levaram a Rússia a invadir o país vizinho.

“Quanto à NATO, moderei a minha posição sobre esta questão há algum tempo, quando percebi que a NATO não estava pronta para aceitar a Ucrânia”, disse o líder ucraniano.

Num outro sinal de abertura a negociações com Moscovo, Zelensky disse também que está disponível para um compromisso sobre o estatuto dos territórios separatistas no leste da Ucrânia, cuja independência foi reconhecida por Vladimir Putin, pouco antes de lançar o ataque militar.

Segundo disse Volodymyr Zelensky na entrevista, a Aliança Atlântica tem medo de tudo o que seja controverso e de um confronto com a Rússia e sublinhou que não quer ser o presidente de um país que implora de joelhos por uma adesão à NATO.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) decidiu suspender imediatamente a participação da Rússia e Bielorrússia de todas as suas instâncias, numa nova fase de medidas contra os dois países devido à invasão da Ucrânia, anunciou ontem a organização num comunicado publicado pela imprensa internacional.

Segundo a Lusa, a Rússia participava em quase 50 instâncias da OCDE, enquanto a Bielorrússia tinha uma participação limitada no sector educacional e no programa Eurásia, que também foi suspenso. A suspensão significa que ambos os países não podem participar a partir de agora nas reuniões destes comités e programas.

Na primeira fase de sanções, na sequência da invasão russa da Ucrânia, a OCDE tinham anunciado, em 25 de fevereiro, que encerrava formalmente o processo de adesão, paralisado em 2014 devido à anexação ilegal da Crimeia pela Rússia.

O Conselho de OCDE pediu depois ao secretário-geral, Mathias Cormann, que tomasse as medidas necessárias para fechar as instalações desta organização em Moscovo e terminar com todos os convites à Rússia a nível ministerial e nos órgãos em que figura na lista de convidados.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.

Ao 13º dia de guerra na Ucrânia, a Rússia já soma mais de 5.500 sanções internacionais e ultrapassou os países que eram, até agora, os mais castigados a nível mundial, como Irão e Coreia do Norte, escreve o Observador.

A Rússia está a ser amplamente condenada por vários países ao redor do mundo, com uma série de sanções por ter invadido a Ucrânia. Depois dos Estados Unidos, seguiram pelo mesmo caminho a Alemanha, União Europeia, Japão, Nova Zelândia, Taiwam, Reino Unido, França, Suíça, Austrália, Canadá, Coreia do Sul, entre outros países.

Os Estados Unidos, a União Europeia e Reino Unido, por exemplo, adoptaram sanções destinadas a congelar os bens do Presidente Vladimir Putin e do seu ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavron. Esses países também pretendem sancionar o banco central russo e retirar alguns credores do país do sistema de pagamentos globais Switf, além de outras sanções económicas.

Segundo a Folha de São Paulo, os activos de Vladimir Putin, detidos na União Europeia, EUA e Reino Unido, estão congelados, mas ele ainda pode viajar para essas jurisdições.

As sanções da UE contra a Rússia já abrangem mais de 500 indivíduos e mais de 50 entidades.

Segundo a CNN Portugal, as sanções têm como objectivo atingir os sectores financeiros, energéticos e transportes, e incluir controlos na exportação e proibições nos financiamentos comerciais.

A Presidente da Comissão Europeia, Von der Leyen, disse que vão afectar, agora, 70% do sector bancário russo e das companhias estatais e procuram tornar “impossível que a Rússia actualize as suas refinarias petrolíferas”.

As sanções procuram também limitar o acesso da Rússia a tecnologias sensíveis, bem como a componentes e equipamentos aeronáuticos.

A Rússia voltou a comprometer-se com o cessar-fogo para retirada de cidadãos em corredores humanitários. O anúncio surge depois de a Ucrânia ter acusado as Forças russas de não cumprirem dois cessar-fogos.

Moscovo vai permitir, hoje, a abertura de corredores humanitários em quatro cidades ucranianas, nomeadamente Kiev, Mariupol, Kharkiv e Sumi. Segundo as agências de notícias russas, citadas pela imprensa internacional, a informação foi conferida à Cruz Vermelha, à Organização para a Segurança e Cooperação na Europa e à ONU.

As Forças Armadas russas alegam que a decisão foi tomada perante a situação humanitária catastrófica e o seu forte agravamento nas quatro cidades.

Um dos corredores será aberto a partir de Kiev, passando pelas cidades de Gostomel, chegando a Chernobyl e às cidades bielorrussas de Gden e Gomel, com o posterior transporte, por via aérea, das pessoas deslocadas para a Federação Russa.

A partida de Mariupol será por duas vias. A primeira rota segue para Rostov-on-Don, já na Rússia, e depois por via aérea, ferroviária e rodoviária, para destinos seleccionados ou centros de alojamento temporário. O segundo é entre Mariupol e Magush, na bacia de Donetsk.

A rota de Kharkiv segue para Belgorod, já na Federação Russa, para depois fazer chegar os refugiados por via aérea, ferroviária e rodoviária para destinos seleccionados ou centros de alojamento temporário.

Já a partir de Sumi estão estabelecidas duas rotas: a primeira para Belgorod e a segunda para Poltava, na Ucrânia.

 

 

Cerca de 20 mil combatentes estrangeiros já se voluntariaram para ajudar a Ucrânia a lutar contra a Rússia. A notícia foi divulgada, no domingo, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, no canal de televisão americano CNN, citado pela Lusa.

Segundo Dmytro Kouleba, os voluntários foram convidados a se candidatarem nas embaixadas ucranianas nos seus respectivos países.

“Neste momento, o número de voluntários é de cerca de 20 mil, principalmente de países europeus”, afirmou Dmytro.

Segundo o chefe da diplomacia ucraniana, “muitas pessoas odiaram a Rússia” durante anos, mas não se atreveram a opor-se-lhe.
Quando as pessoas viram que os ucranianos estavam a lutar, que não estavam a desistir, isso empurrou-os para se juntarem à luta”, acrescentou.

Dmytro Kouleba disse que compreende a necessidade de lutar contra a Rússia e destacou que o mais importante do que isso era combater a assistência política, económica e militar do resto do mundo, especialmente para a defesa aérea.

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