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O País – A verdade como notícia

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, formalizou um aumento da cota anual de refugiados admitidos no país, elevando o limite de 7.500 para 17.500 vagas. A decisão inclui a reserva de até 10.000 vagas para africânderes da África do Sul.

A decisão surge num contexto de forte endurecimento da política migratória norte-americana e de crescente tensão diplomática entre Washington e Pretória.

Desde 2025, o governo norte-americano já havia reduzido significativamente o limite de admissão de refugiados para 7.500, em contraste com os 125.000 registados no ano anterior, passando a priorizar a entrada de candidatos brancos sul-africanos. 

A comunidade tem uma reserva de 10 mil vagas para entrar no território norte-americano, numa altura em que o país abre espaço para receber 17.500 refugiados. 

Segundo os Estados Unidos da América, trata-se de uma “situação de emergência”, alimentada por uma suposta “incitação à violência com motivação racial” por parte de políticos sul-africanos.

A situação agrava as tensões entre os Estados Unidos e a África do Sul que se estendem ao plano económico e diplomático, com a imposição de tarifas de 30% sobre produtos sul-africanos e o boicote da administração norte-americana à cúpula do G20 realizada em Joanesburgo. 

O Uganda fechou a sua fronteira com a República Democrática do Congo (RDC), na quarta-feira, numa tentativa de conter o surto de Ébola, que atingiu o país vizinho. 

O país da África Oriental registou sete casos da cepa Bundibugyo do vírus Ébola desde que o surto foi identificado na República Democrática do Congo em 15 de Maio.

“Uganda está a fechar temporariamente a fronteira com a República Democrática do Congo com efeito imediato”, disse a secretária permanente do Ministério da Saúde, Diana Atwine, a repórteres.

“As únicas excepções são para equipas autorizadas de resposta ao Ébola, operações humanitárias, transporte de alimentos e cargas e segurança, sob rigorosos protocolos de triagem e monitoramento de saúde”, disse ela.

O Ministério da Saúde do Uganda também anunciou uma quarentena de 21 dias para qualquer pessoa que chegue da República Democrática do Congo, sob a supervisão do Ministério da Saúde e das equipas de vigilância distrital, além de verificações regulares para alunos em escolas próximas à fronteira.

Na República Democrática do Congo, foram registradas mais de 220 mortes suspeitas e 900 casos suspeitos, segundo dados oficiais, situação que a Organização Mundial da Saúde declarou como emergência internacional.

Gana iniciou um programa de repatriação voluntária de cidadãos seus que se encontram na África do Sul, num contexto de aumento das tensões anti-imigração no país.

Na quarta-feira, o primeiro grupo, composto por cerca de 300 cidadãos ganenses, deixou o Aeroporto Internacional OR Tambo, em Joanesburgo, dando início ao processo. Um segundo grupo estava previsto para partir no domingo.

No aeroporto, famílias e viajantes reuniram-se com carrinhos de bagagem e malas, enquanto as autoridades e a polícia asseguravam a organização das partidas.

Segundo o professor Loren Landau, da Universidade de Witwatersrand e do Centro Africano para Migração e Sociedade, esta iniciativa poderá ter sobretudo um carácter simbólico, mais do que apenas de protecção directa dos cidadãos. Na sua opinião, a medida pretende também enviar uma mensagem política à África do Sul, indicando que a situação é considerada inaceitável.

Alguns dos repatriados encontravam-se detidos no Centro de Repatriação de Lindela devido a questões de imigração.

Mais de 800 cidadãos de Gana inscreveram-se na Alta Comissão de Gana em Pretória para serem evacuados, após várias semanas de protestos e crescente receio entre estrangeiros.

As autoridades ganesas afirmaram que todo o processo está a ser realizado em coordenação com as autoridades sul-africanas, na sequência de preocupações com a segurança e o bem-estar dos migrantes.

A repatriação ocorre após novas manifestações contra a imigração ilegal em várias zonas da África do Sul, onde o descontentamento relacionado com o desemprego, a criminalidade e o acesso a serviços tem intensificado as tensões em torno da imigração não documentada. As autoridades sul-africanas condenaram a violência contra estrangeiros, reconhecendo ao mesmo tempo as preocupações relativas à imigração ilegal.

O Governo da República Democrática do Congo anunciou a disponibilização de cerca de 20 milhões de dólares para o combate ao surto de Ébola que continua a preocupar as autoridades sanitárias no leste do país.

A medida surge num momento de agravamento da epidemia, declarada oficialmente a 15 de Maio.

Segundo as autoridades de saúde, a doença já atingiu três províncias, com registo de aproximadamente 930 casos suspeitos e mais de 200 mortes associadas. 

Pelo menos 145 pessoas encontram-se actualmente internadas, enquanto as equipas médicas enfrentam dificuldades no terreno.

A resposta de 20 milhões de dólares ao surto está a ser feita em coordenação com os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças, a Organização Mundial da Saúde e parceiros regionais, incluindo o Uganda e o Sudão do Sul, países vizinhos onde há risco de propagação da epidemia.

O ministro da Saúde da RDC, Roger Kamba, afirmou que o país está a pagar um preço elevado neste surto, destacando a morte de um médico na linha da frente como símbolo da gravidade da situação. 

Paralelamente, a Organização das Nações Unidas anunciou também um apoio adicional de cerca de 60 milhões de dólares para reforçar a resposta humanitária.

Papa Leão XIV apela ao respeito aos direitos humanos na Faixa de Gaza. O Sumo Pontífice alertou ainda que a população local continua sem receber a ajuda humanitária necessária. 

“Faço um novo apelo ao respeito dos direitos humanos de todos. O povo de Gaza continua sem receber auxílio humanitário”, apontou o santo padre, acrescentando que a situação tem causado protestos e dificuldades, incluindo aqueles que estiveram envolvidos na flotilha.

 Leão apelou também a todas autoridades para acompanhar e apoiar o povo de Gaza na reconstrução. “O povo está a sofrer. Ainda sofre realmente muito”, destacou. 

O ex-primeiro‑ministro senegalês Ousmane Sonko foi eleito presidente da Assembleia Nacional, quatro dias após ser destituído pelo chefe de Estado, numa sessão boicotada pela oposição que denunciou “golpe constitucional”.

Desta forma, Ousmane Sonko regressa em força ao Parlamento do Senegal, após ter sido eleito por larga maioria graças ao apoio do seu partido, o Pastef, e apesar das divergências com o Presidente Bassirou Diomaye Faye, que pertence à mesma formação política.

À frente da Assembleia Nacional, Sonko passa a ser a segunda personalidade do Estado, questionando-se agora se o Presidente Faye conseguirá governar e aprovar reformas num país que enfrenta graves dificuldades económicas.

Segundo escreve a DW, o novo presidente da Assembleia foi longamente aplaudido pelos deputados do seu partido, que detém 130 dos 165 assentos do Parlamento, substituindo no cargo El Malick Ndiaye, que se demitiu no domingo.

“Não utilizarei esta responsabilidade para organizar o caos institucional, para criar uma crise institucional ou problemas ao Presidente da República. Nenhum deputado ao meu lado utilizará esta instituição para uma vingança pessoal”, declarou Sonko, após a tomada de posse.

A oposição senegalesa boicotou a reunião da Assembleia Nacional. Os deputados da principal coligação da oposição abandonaram a sala no início da reunião para protestar contra o que dizem ser uma violação do regulamento interno, avançou a AFP.

“Decidimos não participar nesta farsa. O Sr. Sonko perdeu o seu mandato de deputado e não pode recuperá-lo”, declarou à imprensa o deputado Abdou Mbow.

El Malick Ndiaye anunciou domingo a sua demissão do cargo de presidente da Assembleia Nacional do Senegal, dois dias depois da destituição de Ousmane Sonko ter mergulhado o país numa situação de incerteza política.

A partir de 1 de janeiro de 2027, a República do Congo vai abolir os requisitos de visto para todos os cidadãos africanos, marcando um passo importante para a integração continental.

A medida foi anunciada esta segunda-feira em Brazzaville pelo Presidente Denis Sassou Nguesso, no âmbito  das reuniões anuais do Banco Africano de Desenvolvimento, realizadas juntamente com as celebrações do Dia de África.

Posicionar   o Congo entre os campeões africanos da livre circulação é um dos objectivos da medida, contribuindo para a integração continental. 

De acordo com a imprensa internacional, o fim da exigência de visto para todos os cidadãos africanos que entrarem no seu território,  terá efeito a partir de 1 de janeiro de 2027.

Congo segue o caminho já trilhado por países como Benim, Togo, Ruanda, Gana, Seicheles e Gâmbia, todos os quais adoptaram políticas que permitem aos africanos entrar sem visto.

O Benim oferece acesso sem visto a cidadãos de todos os países africanos desde 2020, para estadias de até 90 dias.

O Togo introduziu uma política semelhante em 18 de maio de 2026, permitindo estadias de 30 dias sujeitas a declaração online prévia.

Ao se juntar a esta tendência, Brazzaville alinha-se com uma ambição africana mais ampla de facilitar a mobilidade, fortalecer o comércio e aprofundar a cooperação regional.

As Forças Armadas Norte Americanas anunciaram, esta segunda-feira, ter realizado novos ataques no sul do Irão, atingindo bases de mísseis e embarcações. O Comando Central dos EUA diz que a ofensiva foi conduzida em legítima defesa.

De acordo com um comunicado do Comando Central dos EUA, os ataques foram realizados para proteger as tropas das ameaças colocadas pelas forças iranianas, incluindo contra posições de lançamento de mísseis e embarcações que colocavam minas marítimas.  

Um porta-voz do órgão afirmou que os militares americanos continuam a defender as suas forças, ao mesmo tempo em que actuam com contenção durante o cessar-fogo em andamento. 

Os ataques aconteceram horas após o Irão informar que houve avanços nas negociações com os EUA, embora um acordo para encerrar o conflito não esteja próximo. 

Os ataques acontecem numa altura em que as duas partes ponderam um possível acordo para pôr fim à guerra, que permitirá reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do transporte marítimo mundial e que tem estado praticamente bloqueado pelo Irão desde o início, a 28 de fevereiro, da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra Teerão.

Enquanto isso, o exército Israelense afirmou ter iniciado uma nova onda de ataques em diferentes regiões do Líbano, esta segunda-feira, após o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciar que Israel intensificará sua ofensiva contra o Hezbollah. 

A ofensiva resultou em 12 óbitos.

No início deste mês, Líbano e Israel concordaram em estender por 45 dias o cessar-fogo, embora confrontos esporádicos tenham continuado. 

A transição global para a era digital é frequentemente associada ao avanço de infra-estruturas tecnológicas complexas, mas o modelo finlandês demonstra que o verdadeiro motor da digitalização reside na confiança institucional e na capacitação humana. O país, considerado um dos líderes mundiais em governação digital e inovação, tem servido de referência internacional na preparação das sociedades para as chamadas Future Skills (competências do futuro).

A eficácia deste ecossistema reflecte-se directamente no quotidiano urbano da capital, Helsínquia. Através do conceito de Mobility as a Service (MaaS), a cidade integra toda a sua rede de transportes públicos, incluindo metropolitano, autocarros, eléctricos e ligações marítimas, numa única plataforma digital unificada (HSL). O sistema permite a gestão de rotas e pagamentos em tempo real, priorizando a sustentabilidade e a redução do fluxo de veículos privados.

Tecnologia como Bem Público

A democratização do acesso à inovação tem na Biblioteca Central Oodi um dos seus maiores pilares. Longe do conceito tradicional de um depósito de livros, a Oodi funciona como um centro de cidadania e desenvolvimento técnico. No espaço, qualquer cidadão tem acesso gratuito a ferramentas de ponta, como impressoras 3D, estúdios de gravação áudio e vídeo, e laboratórios de robótica.

Especialistas locais apontam que a infra-estrutura apoia a política nacional de Lifelong Learning (aprendizagem ao longo da vida), garantindo que a população, independentemente da faixa etária ou classe social, desenvolva as competências necessárias para o mercado de trabalho do futuro.

Eficiência Fiscal e Relação de Confiança

Um dos exemplos mais pragmáticos da aplicação da tecnologia na governação finlandesa encontra-se na sua Administração Fiscal (Vero). O sistema destaca-se pela automatização extrema e desburocratização: o Estado centraliza e processa previamente os dados financeiros, enviando aos contribuintes declarações pré-preenchidas que requerem apenas verificação mínima.

A desmaterialização dos processos e a transparência na aplicação dos recursos públicos resultam numa das maiores taxas de conformidade fiscal a nível global. A experiência demonstra que a digitalização, quando orientada para a simplificação da vida do cidadão, actua como um factor de reforço da confiança mútua entre o indivíduo e as instituições estatais.

O Desafio da Literacia Mediática

Para sustentar uma sociedade altamente conectada, a Finlândia aposta fortemente na literacia mediática desde os primeiros anos de ensino. O combate à desinformação e às fake news é tratado como uma questão de segurança nacional e resiliência social, capacitando os cidadãos a exercerem o pensamento crítico no ambiente virtual.

A grande lição que o modelo finlandês oferece a economias em crescimento, como a de Moçambique, é que o sucesso da transformação digital não se quantifica apenas pelos dispositivos disponíveis, mas sim pela capacidade de humanizar as ferramentas tecnológicas e de utilizá-las como vectores de inclusão, transparência e desenvolvimento social.

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