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O País – A verdade como notícia

Profissionais de saúde que combatem o surto de Ébola na República Democrática do Congo ameaçam entrar em greve geral por falta de pagamento de salários, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, na terça-feira, que a extensão da epidemia pode ser quatro vezes maior do que a relatada.

O vírus altamente contagioso matou mais de 700 pessoas entre os quase 2000 casos confirmados na República Democrática do Congo desde que o surto foi declarado a 15 de Maio, de acordo com o último balanço oficial divulgado na terça-feira.

Mas a OMS afirmou que a dimensão do surto pode ser de duas a quatro vezes maior do que as estimativas oficiais.

Para complicar ainda mais os esforços de resposta, profissionais de saúde no epicentro da epidemia disseram à AFP que não recebem salários desde que o vírus foi detectado.

No centro de tratamento do Ebola em Rwampara — uma das áreas mais afectadas no epicentro do surto na província de Ituri, no nordeste do país profissionais de saúde queimaram pneus em protesto na segunda-feira e bloquearam temporariamente o acesso ao centro.

“Estamos tratando pacientes com Ebola sem receber salário desde 15 de Maio. Continuamos a fazer isso porque é o nosso juramento, mas estamos trabalhando em condições muito difíceis”, disse o médico Pascal Bahoya à AFP.

Os médicos do centro disseram que, se as autoridades não atendessem ao seu “ultimato de 48 horas para o pagamento de salários e bónus”, eles iniciariam uma “greve geral”, sem a prestação de serviços mínimos.

Durante uma visita a Ituri na quinta-feira, o Ministro da Saúde, Samuel Roger Kamba, reconheceu os “atrasos nos pagamentos” e garantiu que a “questão organizacional” na raiz do problema seria resolvida.

Os profissionais de saúde na linha de frente estão lutando para conter a disseminação do vírus neste vasto país da África Central, que está entre os mais pobres do planeta.

Pelo menos 112 profissionais de saúde foram infectados e 35 morreram, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP).

“MUITO MAIOR DO QUE O ESTIMADO“

O Ébola, uma febre hemorrágica viral que se espalha por contato directo com fluidos corporais, pode causar sangramentos graves e falência de órgãos.

Não existe vacina ou tratamento específico disponível para a cepa Bundibugyo do Ebola, que está a causar o surto actual.

A doença já se espalhou por cinco províncias no leste da RDC  do epicentro em Ituri até Kivu do Norte, Kivu do Sul, Tshopo e Haut-Uele.

A região leste da República Democrática do Congo, rica em minerais, sofre com conflitos há três décadas. Muitas pessoas foram deslocadas pela violência e vivem em acampamentos que, segundo as Nações Unidas, não possuem água potável nem saneamento básico.

Ituri faz fronteira com o Sudão do Sul e Uganda, país que registou 20 casos, incluindo duas mortes.

Em 12 de Julho, 727 pacientes estavam a ser tratados em centros de tratamento de Ébola nas áreas afectadas.

Actualmente, está em andamento um ensaio clínico envolvendo dois tratamentos.

A verdadeira dimensão do surto que se acredita ter começado vários meses antes de ser detectado  continua difícil de avaliar.

Os trabalhadores humanitários no terreno afirmaram acreditar que os números oficiais estão subestimados.

O diretor de emergências da OMS, Chikwe Ihekweazu, disse a jornalistas em Genebra que a modelagem da agência de saúde da ONU indicava que “a escala do surto é pelo menos duas a quatro vezes maior do que o número de casos que encontramos” .

A comunidade internacional angariou 1,5 mil milhões de dólares para apoiar a resposta na República Democrática do Congo, cujo sistema de saúde sofre de subfinanciamento crónico.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas debateu, na terça-feira, a deterioração da situação de segurança na África Ocidental e no Sahel, tendo ouvido um alerta do representante das Nações Unidas para a região sobre a crescente expansão da ameaça terrorista e a necessidade de reforçar a cooperação internacional.

Na apresentação do mais recente relatório sobre a região, o representante do Escritório das Nações Unidas para a África Ocidental e o Sahel (UNOWAS), Leonardo Santos Simão, afirmou que os grupos armados terroristas e outros actores não estatais continuam a representar uma séria ameaça, sobretudo no centro do Sahel e no norte da Nigéria, estendendo progressivamente a sua acção aos Estados costeiros do Golfo da Guiné.

Segundo o responsável, estes grupos têm vindo a adaptar as suas tácticas, recorrendo cada vez mais a tecnologias avançadas, como drones, sistemas modernos de comunicação e criptomoedas para apoiar as suas operações.

Apesar do agravamento da insegurança, Leonardo Santos Simão destacou sinais positivos na região, apontando para um renovado impulso do diálogo político, da cooperação regional e dos progressos registados no domínio da governação democrática. Salientou, igualmente, o papel da União Africana na promoção do diálogo entre os Estados e na coordenação dos esforços de paz e estabilidade.

Durante a sessão, representantes de vários países africanos defenderam uma resposta concertada aos desafios de segurança. Em nome da Libéria, da República Democrática do Congo e da Somália, o embaixador Lewis G. Brown II reiterou que não existe uma solução exclusivamente militar para as crises que afectam a região, defendendo uma abordagem centrada no combate às causas profundas da instabilidade, como a pobreza, a exclusão social, as fragilidades da governação, o endividamento e as alterações climáticas.

Por seu turno, o embaixador da Costa do Marfim, Tiémoko Moriko, defendeu o reforço da cooperação regional, através da partilha de informações, da coordenação transfronteiriça e do financiamento sustentável dos mecanismos africanos de segurança.

Já o representante do Burkina Faso, Saïdou Zongo, reafirmou o compromisso da Aliança dos Estados do Sahel com o diálogo e manifestou abertura para apoiar todas as iniciativas de mediação, incluindo as promovidas pelo Togo, pela União Africana e pelo UNOWAS.

No final da reunião, Leonardo Santos Simão sublinhou que a África Ocidental e o Sahel têm demonstrado uma assinalável capacidade de resistência perante os desafios de segurança, advertindo, contudo, que a região dificilmente alcançará uma paz duradoura sem um apoio consistente e continuado da comunidade internacional.

 

O analista de política internacional, Paulo Uache, teme que a xenofobia provoque isolamento interno e externo da África do Sul, pelo facto de o fenômeno afectar as relações diplomáticas do país. Já Edson Muirazeque alerta para o comprometimento dos planos de integração regional. Os analistas apontam soluções para o problema.

A xenofobia na África do Sul é um problema já com barbas brancas e sem soluções à vista. O especialista em Relações Internacionais, Paulo Uache, aponta factores históricos como  o apartheid e explosão de recursos minerais na África do Sul, bem como a contratação de mão de obra estrangeira, sobretudo da SADC, como parte das causas da xenofobia. 

“A África do Sul dos brancos, em Transvaal, descobre recursos minerais críticos, entre ouro, platina e outros, e precisa de mão de obra que não havia entre os seus cidadãos ou entre os patrocinadores que eles tinham criados. Eles recorrem aos países vizinhos, incluindo Moçambique, que é recrutado. Essas pessoas foram para lá e viveram eternamente, porque geraram famílias e foi sequenciado e foi continuado depois da independência, no caso de Moçambique, mas não foi só sobre Moçambique, foi sobre Botswana, foi sobre o Malawi, foi sobre a Zâmbia, foi o Zimbabwe”, explica Paulo Uache.

Uache anota que esse facto tornou a África do Sul um lugar historicamente mítico, tendo em conta que todo aquele que se quisesse prosperar via na África do Sul um lugar de prosperidade, o que nos dias que correm é diferente.

“Um dos problemas é que há pobreza, e esse é o problema central. Se não houvesse tanta pobreza na África do Sul, para os nativos, para os negros. Esse é o problema central, e que esse problema tem que ser lhe lidar  com ele com comunicação, transparência e informação, porque também  o governo da África do Sul não é tão culpado assim, de não conseguir refazer essa economia, porque é uma economia que funciona há dois séculos também, em que reestruturou uma economia há dois séculos por 30 anos, não é tão simples assim”, anota.

Por sua vez, Edson Muirazeque considera que deve haver diálogo entre o governo e o povo sul-africano. Segundo ele, isso pode resvalar para o isolamento interno e externo da África do Sul, reavivar a segregação racial, mas com novos actores. 

“A África do Sul se encontra neste momento, para além das crises que tem com os Estados Unidos da América por causa dos brancos, para além das crises que tem com os países vizinhos por causa dos negros, a África do Sul, que era suposto ser um país que saísse do apartheid, ele se tornou o centro do novo apartheid, não chamamos xenofobia, mas de alguma forma um afastamento de pessoas com base na sua identidade, é uma forma do apartheid, a xenofobia. A África do Sul volta a ter a sua identidade, que é uma identidade criada a partir de 1910, 1912, volta a ser ela e vai ser isolada pelas mesmas razões, mas com actores diferentes, ou vai se sentir isolada, porque ser isolado não significa necessariamente que os outros te isolam, mas você também pode se sentir isolado, e a África do Sul neste momento se sente isolada porque, do ponto de vista internacional, a simpatia é menos, com Trump, entre outros, mas do ponto de vista regional, também não está a encontrar (4:07) o conforto que deveria encontrar”, explica Edson Muirazeque.

O analista diz ainda que os planos de integração regional ficam comprometidos em consequência das tensões e actos xenófobos na terra do Rand. 

“Estamos a ver cidadãos africanos a perseguir outros cidadãos africanos, alegadamente porque alguns desses países vizinhos, Moçambique, Malawi, Zimbabwe e outros, que vão à África do Sul, estão a ser alegados, estão a tomar emprego dos sul-africanos, eu diria que é uma situação lamentável, especialmente porque a região da África Austral está num processo de integração económica e regional, e esse processo de integração é um processo que visa exactamente remover as barreiras à livre circulação de pessoas e de bens, e se reparar, quando nós olharmos para as teorias de integração, há uma fase em que até a livre mobilidade dos factores de produção, o que quer dizer que, avançando pelo processo de integração, chegará uma fase eventualmente em que o cidadão moçambicano é um cidadão da África Austral, em que pode pedir emprego sem restrições, por exemplo, na África do Sul, no Malawi, no Zimbabwe ou qualquer outro país”, acrescenta.

Os dois analistas apontam caminhos que passam pelo conhecimento da história e desenvolvimento humano em África. 

“A África do Sul precisa se arranjar muito bem, e a saída é o conhecimento é da história e é o diálogo, duas saídas, e eu penso que o conhecimento da história é fundamental para os sul-africanos compreenderem que, não querendo, foram vítimas da história e essa regeneração tem que ser feita com processos muito bem conduzidos, tanto com os vizinhos como com a comunidade internacional. Quem cometeu erros contra eles, cometeu, provavelmente, a comunidade internacional.

Dados oficiais indicam que há ainda centenas de imigrantes que regressam compulsivamente da África do Sul no âmbito dos protestos anti-imigrantes.

O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, acusou os Estados Unidos de praticarem um acto de “pirataria”, na sequência do anúncio do Presidente norte-americano, Donald Trump, de impor uma taxa de 20 por cento sobre todas as cargas transportadas por navios que atravessem o Estreito de Ormuz.

A controvérsia surgiu depois de Trump declarar que os Estados Unidos pretendem assumir o controlo da segurança naquela via marítima estratégica, justificando a cobrança da taxa como forma de compensar os custos das operações de protecção.

Numa declaração pública, o Presidente norte-americano afirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá aberto “com ou sem o Irão” e anunciou o reforço do bloqueio às actividades marítimas iranianas. Trump acrescentou que os Estados Unidos passarão a ser conhecidos como “o Guardião do Estreito de Ormuz” e que, por uma questão de justiça, cobrarão uma taxa correspondente a 20 por cento sobre toda a carga transportada pelos navios que utilizem aquela rota.

Em resposta, Lula da Silva considerou a medida uma violação das normas internacionais que regulam a livre navegação e classificou a iniciativa como um acto de “pirataria”.

O Chefe de Estado brasileiro advertiu ainda para as consequências económicas da decisão, alertando que a imposição da taxa poderá provocar um aumento dos preços de diversos produtos, sobretudo dos combustíveis, devido ao papel estratégico do Estreito de Ormuz no comércio mundial de petróleo.

O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo e gás natural, sendo atravessado diariamente por uma parte significativa das exportações energéticas provenientes do Golfo Pérsico.

Um tribunal na cidade de Porto Sudão, controlada pelo exército sudanês, condenou, no domingo, o líder paramilitar Mohamed Hamdan Daglo e outras 15 pessoas à morte à revelia, sob a acusação de assassinar um governador regional e cometer crimes de guerra em Darfur, informaram os media estatais.

A decisão, emitida por um judiciário subordinado ao exército, é a primeira contra a liderança das Forças de Apoio Rápido (RSF) desde o início da guerra entre o grupo paramilitar e o exército sudanês, em Abril de 2023.

O tribunal condenou Daglo e os demais réus por crimes de guerra, crimes contra a humanidade, genocídio e ataques contra civis e instalações públicas, informou a agência de notícias estatal SUNA. Entre os condenados estão o irmão e vice de Daglo, Abdelrahim Hamdan Daglo, bem como vários oficiais das Forças de Apoio Rápido (RSF) e líderes tribais de comunidades árabes em Darfur Ocidental.

O caso gira em torno do assassinato do governador de Darfur Ocidental, Khamis Abbakar, em Junho de 2023, pouco depois de as Forças de Apoio Rápido (RSF) tomarem El-Geneina, a capital do estado. Abbakar foi morto horas depois de acusar as RSF e milícias aliadas de realizarem ataques contra civis. Especialistas da ONU determinaram que entre 10 mil e 15 mil pessoas, a maioria do grupo étnico Massalit, foram mortas em El-Geneina durante a violência.

A RSF negou repetidamente as acusações de genocídio e outros crimes de guerra. O tribunal afirmou que encaminhará o caso ao Supremo Tribunal para revisão e buscará a prisão e extradição dos condenados por meio da Interpol e outros canais internacionais.

O líder do exército sudanês, Abdel Fattah al-Burhan, e Daglo lideraram conjuntamente o golpe de 2021 que interrompeu a transição do Sudão para um governo civil, antes de entrarem em conflito devido aos planos de integrar as Forças de Apoio Rápido (RSF) ao exército regular, uma disputa que acabou levando à guerra.

Já no seu quarto ano, o conflito entre o exército e as RSF matou dezenas de milhares de pessoas, deslocou mais de 11 milhões e desencadeou o que as Nações Unidas descrevem como a maior crise de deslocamento e fome do mundo.

Um alto funcionário da ONU acusou ontem o grupo islamita palestiniano Hamas de obstruir a entrega de ajuda em Gaza, alertando que torna as operações humanitárias cada vez mais perigosas.

Num comunicado, o coordenador especial adjunto da ONU para o processo de paz no Médio Oriente, Ramiz Alakbarov, condenou os obstáculos às operações humanitárias atribuídos às autoridades de facto em Gaza, em referência ao Hamas.

Estas acções “colocaram em perigo o pessoal humanitário, intimidaram os trabalhadores responsáveis pela distribuição de ajuda alimentar vital e interromperam operações essenciais”, descreveu.

Os incidentes ocorreram no sábado num ponto de distribuição em Jabalia (norte), que homens armados ligados ao Hamas terão invadido.

De acordo com o comunicado da ONU, os combatentes “também entraram num armazém do Programa Alimentar Mundial (PAM) e alegadamente atacaram dois camionistas que entregavam ajuda humanitária”.

Alakbarov disse que “estes incidentes não foram isolados” e que “testemunham uma tendência cada vez mais preocupante de intimidação, violência e obstrução, incluindo tentativas de rapto, contra as operações humanitárias”.

O responsável da ONU alertou que tais acções estavam a comprometer a entrega da ajuda tão necessária, uma vez que os civis no território devastado pela guerra enfrentam uma grave crise humanitária.

O Hamas rejeitou as acusações, considerando-as infundadas.

“A polícia e as forças de segurança continuam a proteger os camiões e os centros de distribuição de ajuda humanitária e a facilitar o trabalho das organizações internacionais”, não tolerando qualquer ataque, declarou à agência de notícias AFP um responsável do chamado Ministério do Interior do Hamas.

Um cessar-fogo entrou em vigor em Gaza em Outubro, após dois anos de guerra desencadeada pelo ataque sem precedentes do Hamas a Israel, em 07 de Outubro de 2023.

A segunda fase da trégua, que prevê o desarmamento do Hamas e uma retirada gradual das forças israelitas de Gaza, está parada há vários meses.

As forças israelitas expandiram a sua presença nos últimos meses e controlam agora mais de 60% do território.

O Hamas continua a exercer autoridade sobre o resto da Faixa de Gaza, mas anunciou na semana passada a dissolução do organismo de 15 membros que geriu o território durante quase duas décadas.

A Alemanha acolheu, no domingo, um novo doente norte-americano infetado com o vírus Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo), a pedido dos Estados Unidos, anunciou o Ministério da Saúde alemão.

Trata-se do segundo cidadão norte-americano infectado com Ébola a ser transferido da RD Congo para a Alemanha para receber tratamento médico.

Esta transferência ocorre cerca de dois meses depois de um primeiro doente norte-americano ter sido transportado para a Alemanha, no meio da epidemia do vírus Ébola, declarada em meados de Maio, na região oriental do país africano.

Segundo o Ministério da Saúde alemão, a Alemanha está a prestar cuidados médicos “a outro doente infectado com Ébola na RD Congo”.

A mesma fonte referiu que o doente, cuja identidade não foi revelada, foi internado no domingo no Hospital Universitário de Frankfurt.

Por outro lado, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) indicaram, na sexta-feira, que o doente é um colaborador de uma organização humanitária na RD Congo, sem fornecerem mais detalhes a este respeito, segundo a emissora de televisão norte-americana CNN.

Segundo o Hospital Universitário de Frankfurt, o doente apresenta sintomas da doença mas encontra-se em estado “estável”.

O chefe da unidade especial de isolamento para doenças altamente infecciosas do hospital, Timo Wolf, afirmou que o transporte decorreu sem contratempos, tal como noticiou a agência de notícias alemã DPA.

“Não existe qualquer perigo para a população nem para os outros doentes” do hospital de Frankfurt, assegura o Ministério da Saúde alemão, acrescentando que, além disso, “o risco de uma pessoa infectada pelo vírus Ébola entrar na Alemanha continua a ser muito baixo”.

As autoridades congolesas indicaram que a epidemia do vírus Ébola registou, até ao momento, 1.926 casos confirmados, com 702 mortos. Além disso, referiram que há 753 doentes em isolamento, enquanto 318 pessoas recuperaram da doença e receberam alta.

Oficialmente declarada em Maio em Ituri, província fronteiriça com o Uganda e o Sudão do Sul, a epidemia alastrou-se igualmente ao Uganda, onde foram confirmados 20 casos, 15 dos quais importados da RD Congo, entre os quais se contam duas mortes.

A epidemia está associada à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade oscila entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera “elevado” o risco de propagação do surto na África subsaariana e “baixo” à escala global.

A OMS estima que o vírus tenha começado a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração do surto e classificou a epidemia, no passado dia 17 de Maio, como uma “emergência de saúde pública de importância internacional”.

Trata-se da terceira pior epidemia de Ébola da história registada até à data e é a 17.ª a afectar a RD Congo.

A epidemia actual fica apenas atrás da que assolou a África Ocidental entre 2014 e 2016, que causou cerca de 11 mil mortes e 28 mil casos, e de outra que afetou o leste do Congo entre 2018 e 2020 e que causou 2299 mortes e 3481 casos.

O vírus transmite-se por contacto directo com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

Os protocolos da Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelecem que a epidemia do Ébola pode ser considerada encerrada se não forem detectados novos casos durante 42 dias consecutivos, o dobro do período de incubação do vírus.

As forças de segurança da Nigéria resgataram 39 estudantes sequestrados em Maio deste ano, no estado de Oyo, no sudoeste do país, pondo fim a quase dois meses de cativeiro. Na mesma operação foram igualmente libertados cinco dos sete professores raptados durante o ataque.

A libertação foi confirmada pelo governador do estado de Oyo, Seyi Makinde, durante uma visita ao hospital militar onde os antigos reféns recebem assistência médica. O governante manifestou satisfação pelo desfecho da operação e enalteceu o empenho das forças de segurança, revelando, contudo, que alguns agentes perderam a vida durante a missão de resgate.

Segundo as autoridades, os estudantes e professores libertados apresentam sinais de debilidade física e psicológica, consequência das duras condições em que permaneceram durante o cativeiro. As vítimas encontram-se sob observação médica e deverão beneficiar de acompanhamento psicológico para ultrapassar os traumas sofridos.

O sequestro ocorreu em Maio e voltou a evidenciar o agravamento da crise de segurança que afecta a Nigéria. Até há pouco tempo, os raptos em massa de estudantes eram mais frequentes nos estados do norte do país. No entanto, o ataque registado em Oyo demonstra a expansão desta ameaça para o sudoeste nigeriano.

Na mesma semana do ataque em Oyo, dezenas de crianças foram igualmente sequestradas no estado de Borno, no nordeste, reforçando as preocupações quanto ao aumento da violência em diferentes regiões do país.

Os sequestros de estudantes continuam a constituir uma das principais tácticas utilizadas por grupos armados, que recorrem a estes ataques para exigir resgates e pressionar as autoridades. Embora o resgate dos 39 estudantes e de cinco professores represente um alívio para as famílias, o episódio volta a expor os persistentes desafios que a Nigéria enfrenta no combate à insegurança e ao crime organizado.

O número de vítimas mortais provocadas pelos dois fortes terramotos que atingiram a Venezuela, a 24 de Junho, subiu para 4.490, segundo o mais recente balanço oficial divulgado este domingo pelas autoridades venezuelanas. O desastre provocou ainda mais de 16 mil feridos, milhares de desalojados e desencadeou uma vasta operação humanitária para responder à destruição causada pelos sismos.

Os dados foram apresentados pelo presidente do Parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez, que indicou que os dois abalos sísmicos, de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala de Richter, ocorreram com apenas 39 segundos de intervalo, provocando uma das maiores tragédias naturais da história recente do país.

De acordo com o Governo, as equipas de busca e salvamento conseguiram retirar com vida 6.462 pessoas dos escombros. Paralelamente, o Sistema Nacional de Saúde já prestou assistência médica a mais de 32 mil pacientes desde o início da emergência.

Os terramotos provocaram igualmente elevados danos materiais. Um total de 856 edifícios foi afectado, dos quais 190 desabaram por completo. As autoridades concentram agora os esforços na remoção de escombros, recuperação das zonas mais atingidas e reposição gradual dos serviços essenciais.

No plano humanitário, o Executivo informou ter prestado assistência a mais de 120 mil famílias afectadas pelo desastre. Foram igualmente instalados 108 centros de acolhimento temporário, onde permanecem abrigadas 19.583 pessoas. Apesar das medidas adoptadas, cerca de 18 mil cidadãos continuam desalojados em consequência da destruição das suas habitações.

As operações de resposta mobilizam cerca de 32 mil funcionários públicos, mais de 30 mil voluntários e mais de dois mil socorristas internacionais, envolvidos nas acções de busca, assistência humanitária e reconstrução.

As autoridades garantem que prosseguem os trabalhos de apoio às populações afectadas e de avaliação dos prejuízos, numa operação que deverá prolongar-se durante os próximos meses.

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