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O País – A verdade como notícia

Um tribunal guineense absolveu um coronel da polícia acusado do massacre no estádio em 2009, uma decisão que deverá reacender o debate sobre a responsabilização por um dos capítulos mais sombrios da história do país.
O coronel Bienvenu Lamah, um policial militar que estava sob custódia desde Novembro de 2022, foi absolvido das acusações, incluindo cumplicidade em abuso de autoridade, homicídio, sequestro e cárcere privado. O tribunal ordenou a sua libertação imediata.
Os promotores haviam pedido uma pena de prisão de 10 anos, enquanto os advogados que representam as vítimas disseram que iriam recorrer da sentença.
A repressão de 28 de Setembro de 2009 ocorreu quando as forças de segurança invadiram um comício da oposição num estádio na capital, Conacri.
Uma comissão de inquérito mandatada pelas Nações Unidas concluiu que pelo menos 156 pessoas foram mortas, centenas ficaram feridas e mais de 100 mulheres foram estupradas. Grupos de direitos humanos afirmam que o número real de mortos provavelmente foi muito maior.
A absolvição ocorre dois anos após o julgamento histórico do massacre na Guiné, no qual o ex-ditador militar Moussa Dadis Camara foi condenado por crimes contra a humanidade e sentenciado a 20 anos de prisão. Ele foi posteriormente perdoado pelo líder da junta militar, Mamady Doumbouya, em Março de 2025.
Outros sete réus receberam penas de prisão que variam de vários anos à prisão perpétua, enquanto três suspeitos militares permanecem foragidos.
Para os sobreviventes e familiares das vítimas, o caso continua um símbolo da longa luta por justiça, quase 17 anos após o massacre.

O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, apelou aos países africanos para reforçarem a cooperação na gestão das questões migratórias, defendendo uma resposta coordenada às causas que estão na origem dos fluxos de migração no continente.

Discursando na segunda-feira perante o Parlamento Pan-Africano, órgão legislativo da União Africana, Ramaphosa afirmou que os Estados africanos devem trabalhar em conjunto para enfrentar problemas como os conflitos, a instabilidade, a pobreza e a discórdia social, factores que alimentam os movimentos migratórios.

O apelo surge numa altura em que a África do Sul enfrenta uma vaga de protestos contra a imigração, durante os quais grupos anti-imigração responsabilizam os imigrantes em situação irregular pelo desemprego, pelo aumento da criminalidade e pela pressão exercida sobre os serviços públicos.

O Chefe de Estado sul-africano advertiu que a circulação transfronteiriça descontrolada pode comprometer a segurança e a ordem social, sublinhando que nenhum país africano conseguirá responder, isoladamente, a este desafio.

Pretória tem igualmente sido alvo de críticas por parte de vários governos africanos, na sequência de ataques contra cidadãos estrangeiros residentes na África do Sul.

Na semana passada, um cidadão nigeriano morreu sob custódia policial na Cidade do Cabo. O Governo da Nigéria acusou as autoridades sul-africanas de recorrerem a “tácticas abusivas” que terão conduzido à morte do seu cidadão.

Segundo informações disponíveis, pelo menos quatro migrantes perderam a vida na recente vaga de violência, embora alguns governos africanos sustentem que o número de vítimas mortais poderá ser superior.

Ramaphosa classificou os ataques como “tristes e abomináveis” e manifestou pesar pelas vidas perdidas. O Presidente reiterou ainda a oposição do seu Governo a qualquer forma de ódio contra cidadãos estrangeiros, xenofobia ou afrofobia.

Nos últimos dois meses, dezenas de milhares de migrantes africanos abandonaram a África do Sul, contando com o apoio de países como o Gana, a Nigéria e o Malawi nos processos de repatriamento dos respectivos cidadãos.

Pelo menos 30 pessoas morreram na sequência de um ataque perpetrado por homens armados contra uma aldeia no estado de Kaduna, no norte da Nigéria, na madrugada desta segunda-feira, segundo relataram moradores da região.

Entre as vítimas mortais encontram-se oito crianças. O ataque fez ainda quatro feridos. De acordo com os residentes, as forças de segurança só chegaram ao local várias horas após a incursão dos atacantes.

Até ao momento, nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque.

A violência protagonizada por grupos armados continua a representar um dos principais desafios à segurança no norte da Nigéria. Para além da actuação de gangues criminosos, o nordeste do país continua a enfrentar uma insurgência conduzida pelo grupo extremista Boko Haram, responsável por inúmeros ataques ao longo dos últimos anos.

Especialistas consideram que a corrupção, as deficiências na partilha de informações entre as autoridades e o subfinanciamento das forças policiais têm comprometido os esforços para travar a violência e combater os grupos armados.

Em Dezembro do ano passado, os Estados Unidos realizaram uma operação militar em território nigeriano, efectuando ataques aéreos contra dois campos controlados por um grupo militante islâmico.

A primeira fábrica do Zimbabwe para processar lítio, um metal de energia limpa do qual o País é o maior produtor de África, está em funcionamento, um marco em seu crescente esforço para interromper a exportação em larga escala de sua riqueza mineral bruta.

Animado com esse desenvolvimento, o pequeno país do sul da África está determinado a ir muito mais longe em seu esforço para o processamento local de seus recursos, chegando a vislumbrar a produção própria de baterias recarregáveis ​​de lítio.

Faz parte de um esforço do país – e de outros no continente – para agregar valor internamente às matérias-primas, a fim de criar empregos e aumentar as receitas de exportação.

“Não toleraremos mais a exportação desenfreada de nossas riquezas”, disse o presidente Emmerson Mnangagwa nesta semana, na abertura de uma conferência sobre industrialização.

“Preferimos deixar nossos valiosos minerais no subsolo a exportá-los sem processá-los localmente. A era das relações de investimento ‘cavalo e cavaleiro’ acabou.”

Em Fevereiro, o Zimbabwe congelou as exportações de minerais brutos antes de uma proibição total em 2027, anunciando que exigiria “agregação de valor e beneficiamento no país”.

O foco estava nos concentrados brutos de lítio, ingrediente das baterias recarregáveis, cuja maior parte das centenas de milhares de toneladas de produção anual era enviada para a China, o maior fabricante mundial de veículos eléctricos.

A proibição fez com que as empresas de mineração se mobilizassem para construir fábricas de processamento de sulfato de lítio, um passo na cadeia de valor rumo a materiais de grau de bateria.

A primeira, e única até agora, foi instalada em Goromonzi, a cerca de 30 quilómetros (20 milhas) a leste de Harare, uma instalação de US$ 400 milhões construída pela Prospect Lithium Zimbabwe (PLZ), de propriedade chinesa, que entrou em operação plena em Maio.

Foi também uma estreia no continente, afirmou o ministro das Minas, Polite Kambamura, durante uma visita na semana passada.

“A construção da primeira fábrica de sulfato de lítio na África já ficou para trás, e isso foi feito no Zimbabwe”, disse ele aos jornalistas.

“Como governo, estamos muito felizes em testemunhar esse marco, especialmente porque continuamos a incentivar a agregação de valor e o beneficiamento local”, disse ele.

BATERIAS E MUITO MAIS

Kambamura afirmou que a PLZ também está quase concluindo uma planta para refinar carbonato de lítio, o próximo ponto na sequência de processamento.

Ele afirmou que se espera que mais fábricas de processamento de sulfato entrem em operação até a entrada em vigor da proibição das exportações de concentrado de lítio, em Janeiro de 2027.

“O próximo passo será trazer baterias de lítio para o Zimbabwe”, disse ele. “Só descansaremos depois de conseguirmos produzir baterias de lítio e painéis solares.”

A fabricação de baterias exige extensas cadeias de suprimentos industriais que permanecem concentradas na Ásia, com a África do Sul dominando o setor emergente no continente.

Além do foco no lítio, o governo do Zimbabwe incluiu outros 13 minerais – de cobalto a metais da platina e elementos de terras raras – em sua lista de minerais “críticos” que não poderão ser exportados em sua forma bruta a partir do início do próximo ano.

OURO

A nova política tem como objectivo garantir benefícios a longo prazo da riqueza natural do Zimbabwe, afirmou o porta-voz do governo, Nick Mangwana.

“Alguns desses minerais são finitos e as gerações futuras podem nunca os ver. Não queremos que elas herdem elefantes brancos”, disse ele à AFP.

A reforma abrangeu também o importante sector aurífero, com o governo anunciando em Maio que apenas cidadãos indígenas e empresas de propriedade local terão permissão para operar minas de pequena e média escala, que proporcionam sustento a milhares de pessoas.

“Esta política não é de exclusão, é de inclusão estruturada”, disse Payne Farai Kupfuwa, fundador da Young Miners Foundation, saudando a iniciativa.

O crescimento do setor de lítio desde o congelamento das exportações em fevereiro — com mais de US$ 1 bilhão em investimentos desde então — mostra que os limites às exportações de minerais brutos “atraem indústrias de agregação de valor, criam empregos, impulsionam a economia e garantem que mais lucros permaneçam no país”, disse à AFP o especialista em políticas públicas Tedious Ncube.

Gana diz que vai repatriar mais mil cidadãos da África do Sul, devido à onda de violência xenófoba persistente no país.

Além deste número, as autoridades de Acra já repatriaram mais de 900 cidadãos e afirma que exigirá indenização do governo sul-africano pelas propriedades e bens perdidos.

Na sequência da violência xenófoba na África do Sul, Gana e Nigéria pediram à União Africana que inclua na agenda próxima cúpula da organização o debate sobre o fenómeno.

Estima-se que mais de 160 mil estrangeiros deixaram a África do Sul desde Maio deste ano, em consequência de violentos protestos anti-imigrantes.

Ainda no Gana, cidadãos solicitaram ao Tribunal Penal Internacional a abertura de uma investigação sobre os ataques a estrangeiros, alegando que tais actos podem constituir crimes contra a humanidade.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que tenciona deslocar-se a Nova Iorque, em Setembro, para participar na Assembleia Geral das Nações Unidas, apesar dos apelos à sua detenção ao abrigo do mandado emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

Em declarações à imprensa, Netanyahu garantiu não estar preocupado com a possibilidade de ser detido e recordou que tem participado regularmente nas sessões da Assembleia Geral durante os seus mandatos como chefe do Governo israelita.

Segundo afirmou, apenas eventuais exigências de segurança poderão impedir a deslocação, cenário que não prevê para este ano.

As declarações surgem em resposta aos comentários de Zohran Mamdani, candidato à presidência da Câmara Municipal de Nova Iorque, que defendeu o cumprimento do mandado de detenção emitido pelo Tribunal Penal Internacional caso o líder israelita visite a cidade.

Netanyahu voltou a rejeitar as acusações de crimes de guerra apresentadas pelo TPI, considerando o processo ilegítimo. O primeiro-ministro israelita acusou ainda Mamdani de fomentar a divisão através das suas declarações.

Os Estados Unidos da América e o Irão suspenderam, pela terceira noite consecutiva, as hostilidades militares, numa tentativa de criar condições para o prosseguimento das negociações de paz.

Após quase duas semanas de confrontos, que colocaram em risco o histórico acordo de paz assinado no mês passado, Washington e Teerão procuram relançar o diálogo diplomático.

As autoridades norte-americanas indicam que o Presidente Donald Trump continua disponível para retomar as negociações, mas advertiram que os Estados Unidos mantêm o reforço da sua presença militar na região e que poderão voltar a intervir caso não sejam registados progressos.

A nova escalada de violência teve início depois de Washington acusar o Irão de atacar navios comerciais no estratégico Estreito de Ormuz, alegando que Teerão violou um memorando de entendimento firmado em meados de Junho. Em resposta, o Irão lançou ataques contra alvos norte-americanos na Jordânia e em vários países do Golfo.

Entretanto, os rebeldes houthis do Iémen, apoiados pelo Irão, anunciaram um bloqueio ao estreito de Bab el-Mandeb, agravando a tensão na região e aumentando a pressão sobre os Estados Unidos e sobre a economia mundial.

No domingo, Teerão confirmou igualmente a suspensão da sua campanha de retaliação, enquanto decorrem contactos diplomáticos, mas advertiu que qualquer reatamento dos ataques por parte dos Estados Unidos terá “graves consequências”.

Paralelamente, o Irão enfrenta um diferendo diplomático com a Ucrânia, na sequência de um ataque a um navio iraniano que seguia com destino à Rússia. Kiev sustenta que a embarcação transportava material militar destinado ao Kremlin para utilização no conflito em território ucraniano.

As autoridades iranianas afirmam que o ataque provocou a morte de um marinheiro e garantem que o incidente não ficará sem resposta.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que falou com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre a campanha dos Estados Unidos para desmantelar o Tribunal Penal Internacional (TPI).

“Ontem à noite [sábado à noite] falei com o secretário de Estado Marco Rubio, que reiterou a intenção dos Estados Unidos de agir com firmeza contra esta organização [o TPI]”, disse Netanyahu no início da reunião do seu Governo, segundo um comunicado divulgado pelo seu gabinete e antes da viagem que fará na segunda-feira a Washington, onde se vai reunir com Donald Trump.

Na mesma nota, Netanyahu alega que este tribunal internacional “põe em risco a justiça no mundo” e submete a segurança dos países “às decisões de funcionários corruptos em Haia”, apelando ainda a que outros países sigam a iniciativa norte-americana.

Netanyahu viajará nesta segunda-feira para Washington, a convite do Presidente Donald Trump, para participar do funeral do senador Lindsey Graham, aproveitando ainda para conversa com o chefe de Estado norte-americano “sobre todos os temas da agenda, incluindo a situação no Irão”, afirmou.

O encontro entre Netanyahu e Trump, o primeiro presencial entre os dois líderes desde o início da guerra conjunta contra o Irão, no final de fevereiro, ocorre num contexto de agravamento das hostilidades entre Washington e Teerão, com Telavive em estado de alerta.

Sobre a destituição, na sexta-feira, do procurador do Tribunal Penal Internacional, Karim Khan, por alegada conduta sexual imprópria, Netanyahu insinuou hoje que o magistrado emitiu mandados de captura contra si e contra o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant por alegados crimes de guerra para desviar a atenção das acusações que recaíam sobre ele.

“Fê-lo para desviar as atenções, para reunir à sua volta todos os que odeiam Israel e, essencialmente, para criar uma couraça protetora. Essa couraça foi quebrada e expôs também a sua verdadeira motivação, bem como a injustiça e a profunda corrupção que existem não só na Procuradoria, mas em todo o Tribunal Penal Internacional”, afirmou o primeiro-ministro israelita.

Sob a liderança de Netanyahu, Israel devastou a Faixa de Gaza desde os ataques do Hamas de 07 de Outubro de 2023, deslocando praticamente toda a população e provocando mais de 73 300 mortos, além de cerca de 7500 desaparecidos, segundo o Ministério da Saúde do enclave palestiniano, numa ofensiva classificada como genocídio por uma comissão independente das Nações Unidas e por várias organizações.

O Papa Leão XIV manifestou, este domingo, solidariedade para com as vítimas dos incêndios florestais que assolam várias regiões de Espanha e França, apelando à oração pelas populações afectadas e pelas equipas de socorro empenhadas no combate às chamas.

Após a oração do Angelus, no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, onde se encontra de férias, o Sumo Pontífice afirmou estar unido às comunidades atingidas pelos incêndios.

“Perante os devastadores incêndios que atingiram várias cidades de França e Espanha nos últimos dias, expresso a minha solidariedade e convido todos a rezarem pelas vítimas e pelos trabalhadores dos serviços de socorro”, declarou.

Os incêndios obrigaram à retirada de centenas de milhares de pessoas das suas casas, sobretudo nas regiões francesas de Gironda e Landes e nas zonas espanholas de Madrid, Ávila e Toledo. As operações de combate às chamas contam com o apoio de vários países da União Europeia, entre os quais Portugal.

Na sua intervenção, Leão XIV dirigiu ainda uma mensagem aos povos afectados por conflitos armados, apelando ao fim da violência.

“Que o Senhor toque os corações e ilumine as mentes dos responsáveis para que a reconciliação e a paz sejam alcançadas em breve”, afirmou.

O Papa assinalou igualmente o Dia Mundial dos Avós, destacando a importância dos idosos para a Igreja e para a sociedade, e apelou ao respeito, valorização e assistência a esta camada da população.

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