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Mais da metade dos sudaneses (25.6 milhões), estão a passar fome aguda, das quais, 755 mil em “condições catastróficas”, causada pela guerra que eclodiu em abril de 2023, os preços elevados e crescentes e a devastação causada pelas fortes chuvas e inundações. A informação foi divulgada, hoje, pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Segundo o relatório denominado “Actualização Humanitária do Sudão”, mais de metade da população do Sudão (25,6 milhões de pessoas) enfrenta actualmente a fome aguda, incluindo mulheres grávidas e crianças, com “consequências fatais ou para toda a vida”.

De acordo com as Nações Unidas, as causas são as crescentes hostilidades político-militares que eclodiram em abril de 2023, os preços elevados e crescentes e a devastação causada pelas fortes chuvas e inundações.

Nesse universo, o OCHA alertou para a situação em que estão cerca de cinco mil crianças no campo de refugiados de Zamzam, que desde outubro passado não recebem tratamento médico porque tanto as milícias paramilitares Forças de Apoio Rápido (FAR) como o exército bloquearam a chegada de alimentos, medicamentos e “outros bens essenciais”.

Segundo o relatório da ONU, o país africano “continua a entrar numa espiral de caos” e a falência do sistema de saúde deteriorou ainda mais a situação.

O OCHA advertiu também que “o risco de surtos de doenças evitáveis por vacinação é o mais elevado desde o início do conflito, em meados de abril”, devido ao fragilizado sistema de saúde.
“O programa de vacinação infantil está a deteriorar-se e as doenças infecciosas estão a espalhar-se por todo o país”, referiu.

O OCHA lembrou que cerca de 11,2 milhões de pessoas foram deslocadas dentro e fora do Sudão desde abril de 2023, quando a guerra começou.

No Sudão, a escassez de alimentos melhora após a estação chuvosa, que começa depois do mês de setembro.

A Moldávia realizou eleições a 20 de outubro passado em que a actual presidente Maia Sandu, sem conseguir a maioria absoluta, obteve 42% dos votos contra 26% de Alexandr Stoianoglo, antigo Procurador-Geral e amigo da Rússia. Hoje, o país vai a uma segunda volta devido, também, às alegações de um esquema de compra de votos apoiado por Moscovo.

Os eleitores voltaram hoje às urnas na Moldávia para escolher entre a actual presidente Maia Sandu, pró-europeia, e o candidato Alexandr Stoianoglo, que é a favor de laços mais estreitos com a Rússia.

Apesar da actual presidente ter conquistado 48% dos eleitores, contra os 25% do antigo procurador, os votos não foram suficientes para conseguir uma maioria absoluta, e, uma vez que nenhum dos concorrentes conseguiu mais do que os 50% para uma vitória absoluta, os moldavos voltam pela segunda vez às urnas.

Após as duas votações de outubro, as autoridades moldavas denunciaram um esquema de compra de votos supostamente orquestrado por Ilan Shor, um oligarca exilado que vive na Rússia.

Shor foi condenado à revelia em 2023 por fraude e branqueamento de capitais. Os procuradores alegam que cerca de 35,8 milhões de euros foram canalizados para mais de 130 000 eleitores através de um banco russo que está sob sanções internacionais entre setembro e outubro. 

“Estas pessoas que vão a Moscovo, o chamado governo no exílio de Ilan Shor, que chegam com grandes somas de dinheiro, são deixadas à solta”, disse Octavian Ticu, um dos candidatos à corrida presidencial que foi considerado um outsider.

Shor negou qualquer irregularidade.

No mesmo dia da primeira volta das eleições presidenciais, realizou-se também um referendo nacional sobre a inclusão do objetivo de adesão à UE na Constituição do país.

O referendo foi aprovado por uma maioria de 50,35%, reforçada nas últimas horas da contagem dos votos no estrangeiro.

Nas duas eleições poderão determinar se o país candidato à União Europeia, vizinho da Ucrânia, se mantém na via pró-ocidental, apesar das alegações de que a Rússia tentou minar o processo eleitoral.

A actual Presidente Maia Sandu é a favorita para garantir um novo mandato numa corrida presidencial em que concorrem 11 candidatos. Os eleitores vão também escolher “sim” ou “não” num referendo sobre a possibilidade de consagrar na Constituição do país a sua aproximação à UE a 27.

Houve um protesto na Nigéria pelo fato de 29 crianças estarem entre os que enfrentam a pena de morte por, supostamente, participar de protestos contra a crise do custo de vida.

Os menores, com idades entre 14 e 17 anos, faziam parte de um grupo de 76 pessoas acusadas em tribunal, nesta sexta-feira, segundo avança o portal de notícias African News. 

As acusações contra eles incluem traição, destruição de propriedade, perturbação da ordem pública e incitação a um golpe militar.

Os menores teriam sido detidos pela polícia em Agosto. Quatro das crianças indiciadas desmaiaram, no tribunal, de exaustão antes de poderem fazer uma declaração. 

Os nigerianos foram às ruas em cidades por todo o país naquele mês para protestar contra as reformas económicas, incluindo o fim dos subsídios aos combustíveis e a desvalorização da moeda local.

As forças de segurança foram acusadas de uso excessivo de força durante os protestos, com o grupo de direitos humanos, Amnistia Internacional, dizendo que pelo menos 13 pessoas foram mortas a tiros em confrontos com a polícia.

Os advogados das crianças disseram que foi concedida fiança e que o caso será julgado em Janeiro.

Refira-se que pena de morte foi introduzida na Nigéria na década de 1970, mas não houve execuções desde 2016.

 

A Organização Mundial da Saúde disse, na sexta-feira, que quase um milhão de doses de vacinas contra o vírus Mpox foram alocadas para nove países africanos.

Isto segue o estabelecimento no mês passado de um Mecanismo de Acesso e Alocação (AAM) para apoiar o acesso equitativo e oportuno às vacinas contra a micotoxina na África.

“Até agora, mais de 50 mil pessoas foram vacinadas contra a mpox na República Democrática do Congo e em Ruanda, graças a doações dos Estados Unidos e da Comissão Europeia”, disse o Diretor-Geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, citado por African News. 

O anúncio foi feito no momento em que o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África) informou que os casos de mpox estavam a apresentar um aumento de 500% em relação ao ano passado, afectando agora 19 países.

A OMS declarou Mpox uma emergência sanitária global em meados de Agosto, depois que uma nova cepa, clade 1b, começou a se espalhar da República Democrática do Congo para países vizinhos.

O Presidente do Botswana, Mokgweetsi Masisi, anunciou, hoje, que se vai demitir, depois dos resultados parciais mostrarem a derrota nas eleições legislativas do seu partido, que está no poder há quase 60 anos.

“Gostaria de felicitar a oposição pela sua vitória e conceder a eleição”, declarou Masisi, durante conferência de imprensa, citado por Lusa. 

Resultados parciais das eleições legislativas de quarta-feira, divulgados horas antes, mostram que a UDC lidera com 19 dos 61 lugares no parlamento. O Partido do Congresso de Botsuana (BCP, na sigla em inglês) tem sete e, por último, a Frente Patriótica do Botsuana (BPF) tem cinco.

O Partido Democrático do Botswana (BDP), do Presidente Masisi, conquistou apenas um lugar até ao momento.

Os resultados comunicados pelos vários gabinetes de apuramento mostram que os três partidos da oposição obtiveram em conjunto 31 lugares, o suficiente para controlar o parlamento, de acordo com uma contagem realizada pela agência de notícias France–Presse.

Os Estados Unidos da América vão às eleições daqui a menos de uma semana, já na terça-feira. Em mais uma actividade de campanha, a candidata democrata, Kamala Harris, disse ser este o tempo de uma nova geração liderar os EUA. Já o republicano Donald Trump diz estar focado na salvação do país face à campanha de ódio e destruição dos democratas.

Há uma semana das eleições presidenciais nos Estados Unidos da América, continuam  sonantes os discursos dos dois candidatos que disputam a Casa Branca. 

A candidata democrata, Kamala Harris, diz que se aproxima a oportunidade dos americanos tomarem uma decisão que vai impactar directamente nas suas vidas.  

“Daqui há uma semana, vocês terão a chance de tomar uma decisão que vai impactar directamente as vossas vidas, a vida das vossas famílias e o futuro deste país que amamos”, disse Kamala Harris.

Num discurso realizado em Washington, a também vice-presidente dos EUA acusou o candidato republicano, Donald Trump, de ter a pretensão de usar as forças de defesa norte-americanas contra os próprios cidadãos e destacou ser o tempo de uma nova geração de liderança.

“Donald Trump pretende usar os militares dos EUA contra os cidadãos americanos que simplesmente discordam dele. Americanos, este não é o candidato à presidência que pensa em melhorar as vossas vidas. É alguém que é instável e obcecado pela vingança.  Não é o que somos, é o tempo de uma nova geração de liderança na América”, continuou. 

Já o candidato republicano, Donald Trump, que fez o seu discurso de campanha em Mar-a-Lago, na Flórida, disse estar a trabalhar em um plano para a salvação do país. 

“Estou a seguir um plano para salvar a América e estarei a salvar (o país) da incrível destruição que tem sido causada por Joe Biden e Kamala”.

Trump acusou ainda a sua concorrente, Kamala Harris, de seguir uma campanha de imoralização no que chamou de verdadeiro tipo de campanha de destruição.  

“Ela segue uma campanha de imoralização e, na verdade, uma campanha de destruição. Mas, na verdade, talvez mais do que qualquer coisa, é uma campanha de ódio. É uma campanha de ódio absoluto”, disse.

Esses fazem parte dos últimos argumentos dos concorrentes para ocupar a posição de 47º presidente dos Estados Unidos da América.

As Nações Unidas denunciam violações sexuais colectivas no Sudão, na sequência da guerra civil que se vive no país. Um relatório da Organização diz que a violência tem sido usada como um meio de aterrorizar e punir civis.

O presidente de uma missão de investigação das Nações Unidas, Mohamed Chande Othman, revelou, esta terça-feira, que a escalada de violência sexual cometida no Sudão é assombrosa, num contexto em que o país se encontra em guerra, desde Abril de 2023, entre o exército sudanês (SAF), sob o comando do governante de facto do país, Abdel Fattah al-Burhan, e as Forças de Apoio Rápido (RSF) paramilitares, lideradas por seu ex vice-presidente Mohamed Hamdan Daglo.

Mohamed Chande acusa especialmente os paramilitares de cometer tais actos. Além de violações sexuais, há também relatos de sequestros, sobretudo de mulheres. A guerra no Sudão tem dificultado o acesso à ajuda humanitária. 

A guerra no Sudão desencadeou uma das piores crises humanitárias do mundo. Mais de 25 milhões de pessoas estão a enfrentar a fome aguda. O exército sudanes e as Forças de Apoio Rápido cometeram violações em larga escala dos direitos humanos e do direito internacional humanitário, muitas das quais podem constituir crimes de guerra e/ou crimes contra a humanidade, concluiu a missão.

Uma tempestade que assola a zona leste da Espanha provocou, até então, 13 mortes e destruição, em várias localidades da província de Valência. As autoridades já constituíram um comitê de crise para atender as vítimas.

Uma tempestade descrita como depressão local de alto nível está a afectar a zona leste da Espanha, com maior incidência em Castilla-la Mancha e na Comunidade Valenciana. Segundo os dados avançados pelo governo de Valência, mais de 70 pessoas perderam a vida e outras em número ainda por apurar estão em situações críticas, além de destruição. 

“Estamos num momento muito complicado. Mas insisto, vamos chegar a todos os sítios. Começámos a resgatar, começámos a aceder a locais onde até há bem pouco tempo não conseguimos aceder, mas há locais onde ainda não conseguimos chegar, devido à sua absoluta inacessibilidade”,  informou Carlos Mazón Guixot, Presidente da Comunidade Valenciana.

De acordo com a Guarda Civil, há ainda dezenas de residentes que ficaram presos pelas inundações, muitos destes no interior de carros. Uma reunião de emergência deverá ter lugar ainda esta quarta-feira para a avaliação dos impactos.

“Não conseguimos comunicar com alguns deles, devido ao problema que ainda estamos a ter com as comunicações e a cobertura. Mas estamos a crer que até lá poderão chegar ou até a noite ou mesmo amanhã de manhã, o papel dos presidentes de câmara vai ser fundamental”, acrescentou. 

A Agência Estatal de Meteorologia de Espanha ativou o alerta vermelho para chuvas na Comunidade Valenciana, onde uma ponte ruiu depois de um rio em Picaña ter transbordado. Vários municípios suspenderam as aulas, actividades desportivas ao ar livre, parques e jardins. A agência alerta ainda que os aguaceiros fortes vão continuar.

A Amnistia Internacional acusou o Governo israelita de “criminalizar” a prestação de ajuda humanitária e de “atacar os direitos dos refugiados palestinianos”, por proibir operações da agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos (UNRWA).

A secretária-geral da organização, Agnes Callamard, afirmou, em comunicado, citado por Lusa, que a decisão israelita é um “ataque ultrajante” que “visa, claramente, impossibilitar o funcionamento da agência nos territórios palestinianos ocupados, forçando o seu encerramento em Jerusalém Oriental e acabando com os vistos para o seu pessoal”.

“É um sinal da criminalização da ajuda humanitária e só vai agravar uma crise humanitária já catastrófica”, afirmou Callamard, recordando que a UNRWA “desempenhou um papel indispensável no fornecimento de água, alimentos, cuidados de saúde, educação e refúgio a quase dois milhões de palestinianos em Gaza, que foram forçados a deslocar-se”.

A secretária-geral salientou ainda que os palestinianos enfrentam uma “fome artificial” e um “grave perigo de genocídio devido à ofensiva contínua de Israel ao longo do último ano”.

“A UNRWA tem sido uma salvação para os refugiados palestinianos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, bem como nos países vizinhos, desde a sua fundação há 75 anos. O sofrimento do povo palestiniano teria sido ainda maior se não fosse o trabalho da UNRWA durante três quartos de século”, recordou.

Para Callamard, a proibição israelita trata-se de uma decisão “desumana”, que apenas agravará a situação: “Os palestinianos já sofreram de forma inimaginável desde os terríveis ataques perpetrados pelo Hamas e outras facções palestinas contra o sul de Israel, há um ano”.

“A comunidade internacional deve condenar rapidamente esta decisão e tentar influenciar o governo israelita para que tome medidas”, concluiu.

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