Skip to main content

O País – A verdade como notícia

Pelo menos 30 pessoas morreram na sequência do desabamento de uma enorme pilha de lixo no aterro sanitário de Dar Es Salam, o maior de Conacri, capital da Guiné.

O acidente ocorreu na madrugada de domingo, depois de fortes chuvas registadas durante a noite terem provocado um deslizamento de terras no local.

Testemunhas relataram que moradores correram para o aterro na tentativa de resgatar possíveis sobreviventes. No entanto, enquanto as operações de socorro decorriam, uma segunda parte da estrutura de resíduos desabou em sucessivas vagas, atingindo várias pessoas que se encontravam no local.

Segundo as autoridades, além das vítimas mortais, pelo menos seis pessoas ficaram gravemente feridas. Várias casas situadas nas proximidades do aterro foram igualmente destruídas pelo desabamento.

As equipas de emergência iniciaram uma operação de busca e salvamento, vasculhando as enormes quantidades de lixo acumuladas no aterro na tentativa de localizar sobreviventes.

O aterro de Dar Es Salam tinha encerramento previsto para domingo, estando os moradores das zonas circundantes previamente orientados a abandonar o local. Contudo, várias pessoas continuavam a viver nas proximidades quando ocorreu o desabamento.

O acidente expõe, uma vez mais, os riscos associados à permanência de comunidades junto de um aterro que há anos enfrentava problemas relacionados com a gestão e acumulação de resíduos.

 

Em um processo judicial em Washington, Joseph Kabila, que governou o Congo de 2001 a 2019, busca a remoção de seu nome de uma lista negra do Departamento do Tesouro dos EUA.

Ele alega que a sanção imposta a ele pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) em abril foi baseada em alegações sem fundamento.

Washington acusa Kabila de financiar e oferecer apoio político aos rebeldes do M23, apoiados por Ruanda, que tomaram o controle de duas províncias congolesas no ano passado.

Mas Kabila argumenta que o governo dos EUA não especificou nenhuma transferência de fundos ou incentivo político aos rebeldes por parte dele.

Após anos em exílio auto imposto, Kabila reapareceu em Goma no ano passado, apenas alguns meses depois da cidade ter caído nas mãos dos rebeldes.

Um tribunal militar congolês condenou Kabila à morte à revelia por traição e outros crimes relacionados ao seu papel no M23.

Mesmo após um acordo de paz entre Kinshasa e Kigali, a violência persiste no leste do Congo, com ambos os lados acusando-se mutuamente de violações.

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Mohsen Rezaei, alerta que qualquer país que participar da guerra económica dos EUA contra o Irão será considerado um “inimigo” por Teerão

Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, fez essas declarações em uma entrevista à emissora estatal de TV, IRIB.

Começou por afirmar que o Irão iria, primeiro, negociar com tais países aliados dos EUA na guerra económica e pediria que se mantivessem fora do conflito, mas alertou que, se eles se recusassem, Teerã atacaria seus interesses.

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã sublinhou ainda que o Irã aprendeu a contornar as sanções dos EUA ao longo dos anos e continuou a vender petróleo, apesar de meses de bloqueio naval americano.

Rezaei também reiterou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado a menos que os Estados Unidos cumpram seus compromissos previstos no memorando de entendimento de paz entre Irã e EUA, assinado em Junho.

O Irão terá como alvo qualquer movimentação dos EUA ao longo da rota de navegação sul no Estreito de Ormuz e atacará quaisquer reuniões que envolvam os Estados Unidos e grupos anti-Irã na região, disse Rezaei.

Donald Trumpdisse, na quarta-feira, que os Estados Unidos lançariam “a operação económica mais devastadora de todos os tempos” contra o Irã, através de uma “guerra económica e um isolamento em uma escala sem precedentes”.

Mais de 1 milhão de palestinos deslocados na Faixa de Gaza enfrentam dificuldades para obter alimentos e água. Restrições de entrada de alimentos na zona de conflitos agrava a situação.

Os relatórios mais recentes da Organização das Nações Unidas revelam que cerca de 1,4 milhão de pessoas, o mesmo que 67% da população da Faixa de Gaza, enfrenta insegurança alimentar, por não ter uma refeição básica por dia.

De acordo com a organização, cerca de 10% da população está à beira da fome, o que eleva a gravidade da crise humanitária em toda a Faixa de Gaza.

Muitas famílias deslocadas na região vivem em tendas improvisadas e dependem inteiramente de distribuições esporádicas de alimentos.

Grupos de ajuda humanitária reduziram recentemente a distribuição de refeições devido à escassez de recursos e às restrições nos corredores de abastecimento.

Para já, as autoridades municipais da Faixa de Gaza alertaram para um colapso iminente do sistema de abastecimento de água devido à falta de combustível e óleo, informando que apenas 40 dos cerca de 700 geradores receberam óleo.

El Niño atrasa as chuvas e reduz os níveis do Nilo, agravando a crise alimentar num país já devastado pela guerra e pelo aumento dos custos de produção

Ao longo das margens ressequidas do Nilo, no Sudão, agricultores lutam para levar água às suas plantações, enquanto outros recorrem a orações para pedir chuva sobre uma terra marcada por profundas fendas.

Em todo o país, vastas áreas agrícolas que poderiam contribuir para alimentar milhões de pessoas permanecem abandonadas. A guerra, a escassez de combustível e fertilizantes e, agora, a falta de chuva estão a empurrar os agricultores para uma das épocas agrícolas mais difíceis de que há memória.

O Sudão enfrenta desde Abril de 2023 uma guerra entre o exército e as Forças de Apoio Rápido, conflito que provocou centenas de milhares de mortos e deixou milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar.

A crise agravou-se com o aumento dos preços dos combustíveis e fertilizantes, num contexto de perturbações no abastecimento internacional. Agora, o fenómeno climático El Niño veio acrescentar uma nova ameaça, atrasando as chuvas e contribuindo para a redução dos níveis de água do Nilo.

Ao sul de Cartum, o agricultor Al-Tigani Fadlallah aponta para uma ilha de areia que normalmente estaria coberta pelas águas do rio nesta época do ano.

“Normalmente, a água cobre tudo em Julho, mas já é possível ver agora”, afirmou Fadlallah, citado pela AFP, considerando o aparecimento do banco de areia um mau presságio para as suas culturas.

De norte a sul, agricultores relatam dificuldades semelhantes. A água não chega em quantidade suficiente através do rio e as chuvas, essenciais para as culturas de sequeiro, tardam em aparecer.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) alerta que a actual campanha agrícola decorre sob elevado risco climático, associado às condições do El Niño, caracterizadas por chuvas tardias e abaixo da média, bem como períodos prolongados e frequentes de seca.

O cientista climático e hidrólogo Elfatih Eltahir, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, que há três décadas estuda a relação entre o El Niño e o Nilo, considera que existe uma forte ligação entre o fenómeno climático e a redução do caudal do rio.

Segundo a sua investigação, quando o El Niño se manifesta no final da Primavera, aumenta a probabilidade de ocorrência de seca no sudeste do Sudão e no noroeste da Etiópia, região onde nasce o Nilo Azul.

Dados da Universidade de Tübingen, na Alemanha, indicam que os níveis de água no reservatório da Grande Barragem da Renascença Etíope, no Nilo Azul, estavam, em Julho, cerca de seis metros abaixo dos registados no mesmo período do ano passado.

Eltahir defende, por isso, maior transparência e cooperação entre a Etiópia, o Egipto e o Sudão na gestão dos recursos hídricos do Nilo, sobretudo num contexto de alterações climáticas que favorecem fenómenos extremos, como secas e cheias mais intensas.

No Estado de Gedaref, junto à fronteira com a Etiópia e uma das principais regiões produtoras de sorgo e sésamo do Sudão, os efeitos da seca já são visíveis.

Com a chegada de Agosto, campos que habitualmente apresentam uma paisagem verde permaneciam castanhos e secos. Agricultores reuniram-se junto de líderes religiosos para rezar por chuva.

“Precisamos destas chuvas para as nossas plantações e para o nosso gado, e elas estão atrasadas”, afirmou o agricultor Abdelmajid Hussein, depois de uma oração.

A ministra da Agricultura, Ismat Qurashi, disse que os agricultores estão a ser aconselhados a optar por culturas mais resistentes à seca e a adiar o período de plantio.

Moussa Yaacoub, de 75 anos, cultiva sésamo há décadas e já enfrentou três campanhas agrícolas durante a guerra. Cada uma, segundo relata, foi mais difícil do que a anterior.

Com a terra novamente rachada pela seca, o agricultor teme não conseguir suportar os custos da próxima campanha, que, segundo afirma, estão quatro vezes mais elevados.

“Não consigo ter um momento de paz”, lamenta.

Mais abaixo, no Estado de Al-Jazira, outra importante região agrícola e produtora de cereais, Hassan Ahmed observa a propriedade da família, cultivada há cerca de um século.

Depois de regressar à exploração no ano passado, na sequência da recuperação da região pelo exército, Ahmed encontrou a propriedade saqueada e as árvores debilitadas pelo calor.

Juntamente com os filhos, começou a recuperar a fazenda, mas este ano voltou a enfrentar dificuldades devido à falta de água.

“Tenho 63 anos e nunca vi o Nilo tão baixo em Agosto”, afirmou. Segundo Ahmed, nesta altura do ano a água deveria ter encharcado o solo a vários metros de profundidade, permitindo a utilização das bombas de irrigação.

A combinação entre a escassez de água, o aumento dos custos de produção e um mercado profundamente fragilizado está a levar muitos agricultores a abandonar as suas terras.

Cerca de 65 por cento das extensas terras aráveis do Sudão são consideradas inutilizáveis, agravando uma crise alimentar que já afecta milhões de pessoas.

Alguns agricultores chegaram a iniciar o cultivo, mas acabaram por abandonar as plantações quando perceberam que a colheita não compensaria os custos.

“Plantaram as suas culturas, mas depois deixaram-nas morrer porque simplesmente não valia a pena fazer a colheita”, afirmou o jovem agricultor Mohamed al-Tijani, citado pela AFP, nas proximidades de Cartum.

O Sudão depende da importação de combustível e de grande parte dos fertilizantes utilizados na agricultura. Os custos destes produtos terão aumentado até cinco vezes este ano, agravando as dificuldades provocadas pela guerra e pela crise económica.

Para muitos agricultores, o risco é perder não apenas a colheita, mas também o investimento realizado.

Ainda assim, alguns insistem em continuar a trabalhar.

O agricultor veterano Ahmed Othman sabe que poderá não recuperar o dinheiro investido na campanha, num mercado debilitado e com grande parte da população sem emprego.

“Mas pelo menos posso dizer que estou a trabalhar”, afirmou, mantendo-se nos campos apesar das condições adversas.

Entre a guerra, a seca e a crise económica, os agricultores sudaneses enfrentam uma realidade em que produzir alimentos se tornou cada vez mais difícil, justamente quando o país mais precisa da sua agricultura para combater a fome.

A República Democrática do Congo (RDC) recebeu, na noite de sexta-feira, um carregamento contendo mais de 16 mil doses da vacina Ervebo. A chegada do fármaco ao aeroporto de Kinshasa representa um passo crucial no combate ao 17.º surto de Ébola da história do país, numa altura em que as autoridades sanitárias alertam para uma progressão exponencial da doença.

O lote, composto especificamente por 16 250 doses, foi recepcionado sob a vigilância das autoridades locais, num cenário de crise humanitária complexa. Declarado oficialmente a 15 de Maio, este surto de Ébola  que já terá causado 2 516 mortes entre os 5 290 casos confirmados tem-se revelado um desafio de difícil gestão para as equipas de saúde.

A precariedade das infraestruturas médicas e a persistente instabilidade provocada por grupos armados nas regiões do norte e do leste do país constituem obstáculos significativos ao controlo da epidemia.

A vacina Ervebo, produzida na Alemanha e desenvolvida pela empresa farmacêutica Merck, é actualmente a única aprovada contra o Ébola. Contudo, a sua aplicação neste surto particular levanta questões científicas importantes: o fármaco é eficaz contra a estirpe Zaire, mas não existe confirmação absoluta da sua protecção contra a estirpe Bundibugyo, que é a que circula presentemente na RDC.

Samuel Roger Kamba, ministro da Saúde da RDC, sublinhou a importância do recurso a este medicamento, referindo que o mesmo “já foi usado diversas vezes”, nomeadamente durante o surto de 2018-2020. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem, contudo, uma estratégia cautelosa. De um total de 70 000 doses destinadas ao país, 20 000 foram alocadas para a realização de ensaios clínicos, enquanto as restantes 50 000 serão direccionadas para os profissionais de saúde e equipas que se encontram na linha da frente.

Os especialistas esperam que os dados, até ao momento derivados principalmente de ensaios em animais, se traduzam numa protecção cruzada eficaz em humanos. “Está a crescer exponencialmente”, alertou Julien Harneis, coordenador sénior da ONU para o Ébola, sublinhando a gravidade do panorama actual.

 

Subiu para 52 o número de mortos na sequência do naufrágio de uma embarcação sobrelotada, ocorrido esta quinta-feira no Estado de Sokoto, no norte da Nigéria. Entre as vítimas encontram-se dezenas de crianças.

O acidente ocorreu quando a embarcação atravessava um curso de água, transportando agricultores e trabalhadores que se dirigiam para campos de arroz. Segundo relatos divulgados pela imprensa, o barco transportava mais de 70 pessoas e encontrava-se sobrecarregado.

As autoridades locais confirmam a morte de 52 passageiros, enquanto cerca de 15 pessoas foram resgatadas com vida. Entre as vítimas mortais estão várias crianças, algumas com idades estimadas entre os 10 e os 15 anos.

Equipas da Agência Nacional de Gestão de Emergências, autoridades de navegação, agentes da Polícia e mergulhadores locais continuam no terreno, empenhados nas operações de busca e resgate de possíveis sobreviventes, bem como na recuperação dos corpos.

Os naufrágios de embarcações de passageiros são frequentes na Nigéria, sobretudo durante a época chuvosa. A sobrelotação, a deficiente manutenção das embarcações e a fraca fiscalização das normas de segurança nas vias navegáveis são apontadas como algumas das principais causas destes acidentes.

Um tribunal da Tanzânia decidiu, na sexta-feira, que vai prosseguir o julgamento por traição contra o líder da oposição, Tundu Lissu, depois de considerar que existem provas suficientes para que o político responda às acusações que pesam sobre si.

Lissu, presidente do partido de oposição Chadema, foi detido em Abril de 2025 e acusado de traição, crime que pode ser punido com pena de morte. A acusação está relacionada com alegadas incitações ao boicote das eleições realizadas no país no ano passado.

Durante a sessão, o juiz Dunstan Ndunguru anunciou que o painel de três magistrados concluiu que a acusação apresentou provas suficientes para que o processo avance. A decisão foi tomada dias depois de os procuradores terem apresentado as suas provas e ouvido 17 testemunhas contra o dirigente da oposição.

Lissu, que se encontra a representar-se a si próprio no processo, apresentou uma lista de altas figuras do Governo que pretende chamar como testemunhas de defesa, entre as quais a Presidente tanzaniana, Samia Suluhu Hassan. O opositor pediu ao tribunal que as testemunhas fossem formalmente intimadas.

O líder do Chadema queixou-se ainda das dificuldades que enfrenta na preparação da sua defesa, alegando que os seus advogados e testemunhas não têm autorização para o visitar na prisão.

“Preciso de me reunir com os meus advogados e testemunhas, mas eles não têm autorização para me visitar na prisão”, afirmou Lissu perante os juízes, pedindo uma intervenção do tribunal para resolver a situação.

A audiência decorreu sob fortes medidas de segurança no Supremo Tribunal, onde apoiantes de Lissu ocuparam a sala para acompanhar a leitura da decisão. Diplomatas estrangeiros também estiveram presentes.

A decisão provocou desilusão entre os apoiantes do dirigente da oposição. Benitho Mwapinga, líder juvenil do Chadema, disse à AFP que não esperava que o tribunal decidisse pela continuidade do processo, mas afirmou que o partido está preparado para avançar para a próxima fase.

Lissu, uma figura histórica da oposição tanzaniana, regressou ao país em 2023, depois de anos no exílio. O político já foi detido várias vezes e sobreviveu, em 2017, a uma tentativa de assassinato.

O processo ocorre num contexto de forte tensão política na Tanzânia. A oposição e organizações de defesa dos direitos humanos acusam as forças de segurança de terem reprimido violentamente os protestos que se seguiram às eleições de Novembro, alegando que milhares de pessoas terão sido mortas.

O Governo tanzaniano reconheceu mais de 500 mortes relacionadas com os distúrbios pós-eleitorais, mas não especificou os responsáveis pelas mortes.

Antes das eleições, o Chadema lançou uma campanha de reformas eleitorais sob o lema “Sem reformas, sem eleições”, exigindo alterações ao sistema eleitoral. A iniciativa acabou por contribuir para a detenção de Lissu.

O partido acusa ainda a Presidente Samia Suluhu Hassan, que terá obtido cerca de 98 por cento dos votos nas últimas eleições, de recuperar métodos repressivos associados ao seu antecessor, John Magufuli.

Lissu nega as acusações e considera o processo de traição politicamente motivado, enquanto o Governo sustenta que as autoridades estão a agir no quadro da lei.

 

O Conselho de Segurança das Nações Unidas realiza hoje a segunda ronda de votações informais para recomendar à Assembleia-Geral um candidato a secretário-geral da organização.

Os 15 membros que compõem o Conselho de Segurança estão reunidos à porta fechada para realizar uma nova consulta, que serve como “termómetro” da corrida à sucessão do cargo actualmente ocupado pelo antigo primeiro-ministro português António Guterres.

Os resultados não são divulgados oficialmente, mas têm acabado por ser revelados por fontes diplomáticas à imprensa.

A presidência do Conselho de Segurança, detida este mês pela Dinamarca, comunica os resultados aos demais membros do órgão e aos países que indicaram os candidatos.

O resultado final é conhecido, mas não a posição de cada um dos países, o que torna impossível saber, de antemão, se algum dos cinco membros permanentes com poder de veto, França, China, Rússia, Estados Unidos e Reino Unido, vai bloquear a candidatura de algum dos candidatos.

A primeira volta desta votação não vinculativa decorreu há três semanas. Naquela ocasião, os candidatos com maior apoio foram a costa-riquenha Rebeca Grynspan, a guianense Carolyn Rodrigues-Birkett e o argentino Rafael Grossi, de acordo com fontes diplomáticas.

Grynspan, secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), recebeu dez votos a favor, um contra e quatro “sem opinião”.

Rodrigues-Birkett, actual embaixadora da Guiana na ONU, recebeu nove votos favoráveis, dois contrários e quatro “sem opinião”, enquanto Grossi, director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), foi apoiado por sete membros, dois votaram contra e seis “sem opinião”, disse a agência de notícias espanhola EFE.

Neste tipo de votação, os membros do Conselho recebem um boletim em branco no qual podem optar por votar a favor, contra ou “sem opinião”.

Após a conclusão deste formato de votação, o Conselho de Segurança vai realizar outra votação, na qual os cinco membros com poder de veto votarão numa cédula vermelha e os outros dez numa cédula branca.

Um voto num boletim vermelho elimina um dos candidatos da disputa.

Horas antes da primeira votação, a candidatura do diplomata ugandês Olara Otunnu foi tornada pública, e esta semana foi anunciada a candidatura da diplomata equatoriana Ivonne Baki.

A candidatura de Baki, ex-ministra do Comércio Exterior e ex-embaixadora do Equador nos Estados Unidos e na França, foi promovida por Tonga.

A equatoriana, que também possui nacionalidade libanesa, mantém há anos uma relação próxima com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que compareceu ao concurso Miss Universo no Equador em 2004, quando Baki era ministra.

Recentemente, a diplomata publicou um vídeo no qual aparecia a usar um boné com a inscrição “Make the UN Great Again” [Tornar a ONU Grande Novamente], fazendo alusão ao lema e ao estilo de Trump.

Desta vez, todos os candidatos enfrentarão a votação depois de se terem apresentado aos Estados-membros e à sociedade civil num diálogo interactivo. Otunnu fez isso na quarta-feira e Baki na quinta-feira.

Na votação anterior, o ugandês recebeu dois votos a favor, cinco contra e oito “sem opinião”, apesar de não ter explicado o plano de trabalho caso consiga liderar a organização.

A candidatura de Baki estaria em consonância com os apelos para que o próximo secretário-geral seja uma mulher, uma vez que a organização nunca teve uma liderança feminina em 80 anos de história.

Há igualmente apelos para que o próximo líder da ONU seja da América Latina, em conformidade com a regra não escrita de rotação regional.

Outras duas candidatas que cumprem ambos os requisitos, tal como Grynspan, Rodrigues-Birkett e Baki, são a chilena Michelle Bachelet e a equatoriana María Fernanda Espinosa.

Bachelet recebeu seis votos a favor, cinco contra e quatro “sem opinião”, enquanto Espinosa obteve cinco votos favoráveis, dois contrários e oito “sem opinião”.

Entre os candidatos está também o ex-presidente senegalês Macky Sall, que recebeu um dos menores apoios na votação anterior, após a oposição de sete membros.

+ LIDAS

Siga nos