A economia da Venezuela registou inflação anual de 475% em 2025, segundo dados recentemente divulgados pelo Banco Central da Venezuela (BCV), a primeira publicação oficial do índice em mais de um ano. O aumento dos preços acontece num contexto em que sanções económicas dos Estados Unidos e uma operação militar que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro alteraram os parâmetros económicos do país.
Segundo o Banco Central da Venezuela, a inflação anual passou de 48% em 2024 para 475% em 2025, impulsionada principalmente pelas restrições ao fluxo de divisas estrangeiras e pela desvalorização do bolívar face ao dólar, que reduz a capacidade de estabilização do mercado.
Sectores como de alimentos e bebidas registaram aumentos acima da média geral, enquanto a educação, saúde e habitação também tiveram variações elevadas. A inflação acumulada nos primeiros meses de 2026 já se aproxima de 52%
As sanções económicas dos EUA, incluindo restrições às exportações de petróleo, foram identificadas como um fator relevante no endurecimento do ambiente inflacionário no último ano. A mudança de administração em Caracas e o anúncio de reabertura gradual de relações diplomáticas com Washington trouxeram alterações nas políticas económicas, mas não foram suficientes para conter a pressão sobre os preços.
A inflação de 475% em 2025 reflete não apenas desequilíbrios internos na economia venezuelana, mas também os efeitos de um cenário externo marcado por sanções e intervenções militares. A evolução dos preços em 2026 dependerá da capacidade do novo governo interino, apoiado por alterações nas políticas de comércio e divisas, em estabilizar o mercado e restaurar confiança nas instituições económicas.

